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“Quase 88% dos usuários do meu app são brasileiros, mas mais da metade da receita vem dos outros 12%”

Depois de ler aquele post sobre a pesquisa da Opinion Box/Mobile Time que constatou que a maioria dos brasileiros não paga por apps, o leitor Renan Ferrari compartilhou, no nosso grupo secreto no Facebook (só para assinantes), algumas estatísticas interessantes sobre seu app para Android.

O app do Renan é o Grana, um gerenciador financeiro simples e leve que tem o diferencial bacana de contabilizar automaticamente as despesas que o banco comunica ao correntista via SMS — o app detecta a mensagem e faz o lançamento.

Pedi autorização ao Renan para republicar seu relato aqui. Segue abaixo:

“Só fui ver hoje o post sobre a pesquisa do Mobile Time indicando que 84,7% dos brasileiros nunca gastaram dinheiro com app. Pra quem ficou curioso, achei que seria interessante compartilhar os dados de um app que eu tenho na Google Play.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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O app é ‘freemium,’ mas suportado por anúncios, ou seja, o usuário baixa e usa de graça, e pode pagar se quiser removê-los. O modelo é o mesmo desde o início e o valor é fixo em R$ 4,99 para os brasileiros e US$ 1,99 para o resto do mundo. Atualmente o app tem pouco mais de 50 mil downloads.

Na imagem abaixo vocês podem ver os países em que o app foi baixado, o quanto isso representa em relação ao total de downloads e o quando essa parcela de downloads gerou de receita pro app:

Os países onde o Grana foi mais baixado e quais renderam mais ao Renan.
Clique para ampliar.

Viram lá? Pois é. Quase 88% dos usuários são brasileiros, mas mais da metade da receita vem dos outros 12%. Interessante, não?

Outro detalhe curioso é que o app tem menos funcionalidades para quem está fora do Brasil. Mas na verdade não se trata de funcionalidades.

O Google acredita que é uma questão cultural, além de outros fatores determinantes como as formas de pagamento, e eles tão tentando mudar isso pouco a pouco. A venda de gift cards do Google Play nos supermercados [desde novembro do ano passado] é um exemplo. Mas, no geral, parece que ainda vai demorar para o brasileiro alcançar uma maturidade similar à do mercado americano.”

Facilitar a compra é um passo importante. Embora sejam mais populares hoje, os cartões de crédito ainda encontram resistência, e é fácil entender o motivo: os juros, altíssimos, que chegaram a 342% ao ano (!) em abril. Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em setembro do ano passado colocou o cartão de crédito no topo das dívidas do brasileiro — ele responde por inacreditáveis 75,1% dos casos.

Assim, além da venda de gift cards, o Google e outras empresas vêm experimentando novos caminhos. Também em novembro último a Play Store passou a aceitar cartões nacionais. No mês seguinte a Microsoft liberou no Brasil a compra de apps usando os créditos da operadora, uma ação que, segundo a empresa, ajuda a alavancar a compra de apps em mercados emergentes.

Surtirá efeito? Difícil dizer. O Renan está certo: essa é, também, uma questão cultural. E tem outra: o fortalecimento dos apps freemium ante os pagos não é exclusividade do Brasil; no mundo inteiro apps são um gasto em declínio. O Grana exemplifica essa tendência. Perguntei ao Renan, num segundo momento, sobre o retorno dos anúncios no app. Sua resposta:

“Os anúncios geralmente rendem cerca de 30 a 40% do faturamento total do app. É até bastante, se comparado com outros apps, mas isso é uma característica dos gerenciadores financeiros em geral — usuário tá sempre abrindo o app.

No geral, a renda dos anúncios é diretamente proporcional ao número de downloads. Daí a maior parte é do Brasil mesmo:”

Divisão de receita publicitária do app Grana.

Baixe o Grana aqui (Android).

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40 comentários

  1. A gente tá vendo muito a cabeça do “nerd padrão” (com o perdão da palavra) aqui no MdU. Deveríamos tentar enxergar a cabeça do “usuário comum”, pois aí dá para se ter uma base do porque não se compra apps com um pouco mais de “pé no chão”.

    Não tenho condições para nada (só não tenho o nick de “Nerd Pobre” pois já é marca registrada =p ), por isso é raro eu comprar algo relacionado a software. Para um ou outro cliente que atendo, já comprei pelo menos um tema de WordPress (e o pior é que nem usamos…) e uma licença do Corel Draw.

    Só uma coisa: acho chato a pessoa falar que “vou ter cartão para virar gente” ou “a pessoa é imatura para usar pirata”. Não é bem assim. Como o Lourenço falou, R$ 5 pro brasileiro me parece bem mais que 2 dólares pra um americano. 5 reais para mim é metade de um almoço ou um lanchinho inteiro para comer a tarde. Ou o transporte (ei, o preço médio das passagens em SP é em torno de 4 reais). Imaginem 30, 40 reais. Entendo quem vai lá e compra um DVD original do XBox/PS (e isso no final cria um outro mercado – o de troca de usados). E até compensa, já que hoje sistemas de pirataria para os “last gens” não existem (e os da geração anterior não compensa ficar pirateando, já que muitos jogos são online). Mas também deveria se entender melhor quem e porque usa pirata.

  2. Enquanto o salário mínimo no Brasil não for suficiente para comprar um cesta básica para um família média de 2 adultos e 3 crianças, acho muito difícil que gastar com aplicativos se torne tão comum.

    Agora imagine quanto se compra com o salário mínimo americano. Acho que isso ajuda entender o porquê.

  3. Bem, acho que o desenvolvedor também tem que fazer valer a pena o gasto. Eu mesmo não estaria disposto a pagar por um aplicativo apanágio para remover as propagandas, até porque eu uso AdBlock no meu Android. Mas já comprei alguns aplicativos porque gostava de suas versões gratuitas e a versão paga apresentava recursos ainda mais interessantes, que foi o caso do Plague Inc e do ROM Toolbox Pro.

  4. Bem, acho que o desenvolvedor também tem que fazer valer a pena o gasto. Eu mesmo não estaria disposto a pagar por um aplicativo apanágio para remover as propagandas, até porque eu uso AdBlock no meu Android. Mas já comprei alguns aplicativos porque gostava de suas versões gratuitas e a versão paga apresentava recursos ainda mais interessantes, que foi o caso do Plague Inc e do ROM Toolbox Pro.

  5. Já comprei alguns app na google play, 4 foram cliente de Twitter(Fenix que é o melhor só fiz gastar grana no outros, Tweetings, Talon e Robird), o Pocket Cast e Yatse(que não uso).
    E 2 que comprei e depois cancelei(Link Bubble tinha muitos bugs além de esquentar muito o smartphone e agora uso Flynx que é a mesma coisa do Link Bubble, mas funciona e é free) e o (Laucher 10 Prime, que vi em um review no canal do Youtube do XDA, mas não fiquei satisfeito).

  6. O único motivo por eu não ter gasto nada com apps até o momento é a falta do cartão de crédito. Eu não vejo necessidade de ter um, já que 99% das minhas compras na internet podem ser feitas via débito online ou boleto. Não vale a pena o gasto com anuidade e taxas para usar tão pouco, ainda mais se for um cartão internacional.

    De qualquer forma, ao contrário da maioria, eu não vejo problema em gastar com apps, pagaria com maior prazer pelos que valem a pena. Assim como hoje eu já pago pela assinatura da Netflix e pelos jogos na Steam (e tem gente que acha que sou trouxa em pagar por isso, quando da pra baixar de graça por ai…).

      1. Pois é, já pesquisei sobre essas opções também. Mas acabei não fazendo.
        Recentemente descobri o NuBank e já pedi o meu. Vamos ver se agora viro “gente” :P

        1. Eu to esperando o meu Nubank chegar. Se valer a pena para as poucas compras em crédito que faço eu cancelo o meu Visa internacional.

          1. Na boa, depois que meu Nubank chegou eu cancelei o cartão do banco. O limite inicial que eles me deram era menor, mas hoje, menos de 6 meses depois de estar com o Nubank, o limite já é maior que do cartão do banco do qual fui cliente por uns 3 anos! O gerenciamento pelo app também nem se compara ao app “quadradão” típico da maioria dos bancos. Cancelei mais por questão de simplicidade na vida financeira, porque o do banco também não tinha tarifa nenhuma, e eu não queria ter vários cartões.

          2. Eu só uso o cartão do banco para saque e compras no débito. O crédito me serviu algumas vezes para compra online, mas foram umas 6 vezes em 2 anos de uso. Na época eu o fiz para assinar PSN Plus Britânica.
            esse Nubank não tem taxa nenhuma mesmo? Paga juro só quando atrasa fatura?

  7. Não gosto de apps freemium, aquelas propagandas me incomodam, baixo o app, testo e se for bom compro.
    É sempre bom ter a opção de testar antes de comprar, já comprei apps que não entregavam o que prometiam, mas o que mais me incomoda são os jogos freemium, estes tiram o prazer de jogar, prefiro pagar pelo app/game porém sei que sou minoria.
    Alguns apps do WP são gratuitos e tem a opção de comprar, esta compra é como se fosse uma doação para o desenvolvedor pois a opção gratuita não tem limitações, vejo isto como reconhecimento do trabalho e não como doação.

  8. Não gosto de apps freemium, aquelas propagandas me incomodam, baixo o app, testo e se for bom compro.
    É sempre bom ter a opção de testar antes de comprar, já comprei apps que não entregavam o que prometiam, mas o que mais me incomoda são os jogos freemium, estes tiram o prazer de jogar, prefiro pagar pelo app/game porém sei que sou minoria.
    Alguns apps do WP são gratuitos e tem a opção de comprar, esta compra é como se fosse uma doação para o desenvolvedor pois a opção gratuita não tem limitações, vejo isto como reconhecimento do trabalho e não como doação.

  9. Apenas uma observação. Nessas comparações, geralmente se dá mais destaque aos EUA por serem o país que no geral contribui com a maior parcela do total da receita, dentre todos os estrangeiros.

    Só que se for ver, proporcionalmente à base de usuários, outros países como Reino Unido, Alemanha e Austrália tem taxas bem parecidas. Então não é uma questão de ser os EUA, mas sim de ser países do “1º mundo”. Mas é interessante notar que mesmo alguns países europeus (destaque para a Rússia, e em menor grau para Portugal) se saem bem mal nessa balança da proporcionalidade.

    Sobre as razões, acredito serem em parte culturais, e em parte do nível médio de renda dos países também. Como li em outro comentário daqui, 5 reais para um brasileiro é mais (proporcionalmente à sua renda média) que 2 dólares para um americano, e indo na linha do que escrevi nos parágrafo anterior, é mais também que 1 libra para um britânico ou 1,5 euro para um alemão.

  10. Tenho adotado os gift cards para compra de apps. É cômodo, você pode comprar em lojas físicas além de não ter as malditas taxas e juros dos cartões de crédito.
    Já sobre ser cultural a resistência do brasileiro à compra de apps, claro que é! Pirataria, Lei de Gérson…
    O engraçado é que em vários lugares, R$5,00 não paga nem uma cerveja, ou então uma guaravita + 1 coxinha.

    1. Posso estar errado, mas a pirataria de apps em celular acho menor do que a de softwares em PC. A adoção de “freemiuns” ou “ad-based” mostra isso. São poucos os que correm atrás de apps piratas. E até porque noto que muitos apps tem dispositivo anti-pirataria, geralmente na hora que instala se revertendo em uma licença free ou ad-based.

      Quanto a custos, o ponto é relevância. Tem pessoas que acham mais relevante uma cerveja do que um trabalho (muitas pessoas). E um guaravita+uma coxinha é muitas vezes o almoço do dia de alguém que dá duro e junta dinheiro para comprar uma casa ou algo que precise.

      1. Acho que você misturou as coisas. Eu fiz uma mera comparação de preços. Não estava falando de alguém que come coxinha no almoço, muito menos daquele q junta dinheiro pra comprar uma casa. Estava falando do usuário comum de Smartphones e isso engloba de forma majoritária pessoas que não tem nada a ver com esse argumento.

        E no caso da pirataria como cultura, é de uma forma geral. Não é direcionada exclusivamente aos apps, que acabam entrando no bonde.

      2. Acho que você misturou as coisas. Eu fiz uma mera comparação de preços. Não estava falando de alguém que come coxinha no almoço, muito menos daquele q junta dinheiro pra comprar uma casa. Estava falando do usuário comum de Smartphones e isso engloba de forma majoritária pessoas que não tem nada a ver com esse argumento.

        E no caso da pirataria como cultura, é de uma forma geral. Não é direcionada exclusivamente aos apps, que acabam entrando no bonde.

        1. Mas hoje, usuário comum de smartphone é justamente pessoas que comem coxinha no almoço junta dinheiro para comprar uma casa. Faz parte do conjunto.

  11. Tenho pra lá de 300 apps comprados, além de quase 100 jogos na Steam, mas posso confessar que a maioria dos apps que tenho foram em preço promocional ou muito baratos. E que tenho alguns (vários) apps freemium os quais uso bastante mas deixo para os anúncios pagarem. Não uso Adblock justamente porque quero incentivar os desenvolvedores, mas pra mim 5 reais já acaba saindo menos válido, dependendo do aplicativo. Não uso pirata e não apoio quem gasta 1000 reais num celular mas não pode gastar 2 num aplicativo.

    O único problema que vejo mesmo é na dificuldade de se usar créditos da operadora para compra de aplicativos. Acho que quando isso for feito, o gasto na Play Store/App Store será bem maior.

  12. Comentário clichê de Flogão, mas: ótimo artigo.

    É muito interessante ver a análise de faturamento de produtos feitos por “gente como a gente”, mesmo sem divulgar valores.

  13. “Também em novembro último a Play Store passou a aceitar cartões nacionais”
    Nunca consegui usar cartão nacional na playstore, enquanto consigo comprar apps facilmente com o mesmo cartão na amazon store brasileira.

  14. Bem interessante mesmo.

    Deve ser uma diferença do tipo “respeito o trabalho do cara, é útil, vale a pena dar uma grana pra ele”, enquanto no Brasil é “opa, se dá pra usar grátis, vai ficar assim mesmo”, misturado com uma grana reduzida aqui, afinal, R$ 5 pro brasileiro me parece bem mais que 2 dólares pra um americano.

    1. Verdade, lembro quando a Microsoft lançou o Windows 8 promocional por R$ 60,00 dei esta dica para algumas pessoas e uma delas falou que era besteira comprar original se a versão pirata tem as mesmas funções, o jeitinho brasileiro de sempre tirar vantagem.

    2. Acho que é por ai mesmo, mas como o brasileiro gera receita vendo propagandas, não vejo mal nisso. Diferente do cara que usa Adblock ou pirateia um app pago.

      1. O problema é que anúncio paga bem menos. O Grana é um exemplo*: os 12% de usuários da base estrangeira que paga pelo app gera quase o mesmo faturamento que toda a base gratuita que vê anúncios.

        * Matemática não é meu forte. Se escorreguei nos números, alguém me corrija, por favor :)

        1. Entendi, por esse lado realmente é prejudicial ao desenvolvedor, funciona como um paliativo já que o usuário não quer pagar.

    3. Não acho que seja isto. O problema é o sistema de pagamento oferecido que não corresponde ao costumeiro do brasileiro. Esta pesquisa, assim como outras que envolvem tecnologia, deixam passar os nuances de cada país e tentam enquadrar tudo em sua ótica.

      Alguns países do oriente também tem fama de não pagarem por certos aplicativos famosos que costumam vender como água por estas bandas, mesmo querendo e podendo pagar.

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