Esqueça a ideia de Internet móvel

Desde o surgimento da ideia de “Internet móvel”, pensamos nela como um subconjunto limitado da “verdadeira” Internet. Sugiro que é hora de invertermos essa lógica — pensar na Internet móvel como a verdadeira Internet, e no desktop como a versão limitada e reduzida.

No passado, a ideia de Internet móvel como um subconjunto limitado fazia sentido. Primeiro, porque os celulares por si sós faziam muito pouco com a Internet. Isso era obviamente verdadeiro para sistemas rudimentares como o WAP, presente no Nokia 7110 de 1999 e anteriores, e também para o i-mode e os feature phones, que, em teoria, poderiam abrir qualquer página na Internet, mas, na prática, eram bem limitados no que funcionava bem e mesmo no que apenas funcionava.

Nokia 7110, de 1999.

A Apple anunciou o primeiro iPhone em 2007 como tendo “toda a Internet”, mas com todos os sites desenvolvidos para telas grandes, aquela ainda não era a melhor experiência — ainda era necessário girar a tela e esticar o conteúdo, ou usar uma versão “móvel” específica do site.

Segundo, e em parte como resultado dessas limitações, nosso modelo mental de como e onde usávamos o mobile era compatível com lugares e momentos específicos quando estávamos andando, esperando ou precisávamos de uma informação específica e não tínhamos um PC por perto — verificar a previsão do tempo enquanto na fila da cafeteria ou ver as manchetes numa corrida de táxi (ironicamente, este é um dos principais usos para smartwatches). Isso moldou a visão das pessoas sobre seus sites mobile — que era necessário pensar em “casos de uso móveis” e oferecer apenas uma fração da sua proposta.

Esses dois fatores — a limitação dos dispositivos e a ideia de que os usamos em poucas situações — levaram a uma mentalidade que um executivo sênior de marketing de uma grande empresa de alimentos resumiu muito bem recentemente. Sua equipe disse “para nossa estratégia de Internet temos SEO, SEM, mobile, e….” Ele a interrompeu e disse “Não, mobile não é uma parte da Internet. Mobile É a Internet.”

O mobile não é mais um subconjunto da Internet que usamos apenas quando esperamos pelo café ou não temos um PC à disposição. Ele está se tornando o principal meio pelo qual as pessoas acessam a Internet. Não é o mobile que é limitado a locais e usos específicos, é o PC, que pode apenas acessar a web (e, sim, programas legados de desktop, se você se importa, e os consumidores não se importam) e pode ser utilizado apenas sentado. É hora de inverter este modelo mental: não existe mais a “Internet móvel” e a Internet. Em vez disso, na verdade, é a Internet e a “Internet de desktop”.

Assim, “mobile” hoje não significa “quando você está em movimento”. Significa ubiquidade — acesso universal à Internet para qualquer um o tempo todo. As pessoas usam seus smartphones o tempo inteiro, frequentemente quando há um PC disponível no mesmo prédio, no mesmo cômodo ou, ainda, no sofá ao lado.

Slide sobre uso da Internet em smartphones por britânicos.
A maioria dos britânicos (66%) acessa a Internet via smartphones em casa e fora.

Se você perguntar às pessoas sobre os dispositivos que elas mais valorizam, receberá uma resposta muito clara. Estes dados do Reino Unido mostram que os dispositivos móveis tomaram o lugar dos PCs entre os mais jovens e (tão importante quanto) pessoas de baixa renda, independentemente da idade.

Slide sobre importância de dispositivos no acesso à Internet.
Smartphone é cada vez mais o dispositivo mais importante para acessar a Internet.

A tendência avança rápido.

Slide sobre importância de dispositivos na conexão à Internet entre 2013 e 2015.
Em três anos, smartphone passou o notebook como dispositivo mais importante.

E isto não diz respeito apenas ao primeiro mundo. Dos cinco bilhões de adultos na Terra hoje, aproximadamente quatro bilhões já têm um celular (este número continua crescendo) e praticamente todos eles terão smartphones nos próximos anos. O preço de entrada dos aparelhos Android caiu para menos de US$ 40 [no Brasil, aproximadamente R$ 200]. Haverá áreas cinzentas no meio — quanto as pessoas pagam por conexão e para recarregarem seus aparelhos –, mas o mobile é um produto universal de tal modo que o PC nunca foi. Aliás, quanto mais baixa a renda, mais valiosa a comunicação se torna.

Slide sobre alcance de tecnologias na África sub-Saara.
A utilidade do mobile aumenta na medida em que a renda cai.

Esta é a primeira vez que o setor de tecnologia tem um produto universal. Já se vendeu mainframes para grandes empresas e PCs para pequenas empresas e famílias de classe média, mas os smartphones são utilizados por praticamente todas as pessoas do mundo — até refugiados cruzando o deserto afegão.

Dessa forma, é preciso pensar em como essas coisas estão sendo utilizadas, porque esse uso é um multiplicador. Todos já vimos dados demonstrando que os apps representam a maior fatia do tempo online gasto em smartphones, mas há um ponto muito mais amplo em jogo. Não é a substituição da web por apps que importa, mas sim que os smartphones são plataformas de Internet muito mais ricas, sofisticadas e poderosas que o navegador no PC. Podemos discutir potência e especificações (embora a CPU de um iPhone 6 tenha 625 vezes mais transistores que o Pentium original, de 1995), mas não é o ponto: esses aparelhos fazem muito mais do que a velha web, e esse é o efeito multiplicador. Existirão muito mais dispositivos, sim, mas o mais importante é que eles serão muito mais utilizados e poderão fazer mais coisas.

Slide sobre o efeito multiplicador do mobile.
A sofisticação do mobile é tão importante quanto o aumento na escala.

É por isso que pensar em “mobile” ou “Internet móvel” como outro tópico ao lado de “SEO” é um erro: o mobile se torna a plataforma, e uma muito mais rica e poderosa. O que acontece quando quase todas as pessoas do planeta têm um supercomputador de bolso conectado à Internet? Não é um subconjunto da Internet — é A Internet.

Publicado originalmente no blog do Benedict Evans. Traduzido e republicado com autorização do autor.

Tradução por Leon Cavalcanti Rocha.
Foto do topo: Cory M. Grenier/Flickr.

O Manual do Usuário é um blog independente que confia na generosidade dos leitores que podem colaborar para manter-se no ar. Saiba mais →

Acompanhe

  • Telegram
  • Twitter
  • Newsletter
  • Feed RSS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

47 comentários

  1. Impressionante a dança da troca das cadeiras,o mais impressionante está por vir com o NFC-Near Field Communication- como o novo meio de pagamento em massa,relegando o antigo cartão de plástico a um mero traste, tal como os videocassetes,fitas cassetes ,telefones fixos e outras tecnologias obsoletas menos votadas….

  2. “Os smartphones são plataformas de Internet muito mais ricas, sofisticadas e poderosas que o navegador no PC”.

    Isso tá errado em tantos níveis que não sei nem por onde começar a comentar.

    As pessoas usam smartphones apenas porque estão em trânsito ou com preguiça de sair da cama. Todo mundo sabe que um PC é muito mais poderoso e versátil.

    1. há um tanto de entusiasmo nesse texto, pelo menos eu noto, e tb uma adesão ao conceito proposto, a da internet ser a internet móvel e a internet “imóvel” ter q ser designada de agora em diante… creio q todo mundo usará um pouco de cada e de acordo com a necessidade e contexto… acho pouco provável fazer meu trabalho, por exemplo, sentado num café, em meio a zoeira do vai e vem das pessoas, mas tem gente q já não se importa tanto… além de questões ergonômicas envolvidas na questão. é complicado usar um smartphone por muito tempo tendo q deixá-lo na altura dos olhos… me parece q o um smartwatch, nesse ponto de vista, faz muito sentido, mas se a internet está se tornando algo tão essencial qto a eletricidade… ela estará em todos os lugares e pouco vai importar a forma como se acessa. se tão hackeando até geladeira da samsung, desktop ou celular meio q tanto faz.

    2. há um tanto de entusiasmo nesse texto, pelo menos eu noto, e tb uma adesão ao conceito proposto, a da internet ser a internet móvel e a internet “imóvel” ter q ser designada de agora em diante… creio q todo mundo usará um pouco de cada e de acordo com a necessidade e contexto… acho pouco provável fazer meu trabalho, por exemplo, sentado num café, em meio a zoeira do vai e vem das pessoas, mas tem gente q já não se importa tanto… além de questões ergonômicas envolvidas na questão. é complicado usar um smartphone por muito tempo tendo q deixá-lo na altura dos olhos… me parece q o um smartwatch, nesse ponto de vista, faz muito sentido, mas se a internet está se tornando algo tão essencial qto a eletricidade… ela estará em todos os lugares e pouco vai importar a forma como se acessa. se tão hackeando até geladeira da samsung, desktop ou celular meio q tanto faz.

    3. Eu discordo forte de você. A mobilidade é um dos fatores que abrem possibilidades em smartphones impossíveis no desktop. Sensores, GPS, câmera, proximidade com outros dispositivos..

      É só olhar para o mercado: as coisas mais legais, na real quase todas as coisas passam pelo smartphone. Ele é o centro da vida digital, não o computador — que, aliás, teve duas décadas para se tornar tão importante quanto o smartphone é hoje, menos de dez anos depois de surgir, e não conseguiu.

      O próprio texto diz que “poder”, nesse contexto, não é sinônimo de poder bruto de processamento. E computador versátil, sério? Pega ele para tirar e publicar uma foto dos seus amigos. Viu?

      1. Agora pega um smartphone pra digitar um texto maior do que dois parágrafos… de exemplo tosco em exemplo tosco a gente vai até amanhã.

        Entendo esse deslumbramento pelo smartphone vindo de early adopters e entusiastas da tecnologia, mas a maioria das pessoas que têm ambos usam mais o computador do que o telefone.

        1. Marcus, dizer que o smartphone é mais importante não anula automaticamente outros dispositivos. Eu e, imagino, a maioria dos que produzem conteúdo em texto ainda usam mais computadores, e assim será por um bom tempo ainda.

          A análise é ampla, em âmbito mundial. Você pode achar que smartphone é um brinquedo que só serve para consumir conteúdo, mas para muita gente (a maioria) ele é a principal plataforma de acesso à Internet. É melhor? Pior? Não importa. É, e ponto.

          Não é deslumbramento, nem conjectura, são fatos.

          1. Concordo com você nesse ponto, não há dúvida que muita gente usa o smartphone pra acessar a internet. Mas isso não elide o fato de que ele é sim apenas um brinquedinho pra postar bobagem nas redes sociais.

            Foi esse o meu ponto inicial. A internet móvel não é mais rica e sofisticada que a internet não móvel. É apenas um brinquedinho.

          2. Respeito sua opinião, mas deixo uns números para você pensar:

            – WhatsApp. Só funciona no celular. Comprado pelo Facebook por US$ 19 bilhões.

            – Uber. Só funciona no celular. Avaliado em quase US$ 50 bilhões.

            Bom, você entendeu. Para muitos usuários, a importância do smartphone é enorme — vide o slide que diz “a utilidade do [dispositivo] móvel aumenta na medida em que a renda diminui”. Muita gente em condições piores que a nossa têm no celular sua única fonte de acesso à Internet ou de comunicação básica. Em vários desses locais a economia e os serviços giram em torno disso. Exemplo clássico, o M-Pesa, moeda digital muito difundida no Quênia e em outros países africanos. 17 milhões de pessoas usam para comprar comida na quitanda: https://en.wikipedia.org/wiki/M-Pesa

            Mas ok, talvez seja só um brinquedo…

          3. Vou tentar chegar em um meio termo aqui.

            Whatsapp, Uber e muitos aplicativos estão apenas em celulares por opção deles. Fica a questão: se fosse uma plataforma web universal (celular e computador), será que teria ainda mais abrangência? Claro que ambos tem focos distintos principalmente na questão de mobilidade (Whatsapp é uma plataforma de comunicação, e o Uber é uma plataforma de transporte pirata =3 =p ). Mas mesmo assim, o ponto aqui é o princípio de uso.

            Acho que a implicância do Marcus aqui é o fator comunicação e possibilidade de uso. Se as pessoas vêem o celular como um “brinquedo” (e isso notamos quando vemos uma renca de memes circulando em redes sociais de celular), isso acaba sendo inútil para outras coisas.

            Se entende o celular como uma plataforma de computação e plataforma de dados digital pessoal, isso como o caso do M-PEsa, então sim, o celular tem um valor bem maior. E o mobile idem.

            Em tempos, nisso me lembrou que a maioria dos equipamentos de transação via cartão hoje são funcionais com celular.

          4. acho terrível o uber valer tanto, só pra observar… li q vale mais q a petrobras. nesse caso específico, eu simplesmente acho q o mercado não é o melhor avaliador. pq daí o executivo X faz um comentário machista e a empresa perde 10 bilhões de valor no dia seguinte.

          5. São situações distintas porque a Petrobrás já tem capital aberto e o Uber, não. Ele tem essa avaliação baseada nos investimentos privados que já recebeu — ou seja, se tem gente disposta a investir uns poucos bilhões no negócio, é sinal de que ele vale muito mais que isso.

          6. Talvez. Ninguém sabe. Diferentemente do mercado de ações, na iniciativa privada não existem regras ou parâmetros para estabelecer o valor de serviços. Há casos em que o empreendedor tira um número de sabe-se lá onde e, sabe-se lá como, convence um punhado de gente de que ele é real.

            Isso, claro, não costuma durar. Se outra empresa compra por esse número mágico, lá na frente a disparidade se revela e aí alguma manobra contábil se faz necessária para ajustar o caixa. Se ela vai a IPO, passa a ter que apresentar balanços trimestrais obrigatoriamente e aí não tem como maquiar a realidade. (Ou até tem, mas configura fraude e dá ruim quando descobrem.) Se ela for frágil, uma hora a casa cai :)

          7. me parece um valor artificial, porque, pelo menos agora, não me ocorre que algo simples como uber tenha valido tanto na história… a apple vale o q vale e está cercada de altíssima complexidade. o uber, como aplicativo, não me parece ser a coisa mais complexa do mundo… me parece mais mesmo um valor de ocasião, por conta da mobilização social q ele vem causando…

          8. A primeira vez q usei um smartphone, achei muito foda. Era um Nokia E62. De lá pra cá, foi cada vez mais difícil ficar longe de um desses… Hj estou muito satisfeito com meu Moto G e nem de longe eu o tiro como um brinquedo, mesmo qdo o deixo na mão da minha sobrinha, q adora o aplicativo SynprezFM, q faz uns barulhos bem legais (e ela ainda tem um iPad e, cara, nem eu tenho um). A melhor funcionalidade do meu é poder pagar boletos bancários… cara, como era chato ter q digitar aqueles malditos números. O celular resolveu isso com a câmera! Cara, com a câmera! Sem falar na comunicação e nos demais serviços (transporte, leitura, música e vídeo). É simplesmente algo incrível e fico muito feliz de não depender da Apple pra ter tudo isso… Mas a minha sobrinha, apesar de ter apenas dez anos, diz que quer um notebook… acabei não perguntando o porquê, mas talvez, sei lá, seja por influência dos amigos ou porque queira um algo mais da informática que me escapa agora. Ela tb quer um iPhone – e provavelmente vai ganhar um. Acho pertinente termos dúvidas em relação aos smartphones agora, mas no futuro, as gerações seguintes, não terão muitas não… e tudo aquilo q for mais ligado a mobilidade vai ser muito muito forte. Mas isso não excluí os desktops, porque ainda vai ter muitos tipos de trabalho – e mesmo não trabalhos – q serão muito mais convenientes de se fazer neles… Essa discussão me lembra um pouco o lance de todo o entusiamos com o livro digital, q iria acabar com o livro impresso e isso não se deu, em alguns casos, foi até o contrário, a venda de livros impressos aumentou em alguns segmentos. Esse lance de usar o celular por ser a única forma de acessar a internet é muitíssimo verdadeiro e tb tem a ver com os livros, por conta do custo. Eu tinha a opção de comprar um livro impresso (q pra mim agora é algo a ser muito considerado por conta do espaço q eles ocupam) e o digital, optei pelo impresso, porque, por incrível q pareça, era mais barato q o digital… Quem determinou a relação não foi kindle, o desktop ou o qualquer coisa, foi o maldito preço…

          9. Esse lance de usar fatos em discussões costuma dar em confusão…

          10. Esse lance de usar fatos em discussões costuma dar em confusão…

        2. Marcus, faz sentido onde o Ghedin quer chegar.

          Smartphones são plataformas de consumo de informação e mídia. Obviamente, computadores pessoais comuns são realmente mais práticos para uso (senão, alguma forma mais prática já teria saído hoje), porém o consumo de informação no destkop/notebook restringe o acesso a aquele local onde a pessoa está. Usar um notebook requer um lugar para uso, a não ser que a pessoa prefira usar no colo ou no braço.

          Smartphones, tablets e qualquer outra forma mais portátil de acesso ajuda justamente na mobilidade. Posso ler o MdU ou outro site de preferência no transporte público, posso consultar a situação do trânsito em tempo real e com mais curadoria (ou ruído) do que em meios tradicionais, etc…

          1. É mais que isso, Vagner. Mobilidade é uma característica do smartphone, mas não é a determinante — tem um slide no texto que aponta que os britânicos usam mais smartphones em casa e em trânsito do que só em trânsito. “Mobile” é um termo que faz cada vez menos sentido.

            O ponto do texto é que smartphone deixou de ser algo secundário, um acessório ao computador desktop/notebook. Ele é a principal plataforma de acesso à Internet. Para muita gente, a única. Por isso faz sentido inverter a visão predominante. Porque… bem, ela é dominante, e de um jeito que o computador nunca foi.

          2. Concordo que são aparelhos muito práticos, o meu ponto é que a web móvel não é mais rica e sofisticada, na verdade é mais limitada para se adaptar às limitações deles.

        3. Faz tanto tempo q eu não sei oq é usar computador em casa. No trabalho, nem se fala, trabalho com textos. Não tem como fugir do PC.
          Em casa meu notebook está às traças há mto tempo.
          Aliás, estou acessando o site e digitando pelo celular.

  3. Acho que quando se fala em internet movel, seria no caso as conexoes usando sistemas 2/3/4G, que devido a natureza de uso, sao mais sucetiveis a falhas e o ideal e’ o uso de velocidade reduzida.

    Nao que internet movel e’ um subconjunto segregado da internet, mas a conexao via sistemas moveis sao bem mais falhos que via sistemas cabeados ou Wi-Fi com origem cabeada. Ha diferencas entre usar sistemas ADSL, cabo, otico, em relacao a 2/3/4G, Wi-Max, radio, satelite e outros. A velocidade de conexao nao e’ a mesma, entao o tratamento para servicos baseados em conexoes moveis tem quer feita pensando nisso – de forma leve e rapida a entrega.

    Isso falando na parte de conexao. Na parte de uso, podemos dizer que tudo e’ parte da internet. Mas para uso em redes falhas, nao da para imaginar o mesmo estilo de uso de sistemas cabeados (ou como dizem, desktop).

        1. Claro, sim. Mas pense: se com um 3G capenga e caro, o smartphone já tem esse poder de penetração, imagine com a melhoria das redes, 4G, barateamento? Seu ponto joga a favor do argumento do texto :)

          1. Só que pelo pouco que sei, o mal dos sistemas tipo “celular” é que precisa de muitas antenas e centrais para regiões adensadas.

            O ideal para a melhoria das redes é o que hoje roda por aí: estudo de sistemas universais e baratos para transmissão sem fio de dados, saindo de padrões com royalties caros e tecnologias que se sobrecarregam facilmente.

  4. Muito bacana essa leitura.
    Eu mesmo não lembro de ter utilizado Deezer, Netflix, HBOGo, WhatsApp, Kindle e alguns outros pelo Desktop ou Laptop, mas somente no tablet, smartphone e TV. Não tinha reparado nessa diferenciação no meu próprio costume de consumo.
    Bem, sou da “era” do desktop como sinônimo de produtividade, e smartphone associado a distração. Mas essa interpretação tbm é bem pessoal.
    Na minha opinião o resultado da pesquisa é total válido – se é que isso existe (rssssss).

  5. As novidades da internet já estavam a tempos mobile first por causa que eram feitos em apps (por exemplo, wpp, snapchat, tinder, uber, periscope etc. [talvez eu tenha errado alguns aí]) e faz sentido você ter sempre a internet consigo.

    Porém, acho que com a web voltando a crescer e a não necessidade de apps o jogo volta a ser equilibrado.

  6. Uma coisa muito interessante que venho utilizando nas últimas semanas é um aplicativo que não precisa ser instalado em smartphones, mas funciona perfeitamente como um..

    O meu caso é com o Flipboard. O aplicativo é péssimo e vive com problemas. Ao acessar o site pelo smartphone, ele ofereceu a opção para criar um link na home screen e dessa forma ao clicá-lo é possível usá-lo perfeitamente como um aplicativo.

    Ele nem ao menos se une as outras páginas do navegador, o que torna a experiência exatamente igual a um aplicativo.

    O melhor de tudo é que dessa forma o funcionamento é perfeito.

    Acredito que isso pode ser o futuro, o que traria também uma mudança muito importante. Novas plataformas não dependeriam mais da boa (ou má) vontade de desenvolvedores para terem aplicativos genuínos e de qualidade (essa é para o Windows Phone e quem sabe Tizen).

    1. Só acesso o Facebook no android pelo Chrome. A experiência é até melhor.

      Se pá, num futuro aí nem fará mais sentido Android quando se tem o Chrome OS.

    2. Bem-vindo a 2007 :) A premissa do iPhoneOS, antes da Apple abri-lo a apps nativos, era isso, web apps. Não colou.

      Em 2009 a Palm também tentou isso com o webOS. Recentemente, foi a vez da Mozilla com o Firefox OS. Muitos já tentaram e, talvez, um dia a web como plataforma tenha maturidade e qualidade para bater de frente com apps nativos, mas não ainda não chegamos lá.

        1. É possível! Tem gente, inclusive, que acha que o futuro do Google está no Chrome, não no Android, e que em algum ponto no futuro o navegador abocanhará o robozinho verde e será o sistema de fato da empresa. Mas não me arrisco a fazer previsão; as chances de errar são muito grandes :)

          1. Faça mais previsões. É mais fácil aprender com erros do que por não tentar.

  7. Uma coisa muito interessante que venho utilizando nas últimas semanas é um aplicativo que não precisa ser instalado em smartphones, mas funciona perfeitamente como um..

    O meu caso é com o Flipboard. O aplicativo é péssimo e vive com problemas. Ao acessar o site pelo smartphone, ele ofereceu a opção para criar um link na home screen e dessa forma ao clicá-lo é possível usá-lo perfeitamente como um aplicativo.

    Ele nem ao menos se une as outras páginas do navegador, o que torna a experiência exatamente igual a um aplicativo.

    O melhor de tudo é que dessa forma o funcionamento é perfeito.

    Acredito que isso pode ser o futuro, o que traria também uma mudança muito importante. Novas plataformas não dependeriam mais da boa (ou má) vontade de desenvolvedores para terem aplicativos genuínos e de qualidade (essa é para o Windows Phone e quem sabe Tizen).

  8. Acho que é a primeira vez que sinto essa ideia de ser velho: para mim simplesmente não faz sentido usar o smartphone com a opção de uma tela muito maior, a não ser que eu esteja vendo televisão, sempre dou preferência ao notebook/desktop pelo espaço.

    Vendo esse cenário, eu me pergunto: será que adolescentes menos inteirados conhecem atalhos básicos como Alt + Tab e Alt + F4 por exemplo? Se não souberem (o que faz todo sentido), ai entendo que realmente seja mais prático usar smartphone e tablet.

    1. minha namorada é uma que só usa smartphone e olha que ela tem a mesma idade que eu (27). ontem cheguei a brigar com ela, pois ela estava descendo escadas enquanto trocava mensagens no whatsapp….

    2. fiz um curso há muitos e muitos anos, de html, e tinham muitas pessoas bem mais jovens q eu na sala e eram todos uns pregos em informática – ainda não tinha acontecido a ascensão dos smartphones como hj. é normal q com mais idade se tenha mais familiaridade com os sistemas operacionais, especialmente se vc é das antigas ou usa linux… me preocupa um pouco os mais jovens se distanciarem tanto da informática mais ‘tradicional’, pq é ela ainda quem tem a capacidade de processar coisas mais pesadas e, consequentemente, mais interessantes. ver conteúdo é uma coisa, agora produzir conteúdo com qualidade, demanda isso mesmo: um pouco de espaço, fisicamente falando.

      1. Eu já tinha ouvido esse questionamento e realmente é uma questão interessante: eu me interessei por computadores com uns 12-13 anos e acabei aprendendo muita coisa sobre hardware, já que era basicamente esse o foco. Ao começar a programar e entrar na faculdade, alguns conceitos razoavelmente avançados de arquitetura de computadores eu já tinha aprendido por conta própria. Hoje, pouco se acompanha isso, não faço ideia das novidades da Intel e AMD. Os geeks de hoje inclusive são muito mais leigos nessa parte de “escovar bit”, a discussão foi para outros lados: software, design e até social como no caso.

        Quando você diz “processar” coisas pesadas imagino que está falando de pessoas interessadas em programação. Talvez seja mais abstrato para quem começa hoje essa parte de hardware, mas por outro lado os recursos para quem deseja aprender se tornaram muito melhores nesses últimos anos. E, na real, geralmente pouco importa essa parte para a maioria dos programadores exceto de linguagens mais de baixo nível.

        1. hum… pensei melhor depois e eu acho q dá pra produzir, sim, um bom conteúdo pelo celular mesmo ou um tablet. é claro q ainda haveria a necessidade uma ótima conexão wifi ou mesmo 4g (q aqui no brasil é ainda muito caro e raro). digo q isso, pq há muitos filmes sendo feitos com celular e uma parte substancial do q se vê no youtube, até mesmo com intuito jornalístico, foi captado por um celular. sem falar q há milhares de acessórios para dar uma ajuda numa gravação… eu ainda acho o desktop mais confortável pra trabalhar, mas estou levando meu tablet e um teclado para umas aulas e acabei desistindo de usar o caderno tradicional… eu q defendi a “informática tradicional” abandonei o mais tradicionais dos recursos de anotação… sendo assim, devo dizer: se sair de casa sem meu smartphone ou se a bateria dele acabar, estou ferrado. mas se ficar sem internet (acabou o pacote ou simplesmente não funciona) isso não chega a ser uma tragédia completa já q ele roda algumas coisas offline.

          tem isso tb, o envolvimento com o hardware poder ser maior no desktop. o meu, qdo ainda tinha, montei ele todo, comprando peça por peça. meu notebook, o máximo q fiz foi trocar memória e hd, mas nem sonho em ir além disso… num smartphone então… muito menos. acho q temos ainda uma ligeira vantagem sobre as novas gerações em relação a conhecimento de informática, mas isso está ficando cada vez menos importante, digamos, pra fazer as coisas funcionarem.

  9. Estou na contramão dessa tendência. Quando estou em casa ou no escritório, deixo meu celular na gaveta e só uso o laptop. Sou apaixonado pelo meu Lenovo. rsrs

  10. Um conceito bastante atual no desenvolvimento de interfaces web é justamente o “Mobile First”. Se planeja e pensa a versão mobile como sendo a padrão e depois se adapta para o desktop.

  11. Ainda acredito que a internet do desktop seja a principal e a mobile como parte integrante. Posso estar atrasado mas quantas vezes já me vi limitado no iPad/iPhone, coisas que poderia resolver rapidamente em um desktop.. escrever um post como esse, criar os gráficos, formatar, etc.

    1. E consumir? Nossa principal ação na internet é consumir informações. Produção ainda depende muito dos computadores (com excessão de textos curtos e fotos). 44% dos usuários do Facebook apenas acessam pelo celular! Isso são mais de 600 milhões de pessoas!

      1. Então, prefiro consumir conteúdo em desktop (blogs, youtube, portais) por achar melhor a experiência, tanto que não curto usar nem notebook (tenho um pra levar a ‘experiência desk’ pros lugares) não ligo pra apps de redes sociais em geral, principalmente o famigerado FB. Não faço compras mobile, uso o app de navegação basicamente pra consulta no google. Sepa já sou tiozão da internet mesmo (me liguei disso no dia que não entendi ‘a graça’ do snapchat)

        1. Sempre há desvios e preferências, mas as análises do Benedict partem de dados, não de experiências pessoais. E nem é preciso ir muito longe; aqui mesmo, no Manual, mais gente chega ao site por smartphones do que por computadores. Em agosto, foi 59% contra 37% — os outros 4% chegaram via tablets e outros dispositivos.

        2. Sempre há desvios e preferências, mas as análises do Benedict partem de dados, não de experiências pessoais. E nem é preciso ir muito longe; aqui mesmo, no Manual, mais gente chega ao site por smartphones do que por computadores. Em agosto, foi 59% contra 37% — os outros 4% chegaram via tablets e outros dispositivos.

      2. mesmo consumir fica complicado no tablet. o Feedly é ótimo, mas muitos sites não colocam toda a página disponivel (oi wired). fora que não tem os comentários.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!