“O que são esses desenhos de olhos esbugalhados?” A curiosa história do Dollify

“Ajudem o tio aqui: os fakes já passaram por várias modas nesses meus 10 anos de Twitter. Agora são esses desenhos de olhos esbugalhados. O que é isso?” A pergunta foi feita pelo Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil. Os desenhos não são exclusividade de robôs e contas falsas no Twitter. Nas últimas semanas, redes sociais e aplicativos de mensagens foram tomados por uma legião dessas caricaturas bem peculiares. De onde elas vieram?

As caricaturas de traços delicados e que destacam os olhos, mas de uma maneira divergente da dos tradicionais desenhos japoneses — também caracterizados pelos olhões —, são feitas com um aplicativo chamado Dollify. Ele foi criado pelo artista digital costa-riquenho David Álvarez, conhecido na internet como Dave XP. Por e-mail, o Manual do Usuário bateu um papo com Dave para saber como o app surgiu.

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Não foi (só) por causa de Bolsonaro que o WhatsApp limitou o encaminhamento de mensagens

Nesta sexta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro disse em uma live que a limitação a cinco destinatários do encaminhamento de mensagens do WhatsApp seria uma tentativa de censurá-lo. “Uma maneira de me cercear foi diminuir o alcance do WhatsApp”, alegou, justificando que “há censura em cima disso. Temos que lutar contra isso”. Ele também reclamou da diminuição de seu alcance no Facebook.

É importante retrocedermos um pouco para evitar mal entendidos e acabarmos com o temor de Bolsonaro de que teria sido ele o responsável pela mudança nas regras do WhatsApp. Em parte, talvez sim: suspeita-se que sua campanha tenha usado e/ou se beneficiado de impulsionamentos ilegais de mensagens no WhatsApp, o que teria colaborado para a sua eleição à Presidência. (Pesa sobre o PT a mesma suspeita, obviamente com desfecho diferente.) Só que o mundo é maior que o Brasil e outras situações pretéritas tiveram mais impacto na decisão do Facebook/WhatsApp.

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O gosto cada vez mais amargo do hambúrguer pedido por aplicativo

Em maio, o Guilherme gravou a coluna mais ouvida do Tecnocracia até agora: Os apps de transporte criaram uma dinâmica de trabalho de Robin Hood ao contrário. Ele fez uma análise visceral do entortamento das dinâmicas trabalhistas que aplicativos da chamada “economia dos bicos”, como os de transporte individual (Uber, 99) e entrega de refeições (iFood, Rappi), têm causado.

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Post livre #182

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

As patentes do Facebook que mostram como a rede influencia e molda as suas emoções

por Ethel Rudnitzki e Rafael Oliveira

“O Facebook ajuda você a se conectar e compartilhar com as pessoas que fazem parte da sua vida.” É essa mensagem que aparece na sua tela ao se fazer o login na rede social — ou antes de criar a sua conta, se você não for um dos 130 milhões de brasileiros que usam o Facebook.

Mas, além de se conectar com amigos e família, ao criar uma conta ou logar na plataforma, você está compartilhando suas informações com a empresa. O uso dos dados pessoais sempre esteve descrito nos Termos de Utilização e na Política de Dados — para quem tivesse paciência de lê-los. Mas a extensão e as consequências desse uso só começaram a vir à tona com o escândalo da empresa Cambridge Analytica, que mostrou como dados de usuários do Facebook foram usados na segmentação de anúncios para a campanha eleitoral de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Um estudo inédito da pesquisadora Débora Machado, da Universidade Federal do ABC (UFABC), revela que o uso de informações pessoais pode ir além. O Facebook tem tecnologias suficientes para saber o que estamos sentindo em cada momento que logamos na plataforma. E mais: a partir disso, pode moldar as nossas emoções em benefício próprio.

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Facebook remove exportação/sincronia de aniversários dos contatos

Pergunte-se a si mesmo: o que te prende no Facebook? Desde que encerrei o meu perfil lá, esse assunto tem aparecido com maior frequência em conversas. Em muitas delas, meus interlocutores revelam que são detalhes que os seguram no cercado azul de Mark Zuckerberg. Exemplo? O lembrete diário de aniversário dos amigos.

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A hora e a vez do teclado mecânico

Muitos de nós passamos os dias sentados, cutucando pecinhas plásticas enquanto focamos em uma tela grande a algumas dezenas de centímetros dos nossos olhos — em outras palavras, usando um computador. Embora interfaces de voz já sejam realidade, é mais fácil apertar estas teclas do que ditar planilhas, textos complexos ou qualquer outra coisa que não seja “Ok Google, vai chover hoje?” ou “E aí Siri, toque aquela playlist”. Somos, e provavelmente ainda seremos por algum tempo, dependentes dos teclados de computador.

Como quase tudo que é comercializável, teclados de computador também têm sabores diversos, ao gosto do cliente. Recentemente, os chamados teclados mecânicos conquistaram espaço junto ao público gamer e, embora as características mais acentuadas deles sejam o festival de luzes coloridas que emitem e nomes comerciais que seu primo de 12 anos inventaria com alusões à guerra e outras temáticas típicas do macho inseguro, não são elas que definem um teclado mecânico.

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Como a escritora e ilustradora Aline Valek trabalha

Post livre #181

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MEC solicita exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub na Wikipédia

A assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) solicitou à Wikipédia a exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub nesta segunda-feira (1).

De acordo com o e-mail, transcrito na íntegra pelo moderador da enciclopédia que o recebeu em uma página em que ele e outros moderadores debatem a melhor maneira de responder a solicitação, o pedido foi feito porque “a página contém informações não confirmadas com a pessoa pública ora em destaque, contribuindo para interpretações dúbias” e devido à “impossibilidade de edição por este órgão governamental”.

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Por telefone, uma assessora do MEC confirmou o pedido e a autenticidade do e-mail ao Manual do Usuário. Embora tenha se negado a especificar quais partes do verbete teriam motivado a solicitação, ela citou uma das consideradas problemáticas: a abordagem dada pelo texto ao percentual do contingenciamento das universidades públicas federais, anunciado no final de abril pelo ministro Weintraub, de 30% das despesas discricionárias ou 3,4% do orçamento total. (O episódio motivou uma explicação pra lá de esquisita do próprio ministro usando chocolates em uma “live” do presidente Bolsonaro.) A assessora reforçou que há outros pontos de discórdia no texto da enciclopédia, mas não os apontou, e que a iniciativa de solicitar a exclusão do verbete foi da assessoria do MEC — o ministro Weintraub apenas foi informado da medida.

A Wikipédia é uma enciclopédia online colaborativa e, como tal, jamais cria informação, apenas a reproduz de outras fontes consideradas confiáveis pelos seus moderadores. Qualquer pessoa pode editar os verbetes, mas o de Weintraub encontra-se “protegido” desde o dia 2 de junho por “vandalismo excessivo”. Isso significa que até 17 de julho apenas usuários identificados podem alterá-lo.

Na discussão motivada pelo e-mail do MEC, os moderadores debatem a pertinência de manter controvérsias em verbetes biográficos e cogitam encaminhar a solicitação à Fundação Wikimedia, responsável legal pela Wikipédia e sediada nos Estados Unidos.

Foto do topo: Agência Senado/Flickr.

Migração 2.0: Os profissionais que mudam de cidade para trabalhar nas empresas mais modernas do país

por Manual do Usuário

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Não está fácil conseguir um emprego no Brasil. O último dado do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao trimestre encerrado em abril, apontou 13,2 milhões de desempregados no país. A economia não engrena e, com isso, novos postos não são criados. Alguns setores, porém, remam contra a maré e sofrem para preencherem vagas.

Esses bolsões, onde sobra emprego, se encontram em setores em franca expansão e onde boa qualificação é pré-requisito — embora este nem sempre seja o fator mais importante para a contratação. O de tecnologia, por exemplo: em 2018, as empresas do setor fizeram 28 mil contratações e, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia (Brasscom), esse número só não dobrará este ano por falta de pessoal qualificado.

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O bom e o ruim no legado de Jony Ive no design da Apple

Quantos executivos de grandes empresas você conhece (no sentido de pelo menos saber o nome)? Tenho a impressão de que, com poucas exceções, esses profissionais acabam conhecidos apenas daqueles que acompanham mercados muito de perto. No da tecnologia de consumo, dá para contar nos dedos os que conseguiram romperam as conferências com analistas e investidores e as páginas dos jornais de negócios e alcançaram o imaginário popular: Bill Gates e Steve Jobs, cofundadores e por muito tempo CEOs da Microsoft e da Apple, e Mark Zuckerberg, o infame cofundador e CEO do Facebook. (Todos retratados em filmes; coincidência?)

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Post livre #180

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Privacidade ambiental e o paralelo com o meio ambiente

por Maciej Ceglowski

A necessidade de regular a privacidade online é uma verdade tão universalmente reconhecida que até o Facebook e o Google se juntaram ao coro de vozes clamando por mudanças.

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Napster e o legado (legalizado) da “pirataria”

por Andressa Soilo

Em 2019, o Napster, serviço pioneiro de compartilhamento peer-to-peer (P2P) de músicas “piratas”, completa 20 anos. Há duas décadas, milhões de pessoas com acesso à internet vivenciaram uma das mais empolgantes experiências no que concerne ao consumo da música: o download gratuito de quaisquer canções na rede. Para além da gratuidade, quem realizava os downloads estava livre para adquirir apenas as músicas que lhe interessava — desprendendo-se, muitas vezes, de faixas desconhecidas que compunham o álbum de um artista — e contava com a comodidade de obtê-las em casa, sem ter que se deslocar fisicamente até uma loja de CDs.

Mais do que facilitar a vida daqueles que tinham acesso a computadores e à internet ao final da década de 1990, o Napster localizou a música no campo digital, introduzindo (de modo mais categórico) sensos de justiça sobre o consumo ou mesmo inspirando o formato de negócio que muitos anos depois seria adotado por empresas como o Spotify. É sobre tais legados que este texto trata.

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