A assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) solicitou à Wikipédia a exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub nesta segunda-feira (1).
De acordo com o e-mail, transcrito na íntegra pelo moderador da enciclopédia que o recebeu em uma página em que ele e outros moderadores debatem a melhor maneira de responder a solicitação, o pedido foi feito porque “a página contém informações não confirmadas com a pessoa pública ora em destaque, contribuindo para interpretações dúbias” e devido à “impossibilidade de edição por este órgão governamental”.
Por telefone, uma assessora do MEC confirmou o pedido e a autenticidade do e-mail ao Manual do Usuário. Embora tenha se negado a especificar quais partes do verbete teriam motivado a solicitação, ela citou uma das consideradas problemáticas: a abordagem dada pelo texto ao percentual do contingenciamento das universidades públicas federais, anunciado no final de abril pelo ministro Weintraub, de 30% das despesas discricionárias ou 3,4% do orçamento total. (O episódio motivou uma explicação pra lá de esquisita do próprio ministro usando chocolates em uma “live” do presidente Bolsonaro.) A assessora reforçou que há outros pontos de discórdia no texto da enciclopédia, mas não os apontou, e que a iniciativa de solicitar a exclusão do verbete foi da assessoria do MEC — o ministro Weintraub apenas foi informado da medida.
A Wikipédia é uma enciclopédia online colaborativa e, como tal, jamais cria informação, apenas a reproduz de outras fontes consideradas confiáveis pelos seus moderadores. Qualquer pessoa pode editar os verbetes, mas o de Weintraub encontra-se “protegido” desde o dia 2 de junho por “vandalismo excessivo”. Isso significa que até 17 de julho apenas usuários identificados podem alterá-lo.
Na discussão motivada pelo e-mail do MEC, os moderadores debatem a pertinência de manter controvérsias em verbetes biográficos e cogitam encaminhar a solicitação à Fundação Wikimedia, responsável legal pela Wikipédia e sediada nos Estados Unidos.
Foto do topo: Agência Senado/Flickr.