Em nome do lucro, o YouTube abriu os port√Ķes do inferno da desinforma√ß√£o

Em uma manhã de novembro de 2007, eu estava sentado no confortável sofá do hall de um destes hotéis de luxo da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, esperando para entrevistar um dos sujeitos responsáveis por essa mídia chamada internet.

R√°pida recapitula√ß√£o: a internet como conjunto de redes conectadas que formam uma √ļnica rede global foi criada por um norte-americano chamado Vint Cerf. A “internet” como a m√≠dia onde a gente passa horas e horas do nosso dia (ou seja, a aplica√ß√£o que roda sobre a jun√ß√£o das redes), conhecida como web, foi inventada por brit√Ęnico chamado Tim Berners-Lee.

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Por que apago meus tweets antigos

Nota do editor: Desde que comecei a apagar meus tweets, o assunto tem chamado a aten√ß√£o de alguns amigos e colegas. Foi tema de um podcast aqui e, embora a minha motiva√ß√£o n√£o seja exatamente igual √† do Rob, que assina o texto abaixo, compartilho de v√°rios dos seus argumentos. Em nota relacionada, a ferramenta que usei para apagar todos os meus tweets, o Cardigan, deixar√° de funcionar a partir de 1¬ļ de agosto devido a mudan√ßas na API do Twitter. Achei a ocasi√£o oportuna para publicar este relato.

Comecei a apagar meus tweets antigos. Isso √© algo que tenho a inten√ß√£o de fazer por algum tempo, n√£o por qualquer raz√£o em particular, mas por um senso geral de higiene digital ‚ÄĒ parece uma boa ideia desmantelar arquivos de materiais pessoais que est√£o abertos ao escrut√≠nio de algoritmos de aprendizado de m√°quina e outros advers√°rios. √Č imposs√≠vel saber quais conclus√Ķes a nosso respeito podem ser derivadas de algum processamento agregado do que na √©poca pareciam ser piadas aleat√≥rias, trocas casuais e links compartilhados.

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EaseUS celebra 15 anos distribuindo prêmios diários

Oferecimento:
EaseUS 15 anos.

Nesta semana, o Manual do Usu√°rio est√° sendo patrocinado pela EaseUS Software, empresa que desenvolve solu√ß√Ķes de recupera√ß√£o de arquivos, gerenciamento de parti√ß√Ķes, transfer√™ncia de dados e backup e restaura√ß√£o, e que est√° comemorando 15 anos de mercado.

O destaque do portf√≥lio √© o EaseUS Data Recovery Wizard Pro, um aplicativo para macOS e Windows que promete recuperar arquivos apagados da lixeira. Ele trabalha com mem√≥rias internas (HDDs e SSDs), pen drives e cart√Ķes de mem√≥ria.

A interface se baseia em assistentes (o “wizard” do nome) que guiam o usu√°rio no processo de recupera√ß√£o. Basta selecionar a mem√≥ria desejada na tela inicial e apertar o bot√£o “Verificar” para iniciar a varredura. Ap√≥s a an√°lise, os resultados identificados pelo app aparecerem em uma √°rvore de pastas similar ao Finder/Windows Explorer. A√≠ basta selecionar os arquivos que se queira restaurar e apertar o bot√£o “Recuperar Agora”. Note que todos esses processos podem ser lentos, independentemente da velocidade das suas mem√≥rias, e as chances de recupera√ß√£o de arquivos variam ‚ÄĒ mesmo exibidos na listagem de recuper√°veis, alguns podem estar irremediavelmente corrompidos.

O funcionamento do EaseUS Data Recovery Wizard Pro deriva de uma caracter√≠stica das mem√≥rias digitais. Ao apagar um arquivo, o sistema operacional apenas “esquece” que ele est√° ali. Os dados em si permanecem na mem√≥ria at√© que esta parte seja reescrita por outros arquivos. Este aplicativo vasculha esses trechos ainda n√£o sobrescritos e tenta recuper√°-los. Por isso, ap√≥s uma exclus√£o acidental, √© importante que n√£o se use a mem√≥ria onde os arquivos perdidos se encontram, pois isso aumenta as chances de recupera√ß√£o.

A vers√£o gratuita do EaseUS Data Recovery Wizard Pro recupera at√© 2 GB de arquivos. Para conjuntos de arquivos maiores, √© preciso comprar uma licen√ßa, que custa US$ 89. Em celebra√ß√£o ao seu 15¬ļ anivers√°rio, a EaseUS est√° distribuindo pr√™mios di√°rios com base em uma “roda da fortuna”. Visite o site promocional para participar (em ingl√™s).

Infográfico da roda da fortuna da promoção dos 15 anos da EaseUS.
Imagem: EaseUS/Reprodução.

Swartz, Elbakyan e a destruidora devoção aos direitos autorais

Os 26 anos de vida de Aaron Swartz foram surpreendentes, inspiradores. Engajou-se, ainda adolescente, na cria√ß√£o da arquitetura das licen√ßas Creative Commons (CC), foi um dos criadores formato de distribui√ß√£o de conte√ļdo RSS e da rede social Reddit, ajudou a construir uma biblioteca gratuita no Archive.org, e fundou a Demand Progress, organiza√ß√£o ciberativista famosa, sobretudo, por se opor aos projetos Stop Online Piracy Act (SOPA) e Protect IP Act (PIPA), nos Estados Unidos.

Swartz tamb√©m sofria de depress√£o. Amigos e familiares reconheceram sua condi√ß√£o em algumas manifesta√ß√Ķes p√ļblicas. O programador manteve por anos um blog pessoal em que expressava suas opini√Ķes e percep√ß√Ķes sobre filmes, pol√≠tica, programa√ß√£o e, dentre outros assuntos, depress√£o.

Você quer deitar na cama e manter as luzes apagadas. A depressão é assim, só que ela não vem por algum motivo e também não vai embora por algo em particular. Sair e tomar um pouco de ar fresco ou aconchegar-se com alguém querido não faz com que você se sinta melhor, apenas mais irritado por não conseguir sentir a alegria que todos os outros parecem sentir. Tudo fica manchado pela tristeza.

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Post livre #184

Toda semana, o Manual do Usu√°rio publica o post livre, um post sem conte√ļdo, apenas para abrir os coment√°rios e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

Linha do tempo revela falhas na narrativa que atribui vazamentos da Lava Jato a hackers paulistas

Nunca houve tamanha preocupação com segurança digital no Brasil como agora, resultado dos respingos flamejantes da divulgação de conversas comprometedoras via Telegram entre membros da força-tarefa da Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro pelo The Intercept Brasil (TIB) desde o início de junho.

Em sua atabalhoada estrat√©gia de defesa, Moro, hoje ministro da Justi√ßa e Seguran√ßa P√ļblica do governo Jair Bolsonaro, apressou-se em atribuir a supostos hackers, presos pela Pol√≠cia Federal nesta ter√ßa-feira (23), a origem do vazamento obtido pelo TIB. Editores da publica√ß√£o relembraram, via redes sociais, que nunca disseram que a fonte era um hacker. Esta n√£o √© a √ļnica incongru√™ncia na narrativa de Moro.

Uma linha do tempo exp√Ķe muitas falhas na argumenta√ß√£o do ministro.

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Privacidade em tempos de FaceApp; 5G faz mal √† sa√ļde?

Como √© bom estar de volta! O Guia Pr√°tico retorna para esta terceira temporada ‚ÄĒ a l√≥gica da contagem de temporadas √© meio arbitr√°ria, mas isso √© mero detalhe ‚ÄĒ, agora em parceria com o Gizmodo Brasil.

No primeiro programa da nova fase, eu (Rodrigo Ghedin), Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa falamos da pol√™mica da privacidade do FaceApp, o app que acelera o tempo e usa intelig√™ncia artificial na nuvem para mostrar como ser√° o seu visual daqui a algumas d√©cadas, e da hist√≥ria dos deputados catarinenses que querem barrar o 5G porque acreditaram no v√≠deo de um charlat√£o que o YouTube faz o desfavor de deixar no ar. Tamb√©m temos se√ß√Ķes especiais de indica√ß√Ķes (pegue os links abaixo) e da agenda da semana, em que antecipamos algumas novidades do Galaxy Note 10, novo super celular da Samsung.

Mande o seu recado para o podcast! Pode ser pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou enviando um √°udio no Telegram para @ghedin.

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A falácia da sustentabilidade nas startups de patinetes elétricos de aluguel

Ap√≥s trabalhar quase um ano para uma das empresas originais do Vale do Sil√≠cio que operam patinetes el√©tricos de aluguel, tenho algumas reflex√Ķes para compartilhar sobre o modelo de uso e as premissas vendidas por Lime, Bird e tantas outras do ramo.

Os principais pontos de venda dessas empresas √© que o patinete el√©trico alugado √© um produto verde e que traz solu√ß√Ķes de tr√Ęnsito para as cidades. Vamos explorar as premissas uma a uma.

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Podcast Guia Pr√°tico retorna em parceria com o Gizmodo Brasil

Apenas um r√°pido aviso: nesta quarta-feira (24), o Guia Pr√°tico, o longevo podcast do Manual do Usu√°rio, retorna em parceria com os amigos do Gizmodo Brasil.

A cada 15 dias, eu (Rodrigo Ghedin) conversarei com Guilherme Tagiaroli, Alessandro Feitosa Jr., Erika Nishida e Giovanni Santa Rosa sobre os assuntos mais relevantes do momento na tecnologia. Os programas ser√£o “mesa casts”, ou seja, conversas informais, com cerca de 50 minutos e pouca edi√ß√£o focada na qualidade do √°udio.

A exemplo do Tecnocracia, o feed do Guia Prático também mudou. Se você usa o Apple Podcasts ou o Spotify, não precisa fazer nada, pois a migração é automática. Para outros aplicativos, use o feed RSS no campo de busca de novos podcasts: https://manualdousuario.net/feed/podcast/guia-pratico

Qualquer d√ļvida ou dificuldade, use os coment√°rios ou envie um e-mail. At√© quarta!

Post livre #183

Toda semana, o Manual do Usu√°rio publica o post livre, um post sem conte√ļdo, apenas para abrir os coment√°rios e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

A misoginia é um problema fora do controle no mercado de TI

A hist√≥ria mais popular envolvendo tecnologia fora da linha de frente na II Guerra Mundial explica como um matem√°tico brit√Ęnico chamado Alan Turing criou uma metodologia capaz de decifrar os c√≥digos alem√£es e como a Inglaterra conseguiu reverter um quadro ruim nos campos de batalha a partir dos c√≥digos interceptados.

A chamada “Bletchley bombe”, a m√°quina constru√≠da por Turing e sua equipe no Bletchley Park, automatizava e acelerava a quebra das mensagens codificadas pelo sistema Enigma dos nazistas. A bombe √© a mais conhecida m√°quina de guerra, mas n√£o √© a √ļnica. Do outro lado do oceano Atl√Ęntico, os Estados Unidos tamb√©m estavam correndo para desenvolver uma m√°quina capaz de calcular rapidamente trajet√≥rias bal√≠sticas ‚ÄĒ os arcos descritos por proj√©teis e balas do momento em que eles saem da arma ao impacto. Humanos demoravam, em m√©dia, 30 horas para completar uma trajet√≥ria bal√≠stica. Como os ex√©rcitos precisavam de dezenas por dia, o jeito era procurar alguma forma de automatizar.

Em 1942, o professor John Mauchly, da Moore School of Engineering, na Filad√©lfia, prop√īs a constru√ß√£o do que chamou de “calculadora eletr√īnica”: um hardware que usasse tubos a v√°cuo, a tecnologia mais moderna da √©poca, para calcular. No ano seguinte, o governo aprovou o projeto e financiou o chamado Project PX. S√≥ em novembro de 1945, quando a guerra j√° tinha terminado, o projeto foi conclu√≠do e ganhou o nome de Electronic Numerical Integrator and Computer, o Eniac.

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Ressalvas ao site para bloqueio de telemarketing das operadoras, o N√£o Me Perturbe

Foi lançado nesta terça (16) um site das operadoras de telefonia e TV brasileiras para que consumidores que não quiserem ser importunados por telemarketing dessas empresas de cadastrem. O bloqueio só se aplica ao telemarketing das próprias operadoras que integram a iniciativa (Algar, Claro/Net, Nextel, Oi, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo), não valendo para empresas de outros segmentos.

O N√£o Me Perturbe, nome dado ao novo banco de dados, pode ser acessado aqui:: https://www.naomeperturbe.com.br, um .com.br registrado pela ABR Telecom.

O cadastro pede os seguintes dados: nome completo, CPF e e-mail, al√©m dos n√ļmeros telef√īnicos (at√© cinco) a serem inclu√≠dos na lista de opt-out. O bloqueio passa a valer 30 dias ap√≥s a solicita√ß√£o.

A política de privacidade do site Não Me Perturbe (não tem link direto; está no rodapé do site) tem algumas cláusulas que chamam a atenção negativamente:

  • 3.1. Os dados poder√£o ser usados tamb√©m para processos administrativos ‚ÄĒ n√£o s√≥ judiciais, como √© praxe.
  • 3.6. Pessoas (autorizadas, mas ainda assim) poder√£o acessar diretamente os dados.
  • 5.1. Retifica√ß√£o e exclus√£o do cadastro s√≥ pode ser feita por e-mail ou formul√°rio de contato. O termo “exclus√£o” aparece no t√≠tulo da cl√°usula, mas n√£o no texto.
  • 6.1. Altera√ß√Ķes na pol√≠tica de privacidade s√≥ ser√£o comunicadas na p√°gina inicial do site (para que pedir o e-mail, ent√£o?).

Então, a lógica é que devemos fornecer mais dados em outro banco de dados apenas para que as operadoras parem de nos incomodar. Não faz sentido. Isso deveria ser opt-in, ou seja, partir da premissa de que não é permitido ligar sem autorização e só fazê-lo àqueles que expressamente permitirem esse tipo de coisa.

A (falta de) privacidade do FaceApp

N√£o faz seis meses rolou¬†o alerta do #10yearchallenge e, novamente, geral pondo em risco fotos de rosto por conta de um filtro. Desta vez no FaceApp, um aplicativo russo lan√ßado h√° dois anos, com uma pol√≠tica de privacidade fraca¬†(e bem question√°vel), que¬†oferece “testes no Facebook” em seu site oficial e que tem em seu hist√≥rico a publica√ß√£o de¬†dois filtros escancaradamente racistas. Assim fica dif√≠cil.

Atualização (16/7, às 15h45): Uma análise mais detalhada da política de privacidade do FaceApp, a seguir.

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