Bloco de notas 20#30: Fortnite contra (quase) todo mundo

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Fortnite contra (quase) todos. A Epic implementou um sistema de pagamentos próprio em Fortnite que ignora os nativos/obrigatórios do iOS e Android. Como era esperado, Apple e Google tiraram o jogo da App Store e Play Store. Em seguida, a Epic soltou um vídeo parodiando o icônico comercial da Apple inspirado no 1984 de George Orwell e ajuizou ações antitruste contra as duas nos Estados Unidos. A Apple não se abalou e foi além: avisou que banirá a Epic das suas plataformas de desenvolvimento se a empresa de jogos não voltar atrás. Oficialmente, a discussão gira em torno da taxa de 30% que as duas gigantes cobram da venda de apps, jogos e itens digitais, mas há quem suspeite que a Epic está pressionando a Apple para que ela abra o iOS para lojas de apps alternativas. (Expediente parecido já foi usado pela empresa, com sucesso, contra a Valve nos PCs.) A grande lacuna no argumento da Epic é que Microsoft, Nintendo e Sony também cobram os mesmos 30% em seus video games, mas contra elas, todas clientes da Epic (a Sony tem até uma pequena participação na empresa), não foi dado nem um pio. [The Verge [2] [3], Ars Technica, @EpicNewsroom/Twitter, em inglês; Fortnite Brasil/YouTube]

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O Brasil real não cabe nas discussões delirantes do Twitter

Pessoas de máscara e segurando guarda-chuvas em uma grande fila no meio da rua.

por Guilherme Felitti

Em 1924, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral eram três dos artistas mais relevantes do Brasil. Os três tiveram participação decisiva na Semana de Arte Moderna dois anos antes, um movimento artístico que desencadeou o Modernismo no Brasil ao questionar e reinventar alguns pilares nos quais a arte tradicionalmente se apoiava até então. O movimento reuniu escritores, poetas, pintores, escultores, músicos com o intuito de propor uma nova visão sobre o que era produzir arte e, principalmente, como se desvencilhar daquele modelo clássico trazido da Europa e regurgitado até então.

A arte produzida no Brasil desde a vinda da Corte Portuguesa, cheia de pintores que vieram tentar a vida por aqui, reproduzia muito o que era praticado na Europa sem adaptações radicais. Desde que um sujeito francês chamado Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil quase uma década depois da corte portuguesa e se tornou uma espécie de pintor oficial do reino, a arte brasileira seguia as suas pegadas. Quando o Museu do Ipiranga estiver aberto (sabe-se lá quando) você vai poder ver isso expresso na tela “Independência ou Morte ou O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, recriando Dom Pedro I declarando a independência do Brasil. Tudo é clássico: a composição, as cores, o tema, a maneira como o brasileiro é retratado como um capiau que não entende nada do que está acontecendo… Você pode achar que a tela do Pedro Américo é muito distante da Semana de 22; não é. A tela é de 1888, 80 anos depois do desembarque da corte e 34 anos antes do movimento modernista, o que serve para mostrar também como o Brasil é novo.

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O algoritmo anti-reconhecimento facial

Homem vestido de preto com a máscara do Guy Fawkes segurando um celular mostrando a tela que o enquadra na câmera.

Peguei dois retratos meus, lado a lado, e os enviei a uma pessoa que me conhece muito bem. Perguntei: “vê diferenças nessas fotos?” Ela viu. Disse-me que a da esquerda parecia estar editada, porque minha pele estava mais bonita. É verdade que a minha aparência estava melhor na foto da esquerda, porém ela era a original, sem edição. A da direita havia sido tratada por um algoritmo de privacidade, que sutilmente descaracteriza retratos para neutralizar sistemas de reconhecimento facial — sem afetar (muito) o reconhecimento por outros seres humanos.

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99, Rappi e Uber continuam mandando notificações por SMS mesmo quando o usuário não quer

Foto de um celular sobre a mesa com o aplicativo de mensagens aberto em mensagens da Rappi.

Nesta semana, a 99 lançou um novo produto, o 99Pay. Soube da novidade pelos canais convencionais — comunicado enviado à imprensa e, depois, notícias em jornais e blogs — e também por uma mensagem via SMS da própria 99, o que me surpreendeu porque, algumas semanas atrás, havia pedido expressamente à 99 que não me enviasse mais mensagens por ali.

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