Alguns leitores me indicaram o Mighty, um novo navegador que promete ser um “Chrome mais rápido” e que “usa 10 vezes menos memória” que o Chrome (ou 10%, certo?).

Como? Fazendo streaming da web. É um pouco difícil de entender porque a ideia parece errada, mas é isso mesmo: um navegador que se conecta a outro navegador em servidores potentes (na nuvem), que são bem mais rápidos que o seu computador, como se fosse uma Netflix, só que para acessar o Facebook ou seu extrato bancário. Se pareceu-lhe uma ideia estúpida, calma que piora: é pago. O preço ainda não está definido, mas o formulário para solicitar acesso ao serviço fala em até US$ 50 por mês.

Coisas como esse Mighty só viram realidade porque a web foi desfigurada e, hoje, acessar o Facebook ou qualquer site “moderno”, eufemismo para sites pesados, exige computadores super potentes. Eu poderia apostar uns trocados que existem maneiras melhores de atacar esse problema do que fazendo streaming de navegador.

Semana passada, o YouTube removeu um vídeo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em que ele promovia o “tratamento precoce”. Na sexta (23), após questionado pelo G1, o YouTube removeu mais quatro vídeos de Bolsonaro. Pelas regras da plataforma, bastam três vídeos removidos por infrações às suas diretrizes para que um canal seja removido.

Não foi o que aconteceu com o de Bolsonaro, graças a uma manobra casuística. Na quinta (22), o YouTube anunciou um “período de carência” para novas regras que, convenientemente, livrou o canal de Bolsonaro de ser banido. Num post em forma de perguntas e respostas, Alana Rizzo, gerente de políticas públicas do YouTube no Brasil, disse que:

A política [de remover vídeos que promovem o “tratamento precoce”] será aplicada a todos os vídeos na plataforma, inclusive de maneira retroativa. Vale dizer que, quando atualizamos uma regra, algumas vezes oferecemos aos criadores um “período de carência” para que possam compreendê-la e se adaptarem. Isso significa que vídeos postados antes da mudança ou até um mês depois da atualização são removidos do YouTube, mas não geram um Aviso (strike) como penalidade. Depois desse período de carência, os criadores que postarem novos vídeos em desacordo com a diretriz passam a receber sanções, por isso, precisam redobrar a atenção.

Toda vez que alguém de grande projeção, como o presidente do Brasil, ultrapassa a linha do inaceitável, o YouTube a apaga e a redesenha um pouco mais além. Não é um problema exclusivo do YouTube, e tudo isso ajuda a explicar o buraco profundo em que nos metemos. Via G1.

Nesta segunda (26), o Spotify anunciou um reajuste dos seus planos premium no Brasil. Abaixo, um “antes e depois”:

Plano Preço antigo Preço novo % reajuste
Individual R$ 16,90 R$ 19,90 17,7%
Duo R$ 21,90 R$ 24,90 13,7%
Estudante R$ 8,50 R$ 9,90 16,5%
Família R$ 26,90 R$ 34,90 29,7%

Quem já é cliente terá dois meses de carência com os preços antigos. O Spotify é a primeira plataforma de streaming musical que sai da faixa dos R$ 16,90, praticamente padrão no setor. Via TechTudo.

Achados e perdidos #13

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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No último Guia Prático, falamos de newsletters. A Jacque puxou o assunto Substack e, por curiosidade, fiz uma rápida consulta no nosso diretório e descobri que 28% das 100 newsletters listadas lá, ou quase 1/3, são disparadas do Substack.

Como digo no podcast, tenho um pé atrás com o Substack pelo seu modelo de negócio e possíveis mudanças futuras por pressão de investidores. Já aconteceu (mais de uma vez) com o Medium, outra plataforma bancada por capital de risco, pode acontecer com o Substack também.

E-mail da Cabify avisando que deixará o Brasil em junho de 2021.
Imagem: Cabify/Reprodução.

Em e-mail enviado a seus clientes na manhã desta sexta (23), a Cabify anunciou que deixará de operar no Brasil. Segundo o comunicado, a empresa encerrará suas operações aqui no dia 14 de junho.

A Livraria Cultura lançou um curioso modelo de assinatura, o +Cultura Pass. Por R$ 14,90 ao mês, o assinante tem direito a emprestar um livro por mês em qualquer loja da rede, lê-lo e depois devolvê-lo. Tipo uma biblioteca pública, porém pago e, em vez de multa, se o assinante não devolver o livro em até 30 dias, a Cultura entende que ele quer mantê-lo e lança uma cobrança com 20% de desconto sobre o valor de capa. A assinatura ainda traz outras vantagens, como descontos na compra de livros e acesso ilimitado à Ubook, plataforma de áudiolivros. Via PublishNews.

No evento da última quarta (21), a Apple anunciou reformulações em seu app e plataforma de podcasts. Além do novo visual do app, será possível, por ele, assinar podcasts pagos e exclusivos. Dada a baixa penetração do iOS no Brasil e as taxa exorbitante que a empresa cobrará (30%!), é pouco provável que isso cause uma revolução no setor.

Porém, um detalhe técnico pode, sim, causar estragos significativos: a Apple mexeu na configuração dos podcasts já cadastrados em seu diretório para torná-los “privados”, ou seja, visíveis só dentro do app de podcasts da Apple. Muitos aplicativos e serviços de terceiros recorrem à API pública do Apple Podcasts para descobrir podcasts e conectá-los aos ouvintes, daí o potencial estrago: sem avisar ninguém, a Apple passou a, por padrão, restringir a exposição dos podcasts em outros apps que não o dela mesma.

Se você tem um podcast, é recomendável alterar essa configuração o quanto antes. Para isso, entre no Podcasts Connect, selecione seu podcast e clique no link “editar” do feed RSS. Você notará, abaixo do endereço do feed RSS, um opção “Tornar meu feed público”. Ela estará desmarcada. Marque-a e clique no botão Salvar.

Print da tela de configuração do feed RSS do Podcasts Connect, da Apple, com a opção de torná-lo público desmarcada.
Que coisa feia, Apple… Imagem: Apple/Reprodução.

A própria Apple explica para que serve essa opção ao passar o mouse sobre a “?”. Diz a empresa que “Esta opção expõe o URL do seu feed RSS à nossa API, permitindo que seu programa possa ser descoberto por um público maior”.

Por que, depois de quase duas décadas, a Apple resolveu desmarcar essa opção? Algo me diz que tem a ver com a disputa feroz que a Apple pretende travar com o Spotify e outros players de música que pularam de cabeça nos podcasts. Ao virar uma chave do seu lado, a Apple ganhou, da noite para o dia, muitos podcasts “exclusivos”, ou inacessíveis na maioria das plataformas. Não dá para confiar em grandes empresas mesmo. Via @marcoarment/Twitter (em inglês).

A Canonical liberou nesta quinta (22) o Ubuntu 21.04. A nova versão da distro Linux traz poucas mudanças. As principais são a adoção do servidor gráfico Wayland como padrão e uma nova extensão do Gnome Shell que permite arrastar e soltar ícones na área de trabalho — por padrão, o Gnome não permite ícones na área de trabalho. O download é gratuito. Via OMG! Ubuntu (em inglês).

Puro suco de Brazil

Na última quarta (20), dia em que a Apple anunciou seus primeiros produtos para 2021 em um bem produzido comercial de uma hora, no Brasil soubemos que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, prepara um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para Apple e Samsung, referente à remoção do carregador de parede das caixas do iPhone e do Galaxy S21.

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Post livre #265

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

O árduo caminho entre o meu dinheiro e os músicos em um mundo dominado pelo streaming

Em uma passagem do Big Brother Brasil 21, o participante Caio apresentou a Rodolffo, que fora da casa é cantor, membro da dupla sertaneja Israel & Rodolffo, um aplicativo de celular “foda” que permitiria baixar músicas do YouTube. Sem entender a vantagem, Rodolffo questionou-o: “Mas pra quê? Baixa no Spotify, no próprio YouTube…”, no que Caio retrucou: “Uai, mas aí eu tenho que pagar. Esse é de graça.”1

A vida do músico nunca foi fácil. A equação que envolve arte e retorno financeiro raramente fecha e, quando sim, é só para uns poucos, aqueles com enormes audiências e que faturam na casa dos milhões. Entre esses e o hobbista assumido, que não faz questão de receber dinheiro pelo seu som, há uma farta “classe média” musical que não consegue sobreviver da arte que produz.

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Com a chegada iminente do iOS 14.5, a Apple avisou os desenvolvedores de apps que, a partir da próxima segunda-feira (26), o App Tracking Transparency (ATT) passa a ser obrigatório. O recurso exige que apps para iOS que coletam dados do usuário em sites e outros apps (veja como funciona) obtenham autorização expressa para continuarem com tal prática. Via Apple (em inglês).