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Signal testa transferências de dinheiro usando criptomoeda

O Signal começou a testar um recurso de transferência de dinheiro usando a MobileCoin, uma “privacy coin”, ou criptomoeda que se esforça para preservar o anonimato dos usuários e das transações (ao contrário do bitcoin, esses dados não ficam expostos numa blockchain pública). Por ora, as transferências só estão disponíveis no Reino Unido, pelos apps para Android e iOS.

A notícia preocupa. Em entrevista à Wired, Moxie Marlinspike, criador do Signal e CEO da fundação responsável pelo aplicativo, argumenta que o objetivo é dar às transações financeiras o mesmo tratamento privado existente para a comunicação, o que parece uma premissa falha — existem numerosos cenários que justificam conversas privadas; já para transações financeiras, só consigo imaginar cenários ilegais, como lavagem de dinheiro. Ao misturar as duas coisas, periga enfraquecer o argumento da privacidade nas comunicações em vez de fortalecer o da privacidade como um todo.

A novidade também borra o foco do Signal, que sempre foi um app de mensagens, e com certeza atrairá um escrutínio pesado de governos e órgãos reguladores. Moxie dá a entender que a oferta de transferências financeiras seja um imperativo competitivo, como se o destino de todos os apps de mensagens fosse virar os super apps chineses. Não precisa ser assim.

O maior impacto, porém, é na confiança. Para muita gente — e eu me incluo nesse grupo —, é forte a associação entre criptomoedas e atividades suspeitas e ideias malucas. O Signal sempre teve um foco cirúrgico em manter conversas privadas. Agora, não mais. O clima no tópico de discussão da novidade está péssimo. Via Signal (em inglês), Wired (em inglês).

12 comentários

  1. Acredito que a proposta é muito coerente com a ideia do app de garantir a privacidade dos usuários.

    O uso de criptomoedas é absolutamente promissor e revolucionário no sentido de que o poder do controle do dinheiro está espalhado nas mãos dos próprios usuários e não apenas num ente que pode usar esse controle pra oprimir indivíduos, organizações e até nações.

    Acredito que no futuro as pessoas farão o seguinte questionamento: se as pessoas em 2021 se preocupavam tanto com privacidade das suas mensagens por que elas achavam OK não ter privacidade em suas transações financeiras?

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    1. O dinheiro, ou a posse e disposição dele, não deveria desfrutar do mesmo nível de privacidade das comunicações. Dinheiro é um jogo de soma zero e é preciso transparência, em muitos casos, para evitar abusos que respingam (desaguam, na real) na coletividade. Vide as famosas rachadinhas, por exemplo.

      A ideia de que cripomoedas sejam usadas para circulação de bens e serviços ainda é só uma promessa. No momento, ela é um ativo especulativo. A MobileCoin, por exemplo, saltou de ~US$ 6 para +US$ 60 com essa notícia do Signal. Como usar isso para transacionar? É inviável, e isso joga ainda mais dúvidas à iniciativa do Signal.

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      1. O uso de criptomoedas pode ou não ser absolutamente transparente (dependendo da moeda).

        O Bitcoin como maior exemplo tem todas as suas transações abertas e registradas desde a primeira em 2009 e está longe do controle dos agentes que praticam as “rachadinhas” e principalmente dos abusos que são mais invisíveis como a inflação que atinge de forma cruel os mais pobres.

        A alta volatilidade dos valores diz muito mais sobre o pequeno tamanho ainda desse mercado (O Bitcoin, que é a maior moeda, recentemente atogindiu 1 trilhão de dólares de “capitalização de mercado” enquanto o ouro tem quase 10 trilhões. O mercado inteiro de criptomoedas tem “apenas” 2 trilhões de dólares. Realmente qualquer pequena migração do dinheiro comum pra esse novo dinheiro vai causar grandes variações num mercado que não tem nem 15 anos de existência.

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        1. The top 2.8 per cent of bitcoin addresses now control 95 per cent of the supply (including many that haven’t moved any bitcoin for the past half-decade), and more than 63 per cent of the bitcoin supply hasn’t been moved for the past year, according to recent estimates..

          Sim, com certeza isso vai dar certo e não, não tem absolutamente nada obscuro e/ou ilegal rolando às custas de bitcoin.

          Aliás, recomendo a leitura (precisa de um cadastro gratuito).

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    2. Eu tenho notado que o uso de criptomoedas mais oprime do que liberta. As especulações e desvios econômicos causados criam mais desigualdade social, oprimindo a população que não tem criptomoedas.

      Claro que as situações onde há situação econômica problemática (Venezuela por exemplo) existe justificativa para uso – sei de histórias de uso de criptomoedas para populações como a venezuelana, que depende de remessas de quem está no exterior.

      Mas faço coro ao Ghedin: uso de dinheiro, de quaisquer forma, deve ser algo transparente, controlável pela população em certo aspecto.

      O uso de criptomoedas hoje está mais voltada à especulação e atividades ocultas – isso no Brasil. E olha que engraçado, prometiam que muitos lugares físicos iam aceitar criptomoedas e no final não tem nada disso.

      No final, ao menos no Brasil, o governo (ou melhor, o Ministério da Economia / Fazenda e Banco Central) usaram parte da ideia (a troca fácil entre pares) para a criação do Pix, um mecanismo que aparentemente é transparente e prático para transferência monetária.

      Mais engraçado é pensar que a galera que apoia criptomoeda o que mais faz é viver da especulação, vendendo na alta e comprando na baixa. Emulou o mesmo mercado que outrora criticava.

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      1. Não há dinheiro mais controlado pela população que o usa que as criptomoedas. Código aberto, com transações auditáveis e descentralizado.

        Sobre a aceitação desse tipo de moeda é normal que ainda não seja two popular. A primeira moeda foi criada em 2009 o normal é que o uso dela seja popularizado de forma mais rápida onde a moeda corrente se mostre pior (como em ditaduras ou países com alta inflação como a Nigéria).

        Sobre o Pix, ele é uma ótima ideia em relação a rapidez e praticidade mas diferente do Bitcoin, estamos apenas aqui citando um sistema de pagamentos. O Bitcoin é tanto a moeda quanto o seu próprio sistema de pagamentos. A fragilidade do Pix mora justamente na moeda utilizada.

        Sobre a especulação e o mercado, o movimento de criptomoedas normalmente não é crítico ao mercado em si mas à manipulação recorrente de governos que “imprimem” dinheiro e entregam esse dinheiro novo aos mesmos players de sempre que usam esse dinheiro novo e “grátis” pra manipular o mercado e ficar cada vez mais ricos.

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        1. Bitcoin é especulação tanto quanto o mercado de ações. Serve para fomentar a concentração de renda, nada mais. Não existe nenhuma aplicação plausível do BTC até o momento e, afirmo com 99% de certeza, jamais teremos pelo custo energético da mineração e pelo caráter especulativo da moeda.

          Outras moedas podem surgir usando a blockchain como base, claro, mas não tem nenhuma que fuja, até o momento, da concentração de renda inerente a própria fórmula de desenvolvimento do capitalismo.

          Acreditar que o BTC vai ser mais do que um ativo especulativo usado pra lavar dinheiro e concentrar riqueza longe dos olhos estatais é ingênuo, pra dizer o mínimo. Não por nada que os grandes fomentadores do “mercado” de BTC são as pessoas que lucram com especulação.

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        2. Não há dinheiro mais controlado pela população que o usa que as criptomoedas. Código aberto, com transações auditáveis e descentralizado.

          Parte da população não entende de tecnologias (e provavelmente nem nunca vai o entender). Então não existe este suposto controle. O controle de criptomoeda está em quem detém a mesma e consegue a extração do código que se dá o valor, e isso é feito por especialistas, que é só uma pequena fração desta população.

          A primeira moeda foi criada em 2009

          De forma obscura, gerando até problemas para uma pessoa que apontaram que seria o suposto criador da moeda…

          Sobre a especulação e o mercado, o movimento de criptomoedas normalmente não é crítico ao mercado em si mas à manipulação recorrente de governos que “imprimem” dinheiro e entregam esse dinheiro novo aos mesmos players de sempre que usam esse dinheiro novo e “grátis” pra manipular o mercado e ficar cada vez mais ricos.

          O interessante nas criptomoedas é valor dado ao zero à esquerda – diz-se que não se “imprime criptomoedas”, mas gera-se casas decimais à direita. Isso não deixa de ser uma forma de impressão de dinheiro.

          A propósito, impressão de moeda varia conforme a necessidade econômica, e não significa inflação ou deflação se tal for bem coordenada. Eu admito que preciso entender mais de economia, mas sei que a impressão de dinheiro é baseado mais no PIB, no que é produzido e gerado pelo país por produtos e serviços. O problema aqui é que quem especúla – incluíndo fãs de criptomoeda – são os maiores geradores de inflação, se notar.

          Enquanto isso, fãs de criptomoeda criam “bancos” para ajudar gente a lavar dinheiro com tais criptomoedas…

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  2. Falei em algum comentário aqui no MDU, sobre o Signal, que não tinha certeza sobre os motivos nobres de sua mantenedora, era apenas a opção menos pior. Agora vem essa notícia…

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  3. ‘já para transações financeiras, só consigo imaginar cenários ilegais, como lavagem de dinheiro’

    Já mete logo um ‘afinal, quem não deve não teme’ ?

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  4. Aquela coisa, enviar dinheiro para contas anônimas em paraísos fiscais é um dos jeitos de lavar dinheiro. Com esse modelo de transferência, os paraísos fiscais estarão à mão.

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