O Sintoniza, nosso serviço para sincronizar inscrições de podcasts em aplicativos que não oferecem esse recurso, ganhou uma belíssima repaginada. Todos os créditos ao nosso desenvolvedor (e também designer?) Renan. Além da estética, o novo site ficou mais informativo e até lista os aplicativos compatíveis e em quais sistemas ele roda.

O Sintoniza é gratuito para todos.

Não limite seu podcast ao Spotify

Tenho topado com podcasts pequenos ou pessoais que só podem ser ouvidos pelo Spotify. (Exemplo.) Intrigado por esse fenômeno, criei um novo podcast no Spotify para descobrir o que está acontecendo.

O Spotify, entre outros serviços, oferece hospedagem para podcasts. É um arranjo similar ao que o Substack tem para newsletters: recursos generosos sem qualquer custo para criar e manter a publicação.

Há uma diferença fundamental, porém. Uma newsletter criada no Substack pode ser acompanhada por qualquer e-mail — Gmail, Outlook, Fastmail, domínio próprio. Já os podcasts do Spotify ficam limitados ao Spotify e, pior, com o feed RSS desativado por padrão.

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A face do risco: o rosto como senha 

Por falar em reconhecimento facial, ouvi com grande interesse o podcast O Assunto desta segunda (19), que trata do… assunto, e terminei a audição um pouco decepcionado.

Gostei da crítica que o Ronaldo Lemos, um dos entrevistados, fez à banalização do uso do rosto como senha. Quando a Natuza pediu dicas de prevenção contra golpes que exploram brechas do reconhecimento facial, a primeira que Ronaldo deu foi evitar expor seu rosto a esse sistema, o que é meio óbvio e, ao mesmo tempo, muito difícil em vários casos — um deles comentado pelo próprio Ronaldo minutos antes, que admitiu que quando precisa entrar em um prédio que exige reconhecimento facial, acaba cedendo.

As dicas de segurança do outro convidado, Álvaro Massad Martins, me pareceram meio anacrônicas, como “criar senhas com pelo menos dez caracteres” (que tal indicar gerenciadores de senhas e não se preocupar com isso?) e VPN para “navegar com segurança em redes públicas”, o que é dispensável com HTTPS onipresente e, de qualquer modo, está longe de ser uma panaceia.

Ao fim do podcast, continuei incomodado com a banalização e sem saber muito bem o que fazer. Dicas?

O podcast/áudio de WhatsApp da Cris Junqueira

Estou obcecado com o podcast Vou te mandar um áudio, da Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank. Acho que eu e ela inauguramos uma nova tendência no universo dos podcasts.

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Alguns links citados:

Podcast Vou te mandar um áudio em várias plataformas/apps.

Cofundadora do Nubank pede desculpas após polêmica sobre dificuldade de contratar negros, O Globo [2020].

Podcast Neymar: UOL mostra como império do jogador surgiu, no Uol.

Nosso combinado para 2025

A parte que eu mais gosto das pesquisas anuais com quem lê o Manual são as perguntas abertas. Mesmo opcionais, muita gente dedica algumas palavras para elogiar o que funcionou ao longo do ano e, mais importante, tecer críticas pertinentes e dar ótimas sugestões.

Para ~abrir os trabalhos em 2025, achei que seria uma boa aproveitar os comentários da galera para passar a limpo dúvidas frequentes, fazer alguns anúncios e firmar um compromisso entre a gente.

Tentei ordenar os assuntos por importância. Alguns foram mencionados várias vezes; para não deixar o texto repetitivo, limitei cada assunto a um comentário dos leitores, ok?

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Sintoniza, o novo serviço do PC do Manual para sincronizar inscrições em podcasts

Se o seu aplicativo de podcasts não sincroniza as inscrições com outros dispositivos, o Sintoniza, novo serviço do PC do Manual, é para você.

O problema que o Sintoniza resolve pode parecer estranho a quem usa os apps mais populares — Apple Podcasts, Spotify, Pocket Casts —, que têm um sistema de sincronia embutido.

Não são todos, porém. AntennaPod e Kasts, por exemplo, carecem da sincronia, o que significa que as suas inscrições ficam restritas a um dispositivo e não podem ser restauradas da nuvem quando são reinstalados ou a pessoa troca de celular.

Desenvolvido pelo Renan Altendorf, o Sintoniza supre tal lacuna desses apps alternativos. A animação na página inicial mostra como configurá-lo usando o AntennaPod de exemplo.

O Sintoniza é aberto a todos, independentemente de assinatura no Manual. Inscreva-se aqui.

O código-fonte está em nossa página no GitHub.

Para os curiosos, Renan criou uma página pública de estatísticas agregadas, com o total de pessoas usando o serviço, de dispositivos sincronizados e uma lista dos podcasts mais populares. O líder não chega a ser surpresa :)

Se um podcast é baixado e ninguém o ouve, ele tem audiência?

Quadro do GIF/meme Nazaré confusa com efeito dithering.

O digital promete ser possível mensurar qualquer coisa com precisão cirúrgica, resultando em maior eficiência nos gastos, ou seja, em economia. Mesmo quando os números existem e o investimento é satisfatório, porém, é bom encarar esse arranjo com algum ceticismo.

Em setembro de 2023, uma mudança sutil no aplicativo de podcasts da Apple, padrão no iOS, reverberou tão forte que sacudiu toda a indústria.

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Encerramento do podcast e dos vídeos

O podcast do Manual do Usuário precede o site. Ao longo desses quase 12 anos, houve momentos em que ele ficou hibernado, mas nunca foi encerrado.

Faz mais de uma década que eu tenho um podcast. E mesmo com as mudanças no mercado e a popularidade do formato na pandemia, o meu se manteve… estagnado.

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Em setembro de 2023, o Google anunciou o fim do Google Podcasts em prol do YouTube Music. Em algum momento depois disso, surgiu uma data exata para o encerramento: 2 de abril de 2024.

Acontece que essa data só vale para os Estados Unidos. Em um post no fórum de ajuda do Google para podcasters, datado de 18 de março, um funcionário da empresa, Cory Peter, explica que o encerramento do Google Podcasts no resto do mundo será em 24 de junho. Quem confia no app do Google para ouvir podcasts tem quase três meses para exportar suas inscrições para outro app.

A Intel lançou alguns plugins gratuitos e de código aberto, baseados em inteligência artificial, para o editor de áudio Audacity. Batizados de OpenVINO, eles são indicados para podcasts (remoção de ruído e transcrição de áudio em texto escrito) e música (geração de músicas e separação de vocais e instrumentos). Parecem bem úteis.

Infelizmente, por ora os plugins só funcionam em uma versão específica do editor e apenas no Windows — e, mesmo ali, a instalação é complicada. Via Audacity (em inglês).

Evernote, Castro e Simple Mobile Tools: o que está acontecendo com os aplicativos legais?

Carrossel com aplicativos da suíte Simple Mobile Tools.

Talvez seja coincidência, talvez os primeiros sinais de uma tendência negativa. Nos últimos dias, negócios baseados em aplicativos passaram por mudanças profundas que afetaram seus usuários de maneiras nocivas.

O primeiro caso foi o do Evernote, vendido à italiana Bending Spoons em novembro de 2022. Em julho deste ano, houve uma demissão em massa e o fechamento dos escritórios nos EUA e Chile.

Dias atrás, a Bending Spoons oficializou a limitação a 50 notas e 1 caderno no plano gratuito do Evernote. Na prática, é como se o plano gratuito não existisse mais.

A Bending Spoons também arruinou outro aplicativo, o Filmic. Após mudar o modelo de negócio para assinatura, demitiu toda a equipe, incluindo o ex-CEO e fundador.

As mudanças acontecem em um momento delicado. Quase concomitante à adoção do modelo por assinatura, a rival Blackmagic Design lançou o Camera, um aplicativo similar ao Filmic, porém gratuito. A Apple usou o Blackmagic Camera para gravar seu último evento.

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Outro caso delicado é o do Castro, aplicativo de podcasts freemium para iOS, publicado pela Tiny.

A empresa publicou um comunicado em meio a rumores de que o Castro estaria com os dias contados, depois de um apagão que durou quatro dias e gente pedindo demissão.

No comunicado, a Tiny afirmou que tem uma “equipe enxuta” dedicada a manter o Castro funcionando e que está procurando “um novo lar” para o aplicativo.

Deve ser difícil competir com o Apple Podcasts, que vem pré-instalado em todo iPhone (e é bem bom, na real), com todos os streamings de música que pegaram o bonde dos podcasts, e apps independentes, como o Overcast. A quem ainda usa o Castro, porém, a notícia é bastante ruim.

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Por fim, o caso mais dramático: o do Simple Mobile Tools (SMT), uma suíte de pequenos aplicativos para Android focados, pró-privacidade e de código aberto. (Em 2020, escrevi uma matéria e entrevistei Tibor Kaputa, criador do SMT.)

Sem aviso prévio, o SMT foi vendido à ZipoApps. Em seu site, a empresa diz que “adquire os melhores aplicativos e os leva ao próximo nível”, o que só é verdade se “próximo nível” for um eufemismo para “cobrar assinaturas caras sem qualquer motivo”.

Os colaboradores estão irados com Tibor e questionam se a licença do SMT, a GPLv3, permite uma venda sem a anuência de todos que contribuíram com o código. Falou-se até em judicializar a demanda a fim de melar o negócio.

No GitHub, uma longa conversa está se desenrolando. Tibor meio que justificou a venda assim:

Certo, eu sei que é um passo muito controverso que chateia muitos usuários, [mas] infelizmente a qualidade de todo o ecossistema Android está caindo muito rapidamente e eu queria evitar a morte lenta [dos apps]. Muito obrigado pelo apoio que eu e os aplicativos recebemos ao longo dos anos, significa muito para mim :)

O mais maluco dessa história é que no final de agosto o blog do SMT estava publicando posts críticos a aplicativos que vendem os dados dos usuários. Há um ano, lançou um celular próprio (!) com os aplicativos pré-instalados.

A ZipoApps explica, em seu site, que vender um app “é fácil” e que “a maioria dos nossos negócios é fechada em 14 dias”.

Um dos colaboradores do projeto, Naveen Singh, criou um fork chamado Fossify e prometeu dar continuidade ao Simple Mobile Tools seguindo os princípios originais do projeto. Ótimo para quem está envolvido, mas isso não resolve a vida de quem, em breve, se deparará com popups pedindo assinaturas semanais de dois dígitos e passará a ser rastreado por empresas de publicidade em apps que, até então, eram exemplos de postura pró-privacidade.

Vez ou outra, tenho a sensação de que esses bastidores de aplicativos não centrais nas nossas vidas são quase uma curiosidade, quase um hobby meu e de umas poucas pessoas que se reúnem aqui e em outros espaços. Os últimos dias mostraram que não é bem assim… né?

Hoje descobri que a rede de anúncios programáticos do Spotify, aqueles que são inseridos automaticamente em podcasts insuspeitos, chegou ao Brasil e que se chama Spotify Audience Network, ou… SPAN. Nome bem apropriado, apesar de terem colocando um “n” no lugar do “m” no final. Via Spotify Advertising.

Deezer

Novo ícone da Deezer: coração roxo estilizado, com o nome da plataforma em letras maiúsculas, contra um fundo preto.

A Deezer está de cara nova. A plataforma de streaming francesa ganhou um novo logo, repaginada nos aplicativos e até um slogan, “Viva a música”, que destaca o foco renovado em experiências.

Há uma nova fonte também, usada em títulos e outros elementos destacados na interface. O aplicativo traz novos ícones e um visual mais despojado — ou, segundo a empresa, “uma personalidade ousada, antenada e excêntrica”.

Por baixo dos panos, a Deezer continua fazendo o que sempre fez: oferecer milhões de músicas e de podcasts a ouvintes do mundo inteiro.

Deezer / Android, iOS / Freemium (gratuito com anúncios ou a partir de R$ 22,90/mês).