Mais dispositivos vinculados estão chegando (inclusive tablets Android) 
signal.org

A atualização mais recente do Signal para Android [8.20] traz suporte completo para dispositivos vinculados. Agora você pode vincular facilmente outro celular Android ou um tablet Android à sua conta Signal. […]

Também estamos ampliando o suporte a dispositivos vinculados no iOS [na versão 8.22], para que você possa vincular um iPhone à sua conta Signal — além do suporte já existente para iPads.

Há algumas semanas, fiz o movimento contrário, deixando aplicativos de mensagens apenas no celular. É um esforço para incentivar outros canais que julgo melhores para conversas urgentes (telefone) ou complexas (e-mail). De qualquer maneira, é bom ver o projeto riscar mais uma tarefa da infinita lista de recursos que as pessoas esperam em aplicativos de mensagens.

RCS chega a 145 milhões de usuários ativos no Brasil 
mobiletime.com.br

Kaio Marin, head de RCS for business do Google Brasil, disse em um evento no final de maio que o RCS tem 145 milhões de usuários no Brasil no final de 2025.

Para se chegar a tal número — 86,6% do total de pessoas com celulares em 2024 (IBGE) —, presume-se que o Google coloque na conta de “usuários ativos” qualquer pessoa que receba spam ou tentativas de golpe por RCS.

A inflada no número, mais um exemplo de como torturar as estatísticas para pintar um cenário mais conveniente, coincide com um reforço do Google nas ferramentas de publicidade baseadas em mensagens de texto. A nota do Mobile Time, onde noticiou o dado, lista os novos recursos para anunciantes do Google envolvendo RCS.

Não é muito diferente do que a Meta está tentando fazer com o WhatsApp, com a diferença de que este é usado para outras coisas além de falar com comércios. No RCS, que pouquíssima gente usa (de verdade) no Brasil, essa investida só ajuda a consolidar o aplicativo Mensagens como um lixão de spam.

As novidades do WhatsApp que a Meta não te contou

A Meta realizou nesta semana, no Brasil, a versão local do Meta Conversations, evento global em que a empresa apresenta novidades no WhatsApp para empresas.

Lá fora, o destaque foi o “Business Agent”, um agente de IA para empresas que interage com os clientes.

É muita ousadia da Meta anunciar esse negócio na mesma semana em que descobriu-se que o seu agente de IA para SAC passou quase dois meses entregando as credenciais de contas populares no Instagram a qualquer um que pedisse.

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O iOS 26.5, liberado nesta segunda (11), trouxe a nova versão do RCS que tem, como carro-chefe, o suporte a criptografia de ponta a ponta (e2ee). Não comemoremos ainda: a ativação do recurso depende das operadoras. Por ora, funciona apenas nas canadenses e estadunidenses.

Atualização: A página da Apple que lista os recursos do RCS por operadora demorou um pouco para atualizar, mas agora Vivo e TIM constam lá como tendo suporte à e2ee. (Ainda não chegou ao meu celular, da Vivo.) Enquanto isso, na Claro… nem sinal de RCS.

Nada mudou no Instagram; Meta sempre leu suas DMs

Desde 8 de maio, o Instagram parou de oferecer a opção de mensagens diretas (DMs) com criptografia de ponta a ponta (e2ee, na sigla em inglês). O anúncio foi feito de maneira discreta, em uma página da documentação de ajuda da Meta, o que condiz com a importância desse recurso dentro do Instagram. Ao repercutir a notícia, porém, a imprensa fez um trabalho lamentável, esticando a verdade ou descambando para a desinformação mesmo, inflamando a opinião pública a troco de nada.

Sou o primeiro a criticar a Meta, e é por isso que devemos ser cuidadosos nas acusações, sob o risco de enfraquecermos os reais argumentos contra ela e suas práticas.

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Confirmando os rumores, o vindouro iOS 26.4 deverá trazer criptografia de ponta a ponta para mensagens trocadas entre iPhone e Android pelo padrão RCS. E não só: como esse recurso está vinculado a uma versão mais recente do RCS, a 3.0, outros muito bem-vindos deverão chegar também: edição e exclusão de mensagens enviadas, reações sem duplicar mensagens e respostas a mensagens específicas.

As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS

Em 2024, a Apple fez um gesto de boa vontade a reguladores europeus e abriu o iOS 18 para o RCS, a evolução do velho SMS.

RCS, sigla de Rich Communication Services, é o SMS via internet com todos os benefícios decorrentes dessa mudança, como suporte a imagens de alta qualidade, recibos de leitura, indicadores de digitação e mensagens de áudio.

Em outras palavras, é a “versão WhatsApp” do SMS.

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A maneira como o Signal é construído — com a privacidade das pessoas tendo prioridade — dificulta e retarda a liberação de recursos que outros apps já têm há tempos. Eles demoram, mas chegam. A última versão, já disponível, introduz as mensagens fixadas em conversas individuais e em grupos. Vale para Android, computadores e iOS.

Diplomacia via WhatsApp 
newcartographies.com

Nicholas Carr, do ótimo Superbloom, argumenta que:

Mensagens de texto transformam a todos em criança de doze anos semi-analfabetas, e presidentes, primeiros-ministros e secretários-gerais não são exceção.

Neste texto, ele se opõe à prática disseminada de fazer diplomacia via WhatsApp. O que, por óbvio, não funciona.

Em geral, a velocidade de entrega de um meio [de comunicação] está inversamente correlacionada com o cuidado e a nuance das mensagens que ele carrega. A crescente hegemonia das mensagens instantâneas, parece justo dizer, não está promovendo a eloquência na correspondência privada ou no discurso público. Mensagens são ótimas para trocas rápidas. Elas rebaixam praticamente todo o resto.

Ele pesca um exemplo do livro supracitado para demonstrar que a celeridade na comunicação causa estragos na diplomacia há muito tempo.

A chegada do telégrafo, no final do século XIX, era a esperança do fim da guerra. Nikola Tesla e seu rival, Guglielmo Marconi, ambos pesquisadores dedicados ao desenvolvimento do telégrafo sem fio, tinham essa expectativa.

Em 1912, Marconi declarou que o telégrafo sem fios “tornaria a guerra impossível”. Dois anos depois, a I Guerra Mundial eclodiu.

Ele cita um trecho do historiador francês Pierre Granet, em referência à Guerra Franco-Prussiana, de 1870:

A transmissão constante de despachos entre governos e seus agentes, a rápida disseminação de informações controversas entre um público já agitado, apressou, se não provocou, o início das hostilidades.

Se para um indivíduo com muita liberdade para optar em quais grupos participa já é difícil, imagine para estadistas e agentes governamentais, que precisam lidar com gente desagradável e tomar decisões que impactam milhões de pessoas? Como diz Carr, no final do texto,

O estado bem-sucedido requer deliberação, discrição e discernimento, qualidades raramente evidentes em mensagens transmitidas por meio de aplicativos em telas de celular.

Muita gente se surpreendeu ao descobrir, no último dia 20, que o Signal usa a infraestrutura da Amazon/AWS. A presidente do Signal, Meredith Whittaker, teve que escrever o porquê:

Mensagens instantâneas exigem latência próxima de zero. Voz e vídeo, em particular, exigem sinalização global complexa e relays regionais para gerenciar jitter e perda de pacotes. Essas são coisas que a AWS, Azure e GCP [Google] fornecem em escala global que, na prática, outros (no contexto ocidental) não fornecem.

Importante notar que o Signal usa criptografia de ponta a ponta, o que significa que ninguém na AWS consegue acessar o conteúdo.

(Aliás: o problema dos “reply guys” no Mastodon se manifesta em quase todos os posts mais técnicos da Meredith.)

O Signal encontrou uma solução genial para blindar seu aplicativo do Recall, o spyware oficial da Microsoft para o Windows 11: classificar o app como protegido por direitos autorais (DRM), tal qual o da Netflix, o que o impede de ser “fotografado”/aparecer em prints — incluindo os do Recall.

Recall, caso tenha se esqueci, é um recurso de “IA” que a Microsoft anunciou em maio de 2024, para computadores Copilot+, que tira prints da tela a cada poucos segundos e cria um arquivo pesquisável. Tipo um spyware. O lançamento foi adiado diante da repercussão, mas voltou a ser testada em abril e deverá chegar a computadores elegíveis em breve.

Cadê o RCS para iPhone no Brasil?

O MacMagazine perguntou às operadoras que atuam no Brasil o estado do RCS no iPhone, o sucessor moderno do SMS. O recurso foi liberado no iOS 18, em setembro de 2024, mas ainda não está disponível aqui.

Claro e TIM estão se preparando para liberar o RCS; Algar não tem previsão; e Vivo não respondeu.

Talvez a Algar esteja certa e não valha o esforço mesmo. Na terra do WhatsApp, a pesquisa mais recente do Mobile Time/Opinion Box descobriu que apenas 7% dos brasileiros envia SMS todos os dias. O que é bem mais do que eu imaginava!

A Vivo, por sua vez, acabou com o SMS ilimitado em todos os planos. São 100 mensagens por mês e R$ 0,10 por mensagem adicional.

Acho que o RCS só interessa mesmo ao mercado corporativo, que poderá mandar spam com imagens de alta qualidade… O que é uma pena, ainda mais após o anúncio de que o padrão ganhará suporte à criptografia de ponta a ponta.

O editor-chefe da revista The Atlantic foi adicionado a um grupo no Signal onde membros do alto escalão do governo estadunidense, incluindo o vice-presidente e o secretário de defesa, trocavam informações confidenciais de um ataque dos EUA contra os Hutis, no Iêmen.

O caso, surreal, ilustra uma máxima deste Manual: de nada adianta criptografia de ponta a ponta se uma das pontas for comprometida — ou, como neste caso, for uma pessoa burra.