O editor-chefe da revista The Atlantic foi adicionado a um grupo no Signal onde membros do alto escalão do governo estadunidense, incluindo o vice-presidente e o secretário de defesa, trocavam informações confidenciais de um ataque dos EUA contra os Hutis, no Iêmen.
O caso, surreal, ilustra uma máxima deste Manual: de nada adianta criptografia de ponta a ponta se uma das pontas for comprometida — ou, como neste caso, for uma pessoa burra.
Tenho a sensação de ser armado, tipo um “Vaza-Jato” inverso: deixaram o jornalista entrar para ver como ele iria reagir e repassar as informações.
Em tempos: se há algo que tenho raiva na política é esta questão do sigilo. Sigilo demais para algo que é resultado de um desejo público que as pessoas que estão no poder estejam ali acaba sempre resultando em teorias conspiratórias. E tem políticos que se aproveitam disso o resto da vida, pois as teorias conspiratórias – que nada mais são que as velhas e famigeradas notícias falsas – acabam sempre alimentando o imaginário e cultura da população sob o poder destes.
O nível dos caras que podem começar uma guerra mundial.
Li essa notícia ontem em algum lugar e lembro que mencionava o uso do Signal, apesar de ser muito provável que a Casa Branca tenha meios de comunicação interna muito mais seguros pra isso. Parece ter sido intencional, não?
Não sei se seria mais seguro, mas seria importante não usar o Signal porque ele não é homologado para uso no governo e não deixa rastros. Nesse caso, ter rastros é desejável para cobrar responsabilidades posteriormente.
Felipe, apesar do lema da navalha de Hanlon, eu também tendo a duvidar de coisas do tipo. Parece tanto cortina de fumaça, ainda mais pelo monte de acontecimentos recentes…