Os advogados de Elon Musk mandaram uma notificação extrajudicial ao mantenedor do Nitter, um serviço legal que apresenta posts do X em uma interface diferente. A pessoa, que se identifica como zedeus, acatou a ameaça, derrubou a instância própria do Nitter e cessou o desenvolvimento.

Esses caras nem se importam mais em disfarçar a hipocrisia. Eles raspam a internet inteira para alimentar seus papagaios de inteligência artificial, mas usam da truculência financeira e assédio jurídico para perseguir indivíduos que fazem o mesmo — com fins mais nobres e em escala artesanal.

O XCancel, instância popular do Nitter que eu tenho usado há uns bons meses, continua de pé.

Atualização (19h33): O XCancel também caiu.

Posse de vídeo ilegal em armazenamento automático não configura crime 
conjur.com.br

Um juiz de Joinville (SC) inocentou um homem que tinha três vídeos de abusos de menores no celular, recebidos automaticamente de um grupo do WhatsApp. A defesa alegou que ele recebeu os vídeos em um grupo antigo de vizinhos, onde não interagia. O parecer da Meta/WhatsApp reforçou o argumento da defesa:

Ao analisar o processo, o magistrado ressaltou que o suporte técnico do WhatsApp informou que os metadados de “modificação” e “último acesso” não provam que o usuário visualizou o arquivo.

Apesar do precedente (correto, na minha humilde opinião), é boa prática de higiene digital sair de grupos do WhatsApp muito ativos que você não acompanha e/ou (no mínimo) desativar o download automático de mídias.

Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

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Meta não é um monopólio / “Agentes” de IA no Windows

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Meta não é um monopólio, 0:26

O teste simples que derrubou o caso da FTC contra a Meta (em inglês), Platformer.

Como o TikTok ajudou a Meta a vencer um caso antitruste (em inglês), New York Times.

Para ser franco, o Instagram foi adquirido para eliminar um concorrente, e isso foi ok para a FTC (em inglês), Pixel Envy.

CEO do Mastodon, 7:06

Meu próximo capítulo com o Mastodon (em inglês).

RCS na Claro, 9:53

Claro lançará RCS para iPhones em 2026; TIM já testa o serviço em pilotoMobile Time.

“Agentes” de IA no Windows, 10:57

Microsoft alerta que agentes de IA do Windows 11 podem abrir as portas para novos riscos à segurança (em inglês), Windows Central.

“O fato de as pessoas não se impressionarem por podermos ter uma conversa fluente com uma IA superinteligente que pode gerar qualquer imagem/vídeo me deixa boquiaberto.” Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI.

Reprogramando a Mozilla: Fazendo pela IA o que fizemos pela web (em inglês).

Facebook e Instagram são paraísos para golpistas, revelam documentos internos da Meta

A Reuters jogou luz no lucrativo negócio da Meta baseado na venda de anúncios fraudulentos em suas plataformas — Facebook e Instagram. Documentos internos da empresa obtidos pela agência de notícias mostram que 10,1% da receita da Meta em 2024, ou US$ 16 bilhões, veio de anúncios fraudulentos, de golpes digitais.

Um documento de dezembro de 2024 mostra que a Meta veicula em média 15 bilhões de anúncios fraudulentos por dia. Eles se somam a 22 bilhões de conteúdos suspeitos “orgânicos”, aqueles sem impulsionamento/pagamento, que vão de perfis hackeados oferecendo esquemas de criptomoeda à promessa de curas milagrosas em grupos, passando por anúncios falsos no Facebook Marketplace.

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STF e o artigo 19 / Novo Lerama / Baixa no streaming pirata

Dois episódios em duas semanas? É um novo recorde para este podcast. (Disse no podcast que hoje era 8 de novembro porque, a princípio, publicaria o podcast nessa data, aí mudei de ideia e só lembrei da marcação tarde demais.)

1:13 STF e o artigo 19 do Marco Civil da Internet:

Voto do ministro Luiz Fux *.pdf

Meta está faturando uma fortuna com uma avalanche de anúncios fraudulentos, mostram documentos (em inglês), Reuters.

Fraude, IA e dinheiro falso, Projeto Brief.

7:54 Lerama:

Novo Lerama.

Lerama e diretório de newsletters brasileiras se fundem e ganham novos recursos.

10:41 Baixa no streaming pirata:

Operação na Argentina derruba acesso de milhares de brasileiros a gatonetUol.

12:45 RCS na TIM:

iOS 26.2 beta ativa suporte ao RCS para clientes da TIM no BrasiliHelp BR.

RCS em iPhones no Brasil.

“Pix das mensagens”, ou um plano para destronar o WhatsApp no Brasil.

A Justiça estadunidense decidiu os “remédios” que serão aplicados ao Google no processo em que a empresa foi condenada por práticas monopolistas no mercado de buscadores:

  • Proibição de celebrar ou manter contratos de exclusividade relacionados à distribuição do Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
  • Obrigação de disponibilizar certos dados do índice do buscador e interação do usuário para rivais e potenciais rivais.
  • Obrigação de oferecer serviços de distribuição de anúncios e serviços em texto para pesquisas para permitir que rivais e potenciais rivais possam competir.

E só.

Foi pouco e todo mundo reclamou. Ou quase todo mundo: Apple e Mozilla, que recebem valores astronômicos do Google para manterem o buscador como padrão no iOS/Safari e Firefox, respectivamente, respiram aliviadas.

Folha de S.Paulo pede indenização de R$ 23.400 ao Manual do Usuário por ferramenta que democratiza a informação

O que eu, Rodrigo, pessoa física, tenho a ver com a OpenAI, startup estadunidense de inteligência artificial, dona do ChatGPT, avaliada em centenas de bilhões de dólares? Para a Folha de S.Paulo, ambos atuamos em “concorrência desleal” e “violamos os diretos autorais” do jornal.

De diferente, a OpenAI mereceu uma matéria na própria Folha, assinada pela repórter especial Patrícia Campos Mello. (Os pormenores dos dois processos variam também, mas isso não vem ao caso.)

Entenda o caso: Fui processado pela Folha de S.Paulo.

No último dia 19, a Folha emendou a inicial e, com isso, optou por dar continuidade ao processo — mesmo após eu ter atendido ao pedido liminar de bloquear links da Folha de S.Paulo no Marreta e remover quaisquer mensagens indicando quebradores de paywalls alternativos.

Emenda da inicial da Folha de S.Paulo (arquivo *.pdf).

Na emenda, o jornal paulista fez uma conta esquisita, baseada nos preços praticados pela FolhaPress, seu “serviço de licenciamento dos seus conteúdos a terceiros” (agência de notícias), e pediu uma indenização de R$ 23.400.

Além disso, a Folha alterou a sua argumentação na emenda. Não se trata mais de assinaturas de leitores em potencial perdidas, como era na liminar; o problema agora foi eu ter veiculado matérias da agência sem pagar por elas.

Vamos, eu e meus advogados, contestar esse pedido, que classificamos como descabido.

O processo é público e corre na 8ª Vara Cível de São Paulo (SP), autos nº 1094735-28.2025.8.26.0100.

Fui processado pela Folha de S.Paulo

Na tarde de sexta (25/7), tive uma desagradável surpresa na forma de um e-mail, enviado pelo escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo, Gasparian Advogados, de São Paulo (SP), com a liminar de uma ação movida pela Folha de S.Paulo em meu desfavor.

Na liminar, o juiz Carlos Eduardo Vieira Ramos determinou a remoção do trecho “Use outro quebrador de paywalls, como o [REMOVIDO], ou assine a Folha” de uma mensagem de erro que aparece no Marreta, o nosso quebrador de paywalls, quando um link da Folha de S.Paulo é inserido.

Não foi o primeiro e-mail que recebi de advogados contratados pela Folha.

O primeiro, de 25/6, trazia anexa uma notificação extrajudicial pedindo para tirar o Marreta do ar. O pedido pareceu-me exagerado. Em vez disso, prontamente desabilitamos os links da Folha no Marreta e colocamos uma mensagem de erro quando algum era inserido na ferramenta.

Nenhum outro e-mail foi enviado entre os dois. A ação foi ajuizada no dia 8/7 e caiu na 8ª Vara Cível da capital paulista, autos nº 1094735-28.2025.8.26.0100.

Ainda não tive acesso à petição inicial.

***

O Marreta é um quebrador de paywalls, desenvolvido às claras (tem o código aberto) e que, a despeito do que a Folha de S.Paulo e seus advogados dizem à Justiça, não é ilegal nem explora qualquer brecha em sites alheios.

Sites como o da Folha adotam o chamado “paywall poroso”, que deixa leitores passarem segundo critérios nem sempre óbvios. Paywalls desse tipo costumam confiar no JavaScript, uma linguagem de programação que é executada no navegador do usuário. Todo o conteúdo é baixado para o dispositivo do leitor e só depois um algoritmo iniciado pelo código em JavaScript determina se o paywall deve subir ou não.

O Marreta apenas desabilita o JavaScript. Se você fizer o mesmo no seu navegador web, ou bloquear a URL do paywall da Folha de S.Paulo, o paywall cairá igual.

Respeitamos paywalls sólidos, que colocam o conteúdo atrás de sistemas de autenticação robustos. O Marreta não derruba, para ficar em exemplos nacionais, os paywalls do Nexo ou da revista piauí. Também não o faz com o Financial Times, The Information e outros veículos estrangeiros.

***

Surpreendi-me com a notícia porque poderíamos ter resolvido essa questão sem judicializá-la. Aliás, não precisaria sequer da minha anuência porque o Marreta opera a partir de uma única instância na nuvem, com um IP fixo. Basta bloqueá-lo. Problema resolvido.

Além disso, o (suposto) dano é irrisório: em oito meses, o Marreta foi usado ~3,3 mil vezes por mês com links da Folha de S.Paulo. É uma gota no oceano de dezenas de milhões de acessos que o site do jornal paulista recebe todos os meses.

O Manual do Usuário e os projetos conexos, como o Marreta, têm por objetivo fomentar uma web aberta e saudável. Para todos os efeitos legais, o Manual sou eu, a pessoa física do Rodrigo Ghedin, a que a Folha está processando. Tipo… para que isso, caras?

A mensagem no paywall da Folha de S.Paulo indica que o dinheiro da assinatura se destina a “apoiar o jornalismo profissional”. Não só, como vim a descobrir e, agora, estou te contando. Aparentemente, serve também para praticar intimidação judicial.

Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

O julgamento que pode separar Instagram e WhatsApp da Meta

Os julgamentos de casos antitruste nos tribunais estadunidenses talvez sejam a maior contribuição do país à humanidade depois dos ovos beneditinos e da Hollywood dos anos dourados.

Nesta segunda (14), teve início um dos mais aguardados dos últimos tempos, em que a Federal Trade Commission (FTC, espécie de Cade dos EUA) acusa a Meta de monopolizar o mercado de redes sociais pessoais, barrando concorrentes em potencial com as aquisições bilionárias de Instagram e WhatsApp. Um dos possíveis “remédios” é o desmembramento da empresa, restabelecendo Instagram e WhatsApp como alternativas independentes e rivais do Facebook.

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WP Engine consegue liminar contra Automattic e Matt Mullenweg

A Justiça da Califórnia concedeu uma liminar que obriga a Automattic e o CEO, Matt Mullenweg, a reverterem todas as ações infligidas contra a WP Engine desde setembro, quando Matt deflagrou uma guerra comercial contra a rival. / storage.courtlistener.com (PDF), wptavern.com (ambos em inglês)

A Automattic e Mullenweg têm 72 horas, a partir da publicação da decisão, para:

  1. Restaurar o acesso da WP Engine e seus funcionários aos sistemas do WordPress.org;
  2. Restaurar o acesso da WP Engine ao plugin Advanced Custom Fields (ACF); e
  3. Remover a declaração obrigatória de ausência de vínculo com a WP Engine da tela de login do WordPress.org;
  4. Remover os dados de clientes da WP Engine do site WP Engine Tracker.

Segundo a 404 Media, Mullenweg pediu para ter sua conta excluída do Post Status Slack, uma comunidade de ferramentas de código aberto para WordPress. / 404media.co (em inglês)

Antes de sair, ele teria escrito:

É difícil imaginar querer continuar trabalhando no WordPress depois disso. Estou farto e enojado por ser legalmente obrigado a fornecer mão de obra gratuita a uma organização tão parasitária e exploradora como a WP  Engine. Espero que todos vocês consigam o que você e a WP Engine queriam.

O julgamento do processo ainda não tem data para acontecer.

Ainda em seu voto, o ministro Dias Toffoli incluiu marketplaces, como Amazon, Mercado Livre e Shopee, às plataformas com responsabilidade sobre conteúdo de terceiros. Nesse caso, sobre a venda de produtos irregulares. / folha.uol.com.br

Em paralelo, Vicente Aquino, do Conselho Diretor da Anatel, justificou na recusa de um recurso da Amazon contra multa da agência pela venda de produtos não homologados, que “marketplaces não são meras vitrines virtuais, mas assumem papel ativo e indispensável na comercialização dos produtos”. / convergenciadigital.com.br

O ministro Dias Toffoli defendeu, nesta quinta (5), a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Ele relata um dos dois casos que estão sendo julgados a respeito da responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos de terceiros. / folha.uol.com.br

É uma postura polêmica, provavelmente sem unanimidade na corte. Toffoli argumenta que, embora os conteúdos sejam de terceiros, as plataformas se beneficiam deles: “Ao recomendá-los ou impulsioná-los a um número indefinido de usuários, o provedor acaba se tornando corresponsável pela sua difusão.”