Ao longo do ano publicamos, aqui no Manual do Usuário, vários posts assinados por Benedict Evans, analista da firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z), no Vale do Silício. Ele traz insights interessantes sobre a tecnologia e, em paralelo aos seus textos e comentários no Twitter, mantém uma grande apresentação intitulada “O mobile está devorando o mundo”1. A nova versão dela saiu há pouco e merece alguns destaques. (mais…)
A tecnologia conta com grandes histórias protagonizadas por pessoas únicas. Embora muitos avanços sejam creditados a visionários específicos, e entre esses haver até certa celebração daqueles que abandonaram o estudo formal para se dedicarem às suas ideias, grande parte da inovação, incluindo a fundação que sustenta essa indústria até hoje, veio de trabalhos de pesquisa na academia. (mais…)
Mobile significa que, pela primeira vez, praticamente todas as pessoas terão uma câmera e tirarão significativamente mais fotos do que jamais foram tiradas em rolo de filme (“Quantas fotos?”). Isso parece uma mudança profunda, com o mesmo impacto de, digamos… o rádio transistorizado que tornou a música ubíqua. (mais…)
Uns dois anos atrás, empresas de Internet deixaram de ter uma equipe e estratégia mobile para o que batizaram de “mobile first”. Em vez de criar um produto e decidir como e se ele funcionaria nas plataformas móveis, novos projetos passaram a ser feitos para o mobile por padrão e a não necessariamente fazer o caminho de volta para o desktop. (mais…)
Uma rede social recém-lançada chamada Gab vem ganhando manchetes por promover a liberdade de expressão sem limites e se posicionar como um refúgio àqueles desconfortáveis com as políticas de convivência de outras redes sociais, em especial o Twitter. Manual do Usuário conseguiu acesso (no momento, apenas mediante convite) e foi conferir o que rola lá dentro. (mais…)
Celulares e, depois, smartphones, vêm engolindo outros produtos já faz um bom tempo ─ tudo, de relógios a câmeras e players de música, foi transformado de hardware para um app. Mas esse processo também acontece de forma reversa algumas vezes ─ você pega parte de um smartphone, a coloca em uma caixa de plástico e a vende como uma coisa nova. Isso aconteceu primeiro de uma forma bem simples, com empresas vasculhando a cadeia de suprimentos dos smartphones para criar novos tipos de produtos com os componentes que ela produzia, sendo o fruto mais óbvio a GoPro. Agora, porém, existem alguns pontos extras sobre os quais podemos pensar. (mais…)
Com muita satisfação, trazemos a tradução do manifesto Slow Web de Jack Cheng, uma leitura que considero fundamental e que foi uma das bases para a concepção do Manual do Usuário. O texto é de 2012, mas continua atual. Espero que ele ecoe em você também.
Um dos melhores pontos para saborear uma tigela de lámen aqui em Nova York é o Minca, no East Village. O Minca é o tipo de lugar um pouquinho fora do caminho, o suficiente para, quando você está chegando lá, se perguntar se já passou por ele. Uma tigela de lámen no Minca não é servida tão bonita quanto em outros restaurantes de lámen na cidade, mas está sem dúvidas entre as mais saborosas. No Minca, eles têm uma qualidade de comida caseira. E o restaurante tem um ar caseiro. O Minca é um bom lugar para encontrar um amigo, sentar e conversar, comer e beber, e comer e conversar, e sentar e beber mais um pouco.
Da última vez que fui ao Minca, tive uma conversa especialmente prazerosa com Walter Chen. Ele é o CEO de uma empresa chamada iDoneThis, um serviço simples que te ajuda a catalogar as coisas que você realizou a cada dia. O iDoneThis envia um email diário no horário que você especificou e você simplesmente responde com a lista de coisas que fez naquele dia. Ele é útil para equipes que querem monitorar as coisas nas quais cada um está trabalhando e para indivíduos que apenas querem manter um registro diário.
Eu entrei em contato com Walter porque eu estava maravilhado por esse koan no rodapé dos email diários:
O iDoneThis é uma parte do movimento slow web. Depois que você nos responder, seu calendário não é atualizado instantaneamente. Mas descanse um pouco, e você encontrará um calendário atualizado ao acordar.
O iDoneThis é parte do movimento slow web. O Movimento Slow Web. Eu nunca tinha ouvido essa frase antes. Imediatamente comecei a pesquisar ─ ou seja, eu busquei no Google “Movimento Slow Web” ─ e o único resultado relevante foi um post em um blog de dois anos atrás. Se você fizer a busca novamente hoje, irá encontrar a nota do Walter no blog de sua empresa, que reflete muito do que ele me contou durante o jantar.
À medida que conversávamos, disse ao Walter que assim que eu vi “o movimento slow web”, atribui o meu próprio significado a ele. Porque é um grande nome, e todos os grandes nomes são como laços ─ eles são criados do mesmo tipo material das outras palavras, mas em seu arranjo particular eles se entrelaçam e se tornam uma junção para onde novas linhas se encaminham e de onde novas linhas se originam. Para mim, “A Slow Web” amarrou uma série de pensamentos que antes apenas vagavam em minha mente.
Slow Web e Slow Food
O Movimento Slow Web é bastante como o Movimento Slow Food, no que eles são ambos termos gerais que significam muitas coisas diferentes. O Slow Food começou em parte como uma reação à abertura do McDonald’s na Piazza di Spagna em Roma, então, desde sua origem, ele era definido pelo que ele não é. Não é fast food, e todos sabemos o que é fast food… certo?
Ainda assim, se você pede a um monte de pessoas para que descrevam as características do fast food, você certamente receberá um monte de respostas diferentes: é feito com ingredientes de baixa qualidade, tem muito açúcar, sal e gordura, é vendido por corporações multinacionais, é devorado rapidamente e em porções exageradamente grandes, é o McDonalds-TacoBell-Subway, embora o Subway invista muito dinheiro ao propagandear pães e ingredientes frescos, mas ainda assim é fast food, embora um fast food “saudável”.
Fast food tem uma característica “eu saberei quando ver” e a tem porque descreve algo maior do que todos os traços individuais. Fast food, e por consequência o Slow Food, descrevem um sentimento que temos em relação à comida.
A Slow Web funciona da mesma forma. Slow Web descreve um sentimento que temos quando consumimos certos tipos de coisas possibilitadas pela web, sejam produtos ou conteúdo. É a soma de suas partes, mas vamos começar descrevendo o que ela não é: a fast web.
A Fast Web
O que é a Fast Web? É a web fora de controle. A web “ah meu deus, tem tanta coisa que é impossível acompanhar tudo”. É a web “gaste seu tempo verificando umas vinte vezes ao dia”. É a web “entra por um ouvido e sai pelo outro”. A web projetada para apelar às mais básicas das nossas paletas intelectuais, o sal, o açúcar e a gordura dos conteúdos online. É a web de larga escala, rígida e rápida. É a web “crie um destino para bilhões de pessoas”. A web “você tem duzentas e vinte e seis novas atualizações”. Acompanhe ou suma daqui. Clique em mim. Curta-me. Tweet. Compartilhe-me. A Fast Web exige que você faça as coisas e que as faça agora. A Fast Web é um país das maravilhas cruel de coisas brilhantes e bonitas.
No tempo certo vs. Em tempo real
Um dos pontos centrais da Fast Web é essa noção do tempo real. Seu amigo ouve uma música e você fica sabendo. Quanto menor o espaço de tempo entre esses dois atos, mais próximo se está do tempo real.
Interações em tempo real acontecem assim que elas acontecem. As no tempo certo, por sua vez, acontecem quando você precisa que elas aconteçam. Algumas interações em tempo real, como as notícias de última hora sobre um terremoto, podem coincidir e serem também no tempo certo. Mas nem todas as interações no tempo certo são em tempo real. Eu diria que a maioria não é. E onde a Fast Web é construída em cima da ideia do tempo real, a Slow Web é construída em cima da ideia do tempo certo.
Um ótimo exemplo de produto da Slow Web é o Instapaper. Ele pega o processo de descobrir um artigo mais longo e lê-lo ali, na hora (em tempo real), e o desmonta, adiando o ato da leitura até mais tarde, quando nós temos mais tempo para ler (no tempo certo). Eu talvez esteja esticando minha analogia um pouco aqui, mas é como guardar uma refeição em potes no congelador para quando você estiver com fome, exceto que nesse caso, ela não perde tanto do sabor.
Da mesma forma, o iDoneThis pega uma interação bastante padrão de criar um item em uma base de dados e então devolvê-lo ─ uma que normalmente levaria menos de alguns segundos para ser executada ─ e a quebra em pedaços.
Um app típico pode funcionar dessa forma: existe um campo de texto para você digitar o que fez. Você digita e envia. O banco de dados é atualizado e quase instantaneamente você vê o texto exibido de volta para você. O iDoneThis pega esses dois últimos passos ─ a atualização e a revisão ─ e os estica de alguns milissegundos para a metade de um dia. O banco de dados é atualizado em algum momento da noite e o retorno do texto acontece na manhã seguinte, na sua caixa de entrada.
Outro nome para isso é “baseado em turnos”, como em jogos baseados em turnos. Um jogo tradicional de Scrabble ou Imagem & Ação é relativamente dependente do tempo real: eles exigem duas ou mais pessoas no mesmo lugar com os mesmos desejo e disponibilidade para jogá-los. Desconstruir a experiência do tempo real nos dá coisas como Words With Friends e Draw Something. Uma atividade que de outra forma seria impraticável pode, agora, continuar de uma maneira mais no tempo certo para cada participante. O Instapaper é a leitura por turnos. O iDoneThis é o registro de atividades em turnos.
Mas a ideia do tempo certo por si só não faz algo Slow Web. O e-mail, afinal, é comunicação baseada em turnos e nossas caixas de entrada são provavelmente uma das maiores fontes de angústia da Fast Web. Aqueles jogos em turnos podem rapidamente se tornar exaustivos se temos muitos deles acontecendo ao mesmo tempo. O que falta a esses casos é um senso inerente de ritmo.
Ritmo vs Aleatoriedade
Imagine que eu te disse que tem uma nova série da HBO com duração de uma hora, entre as 21h e 22h toda quarta-feira. Uma vez que ela despertou seu interesse e que dá para acomodá-la em sua agenda, o ato de assisti-la se instaura. Torna-se uma dedicação à série. Agora imagine que eu te disse que tem uma nova série da HBO que às vezes dura uma hora, às vezes, meia hora, e em outras vezes duas horas, que pode ou não ir ao ar toda noite de terça, quarta e quinta-feira, entre as 18h e 23h. De repente, aquela dedicação não é mais em relação à série. É sobre a possibilidade de conseguir assistir à série ou não. “O que vem a seguir?” se torna “Quando terei mais?”
Na Fast Web, somos confrontados por essa proposição inúmeras vezes ao dia. A aleatoriedade e a frequência das atualizações em nossas caixas de entrada e em painéis de controle estimulam o mecanismo de gratificação em nossos cérebros. Embora isso possa nos dar um impulso quando vemos algo inesperadamente interessante, a dependência leva a uma suspensão, resultando em uma montanha russa de emoções positivas e negativas. O perigo dos ritmos instáveis é o excesso do substrato de gratificações.
Ritmos estáveis levam a resultados previsíveis; e ritmo é uma expressão de moderação. Apps como o iDoneThis têm essa moderação: você recebe seu lembrete por e-mail na mesma hora todos os dias e cada interação tem um nível de exigência similar. Ao contrário da sua caixa de entrada como um agregado, onde pode haver uma grande variedade de exigências: as newsletters que você pode olhar rapidamente e depois jogar fora, os e-mails pessoais que exigem respostas mais longas e tudo o que há entre esses dois extremos. A falta de moderação significa que algumas vezes você gasta poucos minutos olhando sua caixa de entrada e, em outras, gasta algumas horas.
É por isso que a maioria dos sistemas de produtividade no e-mail se preocupa com uma forma de moderação: a padronização. Eles te encorajam a padronizar o tamanho e a exigência de cada interação (arquivar ou deletar as mensagens e seguir em frente, transferir as mensagens que exigem respostas mais longas para uma lista de tarefas, limitar respostas a três frases) e padronizar a frequência (limitar o ato de checar o email a X vezes por dia, em horários específicos).
Um bom exemplo de ritmo e moderação na prática é o lançamento do Wander1. Nas semanas anteriores ao lançamento do beta, Keenan e sua equipe pegaram o que seria a experiência de um primeiro contato em um outro site e a esticaram ao longo de quatro semanas, em algo parecido com um cronograma de lançamento. Cada semana tinha uma interação com uma exigência similar: indique um lugar, escolha uma foto, diga um motivo.
Outro serviço que faz isso bem é o Budge do Buster e da equipe da Habit Labs. O Budge é feito em torno de notificações que te lembram de fazer aquelas coisas diárias que melhoram sua vida de formas pequenas, mas significativas, como usar fio dental, meditar ou verificar seu peso. Quando você se inscreve, pode interagir com o Budge exclusivamente através de notificações. No passado, cheguei a passar semanas sem abrir o site ou o app, usando o serviço satisfatoriamente apenas respondendo às notificações enviadas no tempo certo que chegavam no meu smartphone.
Esta é uma distinção tremendamente importante entre a Slow Web e a Fast Web. A Fast Web é baseada no destino. A Slow Web é baseada na interação. A Fast Web é feita em torno de páginas iniciais, caixas de entrada e painéis. A Slow Web é feita em torno de notificações no tempo certo. Empresas de Fast Web frequentemente tentam aumentar o número de page views, uma vez que page views significam impressões de anúncios. Empresas de Slow Web tendem a priorizar a efetividade. Uma coisa maluca sobre o Budge: quanto melhor ele funciona, menos eu o uso. Assim que crio o hábito de usar fio dental, o meu cérebro assume o controle e eu não preciso mais das notificações. O Walter descreve bem essa crença no post que eu mencionei ali em cima:
Comportamentos mudam, não o crescimento. Mudança de comportamento é sobre melhorar as vidas dos outros, escala é para alimentar o ego. Crescer em escala depois de conseguir acertar no comportamento é mais fácil do que acertar na mudança de comportamento (e, dessa forma, ter uma chance de durabilidade) após crescer em escala.
Isso não significa que empresas de Slow Web não podem crescer. Isso apenas significa que elas colocam a efetividade à frente do crescimento. E a efetividade leva a um senso de gratidão ─ eu posso já ter criado o hábito de usar fio dental com o Budge, mas existem outras coisas nas quais eu posso melhorar e já tendo passado por isso antes, eu confio ainda mais na empresa.
Conhecimento vs. Informação
No tempo certo. Ritmo. Moderação. Essas características se encaixam no que considero a maior diferença entre Slow Web e Fast Web. A Fast Web é sobre informação. A Slow Web é sobre conhecimento. A informação passa por você; o conhecimento se dissolve em ti. E ser feito no tempo certo, com ritmo e moderação são essenciais para a memória e o aprendizado.
Mais uma vez, o iDoneThis serve como um bom exemplo. Depois de usá-lo por alguns dias, você começa a reparar no rodapé dos e-mails diários as coisas que você fez no passado, um dia ou uma semana atrás. É como uma versão contida do Timehop, um produto do Benny e do Jon que, depois que você o conecta às suas várias contas em redes sociais, te envia um ─ prepare-se ─ compilado diário de tudo que você fez em outros anos naquele exato dia.
Tanto o Timehop quanto o iDoneThis nos ajudam a lembrar e a refletir, e isso nos dá perspectiva. Isso nos sustenta no fluxo do tempo ou, talvez, nos eleva acima das copas das árvores. O iDoneThis é a única ferramenta de controle de tarefas que eu conheço que tem o potencial de ajudá-lo a perceber que você está trabalhando na coisa errada. A Fast Web deriva valor do que acabou de acontecer ou do que está prestes a acontecer. A Slow Web libera valor das profundezas do passado.
A Slow Web
No tempo certo, não em tempo real. Ritmo, não aleatoriedade. Moderação, não excesso. Conhecimento, não informação. Essas são algumas das muitas características da Slow Web. Não é tanto uma lista exaustiva, mas sim uma sensação de estar mais à vontade com os produtos e serviços web em nossas vidas.
Tal qual a Slow Food, a Slow Web se preocupa tanto com a produção quanto com o consumo. Nós, como indivíduos, podemos sempre definir nossas próprias diretrizes e limitar os efeitos da Fast Web, mas como eu espero ter ilustrado, existem várias considerações que os criadores dos produtos conectados à web podem fazer para nos ajudar. E talvez a Slow Web não seja bem um movimento ainda. Talvez ele ainda esteja cozinhando em fogo baixo. Mas eu realmente acredito que ela tem algo distintamente diverso na sensação que alguns desses produtos transmitem aos seus usuários e essa sensação se manifesta pela intenção dos seus criadores.
Empresas da Fast Web querem ser nossas amantes, querem estar ao nosso lado a todo o tempo, querem que gastemos cada momento de nossas vidas com elas, quando por vezes isso não é o que precisamos. Às vezes, o que realmente precisamos são de amigos com quem podemos nos encontrar uma vez a cada alguns meses para uma tigela de lámen em um restaurante no East Village. Amigos com quem podemos sentar e conversar e comer e beber e talvez aprender um pouco sobre nós mesmos no processo. E, no final da noite, levantarmos e seguir nossos caminhos separados, até a próxima vez.
Nota do editor: O Wander e alguns outros apps citados no post, que é de 2012, não estão mais disponíveis. Para saber sobre o Wander, leia este post do Mashable. ↩
Em um dos nossos podcasts recentes em que o tema era redes sociais, me vi, em dado momento, lendo os trending topics do Twitter para demonstrar um ponto. Lia o termo e explicava do que se tratava em seguida, e assim foi até chegar à hashtag #SextaDetremuraSDV. Sem ter a mínima noção do que era isso, ignorei. Mais tarde, soube que se tratava de uma hashtag do tipo “segue de volta”, o elo entre um monte de gente que usa o Twitter de uma forma bem… peculiar.
Desmembrar aquela hashtag nos dá algumas pistas. “Sexta”, a parte óbvia, é o dia da semana. “SDV” é a abreviação de “segue de volta”, o comando que se espera daqueles que aderem à prática. “Detremura”, descobri depois, faz referência a uma pessoa, quem organiza a maior parte dessas hashtags que ascendem com facilidade nos trending topics brasileiros do Twitter com a promessa de impulsionar bases de seguidores. Intrigado com o que leva as pessoas a se juntarem em torno disso, fui investigar. (mais…)
Tristan Harris foi Filósofo de Produtos no Google até 2016, onde estudou como a tecnologia afeta a atenção, o bem estar e o comportamento de um bilhão de pessoas. Ele é parte do Time Well Spent, um esforço que encoraja as empresas de tecnologia a oferecer escolhas honestas e que respeitem o tempo dos usuários.
“É mais fácil enganar pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas.”
— Autor desconhecido
Sou especialista em como a tecnologia assalta as nossas vulnerabilidades psicológicas. Foi por isso que passei os últimos três anos trabalhando com ética do design no Google, cuidando de como desenvolver coisas de um jeito que defenda as mentes de bilhões de pessoas de serem exploradas.
Quando estamos utilizando tecnologias, frequentemente focamos de forma otimista em todas as coisas que ela faz por nós. Mas eu quero te mostrar onde ela pode fazer o oposto.
Onde a tecnologia explora as fraquezas da nossa mente?(mais…)
Dois dias antes de completar um ano de operação, em 31 de agosto de 2016, a curitibana Quantum convidou a imprensa para apresentar o seu novo smartphone, o Quantum Fly. Quem abriu o evento, realizado em São Paulo, não foi um executivo nem uma celebridade, mas um fã da marca, alguém que consome os produtos e é um dos administradores do grupo oficial no Facebook. A escolha ratificou um dos pilares da sua estratégia: estar próxima e ouvir o cliente. O Manual do Usuário teve a oportunidade de conhecer a empresa melhor, no evento e por uma entrevista exclusiva com Vinícius Grein, cofundador da Quantum, no dia seguinte. (mais…)
Há cinco anos, lancei um site sobre tecnologia. Estava cheio de expectativas, com gente muito boa ao meu lado e aquela empolgação em querer fazer diferente, de querer somar. O site não deu certo, seis meses mais tarde ele acabou. Mas nem tudo foi fracasso. As lições e os encaminhamentos que partiram dele foram muito valiosos e reverberam até hoje. Inclusive aqui, no Manual do Usuário. (mais…)
Pela primeira vez na história, basicamente todas as pessoas do mundo terão uma câmera. Mais de cinco bilhões de pessoas terão um celular, quase todos serão smartphones e quase todos terão câmeras. Muito mais pessoas vão tirar mais fotos do que nunca — mesmo hoje, talvez entre 50 e 100 vezes mais fotos são tiradas por ano do que foram capturadas em rolos de filme até então. (mais…)
Na abertura do IDF 2016, a Intel anunciou algumas coisas bem interessantes. Delas, a que chamou mais a atenção foi o Project Alloy, um capacete de realidade virtual que dispensa fios e permite interagir com o ambiente. Ou seja, ele é uma mistura de realidade virtual com realidade aumentada, tanto que o marketing da Intel cunhou um novo termo para se referir à experiência, algo como “realidade mesclada” em tradução livre. (mais…)
A guerra das plataformas de smartphone basicamente terminou e a Apple e o Google venceram. Mas é interessante, de passagem, observar o resultado e refletir sobre o que ele significa. (mais…)
Em algum ponto do passado recente, cedemos o controle das nossas presenças virtuais em troca de gratuidade, facilidade e excelência técnica. Se até meados dos anos 2000 estar na Internet equivalia a ter um site, o que exigia uma carga de conhecimento mínimo, hoje é comum vermos empresas que resumem sua presença digital a uma página no Facebook. Para pessoas físicas, é raro encontrar quem se dispõe a ter um blog ou qualquer coisa fora das redes sociais estabelecidas. Mas elas existem. Quem se identifica com a web das antigas, com o modo mais artesanal de se manifestar no ambiente online, acaba se juntando. E dessas reuniões nascem coisas como a Central do Textão. (mais…)