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Larry Page e Sergey Brin no início do Google.

Os vários caminhos que cursos de pós-graduação em tecnologia abrem


16/12/16 às 17h55

A tecnologia conta com grandes histórias protagonizadas por pessoas únicas. Embora muitos avanços sejam creditados a visionários específicos, e entre esses haver até certa celebração daqueles que abandonaram o estudo formal para se dedicarem às suas ideias, grande parte da inovação, incluindo a fundação que sustenta essa indústria até hoje, veio de trabalhos de pesquisa na academia.

Walter Isaacson, escritor conhecido pelo seu trabalho na biografia de Steve Jobs, dedicou um livro inteiro para contar a gênese da tecnologia que usamos e consumimos atualmente dando-lhe um enfoque mais plural que, por vezes, é ignorado ou minimizado: o do trabalho continuado e em equipe que emerge em ambientes acadêmicos e de pesquisa. Na introdução de Os Inovadores, Isaacson escreveu:

A história do trabalho em equipe é importante porque não costumamos dar importância a essa capacidade central para a inovação. Existe uma profusão de livros dedicados a celebrar pessoas que nós, biógrafos, retratamos, ou transformamos em mitos, como inventores solitários. Eu mesmo escrevi alguns. Procure a frase “o homem que inventou” na Amazon e você encontrará 1860 resultados de livros. Mas temos bem menos histórias sobre a criatividade coletiva, que na verdade é mais importante para entender como a atual revolução tecnológica se desenvolveu. Essas histórias também podem ser mais interessantes.

Talvez seja esse descaso com a história do trabalho colaborativo que torne a percepção da educação formal tão estreita. É comum o pensamento de que a pós-graduação, o mestrado e o doutorado, sejam etapas no caminho daqueles que desejam lecionar. Talvez, também, a distância entre a pesquisa em âmbito acadêmico e a aplicação desse conhecimento no mercado, que em regra é mais espaçada que a de pesquisas desenvolvidas dentro das próprias empresas, ajuda a fortalecer essa impressão.

Dar aula ainda é o caminho que muitos julgam mandatório a quem se dedica a um mestrado ou doutorado. Ele é, porém, um dos muitos caminhos possíveis. Especialmente na tecnologia e, mais especificamente, em áreas de alta complexidade em voga, como a inteligência artificial, mestres e doutores são disputados por empresas que querem liderar a próxima onda da tecnologia de consumo e, com cada vez mais frequência, se lançam em suas próprias investidas comerciais.

De onde vêm os Google do mundo

Oval da Universidade de Stanford.
Foto: King of Hearts/Wikimedia.

Naquele livro já citado, Isaacson fala bastante da Universidade de Stanford. Não por acaso. Ela fica em Palo Alto, vizinha a titãs da tecnologia como Facebook, Google e outras, e desde os anos 1960 mantém programas que criam pontes entre a pesquisa acadêmica e o mercado, estimulando seus graduandos e pós-graduandos a aplicarem suas ideias em produtos e serviços. Startups se formaram lá e ganharam o mundo.

Talvez o maior exemplo de trabalho seja a tese de uma certa dupla que se tornou um império da tecnologia. Em 1996, Sergey Brin (site em Stanford) e Larry Page (site), então doutorandos em Stanford, tentavam descobrir uma maneira melhor, automatizada e com critérios relevantes, de organizar as páginas da crescente web. O paper que deu origem ao Google é histórico e a empresa se formou ali, dentro da universidade, sendo incorporada só depois, em 1998.

Curiosidade um pouco cruel: o Yahoo, que precedeu o Google como ponto de partida da web para muita gente, mas através de um diretório curado por humanos em vez de um índice gerado automaticamente por algoritmos, também surgiu em Stanford enquanto seus co-fundadores, Jerry Yang e David Filo, faziam pós-graduação lá.

Quando Douglas Engelbart, autor da “mãe de todas as demonstrações”, um trabalho seminal que antecipou inúmeras ideias que mais tarde se convencionariam como basilares na computação pessoal, do mouse à colaboração em tempo real por redes, teve o lampejo de buscar um sentido maior na vida, de fazer algo de grande impacto que pudesse ajudar o maior número de pessoas possível, ele decidiu tentar reduzir a complexidade no manejo de dados e informações através do computador. A primeira coisa que Engelbart fez foi matricular-se na Universidade de Berkeley para estudar informática. Lá, obteve o título de doutor em 1955 e dali foi para o Instituto de Pesquisa de Stanford, onde anos mais tarde, com a ajuda de outros visionários como Vannevar Bush e J. C. R. Licklider, pode se dedicar a desenvolver a sua visão.

As bases de produtos do dia a dia, do o iPhone à web, remontam a pesquisas e colaborações de décadas atrás. Mesmo tecnologias incipientes, como o 5G, são frutos do trabalho conjunto de pesquisadores. Parece anacrônico que algo lançado hoje, com toda a pompa de modernidade, tenha em seu espírito invenções da época em que computadores ocupavam o espaço de salas e tinham um poder computacional pífio. Ou, no caso do 5G, que se pesquise tanto algo que só terá aplicação comercial daqui a meia década.

Na verdade, tudo isso é apenas o reflexo da boa pesquisa, baseada em método, publicada, com verificação por pares e que não nasce espontaneamente da mente brilhante de alguém, mas sim de um trabalho continuado, desenvolvido ao longo do tempo através da colaboração de muitas mentes brilhantes.

O pós-graduado no mercado de trabalho

A relação entre academia e indústria é histórica, mas com flutuações pautadas pelas demandas do mercado e pela complexidade que essas exigem.

Fachada de um dos prédios do Inatel.
Foto: Inatel/divulgação.

Em janeiro de 2015, o centro de robótica da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, esvaziou-se. O culpado estava logo ali na esquina, no prédio de uma antiga fábrica de chocolates, comprado pelo Uber. A empresa de caronas dava os primeiros passos no segmento dos veículos autônomos, aspecto que hoje é considerado decisivo para seu futuro, e o caminho escolhido para chegar a esse futuro foi cooptar da academia alguns dos pesquisadores mais prolíficos na área de automação e inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, as grandes empresas do Vale do Silício disputam agressivamente os engenheiros e outros profissionais saídos dos bancos acadêmicos. Com a explosão das pesquisas e aplicação em inteligência artificial, grandes nomes da área passaram a ter seus “passes” disputados tal qual os dos grandes nomes do futebol. Esta matéria do Washington Post relata algumas contratações recentes:

Nos últimos anos, Geoffrey Hinton ingressou no Google vindo da Universidade de Toronto, Yann LeCun, da Universidade de Nova York, foi para o Facebook, Andrew Ng, de Stanford, para o Baidu, e Alex Smola, da Universidade Carnegie Mellon, para a Amazon.

É a velha dinâmica da oferta e demanda aplicada no campo do conhecimento. É quase um chavão das universidades dizer que “o campo está aquecido”, ou contratando muito, ou que tal curso forma para “a profissão do futuro”. Como todo chavão, há que se lê-lo com alguma reserva, mas reconhecer que há uma verdade ali.

Essa realidade não se restringe aos Estados Unidos, embora possa ser mais forte lá. Como vimos recentemente na entrevista com o Thiago Rotta, da IBM, as áreas de aprendizagem de máquina, inteligência artificial e outras relacionadas a big data estão aquecidas também na América Latina. Esse cenário se repete no mundo inteiro.

O Manual do Usuário conversou com um jovem mestre brasileiro que recentemente fez o salto da academia para o mercado de trabalho. Gabriel Arruda concluiu o mestrado em Sistemas de Informação, eixo de Inteligência Artificial, da EACH-USP, e logo em seguida foi contatado por uma instituição financeira. Ele detalhou como foi o percurso:

“Após terminar o mestrado, comecei a procurar por vagas de cientista de dados, que é uma área correlata ao tema do meu mestrado (Processamento de Língua Natural e Machine Learning). Encontrei uma vaga no LinkedIn de uma consultoria de Big Data, me candidatei e passei no processo seletivo. Agora estou prestando serviço como consultor. Eu procurei por ofertas de emprego como cientista de dados durante o mestrado, mas tinha pouquíssimas vagas há dois anos. Hoje, parece que o mercado está crescendo no Brasil.”

Gabriel também conta que o mestrado serviu para expandir as possibilidades de atuação profissional. Antes, ele trabalhava com desenvolvimento de software e disse que não estava muito satisfeito com as perspectivas da área: “O mestrado foi uma oportunidade que encontrei para me aprofundar em temas do meu interesse e experimentar a vida acadêmica, dessa forma eu poderia optar por seguir na vida acadêmica com um doutorado ou continuar no mercado, mas focando em áreas do mestrado. Não descarto a ideia de seguir vida acadêmica futuramente, mas estou animado com as perspectivas de trabalhar como cientista de dados no mercado e aproveitar/aprimorar o que aprendi no mestrado.”

Por fim, perguntado sobre a importância do mestrado na conquista da sua posição atual, ele ressaltou que:

“Foi fundamental. A área de ciências de dados é bastante multidisciplinar e valoriza um perfil acadêmico. (…) Como a área necessita de aprendizado constante de várias áreas diferentes, o perfil acadêmico é valorizado, pois esse é o dia a dia do desenvolvimento de um projeto de mestrado ou doutorado.”

Os benefícios da pesquisa e do método científico transcendem o campo da tecnologia. O BuzzFeed, um site de mídia que cresce e se expande em um momento de retração quase que generalizada do segmento, tem suas bases em pesquisas feitas por Ben Smith, seu fundador, do trabalho dos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, que focava na natureza nômade do conhecimento e identidade humanos.

O visionário que abandona a faculdade para tornar-se bilionário com uma ideia muito boa não faz tudo sozinho. No mínimo, apoia-se nos ombros de gente que se dedicou à pesquisa acadêmica, produzindo e verificando o conhecimento produzido por seus colegas.

O conhecimento científico se instaura entre os outros de que dependem a sabedoria humana — a filosofia, as artes, a religião e o senso comum. É dessa confluência e interrelação que progredimos e, como se nota, as possibilidades dentro da ciência são inúmeras e atendem a diversos perfis, dos mais voltados à pesquisa bruta até aqueles que preferem uma abordagem mais pragmática.


Oferecimento: Pós-graduação no Inatel

Banner da pós no Inatel.

Em 2017, o Inatel oferecerá cursos de pós-graduação presenciais em seis cidades brasileiras: Campinas e São Paulo (SP); Volta Redonda e Rio de Janeiro (RJ); e Belo Horizonte e Santa Rita do Sapucaí (MG). Os cursos são nas áreas de Telecomunicações, Computação, Internet das Coisas (IoT), Engenharia Biomédica e Automação e têm o início previsto para março de 2017.

As inscrições para os cursos de pós-graduação já estão abertas e podem ser feitas neste site. Matrículas feitas até 20 de dezembro ganham desconto nas mensalidades.

Aos matriculados, será oferecida uma Aula Magna no dia 11 de março de 2017, na sede do Inatel em Santa Rita do Sapucaí, com uma visita ao campus, palestras com ex-alunos que já atuam no mercado e um churrasco para integrar o pessoal. Ônibus com destino ao campus sede sairão de Belo Horizonte, Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fundado em 1965, o Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações) é um centro de excelência em ensino e pesquisa na área de engenharia e tecnologia. A instituição também oferece, em parceria com a Telefônica e a Ericsson, uma incubadora de startups para acelerar ideias de egressos. Conheça mais sobre o Inatel visitando o site oficial.

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7 comentários

  1. Isso que é post patrocinado/anúncio bem-feito.
    Mostra toda uma história e no fim fala do anunciante como se ele estivesse ali desde o começo mas a gente ainda não percebeu.

  2. Ghedin, parabéns pelo excelente post: conseguiu transformar um “anúncio” em uma matéria interessante para ler e aumentar nossos conhecimentos…

    1. O formato é pensado para causar exatamente esse efeito. São matérias que publicaríamos no Manual com ou sem patrocínio, produzidas sem interferência direta do anunciante e que tenham relação com o produto ou serviço que é anunciado. Que bom que gostou! :)

  3. Ghedin, parabéns pelo excelente post: conseguiu transformar um “anúncio” em uma matéria interessante para ler e aumentar nossos conhecimentos…