Aplicativos de celular não serão o principal caminho para futuros jogos [da franquia] Mario.

— Shigeru Miyamoto, diretor e fellow da Nintendo.

A retirada da Nintendo diz muito do estado dos video games em celulares. Apesar de todos os seus defeitos, a Nintendo respeita a mídia enquanto atividade recreativa e entrevistas como essa de Miyamoto passam a impressão de que tem algo além do dinheiro em jogo.

Fora alguns redutos, como o Apple Arcade e títulos com uma pegada mais artística, o sucesso em celulares fica cada vez mais condicionado a dinâmicas exploradoras, microtransações desonestas e técnicas que estimulam o vício e a compulsão. Uma pena. Via Variety (em inglês).

Quando falamos de atualizações de segurança para sistemas operacionais modernos, em geral falamos de correções preventivas ou para falhas ainda não exploradas.

O pacote de março do Android do Google, porém, foge à regra.

A mais grave (CVE-2023-21036) é uma que atinge os celulares Pixel e permite recuperar as imagens originais de prints (“screenshots”, imagens da tela) alterados pela ferramenta nativa de edição do Android (“Markup”).

Ela afeta todos os Pixel 3 em diante, o que significa que todos os prints com informações sensíveis ocultadas pela ferramenta nativa do sistema nos últimos cinco anos estão vulneráveis.

Na prática, o Android dos celulares Pixel estava compartilhando a imagem original, editada, mas contendo o histórico de edição. Esse histórico pode ser recuperado, e é aí que mora o perigo.

Por mais que a falha tenha sido corrigida, as imagens que estão por aí não se beneficiam dessa correção.

O site acropalypse é uma prova de conceito que demonstra como a falha age. (Esta imagem do criador da ferramenta, Simon Aarons, é uma boa explicação.)

No mesmo pacote, o Google revelou uma falha (CVE-2023-24033) em modems Exynos, da Samsung, que (teoricamente) permite que atacantes tomem o controle do celular fazendo uma ligação telefônica especial.

Ainda não se sabe se essa falha pode ser explorada no mundo real. Na dúvida, a recomendação é para desativar os recursos de ligação via Wi-Fi e 4G (VoLTE) até que as correções sejam liberadas.

Problema: aparentemente, alguns celulares em certas operadoras impedem a desativação do recurso, como demonstrou este usuário do Reddit.

Via Pixel Envy, @ItsSimonTime/Twitter, ArsTechnica (todos em inglês).

O Carnaval deste ano é o primeiro pós-pandemia e também o primeiro pós-onda de assaltos das quadrilhas que furtam celulares para acessar aplicativos bancários.

Há diversos guias por aí com dicas de como proteger o celular em meio à folia. Darei meus pitacos aqui e conto com a ajuda de quem me lê para complementá-los nos comentários.

Se couber no orçamento, adotar um celular alternativo, simples, daqueles tipo Nokia tijolão, me parece uma boa.

O celular do tipo mais barato à venda no Brasil, o Positivo P26, está saindo por menos de R$ 100 em várias lojas. Some a isso o custo de um chip pré-pago e uma recarga.

É um investimento meio salgado, mas talvez um preço justo a se pagar por tranquilidade. Considere também que um celular do tipo oferece o básico da comunicação, mas carece de algumas regalias modernas, como aplicativos de caronas, fotos decentes e acesso às redes sociais.

Caso opte por levar seu celular principal mesmo, deixá-lo dentro de uma pochete/doleira é uma boa medida de segurança. E tenha um plano de contingência mínimo. Minha sugestão:

  • Anote o IMEI do celular de antemão para facilitar o registro do BO e os bloqueios do aparelho e da linha/número junto à operadora caso o pior aconteça.
  • Presumo que seu celular já tenha uma senha; se não, arrume isso agora — estamos em 2023, não tem motivo para não bloquear o celular com senha.
  • Ative a senha (PIN) do chip (SIM card).
  • Relembre/memorize sua senha de acesso à conta Google (Android) ou Apple (iOS). Ela será útil para acessar o Encontrar seu smartphone (Android) ou o Buscar (Apple) a fim de localizar, bloquear e/ou apagar remotamente os dados do celular.

Guias de segurança que encontrei por aí: @orrice/Twitter, Núcleo, Folha de S.Paulo.

O que eu uso (2023)

Em 2022, mostrei as coisas que usava para fazer o Manual do Usuário. Foi uma tentativa de dar contexto a algumas escolhas editoriais — o que eu uso no meu dia a dia influencia muito do que é publicado aqui no site.

O objetivo é fazer esse raio-x todos os anos. Por isso, cá estamos em 2023 com a segunda edição.

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Pessoas que compraram o novo Galaxy S23 têm reportado um consumo enorme da memória de armazenamento com o sistema-base. Um usuário no Twitter, dono de um Galaxy S23 Ultra de 512 GB, mostrou o sistema ocupando 57 GB.

Esse valor é quase quatro vezes o que o mesmo Android 13 ocupa num Pixel 7 do Google (~15 GB). No meu iPhone SE, o iOS 16.3 e os “dados do sistema” ocupam 26,5 GB. O macOS Ventura, um sistema para computadores, 32,9 GB.

O Ars Technica especula que a duplicidade de aplicativos da Samsung (de baixa qualidade) e acordos que pré-instalam aplicativos de terceiros (Facebook, Microsoft Office e sabe-se lá o que mais) podem ser os culpados.

Será por isso que a Samsung está oferecendo “upgrade” de memória de armazenamento? (Compre a versão de 128 GB, leve a de 256 GB, por exemplo.) A promoção vale até 5 de março. Via @alexmaxham/Twitter, Ars Technica (ambos em inglês).

Não é a primeira vez que o espaço consumido pelos arquivos do sistema em celulares vira polêmica. No Brasil, em 2017 a Apple foi condenada a pagar multa de R$ 100 mil e a readequar suas peças publicitárias devido à mesma questão, em uma ação movida pela Proteste. A diferença de espaço perdida pelos usuários, porém? Três giga bytes. Via Gazeta do Povo/leiaisso.net.

No apagar das luzes de 2022 (sábado, 31), o LineageOS 20 foi lançado. O projeto atualiza o Android para uma grande variedade de celulares — muitos deles já abandonados pelas fabricantes — e remove os códigos e aplicativos proprietários do Google. O LineageOS 20 é baseado no Android 13, lançado em agosto de 2022.

Fora as mudanças e melhorias do Android 13, o outro destaque do LineageOS 20 é o Aperture, novo aplicativo padrão de câmera baseado na biblioteca CameraX, do próprio Google. Segundo o projeto, o Aperture “oferece uma experiência do app de câmera muito mais próxima do ‘padrão’ [do Google] em muitos dispositivos”.

Os guias de atualização estão listados aqui. Dispositivos com suporte oficial não precisam mais ser formatados, ou seja, é possível atualizar a partir da versão 19.1 (baseada no Android 12) sem perder seus dados. De qualquer forma, um bom backup é sempre recomendado. Via LineageOS (em inglês).

A Asus lançou no Brasil a linha de celulares RoG Phone 6, com preços a partir de R$ 7 mil. São celulares “gamers”, com visual invocado e cheio de números enormes.

O que mais chama a atenção, porém, é que pelo segundo ano consecutivo o RoG Phone falha no “teste de durabilidade” do youtuber Zack Nelson: ele consegue dobrar o celular ao meio usando as próprias mãos. Bem gamer mesmo: chamativo e com cara de durão, mas super frágil por dentro. Via JerryRigEverything/YouTube (em inglês).

Deixe seu celular Android mais leve com o Universal Android Debloater

A liberdade que o Google oferece no Android é abusada por fabricantes: não é raro deparar-se com celulares que trazem aplicativos pré-instalados que não podem ser removidos, como o do Facebook.

Um caminho para livrar-se dos excessos (ou do “bloat”, no jargão do meio) é trocar o Android da fabricante por uma variante da comunidade, como o LineageOS ou o /e/OS. Funciona, mas pode ser algo complicado, depende de muitas variáveis e é, sem dúvida, intimidador para marinheiros de primeira viagem ou alguém que não queira se dar a esse trabalho.

Um meio termo que descobri recentemente é o Universal Android Debloater (UAD). Trata-se de um aplicativo, com interface gráfica, que permite desinstalar processos que rodam no seu celular Android.

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Já dá para sair de casa levando apenas o celular

Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacque debatemos se já é possível sair de casa apenas com o celular, deixando para trás cartões, dinheiro, carteirinha e outros papéis. Se sim, quais as vantagens e desvantagens dessa prática? E se não, seria apenas questão de tempo?

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por Cesar Cardoso

Depois de quatro betas, a Samsung finalmente deu uma data para o OneUI 5 estável: ainda em outubro, quase certamente começando pelo S22. Nas mudanças, além das trazidas pelo Android 13, outras na tela de bloqueio, widgets empilháveis e mais privacidades.

Enquanto isso, tem beta do OneUI 5 para o Galaxy Z Flip 3.


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Em novembro de 2020, escrevi um perfil de Tibor Kaputa e sua coleção de aplicativos para Android, Simple Mobile Tools. Corta para 2022: Kaputa começou a vender um celular baseado nos aplicativos que criou.

Batizado Simple Phone, o aparelho virá com os aplicativos da SMT pré-instalados e uma implementação própria do Android, chamada SimpleOS e criada por uma tal de Good Phone Foundation. O sistema é “degoogled”, usa o microG para manter compatibilidade com aplicativos dependentes das APIs do Google e traz a F-Droid como loja de aplicativos.

O Simple Phone é um aparelho simples, com chip da MediaTek, suporte a redes 4G e dois anos de garantia. A pré-venda está aberta apenas na Europa. Não vai chacoalhar o mundo, mas é sempre bom mais alternativas ao duopólio Apple/Google.

por Cesar Cardoso

Dos dois lançamentos da semana, em termos lógicos para a maior parte do globo, os Xiaomi 12T e 12T Pro são mais relevantes que os Pixel 7 e Pixel 7 Pro, e não apenas porque os Pixel continuam sendo acessíveis apenas em alguns países do Norte Global, enquanto os 12T estarão disponíveis globalmente.

Os 12T “normal” e Pro se parecem muito: ambos têm a promessa de 3+4 (3 atualizações de versão Android, 4 anos de atualizações de segurança), bateria de 5.000 mAh e carregador 120 W. No entanto, o 12T Pro tem Snapdragon 8+ Gen 1 e câmera com sensor de 200 megapixels (mas sem Leica), enquanto o 12T “normal” tem que se contentar com um chip Dimensity 8100 Ultra e uma câmera traseira de 108 megapixels.

A € 599 (12T) e € 749 (12T Pro), ambos serão um sucesso indiscutível nessas faixas de preço e nesse mercado de “flagship killing” que é disputado especialmente entre as chinesas.

(Os interessados em reviews tem o Xiaomi 12T e o Xiaomi 12T Pro no GSMArena.)

No entanto — e é sempre importante reforçar isso quando se fala de Google Pixel —, a linha Pixel é a realeza do mundo Android. É o telefone contra o qual todos os outros telefones Android são comparados, mesmo que na prática venda pouquíssimo. É o veículo do Google para mostrar para onde o mundo Android deve seguir.

Na atualização anual dos Pixels, o Google usou um termo muito usado no resto do mundo Android em 2022: refinamento. É o chip Google Tensor G2 e sua melhora em consumo de energia e aprendizado de máquina, são as telas praticamente iguais às da linha 6, são as câmeras com algumas melhoras (bem mais no 7 Pro que no 7 “normal”), é a nova temporada de facilidades dos Pixels com doses cavalares de inteligência artificial…

Uma coisa que não mudou? Os preços. Uma coisa que voltou? Os mimos dos Pixels — agora a VPN que originalmente era só do Google One de 5 TB pra cima. Uma coisa que melhorou? Estará à venda em um recorde de… 17 países, Brasil de fora.

Ah, outra coisa que não mudou: coisas que também já eram esperadas: o Pixel Watch, o novo porta-bandeira do WearOS, e o segundo teaser do Pixel Tablet, reforçando a visão do Google para o tablet como parte da casa, já que vai ter um berço próprio que o faz parecer muito um Nest Hub ou Echo Show.

(Aos interessados em “hands-on”, tem os 7 e 7 Pro e o Pixel Watch no The Verge.)


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A União Europeia deu mais um passo para padronizar o USB-C em celulares, tablets e câmeras. Nesta terça (4), o plenário do Parlamento Europeu aprovou a proposta por esmagadores 602 votos a favor contra apenas 13 contra (e 8 abstenções).

A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Europeu antes dela ser publicada no diário oficial do bloco. Depois disso, os países-membros terão 12 meses para transpor as regras na legislação local e mais 12 meses para começar a aplicá-las. Por isso, a expectativa é de que a nova diretriz passe a valer em 2024.

Sobrou um puxão de orelha à Apple e outras poucas fabricantes que ainda não abraçaram o USB-C. Do comunicado à imprensa:

Apesar dos esforços anteriores para trabalhar com a indústria a fim de diminuir o número de carregadores de dispositivos móveis, medidas voluntárias falharam em produzir resultados concretos para consumidores da União Europeia.

Via Parlamento Europeu (em inglês).

A Intel anunciou um novo aplicativo para conectar celulares (Android e iOS) a computadores com chip Intel rodando Windows. Não que faltem opções — do Vincular ao Celular da Microsoft a soluções abertas, como o KDEConnect, além de iniciativas do Google. É que nenhuma é tão suave e confiável quanto a integração que a Apple consegue com os seus iOS e macOS.

O Intel Unison, nome do vindouro aplicativo, é baseado no Screenovate, outro aplicativo que fazia isso e que foi comprado pela Intel no final de 2021.

A Intel promete que o Unison será diferente porque será desenvolvido em parceria com as fabricantes e fará uso de recursos de conectividade do hardware, como Wi-Fi e Bluetooth.

O Unison permitirá acessar fotos, mensagens, ligações e notificações do celular pelo computador, e o usuário poderá usar o celular com o teclado e touchpad do notebook.

A princípio, o Unison estará limitado a alguns poucos notebooks com chips Intel de 12ª geração e o selo Evo. A Intel promete uma expansão considerável na leva de notebooks de 13ª geração. Via Windows Central (em inglês).

A Oppo, quinta maior fabricante de celulares do mundo, estreia no mercado brasileiro na próxima segunda (26). (Quando anunciou a chegada ao país, em julho, era a quarta.) O modelo escolhido para o desembarque no país é o Reno7, com preço sugerido de R$ 3 mil.

Em entrevista ao G1, Jim Zhang, presidente-executivo da operação brasileira da Oppo, foi bastante cauteloso. Disse que quer entender bem o mercado local antes de alçar voos maiores por aqui, como iniciar a fabricação local. (O discurso padrão de todas as marcas que chegaram ao Brasil após o fiasco da primeira vinda da Xiaomi, em 2014.)

O Reno7 será vendido via Amazon e lojas físicas da operadora Vivo. A distribuição ficará por conta da Usina de Vendas. Por ora, o escritório local da Oppo se dedicará ao marketing dos produtos. Via G1.