O que vem depois do celular?

Após anos de promessas grandiosas, um TED que mais pareceu comercial de TV e US$ 240 milhões em investimentos, a Humane, startup fundada por um casal de ex-executivos da Apple, revelou seu primeiro produto: o AI Pin, uma espécie de broche inteligente.

Seria apenas um produto curioso, inovador, não fossem as tais promessas grandiosas. Com o AI Pin, a Humane quer substituir o celular.

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Buckwheat

Ícone do aplicativo Buckwheat.

O Buckwheat é um aplicativo de controle financeiro dos mais simples. Ao abri-lo pela primeira vez, ele pergunta qual é o seu orçamento, a moeda usada e quantos dias precisa passar com essa grana.

Dali em diante, basta lançar os gastos para que o app lhe informe se o orçamento estourou ou não.

A abordagem mais simples pode ser interessante para quem está colocando o pezinho nas águas do controle financeiro ou precisa apenas de uma ferramenta para segurar os gastos do dia a dia.

Buckwheat / Android / Gratuito. Download »

Da relevância (ou não) do Google Pixel

por Cesar Cardoso

Quem acompanha o Pinguins Móveis sabe que cada vez menos presto atenção aos lançamentos de novos Google Pixel. Acho que nunca expliquei o porquê, certo? Vamos lá.

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https://www.youtube.com/watch?v=wEVaHobjbPw

O Google lançou, nesta quarta (4), o Android 14. A princípio, apenas os celulares Pixel (do 4 5G em diante, nunca vendidos no Brasil) recebem o sistema. De outras fabricantes, “até o fim do ano”.

A exemplo do iOS 17, o Android 14 também traz poucas novidades, todas incrementais. Há um pouco de IA gerativa (papéis de parede criados a partir de frases), boas novidades em acessibilidade e coisas que o iOS já fazia, como localização aproximada para apps e PIN de seis dígitos — fiquei intrigado com essa. Via Google (em inglês).

Apple culpa Instagram e outros apps por superaquecimento do iPhone 15 Pro/Pro Max

Algumas pessoas que adquiriram o iPhone 15 Pro/Pro Max no lançamento estão reclamando que os aparelhos esquentam muito.

A Apple divulgou um comunicado reconhecendo o problema e dizendo que ele decorre de três fatores:

  1. Maior atividade em segundo plano em um dispositivo novo;
  2. “Uma falha” que será corrigida no iOS 17.1; e
  3. Aplicativos de terceiros mal comportados, como Instagram, Uber e o jogo Asphalt 9.

Este cara no YouTube mostrou um iPhone 15 Pro Max e um iPhone 14 Pro Max esquentarem um bocado apenas com o Instagram aberto.

A Meta, dona do Instagram, liberou uma atualização (302) que, em tese, corrige o problema.

Os “sintomas” são similares ao sentidos pelo meu celular, um singelo iPhone SE (2022), que descobri eram culpa do WhatsApp (outro app da Meta). Comentei o problema neste vídeo. Via Forbes (em inglês).

A Apple liberou a versão final do iOS 17 nesta segunda (18). Entre os recursos, há uma nova imagem em tela cheia para ligações (espero que o pessoal do telemarketing curta a minha) e um modo “Em Espera” que transforma o celular em um monitor bonitão que não verei, pois estarei dormindo quando (se?) ele for ativado. De todos os recursos, o que mais gostei é dos mais simples: finalmente é possível ativar dois ou mais timers ao mesmo tempo. Via Apple.

Uma hipótese para o consumo excessivo de bateria no iPhone

A capacidade de bateria ideal que um celular deve ter é sempre um pouco além da que ele tem. A gente se acostuma, cria estratégias para lidar com a autonomia média e no fim dá um jeito, exceto quando há algo errado.

Consumidores que compraram celulares da linha iPhone 14, lançados há menos de um ano, têm reclamado da rápida degradação da bateria.

Aconteceu também com meu singelo iPhone SE. De uma hora para outra, o consumo de energia enlouqueceu e em um intervalo de dois ou três meses, a “saúde” da bateria despencou para 93%.

No meu caso, era evidente que havia algo errado. O celular esquentava por nada e o consumo de energia era absurdo. Um dia, fiz um teste e deixei ele longe da tomada durante a noite, após recarregar a bateria até 100%. Na manhã seguinte, estava em 20%.

Acionei o atendimento da Apple. Após um teste remoto, os atendentes me disseram que não havia nada errado com o celular ou a bateria. Depois, incrédulo e um pouco frustrado, segui uma das orientações dadas por eles: desativar as notificações e as atualizações em segundo plano dos aplicativos de mensagens.

A essa altura, como medida desesperada, já havia feito uma limpa em muitos apps e deixado — dos de mensagens — somente Signal e WhatsApp. Desativei tudo de ambos. Nesse momento, também desativei as atualizações push (em tempo real) do e-mail. Quem precisa disso no celular? Eu, não.

E… veja, eu suspeitaria se alguém me contasse essa história, mas acredite em mim: resolveu. Tanto que, dias atrás, reativei as notificações e atualização em segundo plano do Signal, e o celular continuou fresco, ágil e sem desperdiçar energia. Parece um celular novo.

O que me leva a apontar dedos ao WhatsApp. Talvez? Só sei que saí de um sufoco. Caso você esteja passando pelo mesmo perrengue, e puder se dar o luxo de desativar as notificações do WhatsApp, vale a pena fazer um teste.

A Justiça do Distrito Federal decidiu que é ilegal às empresas financeiras “sequestrar” o celular de consumidores inadimplentes. A grande ideia — de fazer Orwell se revirar no túmulo, de inveja — consistia em obrigar o consumidor a instalar um app ao tomar um empréstimo que, em caso de não pagamento, bloqueia funcionalidades do aparelho.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e Idec. Ainda cabe recursos. Via Convergência Digital.

O Fairphone 3, lançado em 2019, acabou de receber o Android 13 e uma extensão de dois anos de suporte em cima do prazo original, de cinco anos.

O celular de 2019 do Google, que desenvolve o Android, o Pixel 4, parou de receber atualizações em outubro de 2022. A Asus, que acabou de lançar o Zenfone 10, só promete dois anos de novas versões do Android. Se a Fairphone consegue, o que falta às outras fabricantes? Via Ars Technica (em inglês).

O cara marca uma audiência com o presidente e daqui a pouco o presidente está sentado e o cara no celular, conversando com o cara que ele não marcou a audiência. Então, no meu gabinete não entra com celular, celular fica na portaria e nenhuma reunião eu permito celular.

— Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil.

Será Lula leitor deste Manual do Usuário? Via @LulaOficial/YouTube.

Razr 40 Ultra, celular dobrável, na cor vermelha, sobre uma mesa escura com outros objetos, dobrado ao meio com a tela externa em destaque, mostrando duas mulheres abraçadas.
Foto: Motorola/Divulgação.

A Motorola lançou no Brasil, agora em junho, o Razr 40 Ultra, um celular dobrável cujo principal atrativo parecer ser a tela externa, de 3,6 polegadas, que permite usar o celular sem abri-lo. (A tela de dentro, a que dobra, tem 6,9″.)

Coincidência ou não, a área externa é pouca coisa maior que as telas dos primeiros iPhones — 3,5″ até o iPhone 4S —, porém em uma proporção estranha, quase um quadrado.

Entendo o apelo dos dobráveis estilo Galaxy Z Fold e o novo Pixel Fold, que têm telas comuns quando fechados e, abertos, ficam parecendo pequenos tablets. O dos tipo o Razr 40 Ultra, não. Já à venda pelo preço sugerido de R$ 8 mil. Via Motorola.

Virou uma espécie de tradição mórbida anual, após a abertura de uma WWDC, listar os dispositivos da Apple fadados ao ostracismo — aqueles que, mesmo ainda capazes, não receberão as novas versões recém-anunciadas dos sistemas operacionais da empresa.

Em 2023, as vítimas foram as seguintes:

  • iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X ficarão sem o iOS 17.
  • Todos os Macs lançados em 2017 (com exceção do iMac Pro) não receberão o macOS 14 Sonoma.
  • iPad Pro (1ª geração) e iPad de 5ª geração ficarão sem o iPadOS 17.
  • O Apple Watch passou incólume e todas as versões que rodam o watchOS 9 receberão o watchOS 10.

A Apple liberou, nesta terça (6), as primeiras versões beta dos novos sistemas para desenvolvedores. Elas não são recomendadas para uso no dia a dia. As versões finais, para uso geral, chegam no “outono” (do hemisfério Norte, primavera aqui), provavelmente em setembro. Via Apple (2) (3) (4) (todos em inglês).

Isto pode soar óbvio, mas vamos lá: nem todo tempo gasto com telas é ruim.

Uma pista de que essa métrica talvez não seja das melhores é o fato dela ter sido abraçada com entusiasmo pela indústria.

Há alguns anos, Apple e Meta enfiaram “medidores” de tempo gasto em celulares e aplicativos em resposta às críticas crescentes ao vício causado por seus produtos.

É quase consenso que passar horas rolando feeds no TikTok ou Instagram faça mal. Por outro lado — e pegando exemplos pessoais —, aquelas dez horas que passei com o tablet ligado lendo um livro, ou o tempo no celular ligando/conversando com pessoas queridas? Zero arrependimento.

Pensata inspirada neste post (em inglês), que propõe uma abordagem qualitativa em vez de quantitativa para o lance das telas.

A HMD Global, dona da marca Nokia para celulares, relançou o Nokia 2660 de olho nos jovens.

“Dumbphones”, como são chamados esses aparelhos, são “a escolha dos jovens para limitar o tempo de tela”, diz a empresa finlandesa no comunicado à imprensa. A câmera medíocre do aparelho, a mesma de 2000 e bolinha, deixou de produzir fotos terríveis para gerar “fotos com o estilo lo-fi dos anos 2000”. Cansado do isolamento digital? Com o Nokia 2660, os consumidores irão “reconectar-se uns com os outros, com eles mesmos e com o entorno”, promete a HMD.

Como bem observou o site The Verge, a mudança de discurso é notável. Em 2016, quando o Nokia 2660 foi lançado, os chamarizes eram sua “tela grande”, “compatibilidade com aparelhos auditivos” e “recursos de acessibilidade que aumentam a confiança, especialmente daqueles com mais de 55 anos”.

Existe mesmo uma fadiga generalizada de celulares, mas acho que somente repaginar o discurso não fará desses aparelhos simples o remédio para a ressaca de iPhones e Galaxies que muitos de nós sentem.

A maioria dos “testes” — mesmo que nada científicos — a que jornalistas e influenciadores se submetem, de viver com um dumbphone ou celular minimalista, fracassa.

Ainda é mais negócio diminuir as distrações de um celular moderno, porque as comodidades que eles trazem são inegáveis e, cada vez mais, inescapáveis. Usar um dumphone hoje implica em usar papel, chamar táxis no ponto, ligar (o horror!!) para restaurantes e amigos.

Achei curioso a HMD Global ter usado a informação de que vídeos no TikTok com a hashtag #bringbackflipphones tiveram 49 milhões de visualizações como argumento. Quem compra um Nokia 2660 não consegue acessar o TikTok.

Você sabia que o Google é uma empresa de inteligência artificial?

O Google enfatizou muito que é uma empresa de inteligência artificial na abertura do Google I/O, seu evento anual para desenvolvedores.

A cautela de anos anteriores com a oferta de produtos de IA foi deixada um pouco de lado, graças à pressão que o Google tem sofrido de OpenAI e Microsoft, que tomaram o imaginário popular com ChatGPT e Bing Chat.

A abordagem do Google para a IA na busca, seu grande negócio, é mais cautelosa. Em vez de um chatbot, o Google desenvolveu o que chama de “AI snapshot”, uma versão mais robusta daquelas caixas que tentam responder a pergunta feita pelo usuário sem que ele saia da página de resultados da pesquisa.

Além de mostrar links para as fontes das informações trazidas pela IA (links em que dificilmente alguém clicará), os tradicionais dez links azuis de resultados continuam disponíveis, porém enterrados no final da página.

Esse recurso de IA na busca, chamado “Experiência Gerativa de Pesquisa”, ainda é experimental e “opt-in”. A exemplo de outros produtos e serviços do Google, ele recorre ao PaLM 2, o novo grande modelo de linguagem da empresa. (Pense no PaLM 2 como equivalente ao GPT-4 da OpenAI.)

O PaLM 2 também está por trás de uma nova versão do Bard, o chatbot do Google, e dos recursos de IA do Google Workspace, agregados sob o guarda-chuva/nome Duet AI.

Executivos do Google resumem a nova postura da empresa como “ousada e responsável”, ainda que menos responsável que no passado. Nada exemplifica melhor os riscos que o Google topou correr que o “Tradutor Universal”, um gerador de vídeos deepfake em múltiplos idiomas. O potencial de mau uso dessa tecnologia é gigantesco e o Google se ilude (ou tenta nos iludir) dizendo que terá salvaguardas e restrições para evitar abusos. Isso nunca funcionou e ficaria surpreso se funcionasse agora.

O Google segue investindo em hardware. Apresentou o Pixel Fold, celular com tela dobrável de US$ 1,8 mil (~R$ 8,9 mil) e o Pixel Tablet, ambos com a promessa, feita pela enésima vez, de que o Android para tablets finalmente ficará bom. Também anunciou o Pixel 7A, celular de baixo custo que não é mais tão baixo custo (subiu para US$ 499). Via The Verge, Google (2), TechCrunch (todos em inglês).