Da relevância (ou não) do Google Pixel
Quem acompanha o Pinguins Móveis sabe que cada vez menos presto atenção aos lançamentos de novos Google Pixel. Acho que nunca expliquei o porquê, certo? Vamos lá.
O Google oficialmente vende telefones Pixel nos EUA, Canadá, Japão, Cingapura, Taiwan, Austrália, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Irlanda, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Portugal, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Índia (apenas indiretamente, via Flipkart).
Se você tirar a Índia, que está lá para o Sundar Pichai não ouvir reclamações da família toda vez que volta para casa no Diwali, e colocar a Coreia do Sul, porque nunca é bom o Google brigar com o parceiraço Samsung, é o Norte Global escritinho: América do Norte, Europa Ocidental, países principais da Ásia Oriental.
Quem dá as cartas no mercado de smartphones do Norte Global? Isso mesmo, a Apple.
A linha Google Pixel se tornou, fundamentalmente, uma decisão de negócios do Google, de mostrar ao mercado do Norte Global que é possível existir um ecossistema móvel, fechadinho, em hardware e software, fora da Apple. Não é, nem tenta ser, um competidor global de verdade para Samsung, Motorola, Xiaomi/Redmi e Oppo/vivo/OnePlus/Realme. O Sul Global pode ficar com os OEMs sem problemas, porque não tem (ou tem muito pouco) de Apple e… bom, ecossistema móvel é definido como “rodar WhatsApp”.
“Ah, e o mercado cinza? Por que o Google não investe no mercado cinza, sei lá, financia uns youtubers…?” Ninguém investe oficialmente no mercado cinza. Tem que ter interesse dos “importabandeadores”, porque são eles que vão lá, financiam uns youtubers, descarregam produto nos mercados populares de tecnologia e nas lojas de bairro, essas coisas que empresas grandes e sérias não vão fazer. Não há interesse suficiente no mundo Pixel no Sul Global para os “importabandeadores” correrem o risco de trazerem Pixel e não conseguirem girar, então vão continuar trazendo iPhone e Xiaomi porque giram.
A lição do 7+7
Já disse que a única coisa que realmente me fez parar para ver o Made by Google foi o anúncio do 7+7 [anos] no suporte de software. Além de obliterar até mesmo as promessas da Samsung, chega junto dando um tranco na Apple.
O 7+7 só é possível porque o Google resolveu desenhar seu SoC. Afinal, foi assim que a Apple chegou ao seu suporte de software. O Google Tensor G pode não ser um grande SoC (não é), mas faz com que o Google não dependa da boa vontade de Qualcomm e (é boa? é má vontade? fica a pergunta) de Mediatek de manterem o suporte de software.
Se formos juntar a decisão da Fairphone de usar um SoC industrial (que tem, veja só, dez anos de suporte) da Qualcomm, o caminho é claro: ou você customiza seu SoC ou vai ficar dependendo do bom humor de Qualcomm e Mediatek nos SoCs consumers… e, como vendedores de chips, o negócio deles é vender chip — se puder fazer chip que fique obsoleto todo ano, não tem problema.
Tenho para mim que Samsung, Xiaomi e Oppo estão olhando com uma lupa o que vai acontecer com o suporte de software aos Pixel 8. São empresas grandes, que podem desenhar SoCs (ei, a Samsung fabrica os Google Tensor!) e que estão sofrendo pressão na sua gama alta para estender a vida útil dos aparelhos. (Motorola, que tem provavelmente o suporte de software menos confiável do mundo Android, parece estar fora disso.)
Não duvidaria que, digamos, daqui a uns 2 ou 3 anos Samsung, Xiaomi e Oppo terem gamas altas com seus próprios SoCs e com a promessa de 6 ou 7 anos de atualizações.
Publicado originalmente no canal do Pinguins Móveis no Telegram.
Sobre o suporte a Chips por mais tempo, talvez estejamos vendo uma estagnação maior do desenvolvimento e por isso valha a pena manter o suporte por mais tempo? Ou que não valha o esforço de rebolar um novo chip/OS todo verão?
O último aparelho que foi vendido aqui foi o Nexus 5, o qual eu tive e passei pra frente após a falta de atualização e o problema clássico do botão power trincado.
Fiquei com raiva dos hardwares do Google depois disso, sim eu sei era fabricado pela LG , mas deixou ranço da mesma forma.
Chromecast mais recente nunca foi vendido aqui e os antigos eram vendidos caros . Os routers vendidos aqui, após quase dois anos de lançados e sem Wi-Fi 6 , caros pro que se propõem . Google next vendidos bem depois do lançamento também. Desculpa mas não recomendaria nem recomendo pra ninguém os hardwares do Google.
O foco no mercado de países desenvolvidos é por que o Google não quer vender só smartphones, quer vender serviços. Em países mais pobre realmnete não compensa por que a galera só quer um telefone pra usar instagram, whatsapp e fazer pix (e não tem nenhum problema nisso).
Acho que a resposta é muito mais simples: o Google (e as outras empresas) não vendem eletrônicos no sul global porque não se importam mesmo. Tirando Amazon e MS, qual é a outra empresa que tem tração nos EUA e Europa que vende de forma localizada no Brasil? A Apple não faz isso, no máximo tem parceiros e 2 lojas (são duas ainda) oficiais com preços mais altos do que o varejo normal. Nem a Nintendo ou a Sony fazem isso com consoles (demoram anos para ter suporte por aqui).
As desculpas são muitas, claro. Impostos, problemas legais, problemas logística. Mas isso tudo é papo de RP para não queimar a marca. O que conta e pega mesmo é que essas empresas não se importam com mercado fora do ocidente (+ JP, HK e Cingapura; e HK e Cingapura são usados como “case” global de liberalismo econômico, então tem um forte esquema de propaganda que envolve o porque desse suporte). Basta lembrar que a China, segunda maior economica do planeta, foi tratada como país emergente na “guerra do 5G” pela Europa e EUA.
Enfim, a verdade é que mercado emergentes não são interessantes para americanos (principalmente) porque eles não enxergam esses mercados (e essas pessoas) como aptos/as a consumir o que eles consomem.
Acho que estamos falando de coisas diferentes, Paulo. A Apple tem representação no Brasil, vende oficialmente aqui (diretamente ou para o atacado, para o consumidor final é indiferente), presta suporte, tudo bonitinho. Samsung, idem. Motorola também. Sony, idem.
A questão do Pixel é que não é vendido no Brasil, ponto. É diferente da dessas outras empresas.
Acho que pode ser a mesma coisa. A ideia não é questionar se a Apple e outras tem representação oficial aqui. Eu me expressei mal. A ideia é a importância de um mercado como o emergente (BRICS principalmente) tem para as empresas do ocidente, notadamente as norte-americanas como Google, Apple, MS, Amazon etc.
Mas sim, concordo, comparado com o Google, qualquer empresa é melhor. Em todos os quesitos. E essa discussão eu posso puxar mais fios um dia, mas isso se reflete em diversos setores e em diversos modos nas nossas escolhas e no modo como nos relacionamos, seja com a tecnologia seja com pessoas.
Tenho um Pixel 5, rodando /e/OS da Murena, e pretendo trocar para um Pixel 7. Gosto muito!
Uma pena não vender por aqui, eu acho a linha Pixel “a” a cara do Brasil.
1) Sei lá, mas não estou levando muita fé nessa história de atualizar os smartphones Android por tantos anos. Ainda não esqueci o que a Motorola fez com o Moto G4 Plus, que ia atualizar até o Oreo (Se não me engano) e deu pra trás. Precisou ser na pressão pra atualizarem.
2) Pode ser, mas tbm pode não ser. O Google não vende a linha Pixel por aqui tbm pelo que aconteceu na época da linha Nexus, que foi vender e teve uma empresa com o mesmo nome que tentou barrar a venda do celular e tiveram que mudar o nome para Galaxy X.
Não sei se a Google queria trazer o Galaxy nexus para o BR. Eu tive a versão global dele e meu pai teve a versão X, essa que a Samsung trouxe é não atualizava.
A LG trouxe o Nexus 5 com esse nome mesmo, então acho que o problema foi mais com os direitos do Google que com a tal empresa.
E como falaram por aí, o Pixel (serie a) tem uma cara de BR, como a linha A dos galaxys, mas o custo para criar as condições para operar aqui não parecem ser interessantes ao Google.
Na realidade o mercado BR atualmente se reduz muito a Samsung e um pouco de Motorola e Apple e isso sim é triste pois a falta de opções nos feixa reféns.
Nem gosto mais de falar da Motorola, porque a baixa qualidade no suporte do software é lamentável.