Há um detalhe na Truth, nova rede social de Donald Trump, que ele e sua equipe não revelam: ela foi criada com base no Mastodon, sistema de código aberto e livre para a criação de redes sociais federadas. Em lugar algum há menção ou crédito ao Mastodon, o que é uma violação grave da licença do projeto (AGPL v3).

Entre instâncias (servidores) do Mastodon, já rola uma movimentação para banir a rede de Trump proativamente, caso um dia ela venha a se federar, ou seja, tente se comunicar com outras instâncias públicas. No Fediverso, o ambiente público em que servidores distintos de redes sociais descentralizadas se comunicam, é comum que administradores troquem informações (com a hashtag #Fediblock) de instâncias com conteúdo extremista ou ilegal e as bloqueiem. Via @feditips@mstdn.social (em inglês).

O Mastodon é uma rede social que lembra o Twitter, porém é descentralizada e de código aberto. Para entendê-la melhor, leia esta reportagem.

De acordo com uma fonte do site The Verge, o Facebook planeja mudar seu nome. O anúncio, se não for antecipado, deverá ser feito no dia 28 de outubro, na conferência Connect, do próprio Facebook.

Oficialmente, a mudança seria um movimento para refletir o trabalho do Facebook no “metaverso”, ou seja, para dissociar a empresa de redes sociais. O novo nome não contemplaria a rede social Facebook, porém. Não se pode negar que o “rebranding” — como esse tipo de mudança é conhecido no jargão publicitário — possa ser também uma jogada para abafar as críticas pesadas que a empresa vem sofrendo nos últimos meses.

O expediente não é novo. Em 2001, por exemplo, a Philip Morris trocou o nome da sua holding para Altria, para, segundo executivos da companhia, reduzir os danos à reputação que a associação ao tabagismo já provocava na época.

O novo nome do Facebook poderá representar uma alteração estrutural, como ocorreu com o Google e a Alphabet em 2015. Se sim, isso significará mais caracteres em textos sobre o Facebook, como observou o colunista do Wall Street Journal, Christopher Mims: “Isso será como a Alphabet, em que toda vez que escrevo esse nome preciso acrescentar uma frase explicando do que se trata?”

A fonte anônima do The Verge especula que o novo nome, guardado a sete chaves pela direção da empresa, pode ter algo a ver com Horizon, nome adotado em algumas ferramentas de realidade virtual recentes do Facebook. Nas redes sociais já surgiram algumas sugestões mais espirituosas e alinhadas ao “ethos” da empresa, como Skynet e Fascistbook. Você tem alguma? Via The Verge (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A partir desta quinta (21), você poderá, finalmente, postar conteúdo no Instagram pelo computador. De forma oficial, sem ter que recorrer a aplicativos suspeitos ou gambiarras. Demorou apenas 11 anos, mas tudo bem, antes tarde que mais tarde.

A novidade faz parte da primeira “Product Week” da rede social, uma série de anúncios para tentar conter o TikTok, digo, aperfeiçoar a plataforma. Além das postagens em computadores (“um pedido antigo da comunidade do IG”, segundo a empresa), o Instagram ganhará um recurso de colaborações (Collabs) para os Reels, criação com um toque de campanhas de arrecadação de fundos para organizações sem fins lucrativos pré-aprovadas e dois novos efeitos para o Reels, “Superbeat” e “Dynamic/3D Lyric” — talvez pessoas com menos de 30 anos saibam o que essas coisas significam. Via Tubefilter (em inglês).

A Globo não divulga o número absoluto de assinantes nem do faturamento do Globoplay, mas alguns dados financeiros relativos sinalizam uma operação robusta. Segundo o colunista Guilherme Ravache, do Uol, um relatório financeiro divulgado a investidores da Globo informou que o serviço de streaming da casa cresceu sua base de assinantes em 42% no segundo trimestre, bateu recorde de faturamento no período e — aqui é conjectura/matemática do Guilherme — pode se tornar um negócio de R$ 1 bilhão anual já em 2021.

Nem tudo são flores, porém. A ausência do Big Brother Brasil no segundo semestre pode desacelerar as novas assinaturas e aumentar o churning. Além disso, a aquisição dos direitos de produções é cara, mas uma necessidade para fazer frente à concorrência, que, por sua vez, está maior e mais acirrada. Nos últimos meses, dois pesos-pesados chegaram ao Brasil: Star+ (da Disney) e HBO Max. Via Uol Splash.

A Apple realmente pensa em tudo. A empresa agora vende um pano de polimento para fãs passarem pano para a empresa com estilo. Segundo a Apple, ele também “pode ser usado com segurança e eficiência em qualquer tela Apple, incluindo o vidro nano-texture”. Custa R$ 220 (de verdade). Dica do leitor Ilton Alberto Jr.

O WhatsApp começou a liberar backups na nuvem (Google Drive/iCloud) criptografados de ponta a ponta. Se a sua conta já estiver liberada, basta seguir estas instruções.

Atenção redobrada, porém: “Se você perder suas conversas do WhatsApp e não se lembrar de sua senha ou chave, não será possível restaurar seu backup. O WhatsApp não pode redefinir sua senha nem restaurar seu backup para você.” Via @zuck/Facebook (em inglês), WhatsApp.

O Ubuntu 21.10 “Impish Indri” foi lançado nesta quinta (14) com algumas atualizações esperadas (Linux 5.13, Gnome 40) e outras menos óbvias, como a versão em Snap do Firefox e a remoção do tema “híbrido” do Yaru (o claro agora é padrão). Esta versão terá 9 meses de suporte e poderá ser atualizada para a próxima, 22.04 “Jammy Jellyfish”, que será do tipo LTS, ou seja, com suporte estendido, de no mínimo cinco anos. Via Canonical, OMG! Ubuntu! (em inglês).

A Uber encontrou um jeito ~esperto de resolver os problemas das longas esperas por corridas e a insatisfação dos motoristas com os custos de operar na plataforma: aumentar o valor das corridas chamando o reajuste de “nova modalidade”.

O Uber Prioridade, disponível inicialmente em Campinas (SP), Curitiba (PR) e Belém (PA), é definido pela empresa como “mais uma oportunidade de ganhos para os motoristas e, para os usuários, a possibilidade de embarques mais rápidos”. Ele aparece na lista de modalidades e é opcional, pelo menos enquanto o índice de rejeição de viagens ou o tempo de espera permanecerem toleráveis no UberX comum.

A Uber não informou, no comunicado à imprensa, a variação percentual do Uber Prioridade em relação ao UberX. Diz apenas que a nova modalidade custa “um pouco mais”. Perguntei à empresa se essa informação existe e, caso receba uma resposta, atualizarei esta notinha. Via Uber.

Atualização (11h20): Segundo a assessoria da Uber, o Uber Prioridade custará em média 20% a mais que o UberX tradicional. “Esse percentual pode alterar dependendo de variáveis como horário e local, mas a média é de 20% mesmo.”

Nesta quinta (14), mais um streaming de games chegou ao Brasil: o GeForce Now, da Nvidia. Ele tem diferenças importantes em relação ao da Microsoft, como o plano gratuito (acesso “standard”/com fila de espera, sessões de 30 minutos) e o acesso aos jogos. No Xbox Cloud Gaming da Microsoft, a assinatura engloba um acervo de jogos. No GeForce Now, o usuário precisa ter os jogos em lojas parceiras, como Epic Games e Steam, para jogá-los. (E os jogos precisam ser compatíveis com o serviço; no momento, a Nvidia informa que são +800.) É como se a Nvidia estivesse alugando servidores poderosos remotos para rodar os jogos em dispositivos “fracos”, PCs Windows, Macs, celulares Android, iPhone e iPad.

O plano padrão, com maior qualidade de imagem e sessões sem limite de tempo, custa R$ 44,90 por mês. Via Nvidia, Abya.

Promessa comum em plataformas digitais de conteúdo e apontada como tendência por alguns analistas, na prática a economia dos criadores tem se revelado um mero repeteco de outras áreas da economia, concentrando o grosso da receita em pouquíssimos participantes.

O vazamento da Twitch expôs, de maneira crua, essa verdade inconveniente. Mas não só. O Axios levantou alguns dados de outras plataformas — Substack, podcasts e Twitter — que apontam para a mesma conclusão: entre criadores, a desigualdade é gritante.

Sara Fischer, da Axios, recuperou um texto de 2003 do escritor norte-americano Clay Shirky em que ele teoriza esse fenômeno: “Em sistemas onde muitas pessoas são livres para escolher entre muitas opções, um pequeno conjunto do todo receberá uma quantidade desproporcional de tráfego (ou atenção, ou renda), mesmo que nenhum membro do sistema trabalhe ativamente em direção a esse desfecho. Isso não tem nada a ver com fraqueza moral, vender-se ou qualquer explicação psicológica. O mero ato de escolher, espalhado ampla e livremente, cria uma distribuição da lei de potência.” Via Axios (em inglês).

Semana passada, a AMD alertou que o Windows 11 podia piorar o desempenho em games de alguns processadores da linha Ryzen em até 15%. A solução viria em uma atualização do sistema, prometida pela Microsoft. Na terça (12), a Microsoft liberou uma cumulativa, que… piorou o desempenho, segundo o TechPowerUp.

Pelas redes sociais, a AMD divulgou novas datas para duas atualizações que, essas sim, corrigem a perda de desempenho. Elas devem ser liberadas nos dias 19 e 21 de outubro. Via TechPowerUp (em inglês).

Xiaomi e Taboola anunciaram uma “parceria estratégica de longo prazo” nesta quarta (13). Sem especificar uma data, as duas empresas avisaram (ameaçaram?) que conteúdos do Taboola News serão exibidos na tela de bloqueio de mais de 100 milhões de celulares da Xiaomi em 60 países. O comunicado à imprensa não menciona países específicos, mas foi enviado a veículos no Brasil, logo…

Para quem não ligou o nome à empresa, a Taboola é responsável por gerar carrosséis de “nãotícias” no rodapé de notícias de verdade. Suas chamadas são para conteúdo no mínimo questionável; boa parte é de sensacionalismo barato, mas, não raro, aparecem mentiras deslavadas e coisas que beiram o criminoso. Apesar disso, seu produto está em uma infinidade de sites noticiosos, incluindo alguns renomados como Folha de S.Paulo e O Globo, os principais jornais do Brasil.

A única explicação para a onipresença do Taboola (e do Outbrain, rede rival no segmento de publicidade apelativa) é pagar muito bem. Bom para a Xiaomi, não tão bom para os usuários de Xiaomi que agora se depararão com pérolas como “Pílula natural para homens restaura sua virilidade e vigor” e “Médico Alerta: Pressão alta é um fator de risco. Se você toma Losartana, tente isso” — esses e outros exemplos estão nesta coluna do The Intercept Brasil.

A Taboola é uma das melhores justificativas para se instalar bloqueadores de anúncios em dispositivos que acessam a web. Não sabe como fazer? Siga por aqui.

Em setembro, o Facebook finalmente criou seu perfil no Consumidor.gov.br, a plataforma digital de solução de conflitos relacionados a consumo. Segundo o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (Sindec), que reúne as reclamações de 600 Procons espalhados pelo Brasil, entre janeiro e junho de 2021 houve um aumento de 285% em reclamações contra o Facebook.

“As reclamações giram em torno do compartilhamento não autorizado de dados e posterior envio e cobrança por produtos e serviços não solicitados, vazamento de dados para a criação de perfis falsos e queixas questionando os novos Termos de Uso e Privacidade do Instagram”, segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Via Senacon.

A portaria 12/2021 da Senacon, publicada em abril, determinou que plataformas de redes sociais que atendam a critérios objetivos ingressem obrigatoriamente no Consumidor.gov.br.

Fiz uma rápida consulta aos nomes das principais empresas do setor atuantes no Brasil na plataforma Consumidor.gov.br:

  • Twitter, WhatsApp e Telegram não estão cadastrados.
  • Facebook/Instagram e Google (dono do YouTube, mas que também engloba seus serviços de nuvem e software corporativo), sim.

Em 2021, o Google conseguiu solucionar 76,6% das 1.091 reclamações, tendo um índice de satisfação de 3 (numa escala de 0 a 5).

Já o Facebook/Instagram solucionou apenas 38,9% das 247 reclamações recebidas desde setembro, quando estreou na plataforma. Seu índice de satisfação é de apenas 1,7 (numa escala de 0 a 5).

De acordo com Lilian Brandão, diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, em média 80% das reclamações enviadas ao Consumidor.gov.br são resolvidas. Via Agência Brasil.

O HalloApp, app que mistura mensagens com rede social criado por ex-funcionários do WhatsApp, ganhou uma funcionalidade imprescindível para qualquer app disposto a abocanhar um pedaço do mercado do Zap: envio/recebimento de mensagens de áudio.

Recentemente, os desenvolvedores detalharam o funcionamento dos grupos no blog oficial. Há boas ideias nesta implementação, como só permitir trocas de mensagens privadas entre contatos que tenham os números um do outro em suas agendas, organização baseada em tópicos/threads e notificações limitadas. Cada grupo pode ter até 50 participantes. Via HalloApp (em inglês).

O HalloApp é gratuito e está disponível para Android e iOS.