Pessoas que pedem informações do Uber pelo formulário de contato do Manual do Usuário

Corrida no Uber.

O Uber é a empresa de capital fechado com maior valor de mercado do planeta. Uns podem dizer que isso não significa muito já que, não tendo papéis sendo negociados, atribui-se qualquer valor que fundadores e investidores quiserem segundo quaisquer critérios1. Mas mesmo que ignoremos esse detalhe é inegável o impacto que a startup (ainda cabe esse rótulo?) vem causando no mundo, cidade após cidade, despertando a ira dos taxistas, o amor dos usuários, mudanças legislativas e na forma como nos locomovemos.

Tamanha dimensão só foi possível pelo alinhamento de alguns fatores: Internet móvel farta, smartphones onipresentes e transporte público, englobando na definição os táxis, deficitário. Esses, claro, de nada adiantariam se o Uber não fizesse a sua parte, ou seja, se a execução da sua visão fosse falha. Se não perfeita, ela é no mínimo agradável e funcional. Usar o app do Uber é fácil, bem como entender o seu funcionamento — eu, pelo menos, não tive dificuldade quando testei o serviço. Mas será que essa impressão é universal? (mais…)

“Digital e territorializado”: Debate do livro Smart: O que você não sabe sobre a Internet, de Frédéric Martel

Foto do livro Smart.

por Fabio Montarroios

Depois de sairmos da leitura d’O Círculo, a ficção de uma empresa aniquiladora da já frágil privacidade como a conhecemos hoje, partimos para a dura e cruel realidade em Smart: O que você não sabe sobre a Internet, do francês Frédéric Martel, que mostra, com estilo e narrativa agradáveis, as entranhas da Internet (não confunda com a deep web!), ou melhor, o que as pessoas fazem com ela e seus arranjos vistos de um outro modo — um praticamente invertido do que comumente achamos. Não deve ter sido mera coincidência, então, que algumas coisas que vimos no livro de Dave Eggers sejam notáveis também no de Martel, só que dessa vez para valer. (mais…)

É difícil nomear movimentos estéticos da web

Print da página inicial do Brutalist Websites.

por Paul Ford

Tem um site chamado Brutalist Websites que agrega sites que são meio crus — que mostram suas “emendas”. Os cidadãos do Hacker News, onde eu (Paul falando) encontrei o link esta manhã, imediatamente se envolveram em uma discussão sobre se os sites mostrados são realmente brutalistas ou não — mas é claro, como a Wikipedia indica (após algumas discussões à parte), não há apenas uma única e verdadeira definição de Brutalismo. O Brutalist Websites, por si um site brutalista, diz: (mais…)

Robôs de conversação e inteligência artificial como interface

Letreiro brilhante escrito Robots.

por Benedict Evans

Robôs de conversação envolvem duas preocupações muito atuais. De um lado, a esperança de que eles de fato funcionem é um reflexo da contínua explosão da IA (inteligência artificial); do outro, eles oferecem um caminho para alcançar consumidores sem ter que fazê-los instalar um app. (mais…)

Sob nova gestão, Alcatel quer ser a nova Samsung

A nova família de smartphones Pixi 4.

por Emily Canto Nunes

O convite feito pela Alcatel para que eu cobrisse a Mobile World Congress pelo iG Tecnologia (e que o Fabrício Vitorino fizesse o mesmo pelo TechTudo) já dizia muito sobre a importância do mercado brasileiro para a marca em 2016. A realização de um evento para apresentar não só as novidades, mas também a nova marca e a nova gestão da empresa já em abril, pouco mais de um mês depois da feira em Barcelona, reforça o quanto o Brasil se tornou estratégico. (mais…)

O que une pessoas comuns e empresas de mídia dentro do Facebook

Mark Zuckerberg no palco da F8.

Em uma entrevista descompromissada concedida em 2005, num escritório cheio de pinturas de mau gosto e onde os poucos funcionários bebiam cerveja em mangueiras segurados de ponta-cabeça pelos colegas, um franzino Mark Zuckerberg disse que muita gente estava preocupada em fazer a maior coisa do mundo com o maior número de usuários possível e que parte de fazer a diferença, de fazer algo legal era “focar intensamente”. O Facebook, então, tinha a missão de ser “um diretório de universidades bem legal que seja relevante aos alunos”. Algo grande, mas, posto em perspectiva, com um alcance bem delimitado.

Onze anos depois, o mesmo Mark Zuckerberg, mais desenvolto, melhor vestido e com ambições maiores que o ambiente acadêmico dos Estados Unidos, no pomposo palco de Fort Mason, em São Francisco, fez a abertura da conferência anual para desenvolvedores do Facebook como se fosse uma mistura de líder de estado e palestrante do TED. Ele mudou e, mais ainda, o Facebook. Daquela origem humilde, “focado intensamente”, a rede social se tornou ao longo dos anos a nova praça pública, o novo jornal, o centro e local de debates de muitas coisas que nos rodeiam e que importam. Quando e como isso aconteceu, e o que perdemos no processo? (mais…)

O Moto G do meu pai, salvo graças ao Cyanogenmod

Moto G: suportável com ROM alternativa.

Por acompanhar de perto os últimos lançamentos e estar atento à flutuação dos preços de coisas como smartphones e tablets, não é raro as pessoas me pedirem conselho sobre o que comprar. Mesmo estando a par do mercado, dar esse tipo de indicação é sempre um desafio — não existe produto que sirva a todos com o mesmo nível de satisfação e os orçamentos costumam variar bastante. Embora eu faça isso de bom grado sempre que possível, há uma pressão inerente devido ao risco de errar, ou seja, da pessoa comprar o que eu indiquei e acabar com um produto que não a atende.

Quando isso acontece, fico um pouco frustrado.

Quando aconteceu com meu pai, fiquei muito frustrado. (mais…)

A crise de obesidade dos sites

Cachorro gordo deitado.

por Maciej Ceglowski

Nota do editor: Este texto é a adaptação de uma palestra de Maciej Cegłowski realizada em 29 de outubro de 2015. Maciej é um programador que vive em San Francisco, escreve o blog Idle Words, tem um perfil divertidíssimo no Twitter e é fundador e único funcionário do Pinboard, um serviço de favoritos na web.


Deixe-me começar dizendo que sites bonitos existem nos mais diversos formatos e tamanhos. Eu adoro grandes sites cheios de imagens. Eu adoro vídeos em alta resolução. Eu adoro experimentos de JavaScript dispersos ou webapps bem desenhados.

Este artigo não é sobre nenhum deles. Ele é sobre sites com predominância de texto que, por razões inexplicáveis, estão ficando mais pesados a cada ano que passa.

Embora eu use alguns exemplos para evitar que isso fique muito abstrato, não estou aqui para constranger ninguém, exceto algumas empresas (Medium) que deveriam ter uma noção melhor das coisas e estão intencionalmente quebrando a web. (mais…)