“Digital e territorializado”: Debate do livro Smart: O que você não sabe sobre a Internet, de Frédéric Martel

Foto do livro Smart.

Depois de sairmos da leitura d’O Círculo, a ficção de uma empresa aniquiladora da já frágil privacidade como a conhecemos hoje, partimos para a dura e cruel realidade em Smart: O que você não sabe sobre a Internet, do francês Frédéric Martel, que mostra, com estilo e narrativa agradáveis, as entranhas da Internet (não confunda com a deep web!), ou melhor, o que as pessoas fazem com ela e seus arranjos vistos de um outro modo — um praticamente invertido do que comumente achamos. Não deve ter sido mera coincidência, então, que algumas coisas que vimos no livro de Dave Eggers sejam notáveis também no de Martel, só que dessa vez para valer.

E há, devo dizer, uma curiosidade para mim em torno dessa discussão: diferentemente das outras vezes em que nos reunimos em torno de livros, quando estava sempre em São Paulo, agora escrevo do Rio de Janeiro. Estou no território que quase foi tomado pelos franceses no século XVI, quando eles tentaram estabelecer uma colônia, a França Antártica, com a habilidade do desbravador Villegagnon e a ajuda dos índios Tupinambás. (Uma colônia pouco duradoura, porque logo repelida pelos portugueses.) Alguns séculos depois, no início do XIX para ser mais exato, uma nova leva de franceses desembarcou no Rio de Janeiro, mas sem belicismo já que vieram com outro propósito: tentar apreender as riquezas imateriais do novo mundo pelo olhar da arte e fomentar o ensino dela no Brasil que vivia ainda sob os auspícios da coroa portuguesa aqui refugiada da invasão napoleônica da Península Ibérica. A famosa Missão Artística Francesa trouxe, entre outros, Debret, um dos mais notáveis artistas da época e que certamente povoa o imaginário de todos nós com suas pinturas de escravos extenuados pelo trabalho sem fim de manter a economia colonial ativa (e tem quem queira esquecer esse passado, infelizmente). Essas imagens perduram em livros didáticos modorrentos e se espalham pela Internet livremente…

O autor invoca, inclusive, fazer parte da linhagem de tantos outros franceses que para cá vieram e se alinha, entre outros, a Claude Levi-Strauss e Roger Bastide, que fizeram parte de mais outra missão francesa, agora mais próxima no tempo, o século XX, na Universidade de São Paulo, a fim de formular as bases do ensino de humanas na recém criada instituição. Esses dois são personalidades estelares na academia paulistana e daí que talvez falte ainda comer um pouco mais de riz avec haricot ao autor de Smart para chegar onde esses caras chegaram.

Mas isso não importa tanto porque o mais precioso do livro de Martel, além dos relatos que ele coleta ao falar com as pessoas em suas viagens pelo mundo, é o olhar de viajante que tenta ver além do exótico (algo de que o Brasil sempre sofreu e sofre quando é visto de fora: o exotismo das pessoas e da nossa cultura tende a obscurecer todo o resto) e do que os locais já não podem ver tamanha a invisibilidade que a familiaridade cria com os aspectos mais comezinhos da vida (e da online, acrescentaria) que levamos. Também há a nossa mania de mirar excessivamente os Estados Unidos e negligenciar nossos vizinhos e, de algum modo, com raras exceções, o resto do mundo. Daí, a leitura, que perpassa a “startup nation” que é Israel até a ditatorial China, é algo extremamente oportuno para nós desviarmos um pouco do senso comum e dos filtros das fontes costumeiras que buscamos para nos informarmos sobre o mundo tech.

Seria possível, e até desejável, inscrever Frédéric Martel, então, como alguém que analisa uma história (sem ser historiador e não há problema algum nisso, diga-se) que corre depressa demais (o autor foi obrigado a atualizar a edição brasileira, porque um exemplo que lhe foi caro, o Orkut, já fechou as portas há algum tempo). Mas, ainda assim, seria possível vincular o autor ao pai da história, Heródoto, porque seus métodos não são muito diferentes. A tese principal do autor, de que não convivemos com uma Internet globalizada e sim com internets territorializadas e com sabor local, parte do uso de exemplos fantásticos, além de números estonteantes, para nos levar a crer que o que tem dado liga à Internet ou às internets é justamente a força do uso local e da personalização de ferramentas comuns como o Facebook. Apesar de mais um bilhão de pessoas usarem o serviço de Zuckerberg, elas não estão totalmente acessíveis e interligadas, por assim dizer, pois há barreiras culturais, linguísticas e de interesses que restringem seu uso a um espectro bem inferior ao propagado alcance praticamente sem limites.

Faz sentido, claro, mas ao estarmos todos na mesma plataforma creio também ser impossível não nos moldarmos a ela e, mesmo que parcialmente, padronizarmos nossas formas de comunicação e expressão. Os emojis, os quais sacamos para acelerar ainda mais as conversas, são uma forma de padronizar sentimentos que resvalam em aspectos culturais — um mesmo emoji tem significados diferentes em culturas diferentes e não pode ser usado da mesma forma em todos os lugares –, do mesmo modo que induzem a padronização desses sentimentos. A coisa é tão delicada que a felicidade nem sempre pode ser expressa da mesma forma se você usa aparelhos de uma marca ou de outra. A assimilação do global é inevitável e para nós, herdeiros indiretos da antropofagia dos nossos índios, os mesmos que devem ter devorados muitos franceses em busca de suas forças e conhecimentos, fazemos o nosso próprio caldo com o que o mundo nos dá através da Internet — ou das internets, que seja.

O trânsito pelo mundo

Seria praticamente impossível que, no trânsito entre cinquenta países, o thôma grego não estivesse presente. As culturas locais, tirando as de regimes extremamente fechados como o da Coréia do Norte (que também devem possuir suas “maravilhas-curiosidades” se você não estiver na condição de subjugado pelo Estado), provavelmente não ficariam imunes às influências estrangeiras e se ainda hoje vivemos a predominância do impacto da cultura estadunidense, ela já veio, também, da própria França e isso se nota na literatura russa do século XIX quando seus autores expõem personagens afrancesados (Pais e filhos, de Ivan Turgueniev, é um bom exemplo) e na transição para o século XX com a Belle Époque que, entre outras coisas, formatou a transformação urbana de São Paulo e do Rio de Janeiro. E esta revolução digital não é também uma espécie de Belle Époque Numérique a qual temos a grande sorte de testemunhar com nossos próprios olhos? Certamente a nossa comunicação ligeira, agora com boa parte dela criptografada, seria um belíssimo compêndio de surpresas às gerações futuras caso tivessem acesso a elas…

A narrativa de viagem, se se pretende relação fiel, deve comportar uma rubrica dedicada aos “thômas” (maravilhas, curiosidades). Nas Histórias [de Heródoto] ela não falta. (…) Já que a narrativa lhe atribuiu um lugar, o thôma deve figurar no elenco dos procedimentos da retórica da alteridade. De uma maneira geral, produz um efeito de credibilidade , até porque o narrador não pode deixar de usar essa rubrica que o público espera: se a omitir, arruinará de uma vez seu crédito. Tudo se passa como se estivesse em ação o seguinte postulado: nesses países distantes (ou nesses países outros), não pode deixar de haver maravilhas-curiosidades.

O espelho de Heródoto, de François Hartog.

Mesmo ressaltando o que há de mais curioso e superlativo em várias ocasiões, o autor é honestíssimo ao afirmar que sua tese principal (de internets bem localizadas) cambaleia ante as poderosas indústrias do cinema e dos games. Americanas, ambas destilam os valores nacionalistas formatados para o consumo no mundo de modo espetacular e com altíssima qualidade (os EUA como marca, a bandeira como logo e o entretenimento como embalagem). A acachapante aceitação desses conteúdos aqui e no mundo pode relegar um crítico à condição de um loser rabugento, porque é preciso dizer que demanda-se esforço razoável para se ver que cinema é muito mais que Hollywood e que bons jogos também são feitos com poucos recursos para serem distribuídos em plataformas como o Steam, da também americana Valve.

Ir atrás do Outro, forçar a alteridade, não é para quem se conforma a limitar o próprio umbigo à Netflix (que tem muita coisa, mas evidentemente tem filtros dos mais diversos). Esse esforço, no nosso caso, nos leva irremediavelmente aos meios ilegais como a pirataria: uma vastidão de filmes (jogos e softwares também) impossíveis de serem adquiridos ou alugados podem ser facilmente baixados via torrent. O fluxo de conteúdos estrangeiros esbarra não só no interesse limitado (como diz a teoria principal de Martel), mas nas barreiras jurídicas que podem fazer esfarelar o direito autoral de um artista promissor que vê sua obra circular gratuitamente à sua revelia e sem nenhum controle, assim como criar barreiras que tenderiam a inviabilizar o uso e o desenvolvimento de apps os mais diversos dada as restrições legais de cada país. Recentemente houve um novo capítulo da batalha do Uber contra a prefeitura de São Paulo. A pressão dos taxistas foi grande demais e novamente adiou-se a votação da regulamentação do aplicativo… Tudo tende a ficar ainda mais complexo com a chegada de concorrentes ao já disruptivo Uber. O “parceiro” que me levou ao aeroporto falou com muito entusiasmo da indiana WillGo e assim vamos. A cidade pode ter suas zonas de velocidade reduzida para automóveis, mas a aceleração da história, não.

A citação abaixo é demasiadamente longa (e em inglês), mas certamente pode nos leva a pensar um pouco mais sobre o impacto de tudo aquilo que roda na Internet e está reconfigurando as nossas vidas (além dos nossos cérebros, como defende Nicholas Carr, um crítico constante em relação ao uso que fazemos da rede). Talvez apenas os parcos índios que restam vivendo isolados em nossas florestas estejam ainda “imunes” (sem os considerar puros, mas apenas como herdeiros de uma outra civilização) a toda sorte de transformação e sua cosmogonia permanece quase intacta, já que nossa presença não é totalmente despercebida. Os feitos da cartografia, como se verá abaixo, são no nosso modo de pensar uma marca indelével. Os mapas mudam e com eles a nossa própria percepção da espacialidade (com efeitos imensuráveis na memória, pois qualquer um que habita as cidades brasileiras sabe do pouco apreço da sociedade com o passado e o quão destrutiva é a voracidade do setor imobiliário que torna as ruas da nossa infância em coordenadas não mais localizáveis que só podemos revistar pela memória falha e imperfeita):

As we go through this process of intellectual maturation, we are also acting out the entire history of mapmaking. Mankind’s first maps, scratched in the dirt with a stick or carved into a stone with another stone, were as rudimentary as the scribbles of toddlers. Eventually the drawings became more realistic, outlining the actual proportions of a space, a space that often extended well beyond what could be seen with the eye. As more time passed, the realism became scientific in both its precision and its abstraction. The mapmaker began to use sophisticated tools like the direction-finding compass and the angle-measuring theodolite and to rely on mathematical reckonings and formulas. Eventually, in a further intellectual leap, maps came to be used not only to represent vast regions of the earth or heavens in minute detail, but to express ideas — a plan of battle, an analysis of the spread of an epidemic, a forecast of population growth. “The intellectual process of transforming experience in space to abstraction of space is a revolution in modes of thinking,” writes Virga.

The historical advances in cartography didn’t simply mirror the development of the human mind. They helped propel and guide the very intellectual advances that they documented. The map is a medium that not only stores and transmits information but also embodies a particular mode of seeing and thinking. As mapmaking progressed, the spread of maps also disseminated the mapmaker’s distinctive way of perceiving and making sense of the world. The more frequently and intensively people used maps, the more their minds came to understand reality in the maps’ terms. The influence of maps went far beyond their practical employment in establishing property boundaries and charting routes. “The use of a reduced, substitute space for that of reality,” explains the cartographic historian Arthur Robinson, “is an impressive act in itself.” But what’s even more impressive is how the map “advanced the evolution of abstract thinking” throughout society. “The combination of the reduction of reality and the construct of an analogical space is an attainment in abstract thinking of a very high order indeed,” writes Robinson, “for it enables one to discover structures that would remain unknown if not mapped.” The technology of the map gave to man a new and more comprehending mind, better able to understand the unseen forces that shape his surroundings and his existence.

The Shallows, de Nicholas Carr.

O Porto Digital, apesar da conexão com o passado de Recife (presente no belo filme O Som ao Redor que justamente questiona o espaço e o tempo dos personagens), não deixa de representar um território com uma camada técnica e que atraiu investimentos dados seus objetivos: acelerar a economia digital. O porto, símbolo máximo do mercantilismo, é hoje a base — desprezível em seu sentido originário, afinal bits não precisam de navios para atravessar os continentes — do novo sentido da acumulação: se antes era necessário acumular metais preciosos, podemos dizer que “o mercado é cada vez mais mundial dando ao produto [e serviços] nova mobilidade espacial. São elementos que apontam para uma mudança do sentido do lugar, mas sem esconder o fato de que o processo de globalização se realiza aprofundando as contradições entre o local e o mundial, reafirmando e aprofundando a desigualdade espacial gestada no seio da produção capitalista”. (“O lugar na era das redes”, in: O Lugar no/do Mundo, de Ana Fani Alessandri Carlos.)

Foto do Porto Digital, no Recife.
Porto Digital. Foto: Américo Nunes/Flickr.

Há diversas questões que podem ser bastante questionadas da visão do autor sobre as internets que ele enuncia e, acredito, vão fomentar essa discussão aqui no Clube de Leitura, mas há uma metáfora disponível na obra que não poderia vir em melhorar hora. A certa altura, Martel diz:

Esses países [o Brasil incluso] queimam etapas e podem chegar em menos de cinco anos ao que os países ocidentais levaram décadas para construir. (…) Há uma total redistribuição de cartas.

Com uma presidente sendo considerada “carta fora do baralho” e todos estarmos prestes a ver um castelo de cartas se formar no âmbito político (esteja você de qualquer lado possível nesse imbróglio, sinto informar, mas não tenho como botar uma fé nessa “Ponte para o futuro” sem a presença de Marty MacFly e Doc no enredo), não posso imaginar um cenário mais frágil que o nosso, mesmo com o Marco Civil da Internet balizando a nossa internet, porque mesmo ao vislumbrar certas referências no livro desconfio que elas poderiam fazer uma parte de um certo partido de esquerda brasileiro, que idolatra seus líderes, chorar, afinal estamos em uma realidade totalmente diferente da retratada. Não há mais “o cara” para disparar nos microfones os “feitos” da economia nacional (e dos seus desdobramentos como o Porto Digital) e não há mais estabilidade e segurança nem para imaginarmos como será a semana seguinte, pois seguimos acossados, por exemplo, pela fúria do mercado aparentemente regulado de telecomunicações (globalizado, diga-se) que vê no contexto atual uma chance de espremer seus clientes por mais e mais dinheiro.

A internet brasileira já é bem outra e veja que se passaram apenas dois míseros anos desde a última visita de Frédéric Martel ao Brasil. Se dos tempos da colônia para cá nos inserimos compulsoriamente mais e mais no mundo globalizado (graças às navegações, à matança dos índios, à escravidão, à abertura dos portos etc.), apesar da tese territorial-local do autor, vejo uma sociedade cada vez mais sem chão. O que nos resta? Destoando um tanto do otimismo do autor, diria que um abrigo em meio à realidade virtual parece uma boa opção, porque todo o real (e aqui cabe um trocadilho com o nome da nossa moeda) está em plena erosão.

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17 comentários

    1. Ainda não terminei ele (boo!), mas estou gostando da diversidade de locais e situações que o autor apresenta. Às vezes ficamos meio bitolados na “nossa” Internet e nos passa despercebido o universo de coisas paralelas que acontece aqui, não só nos termos territoriais, mais enfatizados pelo Martel, mas em outros aspectos também — cenas diversas, grupos que se juntam por interesse mútuo, iniciativas super legais e hiperlocalizadas. É uma injeção de realidade misturada com entusiasmo por tudo que a Internet, apesar da horizontalização pela qual passa graças a grandes players como o Facebook, pode ser.

      Talvez culpa da tradução, uma coisa, porém, me incomoda bastante: o excesso de termos não traduzidos/em inglês. Sou super aberto ao uso de estrangeirismos, mas muitos termos deixados em inglês têm traduções perfeitas, inclusive dentro do contexto, em português. Por que não traduzi-los?

      1. Estou na mesma, li pouco menos da metade por enquanto, mas do que li achei bem interessante os casos:

        – Israel e sua relação com o serviço militar e escassez de matéria prima que acabam forçando a população a empreender. A inovação digital não é forçada, dado o nível das universidades e a necessidade de se virar com o que tem

        – A postura “ditatorial” em criar uma Silicon Valley forçada na Rússia e na Savana Africana, tentando injetar bilhões de dólares em vazios territoriais com a esperança de que lá saiam as novas startups que vão revolucionar a economia local/global.

        – A operadora de celular que conseguiu, dada as características locais da população, criar uma “moeda paralela” e uma nova forma de circular dinheiro através dos celulares pré-pagos da população

        – A impressão que o autor tem da relevância que o Porto Digital tem no país, e que muitos de nós nem conhecemos

        – O quanto que criar um negócio meia-boca na China, copiando modelos californianos de sucesso, e com a ajuda de bloqueio dos apps “mainstream” por parte do Governo Chinês, por pior que pareçam, viram produtos de consumo de milhões e milhões de usuários sem que o mundo saiba que existe tal serviço. O mercado chinês é assustador pelo seu tamanho.

    2. (Muito tempo depois…)

      Confesso que quando peguei o livro e vi o “O que você não sabe sobre a internet” na capa, achei o livro um bocado pretensioso…

      Após, enfim, terminá-lo, a ideia do autor de mostrar que a internet reforça mais as peculiaridades de cada região realmente é comprovada, com cada local adaptando e criando soluções de acordo com suas necessidades.

      Bem interessante a constatação de que todo mundo quer copiar o modelo do Vale do Silício, mas cegamente, sem considerar que o que poderia ser “copiado” é a ideia de cada região focada em criação de soluções ter algo como uma empatia com a cultura local, e talvez até mais importante, incentivar as empresas e/ou tentativas já existentes, o que pode agregar futuros grupos em torno desses.

      Tal qual o @ghedin:disqus, também me incomodou o uso de termos em inglês em ocasiões que não era necessário.

      Ao final, achei o livro muito bom, e bem informativo.

      Mas, ainda acho a frase da capa bem pretensiosa…

      1. Não tem galho! O tempo dos livros é outro, não tem essa relação imediatista com as coisas como é mais com a internet. Se voltássemos a falar disso daqui a 20 anos seria a mesma coisa.

        Cara, esse subtítulo foi recriado. Pq em francês está assim: “Smart: enquête sur les internet”. Em traduções possíveis seria algo como “Smart: pesquisando as internets” ou “Smart: devassando as internets”. Aos olhos do pessoal do marketing da editora, provavelmente ao não acharem o título atraente, optaram por esse subtítulo pretensioso e que, aos mais afeitos ao assunto (e q já sabem muita coisa), vai soar como um livro para iniciantes, o q não é o caso, já q notadamente é um livro para iniciados! É como aquelas traduções horrorosas de títulos de filmes q queimam o filme do filme, saca? Esse foi o caso… Dou desconto pq a capa ficou bonita.

        Mas ainda bem q vc curtiu a leitura. Como pulei uns capítulos e li o q me interessou mais, vou ler agora o “Revitalização urbana” pra um texto q apresentarei ao Ghedin sobre o assunto. Pra mim, esse livrou se tornou um livro de referência bem interessante. E, uma curiosidade: o autor estava no Brasil acompanhando o processo de impeachment no dia da votação do senado.

        1. Ah, menos mal saber que foi a editora que colocou esse aposto…

          E o autor já deve ter uma relação razoavelmente próxima com nosso país, veio várias vezes pra cá… será que essa última vinda é relacionada a outro livro?

          1. é bem provável ou a forma como estamos inseridos nessas disputas políticas, especialmente no uso da internet, o interesse bastante. afinal, a coisa toda ainda está fervendo.

    1. Hum… perfeito talvez não, por não ter um alcance realmente total, mas é uma das alternativas.

      E independentemente de ser a melhor, é ótimo que essas contradições sejam expostas.

  1. Em meio a essa torrente infinita de novidades, como será o futuro da internet levando em conta as previsões do autor? Dá para ser otimista?

  2. A internet é incontrolável ou o exemplo da internet chinesa demonstra que regimes autoritários podem mesmo ser uma ameaça quando estendem seus tentáculos aos ambientes digitais?

  3. Como os conteúdos digitais locais sobreviveram ante a massacrante predominância americana? Faz sentido incentivar um cinema nacional se não há interesse por ele ser consumido em uma plataforma local como a proposta de um “Netflix brasileiro”?

    1. Caramba… complicado isso…

      Talvez os conteúdos locais tenham sobrevivido graças aos nichos (pode ser que o termo nem esteja correto, pelo grupo ser maior do que aquele sugere) que os apreciam, que são engajados a ponto de conseguirem alavancar essas distribuições (via financiamento coletivo ou não).

      Acho que se o incentivo ao cinema nacional tem um fim de lucro e não há perspectiva disso, ok, não implemente a plataforma para distribuí-lo ou não realize a ajuda.

      Mas se o incentivo não tem o lucro como objetivo, é focado na distribuição de cultura pura e simples, aí a coisa muda, a ideia faria sentido.

  4. O que você acha do relato do altor que vislumbra que a própria web, para existir, depende da exploração dos nosso dados?

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