Um ano depois da onda de assaltos das quadrilhas “limpa contas” no Brasil, o problema chegou aos Estados Unidos, como reportado pelo Wall Street Journal.

Lá, a julgar pelos relatos, os assaltantes agem mais em bares, observando e até interagindo com as vítimas de modo a forçá-las a inserirem a senha do iPhone. Depois, o mesmo roteiro daqui se segue: iPhone furtado, acessos à Conta Apple bloqueados e contas bancárias varridas.

O cerne do problema é o mesmo: a fim de facilitar a vida dos clientes, alguém precisa apenas da senha de desbloqueio do iPhone para alterar a senha da Conta Apple.

Em nota ao WSJ, a Apple disse que eventos do tipo são raros e demandam várias etapas físicas para serem bem sucedidos. “Continuamos a avançar as proteções para ajudar a manter as contas de usuários seguras”, concluiu um porta-voz.

Enquanto a Apple segue em negação, há duas medidas que ajudam a mitigar estragos — uma delas negligenciada pela reportagem do jornal norte-americano:

  • Trocar a senha do iPhone por uma alfanumérica. As de quatro ou seis dígitos são fáceis de serem observadas e memorizadas por terceiros.
  • Usar o Tempo de Uso para restringir alterações de código e da conta no iPhone (em Conteúdo e Privacidade). Isso cria uma senha alternativa, de quatro dígitos, para mexer nessas áreas sensíveis.

Via Wall Street Journal (em inglês).

Um comentário recorrente de gente que publica coisas na internet e dá uma chance ao Mastodon/fediverso é o engajamento que conseguem lá.

Mesmo com bases de seguidores muito menores que as do Twitter, por exemplo, os posts costumam ter mais curtidas, “boosts” (RTs) e cliques. Como pode?

Christopher Mims, colunista do Wall Street Journal, tem uma boa hipótese:

“O Twitter tenta agregar a maior atenção possível em torno de coisas que super viralizam. A quantidade de tempo diária é limitada. Assim, para coisas ‘explodirem’ é necessário que a maioria dos outros posts que as pessoas poderiam se interessar passe batida.”

A lógica “radical” do fediverso é entregar o conteúdo que a pessoa pediu para receber, sem um filtro opaco (o “algoritmo”) no meio.

Isso pulveriza a atenção dispensada — menos virais que chegam à TV e até sua avó fica sabendo, mais conteúdo pequeno, orgânico, se espalhando pela rede em nichos. Mais diversidade, mais inclusão, mais chances para que mais gente seja ouvida. Via @mimsical@mastodon.social (em inglês).

Uma olhada no Artifact, o “TikTok de textos” dos criadores do Instagram

O Artifact, novo aplicativo dos criadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, derrubou o sistema de convites e agora qualquer pessoa pode usá-lo.

Fiz isso e mostro a você o que o aplicativo, que promete uma curadoria de conteúdo em texto à moda TikTok, fortemente influenciada por um algoritmo de recomendação, tem a oferecer.

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Post livre #355

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Tendo a Meta como grande expoente — a dona do Facebook e autora de práticas abusivas e continuadas de extração de dados pessoais dos usuários —, a privacidade em ambientes de realidade virtual (~metaverso) passa a ser um tema relevante.

Pesquisadores da Universidade de Stanford conseguiram identificar pessoas no mundo real a partir de dados extraídos de sessões curtas de realidade virtual, que não chegam a somar cinco minutos. Dos 511 participantes, 95% foram identificados. (Link para o paper, em inglês.)

Meta e HTC (fabricante do headset Vive) reservam a si mesmas o direito de compartilhar dados “anonimizados” com terceiros. Isso acende um alerta, pois de anônimos esses dados não têm nada, como demonstra o estudo.

Trata-se de mais um estudo que coloca em xeque as técnicas e garantias de anonimização, artifício usado de forma recorrente por empresas de tecnologia para repassarem dados dos usuários a terceiros. Via TechDirt (em inglês).

Durante anos, a Meta encheu o saco dos usuários para que eles usassem apenas uma conta e tivessem suas identidades verificadas. Os comentários desta matéria do nosso arquivo dão uma amostra desse “cuidado”.

Por isso estranha a novidade anunciada por Mark Zuckerberg neste domingo (19): uma assinatura paga para garantir a identidade de alguém e evitar a clonagem de perfis.

(Estranha também que alguém tenha achado o plano de Elon Musk no Twitter, de vender selos de verificação, tão boa ideia a ponto de copiá-la.)

A assinatura “Meta Verified” vale para Facebook e Instagram. Ela garante o selo azul e a confirmação de que sua conta foi autenticada com um documento oficial. Em outras palavras, você paga para dar mais dados — cópias do seu RG ou CNH — à Meta.

Fora o absurdo do arranjo no âmbito individual, esse arranjo abre margem para questionar os números de usuários que a Meta se gaba ter (+2 bilhões!).

Por ora, em testes na Austrália e Nova Zelândia. O custo do Meta Verified é de US$ 12 se assinado pela web, e US$ 15 por aplicativos móveis, no que parece mais um ataque da Meta esfregar na cara o “Custo Apple” que recai em produtos e serviços digitais. (Embora o valor extra também valha no Android, Zuckerberg só falou em “iOS” em seu post.) Via Meta, @zuck/Facebook (ambos em inglês).

Uma das maiores surpresas que tive com a cobertura do Mastodon foi a dificuldade em comunicar o lance das instâncias/servidores.

Duas décadas de silos fechados da big tech (Facebook, WhatsApp, YouTube) tiveram um efeito devastador na compreensão da internet e da web.

Ante essa dificuldade, experimentada não só por mim, alguém sugeriu que, em vez de falarmos “instâncias” ou mesmo “servidores”, adotássemos o termo “comunidades”. Gostei. O mesmo vale para sites. O manualdousuario.net é um site, parte da web, e é uma comunidade.

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por Shūmiàn 书面

Pequim, além de ser a capital administrativa, está sendo considerada a capital chinesa da inteligência artificial (IA), liderando com o maior número de empresas do ramo (29% do total), como conta o SCMP.

Na segunda-feira (13), o Escritório Municipal de Economia e Tecnologia da Informação de Pequim publicou um white paper para incentivar o desenvolvimento de IA para carros autônomos, cidades inteligentes e de modelos parecidos com o ChatGPT.

Zeyi Yang escreveu para o MIT Technology Review sobre a obsessão com essa tecnologia e a corrida para criar a sua própria versão, como o Baidu anunciou. Importante lembrar que o ChatGPT não tem atuação na China — e que a versão em mandarim do modelo deixa a desejar.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Carnaval deste ano é o primeiro pós-pandemia e também o primeiro pós-onda de assaltos das quadrilhas que furtam celulares para acessar aplicativos bancários.

Há diversos guias por aí com dicas de como proteger o celular em meio à folia. Darei meus pitacos aqui e conto com a ajuda de quem me lê para complementá-los nos comentários.

Se couber no orçamento, adotar um celular alternativo, simples, daqueles tipo Nokia tijolão, me parece uma boa.

O celular do tipo mais barato à venda no Brasil, o Positivo P26, está saindo por menos de R$ 100 em várias lojas. Some a isso o custo de um chip pré-pago e uma recarga.

É um investimento meio salgado, mas talvez um preço justo a se pagar por tranquilidade. Considere também que um celular do tipo oferece o básico da comunicação, mas carece de algumas regalias modernas, como aplicativos de caronas, fotos decentes e acesso às redes sociais.

Caso opte por levar seu celular principal mesmo, deixá-lo dentro de uma pochete/doleira é uma boa medida de segurança. E tenha um plano de contingência mínimo. Minha sugestão:

  • Anote o IMEI do celular de antemão para facilitar o registro do BO e os bloqueios do aparelho e da linha/número junto à operadora caso o pior aconteça.
  • Presumo que seu celular já tenha uma senha; se não, arrume isso agora — estamos em 2023, não tem motivo para não bloquear o celular com senha.
  • Ative a senha (PIN) do chip (SIM card).
  • Relembre/memorize sua senha de acesso à conta Google (Android) ou Apple (iOS). Ela será útil para acessar o Encontrar seu smartphone (Android) ou o Buscar (Apple) a fim de localizar, bloquear e/ou apagar remotamente os dados do celular.

Guias de segurança que encontrei por aí: @orrice/Twitter, Núcleo, Folha de S.Paulo.

Post livre #354

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Desta vez, devido ao Carnaval, os comentários fecham na tarde da terça-feira.

O Plasma 5.27, última versão do ambiente gráfico do KDE antes da próxima grande (6), veio repleto de novidades. Destaques para o sistema de “tiling” para janelas, suporte ao Wayland e suporte a fatores de escala na resolução da tela, e à reformulação do suporte a múltiplos monitores. Todas as novidades, com vídeos, no link ao lado. Via KDE (em inglês).

Quando você troca de número de celular, o Telegram não remove automaticamente o número antigo. Paula Gomes, chapa deste Manual do Usuário, descobriu isso da pior maneira possível.

Ela trocou de número de celular e, um tempo depois, alguém que comprou um chip que seu número antigo, “reciclado” pela operadora, ganhou acesso à sua conta no Telegram. A pessoa “saiu de uns grupos, entrou em outros e adicionou contatos”, relatou no Twitter.

O Telegram menciona esse cenário, da troca de número, em sua documentação. O texto é confuso. Há três possibilidades: descartar o número antigo, mantê-lo enquanto outro é usado temporariamente (durante uma viagem internacional, quando o usuário troca o seu chip por um local) e continuar usando ambos os números.

Aparentemente (não entendi muito bem), se você se autentica com o novo número em sua conta antiga, os dois números, antigo e novo, ficam vinculados à mesma conta. Para remover o antigo, é preciso acessar as configurações e removê-lo manualmente.

Como o login não depende necessariamente do número de telefone, muitas pessoas não se atentam a isso. Talvez achem que a lógica do WhatsApp, que não vincula mais de um número à mesma conta e exclui contas antigas vinculadas a números desativados depois de feita a migração para o novo, valha para o Telegram também, o que não é verdade.

(O modelo do Telegram, que prioriza a disponibilidade em múltiplos dispositivos, abre algumas brechas do tipo. Deltan Dalagnol que o diga…)

Bom, fica a dica. Outra medida útil para evitar situações como a que a Paula passou é ativar a senha do Telegram (autenticação em dois fatores). Nesse caso, mesmo que alguém herde seu número antigo e ele ainda esteja vinculado à sua conta no Telegram, essa pessoa não conseguirá acessá-la sem a senha.

Não foi só o Bard do Google que cometeu erros durante a apresentação ao público. O chatbot do Bing, que usa a inteligência artificial (IA) da OpenAI, também pisou na bola, com erros até mais grosseiros que os do rival.

Eles foram detectados por Dmitri Brereton e divulgados em sua newsletter. Há informações desatualizadas de estabelecimentos mexicanos, características incorretas de um produto e, no erro mais surpreendente, o Bing errou dados do balanço da GAP — um tipo de dado estruturado e, em tese, mais fácil de serem processados por IAs.

O receio do Google em liberar ferramentas do tipo era bem fundamentado: IAs gerativas “falam” com tanta segurança que parecem estar certo, mas não há garantia alguma de que estejam. No estágio atual, são uma curiosidade fascinante.

Fosse um humano cometendo esses mesmos erros reiteradamente, sem jamais se ocupar de revisá-los ou desculpar-se, cairia em total descrédito. Por que uma inteligência artificial, prestes a ser posta à frente de bilhões de pessoas, não passa pelo mesmo escrutínio? Via DKB Blog (em inglês).