O modo privado dos navegadores web não é privado nem anônimo
Todo navegador web moderno oferece um “modo privado” ou “anônimo”. Acessar sites com ele ativado significa que o navegador não salvará o histórico de páginas visitadas, dados de formulários, cookies e quaisquer arquivos temporários gerados pelo usuário. Não significa, apesar do contrassenso, que a navegação é de fato privada ou anônima.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Hanover, na Alemanha, e de Chicago, nos Estados Unidos, analisou a percepção das pessoas em relação ao modo de navegação privada dos navegadores. Eles partiram da hipótese de que as pessoas não entendem corretamente o funcionamento desse recurso.
Para testá-la, exibiram os alertas que surgem ao ativar a navegação privada/anônima de seis navegadores, nas versões desktop e móvel, além de um texto de controle — ou seja, 13 ao todo — a 460 participantes. Em seguida, esses responderam a perguntas sobre o que aconteceria em 20 cenários onde as interpretações equivocadas são frequentes.
Alertas como este, do Firefox:

Os navegadores usados foram: Brave, Chrome, Edge, Firefox, Safari e Opera. Na apresentação dos textos, porém, os pesquisadores usaram um nome fictício, de um suposto novo navegador chamado “Onyx”.
As perguntas consistiam em alternativas “sim” e “não” para os cenários no modo de navegação convencional e privado. Em várias, a percepção no convencional apresentou um baixo índice de respostas erradas; mas no privado…

O cenário que apresentou a maior taxa de erros foi o de consultas feitas em buscadores como o Google quando o usuário está logado. Do total, 56,3% dos participantes afirmaram que, se o navegador estiver em modo privado, elas não são salvas pelo Google no perfil do usuário. O que é incorreto.
Outra que se destaca é a estimativa da localização do usuário. Segundo o estudo, 46,5% das pessoas acreditam que o modo privado dos navegadores impede isso, o que também é incorreto.
É mais seguro acessar sites pelo modo privado? Não, mas 27,1% dos que responderam à pesquisa acreditam que sim. Por outro lado, acessar a web dessa forma reduz a quantidade de anúncios direcionados, aqueles que nos perseguem por todos os sites após procurarmos por um produto ou destino, uma real vantagem desse modo que 30,9% ignora.
Outras percepções equivocadas mais perigosas dizem respeito à capacidade de os sites coletarem o IP, o endereço eletrônico do dispositivo que acessa a internet (25,2% acham que não); de o governo rastrear a navegação (22,6); de o provedor de acesso conseguir o mesmo (22%); e de o empregador saber quais sites você acessa no computador do trabalho (37%).
“Privado”
Os pesquisadores criticam o termo “privado” para se referir ao recurso:
O termo “privado” está muito sobrecarregado e nossos resultados sugerem que o nome “modo privado” implica significados não intencionais. Quando os alertas [dos navegadores] afirmam que os usuários podem “navegar com privacidade” (Chrome), os usuários podem se voltar à conceituação mais ampla de privacidade. Por exemplo, o [entrevistado] P300 explicou que “[coletar] o endereço IP frustraria o propósito da privacidade se o site pudesse ver isso mesmo no modo privado”, enquanto P133 deduziu que, como o rastreamento “seria uma violação da privacidade”, os provedores não poderiam armazenar o histórico de navegação. Assim, os alertas dos navegadores têm a tarefa hercúlea de corrigir os equívocos que os usuários derivam do nome “modo privado”.
Eles destacam casos “especialmente problemáticos”, como o do Firefox para dispositivos móveis. O navegador da Mozilla destaca sua “proteção de rastreamento” sem explicar o que exatamente é isso. “De forma notável, muitos participantes da versão móvel do Firefox acreditaram, erroneamente, que estariam protegidos do rastreamento no nível da rede”.
A conclusão do estudo recomenda que esses alertas deveriam “evitar frases que sugiram que o modo privado terá um impacto abrangente”, artifício que a versão móvel do Opera (“Seus segredos estão seguros”), Brave (“abas e seus cookies desaparecem”) e Firefox Focus (“navegue como se ninguém estivesse vendo”) empregam.
Parcialmente privado

Para que serve, então, o modo privado? Em termos gerais, a privacidade prometida é em relação apenas ao dispositivo. Quando é usado dessa forma, o navegador não registra cookies, histórico de navegação ou arquivos temporários, como o cache de imagens e arquivos que acelera sites a partir do segundo acesso.
O modo privado/anônimo é útil para impedir que informações indesejadas apareçam no dia a dia (na barra de endereços e campos de formulários, por exemplo) ou para esconder sessões de outras pessoas em dispositivos compartilhados.
Apenas isso.
Ele não vale para as outras camadas e partes do acesso, como o provedor ou mesmo o empregador, no caso do uso em redes corporativas. Se estiver em modo privado, mas logado, o site onde se está logado também o identificará. E mesmo deslogado existem técnicas, conhecidas como “fingerprinting”, que consegue correlacionar usuários navegando em modo privado a seus perfis. (No novo maCOS Mojave, a Apple implementará uma série de defesas no Safari contra essa prática.)
O estudo destaca que apenas o alerta do Chrome faz alguma diferença nos resultados, ainda que em apenas um dos 20 cenários analisados.
Então, fica o alerta: se precisar mesmo acessar sites anonimamente, é preciso recorrer a armas mais pesadas — e complexas —, como uma boa VPN e o Tor Project.
Já imagino gente escrevendo textão no Reclame Aqui…
Votos: 0Então o Opera é o melhor em relação a isso? pq logo após abrir a guia anonima vc pode ativar uma VPN em 2 cliques.
O Safari virá (ou já veio) com uma função legal, embaralhar suas informações para anunciantes, espero que em breve todos os navegadores adotem isso.
Votos: 0O Brave lançou em beta uma opção de usar aba anônima com o Tor. Funciona bem, até onde testei
Votos: 0Temos que analisar profundamente essa informação, pois no final do texto indica um serviço para usar. Quem sabe se esse serviço patrocinou esse texto. Fica a dúvida. Pois verificando o API do Firefox, único que n tem a engine do Chromiun, e sendo usuário há muito tempo, n sou invadido com propagandas invasivas e n me perturbando até hoje.
Votos: 0Posso estar errado, mas o Tor é um serviço gratuito que depende de doações pra se manter (assim como tantos outros serviços na internet). Também nunca vi o Tor fazendo propaganda desse jeito (e escolhendo logo o Ghedin como veículo? rs) como também o Ghedin não faria propaganda sem deixar avisado explicitamente…
Votos: 0Pra mim internet nunca existiu privacidade. Mas como tem gente boba para acreditar em tudo, por isso o mercado se enriquece. Fato!!!
Votos: 0Quando quero pesquisar algo para comprar faço no anonimo para não chover propaganda no meu face…
Votos: 0…mas não adianta.
Eu já sabia que não existia anonimato nos navegadores.
Nossa sério? Esses dias também descobri que a água é molhada!!!1!!11
Votos: 0Perry White #mito! https://uploads.disquscdn.com/images/adb16c4c0d32f04750aed00b7b3fc870d6be77cedd3b5a36a9559dea0135af0f.jpg
Votos: 0Meio óbvio que a privacidade vai embora se você se logar no Google ou Facebook.
Votos: 0O triste, Ghedin, é usar navegação anônima, por VPN, ou Tor, e não poder entrar nesse site. :/
Votos: 0Por navegação anônima estava sabendo, mas VPN e Tor? Estou escrevendo este comentário conectado por uma VPN e… foi? O que você usa aí?
Votos: 0Cara, utilizo a VPN embutida do Opera (sei que pra privacidade ela é horrível, utilizo no trabalho apenas) e sempre dava a página do “Saia do anonimato” da Gazeta. Abri agora e foi, estranhamente. Talvez tenha a ver com a localização da VPN, minha atual está nos USA, geralmente é na Ucrânia.
Já o Tor, na realidade fiz uns testes no novo recurso do Brave, de criar uma aba utilizando o Tor. Ao acessar o Manual, dá erro 403 direto. Outros sites abrem normalmente, inclusive consigo usar o Disqus.
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