Posicionamento dos botões frontais do Galaxy S6.

[Review] Galaxy S6: É assim que se faz, Samsung


28/7/15 às 11h12

Após cinco anos usando plástico no acabamento do seu smartphone topo de linha, a Samsung finalmente mudou. O Galaxy S6 é feito de metal e vidro, ficou mais elegante, é o Galaxy mais bonito que os sul coreanos já lançaram. As expectativas, bem altas, foram correspondidas na prática? A mudança foi meramente estética, ou essa versão tem outros atrativos para manter a hegemonia da Samsung no universo Android? Descubra no review do Manual do Usuário.

Review em vídeo

Não um, mas dois Galaxy S6

Detalhe da borda que escorre do Galaxy S6 Edge.
Foto: Samsung.

Além do Galaxy S6 tradicional, analisado pelo Manual do Usuário, a Samsung também lançou uma variante mais cara, o Galaxy S6 Edge. A diferença? Bordas que “escorrem” nas laterais, com algumas funções discutíveis decorrentes desse detalhe e um inegável toque extra de requinte. Vi um dessas na loja da Samsung, achei bonito, um pouco pior de segurar que a versão tradicional, mas enfim. Não vale a (grande) diferença no custo.

Um Galaxy bonito, afinal

Detalhe da borda inferior do Galaxy S6.

Ao abrir a caixa do Galaxy S6 e pegá-lo na mão pela primeira vez, a sensação é similar à que sentimos com o iPhone 5: ele é fino (6,8mm), leve (138g) e muito, mas muito bonito. A mudança, do plástico para o metal e vidro, foi bastante benéfica aos olhos e ao tato. O Galaxy S sempre foi tido como utilitário, e cumpria bem esse papel, sem arrancar suspiros por sua (falta de) beleza. Era o estado da arte em hardware jogado dentro de um pedaço de plástico no máximo discreto. Não mais.

A cor da minha unidade de testes é “diamante”, que na prática é um azul marinho. A tela e as costas, ambas em vidro, têm curvas sutis nas extremidades, unidas por uma borda de metal com botões e entradas bem posicionados. Talvez os botões de volume fossem mais acessíveis um pouco mais para baixo, mas nada drástico. O desenho é bem Samsung, incluindo o logo da empresa destacado na frente e o arranjo dos botões frontais exclusivo da marca, com botões físico e táteis fora da tela.

Desbloqueio com a digital no Galaxy S6.

É estranho para quem transita entre vários Android, mas ao usuário, especialmente aquele fiel à marca, parece uma boa pedida. O botão “voltar” à direita faz sentido para destros, e o Home, “de apertar”, abre novos atalhos impossíveis com botões virtuais. O toque duplo para abrir a câmera, por exemplo, é extremamente rápido. E o sensor biométrico desta vez funciona. É confiável e responde muito bem, a ponto de eu não ter me preocupado com outra forma de bloqueio do dispositivo durante o período de testes.

Detalhe da tela do Galaxy S6.

A tela, uma Super AMOLED de 5,1 polegadas com resolução de 1440×2560 (577 PPI), é assombrosa de boa. As cores são fiéis, sem aquela saturação que, em iterações passadas, machucava os olhos. É impossível identificar pixels individuais e os ângulos de visão são bem agudos. Embora a tela seja laminada, como a do iPhone, que gera uma tela fisicamente mais fina, ela ainda parece um pouco distante da superfície tátil. É algo que dá para trabalhar melhor numa próxima versão, e uma crítica infinitesimal a uma tela que, de resto, beira a perfeição. Ah, e ela é revestida com Gorilla Glass 4, bem como o vidro de trás.

Equipado com um Exynos 7420, um SoC com processador octa-core (quatro núcleos Cortex-A53 a 1,5 GHz, outros quatro Cortex-A57 a 2,1 GHz), GPU Mali-T760MP8 e 3 GB de RAM, o desempenho do Galaxy S6 é, na maior parte do tempo, fluído. Ele esquenta, e bastante, sem que seja preciso exigir muito, e em duas ou três ocasiões notei uma dificuldade anormal para redesenhar ícones na interface e entrar em apps, problemas que pareciam ter ficado no passado do Android. Talvez, ainda, seja algo decorrente da versão (5.0.2, durante os testes), notoriamente problemática no gerenciamento de memória.

Fora esse imprevisto, na maior parte do tempo o comportamento do Galaxy S6 foi bem bom. Tudo rápido, como era esperado, e ágil, com transições de tela e animações livres de engasgos. Para o dia a dia de um usuário médio, sobra poder.

A bateria do Galaxy S6 deixa a desejar.

O que falta, na verdade, é energia para manter tudo isso ligado por mais tempo. A bateria do Galaxy S6 não é removível, algo inédito na linha. (O slot para cartão microSD também se foi; pelo menos a versão vendida no Brasil tem 32 GB de armazenamento.) Com 2.550 mAh, é uma bateria relativamente grande, mas incapaz de conter a sede do hardware por energia.

Meu perfil de uso é moderado, o que faz com que eu chegue ao fim do dia (23h) com alguma carga na maioria dos smartphones que testei nos últimos anos. As exceções são o meu próprio (iPhone 5), o Zenfone 5 e, agora, o Galaxy S6. Em média, às 19h ele já emitia um alerta pedindo tomada. É pouco, e um lance chato em meio a tantas gratas surpresas desse aparelho.

Pelo menos o carregador que vem na caixa é do tipo “turbo”, e faz um trabalho muito bom de recarga rápida. Para casos extremos, a Samsung colocou dois modos de economia, um bem agressivo, a fim de preservar o restinho de carga para uma ligação importante, ou um último SMS.

Fones de ouvido e carregador turbo do Galaxy S6.

Outro acessório sempre bacana nos Galaxy S, os fones de ouvido, mudaram. Eles estão parecidos com os que acompanham o smartphone de uma certa empresa com nome de fruta, e pelo formato, perderam a capacidade de isolar ruídos que os in-ear que vinham até o Galaxy S5 tinham. O som é legal, porém.

Finalmente a TouchWiz não atrapalha

Por anos a Samsung foi o contraexemplo de personalização do Android, o caso a ser estudado — e evitado — sobre modificações na experiência pura concebida pelo Google. Felizmente, isso é passado.

Algumas telas da TouchWiz no Galaxy S6.

Ainda prefiro o Android sem interferências, mas a repaginada que o Lollipop ganhou da TouchWiz (nome da camada de software da Samsung) neste Galaxy S6 foi bem feliz. Ela está bonita e, em vários casos, útil. A mão parece ainda pesar, com uns poucos recursos meio dúbios, e outros sem muito contexto, mas no geral as intervenções mais acrescentam do que depreciam a experiência.

Áreas historicamente poluídas na TouchWiz, como o app da câmera e o menu de configurações, estão bem enxutos e fáceis de usar. O sistema ainda vem regado de apps da própria Samsung, mas há menos redundância e mais qualidade por todos os lados. (E boa parte dos opcionais não vem instalada, mas sim como baixáveis.) Quase tudo é personalizável, o que é bom, e há pequenos mimos de interface, como colocar dois apps lado a lado, ou encolhê-los num canto da tela para facilitar o alcance do dedão, que se mostram bem práticos no uso cotidiano.

Sobre os apps opcionais, eles se dividem em duas listas, a Galaxy Essentials, composta basicamente de apps da própria Samsung que estendem (ou não) os poderes do smartphone; e a Galaxy Gifts, com os presentes de terceiros, com coisas como cartas do Heartstone, e-books grátis da Amazon, assinaturas do New York Times, O Globo e The Economist, filtros do VSCO Cam e meses grátis das versões premium de apps como Evernote e Pocket. As parcerias da Samsung com desenvolvedores e fornecedores de conteúdo continua a todo vapor e seguem aumentando consideravelmente o valor agregado do produto.

Nem tudo é perfeito, ainda. Algumas convenções da interface, como o seletor de horas do app do relógio, são confusos — nunca acertava de primeira se rolar para cima aumentaria ou diminuiria o mostrador. Alguns recursos, como o que encolhe um app na tela, carecem de indicadores visuais. São, porém, críticas mínimas perto do caos que reinava especialmente até o Galaxy S4. A TouchWiz está boa, e se a Samsung mantiver essa curva ascendente de qualidade iniciada ano passado, com o S5, ficará cada vez melhor.

Como sempre, uma câmera sensacional

O Galaxy S6 tem, provavelmente, a melhor câmera do mercado.

Eu esperava uma câmera boa no Galaxy S6, e ainda assim fui surpreendido. Estou preparando um comparativo de câmeras dos melhores smartphones do momento, mas arrisco dizer, de antemão, que essa está uma cabeça à frente das concorrentes. A câmera, com abertura f/1,9, estabilização ótica e resolução de 16 mega pixels, é rápida e faz fotos maravilhosas em qualquer situação, com boas cores, equilíbrio de branco perfeito e detalhamento quase impossível. E, o mais importante, ela é consistente.

Fotografar com Android sempre foi uma loteria. Às vezes, terminávamos com fotos incríveis. Em outras, imprestáveis. O grande trunfo do Galaxy S6 é acabar com essa incerteza (é difícil “perder” fotos) e facilitar ao máximo o ato de clicar. O app é bem intuitivo, e o comportamento da câmera, confiável. Os resultados saltam aos olhos, as fotos são absurdamente boas e a consistência dá confiança ao fotógrafo. Não existe loteria. Você sempre ganha.

App enxuto e com modos realmente úteis.

Até os modos especiais, que atingiram o ápice da inutilidade com a “foto com som” do Galaxy S4, foram reduzidos aos poucos que fazem diferença — panorama, câmera lenta, controles manuais e mais alguns.

Imagens valem mais que palavras, então confira aí uma galeria:

Fotos noturnas são tiradas de letra pelo Galaxy S6.
f/1,9, 1/8s, ISO 1000, redimensionada para 742×417.
Interna com luz artificial.
f/1,9, 1/30s, ISO 64. Redimensionada para 742×417.
À luz do Sol, o Galaxy S6 é incrível.
f/1,9, 1/375s, ISO 40, crop de 100%.
Detalhes são prejudicados à noite, mas ainda ficam acima da média.
f/1,9, 1/10s, ISO 640, crop de 100%.
Ambiente interno pouco iluminado.
f/1,9, 1/10s, ISO 640, redimensionada para 742×417.
Câmera frontal, com distância focal de 22mm.
f/1,9, 1/580s, ISO 50, redimensionada para 557×742. Foto com a câmera frontal (22mm).

Veja essas e outras fotos, em resolução natural, neste álbum no Flickr.

O melhor Galaxy S

Galaxy S6 na mão.

A absência do slot para cartão microSD e a impossibilidade de trocar a bateria são meros detalhes perto de todas as novidades empolgantes do Galaxy S6, em especial o acabamento refinado e a câmera sensacional. É o melhor Galaxy S já feito, e o primeiro que me dá a segurança de recomendar sem ressalvas, sem asteriscos. A bateria pode ser um problema, dependendo do seu perfil, mas é só. De resto, o S6 é quase irretocável.

Tudo isso, claro, custa caro. O preço sugerido pela Samsung é de R$ 3.200. Hoje, porém, três meses depois de lançado no Brasil, o Galaxy S6 já é encontrado por muito menos, até R$ 2.100. É o preço de praxe, dos últimos anos, para o estado da arte em telefonia móvel, e um que o coloca estranhamente no meio dos principais concorrentes — na ponta de cima, o iPhone 6 por +R$ 3.000; na de baixo, o Moto X (2014), rondando os R$ 1.000.

O bom é que, em termos de qualidade do conjunto, o Galaxy S6 está mais perto da Apple do que da Motorola. O custo-benefício do Moto X é imbatível, mas há ressalvas. A câmera, por exemplo, é bem ruim. O outro concorrente é o G4, da LG, que se equipara em muitas frentes e ganha no mínimo em bateria, mas perde em beleza e acabamento.

Se você gosta de Samsung e sempre comprou smartphones topo de linha da marca, sobram motivos para continuar fiel a ela. Se você sempre torceu o nariz para TouchWiz, plástico yadda yadda yadda, encare o Galaxy S6 como algo totalmente novo. Acredite em mim, desta vez a Samsung acertou.


Logo da Cissa Magazine.O Galaxy S6 usado para a produção deste review foi gentilmente cedido pela Cissa Magazine.

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