Spotify: De “HBO dos podcasts” para um modelo estilo YouTube

Com o mercado retraído e a necessidade súbita de entregar resultados positivos, o Spotify está mudando a estratégia do seu braço em podcasts. Segundo a Bloomberg, em vez de uma “HBO dos podcasts”, com programas caros e exclusivos, o Spotify vai apostar em um modelo YouTube, fornecendo infraestrutura para que o maior número de pessoas publiquem podcasts lá e ganhara com publicidade.

Nessa transição, aquisições caras, como os estúdios Parcast e Gimlet Media, foram dizimados e o que sobrou deles, recolhidos em uma nova marca, Spotify Studios. Via Bloomberg [sem paywall] (em inglês).

Comissão Europeia acusa Google de monopólio em publicidade digital

A Comissão Europeia (CE) abriu um processo antitruste contra o Google por abuso de poder no mercado de publicidade. O comunicado à imprensa explicita que o resultado almejado pelo bloco continental é separar os negócios de publicidade do Google, o mesmo desfecho que os Estados Unidos desejam no processo similar aberto contra a empresa em janeiro. O comunicado da CE é didático, com detalhes e até infográficos para demonstrar os abusos cometidos pelo Google. Via Comissão Europeia (em inglês).

CEO do Reddit dobra a aposta e comunidades decidem estender protesto

Steve Huffman, CEO do Reddit, dobrou a aposta no embate com moderadores de grandes comunidades da plataforma. Em um e-mail enviado aos funcionários na segunda (12), Huffman disse que “a barulheira vai passar” e que esperava que muitas das comunidades participantes do “apagão” voltassem nesta quarta (14).

A previsão inicial do protesto era, de fato, de que ele durasse 48 horas. Na manhã desta quarta, porém, mais de 6 mil comunidades ainda continuavam marcadas como privadas (inacessíveis) ou restritas (abertas, mas sem permitirem novos posts), segundo o Reddark.

Moderadores de algumas comunidades propuseram estender indefinidamente o protesto, até que o Reddit reverta a nova política de preços (caríssimos) da sua API. Via The Verge (2) (em inglês).

CVM dos EUA processam maiores corretoras de criptomoedas

O mundo das criptomoedas está em polvorosa. A SEC, equivalente norte-americano da nossa CVM, processou a Coinbase e a Binance, maiores corretoras de criptomoedas dos EUA e do mundo, respectivamente.

A acusação da SEC é de que ambas atuam como bolsas de valores sem terem permissão para tal. Contra a Binance pesam ainda outras suspeitas mais graves, mas a investida do órgão regulador não parece focar nelas.

Matt Levine, o popular colunista da Bloomberg, resumiu a questão da seguinte forma:

Uma boa regra geral é que todas as corretoras de criptomoedas estão cometendo crimes, e se você tiver sorte, a sua corretora está cometendo apenas crimes processuais.

Ele acredita que é o caso da Coinbase, ou seja, que essa corretora faz tudo certinho e seu único crime é o que a SEC está alegando. Já com a Binance, o buraco é mais embaixo.

A ex-segunda maior corretora de criptomoedas do mundo, a FTX, era falcatrua pura e implodiu no final de 2022 quando a sujeira veio à tona.

Robert Armstrong, do Financial Times, acha que a SEC erra ao processar as corretoras de criptomoedas equiparando-as a bolsas porque criptomoedas não devem ser equiparados a títulos públicos e ações de empresas:

Isso não se baseia em uma visão de que as criptos têm um valor especial e de não títulos que precisa ser preservado. Pelo contrário: as criptomoedas são uma insanidade perigosa — mas uma em que se pode confiar no mercado para matá-la em pouco tempo. Se isso não acontecer, as criptomoedas devem ser regulamentadas tal qual o tabagismo, os jogos de azar ou os esquemas de pirâmide. Em ambos os casos, essas coisas não devem ser dignas da regulamentação sob a lei de valores mobiliários.

Via Bloomberg [sem paywall], Financial Times [sem paywall] (ambos em inglês).

Canais no WhatsApp e “Projeto 92” do Instagram

Quem lida com um público difuso, como este Manual do Usuário, deve ir aonde o público está.

Há alguns anos tenho resistido a esse imperativo. O projeto não tem canais no Facebook, Instagram e, em dezembro, suspendeu parte das suas atividades no Twitter.

Talvez com um bom trabalho esses locais pudessem ser pontos de contato relevantes com leitores habituais e gente que ainda não conhece o que é feito aqui. Talvez — o que é mais provável — só com muito trabalho. No geral, porém, tem sido possível viver sem depender das plataformas da Meta e do Twitter.

A Meta prepara duas novas plataformas que, apesar de ser de quem são, me chamam a atenção: os canais no WhatsApp, onde meio que todos os brasileiros conectados estão, e o “Projeto 92”, uma rede baseada no protocolo ActivityPub que pretende rivalizar com o Twitter.

Ainda não sei se eu/o Manual estaremos nelas. (Na segunda provavelmente sim, visto que o ActivityPub permite que eu converse com pessoas de outros sites a partir de uma instância própria.)

O que pesa contra a Meta não é segredo nem novidade: um histórico de rasteiras em parceiros e de mudanças algorítmicas que forçam quem depende da plataforma a intensificar os esforços em troca de resultados cada vez piores — exceto, é claro, se você estiver disposto a pagar.

As (poucas) novidades do iOS/iPadOS 17 e macOS 14 Sonoma

A revelação do Vision Pro deve ter custado tempo e mão de obra à Apple para dedicar aos outros dispositvos da casa. As atualizações de sistemas — iOS/iPadOS 17, macOS 14 — são tímidas, com poucas novidades. A exceção foi o watchOS 10.

Maior sintoma disso foi o tempo gasto na apresentação de abertura da WWDC falando de novos recursos para lidar com arquivos PDF no iPadOS 17. Ainda que sejam úteis, não é o tipo de coisa que arranca suspiros ou que empolga o público.

No iOS 17, o carro-chefe foram novidades para ligações e correio de voz. O macOS 14 Sonoma tem widgets na área de trabalho, uma nova-velha novidade que remete às primeiras versões do antigo Mac OS X.

De legal, acho eu, só duas coisas que já deveriam existir há eras: widgets interativos e múltiplos timers rodando em paralelo.

Com Vision Pro, Apple propõe um futuro estranho e solitário

Mulher de camisa branca, usando o Vision Pro com os olhos sendo exibidos, sorrindo.

O Vision Pro é o dispositivo eletrônico pessoal mais avançado já feito. As palavras são da Apple, mas a julgar pelas impressões de quem testou o headset de realidade mista da empresa, dá para acreditar que a frase de efeito não é só coisa do marketing.

Há anos objeto de rumores e vazamentos, o Vision Pro, a começar pelo nome, trouxe algumas surpresas ao ser revelado na última segunda (5). A imagem é cristalina, o “passthrough” (ver o exterior via câmeras) é excelente, o software é cheio daqueles detalhes deliciosos que só a Apple sabe fazer.

(mais…)

+6 mil comunidades participam do “apagão” no Reddit

Mais de seis mil comunidades do Reddit estão participando do apagão na plataforma nesta segunda (12). Elas pedem para que a plataforma volte atrás na cobrança da API — os preços anunciados inviabilizam aplicativos de terceiros, como o Apollo.

O site Reddark está monitorando todas as comunidades participantes do apagão.

A direção do Reddit não deu sinais, até agora, de que voltará atrás. Na sexta (10), Steve Huffman, CEO do Reddit, participou de um AMA (sessão de perguntas) desastroso, mantendo-se irredutível quando questionado sobre as medidas impopulares recentes.

Aos que se importam, a orientação é deslogar do Reddit e não acessar o site pelo menos até quarta-feira (14). Algumas comunidades voltarão nessa data; outras, continuarão fechadas por tempo indeterminado. Via r/Reddit (em inglês).

10 anos das revelações de Snowden

Na terça (6), completou-se dez anos das revelações de espionagem estatal, pela NSA (Estados Unidos) e GCHQ (Reino Unido), feitas por Edward Snowden. Hoje, Snowden vive na Rússia e sob o risco de ser preso caso saia de lá.

Em entrevista recente a Ewen MacAskill, um dos três jornalistas que noticiaram o vazamento de informações em 2013, Snowden disse não se arrepender e que “a tecnologia cresceu e se tornou enormemente influente”. E que:

Se pensarmos no que vimos em 2013 e nas capacidades dos governos hoje, 2013 parece brincadeira de criança.

Também no Guardian: o que realmente mudou dez anos após as revelações de Snowden? (em inglês).

YouTube pressiona Invidious por uso de APIs; Invidious responde que não usa APIs do YouTube

Bastou que Elon Musk abrisse a porteira da mesquinharia no Twitter para que outros executivos seguissem o mau exemplo.

Depois do Reddit, agora é a vez do YouTube. A plataforma de vídeos do Google enviou um e-mail ao projeto Invidious acusando-o de violar os termos de serviço da sua API.

(O Invidious é um “front-end” alternativo para o YouTube, mais leve e sem códigos de rastreamento nem anúncios. Veja este vídeo para entendê-lo.)

A mensagem padrão ignora que o Invidious não acessa APIs do YouTube. A resposta de um dos mantenedores do projeto foi bem direta:

Eles não entendem que nunca concordamos com nenhum de seus termos de uso/políticas, eles não entendem que não usamos a API deles.

E agora?

As coisas continuarão normalmente até não dar mais.

Via @iv-org/GitHub (em inglês).

Todas as demonstrações deles [Apple, do Vision Pro] eram de uma pessoa sentada em um sofá, sozinha. Essa poderia ser a visão do futuro da computação, mas não é a que eu quero.

Mark Zuckerberg, comentando o Vision Pro da Apple em uma reunião com funcionários da Meta.

Zuckerberg tem um argumento, mas talvez não seja a pessoa melhor posicionada para fazê-lo. Ficar sentado, sozinho, com um headset de realidade virtual não me parece muito melhor que ficar de pé, sozinho, com um headset de realidade virtual. Via The Verge (em inglês).

Apollo, app de Reddit para iOS, deixará de funcionar em 30 de junho

Christian Selig, criador e mantenedor do Apollo, aplicativo de Reddit para iOS, anunciou o fim da operação em 30 de junho. O motivo é a nova cobrança pela API do Reddit, que inviabilizará o negócio.

O comunicado de Selig detalha uma campanha suja que o Reddit encampou para manchar sua reputação. Selig fez bem o dever de casa, gravando as ligações para defender-se.

Ao contrário do Twitter, pioneiro nesse tipo de canalhice com desenvolvedores independentes, o Reddit não tem um substituto imediato pronto. Existe o Lemmy, mas ele é muito pequeno e pulverizado.

Talvez (e sendo otimista aqui), esse episódio lamentável se revele uma boa coisa e pequenas comunidades na web, como o nosso Órbita, ganhem um impulso com a dispersão de usuários do Reddit. Via r/ApolloApp (em inglês).

Atualização (9/6, às 7h47): Outros aplicativos também deixarão de funcionar em 30 de junho: ReddPlanet, Sync, Relay, RIF.

Comunidades do Reddit preparam “apagão” em protesto à nova cobrança que inviabiliza apps de terceiros

Em protesto à nova cobrança pelo acesso à API do Reddit, vários subreddits (como são chamadas as comunidades da plataforma) vão fechar por 48 horas ou mais na próxima segunda (12).

O maior subreddit do Brasil, o r/Brasil (1,4 milhão de usuários), aderiu ao protesto.

O protesto está sendo organizado no próprio Reddit, no r/Save3rdPartyApps.

Os novos preços da API do Reddit passam a valer em 1º de julho. Em uma postagem, o Reddit argumentou que as mudanças afetam aplicativos de “alto uso” ou que abusam da API. À Bloomberg, um porta-voz do Reddit disse que:

O Reddit precisa ser pago de forma justa para continuar suportando aplicativos de terceiros de alto uso. Nossos preços são baseados em níveis de uso que medimos para serem comparáveis aos nossos próprios custos.

O Reddit entrou em contato com esses desenvolvedores a fim de chegarem a um acordo. Foi numa dessas que Christian Selig, do aplicativo Apollo, revelou que o custo da API do Reddit — no caso dele, em torno de US$ 20 milhões por ano — inviabilizará o app.

Alguns subreddits estão comprometidos a sustentarem o apagão para além das 48 horas caso o Reddit não se sensibilize.

A medida do Reddit provavelmente tem a ver com o plano de abrir capital no segundo semestre. Além de fechar o cerco de apps de terceiros populares, o Reddit vai restringir conteúdo sexual nesses apps (a partir de 5 de julho) e, nesta terça (6), demitiu ~90 pessoas (5% da força de trabalho) e limitou novas contratações. Via Bloomberg, Wall Street Journal (ambos em inglês), Núcleo.

Os dispositivos da Apple que deixarão de receber atualizações em 2023

Virou uma espécie de tradição mórbida anual, após a abertura de uma WWDC, listar os dispositivos da Apple fadados ao ostracismo — aqueles que, mesmo ainda capazes, não receberão as novas versões recém-anunciadas dos sistemas operacionais da empresa.

Em 2023, as vítimas foram as seguintes:

  • iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X ficarão sem o iOS 17.
  • Todos os Macs lançados em 2017 (com exceção do iMac Pro) não receberão o macOS 14 Sonoma.
  • iPad Pro (1ª geração) e iPad de 5ª geração ficarão sem o iPadOS 17.
  • O Apple Watch passou incólume e todas as versões que rodam o watchOS 9 receberão o watchOS 10.

A Apple liberou, nesta terça (6), as primeiras versões beta dos novos sistemas para desenvolvedores. Elas não são recomendadas para uso no dia a dia. As versões finais, para uso geral, chegam no “outono” (do hemisfério Norte, primavera aqui), provavelmente em setembro. Via Apple (2) (3) (4) (todos em inglês).