Como acompanhar perfis no Twitter sem ter que criar uma conta no Twitter

Mesmo quem não tem conta no Twitter às vezes precisa ou gostaria de acompanhar perfis públicos lá. E embora o Twitter esteja dificultando cada vez mais essa prática, exigindo login até para mostrar perfis públicos, ainda existem algumas alternativas para fazer isso sem ter que baixar o aplicativo oficial e criar uma conta no Twitter.

Atualização (30/6/2023): Uma atualização do Twitter passou a bloquear acessos a perfis e posts da rede sem login. Com isso, todas as dicas abaixo ficam inutilizadas.

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Como se faz um bom site?

Eu tentei me conter, mas não consegui: passei um tempo além do normal nos últimos dias lendo os comentários do post em que o site norte-americano de tecnologia The Verge anunciou sua última reformulação radical.

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O Canva reuniu todas as suas ferramentas em uma “Visual Worksuite” e parece disposto a rivalizar com o Google Docs e serviços de criação de sites como Squarespace e Wix.

As novidades foram anunciadas na Canva Create, a primeira conferência global organizada pela empresa. Tem o Canva Docs, que é… bem, uma espécie de Google Docs com apelo mais visual, e o Canva Websites, que converte elementos diversos — documentos, apresentações, até PDFs — em sites simples e responsivos.

Os sites e outras áreas do Canva ganharam estatísticas de acesso, e há um novo plano e muita ênfase no trabalho colaborativo. Parece que a proposta é resolver todas as dores de comunicação de uma empresa pequena, o que talvez funcione?

De todos esses serviços “faça você mesmo” voltados a pequenos negócios, não imaginava que o Canva fosse fazer esse movimento. (Outros, como o Zoom, que está se posicionando para brigar com Microsoft Teams e Slack, sim.) Via Canva (em inglês).

Andy Baio compilou comunicados de algumas comunidades online que baniram o uso de ilustrações/imagens geradas por inteligências artificiais, como o DALL-E 2, Midjourney (que já ganhou um concurso) e Stable Diffusion.

O DeviantArt, uma das maiores do tipo, ainda não tomou partido, mas Andy diz que as reclamações de usuários humanos do enorme volume de ilustrações geradas artificialmente têm aumentado.

O Lexica dá uma boa dimensão do problema que essas IAs representam a tais comunidades: trata-se de um banco de imagens pesquisáveis que já contém 10 milhões de imagens, todas geradas em poucas semanas por alguns beta testers da Stable Difussion. O volume de produção está em outra magnitude, em uma escala não-humana. Via Waxy (em inglês).

O AdGuard, empresa especializada em soluções de bloqueio de conteúdo/anúncios, lançou a primeira extensão do Chrome adaptada ao Manifesto V3, a nova (e polêmica) API de extensões do navegador do Google que limita a ação de bloqueadores de anúncios e será obrigatória a partir de janeiro de 2023.

A extensão ainda tem caráter experimental. Ciente disso, baixe-e aqui.

Em um post no blog oficial, a empresa explica detalhadamente todos os entraves que o Manifesto V3 impôs ao desenvolvimento de uma versão da extensão do Chrome compatível — alguns, intransponíveis. Apesar da dor de cabeça, ela conclui que:

Embora a extensão experimental não seja tão efetiva quanto sua antecessora, a maioria dos usuários não sentirá a diferença. A única coisa que você talvez note são anúncios piscando devido ao atraso na aplicação de regras cosméticas.

Via AdGuard (em inglês).

A revista Real Life anunciou o encerramento das suas atividades nesta terça (6). O comunicado foi feito na newsletter e, segundo o editor Rob Horning, o fim se deve à falta de financiamento.

A Real Life surgiu em 2016, bancada pela Snap (do Snapchat). Não sei se nesses seis anos a revista diversificou sua fonte de receita, mas o anúncio coincide com um momento delicado da Snap: semana passada, a empresa anunciou um corte de 20% da força de trabalho e o fim de várias iniciativas paralelas ao aplicativo principal. Se for o caso, é mais um projeto editorial bancado por uma empresa de tecnologia que é abandonado ao primeiro sinal de crise — em junho, aconteceu com o LABS/Ebanx.

Era uma ótima publicação. O Manual do Usuário mantinha uma relação frutífera com a Real Life, traduzindo e republicando alguns ensaios fascinantes (veja o arquivo). O arquivo da revista, em inglês, ficará disponível por tempo indeterminado.

Fará falta. Via Real Life (newsletter), The Verge (ambos em inglês).

A Cloudflare é uma empresa que atua na infraestrutura da internet, oferecendo soluções de distribuição de conteúdo (CDN) e mitigação de ataques DDoS. Estima-se que a Cloudflare preste serviços a ~20% da internet — incluindo este Manual do Usuário.

Na última quarta (31/8), a Cloudflare respondeu publicamente a pedidos para abandonar um cliente, o site Kiwi Farms, um fórum criado em 2013 que se especializou em organizar campanhas de assédio via internet, em especial contra pessoas trans. A campanha foi iniciada por uma vítima, a streamer canadense Clara Sorrenti.

Sem citar o Kiwi Farms, a Cloudflare justificou a manutenção da relação comercial com os assediadores em um longo post de blog, dizendo que “nossos princípios exigem que o abuso de políticas seja específico ao serviço sendo usado”.

O post detalha outros poréns na tentativa de sustentar a decisão, alguns legítimos, como a pressão que governos autoritários exercem usando tais casos como precedentes, mas que talvez… sei lá, não sejam fortes o suficiente para manter guarida a sites reconhecidamente criminosos?

Aí no sábado (3), a Cloudflare mudou o discurso e abandonou o Kiwi Farms. Ao Washington Post, o CEO da empresa, Matthew Prince, disse que detectaram um “perigo iminente” na atuação do fórum, na forma da divulgação de endereços de alvos e pedidos para matá-los, e que isso teria mudado o cenário.

É, sem dúvida, um terreno complicado, esse em que empresas de infraestrutura precisam decidir a que tipo de cliente prestam serviços ou não, mas:

  1. Já havia relatos de suicídios atribuídos à atuação do Kiwi Farms anteriores à campanha organizada por Sorrenti; e
  2. Não seria a primeira vez que a Cloudflare cessa relações comerciais com sites/organizações criminosas. No passado, a empresa se negou a prestar serviços ao 8chan e à publicação neonazista The Daily Stormer.

Via Cloudflare, Washington Post (ambos em inglês).

Eu estou exercendo a minha liberdade de expressão e fazendo uso da minha propriedade privada.

— Gabriel Baggio Thomaz, o filósofo de Curitiba que registrou o domínio bolsonaro.com.br e o transformou em uma peça artístico-jornalística anti-bolsonarista.

Gênio. Via Veja.

O site não está entrando mais, deve ter sido derrubado. A Wayback Machine salvou cópias dele, porém.

Depois do Outline, agora o 12ft.io saiu do ar. Os dois sites serviam para burlar paywalls de jornais.

Ao tentar acessar o 12ft.io, uma mensagem de erro da plataforma Vercel é exibida informando que a aplicação foi desativada.

Dos sites do tipo, o único de que tenho notícia que continua funcionando é o archive.is. Se estiver disposto(a) a soluções mais técnicas/menos fáceis, esta dica do Manual lista três ainda funcionais.

Atualização (30/10/2023): O 12ft.io saiu do ar outra vez. Como da primeira, não há qualquer informação do motivo, nem se o site voltará a funcionar. Como alternativas, sugiro o LeiaIsso ou o archive.is. O arquivo do Manual tem um material bastante completo sobre como burlar paywalls (incluindo um vídeo explicativo).

Atualização (1º/9/2022): Não foi um “adeus”, mas um “até logo”: o 12ft.io voltou a funcionar. Não há qualquer informação do que motivou a interrupção do serviço nesta quarta (31/8). (Agradeço ao leitor Fernando pelo aviso!)

Como otimizar imagens para gerar arquivos menores e mais fáceis de compartilhar

Um dos segredos do WhatsApp para parecer ágil é redimensionar e otimizar imagens antes do envio. Arquivos menores levam menos tempo para serem transferidos. Ótimo, mas como fazer isso em outros ambientes digitais?

Existe um punhado de algoritmos que otimizam imagens. Eles removem partes que, embora sejam relevantes em alguns contextos, para imagens corriqueiras podem ser dispensadas, como meta dados e partes “brutas” (de alta qualidade) nas imagens em si.

Na dica desta semana, mostrarei três métodos para otimizar imagens. Use um deles antes de compartilhar imagens por e-mail, em outros aplicativos de mensagens, publicar em sites… enfim, onde quiser.

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É um leiaute tão básico que é difícil imaginar uma única pessoa levando mais do que um dia para criá-lo no Squarespace, Wix, Webflow ou em um dos page builderes do WordPress.

— Matt Mullenweg, co-criador do WordPress e CEO da Automattic.

A mensagem acima foi publicada por Matt no debate da reformulação das páginas inicial e de download do WordPress.org.

Voluntários pagos decidiram usar o sistema de blocos do WordPress para criar as novas versões e demoraram 33 dias para concluir a tarefa. A menção a rivais diretos do WordPress e seu sistema de blocos, aludindo a serem mais fáceis de usar, é a cereja no pudim.

A respeito dos blocos e do futuro do WordPress (o Manual do Usuário usa esse sistema), leia isto. Via Search Engine Journal (em inglês).

O futuro incerto do WordPress e a promessa do ClassicPress

Imagino que falar como a salsicha é feita só interessa a quem produz salsicha ou tem gostos… peculiares. Mesmo assim, peço licença a você para falar de um bastidor que, embora ainda não seja um problema, tem me preocupado.

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Como bloquear a reprodução automática de vídeos (autoplay) em sites

Toda segunda, às 8h da manhã, publico aqui e na newsletter uma dica útil, fácil e rápida de fazer. Para receber as próximas no seu e-mail, inscreva-se na newsletter — é grátis.


Uma das maiores chateações na web são os vídeos que começam a tocar automaticamente (autoplay). É algo tão chato que, nos últimos anos, os principais navegadores adotaram políticas que proíbem o autoplay de vídeos com som. Melhor, mas ainda não é o ideal.

Na dica desta semana, você aprenderá a bloquear por completo a reprodução automática de vídeos. Como sempre, a configuração depende do seu navegador e se você quiser uma experiência de navegação melhor e ainda usa o Chrome, talvez devesse reconsiderar essa decisão.

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Alguns sites e aplicativos usam parâmetros na URL para rastrear de onde seus visitantes vêm. Em geral, é tudo o que aparece depois de uma interrogação, algo assim: manualdousuario.net?utm_source=google&utm_medium=app.

Esses parâmetros não são necessários (você pode acessar o endereço sem eles), não trazem nenhuma vantagem ao usuário e podem representar uma brecha de privacidade, motivo que levou os navegadores Brave e Firefox a removê-los por padrão. (A mudança no Firefox é recente, veio na versão 102, lançada no final de junho.)

Em um movimento reativo, o Facebook alterou a estrutura dos links compartilhados dentro da rede para dificultar a remoção dos parâmetros. Agora, parte do que antes era parâmetro está embutido na URL, o que impede a remoção do rastreamento.

O GHacks, que detectou a alteração, oferece um exemplo:

https://www.facebook.com/ghacksnet/posts/pfbid0RjTS7KpBAGt9FHp5vCNmRJsnmBudyqRsPC7ovp8sh2EWFxve1Mk2HaGTKoRSuVKpl?__cft__[0]=AZXT7WeYMEs7icO80N5ynjE2WpFuQK61pIv4kMN-dnAz27-UrYqrkv52_hQlS_TuPd8dGUNLawATILFs55sMUJvH7SFRqb_WcD6CCOX_zYdsebOW0TWyJ9gT2vxBJPZiAaEaac_zQBShE-UEJfatT-JMQT5-bvmrLz7NlgwSeL6fGKH9oY9uepTio0BHyCmoY1A&__tn__=%2CO%2CP-R

Note que, antes do parâmetro, há um punhado de letras sem sentido e uma menção explícita ao domínio (ghacksnet). Ao remover o parâmetro, o link é alterado; em vez de cair em um post específico, ele leva à capa do site GHacks.

É mais um sinal da obsessão da Meta em rastrear e monitorar tudo o que for possível a fim de coletar dados e devolver anúncios segmentados aos usuários. Via GHacks (em inglês).

Publicadores de blogs minimalistas

Uns meses atrás, mencionei um serviço curioso na newsletter, o lists.sh. É uma espécie de blog, mas que publica apenas listas, e que funciona via linha de comando — com apenas dois deles, ssh e scp.

Faz alguns dias, o coletivo por trás do lists.sh lançou um serviço similar, o prose.sh. A proposta é a mesma, o que os diferencia é que o novo comporta posts completos escritos em Markdown. É isso, um sistema de blogs criado e gerenciado via SSH. Genial e, acho eu, um bocado elegante.

Existe uma sadia competição entre sistemas de publicação minimalistas. Acompanho-a com legítimo interesse, às vezes manifestado neste espaço.

Puxando da memória, acho que o único sistema que rivaliza o prose.sh nesse aspecto é o Shinobi, um script em Bash que gera sites baseados em arquivos *.txt. Após superar alguns entraves, como lidar com links e limitar o tamanho da coluna de texto, ele está mais apto a ser usado por aí.

O Shinobi é tão minimalista que nem seu criador aguentou usá-lo. Ele criou outro sistema, o pblog, que mantém a simplicidade de uso (é outro script em Bash), mas que gera arquivos no bom e velho HTML.

O Manual roda em WordPress; meu blog pessoal, no Jekyll. Fico tentado a experimentar esses sistemas (no blog pessoal; aqui as necessidades são muito maiores do que eles comportam), mas… né, é provável que seja fogo de palha.