Um abrigo para os textões
A tendência do progresso (entenda-o como quiser) é facilitar, democratizar as coisas. Nem sempre esse caminho é percorrido da melhor maneira, porém.
A tendência do progresso (entenda-o como quiser) é facilitar, democratizar as coisas. Nem sempre esse caminho é percorrido da melhor maneira, porém.
A partir desta terça (14), a Proteção Total de Cookies do Firefox passa a vir ativada por padrão no mundo inteiro. O recurso, lançado de maneira limitada no Firefox 86, em fevereiro de 2021, confina cookies de terceiros ao domínio/site que o carregou, impedindo que esses dados sejam cruzados para rastrear o usuário em suas andanças pela web.
Com a Proteção Total de Cookies, diz a Mozilla, “as pessoas podem se beneficiar de mais privacidade e ter as ótimas experiências de navegação que elas esperam”. Via Mozilla (em inglês).
Eu adoro o meme do iPhone de botão. Ele brinca com a ideia de que os modelos de iPhone com o design antigo, com o botão Home/Touch ID, seriam hoje sinal de pobreza — o oposto do que o iPhone, bem ou mal, ainda representa para muita gente.
Adoro o botão e irei defendê-lo, mas sempre esboço um sorriso (com respeito) quando topo com uma piada de iPhone de botão por aí. Via Terra, Núcleo.
O WordPress 6.0 “Arturo”, ambiciosa atualização do CMS que move 42% da web, foi lançada oficialmente. Sem surpresa, o foco dos desenvolvedores continua nos blocos. Esta versão expande os blocos para a edição completa do site, aproximando o WordPress de soluções como Squarespace e Wix.
Para quem segue ignorando os blocos, ainda assim é uma atualização é importante: há muitas melhorias em desempenho, mais de 50 ajustes em acessibilidade e centenas de correções.
Por que alguém ignoraria os blocos? Entre outros motivos, porque a experiência para quem escreve, ou seja, para blogs e publicações como o Manual do Usuário, é melhor com o editor clássico. Vide, por exemplo, este destaque da versão 6.0: seleção parcial de múltiplos parágrafos, algo básico em qualquer editor de texto, coisa que o Bloco de notas faz desde 1900 e bolinha:
Veja todas as novidades no link ao lado. Via WordPress (em inglês).
O Ghost 5.0 foi lançado nesta segunda (23). Trata-se de um publicador para a web (CMS) focado em sites profissionais.
As novidades da nova versão são aperfeiçoamentos, na realidade: planos pagos personalizáveis, múltiplas newsletters, ofertas especiais, segmentação detalhada da audiência e analytics expandido.
O Manual do Usuário usa WordPress, que nos últimos anos tem expandido sua área de abrangência e deixado meio de lado os usuários interessados no formato blog/texto.
A proposta do Ghost, que segue independente, sem investidores externos e abrindo todo o seu código, é atraente e parece que está funcionando: a receita gerada por gente usando o Ghost quase quintuplicou em 2021. Via Ghost (em inglês).
O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos (em inglês), por Tom Simonite na Wired:
A Jasper também pode gerar conteúdo ideal para anúncios no Facebook, e-mails de marketing e descrições de produtos. Ela faz parte de um grupo de startups que adaptaram uma tecnologia de geração de texto conhecida como GPT-3, da empresa de inteligência artificial OpenAI, para satisfazer uma das demandas mais antigas da internet — criar texto de marketing que gere cliques e apareça na primeira página do Google.
A criação de textos de marketing provou-se um dos primeiros casos de uso em larga escala da tecnologia de geração de textos, que deu um salto em 2020 quando a OpenAI anunciou a versão comercial do GPT-3. Só a Jasper afirma ter mais de 55 mil assinantes pagantes, e a OpenAI diz que um concorrente tem mais de 1 milhão de usuários. A Wired contou 14 empresas que oferecem abertamente ferramentas de marketing que podem gerar conteúdos como posts em blogs, manchetes e comunicados de imprensa usando a tecnologia da OpenAI. Seus usuários falam da escrita potencializada pelo algoritmo como se ela fosse se tornar tão ubíqua quanto a verificação ortográfica automática.
“Sou um péssimo escritor e isso facilita muito criar conteúdos relevantes para o Google”, diz Chris Chen, fundador da Instapainting, que usa uma rede de artistas para transformar fotografias em pinturas de baixo custo.
Imagine a situação: você topa com um e-book ou qualquer outro material digital que desperta seu interesse, mas para baixá-lo é preciso fornecer seu e-mail. O que fazer?
Parece que todo mundo resolveu virar as costas ao AMP, o cavalo de Troia do Google para dominar a web. Brave e DuckDuckGo anunciaram que vão bloquear páginas AMP e redirecionar os usuários às versões convencionais dos sites que ainda usam a tecnologia.
É uma boa medida, ainda que tardia. O próprio Google meio que desistiu do AMP no final de 2020, quando o formato deixou de ser condição para um site ter destaque nos resultados do buscador. Desde então, várias grandes publicações abandonaram o barco.
Para quem usa Firefox ou Safari, existem extensões para ignorar as páginas AMP — Redirect AMP to HTML (gratuito) para o Firefox, e Amplosion (R$ 16,90) e Overamped (R$ 10,90) para o Safari. Se você usa Chrome, deveria considerar outro navegador. Via WP Tavern (em inglês).
O fundador e CEO do DuckDuckGo, Gabriel Weinberg, foi ao Twitter desmentir relatos — repercutidos neste Manual — de que o buscador estaria suprimindo sites de pirataria e do youtube-dl do seu índice.
Segundo Gabriel, “nosso operador site: (que quase ninguém usa) está com problemas, e estamos cuidando disso”.
O operador site: restringe os resultados da pesquisa a um domínio. Se você pesquisar por site:manualdousuario.net duckduckgo, por exemplo, verá apenas resultados relacionados ao termo “duckduckgo” no site manualdousuario.net.
No momento, a busca acima não retorna resultados, sinal de que o operador está mesmo quebrado. Via @yegg/Twitter (em inglês).
Atualização (17/4, às 9h15): O CEO do DuckDuckGo foi ao Twitter explicar o problema. Veja o que ele disse.
Ainda não se sabe o motivo, mas o DuckDuckGo removeu do seu índice diversos sites de pirataria e o site oficial do youtube-dl, um popular aplicativo de linha de comando para baixar conteúdo do YouTube.
O TorrentFreak, que deu a notícia em primeira mão, cogita que tais remoções possam estar relacionadas a direitos autorais — mesmo no caso do youtube-dl, que não é, em essência, uma ferramenta destinada à pirataria. Eles tentaram contato com o DuckDuckGo, mas não tiveram resposta até o momento.
Tal prática é comum em buscadores, mas costuma ser motivada. O Google, por exemplo, remove sites de seu índice a pedido da Justiça e, quase sempre, de modo regionalizado. As remoções do DuckDuckGo afetam o mundo todo e não foram justificadas até o momento. Via TorrentFreak (em inglês).
Criar o meta blog do Manual, no início de 2022, foi um grande acerto. Criá-lo no Tumblr, não.
A Automattic, dona do WordPress.com, entrou em modo de contenção de danos e promoveu alterações no novo plano gratuito, um dos dois remanescentes da nova estrutura simplificada de planos do serviço:
Um post/anúncio da nova estrutura de planos foi publicado só nesta terça (5), depois da péssima repercussão da notícia nos últimos dias.
A Automattic manteve, porém, um único plano pago (“WordPress Pro”), de R$ 75/mês, e que só pode ser pago anualmente, o que se traduz numa fatura de R$ 900. Via WordPress.com (em inglês).
O WordPress.com da Automattic, braço comercial do WordPress, CMS de código aberto muito popular (e que faz funcionar este Manual do Usuário), simplificou a estrutura de planos pagos e deixou muita gente emparedada, como Anders Norén, que chamou a atenção para o problema em seu blog.
Antes, o WordPress.com oferecia cinco planos com preços e recursos variados. Agora, numa mudança abrupta e não comunicada previamente, tem apenas dois, o gratuito e o WordPress Pro (pago).
Problema: o preço do plano Pro é maior que o dos planos mais básicos, e o gratuito sofreu cortes significativos:
No Brasil, o plano Pro custa R$ 75 por mês e, o que é pior, é pago anualmente, o que significa que alguém interessado nos recursos precisa desembolsar R$ 900 de uma vez só. Pior ainda:
Dave Martin, CEO do WordPress.com, desculpou-se no Hacker News pelo que chamou de “péssimo trabalho” ao comunicar as mudanças.
Dave prometeu que usuários em planos não antigos não serão afetados pela mudança; que a Automattic tem por hábito ajustar preços por país, para que os valores sejam acessíveis dependendo do local; e que em breve o serviço terá “add-ons” pagos para recursos específicos, como mais espaço ou mais tráfego.
Mesmo com as promessas, fica um gostinho de retrocesso. Via Root Privilegies, Hacker News (ambos em inglês).
Por muito tempo, usuários do WhatsApp Web reclamaram da obrigatoriedade de se manter o celular ligado e conectado para conversarem pelo computador. No final de 2021, o WhatsApp liberou uma atualização que dispensava o celular, mas que gerou outros tipos de problemas — piores que o antigo.
O problema é que a mágica ainda está meio capenga. A Naná DeLuca reuniu algumas reclamações típicas do novo WhatsApp Web na Folha de S.Paulo, como a demora para carregar as mensagens ao abri-lo, as mensagens que demoram a aparecer ou nem aparecem e recursos que parecem não funcionar bem, como a prévia de links.
Em nota ao jornal paulista, o WhatsApp disse que está “trabalhando em melhorias para tornar a experiência mais rápida e confiável nesses aparelhos.”
Cuidado com o que desejas… Via Folha de S. Paulo.
No final de fevereiro, o Outline.com, site que burla paywalls, saiu do ar. Desde então, tentativas de acesso dão erro, “servidor não encontrado”.
Não que faltem alternativas (aqui tem várias; leia os comentários também), mas o Outline.com era bastante popular e o sumiço do serviço, estranho.