Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

3 maneiras de burlar paywalls de sites de jornais

Indiquei na newsletter de sábado uma boa matéria com dicas de conservação para reutilizar máscaras PFF2. Alguns leitores reclamaram que não conseguiram ler porque bateram no paywall do jornal O Globo. Ops! E aí teve o caso bizarro da Folha de S.Paulo, que deu um serviço de como doar para ajudar as vítimas das enchentes em Petrópolis (RJ), mas escondeu o texto atrás de um paywall. Oi?

Print de uma notícia da Folha, “Saiba como ajudar as vítimas da chuva em Petrópolis (RJ)”, sobreposta por um paywall convidando o leitor a assinar o jornal para poder lê-la.
Imagem: @sindinfluencer/Twitter.

Um paywall poroso, ou seja, daquele tipo que te deixa ler algumas notícias, costuma ser ativado por um código JavaScript, uma linguagem de programação que é executada localmente, pelo seu navegador no seu computador. Para burlá-lo, pois, basta neutralizar esse código antes dele ser executado.

Não vou entrar no debate ético aqui — afinal, esta é uma newsletter de dicas, prática e rápida. Se burlar paywalls porosos lhe parece errado e quiser debater o assunto, acesse o post desta dica e argumente nos comentários. (Em tempo: eu burlo paywall até dos jornais que assino/pago.)

Existem três formas de se fazer isso. Elas estão listadas por nível de dificuldade, da mais fácil à mais complexa.

1. Instale a extensão Burlesco

Criada por dois estudantes de ciência da computação, o Burlesco (Chrome, Firefox) é uma extensão que neutraliza os paywalls dos principais jornais brasileiros. Zero trabalho: basta instalá-la e pronto, o acesso é liberado. Digo, o processo de instalação é meio complexo porque a extensão foi chutada para fora das lojas oficiais (você deve imaginar o motivo…), mas não é tão complexo.

Para saber mais do Buslesco, leia esta reportagem do Manual publicada em setembro de 2020.

2. Desative o JavaScript (ou use o modo leitura)

Lembra que o JavaScript é uma linguagem executada (a princípio) no navegador, no seu computador/celular? Os navegadores permitem desativá-lo, e isso neutraliza o funcionamento dos paywalls porosos.

No Safari, por exemplo, basta entrar nas opções (Command + , (vírgula)), ir à aba Segurança e desmarcar a opção Ativar JavaScript.

O Firefox, curiosamente, tirou essa opção das configurações. Hoje, para desativar a execução de JavaScript nele, é preciso acessar o about:config, procurar a entrada javascript.enabled (use a pesquisa) e alterar seu valor para false.

Tenha em mente, porém, que ao fazer isso outros recursos da maioria dos sites podem quebrar — alguns sequer abrem sem JavaScript. A extensão NoScript (somente para Firefox) permite fazer uma configuração granular, ou seja, escolher quais sites podem executar códigos em JavaScript e quais não podem. Funciona muito bem, mas é um bocado trabalhoso.

Uma alternativa mais simples e direta é ativar o modo leitura na página do conteúdo que deseja ler clicando no ícone de uma folha, dentro ou perto da barra de endereços do navegador. (Esse recurso existe no Firefox, no Safari e provavelmente em todos os navegadores mais populares com exceção do Chrome.) O modo leitura filtra apenas o conteúdo da página e o exibe em uma formatação limpa e legível — sem JavaScript, logo, sem paywall poroso.

3. Bloquear scripts específicos

Usando extensões que bloqueiam conteúdo, como a uBlock Origin (Chrome, Firefox) ou 1Blocker (Safari), é possível bloquear o carregamento do JavaScript responsável por disparar o paywall.

É um tanto trabalhoso, porque um site pode ter dezenas de scripts rodando em paralelo e nem sempre eles têm nomes óbvios ou desempenham apenas uma função. Por outro lado, esse método dá ao usuário controle total da experiência — além dos scripts de paywall, dá para remover elementos da interface, anúncios e outras coisas indesejadas.

No caso d’O Globo, por exemplo, na data da publicação desta dica o JavaScript responsável pelo paywall está localizado no endereço https://static.infoglobo.com.br/paywall/js/tiny.js. Basta bloqueá-lo para que os conteúdos escondidos atrás do paywall, como aquele das orientações para o uso de máscaras PFF2, sejam exibidos em toda a sua glória no seu computador ou celular.

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39 comentários

    1. Achei… estranho? Esse novo Outline (que não dá para saber se tem ligação com o antigo, desativado) tem uma parte sobre divisão de receitas com sites. A gente já viu esse filme (Pocket, Brave) e não deu certo. No mínimo, soa como a um sequestro da receita potencial dos sites de notícias ou de parceria forçada — muitas vezes, os sites de notícias nem sabem que o serviço existe ou não querem estabelecer relações comerciais com ele.

  1. Rodrigo, o site outline.com ate ontem fazia este servico. Dava para contornar os paywalls de varios sites. Contudo, o site outline.com parece que foi desativado

  2. Eu pago há vários anos uma assinatura do Estadão… me parece ÉTICO, mas no Brasil, sou considerado trouxa por isso.

    1. Pagar pelo entulho do Estadão, que ja recebe pela publicidade que impõe aos leitores (inclusive assinantes) e ser trouxa no Brasil e mais 174 países!

  3. Outra possibilidade, para quem já tem o uBlock Origin:
    Quando você clica naquele botão do escudo do navegador, lá na barra de extensões. Embaixo do nome do site tem um botão específico, no canto direito, que só desabilita o javascript. Assim, com dois cliques já resolve o problema.
    Funciona também no celular, mas tem alguns cliques a mais para chegar nesse botão.

  4. Tentem um bot do Telegram chamado Article Reader ( https://telegram.me/chotamreaderbot ) É só colar o link na caixa de mensagem e dar enter. Uma página Instant Read com o artigo é disponibilizada na msg seguinte. Se quiser, você pode ler no próprio Telegram. Tem mais uma coisa, no título do artigo é criado um link que abre o artigo no navegador, qualquer um com o link pode abrir e ler. Funciona no paywall da Folha e NY Times, pelo menos até esse instante.

  5. Para ler artigos do New York Times, o Outline não funciona e o modo leitor do Firefox também não. Alguém já conseguiu uma solução?

    1. Pelo que li uma vez – no próprio “ajuda” do Outline explica” -, existem paywalls que são “dentro” do servidor, não sendo porosos. O do NYT deve ser deste tipo.

    2. Atrasado, mas acho que vale ainda.

      Descobri que o Outline na época usava um filtro de endereço para evitar pegar notícias do NYT.

      Usar uma URL encurtada, tipo pelo bit.ly ou digitar “shorten [o link que você quer]” no Duckduckgo, passava por esse filtro facilmente.

      Btw, se alguém ainda gosta de usar o Outline, mas tá sofrendo com o fato de ter aparentemente saído do ar, o app Outliner (https://play.google.com/store/apps/details?id=mobi.largemind.outliner) ainda funciona pra maioria das soft paywalls.

  6. uso modo leitura no Edge (Windows) ou Chrome (Android).
    Mas tb pressiono o ESC no Windows antes da pagina carregar completamente.
    E para quem usa Telegram, tem o bot pra transformar qualquer link em “modo leitura”: @chotamreaderbot

  7. Achei que fosse mencionar a dica mais famosa: o Outline, que tem site e extensão para os navegadores. Outra dica que uso é assinar o feed. Alguns portais famosos de notícias entregam o conteúdo completo no feed, mesmo de conteúdo pago, como é o caso de Veja, IstoÉ e blogs de O Globo, como o Lauro Jardim, por exemplo.

    1. Pois é, senti a falta do Outline. Tinha a impressão que esse era o mais famoso, e também o mais prático – melhor do que instalar extensões de modo inseguro ou mexer nas configurações do navegador, que podem afetar outros sites. Basta copiar o link e colar lá no Outline, pronto.

      1. Acho que mais prático mesmo é o modo leitura do navegador (caso ele tenha essa opção). Na verdade, o Outline é exatamente um modo leitura, né, só que rodando online.

  8. Comentei no grupo do Telegram, mas tem o bypass-paywall-clean para o Chrome e o Firefox.

    https://gitlab.com/magnolia1234/bypass-paywalls-chrome-clean – versão pro Chrome (imagino que funcione para outros browsers baseados no Chromium)

    https://gitlab.com/magnolia1234/bypass-paywalls-firefox-clean – versão pro Firefox

    Na minha experiência é muito melhor que o burlesco para os principais jornais brasileiros – Folha, Estadão, Valor Econômico, O Globo. Não há suporte para sites como a Gaúcha ZH ou o Nexo, mas acho que é mais por falta de interesse da comunidade e dos devs. Quando eu tentei usar o burlesco nesses dois sites, ele não funcionou. Gosto do Nexo, então paguei. Mas não consigo justificar gastar na GaúchaZH por não ser da região.

    1. Instalei o Bypass Paywalls Clean e percebi que os vídeos do G1 pararam de funcionar. Desativei a extensão pra ter certeza e os vídeos voltaram.
      Por enquanto, estou gostando mais do Burlesco,

      1. Estranho. Eu tenho esse problema, é verdade, mas tem um slider pra desativar por domínio. O uBlock origin também bloqueia coisas do GloboPlay, então tenho que desativar nos domínios da Globo.

      1. Esses conteúdos de terceiros sempre passam pelos olhos de um editor. Qualquer coisa que saia no site da Folha, mesmo que não seja de autoria de alguém de lá, é de responsabilidade da Folha.

  9. Pra quem usa o ublock Origin, basta colocar *paywall* como se fosse um filtro novo, na aba “Meus filtros”.

    1. Muito bom, acabei de adaptar um bot pro Telegram pro 12ft quando vier respostas negativas ou inválidas do Outline. ;)

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