WWDC 26: Melhorias no Liquid Glass e recursos de IA que não me interessam

A abertura da WWDC 26 (vídeo), evento anual da Apple para desenvolvedores e palco de apresentação das atualizações dos sistemas operacionais da casa, foi a mais curta em muito tempo. Teve apenas 1h19min.

Achei isso ótimo. Do que vi, pouca coisa me chamou a atenção. O que também é ótimo. Assisti ao comercialzão da Apple com um sentimento oposto ao das duas edições anteriores.

Ao contrário do que faz todo ano, desta vez não vimos blocos dedicados a cada sistema (iOS, macOS, watchOS etc.). A divisão do exíguo tempo foi feita da seguinte maneira:

  • Melhorias na plataforma.
  • Confiança e segurança (“trust and safety”).
  • Apple Intelligence (IA) e Siri.

Todas as novidades dos sistemas da safra 27, mostradas na apresentação de abertura, foram concentradas no bloco “Melhorias e plataformas”, que ocupou menos de 20% do tempo total.

Quais melhorias? Em geral, refinamentos em legibilidade e nas regressões do Liquid Glass e mais velocidade em várias atividades corriqueiras. Música para os meus ouvidos. Pode fazer assim todo ano, Apple, que ficarei satisfeito.

O macOS, que sofreu com a implementação do Liquid Glass mais mal ajambrada, não por acaso foi usado como principal exemplo para as melhorias na interface gráfica. Todos os sistemas, porém, se beneficiarão de demarcações mais óbvias dos elementos em tela, menos refrações e maior legibilidade. Só vi vantagens nessa parte, tanto que considero o “tone down” no Liquid Glass motivo suficiente para atualizar os dispositivos assim que as atualizações forem liberadas. (Já dá para instalar o beta, mas desaconselho fazê-lo.)

O menor tempo no vídeo ocultou diversas melhorias e alterações menores que sites especializados estão garimpando.

As duas outras áreas cobertas na apresentação são menos empolgantes.

Em “Confiança e segurança”, a Apple gastou uns bons 20 minutos falando dos controles parentais do iOS. Em outras WWDC, esse assunto mereceria dois minutos, no máximo. Especula-se que foi um aceno da empresa a reguladores de diversos países, que vêm apertando o cerco contra plataformas permissivas com usos inconsequentes de sistemas digitais por menores de idade.

Para quem tem filhos — feita a ressalva de que ferramentas do tipo despejam a responsabilidade pela segurança digital nos pais —, as novidades pareceram boas, desde que funcione como o prometido. O que é um grande “se”, dadas as muitas reclamações de falhas recorrentes nos controles parentais já existentes da Apple.

Metade da apresentação foi gasta com a Apple Intelligence e a nova Siri AI, uma reciclagem pesada de promessas feitas há dois anos e até agora não realizadas.

A Siri passará a usar modelos de linguagem (LLM) do Google (Gemini) e será capaz de executar tarefas complexas, e fará tudo com privacidade, impedindo que a Apple e terceiros tenham acesso às conversas e interações com a IA.

Grande, se verdadeiro. É? Só saberemos no final do ano — em beta e apenas se o seu sistema estiver em inglês.

As promessas não cumpridas da WWDC 24 renderam várias dores de cabeça à Apple. A empresa foi processada por propaganda enganosa quando, meses depois, vendeu o iPhone 16 como “pronto para a Apple Intelligence”. Esse fantasma ainda pode voltar para assombrar a empresa, visto que alguns recursos, como o LLM mais poderoso que roda no próprio dispositivo, só funcionarão nos iPhones 17 e 17 Pro, que têm 12 GB de RAM. Esta linha de corte também é alta em outras categorias, como o iPad (M4 ou posterior e +12 GB de RAM), Macs (M3 ou posterior e +12 GB de RAM) e até o Vision Pro (apenas a versão com chip M5).

Falando em compatibilidade, todos os iPhones que rodam o iOS 26 serão elegíveis para o iOS 27. No Mac, a história é outra: o macOS 27 será o primeiro que não funciona em computadores com chips Intel. O watchOS 27, do Apple Watch, também subiu a linha de corte: os Apple Watch anteriores ao Series 9, SE 3 e Ultra 2 não poderão ser atualizados.

Apesar da profusão de recursos e promessas grandiosas para a Apple Intelligence, sigo convicto de que nada ali é realmente essencial ou mesmo útil. Enquanto a Apple permitir ignorar o uso de IA em seus sistemas, fico até contente com essa corrida suicida da inteligência artificial diante do prognóstico de ter mais recursos de hardware destinados à IA, como RAM, disponíveis para outras coisas quando chegar a hora de trocar o celular e o notebook.

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3 comentários

  1. Tenho utilizado as versões 27 do macOS e iOS, as melhorias de interface e desempenho são notáveis. A bateria do meu MacBook M1 voltou a durar cerca de 8h (antes da atualização, durava cerca de 4 ou 5h) e a resolução das regressões apresentadas pelo Liquid Glass tornaram a interface mais palatável.

    Particularmente, tenho gostado das novidades, com exceção da Siri AI, da qual não tenho interesse nenhum. Enquanto for possível ignorar, ótimo.

  2. Eu sei que não é o caso de muita gente, mas eu adorei as novidades em relação a confiança e segurança (basicamente focada em crianças/adolescentes). Poderia ter tomado menos tempo na apresentação, mas ainda assim, eu gostei demais!

    Sou pai de duas meninas e posso afirmar que a solução de controle parental da Apple nos sistemas 26 deixa muito a desejar. Além de serem muito confusas, as falhas são muito recorrentes, como você comentou.

    Nos sistemas 27, esse controle aparentemente ficou muito mais fácil e simples de configurar, levando em consideração cenários que hoje são completamente ignorados. Torcendo aqui para que realmente seja tudo isso que mostraram!

  3. Continuo detestando o Liquid Glass, chamo o MacOS 26 de MacOS Brega. Mesmo com esses ajustes, o MacOS 27 é o MacOS Brega – Siri Edition.