O Canva é um queridinho de quem precisa fazer artes gráficas rapidamente e não quer ou não consegue lidar com ferramentas mais complexas, como o Photoshop. Recentemente, descobri o Polotno Studio, que pode ser descrito como um Canva mais descomplicado, já que dispensa logins, contas e outras burocracias.

O Polotno é gratuito e não exibe anúncios. Parece uma oferta boa demais, certo? Sim, mas há uma explicação, dada pelo seu criador, Anton Lavrenov, no Product Hunt. Ele desenvolve e comercializa um SDK do Polotno, um código que permite a outros desenvolvedores e empresas criarem soluções parecidas com o Canva. Assim, o Polotno Studio “é uma demonstração sofisticada do que se pode fazer com o Polotno SDK,” diz Anton.

O volume de posts em redes sociais questionando a lisura das eleições presidenciais norte-americanas caiu 73% na semana seguinte à do banimento de Donald Trump e alguns dos seus aliados-chave do Twitter. O levantamento é da Zignal Labs. Via Washington Post (em inglês).

A Block Party é uma startup que cria soluções para combater assédio e ondas de ataques na internet. O primeiro produto deles é um filtro para o Twitter. Depois de ativado e configurado, ele pesca todas as respostas que se encaixem nos filtros e as coloca em uma tela de triagem, onde o usuário pode bloquear o perfil que as enviou, mantê-lo mudo ou, caso tenha sido um falso-negativo, liberá-lo. Um toque legal é que essa triagem pode ser compartilhada com um terceiro (amigo, cônjuge, assistente).

A startup foi criada por Tracy Chou, uma mulher, ela própria vítima de ondas de ataque no Twitter. “Alguns fundadores dizer ser apaixonados por aquilo em que eles trabalham. Para mim, uma palavra melhor talvez seja desespero,” diz ela. “Abusos online viraram minha vida de ponta cabeça tantas vezes e mudou completamente a maneira que eu vivo. Apesar do seu terrível alcance, parece que ninguém está realmente tentando resolver esse problema.”

O acesso depende de uma lista de espera que é processada manualmente ou pode ser comprado por US$ 8. A dificuldade, diz a Block Party, é uma medida anti-troll. Outra saída é receber um convite de alguém que já esteja usando o serviço.

Banimento em massa de Trump suscita perguntas difíceis

Primeiro foi o Twitter, com um gancho de 12 horas à conta @realDonaldTrump. Nos dias seguintes, mais de uma dezena de plataformas digitais se juntaram ao banimento, temporário ou permanente, do presidente norte-americano Donald Trump. Motivadas por uma tentativa de golpe liderada por ele que culminou em uma invasão ao Capitólio, em Washington, e cinco mortes, as empresas do setor finalmente agiram. Antes tarde que mais tarde, mas como demoraram.

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A Bolsa de Nova York abriu nesta segunda (11) com as ações Twitter desvalorizadas em ~7% devido ao banimento de Donald Trump da plataforma. (Neste momento, a queda foi amenizada e o papel é negociado a -4,2% em relação a sexta.) O mercado entendeu o movimento como uma decisão eleitoral, o que pode atrair mais regulação à empresa. Não foi à toa que o Twitter anunciou o banimento numa noite de sexta-feira, dia e horário preferido das empresas de capital aberto para dar más notícias ao mercado. Via Reuters (em inglês).

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

Finalmente sabemos qual o gatilho que faz as redes sociais das big techs norte-americanas — Twitter, Facebook, Google — agirem sobre perfis de governantes autoritários: liderar uma tentativa de golpe de Estado em casa. Via G1.

No anúncio da retomada da verificação de perfis, o Twitter disse também que pretende identificar robôs, ou bots, perfis que postam automaticamente. Desde o ano passado, também segundo o anúncio, desenvolvedores têm que identificar contas do tipo; em 2021, o Twitter explorará “um novo tipo de conta opcional que tornará mais fácil para os donos desses perfis divulgarem essas informações.” Aparentemente, a identificação não será compulsória, mas dependerá da boa vontade dos criadores dos robôs, o que deve limitar a identificação àqueles criados de boa-fé. O ideal, como sugerido aqui há dois anos, seria uma identificação automática baseada em padrões de uso e postagem. Via Twitter.

Se todas as Big Tech tivessem o histórico desastroso de aquisições do Twitter, não estariam hoje tão enroladas com os órgãos antitruste. Nesta terça (15), o Twitter anunciou que encerrará o Periscope em março de 2021, app para transmissões em vídeo ao vivo que comprou em 2015 e deixou à míngua desde então, no mesmo período em que outros contemporâneos, como o Twitch, deslancharam. O Twitter já havia falhado com outra aquisição promissora, o Vine, que era basicamente o que o TikTok é hoje. Via Periscope (em inglês).

O Facebook avisará os usuários, via notificações, de posts equivocados a respeito da COVID-19 que eles tenham curtido, comentado ou compartilhado. No texto da notificação, lê-se: “Removemos um post que você curtiu com informações falsas e potencialmente danosas a respeito da COVID-19.” Ao tocar nela, o usuário é levado a uma tela que aponta onde o post foi publicado (um grupo ou página, por exemplo) e dá a opção de deixar de seguir a fonte da desinformação. Para não constranger os usuários, o Facebook não recupera detalhes do post falso, nem explica o que havia de errado com ele. Medida tardia e incompleta, para variar. Via FastCompany (em inglês).

O perfil brasileiro Sleeping Giants revelou sua identidade. É um casal de Ponta Grossa (PR), Leonardo de Carvalho Leal e Mayara Stelle, ele ex-motorista de Uber, ela vendedora de maquiagem — ambos com 22 anos, afetados pela pandemia e recebendo o auxílio emergencial. Já sabíamos que eram estudantes de direito, mas não que eram um casal.

Teorias mil se seguiram à revelação, feita com exclusividade pela Mônica Bergamo. Perfis bolsonaristas alegam que o casal é um “laranja”, como se fosse necessário uma mega-operação para ficar no Twitter citando perfis de marcas que aparecem em anúncios. Um disse que a revelação seria falsa porque “não existe motorista de Uber de esquerda.” Sintomático que perfis afeitos a notícias falsas tenham dificuldade em aceitar verdades singelas — ou no mínimo, para manter algum ceticismo, informações verossímeis.

De volta ao mundo são, ainda não entendo as razões para terem decidido revelar a identidade. Leonardo disse, na entrevista, que “a gente acredita que é o momento de mostrar o rosto para nossos seguidores, antes que um site de fake news descubra quem a gente é.” Eles se mudaram para São Paulo para proteger os familiares; essa confiança no distanciamento geográfico não resolve muita coisa com a internet. Pode parecer paradoxal, mas o anonimato fortalecia o projeto, e não o contrário. Nos Estados Unidos, Matt Rivitz, o criador do Sleeping Giants original, teve a sua identidade revelada por um site de extrema direita.

O Spotify está testando stories em algumas das suas playlists especiais, como a de Natal. Ainda tem app sem stories? Via Engadget (em inglês).

Quem cobre plataformas de redes sociais precisa estar muito atento a dois fatores: celeridade e mesmice. Há poucos dias, o escritor Chris Stokel-Walker publicou uma coluna no Business Insider reclamando do fato de que todos os apps de redes sociais estavam copiando recursos uns dos outros. Caso em tela: os “fleets” do Twitter, ou sua versão dos famigerados stories.

No texto, Chris exalta o Snapchat que, apesar de uma ou outra escorregada, seguia apegado às suas virtudes e peculiaridades. Nesta segunda (23), quatro dias depois da coluna ir ao ar, o Snapchat ganhou o “Holofote”, que é… uma cópia do TikTok. Via Snapchat.

A vida sem Instagram

No dia 18 de novembro de 2018, pouco depois do meio-dia, excluí o meu perfil no Instagram (veja como fazer). Já vinha ensaiando havia semanas, sem o app no celular nem acesso via web, pelo computador. Achei que fosse sentir falta, mas aí não senti.

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Manual prático para retomar sua atenção do calabouço das redes sociais

por Guilherme Felitti

Tudo bem? Como tá? O ano tá pesado, né? Todo jornalista interessado/a sofre com um problema: o excesso no consumo de informações. O Twitter é uma desgraça por pegar exatamente nesse ponto fraco: o fluxo infinito de notícias cria aquela sensação de que ficar fora por 10 minutos é o suficiente para que uma notícia de enorme importância tenha passado reto no seu radar. É aquele papo de FOMO1 do qual você já ouviu falar incontáveis vezes, aqui no Tecnocracia inclusive.

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