Somente canais de parceiros do YouTube, canais com uma quantidade mínima de inscritos e horas visualizadas e que sinalizam interesse no programa, veiculavam anúncios na plataforma de vídeos do YouTube. Isso mudou. Uma atualização dos termos de serviço publicada nesta quarta (18) informa que, aos poucos, o YouTube passará a inserir anúncios mesmo em canais que não são monetizados — e sem dividir a receita gerada por eles com seus proprietários.
O YouTube diz que esta medida “é parte dos nossos investimentos contínuos em novas soluções que ajudem os anunciantes a alcançar, com responsabilidade, a escala total do YouTube para se conectarem com suas audiências e aumentarem seus negócios”.
Na semana em que o Twitter agiu e rotulou o tuíte de um político brasileiro — uma política, no caso —, números das eleições norte-americanas ajudam a dar a dimensão do desafio que temos pela frente.
O BuzzFeed News conseguiu dados de um relatório interno do Facebook sobre as postagens rotuladas de Donald Trump se autodeclarado vencedor da eleição presidencial. Os rótulos ajudaram a reduzir os compartilhamentos em 8%, mas a redução não se refletiu em menor alcance/engajamento. “Entretanto, dado que Trump tem muitos compartilhamentos em qualquer post, a diminuição não altera os compartilhamentos em ordens de magnitude”, disse um cientista de dados da empresa. Ele emenda que o objetivo dos rótulos não é diminuir o espalhamento de desinformação, mas sim “oferecer informações factuais no contexto do post”.
Dias antes, o Twitter fez o mesmo exercício, só que publicamente. Foram 300 mil tuítes rotulados entre 27 de outubro e 11 de novembro, ou 0,2% do total de tuítes relacionados às eleições. Do total de visualizações desses tuítes, 74% ocorreram após a aplicação dos rótulos, e houve uma redução de 29% nos retuítes comentados.
Note-se que o Twitter aplica restrições ao alcance de alguns tuítes rotulados, desativando o retuíte direto e as curtidas — apenas o retuíte comentado fica disponível. O Facebook não age nesse sentido.
Ao comentar o chocante desfecho do caso Mariana Ferrer, o do “estupro culposo”, o colunista Rodrigo Constantino disse que, se fosse sua filha no lugar da vítima, daria um esporro nela e não denunciaria os abusadores porque ela teria bebido antes de sofrer a violência que sofreu. (Se tiver estômago, assista ao vídeo.) A fala nojenta dele pegou mal e — finalmente —, após anos dizendo e escrevendo barbaridades desse nível, custou-lhe algumas das posições que tinha na imprensa.
Após anos sem mudar, o Facebook mexeu na interface do Instagram para acomodar duas novas abas, a das lojas e a do Reels (uma cópia do TikTok). Lembra quando o app do Instagram era uma inofensiva janela para fotos legais que amigos e conhecidos tiravam? Bons tempos. Via Instagram.
Em 2016, Mark Zuckerberg desdenhou da sugestão de que o Facebook teria contribuído com a surpreendente eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Esta seria “uma ideia muito doida”, afirmou em uma entrevista dois dias depois da votação. Por convicção ou pressão, em 2020 a postura do CEO e da empresa que ele comanda é diametralmente oposta.
Sem surpresa nem fundamento, Donald Trump já se declarou vencedor da eleição presidencial dos Estados Unidos. A autodeclaração de vitória não tem valor lá, mas pode causar tumulto, motivo pelo qual Facebook e Twitter rotularam e reduziram o alcance das mensagens de Trump. Mais um capítulo da série “não somos árbitros da verdade”. Via The Verge.
Em 1988, James Cameron era um diretor em franca ascensão em Hollywood, mas ainda tinha a ingrata obrigação de provar que seus filmes de ficção futuristas tinham apelo ao grande público a ponto de virarem sucessos comerciais. Cinco anos antes, em 1984, ele já tinha dirigido O exterminador do futuro que, você sabe bem, virou uma das maiores franquias dos anos 1980 e ocupa um espaço na cabeça de muita gente até hoje. Aquele primeiro filme não foi de cara o sucesso estrondoso que ele imaginava que seria. Os resultados bons, porém, lhe abriram algumas portas, como o convite da Fox para filmar Aliens, o Resgate, uma espécie de continuação do enorme sucesso criado e dirigido pelo Ridley Scott em 1979. O primeiro Alien continua sendo um dos grandes clássicos de terror futurista do cinema e Cameron soube aguentar bem a pressão para dirigir a continuação e entregou um filme que, se não ultrapassou o primeiro, foi muito bem recebido e envelheceu bem.
O contexto de redes sociais servindo como amplificadores para idiotas e gente doida não era a nossa intenção.
— Erich Schmidt, ex-CEO do Google
A declaração foi dada em uma conferência virtual do Wall Street Journal. Schmidt comandava o Google quando a empresa adquiriu o YouTube, em 2006. Na mesma fala, o ex-executivo disse que é preciso ter cuidado com a acusação de monopólio contra o Google, porque a empresa ainda não tem 100% do mercado (¿?). Via Bloomberg (em inglês, paywall).
A hashtag #ChoraElonMusk é um assunto do momento no Twitter brasileiro. Em julho, o bilionário sul-africano, fundador da Tesla e da SpaceX, disse no Twitter “Vamos [EUA] dar golpe em quem quisermos! Aceitem” em resposta a uma mensagem que acusava os Estados Unidos de terem derrubado o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, de olho nas grandes reservas de lítio do país. (Musk apagou o tuíte, mas o print é eterno.) Pesquisas de boca de urna indicam que Luis Arce, do MAS, partido de Morales, venceu a eleição presidencial deste domingo.
O Twitter mudou a sua política de conteúdo hackeado, usada como justificativa para bloquear o compartilhamento de uma matéria do New York Post sobre a família Biden, nos EUA:
Conteúdo hackeado só será removido se tiver sido compartilhado por quem hackeou ou alguém agindo em conluio com os hackers.
Em vez de bloquear o compartilhamento de links, rótulos serão adicionados aos links compartilhados para dar contexto.
Facebook e Twitter removeram links a uma reportagem do jornal New York Post que liga a família Biden, do candidato democrata à Presidência dos EUA, a negociações suspeitas com a Ucrânia. No Facebook, o bloqueio à URL veio antes que verificadores de fatos independentes avaliassem o material; já o Twitter se embasou em uma política sua que proíbe a veiculação de dados pessoais obtidos via hacking.
Sem entrar no mérito da reportagem, é uma situação que merece atenção. Aparentemente, Facebook e Twitter não cometeram qualquer ilegalidade à luz da legislação norte-americana (via The Verge), porém uma ação forte e abrupta do tipo coloca em xeque o argumento das redes de que elas não são árbitras da verdade. E dado o poder que têm no debate público, há quase um consenso de que se abriu um precedente perigoso.
No Twitter, que sequer deixa postar a URL em tuítes e DMs, o CEO Jack Dorsey disse que a comunicação da medida foi ruim e que o bloqueio da URL sem qualquer contexto é “inaceitável”. Via Reuters.
Na primeira onda de personagens da Marvel, lá na década de 1960, um dos favoritos do público que já consumia história em quadrinhos era um herói longe daquele ideal de Apolo que Superman e Capitão América carregam até hoje. O Coisa, do Quarteto Fantástico, exercia um certo fascínio por mostrar um sujeito que, transformado num amontoado de pedras à revelia, tinha que lidar com os lados bons — a força e a invulnerabilidade — e os nem tanto — basicamente você parece um muro com pernas.
Com isso na cabeça, Stan Lee e Jack Kirby, as mentes criativas da Marvel na época, se colocaram a pensar em um novo herói. De um lado, havia o racional. “Por um longo tempo eu percebi que as pessoas preferem alguém que não seja perfeito. É uma aposta segura que você lembra do Quasimodo, mas você consegue nomear personagens mais heróicos, bonitos e glamurosos de O Corcunda de Notre-Dame? E também tem o Frankenstein. Sempre tive um ponto fraco pelo monstro de Frankenstein. Ninguém vai me convencer que ele era o vilão. Ele nunca quis machucar ninguém. Ele simplesmente forçou seu caminho em uma segunda vida tentando se defender e neutralizar quem tentava destruí-lo. Decidi que também poderia pegar algo emprestado também do Dr. Jekyll e Mr. Hyde — nosso protagonista iria se transformar constantemente da sua identidade normal para seu alter ego super-humano”, segundo o Stan Lee.
Se você lê o Manual do Usuário há algum tempo, é possível que O dilema das redes, novo documentário de Jeff Orlowski lançado pela Netflix, não acrescente novidades ao assunto que aborda — a saber, os impactos negativos, nem sempre evidentes, das grandes empresas de tecnologia em nossas vidas, em especial as de redes sociais. Mesmo assim, vale a pena conferi-lo.
Quando eu entrei no jornalismo e, especificamente, no jornalismo de tecnologia, o clima que conduzia a área era de otimismo. Meu primeiro texto foi publicado em 2003, quando eu estava no terceiro ano de faculdade, o Google ainda era uma startup a se provar, Microsoft e GE se alternavam como maior empresa do mundo, a Nokia estava a quatro anos de lançar seu primeiro smartphone realmente popular, o N951, e Mark Zuckerberg era apenas um estudante de Harvard que fundaria o Facebook no ano seguinte2. O mundo ainda estava escalando a ladeira do “tecno-otimismo”, incentivado por algumas novidades que soavam, à primeira vista, como se fossem piadas.
Em 1924, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral eram três dos artistas mais relevantes do Brasil. Os três tiveram participação decisiva na Semana de Arte Moderna dois anos antes, um movimento artístico que desencadeou o Modernismo no Brasil ao questionar e reinventar alguns pilares nos quais a arte tradicionalmente se apoiava até então. O movimento reuniu escritores, poetas, pintores, escultores, músicos com o intuito de propor uma nova visão sobre o que era produzir arte e, principalmente, como se desvencilhar daquele modelo clássico trazido da Europa e regurgitado até então.
A arte produzida no Brasil desde a vinda da Corte Portuguesa, cheia de pintores que vieram tentar a vida por aqui, reproduzia muito o que era praticado na Europa sem adaptações radicais. Desde que um sujeito francês chamado Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil quase uma década depois da corte portuguesa e se tornou uma espécie de pintor oficial do reino, a arte brasileira seguia as suas pegadas. Quando o Museu do Ipiranga estiver aberto (sabe-se lá quando) você vai poder ver isso expresso na tela “Independência ou Morte ou O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, recriando Dom Pedro I declarando a independência do Brasil. Tudo é clássico: a composição, as cores, o tema, a maneira como o brasileiro é retratado como um capiau que não entende nada do que está acontecendo… Você pode achar que a tela do Pedro Américo é muito distante da Semana de 22; não é. A tela é de 1888, 80 anos depois do desembarque da corte e 34 anos antes do movimento modernista, o que serve para mostrar também como o Brasil é novo.