Google e Apple banem app do Parler das suas lojas; Amazon poderá banir o site da AWS

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 comentários

  1. E não baterei palmas para essas ações dessas empresas. Aos poucos elas vão amaleando mais e mais poder… Um dia, esse poder acumulado, se voltará (mais) contra todos nós.

    1. Sempre este discurso.

      Olha, empresa sempre pode acabar falindo ou ocorrer qualquer coisa. Por mais que “eles tenham nossos dados” e tal, não significa que eles vão só ficar dominando. Até pq uma hora sempre pode aparecer alguém que crie algo que sobreponha-se a tudo isso.

  2. Um dia quem tiver filhos/netos vai ter que contar como era viver num mundo livre, como era poder ter opinião sobre qualquer coisa, como era gostosa a liberdade desvigiada. E os filhos vão perguntar: “mas vocês não fizeram nada quando foram tomando a liberdade?”. Sim, filho, nós tínhamos orgulho, achamos que estávamos fazendo o bem.
    Triste.

      1. Eu não quero falar nada, Ghedin. Eu fico na minha, não quero briga com ninguém. Mas é inegável que dizer certas coisas, hoje em dia, traz prejuízos, cancelamentos, etc. Um colega do trabalho resolveu defender o bolsonaro, foi demitido (não por isso, claro, no papel constou outra coisa, mas foi claramente por isso). Um vizinho foi cancelado no grupo do condomínio porque disse que preferia não ter um filho gay (não incitou violência, não disse que é errado, apenas disse que ele preferiria que o filho fosse heterossexual como ele). Outro conhecido teve um prejuízo enorme, social e financeiro, por ser empresário e dizer num stories do instagram que só contrata homens porque as mulheres que contratou só pioraram a produtividade da empresa, citando licenças maternidade, gravidez, etc etc, ao passo que homem não tem nada disso e trabalha melhor. Fizeram um burburinho, foram nos clientes do cara, ele perdeu contratos e responde processo judicial. Enfim, procure dizer, por exemplo, que homens e mulheres não são iguais, e que essa igualdade de gêneros é uma balela trazida pelo feminismo. É certo que vc será cancelado, mesmo com as evidências biológicas e históricas do seu lado. Mas o mundo é livre e a liberdade de expressão é direito fundamental previsto no artigo quinto. Como dito, eu não falo nada, meus pensamentos eu guardo pra mim pra ter paz, mas é INEGÁVEL que a gente não tem liberdade de expressão hoje em dia. Quando muito tinha na internet, em alguma rede social que deixasse, agora nem isso (vide Parler). Eu acho bem triste. E olha que nem to citando coisas bizarras como proibir a publicação de livros do holocausto, tentando apagar isso da história, ou coisas mais bizarras ainda como a polícia do discurso neutre que diz que se vc escrever “todos aqui presentes” e disserem que vc tem que trocar por “todes” ou “todxs”.

        1. André, você pode dizer todas essas coisas. Não há, na legislação vigente, nenhum impedimento, o que configuraria censura ou tolhimento da liberdade de expressão.

          Porém, tudo o que alguém diz tem consequências, e nem sempre elas são boas. Dizer que não quer ter um filho gay ou que mulheres são menos produtivas no trabalho, por exemplo, são afirmações que causam ojeriza em boa parte da população — a meu ver, com razão; coloque-se no lugar de um gay ou de uma mulher e tente sentir como essas declarações são degradantes. Todas as sociedades (as livres, democráticas), em todos os tempos, lidaram com esse tipo de situação, em que falas não são proibidas, mas geram consequências negativas a quem as diz por serem retrógradas, preconceituosas e/ou ofensivas.

          Cancelamento é um problema sério, mas é ótimo, no geral, que falas desse tipo estejam gerando reações hoje. Significa que estamos progredindo. Passamos tempo demais aceitando declarações do tipo e, pior que isso, normalizando tais absurdos.

          Para ficar em outro exemplo, esse já pacífico: o racismo explícito. Até pouco tempo atrás, na minha infância (e eu nem sou tão velho), era comum ouvir piadas com gente preta em todo canto, de rodas de amigos a programas de TV. Aos poucos, nos demos conta de que isso, zoar alguém por uma característica que lhe é implícita (como o é com pessoas homossexuais e mulheres), não era legal, e esse discurso passou a ser combatido e, nesse caso, definido em lei como criminoso. Alguém ainda pode pensar que pessoas pretas são inferiores ou qualquer absurdo do tipo, mas manifestar isso gerará consequências, e assim deve ser.

          A nossa liberdade de expressão não é, nem nunca foi, absoluta, ao contrário da de países como os Estados Unidos. Desse assunto, sugiro a leitura desta matéria.

  3. Uma coisa que tenho aprendido sobre “liberdade de expressão” é: Quanto mais se alega que precisa de “liberdade de expressão”, é porque a pessoa não está liberta de suas próprias convicções.

    Liberdade sem controle é anomia. E anomia significa sem regras: posso pegar uma ofensa e rebate-la com uma violência física.

    Tenho a sensação que quem mexe com comunicação não traça uma linha sobre “violência verbal”, ou melhor a “violência das palavras”. Até hoje me devo aprender sobre “Comunicação não violenta”, mas não nego que sou bem acomodado quanto a isso – não vou negar também que espero alguém trazer uma explicação clara e sintética sobre.

    Sobre a expulsão do Trump e as ações para reduzir a comunicação da (extrema) direita, um ponto: tenho uma teoria boba de que há dedo dos órgãos de segurança dos EUA, cansados da gestão Trump. Pois as empresas de tech sempre toleraram as ações destes caras, e ficava me perguntando o porquê – se é por tal “convicção” própria ou outros motivos.

    Não duvido que:

    1) Tais pessoas eram investigadas pelos órgãos de Segurança (como FBI) e bani-las das plataformas dificultaria uma investigação mais minuciosa.

    2) Ou havia uma tolerância sobre isso devido ao Trump não estar nem aí com a violência policial, e só agora quando está em processo de transição, eles resolveram agir para evitar algo pior.

    De qualquer forma, a remoção destes só ocorreu quando algo GRAVE se fez real.

    Quem leu a série de quadrinhos japoneses “Death Note”, deve se lembrar que ambos os investigadores – “L” e “N” – nunca agiram para capturar “Kira” enquanto não tinham certeza de quem ele o era. Vivia próximo e deixava rolar as mortes, mas queriam ter a certeza de prende-lo com todas as provas possíveis. As vezes acho que isso meio que influenciou a forma que vemos como ocorrem investigações e prisões nos últimos tempos – sempre se espera uma prova clara ao invés de provas pequenas que podem ajudar a inocentar. – Só fazendo um comentário bobo sobre uma epifania boba que tive…

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

Nossas indicações literárias »

Manual do Usuário