A falácia da sustentabilidade nas startups de patinetes elétricos de aluguel

por Alcysio Canette

Após trabalhar quase um ano para uma das empresas originais do Vale do Silício que operam patinetes elétricos de aluguel, tenho algumas reflexões para compartilhar sobre o modelo de uso e as premissas vendidas por Lime, Bird e tantas outras do ramo.

Os principais pontos de venda dessas empresas é que o patinete elétrico alugado é um produto verde e que traz soluções de trânsito para as cidades. Vamos explorar as premissas uma a uma.

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O gosto cada vez mais amargo do hambúrguer pedido por aplicativo

Em maio, o Guilherme gravou a coluna mais ouvida do Tecnocracia até agora: Os apps de transporte criaram uma dinâmica de trabalho de Robin Hood ao contrário. Ele fez uma análise visceral do entortamento das dinâmicas trabalhistas que aplicativos da chamada “economia dos bicos”, como os de transporte individual (Uber, 99) e entrega de refeições (iFood, Rappi), têm causado.

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Sobre a moedinha do Facebook

As aparições públicas robóticas, sempre com um semblante desprovido de emoções, fala monótona e piadas constrangedoramente ruins, colocaram Mark Zuckerberg sob a suspeita de ter algum grau de psicopatia. Isso explicaria, por exemplo, alguém pressionado por sucessivos escândalos de privacidade e deslizes éticos anunciar uma moeda global como se: 1) precisássemos; 2) alguém tivesse lhe pedido; e 3) o Facebook fosse a melhor empresa para empreender ambicioso plano neste momento.

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A configuração padrão é tudo o que importa

As reportagens bombásticas publicadas pelo The Intercept Brasil no último domingo (9) deflagraram uma guerra entre entusiastas de tecnologia. De um lado, defensores do Telegram; do outro, seus detratores. (É meio maluco, mas a tecnologia de consumo é cheia dessas histórias de brigas entre “fãs” de marcas: Intel vs. AMD, iPhone vs. Android, Windows vs. macOS… agora parece que até banco tem fãs.)

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Apple e Mozilla mostram caminhos diferentes para a privacidade online

A pressão nas grandes empresas de tecnologia está aumentando, em grande parte devido aos abusos com a privacidade dos usuários. Das cinco, a Apple é a que desfruta da melhor posição — há acusações e ameaças de investigações antitruste contra ela, mas nada relacionado à privacidade.

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Livrar-me do carro próprio trouxe economia, paz de espírito e a esperança de cidades melhores

Em dezembro de 2017, no intervalo de um evento de tecnologia, conversava com amigos sobre assuntos aleatórios quando mencionei “meu carro”. Eles me olharam atônitos. “Você não parece o tipo de pessoa que tem carro”, disseram. Senti-me lisonjeado. Quando voltamos de viagem, comecei a cogitar a ideia de não apenas parecer, mas de ser uma pessoa sem carro. O processo todo levou um ano e, agora, alguns meses após me desfazer do carro próprio, desfruto de menos estresse no dia a dia e uma economia notável nos gastos mensais.

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Esconder o número de curtidas no Instagram não vai resolver o problema

Jane Wong, uma programadora independente, descobriu que o Instagram testou em algum período recente esconder o número de curtidas (“likes”) das fotos e vídeos publicados na rede social. Só teria acesso a esse número o usuário que publicou o conteúdo. A mensagem que aparece no app diz que o Instagram quer, com isso, que “os seguidores foquem no que você compartilha, não em quantas curtidas seus posts ganham”. Estaria o Instagram/Facebook preocupado com a pressão que os usuários dizem sentir cada vez mais forte?

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Google+ (2011–2019)

Nesta terça-feira (2), o Google+, a malfadada rede social do Google, dá adeus à internet. Ela ficou no ar por mais de sete anos, um dado que, isoladamente, pode dar a entender que foi um sucesso. Só que não, porque o Google+, lançado em 28 de junho de 2011 como um lençol que cobriria todos os serviços e produtos do Google a fim de combater o Facebook e extrair, antes do rival, ainda mais dados das pessoas, na maior parte da sua existência foi a incômoda prova material do maior fiasco da história de uma empresa que, sim, erra muito, mas quase sempre em iniciativas baratas e discretas — o oposto completo do que foi o Google+.

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O que o artigo 17 da diretiva de direitos autorais da União Europeia muda no YouTube?

Se preferir a versão em vídeo, clique aqui (YouTube).

Na última terça-feira (26), o Parlamento Europeu aprovou a diretiva de direitos autorais que atualiza a legislação sobre o tema no bloco (o texto final na íntegra). Faz parte dela o artigo 17 (antigo artigo 13), que responsabiliza as plataformas de conteúdo gerado pelos usuários, como YouTube e Facebook, pelo licenciamento de materiais protegidos por direitos autorais.

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Desafio da boneca Momo é o resultado da soma de pais culpados e imprensa irresponsável

Na última segunda-feira (18), o site da revista Crescer publicou uma reportagem alertando os pais de que supostos vídeos da boneca Momo, em que ela ensinaria crianças a se mutilarem e a cometerem suicídio, estariam aparecendo dentro de vídeos do YouTube Kids, versão da plataforma do Google com conteúdo exclusivamente infantil.

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O grande plano focado em privacidade do Facebook não tem nada a ver com privacidade

Não existe Carnaval nos Estados Unidos, mas Mark Zuckerberg aguardou a Quarta-feira de Cinzas para anunciar seu grandioso plano de colocar a privacidade no centro da estratégia do Facebook. Uma iniciativa questionável desde a largada porque, nos diz o histórico do Facebook, privacidade sempre foi um assunto acessório e incômodo aos objetivos da empresa, tratado como mais como um fardo do que como ponto forte. Nas entrelinhas, há motivos de sobra no textão de Zuckerberg para no mínimo suspeitar de que desta vez não será diferente.

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No dicionário do Facebook, “deletar” tem outro significado

Em maio de 2018, no auge da crise da Cambridge Analytica que expôs a torneira pela qual dados pessoais dos usuários do Facebook vazavam até uns anos antes, Mark Zuckerberg prometeu, na abertura da F8, a conferência anual da empresa para desenvolvedores, uma ferramenta, até então inimaginável, que permitiria ao usuário excluir todos os dados que o Facebook capturou de apps e sites com os quais você já interagiu. Veja o trecho em vídeo.

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Os melhores celulares deixaram de ser os mais caros

As apresentações públicas de novos produtos de tecnologia seguem um roteiro manjado. Os apresentadores, geralmente executivos da empresa, começam exibindo números positivos e/ou falando de alguma iniciativa que supostamente faz bem ao planeta. Depois, lançam um problema que, sem surpresa, o produto que será revelado dali a pouco consegue sanar. No clímax, entra um vídeo pomposo e, tcharam!, eis que aparece o melhor produto de todos os tempos — até a sua atualização ser anunciada no ano seguinte.

Essas apresentações acontecem em grandes centros de convenções ou em teatros imponentes, com uma importância insuflada que talvez a revelação do Santo Graal teria se descoberto. Alguém desavisado pode achar, pela circunstância e roteiro, que de fato o mítico cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia está ali, só que na forma de um pedaço de metal, vidro e placas de circuito que promete resolver todos os seus problemas.

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Desculpe, Cora Rónai, mas você está errada quanto à privacidade na internet

Em sua coluna no jornal O Globo da última segunda-feira (11), Cora Rónai escreveu que “não há privacidade onde existe internet”. A declaração é problemática, pois uma falácia. Para muita gente — no Brasil, em 2015 já era mais da metade da população —, a internet está em todos os lugares. Se a lógica do texto valesse, não teríamos privacidade em lugar algum. E se não houvesse privacidade, estaríamos tacando pedras uns nos outros e fazendo valer, nas ruas, a Lei de Talião. Ou seja, a sociedade já teria colapsado.

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A ameaça do Spotify aos podcasts

Foi com apreensão que soubemos, nessa semana, que o Spotify adquiriu duas startups de podcasts. A empresa, que abriu capital em 2018 e, no último trimestre, apresentou lucro operacional pela primeira vez em seus quase 11 anos de existência, pretende se tornar o centro gravitacional de um setor que, até agora, se comporta como uma extensa galáxia: descentralizada, em expansão e com infinitos arranjos e pontos que merecem a nossa atenção.

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