Livrar-me do carro próprio trouxe economia, paz de espírito e a esperança de cidades melhores

Em dezembro de 2017, no intervalo de um evento de tecnologia, conversava com amigos sobre assuntos aleatórios quando mencionei “meu carro”. Eles me olharam atônitos. “Você não parece o tipo de pessoa que tem carro”, disseram. Senti-me lisonjeado. Quando voltamos de viagem, comecei a cogitar a ideia de não apenas parecer, mas de ser uma pessoa sem carro. O processo todo levou um ano e, agora, alguns meses após me desfazer do carro próprio, desfruto de menos estresse no dia a dia e uma economia notável nos gastos mensais.

Uma vida dentro do carro

Meus pais sempre tiveram carro, e, mesmo andando bastante a pé e de bicicleta na adolescência, acostumei-me ao carro para ir à escola (voltava a pé) e para chegar a todos os demais eventos onde o horário, a distância ou as circunstâncias tornava difícil a um adolescente comparecer por seus próprios meios. Depois de adulto, essa ideia continuou a me acompanhar, mesmo já morando em cidades maiores onde outros modais de transporte, como o ônibus, eram mais presentes. (No interior, mesmo hoje a situação é mais complicada.)

Os tempos são outros. A urgência dos problemas crônicos da cultura automotiva cresceram em mim nesse intervalo. O carro está associado a ideias com que não me identifico. O individualismo, a agressividade que parece inebriar qualquer um que se senta atrás do volante, a sensação de poder que o marketing das montadoras tenta passar. E é, também, cada vez mais uma questão de sobrevivência. A ocupação que os carros fazem das ruas, das cidades, é irracional e o rastro de poluição (do ar, sonora e visual) que eles deixam, sufocante. Sendo viável, por que não tentar outro estilo de vida?


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Todos esses questionamentos são válidos, mas talvez o maior fator de decisão seja o embate entre duas forças inerentes ao carro próprio: a comodidade que ele proporciona e o custo de manter esse luxo.

A comodidade se manifesta fortemente quando você acorda atrasado, com uma leve dor de cabeça e, para piorar, faz frio e está chovendo. Nessas horas a ideia de entrar no carro, colocar uma música gostosa e ir até o seu destino sem os inconvenientes de se molhar, passar frio e conter o mau humor na presença de outras pessoas amontoadas no mesmo espaço que você dentro de um corredor gigante chacoalhando é muito tentadora. Adotar o transporte público significa alargar um pouco o nível de paciência com as intempéries da vida. Inevitavelmente o ônibus atrasará, vai ter criança chorando, gente ouvindo música alta no celular, aperto, um motorista com o pé mais pesado, muitas variáveis que exigirão, em dias de maior estresse, que se respire fundo e conte até dez. Estamos chegando. Já vai acabar.

Entra em cena a economia. Olhar o dinheiro que sobra no fim do mês quando não se tem carro é um enorme incentivo. Muita gente que pensa nesta hipótese não consegue ter essa visão por um mero erro de cálculo: os custos de se ter um carro são grandes, embora eles nem sempre sejam evidentes.

Aos números

A pedido do Manual do Usuário, o consultor de finanças pessoais da Par Mais, Jailon Giacomelli, fez os cálculos dos custos que um carro gera. Ele usou como base um modelo popular avaliado em R$ 40 mil.

Na conta, que Giacomelli classificou de conservadora, este carro custaria R$ 1.276 por mês. Os custos mensais, especificados por ele, seguem abaixo:

  • Depreciação: R$ 333 (10% ao ano do valor de mercado do veículo, ou seja, R$ 4 mil dividido por 12 [meses]);
  • Combustível: R$ 176 (rodando 20 km por dia, 22 dias úteis por mês; combustível a R$ 4 e consumo de 10 km/l);
  • Garagem/estacionamento: R$ 200.
  • Seguro: R$ 166 (considerando o seguro anual de R$ 2 mil);
  • IPVA: R$ 100 (considerando percentual hipotético de 3% do valor do carro; o valor devido varia de estado para estado);
  • Manutenção: R$ 84 (considerando apenas a básica e revisão, sem imprevistos).

Se você fez as contas, notou que falta R$ 217. Esse valor é uma espécie de “custo de oportunidade”, referente ao que se deixa de ganhar ao não investir o valor do carro. Em uma aplicação simples qualquer, que renda a SELIC (atualmente em 6,5% ao ano), aqueles R$ 40 mil do veículo renderiam R$ 2.600 no primeiro ano.

Gráfico do custo mensal de um carro.
Na ponta do lápis.

Note que a conta não considera, ainda, imprevistos. Eles acontecem e são mais frequentes do que imaginamos no dia a dia: panes, defeitos, batidas. Rodar dentro de uma lata de uma tonelada em alta velocidade junto com outras milhares de latas tão pesadas e rápidas quanto é um perigo em si. É um milagre que acidentes de trânsito não sejam mais comuns. Tem também os roubos e furtos, que também não podem ser desprezados e podem gerar prejuízos pequenos, mas relevantes — aqueles que ficam abaixo do valor da franquia, por exemplo.

“O que as pessoas não consideram nessa conta, e por isso acham que é vantagem ter o carro, é a depreciação (10% ao ano) e quanto esse dinheiro renderia se não estivesse no carro (6,5% ao ano). Tirando esses dois, R$ 1.276 viram R$ 726. Esse ‘custo escondido’, que você não sente no dia a dia, tem que ser considerado”, explica Giacomelli.

Saindo do exemplo, temos um caso real para analisar — o meu. Em novembro de 2018, decidi fazer um experimento1 e ignorar o carro, passando o mês como se ele não existisse. (Só dei umas voltas perto de casa duas vezes para não deixar o carro parado e correr o risco de arriar a bateria.)

Tenho o hábito de anotar todos os meus gastos, então foi fácil saber quanto o carro havia me custado até ali. Peguei o valor, dividi por dez e usei a média do período como referência. Fiz o mesmo com o cálculo da depreciação e aquele “custo de oportunidade”. O gasto mensal ficou um pouco abaixo do da simulação feita acima porque não tinha custo com garagem e o valor do carro era menor.

Os modais que mais usei nesse período foram o ônibus e as caronas pedidas por apps como 99 e Uber. Em termos financeiros, a divisão entre eles foi de 38,5% e 61,5%, respectivamente. E andei bastante a pé — o aplicativo do celular que conta passos apontou um aumento de 33,5% no número deles em novembro em relação à média dos dez meses anteriores.

A diferença no gasto mensal com locomoção foi impressionante: uma economia de 78,2%. Importante dizer: sem nenhuma concessão ou preocupação em não gastar, ou seja, não me abstive de compromisso algum por não ter o carro à mão.

Imagine essa economia o ano inteiro. Por vários anos. Em uma vida.

Fosse apenas pela racionalidade, a gente faria um monte de coisas de maneira diferente. “O subjetivo pesa bastante”, explica o consultor de finanças pessoais. Ele, que costuma atender clientes confrontados pelo dilema de ter ou não um carro próprio (ou mais de um), diz que alguns optam por manter o carro pelo status que o veículo ainda confere. A já referida comodidade, da qual voltaremos a falar em um instante, também é um grande fator que engloba de situações cotidianas, como fazer compras, às eventuais, como viagens curtas para outras cidades.

Colocar todos os gastos na ponta do lápis é importante porque, em alguns casos, a conta se revela favorável ao carro. Giacomelli usa uma família com filhos como exemplo. “Se o ônibus ou a van para a escola custa o mesmo ou mais que a diferença [entre ter e não ter o carro] e o horário é compatível com os dos pais, vale a pena manter o carro. É conveniente, você vai ter o carro para outras situações e a conta fecha”.

Todos os cálculos e opiniões acima consideram um carro já quitado. Com o carro financiado, cenário muito comum, “a conta não fecha nunca porque tem o custo do juro”, adverte Giacomelli.

As quedas de braço

Quando me propus o teste de novembro, não antecipei o efeito que deixar de dirigir teria no meu psicológico. Embora quem dirija suspeite que a atividade seja estressante, é o tipo de coisa que só se percebe em sua plenitude na prática.

Dirigir é um negócio muito exaustivo. A rotina tira isso de perspectiva, da mesma maneira que quem exagera no açúcar ou no sal perde muitas nuances do sabor dos alimentos. Não estar ao volante, sobrecarregando os sentidos, revelou-se um alívio. E andar por caminhos que antes só fazia dentro de uma caixa de metal a velocidades sobre-humanas, uma grata (re)descoberta do lugar onde moro e das pessoas, a maioria desconhecidas, com quem o compartilho. Saí de uma bolha literal (o espaço individual dentro do carro) e metafórica (a ideia, perpetuada pela indústria, de que dentro do seu carro você reclama um naco enorme do espaço público).

As forças que promovem o carro são muito poderosas, especialmente quando contrapostas à publicidade do transporte público, geralmente restrita a alguns informes da prefeitura e ativistas e acadêmicos sem os orçamentos milionários e os publicitários premiados das montadoras. Procure um comercial delas em que o carro apareça em um congestionamento ou mesmo dividindo a via com outros carros. Uma delas teve a cara de pau de pedir ao consumidor que imaginasse “um lugar onde o interesse de alguns é colocado acima do de todos” em um comercial que, de início, parece mais uma convocação para queimar carros em vez de comprá-los — mais uma apropriação cínica do discurso anti-carros pela indústria. Porque esse utópico lugar “de todos” seria uma cidade com menos carros e mais transporte público, e não uma em que qualquer um pode comprar um carro de R$ 70 mil.

Placa com citação de Jarret Walker sobre frequência no transporte público.
Uma frequência de 10 minutos se aproxima de um nível de serviço em que as pessoas param de se preocupar com um horário específico e pensam que o serviço está lá sempre que precisarem. Essa é a mudança psicológica decisiva, em que o trânsito começa a se tornar útil para pessoas que valorizam a liberdade.” Foto: @BrentToderian/Twitter.

Talvez os ônibus da sua cidade não sejam tão bons. Não é acaso; como diz a citação de Jarrett Walker acima, a qualidade do transporte público resulta das decisões operacionais, de infraestrutura, financiamentos e do uso da terra. Um transporte público ruim dá espaço a soluções paliativas que não só não resolvem o problema da locomoção nas cidades, mas o piora. Vide os apps como Uber e 99. Um estudo publicado este mês se soma a outros que apontam que a presença de apps do tipo aumentou os congestionamentos nas cidades nos últimos anos.

É cômodo pedir um carro pelo celular? Demais. Mas o transporte público poderia ser menos pior se houvesse um esforço sistemático em aperfeiçoá-lo. Meu experimento revelou, também, que há espaço para aperfeiçoamentos, afinal mais da metade das minhas viagens por meios de transporte automotivos ainda foram em carros, só não um que fosse meu.

Embora existam muitos outros fatores, da segurança às políticas públicas de mobilidade urbana, montadoras e a Uber focam no ponto mais fraco das pessoas — como toda empresa —, a conveniência. Elas estabelecem o que o pensador Tim Wu chama de “tirania da conveniência”:

A conveniência tem a capacidade de tornar as outras opções impensáveis. (…) Resistir à conveniência — não ter um celular, não usar o Google[, abdicar do carro próprio] — passou a exigir um tipo especial de dedicação que com frequência é tipo como excentricidade, se não fanatismo.

Eu estou em uma camada privilegiada da sociedade e sei que muitos leitores do Manual estão comigo nessa — é o que apontou a última pesquisa demográfica que rodei aqui, em março deste ano. Foi por isso que, correndo o risco de soar um privilegiado que descobriu que o seu umbigo não é o centro do mundo (uma análise correta), estou publicando isto. Para muita gente, ônibus não é alternativa; é a única opção. Para mim, não é a opção mais conveniente, mas é a que eu acredito e que diz a ciência é a melhor para todos. Representa um pequeno sacrifício em prol de um bem maior. E, sinceramente: a maioria das viagens que faço nos ônibus de Curitiba são bem boas. Melhores do que se fosse de carro e, em alguns casos, mais rápidas graças aos corredores exclusivos em algumas vias mais movimentadas. Economizar quase um salário mínimo por mês também é muito bom, devo dizer.

É como diz Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá e um dos políticos mais vocais e premiados na promoção do transporte público:

“Um país desenvolvido não é um lugar onde os pobres têm carros. É um onde os ricos usam o transporte público.”

Eu iria além e diria que um país desenvolvido é um lugar onde não há ricos e pobres, mas tudo bem. Uma batalha de cada vez.

Foto do topo: Ford/Old Car Advertising.


  1. Na ocasião, ainda trabalhava em uma empresa e, por isso, me deslocava todo dia para a redação. Em dezembro passei a trabalhar em casa, o que diminuiu ainda mais os meus custos com locomoção.

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56 comentários

  1. Excelente! Moro em uma cidade pequena, saio pouco e vi que ter um carro era mais um gasto que poderia ser evitado. Vivo há mais de 6 anos sem carro. Não sinto falta. Uber, transporte público ( raramente) suprem minha necessidade e da minha família, além de ser um ponto de stress e ansiedade a menos. Trânsito, mecânico, riscos de acidentes…não me fazem falta. Gasto bem menos com App ou taxi do que mantendo um carro. Certamente nunca que menos de 1500 reais!

  2. Não abro mão do meu carro por opção. Moro em Niterói, uma cidade bem servida de transporte público e com trânsito caótico, onde hoje vivemos um momento de forte redescoberta da bicicleta como alternativa – o que não me parece sensato em nada, porque a temperatura média aqui é alta e não há infraestrutura suficiente. Na realidade o que está sendo feito é um novo zoneamento do espaço existente para os carros, piorando ainda mais o trânsito em nome de um modal que, na melhor das hipóteses, não atende a todos.

    Não abro mão da minha liberdade de dirigir, e, se transporte público de fato é direito, dirigir também o é. Já tive períodos em que fiquei sem carro, e os gastos não são lá tão favoráveis assim. O cálculo apresentado aí acima é falho em alguns pontos, como a questão da depreciação e dos custos de manutenção. Em contrapartida, quem não tem carro precisa responder a alguns desafios bem específicos, como viagens e idas ao mercado. Em casa temos uma conta que fazemos sempre que vamos a algum lugar dentro de Niterói, que é basicamente comparar estacionamento + combustível, levando-se em conta o tempo para achar vaga, com quanto vai custar ir e voltar de Uber. Normalmente o carro ganha, e o Uber fica relegado a trajetos para onde realmente é difícil estacionar sem pagar uma pequena fortuna.

    O commuting é feito de transporte público se for para o centro do Rio; se for para Barra, onde a maioria dos meus clientes ficam, vou é de carro mesmo, tanto pela comodidade quanto pela segurança. O Montarroios disse aí que o carro passa uma falsa sensação de segurança, provavelmente porque não vive no Rio de Janeiro. Sim, o carro é alvo, mas fato é que se você se mantiver nas vias principais e nos horários adequados, o transporte público é muito, mas muito mais perigoso para quem carrega laptops e demais equipamentos.

    Enfim, abolir o carro é também um direito. Mas também não é pra qualquer um. E o fato de que existe esse direito, não deve significar que o oposto, o direito de se ter e e utilizar um carro, deve ser endemonizado de qualquer forma.

    1. Dirigir é um direito. Mas quando este direito prejudica o direito dos demais, deve sempre ser questionado.

      Falamos da poluição, dos problemas de mobilidade (congestionamentos, violência no trânsito), dos abusos (excesso de velocidade, poluição sonora).

      É por essas e outras que se demoniza um carro – dado o ego de seus condutores e mantenedores, a manutenção de um veículo particular muitas vezes acaba sendo prejudicial ao entorno.

      O fator segurança (proteção e patrimônio) não tem nada a haver com automóvel, mas sim com a questão social, algo que deveria ser compreendido por camadas mais altas da sociedade para achar soluções definitivas, ao invés de apoiar gente com armas dando 80 tiros sem critérios.

  3. Tem alguns “exageros” no cálculo apresentado:
    1) A depreciação de 10% ao ano existe no máximo até o quinto ano e para carros “0 km”. Depois disso ela reduz consideravelmente. No meu caso, vendi uma Montana 2008 por 50% do valor de uma zero. E a pessoa que comprou provavelmente irá ver uma depreciação mínima nesse carro;
    2) Estacionamento é uma realidade para cidades muito grandes e mesmo assim varia de acordo com o local onde se trabalha. Moro em Brasilia e o local onde fica minha empresa tem vaga sobrando (e de graça);
    3) Seguros mais limitados como os vendidos pela Youse custam metade do valor;

    Ou seja, esses gastos podem ser reduzidos em 50% só pelos 3 itens acima.

    No meu caso, que comprei agora uma moto CG 160 nova, a estimativa de gastos (mesmo contando com uma depreciação de 5% ao ano, IPVA e manutenção), ficou na faixa de R$ 120,00 por mês (R$ 50,00 de combustível e R$ 70,00 as demais). Como o Uber da minha casa até o trabalho custa R$ 20,00 (ida e volta), daria R$ 600,00 por mês (considerei 30 dias pois no final de semana também iria sair de casa para algum lugar).

    Resumindo: Uber é vantajoso apenas se você for comprar carro novo e tem outras despesas como estacionamento. Para carro usado (mais de 5 anos) a diferença cai bastante. E para motos o Uber perde bastante.

  4. Estou muito bolado com os comentários vendo o fato de não ter carro e ter acesso a transporte público como privilégio!? Como assim, gente? Transporte é um direito constitucional, não tem essa de privilégio. Ter acesso a um direito JAMAIS é um privilégio (então vamos lutar por menos direitos, é isso?). Acesso a determinados direitos têm pré-requisitos, claro, mas acesso a transporte público é para todos, sem exceção. Se não há transporte público decente é preciso exigi-lo das autoridades. Há muitos grupos organizados pressionando as autoridades nessa área (junho 2013 começou com um deles, o MPL, vale dizer, q pedia gratuidade no transporte; como se viu, não contou com apoio da classe média q prefere ir de carrinho na padaria).

    Não sei nem bem direito o q pensar dessa visão de ver o uso do transporte público como privilégio (Paulo, estou chocado!). Talvez o egoísmo nos faça pensar assim (todos temos uma dose disso, inevitavelmente). Apenas uma pessoa egoísta é capaz de ver a sua única e exclusiva condição (difícil ou fácil) como medida para estabelecer q um direito (às vezes, sim, de difícil acesso, como é o caso de um transporte decente) é um privilégio, porque outros têm e ele não…

    O mala q furtou meu carro há uns seis ou sete anos (foi num primeiro de maio q meu fiestinha 2009 foi parar sei lá onde) me fez um favor. Eu o usava pouco, pq pegava Metrô (só Metrô à época). Hoje pego ônibus + Metrô pra me deslocar da casa ao trabalho. (Ter um emprego formal, hj, não é algo fácil de se ter, mas tb não é privilégio.) Eu não pago mais IPVA, licenciamento, seguro, gasolina, estacionamento, manutenção (eu cuidava bem do carro pra ele não me deixar na mão e nunca deixou) etc… Puta gasto. E pra quê? Pra usar no fim de semana… Não, não ter carro não é um privilégio. É uma escolha. Pode ser uma escolha difícil a depender do contexto de cada um, mas ainda é uma escolha. Vc pode usar o transporte público (ruim ou não tão ruim) ou um transporte privado.

    Eu defendo o uso das bicicletas e ciclovias. São baratas, não poluem e em cidades com topografia difícil como SP, poderiam ser elétricas tb. Tem política pública pra isso? Tinha… Cidades precisa de corredores de ônibus, bons ônibus e políticas restritivas aos carros, q, como todo mundo já sabe, levam menos gente do q ônibus em comparação de tamanho mesmo. SP tb tinha isso. Mas os cidadãos optaram por descontinuar essa política (por vários motivos). Um deles, esse sim um privilégio, poder acelerar.

    Qdo um direito ganha forma de privilégio, algo está muito errado…

    Constituição Federal
    Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o TRANSPORTE, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

    O que eu, de fato, considero um privilégio é pegar Uber ou alugar carro, coisa q eu faço eventualmente, pq não sou rico pra fazer o q dá na veneta. E, nesses dois casos, nitidamente não são um direito… São só uma condição (anormal no nosso contexto, pq tanto locadoras qto Uber estão unidas pra lucrar com esse nosso cenário econômico bosta) q a minha cidade permite, pois tem essas duas alternativas.

    1. Quando se fala que “Transporte público é privilégio”, é porque sabemos que há casos onde o mesmo é ineficiente ou nulo, isso principalmente em São Paulo com áreas quase nulas em oferta de transporte .

      Acho que muitos sabem que o transporte ser um direito é obrigação do Estado, mas como ainda lidamos com cartéis, empresários egoístas, o próprio ego da população (acho que a gente tem que parar de ver só a culpa no “empresário” ou “político” – ambos são oriundos da população), ainda assim o transporte público acaba servindo a poucos, e não a todos.

      Como falei em outro comentário, acaba sendo uma resiliência: as pessoas adaptam-se as necessidades do local, e todo o ciclo econômico e social também passa pelo custo de implantação de um transporte, seja particular ou público. Hoje mesmo tive que depender de um serviço de app (99) pois nem táxis operam mais a noite, e não há serviço de ônibus noturno na cidade (não moro em Sampa).

      E o MPL falhou em ser utópico demais, ao invés de ser um teco pragmático…

    2. Quando se fala que “Transporte público é privilégio”, é porque sabemos que há casos onde o mesmo é ineficiente ou nulo, isso principalmente em São Paulo <com áreas quase nulas em oferta de transporte .

      Acho que muitos sabem que o transporte ser um direito é obrigação do Estado, mas como ainda lidamos com cartéis, empresários egoístas, o próprio ego da população (acho que a gente tem que parar de ver só a culpa no "empresário" ou "político" – ambos são oriundos da população), ainda assim o transporte público acaba servindo a poucos, e não a todos.

      Como falei em outro comentário, acaba sendo uma resiliência: as pessoas adaptam-se as necessidades do local, e todo o ciclo econômico e social também passa pelo custo de implantação de um transporte, seja particular ou público. Hoje mesmo tive que depender de um serviço de app (99) pois nem táxis operam mais a noite, e não há serviço de ônibus noturno na cidade (não moro em Sampa).

      E o MPL falhou em ser utópico demais, ao invés de ser um teco pragmático…

      (Se ver que este comentário ficou duplicado, é porque eu tinha mandado um inicialmente com links, mas acho que foi barrado na moderação por causa disto)

    1. Esperava mais palavras suas, mas aí lembrei que tu sempre falava sobre suas experiências com bicicleta. :)

      1. Hahaha! Estava lendo os demais comentários, já já escrevo algo mais completo. Fiquei indignado com o fato das pessoas acharem q não ter carro e contar com transporte público ser privilégio. Eis uma baita inversão de valores… Surpreendente mesmo. As justificativas pra se pensar assim não se sustentam.

        Mas o planeta agradece mesmo: https://getpocket.com/a/read/2537428138

      2. a ilustração q o ghedin usou pro post, consciente ou inconscientemente, foi perfeita. o american way of life segue mais vivo do q nunca. as propagandas, sem exceção, seguem nessa toada de q vc precisa não de um carro (q vai ficar parado no trânsito), mas de um estilo de vida. tinha uma propaganda q dizia q a grande vantagem do carro era ter teto solar, pq vc qdo ficar parado no transito poderia ver a Lua… francamente…

  5. Vendo os comentários até agora, é possível entender o quão complexo é a questão da mobilidade urbana. Muitos interesses individuais que convergem em grupos consensuais, mas que conflitam um pouco entre si.

    De fato, renegar o uso do carro requer que os modais de uso público tenham boa abrangência, ou deixando mais claro: para tirar os carros da rua, a oferta de transporte público deve ser farta e passar em toda a cidade, não apenas em partes.

    Na prática, escolhas políticas passadas (como a diminuição total do investimento em ferrovias, a permissão de cartéis mesmo que disfarçados, e o incentivo ao automóvel particular) resultaram na situação que temos hoje. Poucas regiões tem boa abrangência de ferrovias (e mesmo assim com problemas) – isso falo de São Paulo e Rio de Janeiro, e algumas outras como Curitiba lidam com outras formas como o sistema estrutural de ônibus.

    Cada região no país tem sua necessidade própria também, o que dificulta a oferta de serviços “sob medida”. Por exemplo, tirando a região amazônica e o São Francisco, usamos pouco nossos rios como transporte (acabamos transformando-os muito em esgotos, mas divago). Seria uma forma de atender melhor algumas regiões com certa praticidade.

    De fato, um carro acaba sendo a solução prática: cada um é responsável pelo seu transporte e a única responsabilidade do Estado é apenas manter a malha de rodagem minimamente útil. Mas é a solução que gera mais problemas também, dado a questão da poluição, congestionamento e riscos.

    Tentar convencer quem usa transporte particular a usar um serviço público requer que o serviço público atenda as necessidades de quem já se acostumou ao trânsito e aos riscos inerentes de conduzir um veículo. Comodidade (ser o mais próximo possível da residência e do lugar de destino), conforto (veículos que permitam viajar tranquilamente) e custo justo.

    Viver com ou sem carro muitas vezes não é nem privilégio, é questão de resiliência. Como já citado, casos de pessoas que moram 10 km ou mais de um local de destino (geralmente trabalho), com família que precisa ser conduzida para outros lugares (a abertura d’Os Jetsons ilustra bem isso), muitas vezes o automóvel é bem mais cômodo do que fazer uso da malha de transporte público, na qual muitas vezes para ir do ponto A ao B, precisa passar por D, N e C primeiro.

    Assim como há pessoas (meu exemplo) que há uma comodidade maior em ir de transporte público do que ter um carro, já que o custo operacional para ter um automóvel acaba inviável de qualquer jeito.

  6. A questão do carro é tão problemática que nosso urbanismo por muito tempo foi matando a possibilidade de não se motorizar.
    Distâncias absurdamente longas; ruas e até mesmo bairros mortos fora do horário comercial; ruas sem calçadas, ruas sem fachadas vivas; bolsões de estacionamento; parada de ônibus pequenas; trajetos pendulares; falta de infraestrutura para guardar bicicletas com segurança; falta de infraestrutura para banho… e assim vai, toda a sorte de problemas que desincentivam as pessoas nos mais diversos níveis (segurança, financeiro, temporal etc) de optarem como se deslocarem.

  7. Tenho a impressão que essa ainda é uma conversa somente sobre privilégios. Tanto o de poder possuir um carro quanto o de poder não possuir. Poder morar perto do trabalho e enfrentar uma distância de 50KM ou mais para se chegar a ele. Poder usar uma bicicleta por 1 hora sem preocupações ou ter que pensar em assalto a cada esquina.

    Todos os pontos e comentários passam por transporte público melhor e eficiente, o que em um país com a desigualdade e tamanho do Brasil são problemas altamente complexos.

    Se em uma cidade média já temos uma diferença de mobilidade absurda entre as áreas ditas mais nobres e as menos nobres, amplie isso para uma região metropolitana. Agora amplie para um estado, um país continental.

    Na minha opinião são muitos problemas – desde modais de transporte até gentrificação acelerada em diversas regiões, passando por distribuição de renda – que tornam a análise complexa e multifacetada. Não acho que somente a validação financeira ou não do fato de se possuir um carro faça ao menos sentido.

    1. O interessante é analisar umas coisas sobre a questão social do transporte/mobilidade.

      Salvo engano, algumas favelas nascem por serem próximas a serviços de transporte (São Paulo tem alguns exemplos). Mas ironicamente, a comunidade que cresce acaba tendo um alto número de automóveis junto. Em partes por causa do conceito de “ter um carro = sucesso”, mas por outro também que um serviço de transporte não atende as expectativas da pessoa que no final cresceu um pouco na vida, mas ainda não tem condições de sair da região onde vive.

      Uma outra curiosidade: conheço regiões onde há uma predominância gigantesca de condomínios, mas a operação de transporte público é quase nula. A região dos condomínios entre a Granja Viana e o centro de Cotia, em São Paulo é um exemplo. Há uma estrada que poderia servir de via extra para linhas de ônibus, mas não há quase nenhum por lá.

      Há também a questão de dilemas. O sul da cidade de São Paulo tem problemas quanto a isso pois há a questão de ser uma área de proteção permanente dado as represas e a mata preservada em algumas áreas. No entanto, há um aumento de loteamentos que gera uma demanda de operação, e aí começa o ciclo de crescimento de adensamento urbano na região.

  8. Vou deixar minha experiência em relação a este ponto. E levantar umas questões.

    – Moro em Curitiba
    – Casa -> trabalho: 10km (25 min em dias bons e 50 em dias ruins)
    – Trago todos os dias meu notebook ao trabalho, que não tem seguro, porque é um Mac comprado fora do Brasil e por isso não consigo fazer um seguro
    – Adoro dirigir, odeio o trânsito. Me estresso e sei que isso não me faz bem – mas estou aprendendo a ouvir mais podcasts nos trajetos

    Que opção tenho senão vir de carro? Já respondo:

    – Uber / 99 / afins: uma coisa que ninguém levantou aqui, e acredito que por todos (a exceção de um dos textos) serem homens. Ser mulher e andar de Uber e afins pode ser uma situação de risco. A quantidade de mulheres que tem medo de andar de Uber e até mesmo táxi, comprova que não é algo único ou exclusivo de determinada parcela (ou de mulheres medrosas). Aliás, será que um dia teremos motoristas mulheres para passageiras mulheres? E quem vê aqui exagero ou mimimi, conversem com suas mães, namoradas, mulheres, amigas, conhecidas. Se ainda assim acharem frescura, tudo bem. Não é minha intenção convencer ninguém. Então, por que eu iria me colocar em risco ao andar com Uber sendo que posso estar segura no meu carro?

    – Ônibus: para mim até seria fácil, pegaria o bi-articulado, só precisaria trocar de ônibus uma vez e em 45m – 1h estaria aqui. E a insegurança de estar com uma mochila e o notebook – aquele sem seguro? E o medo de assédio dentre outras coisas? Novamente: não é questão de se colocar em um local especial, não quero ser especial, só quero ter o mesmo direito de ir e vir sem ter medo pelo ônibus estar lotado e você saber que pode ter um idiota que acha que pode se aproveitar. Se alguém achar aqui mimimi (estou meio na defensiva porque vi que o público é majoritariamente masculino), o que você sentiria se sua mãe falasse que um cara encoxou ela no ônibus lotado? Vale a pena? Não. Vou no meu carro mesmo.

    – Bicicleta: é minha próxima tentativa, mas vou tentar uma elétrica, já que apesar de não ser tão distante, tem umas subidas e descidas. E assim não chego no trabalho precisando de um banho ou cansada. Não sei o que fazer em dias de chuva, mas, vejo como a melhor opção.

    Ainda assim, não penso em me desfazer do carro. Talvez pela facilidade dele estar ali, a mão. Talvez pela sensação de segurança que me traz. Ele está quitado também, isso ajuda. Porém é uma relação complexa.

    Algo tem que mudar – concordo demais, mas a nossa sociedade também tem que mudar. E não é fácil.

    Eu vejo este ponto como um Wicked problem. E para cada pessoa, pode haver uma solução única e efetiva. E tudo bem…

    1. Sobre a questão de assédio, duvido muito que vá mudar. Até falei sobre a minha mãe no comentário que eu fiz. A sociedade é machista e a tendência atual é de manter assim ou mesmo piorar.

      Aqui em POA tem motoristas mulheres no Uber. Minha ex-namorada tinha uma que deu o contato pra ela e fazia as corridas fora do Uber. Elas se conheciam, claro, o que aumentava a confiança. Foi o modo como ela arrumou pra se locomover fora dos horários de ônibus ou em dias de muita correria na faculdade/escola.

      Se não me engano existe uma iniciativa para termos aplicativos com focos em relações exclusivamente entre mulheres (motoristas mulheres e passageiras).

    2. Você tem razão, Michele. Para mulheres é muito mais difícil porque vocês enfrentam problemas que nós homens não temos. E, sim, não é só preço ou consciência ambiental os fatores decisivos para abdicar ou não do carro e, nessa, infelizmente algumas mazelas da nossa sociedade, como o desrespeito sistemático às mulheres é um bastante forte. E concordo que se trata de um wicked problem. Tem que mudar muita coisa.

      Existe um aplicativo tipo Uber exclusivo para mulheres, o Lady Driver, mas até onde sei ele não opera em Curitiba ainda.

      Obrigado pelo comentário!

    3. Oi, Michele. Concordo 100% com os seus pontos. A questão da segurança é o que mais me influencia ainda hoje. O uso do transporte público – a partir da minha casa para o Centro de Curitiba – é relativamente rápido. São cerca de 30 minutos. Porém, os vizinhos costumam pegar carona para ir até o ponto de ônibus devido ao risco de ser assaltado. Eu não tenho esta opção porque moro só. Por mais que eu me sinta desconfortável em gastar com estacionamento, o faço especialmente quando estou com os meus sobrinhos e sair ou entrar no carro é uma aventura. Aliás, para quem tem crianças de até 7 anos, é muito complexa a logística de ficar sem carro, considerando que dependem de cadeirinha. Além de ônibus, não sei se há outra opção, neste caso. Se alguém conhecer uma alternativa, nos conta, por favor? Como eu moro em Curitiba e toda a minha família está na Região Metropolitana, não enxergo perspectiva hoje de abrir mão do carro, por mais que doa no bolso. :/

    4. O carro dá uma falsa sensação de segurança (ele Tb é objeto de interesse de criminosos e não só seu notebook). Há todos esses problemas q vc listou e o Uber me parece o mais difícil de resolver no q tange ao assédio (a empresa não faz muito sobre isso). Mas o espaço público não é só uma chance para assediadores. Vc tb poderia se sentir mais segura em um ambiente/transporte público do q fechada num carro parado num engarrafamento, pq pode pedir ajuda… Mas vai da experiência (e traumas) de cada um.

      Estáticas mostram q a bike é mais segura justamente por te colocar no espaço público e ser menos alvo de roubos, mas varia de cidade pra cidade. Aqui em SP já houve caso de mulheres sendo agredidas ao terem suas bikes roubadas.

  9. Concordo com uns 90% do seu texto, Ghedin. Inclusive, tirando o combustível, os custos calculados do carro no texto bateram na vírgula com o meu (estou sendo monitorado? kkkk).

    Trazendo meu caso pra roda, e já adiantando que devo ser “diferenciado” como você, apesar de oposto:

    Você mencionou no texto que ônibus não é alternativa, mas é a única opção. No meu caso, o carro é a única opção.

    Trabalho a uns 40km de casa (moro no ABC Paulista e trabalho quase na divisa com Osasco). Gasto cerca de 1h20 de viagem, com trânsito médio. Se fosse utilizar transporte público, gastaria 3h20 em SEIS conduções. Como bato ponto às 8h, teria que sair antes da 5 da matina de casa (isso sem contar o tempo pra comer, tomar banho e me arrumar). O mesmo vale voltando pra casa.

    Não estou contando o estresse do transporte lotado, insegurança (furtos e roubo a mão armada nos trens e ônibus já não são incomuns) marreteiros e a chance exponencial de dar alguma falha em uma ou mais conduções no caminho. Não sei como é a qualidade do transporte público aí em Curitiba, então não vou estender o debate nessa questão, mas da minha experiência e andanças por SP, beira o inviável. Acho que só perde pro RJ.

    Meus custos de deslocamento, com o carro, aumentaram em mais de 70%. Atualmente, 60% da minha renda líquida vai pra esse “filho”. Só que o ganho subjetivo que tive (qualidade de vida, saúde mental, tempo pra outras atividades) compensaram com folga esse peso no bolso.

    Com relação à sua experiência na direção, vou ter que discordar sobre a parte do “exaustivo”. Realmente, dirigir exige atenção constante e novamente não sei como é sua rotina, mas em comparação com a minha, conforme apresentei acima, prefiro ficar 2h parado no trânsito sentado, com ar e música que eu gosto (que me ajuda a ficar mais focado, inclusive) do que passar as mesmas 2h em pé em 6 latas quentes de sardinha barulhentas. Tirando a quantidade de conduções, creio que essa é a rotina de mais gente que eu, também.

    Uma coisa que me incomodou no texto foi a impressão de quem compra carro o faz por status ou por comodidade. Na minha opinião, essa visão sobre uso de carro é superficial demais, e só contribui pra pintar a ele e os donos como vilão da história. Taí meu exemplo de usar carro por necessidade e que, apesar de ser minoria, também represento um dos lados da moeda.

    Tenho total ciência dos malefícios que minha latona de 4 rodas traz pro meio ambiente e afins. Só que, enquanto não existirem políticas públicas minimanente decentes de transporte à disposição (o que, convenhamos, nunca vão ocorrer, because Brasil), sou obrigado a ficar com o carro e todos os custos dele pra ter uma vida minimamente humanizada.

    Pra não falar que não tenho outras opções, estou avaliando alugar um apê perto do trabalho no fim do ano. Financeiramente, só teria uma realocação de despesas (a economia de combustível vai pro aluguel, por exemplo). Venho hesitando por alguns anos por causa da questão dos custos, e também por ser mais arriscado com o carro: Se eu for demitido, perco junto com o emprego minha casa; já o carro eu posso simplesmente vender pra me manter por uns meses.

    No mais, parabéns pelo texto, Ghedin. Duvido que vamos entrar num consenso sobre esse tema, mas é ótima a iniciativa de levantar um debate legal sobre isso.

      1. Não só isso, nosso urbanismo desfavorece muito o transporte público e o transporte não motorizado individual.

        1. Exatamente. Se uma cidade é pequena, o desinteresse do Estado impede que ela seja urbanizada adequadamente, já que, na visão deles, não vai ter um retorno significativo.
          Já pra uma São Paulo da vida, que cresceu desenfreadamente, não tem como implementar uma solução ampla sem gastar caminhões de dinheiro. Só se botar tudo abaixo e começar do zero.

          Soma-se isso tudo à cultura individualista do brasileiro (incluo o lobby das montadoras e a mim mesmo nessa), e tchau solução do problema de mobilidade.

          1. São duas questões complementares. O lobby da indústria automobilística construiu Brasília no governo JK e, por consequência, guiou o desenvolvimento urbano das cidades brasileiras a partir de então, tendo o seu ápice nos governos militares dos anos 70 e 80 – vide transamazônica – com a revitalização do bordão “governar é construir estradas”. Isso impactou o nosso frete, majoritariamente terrestre, e a nossa malha urbana que prioriza o carro e o ônibus como modais de transporte.

            Não é uma questão simples como “o governo não quer” porque hoje temos uma malha urbana pensada no carro/ônibus e não no trem. Temos uma grande rede e máfias operando as empresas de transporte que impedem (inclusive com assassinatos) a mudança de matriz pelo país – vide o Freixo no RJ e como ele bateu de frente com essas máfias e quase foi assassinado.

            Tudo isso gerou a cultura “carrocêntrica” individualista que importamos dos EUA e que se espalha pela nossa sociedade hoje e que impede uma mudança radical nas nossas cidades gerando resistência quando as prefeituras constroem ciclovias e ciclofaixas, por exemplo – vide SP – ou mesmo quando diminuem a velocidade em vias públicas – vide SP, novamente – visando melhorar o fluxo do trânsito; tudo isso é visto, culturalmente, como um ataque a liberdade do cidadão, e tudo isso tem raiz naquele plano quinquenal do JK.

            Aliado a isso ainda temos a questão de retorno das empresas privadas que apenas operam em locais escolhidos a dedo (centro e bairros caros de grandes cidades).

            Temos vários problemas e os que vocês colocaram são relevantes, mas, colocar a culpa **apenas** no Estado é cômodo porque nos livra, como sociedade, de mudar isso e de mudar o pensamento. E isso é exatamente o que o lobby e a máfia dos transportes querem.

    1. Reli o texto depois do seu comentário e também fiquei com a impressão de que abordei o problema sem o devido equilíbrio entre a desnecessidade e a necessidade do carro. Porque existem inúmeros cenários em que ele é uma alternativa tão melhor a ponto de neutralizar quaisquer ganhos financeiros ou coletivos — além do seu, o comentário da Michele também evidencia isso.

      Mas é isso aí que você disse no final: abrir o diálogo é importante porque, de outro modo, vê-se o carro como uma inevitabilidade e/ou sinônimo de ascensão social. Eu fui criado assim e em muitos círculos de amizades a ideia de não ter carro ainda soa absurda, mesmo que ele fique estacionado na garagem a semana toda e acabe sendo usado somente para ir ao mercado nos fins de semana (seria o meu caso, agora, se não o tivesse vendido).

      1. Rodrigo, pensando no meu círculo, existe um movimento entre os casais de abrir mão de um dos automóveis da família. Em geral, minhas amigas ficam de carro e com a responsabilidade pela logística das crianças, enquanto os homens usam Uber e afins. E segue com a comodidade de contar com um carro para viagens.
        Uma facilidade que considero um bom benefício para funcionários é a iniciativa de algumas empresas daqui de disponibilizarem transporte, inclusive para Região Metropolitana. Pelo menos, Volvo, Renault e Petrobrás faziam isso. O mais incrível é que te obriga a sair no horário, o que pode ser um problema quando você está de carro. ;)

  10. Uma das coisas que pesam, no meu caso, para manter o carro é que é mais seguro que se deslocar a pé ou de ônibus na cidade em que moro. Já fui vítima de assalto a ônibus e assaltos a pedestres, no trecho que faria pra ir pé ao trabalho por exemplo já que moro perto, também são comuns. Talvez em cidades maiores com mais infraestrutura, como Curitiba, este não seja um problema.

  11. Uma alternativa para quem não quer ou não vê vantagem em se desfazer do carro é tornar o seu uso mais eficiente.

    Quando trabalhava em São Paulo, meu trajeto durava cerca de 25 minutos de carro. Sempre oferecia carona para colegas de trabalho e dificilmente eu estava sozinho no carro. Comecei a colocar os meus trajetos no Waze Carpool, mas a plataforma estava bem no início e ninguém apareceu pedindo carona.

    Nas viagens interior-capital que faço, sempre ofereço caronas no BlaBlaCar e nunca viajo sozinho. Além de economizar uma grana boa, as pessoas que pegam carona comigo também economizam dinheiro e tempo. O valor da carona chega a ser 40% mais barato que o da passagem de ônibus.

    Apesar de parecer uma ideia perigosa dar carona para estranhos, já faço isso há 8 anos e nunca tive nenhum problema, mas é claro que devemos tomar alguns cuidados.

  12. Realmente, é uma ideia tentadora (ainda mais quando se acabou de bater o carro – meu caso…). Já tive vontade de deixar o carro em casa, vir trabalhar de bicicleta.

    O problema 1 é convencer as crianças a ir/voltar andando da escola, o que não mata, eu mesmo fiz isso a vida toda, mas é a tal da tirania ali do texto.

    O problema 2 é lidar com as intempéries de Curitiba…

  13. Fiz os cálculos e o custo que tenho para manter um carro daria pra alugar um apartamento na região metropolitana de Porto Alegre, numa região com excelente oferta de trabalho e com a possibilidade de ir andando ou de bici. É muita vantagem desfazer do carro. Só não consigo fazer isto agora pois moro numa cidade de 10 mil hab sem linha local de ônibus e tendo a obrigatoriedade de viajar para outras cidades para hospital ou compras. Mas, quem sabe no futuro.

  14. Eu particularmente nunca tive interesse em carros e motos. Ano passado (2018) por ficarem me enchendo a paciência, no trabalho é um mal necessário, resolvi tirar a CNH.

    Hoje já dirijo, mas não tenho carro. As vezes me passa pela mente comprar um usado 1.0, mas lembro que é praticamente um “filho” e o custo para manter é alto.

    Eu levo em conta, tenho esse pensamento, de que se eu comprar o carro já tenho que está ciente de que vou enfrentar muito trânsito e perder horas do meu dia.

    Gosto muito mais de andar, utilizar transporte público do que usar um carro.

  15. Já tive moto (Que perdi por besteira minha…) e de fato um veículo pessoal depende muito da pessoa que usa. A moto para mim era um ganho de tempo, mas de fato um risco e um pouco de estresse em caso de trânsitos e preocupações na cidade grande (risco de ser alvo de criminosos, sejam para o patrimônio, seja no trânsito).

    Já vivo sem moto há uns 4 anos aproximadamente. De fato, tenho a sorte de parte do meu trabalho ser na cidade onde moro, e de que o deslocamento para o centro regional (moro em uma cidade lindeira da região metropolitana) é barato e rápido (trem).

    Ao mesmo tempo, sendo um pouquinho advogado do diabo, não nego que gosto de dirigir/pilotar, apesar do fato de que sei também que conduzir um veículo SEMPRE deve ser uma forma de operar com segurança o mesmo, e não algo que apenas diz a si mesmo.

    O ônibus da cidade tem intervalos bem maiores na região onde moro (mais próxima ao centro da cidade, por sorte e privilégio). O ruim é que não tenho integração (tive apenas um cartão eletrônico e o custo para repor não compensa). E já usei 99 (Uber não uso nem a pau), e ao menos aqui, o custo para mim não compensa (prefiro andar um pouco mais e pegar o ônibus muitas vezes). O bom nisso é que aprendi a usar melhor a tabela de horários de ônibus (apesar de não ter uma no bolso) e usar aplicativos de transporte público (como Moovit e Citamobi).

    E isso daria um Guia Prático legal

    1. Alguns pontos extras:

      – A moto era uma 100 cc chinesa. Então os custos de ter e manter eram razoáveis, dava para “ir levando”, apesar do ganho baixo.

      – Na verdade tenho vários cartões de transporte que fui adquirindo ao visitar alguns lugares, mas os principais para mim são o Bilhete Único (ônibus municipal de São Paulo e sistema ferroviário) e BOM (ônibus metropolitano da RMSP e sistema ferroviário). O da cidade que eu resido é o que menos usei e no final ficou sem uma segunda via após dar defeito.

      – Aqui também tem o chamado “táxi lotação”: o veículo opera como se fosse uma linha de ônibus por rotas especificas.

      – Tive bicicleta até os 24 anos. Era uma boa forma de andar pela cidade, mas o problema é que moro em “morro”. Então a questão de subir e descer é a pior parte.

  16. Eu acho muito desonesto colocar custo de oportunidade e depreciação no gasto com o veículo. Isso seria, se fosse um negócio, risco inerente à natureza do negócio. Parece que os economistas que gostam de falar sobre economia doméstica pinçam coisas aleatórias para aumentar a cifra. Aliás, seria ótimo ver especialistas em economia doméstica ajudando pessoas que ganham 1SM a poupar alguma coisa depois de pagar aluguel, vestuário, transporte, material escolar e comida. E tem que dar umas dicas de investimento com o que for poupado ;)

    Dito isso, carro, via de regra, é um transporte burro, contudo, necessário para quem não tem transporte fácil ou para quem tem que pegar mais de um ônibus. Minha mãe é professora na rede pública de duas escolas da região metropolitana de Porto Alegre (Gravataí e Cachoeirinha) e nesses tempos de inverno ela sai de casa com dia ainda por amanhecer (7h ainda está escuro em Porto Alegre entre os meses de maio e agosto). Isso é um risco tremendo para uma mulher, o que a obriga a pegar dois coletivos e assim, acordar as 5h45min e sair de casa as 6h25min para poder chegar na primeira escola as 8h. Um carro diminuiria muito isso.

    A questão não é nem de interior e sim de bairros, profissão e deslocamento.

    É um enorme privilégio não ter carro e saber que pode contar com o coletivo ou mesmo com um transporte por aplicativo (que, se usados diariamente, saem bastante caros).

    1. “Desonesto” é uma palavra muito forte, Paulo. Eu tendo a concordar com os economistas porque, no momento em que se compra um carro, você transforma dinheiro com liquidez em um passivo que não só o imobiliza, mas que ao contrário de um investimento, desvaloriza com o tempo e gera custos recorrentes pesados. Se havia esse dinheiro disponível, deve-se considerar os cenários alternativos — ou, em outros termos, o que se deixa de ganhar ao optar pelo carro.

      E, sim, existem incontáveis variáveis além da cidade onde se vive para a dinâmica carro/transporte público e, dentre elas, algumas em que a posse do carro se sobressai como a escolha mais racional. O mesmo vale para o privilégio; o mero fato de ter escolha é um, dos grandes. Não nego, pelo contrário — incluí isso expressamente no texto, que achei válido publicar porque, segundo a pesquisa demográfica junto aos leitores do Manual, parcela significativa deles se encaixa nesse grupo.

      1. Podemos discutir a depreciação, mas o custo de oportunidade é desonesto (não acho que devemos tirar o peso da palavra) porque considera a compra do carro à vista apenas (o que seria o único cenário para se investir o dinheiro usado no carro) e ignora que a maioria das pessoas compra carro 1.0 financiado com zero entrada e 0.9% de juros.

        É mais uma faceta dos privilégios que você mesmo apontou.

        Eu entendi o seu ponto no texto, só pontuei que a lógica do especialista é meio torta (como sempre) e que existem ainda mais privilégios do que os que você apontou. O comentário do Carlos exemplifica muito melhor isso do que o meu, inclusive.

        Existe ainda a profissão, professores, por exemplo, trocam de escola do tempo todo. As vezes dão aulas em 3 escolas (ou mais, dependendo se for de uma rede privada com várias unidades) durante um dia. Depender de carro é uma necessidade que a profissão impõe.

      1. Se você trabalha em apenas um local e sem deslocamento, é só uma questão de colocar tudo na ponta do lápis.

        Aqui em POA, se você trabalha no centro e locais mais centrais como Carlos Gomes, Tecnopuc e arreadores é bem mais vantagem alugar um apartamento na região do centro (Dr Flores, Ladeira, Duque de Caxias) pagando um aluguel mais (~R$800 por 2Q) do que morar na ZN, por exemplo, e ter de pegar 1/2 ônibus todos os dias (e ainda encarar o trânsito da Assis Brasil as 18h). Ainda mais se você consegue ir caminhando pro trabalho.

  17. Eu morei 3 anos em São Paulo.
    Tinha carro pois precisava ir para cidades do estado fazer audiências e também usava nos fins de semana para vir para minha cidade no Sul de Minas.
    Mas dentro de São Paulo mesmo eu não usava meu carro.
    Fazia tudo a pé, de metrô, táxi, ônibus ou uber. Valia muito mais a pena.
    Hoje voltei para o interior e continuo precisando do carro, pois minha mãe é de idade e a levo para cima e para baixo. Mas eu mesmo uso a moto o máximo que dá, inclusive para ir para os fóruns das cidades vizinhas.

  18. No interior a situação, de fato, é complicada. Na minha cidade, de 57 mil habitantes, chega a ser crítica, pois não possui linha de ônibus alguma. Táxis, 90% são motos, o que me desagrada – por questão de segurança, mesmo. Passei boa parte da vida andando pra lá e pra cá. Sebo nas canelas ou de magrela. Para ir à escola, ao centro tomar um milk shake ou na casa da namorada. Mas uma hora cansa. O desânimo assola. A impossibilidade de sair a pé entre 10h e 16h devido ao sol de rachar cucas, torna a vida bem complicada. Ano passado, aos 27 anos, me rendi e comprei um carro 1.0 de 1997. Apenas gasto com combustível. O peso maior fica na consciência de agora contribuir com a degradação ambiental em uma nova área.

    Sei que foge à proposta da discussão, mas minha curiosidade é maior que a compostura: Ghedino, que carro cê tinha? :^)

    1. Sei como é, morava em uma cidade com 30mil habitantes, era horrível pois a única linha de ônibus na cidade era pra ligar de uma ponta a outra da cidade em linha reta, a cada 1h passava o ônibus. A maioria das coisas fazia a pé ou de bicicleta (que também tinha custo, pois é uma cidade que chove muito, então tinha que fazer manutenção todo mês, as vezes a cada 15 dias, pois não era sempre que encontrava um lugar coberto pra abrigar a magrela) Moto caía na mesma situação, tive por 1ano e meio, peguei raiva e vendi, odiava pegar chuva, acabei preferindo andar a pé (comprei uma bota a prova d’água) pois qualquer coisa sacava o guarda chuva e não me molhava, as vezes usava o ônibus. Para o dia a dia até que funcionava, mas em dia de festa, que vc queria sair de salto, não rolava, os táxis de lá era horrível de caro, enfim, hj estou numa cidade grande e não reclamo de trânsito, pelo contrário, uma das coisas que eu mais gosto de morar na capital é a possibilidade de usar diversos modais, não tenho carro, mas se precisar está a minha disposição e durante o dia a dia uso ônibus.

    2. Carro 97 e você não gasta com manutenção? Como assim? Qual o modelo dele?

      Eu já tenho um frio na espinha em andar num carro de 2005 pra baixo com medo dele desmontar comigo dentro, imagina um mais antigo assim.

      Sem ofensa, claro. Às vezes, o dono anterior cuidava do carro com um filho único e ele tá filé. Mas são casos meio raros.

      1. O seu comentário exemplifica bem o que significa privilégio hahaha

        O que mais tem é gente rodando (e bem) com carros com mais de 25 anos. Seu comentário é tipo uma amiga minha, que mora numa cobertura na região mais cara da cidade, dizendo “como as pessoas vivem sem aquecimento/ar condicionado”.

        Sem ressentimento, não é um ataque a você, só um () ;)

      2. É um Palio EDX. Não digo que está filé, pois há risquinhos por toda a pintura. Mas não está horroroso, tipo aqueles que possuem pintura queimada ou lataria remendada. É uma carroça elegante. Comprei numa garagem. Enchi o tanque e saí guiando. O dono anterior cuidou bem. Tapeçaria intacta. Insulfilm sem bolhas e falhas. Não tem buraco no assoalho estilo Flintstones. Vidros e travas elétricas funcionando. Luzes internas e faróis todos ok. Pneus entre bons e meia vida. Bateria e filtros vieram novos. Óleo e correia dentada em dia. Não fuma, só bebe – característica do Palio, pelo que li por aí. Grita pra subir ladeira. Tirando isso, tem me servido muito bem e não me deixou na mão até agora com 6 meses de uso moderado. Se precisar de manutenção, será barata. Peças em abundância e qualquer zé sabe mexer.

        Entendo seu receio. Eu teria frio na espinha de andar num Chevette 87, por exemplo. Sei que soa insultante a quem ama carro, mas meu uso é bem prosaico. Aquele esquema de ir do ponto A ao B com algum conforto. E, com exceção do uno, todos os carros velhos que testei (Clio, Celta, um 206 de 2002, Corsa, Civic 98, etc) apresentaram esse conforto em níveis que me satisfizeram. Também testei o HB20 e fiquei tentado. Só que coisas como computador de bordo eu acho inúteis. E muitas firulas nos veículos modernos, aos meus olhos leigos, considero apenas perfumaria. Então prefiro gastar a grana em esfiha e hambúrguer.

        []’s

  19. Manter um carro não é fácil. Você volta das festividades do ano novo e dá de cara com o boleto do IPVA por debaixo da porta. Entrou no posto de combustível? Lá se vai 10% do salário. Precisou trocar os pneus? O salário inteiro. Quebrou o câmbio, pague a metade do valor do carro pra consentar.
    Note que está crescendo a venda de carros grandes (SUV) que gastam muito mais combustível. É o segmento que mais cresce nas vendas. Numa época que combustível está super caro, o brasileiro não se importa muito em pagar pra ter um carro.
    Enfim, eliminar a necessidade de possuir um carro seja tarefa ‘fácil’ pra solteiros ou pra quem mora sozinho. Pra quem constituiu uma família fica difícil até porque nos fins de semana precisa ‘passear’, viajar ou mesmo usar o carro pra urgência médica/saúde.

  20. Eu não tenho carro pois não tenho condições, mas se tivesse o teria, pois gasto mais de 5h no trânsito, então msm gastando uma grana ainda seria vantajoso por causa do tempo, mas se eu abrir meu escritório e começar a trabalhar de casa, iria me livrar facilmente.

    1. Obviamente não quero comparar situações mas vejo uma semelhança do que ocorreu comigo há cerca de 3 anos atrás. Mudei de empresa para uma nova cujo tempo de deslocamento era de 1h30, ou seja, 3 horas por dia indo e vindo. Perdia 60 horas por mês dirigindo APENAS para trabalhar, 2 dias e meio jogados no lixo.

      Por mais que tentava otimizar o trecho ouvindo podcasts, aquilo estava acabando com minha saúde, então tomei a decisão de vender meu carro e mudar para um apartamento novo onde levava 25 minutos caminhando. Além de economizar dinheiro (a diferença de aluguel saía mais em conta que o pacote combustível+manutenção+depreciação), passei a 5 vezes por semana caminhar 50 minutos todos os dias, tornei-me mais saudável e minimizei o impacto no meio ambiente. Enquanto eu continuar morando em SP (capital), não há motivos que justifiquem eu voltar a ter carro.

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