Banimento em massa de Trump suscita perguntas difíceis

Primeiro foi o Twitter, com um gancho de 12 horas à conta @realDonaldTrump. Nos dias seguintes, mais de uma dezena de plataformas digitais se juntaram ao banimento, temporário ou permanente, do presidente norte-americano Donald Trump. Motivadas por uma tentativa de golpe liderada por ele que culminou em uma invasão ao Capitólio, em Washington, e cinco mortes, as empresas do setor finalmente agiram. Antes tarde que mais tarde, mas como demoraram.

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Um dos poucos acertos do Facebook no que diz respeito à privacidade foi ter implementado a criptografia de ponta a ponta como padrão e obrigatória no WhatsApp em 2016. O recurso é útil, mas não é uma panaceia a despeito do que a empresa diz em seus comunicados e ao responder críticas.

Os “rótulos nutricionais” para apps que a Apple implementou em suas lojas em dezembro evidenciam isso. Dos de mensagens mais populares, o WhatsApp é o que mais coleta meta dados — que revelam muito sem quebrar a criptografia, e que o Facebook usa para direcionar anúncios e refinar recomendações automáticas em outras propriedades, como a rede social Facebook e o Instagram.

Acesse a página do WhatsApp na App Store, role até o subtítulo “Privacidade do app” e toque no link “Ver detalhes”, à direita. Em contrapartida, veja quais dados e para quê iMessage (da própria Apple), Telegram e Signal (o melhor deles) coletam. A diferença é chocante. Via Forbes (em inglês).

A vida sem Instagram

No dia 18 de novembro de 2018, pouco depois do meio-dia, excluí o meu perfil no Instagram (veja como fazer). Já vinha ensaiando havia semanas, sem o app no celular nem acesso via web, pelo computador. Achei que fosse sentir falta, mas aí não senti.

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Sleeping Giants, Gazeta do Povo e Rodrigo Constantino

Ao comentar o chocante desfecho do caso Mariana Ferrer, o do “estupro culposo”, o colunista Rodrigo Constantino disse que, se fosse sua filha no lugar da vítima, daria um esporro nela e não denunciaria os abusadores porque ela teria bebido antes de sofrer a violência que sofreu. (Se tiver estômago, assista ao vídeo.) A fala nojenta dele pegou mal e — finalmente —, após anos dizendo e escrevendo barbaridades desse nível, custou-lhe algumas das posições que tinha na imprensa.

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Facebook reconhece que interfere em processos eleitorais. O que fazer agora?

Em 2016, Mark Zuckerberg desdenhou da sugestão de que o Facebook teria contribuído com a surpreendente eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Esta seria “uma ideia muito doida”, afirmou em uma entrevista dois dias depois da votação. Por convicção ou pressão, em 2020 a postura do CEO e da empresa que ele comanda é diametralmente oposta.

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Pelo meio ambiente

No dia em que a Apple apresentou o iPhone 12, falou-se mais de um “não produto” que dos novos celulares. Especificamente, da remoção do carregador de parede e dos fones de ouvido das caixas dos novos modelos e dos antigos que continuam à venda (SE, XR e 11).

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O grande dilema

Se você lê o Manual do Usuário há algum tempo, é possível que O dilema das redes, novo documentário de Jeff Orlowski lançado pela Netflix, não acrescente novidades ao assunto que aborda — a saber, os impactos negativos, nem sempre evidentes, das grandes empresas de tecnologia em nossas vidas, em especial as de redes sociais. Mesmo assim, vale a pena conferi-lo.

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Os três problemas do polêmico VAR, o árbitro de vídeo do futebol

por Hudson Martins

Desde que o uso do árbitro de vídeo, ou VAR (do inglês “video assistant referee”), foi oficializado, em 2016, guardo comigo diversas ressalvas sobre o protocolo. Para não ser traído pela pressa, decidi esperar. Os sucessivos questionamentos a decisões influenciadas pelo árbitro de vídeo nos últimos anos, de campeonatos regionais à final da Copa do Mundo, confirmaram as minhas inquietações iniciais.

Divido a crítica ao VAR em três blocos, ou problemas: 1) a arbitrariedade dos lances capitais; 2) a centralidade do processo na equipe de arbitragem; e 3) a impossibilidade de progresso humano dentro desse protocolo — ou a desumanização provocada pela tecnologia. Some a isso a verdade inconveniente de que, apesar das promessas e de evidências engendradas com a tortura de estatísticas, o árbitro de vídeo sequer deixa o jogo “mais justo”.

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A estranheza da estética algorítmica de Flight Simulator

por Kyle Chayka

O colunista do New York Times Farhad Manjoo publicou uma curiosa coluna sobre o novo Flight Simulator da Microsoft, jogo que usa uma grande quantidade de dados do OpenStreetMap, filtrados através do Bing Maps, para criar uma renderização tridimensional do mundo inteiro. Os dados foram traduzidos algoritmicamente em um ambiente enorme; cada casa, arranha-céu ou montanha tornado interativo. Você pode pilotar um avião virtual passando por uma réplica virtual da sua casa.

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Qual o limite dos cancelamentos virtuais?

A palavra “cancelamento” foi ressignificada em 2020. Piada para alguns, o cancelamento de pessoas na internet pode ter implicações sérias nas vidas de famosos e anônimos. Quando a crítica deixa de ser isso, crítica justa, e passa a ser exagero ou até crueldade?

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Contra as grandes: Como tirar das Big Tech o monopólio do futuro

Nota do editor: Alguns meses atrás, a Laura Castanho, que está se formando em Jornalismo pela USP, entrou em contato comigo para perguntar se eu topava escrever um artigo de opinião para a revista Zero, seu trabalho de conclusão de curso. Topei e, com a ajuda dela, o resultado é o que você lê abaixo. A revista impressa (na foto) ficou sensacional e pode ser comprada aqui. Não deixe de dar uma passada no site, no perfil no Instagram e de assinar a newsletter gratuita.


Quando uma startup dá certo — recebe investimento, cresce vertiginosamente, encontra um modelo de negócio rentável e abre capital —, é difícil preservar os traços dos seus primeiros dias. Um que costuma resistir, ainda que apenas por peso simbólico, autoengano ou como lembrete de uma época que ficou para trás, são os slogans e as missões da empresa.

Nas startups de tecnologia, a megalomania e o altruísmo se confundem em algumas das frases usadas pelas que deram certo de acordo com seus próprios critérios. “Não seja mau”, dizia o mantra do Google, cuja missão é organizar e tornar acessível toda a informação da Terra. O Facebook, nascido em um dormitório de faculdade a partir de um site para ranquear as alunas mais atraentes, com fotos obtidas do diretório acadêmico sem a permissão delas, em algum momento dos seus primeiros anos passou a ser uma ferramenta para “conectar o mundo”.

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Não há nada de estranho em ser fã de banco

A ascensão das fintechs no Brasil deu origem a um fenômeno derivado que muito nos intriga, o do fã de banco. São pessoas genuinamente entusiasmadas com seus cartões roxos, apps moderninhos e carteiras digitais, verdadeiros embaixadores não remunerados de um segmento conhecido por arrancar o couro de qualquer um que cometa o sacrilégio de atrasar o pagamento da fatura um dia que seja.

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iOS 14 e o “absurdo” do consentimento informado na cessão de dados pessoais

Se este site que lhe perguntasse, sem enrolação, se você permitiria que ele coletasse dados pessoais seus para fins de publicidade e medição de audiência, você concederia? Desde que a GDPR, a lei de proteção de dados pessoais da Europa, entrou em vigor, isso virou rotina em sites estrangeiros. Pode parecer que não, mas só porque os donos de sites tentam maquiar o pedido para dissuadi-lo de negar a cessão de dados.

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Celulares sem carregador na caixa: bom para as fabricantes, bom para nós?

A esteira de rumores do futuro iPhone trouxe, esta semana, a possibilidade de a Apple não incluir mais na caixa o carregador de parede e fones de ouvido a partir da próxima versão. Só saberemos se este rumor procede em setembro ou outubro, quando o iPhone de 2020 deve ser anunciado. O que cabe, agora, é debater se chegou a hora de tornar esses acessórios, em especial o carregar de parede, opcionais.

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Vem aí o “AppleOS”?

A Apple costuma usar a abertura da WWDC, sua conferência anual para desenvolvedores, para revelar as próximas versões dos sistemas operacionais da casa. Em 2020, o evento teve que se adaptar à loucura que estamos vivendo, ou seja, foi pré-gravado e sem plateia, acessível apenas por streaming. Seria difícil que outro aspecto causasse mais estranheza que essa mudança, mas foi o que ocorreu.

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