Não há nada de estranho em ser fã de banco

Cartão contactless do Nubank segurado por uma mão contra um fundo de parede branca com uma palmeira.

A ascensão das fintechs no Brasil deu origem a um fenômeno derivado que muito nos intriga, o do fã de banco. São pessoas genuinamente entusiasmadas com seus cartões roxos, apps moderninhos e carteiras digitais, verdadeiros embaixadores não remunerados de um segmento conhecido por arrancar o couro de qualquer um que cometa o sacrilégio de atrasar o pagamento da fatura um dia que seja.

O fenômeno intriga, mas sob olhar mais crítico não surpreende. Não é, também, algo espontâneo, por mais que isso lhe pareça quando alguém aluga teu ouvido para contar as maravilhas de um app ou cartão, ou rasga elogios a uma fintech na rede social por uma carta escrita à mão ou qualquer bobagem do tipo. Os fãs de bancos são, sim, resultado de uma estratégia muito bem pensada e executada.

Tive essa epifania há poucos dias, quando recebi o meu ~roxinho novo. Uso o cartão de crédito do Nubank há uns bons anos, desde que fui empurrado a ele pela avareza do meu banco tradicional que, na época, não quis isentar a anuidade do plástico. O novo cartão habilita a função débito (que não uso e nem pretendo usar) e funciona por aproximação (“contactless”), um recurso interessante nesses tempos em que tocar superfícies é um risco real à saúde. No mais, o antigo estava prestes a expirar, então a vinda do novo era inevitável.

Apesar dos recursos funcionais do novo cartão, o que mais me chamou a atenção quando abri a correspondência foi como ele é bonito. Não tem o status de um cartão “black”, mas, esteticamente, acho que é o cartão mais bonito que já vi. O brilho chama a atenção de um jeito elegante, o tom de roxo escolhido é perfeito, e a frente, livre de todos aqueles números que enfeiam outros cartões e criam um sério risco se compartilhados em uma inocente foto na internet. Tudo isso é deliberado. O assistente de ativação do cartão, no app, incentiva a publicação de fotos dele em redes sociais. É como se dissesse “vai lá, posta; até mudamos o design do cartão para isso!” (O antigo trazia números na face, como qualquer outro cartão.)

É, pois, um cartão de crédito fotogênico. A atenção obsessiva à imagem é um expediente comum em empresas que querem vender estilo de vida. Vemos esse apreço à forma em outras marcas cultuadas, como Apple, Supreme, Tesla. É o básico do marketing moderno: não basta suprir a necessidade do consumidor, é preciso fazer com que ele se orgulhe da escolha que fez, que se sinta agraciado, quase privilegiado por ter feito negócio com a empresa. Qual o distanciamento do ridículo entre um fã de banco e gente que veste roupas feias da cena “hype beast” que custam dezenas de milhares de reais, digo, “dóls”?

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Frame do vídeo mostrando uma camiseta e correntes e o valor total da vestimenta, de R$ 26 mil.
Imagem: Hyped Content Brasil/YouTube.

Bancos e instituições financeiras são, numa comparação grosseira, empresas como quaisquer outras. Só que em vez de venderem roupas superfaturadas, celulares ou carros, eles vendem crédito. Cobram caro por isso e agem agressivamente quando levam calote. Por muito tempo, as dinâmicas do nosso sistema bancário somadas ao alto nível de inadimplência dos brasileiros restringiu o acesso a serviços mais sofisticados, como o cartão de crédito. Em meados dos anos 2010, entraram em cena — com uma forcinha do Banco Central — o Nubank e a profusão de outras fintechs. Ali o cenário começou a virar.

O Nubank democratizou o acesso ao cartão de crédito e merece todos os confetes por isso. Muita gente que havia tentado obter um dos bancos tradicionais e teve o pedido negado conseguiu alcançar a graça pelo Nubank. Isso, por si só, já gera uma conexão mais profunda, quase uma gratidão no consumidor. Afinal, o Nubank confiou que ele pode e vai pagar. (E, se não, tudo bem: como em qualquer outro cartão, aquele juro abusivo do rotativo está ali também, à espreita, para compensar qualquer atraso.)

A onda de fintechs ajuda a democratizar a bancarização no país, mas só funciona com os excluídos dos bancos tradicionais. Elas comem pelas beiradas. Para chegar ao miolo, ou seja, aquelas pessoas que já estão inseridas no sistema, é preciso mais. Para essas, a barreira da inércia é um grande obstáculo. Não basta oferecer um app legal quando os serviços são, a rigor, os mesmos, nem cobrar ligeiramente menos por eles. É preciso mais.

Nesse ponto, “storytelling” e pertencimento gerado artificialmente se tornam diferenciais competitivos. Nasce, assim, as ações de marketing engraçadinhas, que geram conexão, e as que integram o usuário, coitado, que só queria um cartão, à máquina publicitária sem que ele perceba estar sendo usado. O #sounu do Nubank, por exemplo: tão didática, tão descaradamente explícita, que, talvez por isso, pela ousadia de dizer na cara o que muitas vezes se tenta deixar subentendido embaixo de camadas de abstração, funciona tão bem. Você não precisa ter vergonha de ser fã do Nubank. Pelo contrário: orgulhe-se disso!

Meu novo cartão veio acompanhado de um adesivo #sounu. Não é à toa que a Apple manda adesivos de seu logo nas caixas de praticamente todos os produtos que comercializa. Vai dizer que você nunca viu o logo da maçã mordida colado na traseira de um carro, talvez até um carro de luxo, a epítome de uma fatia da população relativamente abastada, mas tão alienada que é incapaz de enxergar a própria cafonice que tanto rechaça nos mais pobres?

Foto da traseira de um SUV com três adesivos da Apple colados no vidro.
Foto: Apple Sticker Car Club/Facebook.

Se a Apple pode, se a Supreme pode, se a Tesla pode, por que não o Nubank? Mais ainda: por que não os bancões? Esses incumbentes — Itaú, Bradesco, Santander —, dinossauros aparentemente à prova de asteroides, podem ter demorado, mas já viram que há uma nova arena de disputa com os entrantes do setor. Os comerciais de fim de ano do Itaú, por exemplo. Bonitinhos, espirituosos, emocionantes; a antítese da desgraça que é negociar ou, que os deuses nos livrem disso, dever para o mesmo Itaú. E funciona. Se procurarmos bem, já deve ter gente defendendo com unhas e dentes, sei lá… a conta corrente do Itaú, o crédito imobiliário do Bradesco, a previdência privada do Santander. Não que esses produtos sejam inúteis. Eles são importantes, mas custam caro e os detentores do crédito, impiedosos. São um mal necessário.

Há setores em que implementar essa narrativa é mais difícil, seja pela falta de competição, seja pelo tédio do serviço prestado. Não consigo imaginar um fã da companhia de gás, por exemplo. Mas eu não tiraria nem ela da jogada. Se até logística já foi usada para esse fim, como no caso emblemático da Amazon e suas entregas impossíveis em um dia, nenhum setor está imune a esse tipo de glamourização.

O fã de banco é mais um capítulo da dominação pelo mercado da identidade do sujeito. Somos cada vez menos cidadãos, cada vez mais consumidores, e, nessa inversão, os valores que norteiam a nossa existência mudam também, apropriados pelo mercado. A adoração a empresas é apenas uma das facetas mais expostas do estrago que a mercantilização da vida vem nos causando há décadas. Fanatismo por instituições financeiras não é doença, é sintoma.

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41 comentários

  1. Baita artigo. Eu imagino o futuro, em que esse tipo de adoração e “pertencimento” é levado até as últimas consequências. A Nação Nubank e a Nação Tesla, novos feudos em batalha pela dominação de recursos escassos em uma terra destruída. Mad Max é fichinha perto do que nos aguarda.

  2. É o sinal dos tempos, não vejo nada de absurdo, triste sim, absurdo não, algo comum, a adoração é comum, o que muda é objeto.

  3. Disclaimer: sou funcionário de bancão, o laranja no caso.

    Sendo bem sincero, eu nunca entendi o porquê das pessoas acharem isso ridículo, no contexto de que os blogs de tecnologia já funcionam normalmente como um RP dessas empresas bilionárias. É mais aceitável ser fan do Uber por quê?

    Os bancões são empresas que lucram bilhões, cobram taxas e com serviço ruim. Chega uma empresa “cool” com um produto pensado na geração Y – público mal atendido pelos bancos – sem agência, sem taxas, com um bom app e resolvendo um problema que afeta a todos. Acho triste, mas natural esse status como foi explicado hahaha

    E, reiterando o comentário do Paulo, não vamos esquecer que toda essa questão é muito mais proeminente dentro da nossa bolha econômica e geracional. O NuBank é desenhado sob medida para nós, mas tem todo um país que nem imagina o que fazer se o banco dela não tiver agência.

  4. Já coloquei o adesivo da Nubank no meu Notebook e depois de um tempo caí na real de como isso é cafona. Mesmo Já tendo o cartão assim que lançou e nunca tendo problemas na sua utilização ou serviço, é bizarro esse fã clube de banco. Você pode admirar alguns empresas pelo bom serviço prestado, no meu caso a Amazon, mas daí vestir a camisa sem ao menos trabalhar lá e sabendo os métodos utilizados de monitoramento ou mão de obra explorada? Eu vejo problemas sim em ser fã de empresas.

    1. Eu coloquei também, acho bem desnecessário, mas ele esconde perfeitamente o nome da marca do meu notebook, e não custou nada (veio de graça quando recebi o novo cartão) hehe.
      Não tenho favoritismo por empresa. Na hora que eu tiver problemas, mudo de operadora de cartão.

  5. Que timing para essa matéria hein!

    No dia seguinte da publicação, o Nubank enfrenta problemas no iOS (aparentemente causado por problemas no SDK do Facebook), porém reparem na quantidade e “calor” dos comentários na comunidade do Tecnoblog:

    https://comunidade.tecnoblog.net/t/fora-do-ar-nubank-nao-abre-no-iphone-nesta-sexta-feira-10/12081/29

    Mas o questionamento vale. Será que um app essencial como o Nubank deveria depender de tais SDKs ou APIs do Facebook?

    1. Isso mesmo que fiquei reparando hoje. É realmente preciso isso? No caso de outros apps que fazem login e outras coisas com o Facebook, como o Spotify, dá para entender. Mas um app de serviços financeiros?

  6. O cartão do Banco Inter e do banco Digio são exatamente o mesmo. Usam esse mesmo leiaute, porém com as cores do Inter/Neon/Digio. Acho que esse é o novo modelo da Mastercard e não tem, necessariamente, relação com o Nubank.

    Sobre o crédito para quem nunca teve. Em termos. Quem não tem dinheiro continua sem crédito e fazendo carnê em lojas. Pode parecer anacrônico fazer um carnê hoje em dia, mas a maioria das pessoas que eu conheço de Gravataí (quase tudo ex-colega de escola, operário de chão-de-fábrica) usam carnê de crediário para fazer compras maiores exatamente porque o acesso ao crédito é pífio. Um cartão com limite de R$550 não serve pra nada. Mesmo um com R$2000 é ainda bem inútil.. Imagine-se tendo que comprar uma geladeira – como eu vou precisar, provavelmente – que custa R$1300 na loja. O cartão de crédito com limite de R$550 é inútil e um com R$2000 vai ficar inútil ao ficar preso por alguns meses com o parcelamento da compra. Pode ser que tenhamos dados “médios” da liberação de crédito para as classes C/D/E que mostram um significativo aumento na liberação, mas, te garanto, isso é exceção e não regra.

    Crédito fácil, acessível – e pagar tudo via crédito – é uma realidade muito estrita e que diz respeito a poucas pessoas (poucas mesmo) dentro do Brasil.

  7. Por um momento fui fã deste cartão aí. Com o tempo percebi que não fez tanta diferença na minha vida. Óbvio que ter na tela do celular tantas opções para mexer, analisar etc é algo bacana. Até minha mãe aderiu a ele.

    Depois testei o Neon e, bem, nada demais.

    Resultado: voltei ao Free do Santander. Sou fã mesmo da tag NFC que fica grudada na pulseira do meu relógio. Com ela, aposentei meu cartão. Com o celular, aposentei minha CNH. Hoje, não uso nem mais carteira.

    1. Se tem algo que eu sou “fã” nesse setor são essas soluções de pagamentos sem contato. Uso o Apple Pay e para mim é algo que não vou deixar mais de usar.

      Apesar dessa digitalização, defendo que as cédulas não podem deixar de existir, pois, num país como o nosso, a maior parte da população tem uma barreira enorme para acessar outros meios de pagamento.

    2. Seria meu sonho usar esses métodos de pagamento como o Apple Pay? Mas na minha cidade ou as máquinas nunca aceitam ou os atendentes não fazem questão de saber o que é.

  8. Pois é, ainda me lembro que na era de ouro do Twitter, tinha gente que era fanboy de bandinha e boy band. Pois bem, essa gente cresceu e agora virou fanboy de banco 🤣🤣🤣

  9. Concordo com o argumento já colocado. O que faz as fintechs terem clientes “satisfeitos” é o péssimo serviço dos concorrentes tradicionais. A Caixa Econômica Federal ao menos para mim é incontestavelmente a pior. Nada é resolvido de forma não presencial. E na agência então? Parece ser pensada para provocar um infarto nas pessoas. Ninguém sabe de nada. Funcionários que parecem odiar o que fazem. Quando sou obrigado a ir por algum motivo chega a bater aquele desânimo.

    1. A CEF não é um banco comercial, é um banco de fomento. É normal que as pessoas lá dentro não saibam nada sobre algo fora do escopo delas, afinal, a CEF lida com FGTS, BF, MCMV, folhas de pagamento pequenas (prefeituras e municípios com menos de 10 mil habitantes) e agora auxilio emergencial. Você não vai encontrar uma agência da CEF vazia porque ela atende, basicamente, qualquer cidadão brasileira que um dia teve carteira assinada (e a empresa não deu um migué e recolheu o FGTS de forma honesta).

      O pessoal reclama da fila do AE (e eu não sabia porque tinha fila, depois descobri que era pra evitar a frustração/desentendimento das pessoas de receber um erro de servidor) mas imagina o quanto de sistema legado, transação de banco de dados e cruzamento de informações e comunicações bizarras que a CEF tem que fazer pra deixar o Caixa Tem funcionando. Tudo isso feito em, sei lá, um mês. 99% das empresas privadas não faria um aplicativo desse tamanho (500 mil acessos ao mesmo tempo, bilhões de transações e milhões de novos usuários). Aliás, o Caixa Tem deve ser o maior case de “bancarização” da classe baixa do Brasil.

      Ir na CEF e esperar o atendimento de um banco comercial é contraditório.

      1. A gente estava discutindo esses problemas no grupo do MdU, pessoal esquece que para lançar algo assim geralmente se demora anos em uma startup e muito pior em um banco antigo cheio de legado.

        Ficaram criticando as fraudes, mas é impossível fazer um sistema sem nenhum histórico de ação parecido. Ver parentesco é um dos problemas mais complexos, a maioria dos programadores mal sabe o que é um grafo e imagina montar uma solução para uma base com 200 milhões de pessoas e milhões de acessos diários. Fora que isso é info da receita, não da CEF.

        Entretanto, não entendo o porquê de complicar a saída de dinheiro do Caixa Tem, me parece totalmente contraproducente e não consigo enxergar uma explicação. Na minha cabeça, eles deveriam fazer de tudo para transferir para outros bancos e até as próprias contas da Caixa, não dificultar o processo.

        1. sobre o último parágrafo:

          teoricamente é pra evitar o pessoal ir ao banco e fazer filas.

          as duas primeiras parcelas minha mãe recebeu no banco dela direitinho, agora tem que ficar numa fila no aplicativo da caixa pra ter acesso a terceira parcela

          1. Acho que o @Gabriel falava das transferências entre bancos. Agora, você precisa esperar um te0mpo bem dilatado para transferir o seu dinheiro do Caixa Tem para outro banco, mesmo para uma conta da própria CEF.

            O meu lado paranoico me diz que isso é uma tentativa de manter o controle do rastreio do uso do dinheiro que foi depositado. O meu lado programador me diz que é pra diminuir o número de transações no aplicativo nos primeiros dias do pagamento.

            É bom lembrar que temos vários lotes de pagamentos. Eu recebi a primeira parcela apenas no terceiro lote (~28 de maio) quando algumas pessoas, do primeiro lote, já tinham recebido a segunda parcela. Por conta desses atrasos, fraudes e milhares de dados errados e ações judiciais contra a CEF o sistema precisa estar sempre sendo verificado e testado, então, a minha justificativa pra impedir transferências para outros bancos é diminuir as transações e manter, nos primeiros dias, apenas pagamentos de boletos mesmo. Sem falar que pode ser um teste/aprendizado para as pessoas de baixa renda entenderem como usar pagamentos via aplicativo sem a necessidade de dinheiro vivo ou cartão de débito.

            Saque é outra história. A ideia de saque por data de aniversário é comum nas classes baixas pra evitar filas (e agora, aglomerações) nos terminais e caixas da CEF. Se você liberar saque, no outro dia tem milhares de pessoas fazendo filas quilométricas em todas as agências da CEF.

          2. Sim, era isso mesmo que o @Paulo comentou.

            Eu acho que a teoria das conspiração faz mais sentido, acredito que sistema de DOC geralmente escala bem porque é simples e sempre mais tranquilo resolver um problema de “diária” do que online. Sei lá, daria para usar o dia inteiro para gerar os arquivos.

            Talvez fosse um problema para outros bancos, mas duvido…só questão de numerário talvez. Tipo, se todo mundo transfere e tenta sacar, aí vira um caos a logística de dinheiro.

            Mas acho mais provável que realmente eles estejam segurando o máximo pela questão das fraudes.

        2. A questão dos saques é porque, se liberaram, não apenas as agências da CEF vão ficar lotadas e aglomeradas, normalmente com pessoas do grupo de risco pra COVID19, como também as lotéricas (principalmente as de shoppings).

          Já viu a fila de uma lotérica? A maioria das pessoas mais velhas ou com renda mais baixa vai no Banco 24H, saca e depois vai na lotérica pagar as contas. Pagamento via ATM é muito baixo, online então, deve ser coisa de 10% da população. O grosso do brasileiro lida com dinheiro vivo a maioria do tempo.

          Aliás, isso é bom de pontuar, a CEF ainda lida com as loterias e lotéricas (que fazem pagamentos, saques, pagam BF e uma série de benefícios que jpa citei e ainda o seguro desemprego e os benefícios do INSS; a quantidade de “produtos” que a CEF precisa lidar diariamente é muito grande e deve ser absurdamente complexa.). A rede física deles é imensa se você contar as lotéricas.

      2. Puxa, seu comentário foi muito esclarecedor para mim. Eu tinha uma opinião sobre a Caixa parecido com a do colega acima, mas, teu comentário me fez olhar com outros olhos.

  10. Ótima análise. Só é fã de banco quem nunca precisou pagar as taxas abusivas que eles cobram por atraso no pagamento.

    Ou não, tem maluco pra tudo hoje em dia 🤷🏻‍♂️

  11. Eu até entendo quem é acionista defendendo o “seu” banco (seu no sentido de que é dono de 0,000000000000001% do Banco).

    No meu dia a dia ainda uso o BB, onde recebia minha bolsa na univerdade 20 anos atrás e hoje recebo o salário. Uns anos atrás o BB oferecia uma cesta digital, de custo zero e capaz de TEDs ilimitadas, além de saques. Mas não dá direito a cheques… alguém ainda usa? Por isso, mesmo abrindo conta no Inter e possuindo um Nubank, não os uso para movimentar dinheiro do dia a dia, e dado os problemas que a Nuconta teve recentemente (de não compensar boletos pagos pelos clientes) e do Inter com o vazamento não confirmado de dados, fico cada vez mais reticente. A verdade é que como foi mencionado, não tem nada MUITO revolucionário, e pra quem tem acesso ao “seu” gerente do banco, fica até fácil tratar de alguns assuntos.

    Em cartão de crédito o Itaú tem contra atacado com seus produtos Credicard (Zero e agora o Beta), mas quanto à conta corrente, acho que estão mais preocupados com a fuga dos clientes alta renda para as corretoras de investimento, vide a propaganda do Itaú personalité esses dias.

    1. Eu até entendo quem é acionista defendendo o “seu” banco (seu no sentido de que é dono de 0,000000000000001% do Banco).

      Sim! Mas, pessoalmente, nem isso justifica torcida. Ter ações, no sistema em que vivemos, para mim acaba sendo um mal necessário. Óbvio que como “sócio” há o desejo de que a empresa prospere, mas não precisa ser explorando os clientes.

      1. Peço desculpas de antemão pelo tamanho do comentário, virou um textão. Mas depois assino o Manual pelo PicPay pra compensar o transtorno ;]
        Caro Ghedin, TODAS as empresas exploram os clientes. Já sobre extorsão…
        Apesar de trabalhar em um banco, não tô escrevendo pra defendê-lo e sim pra refletir(ou jogar meu tempo fora, whatever). Até pq eu tbm tenho ações e, vendo meus colegas em FB da vida, vejo que NÃO tenho o mesmo amor pela casa. Amo enquanto ela me amar.
        Assim sendo, sobre essa questão de custo, vejo sempre a mesma análise: ou é grátis ou um roubo.
        Já eu vejo assim: uma senhorinha já murcha pagar 80 conto de “pacote” quando não usa p**** nenhuma é extorsão. Mas atender adulto jovem hipster(desculpem) quer não quer pagar 10 conto pra ter uma conta mas quer atravessar o país ou ir pro exterior e ter dinheiro nas máquinas pra sacar, holy shit… Isso tudo tem um custo: máquina, transporte de valores, TI… é utopia que pagássemos o JUSTO e tivéssemos um serviço de qualidade? Na boa, 10 conto cê não assina ispótifay.
        Voltando ao “roxinho”, tive um dos primeiros(pois é). Achei que ia revolucionar o mercado, sendo justo na taxa do rotativo(era na casa dos 3%a.m.). Sério, não sei como tem pobre que se gaba de não pagar anuidade e entra no rotativo, paga quase 20%a.m. e fica feliz.
        Claro que no marketing eles são bons, exceto numa carta “fofinha” que circulou por aí e foi mais íntima do que a maioria das namoradas entende. Mas ele revolucionou MESMO foi no app: nem gente que trabalha em banco usava o app de cartão do mesmo e isso o “roxinho” fez muito bem, não tinha que esperar pra ver saldo, compras… fez o que os outros não fizeram por acomodação.
        Quem chega primeiro, bebe água limpa. E foi o que forçou a alguns apps melhorarem, a diferença caiu consideravelmente. O “roxinho” parece cada vez mais banco, o número de fãs deveria cair.
        Experimenta, num momento de dificuldade da tua vida, ficar devendo pro “roxinho”, pra ver o que acontece e ressignificar na tua vida o significado da palavra explorar. Como disseram em outro comentário, “nunca deva ao nubank. nunca.”.

        1. Concordo com a sua premissa: todo serviço, no modelo atual em que vivemos, precisa ser remunerado. No caso dos bancos, não tenho dados para embasar isso, mas a julgar por sinais circunstanciais acho pouco provável que existam mais jovens nômades digitais que querem tudo grátis do que senhorinhas sendo exploradas com cestas básicas de serviços caríssimas. Esse último cenário deve ser mais comum e o sinal mais forte nesse sentido aparece a cada três meses: o lucro violento que os grandes bancos relatam, um fenômeno que, até agora, tem se provado imune a crises.

          O app do Nubank é realmente um diferencial. No último post livre até comentei que o Bradesco havia reformulado seu app principal, mas nem assim: foi só um facelift, a estrutura e a lentidão (e até o layout das telas internas) continuam idênticos. Funciona? Sim, mas tão menos agradável de usar que o app do Nubank…

        2. Seu comentário tocou em um ponto bem sensível ( tarifas de uso do serviço ) de forma que faz pensar “fora da caixa”.

          Eu só mudaria o final para “nunca deva para ninguém”.

          1. Sim, pensando de forma ampla, você tá totalmente certo.

            Na verdade, meu ranço com essa questão é que a modernidade e a fofice do roxinho param quando você tá mal das pernas. E sendo moderno acho muito bizarro essa parte ficar pra trás.
            Pra ter ideia do que sinto sobre: minha mãe, antes dos anos 2000 ficou devendo pro banco que eu vim a trabalhar, quando meus avós morreram. A coleguinha que a atendeu pra negociar pediu uma proposta redigida por um advogado pra prosseguir. Resultado: pagou tudo que é financeira e o banco só anos depois.
            Hoje, quando eu atendo alguém f*dido no cartão, pagando uns 10%a.m. e enredado(já é pouco mais da metade do roxinho, mas whatever), consigo com dois ou três cliques reparcelar passando a taxa pra 2%. É significativo.
            Já o roxinho, com exceção da época de pandemia, o máximo que renegociavam, é parcelar tua fatura com a singela taxa de 8,99%. É uma diferença e tanto.
            Mas, ranços à parte, tento levar a vida do modo que você citou: nunca deva pra ninguém.

  12. a melhor coisa do mundo é dever para itaú, santander, bradesco. todos contabilizam sua dívida no passivo da empresa, te enchem por um pouco, você paga uma porcentagem do que devia (não leia isso como um incentivo a pegar dinheiro e ficar devendo por aí. mas problemas acontecem e pessoas/empresas quebram depois de empréstimos!)

    nunca deva ao nubank. nunca.

    eles não vão cobrar juros exorbitantes. é pouquinho, mas são inacessíveis. não negociam, não se abrem para negociar. vendem sua dívida, como qualquer banco, mas o comprador não aceita negociar.

    entre uma fintech imprevisível e um dinossauro previsível, fique com o dinossauro.

    1. Dever pra cartão de crédito é saber que dificilmente você será cobrado judicialmente. Os juros são abusivos, dificilmente um juiz não vai mandar recalcular os juros. Não sei como anda hoje, que os juros “diminuíram” um pouco, mas um tempo atrás, se você devesse e pagasse juros, sem negociar, e tivesse paciência, entrava com uma ação pra reaver um pouco desses juros e conseguia.

      Agora, essa do Nubank não sabia, se não aceitam negociar e pegam um devedor murrinha, não receberão nunca.

      1. O roxinho dá tanta liberdade que, quando o brasileiro descobriu que dava pra gerar um boleto com carteiras digitais e pagar ele com ele mesmo, mas diminuindo a taxa pra 3%a.m., avisou carinhosamente: “usuárixs, amamos vcs, mas vamos ter que cancelar seus cartõezinhos se continuarem fazendo isso”.
        Acho que do meu histórico com eles só faltou eu fazer isso pra ver o quando a vida poderia enredar, rs.

          1. Teve uma família anos atrás que viajou o mundo com milhas gerando boletos e pagando com o próprio cartão. Acho que saiu no Fantástico. Eu lembrei porque eles são aqui do Rio.

  13. Fala, Ghedin! :)

    Interessante esse approach de humanizar e entender uma parada que muita gente só ridiculariza de maneira rasa — e outros defendem, dando munição para os primeiros.

    Pra mim, o argumento mais compreensível é o do benefício comparativo: não é simplesmente que o Nubank (ou o Inter, ou o Neon, ou o Next, ou…) seja bom. É é que ele, comparado ao que existia antes, é um verdadeiro oásis.

    Eu me tornei cliente do Nubank numa época em que estava absolutamente desgostoso do Itaú por conta de uns dois ou três episódios em que precisei resolver problemas diversos e, sendo atendido por telefone ou email, ouvi que precisava ir até a agência. Não apenas qualquer agência, mas sim a MINHA agência. Isso quando eu estava em outro estado, ou até mesmo em outro país. Eu respondia “mas simplesmente não é possível que eu compareça à minha agência, e não entendo por que isso não pode ser resolvido à distância”, e o banco rebatia basicamente com um grande ¯\_(ツ)_/¯.

    Da mesma forma, existe uma diferença muito grande entre ver no seu extrato uma linha com 5 siglas que você não entende nenhuma delas (algo como “TAR LIN IBPT -7,90”) e ver uma representação visual clara, objetiva, categorizada e possivelmente até mapeada de cada gasto que você teve.

    Por esses motivos, eu passei muito tempo recomendando enfaticamente o Nubank. Não porque o Nubank era bom, mas sim porque o Itaú era muito ruim, muito incompetente, muito pior, e eu me sentia bem em pensar que, por alguma ação minha, o Itaú teria (e teve!) alguns clientes a menos.

    Até porque, convenhamos, o Nubank nem é BOM. Ele só é razoavelmente competente e eficiente, de um jeito que os bancos tradicionais nunca se importaram muito em ser, por falta de concorrência. Então, vida longa a essa concorrência.

    (Agora só falta o Nubank parar de enrolar e implementar o Apple Pay, que já tá ficando feio pra eles, que gostam de posar de moderninhos.)

    1. É um ótimo argumento, Fabio. Acho que esse relato seu passa por aquilo que disse no texto sobre quem não conseguia cartão de crédito com os bancões — o atendimento lixo deles deu espaço para as fintechs atacarem e se estabelecerem.

      1. Ah, uma coisa que só me ocorreu agora: há uma diferença importante entre indicar um produto ou serviço agradável/funcional/útil de uma empresa e virar embaixador dela, alguém que a defende a todo custo e se nega a reconhecer seus problemas.

        Meu texto é direcionado a esse segundo grupo, no qual acredito que eu, no caso específico de bancos/fintechs, não me encaixo, ainda que já tenha indicado o Nubank para algumas pessoas pelos mesmos motivos que os seus, Fabio.

    1. Valeu, Douglas! Não uso débito porque não movimento dinheiro na NuConta. (E, na real, acho mais fácil controlar gastos pelo cartão de crédito do que debitando toda hora da conta corrente.)

      1. Pensei mesmo que fosse isso e me faz bastante sentido. No débito a gente não sente o dinheiro esvair-se. Tenho uma grana lá para fazer transferências. Infelizmente, o Banco do Brasil ainda me cobra por TEDs. Obrigado, Ghedin!

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