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Qual o limite dos cancelamentos virtuais?

Ilustração com traços simples e escuros contra fundo claro de uma mulher encarando um celular, que emite luz em seu rosto como se fosse uma sombra.

A palavra “cancelamento” foi ressignificada em 2020. Piada para alguns, o cancelamento de pessoas na internet pode ter implicações sérias nas vidas de famosos e anônimos. Quando a crítica deixa de ser isso, crítica justa, e passa a ser exagero ou até crueldade?

O cancelamento ocorre em redes sociais. Um usuário acusa outro, em tom condenatório, de algum ato ou declaração socialmente reprovável ou potencialmente criminoso. A acusação, geralmente exasperada, se espalha pela rede, impulsionada por curtidas e comentários, sufocando o cancelado, ou seja, tirando-lhe qualquer chance de defesa. O cancelamento bem sucedido extrapola o virtual e tem implicações reais, como a perda do emprego, de oportunidades ou até o desenvolvimento de quadros depressivos.

A prática tem contornos de justiçamento, mas em muitos casos se confunde com a mera responsabilização por atos e declarações. Quando a escritora J. K. Rowling dá declarações conservadores de gênero e sexo biológico a seu público no Twitter, cujo perfil é mais progressista, a reação virulenta é uma consequência esperada. Mas quando grupos ameaçam a filósofa Djamila Ribeiro e sua filha por um post patrocinado que ela fez à 99, ultrapassa-se os limites da civilidade.

O cancelamento é especialmente perigoso quando atinge anônimos, como no caso de Emmanuel Cafferty, norte-americano fotografado fazendo um sinal de “Ok” com a mão enquanto dirigia o veículo da empresa onde trabalhava. A foto foi postada no Twitter por alguém que atribuiu ao gesto uma conotação racista, uma interpretação bastante enviesada, para dizer o mínimo. Cafferty perdeu o emprego e agora não consegue recolocação, pois empregadores que buscam seu nome no Google sempre se deparam com a história. O caso foi contado nesta reportagem em vídeo da BBC Brasil.

Numa comparação simplória, cancelamento seria uma espécie de “boicote de pessoas físicas”. Nega-se ao cancelado empregos (Cafferty), voz (Djamila na luta dos entregadores de apps), representação (Rowling), contratos (Gabriela Pugliesi, pela “festa da COVID”) ou, em casos mais extremos, a mera convivência (o casal carioca do “cidadão não, engenheiro civil…”). No processo, há um massacre de reputação, resumindo toda a existência da cancelada àquele ato.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Fofocas, boataria e ataques pessoais existem desde tempos imemoriais; o que muda no cancelamento é o papel da tecnologia, no que quero dizer as redes sociais. Talvez não seja coincidência o cancelamento estar em voga neste momento, em que o debate público, por motivo de saúde pública, está ainda mais concentrado em ambientes virtuais.

Redes sociais esgarçam a definição do que é público. Pequenas contravenções, bobeiras, erros ou piadas internas de mau gosto estão todos à mercê da viralização com consequências imprevisíveis. Para as redes sociais, tanto melhor: elas precisam desse combustível para serem palco do debate, mesmo aqueles inócuos, que a Manuela Cantuária comentou com graça nesta coluna. É com isso que elas lucram.

Em 2014, muito antes de falarmos em cancelamento, o empreendedor Anil Dash escreveu um belo ensaio do assunto. “O público não é apenas o que pode ser visto pelos outros, mas um frágil conjunto de convenções sociais acerca de quais comportamentos são aceitáveis ou apropriados”, disse ele. Aquele comentário odioso que ouvíamos na mesa ao lado em um restaurante e que causava indignação, mas ficava restrito àquele lugar e tempo, agora pouco ser levado à internet. Essa possibilidade faz da situação material de interesse e ao alcance do público?

É natural que pessoas públicas, como Djamila Ribeiro e J. K. Rowling, seja escrutinadas por suas opiniões, embora nada justifique as ameaças que a filósofa brasileira e sua filha — que nada tem a ver com a história — estejam recebendo. Traçar essa linha, a que separa a responsabilização do justiçamento, é a grande questão aqui. Já para gente anônima, importa mais a definição do que é público e do que vale a indignação coletiva, e até que ponto. A plataforma em que o episódio que levou ao cancelamento explode não dará o mesmo espaço para uma tentativa de defesa. É uma condenação sumária. É dificílimo se solidarizar com o casal do “cidadão não, engenheiro civil…”, mas saber que aquela fala de alguns segundos destroçou suas vidas dá muito o que pensar.

Talvez a gente ainda esteja em um período de adaptação à realidade em que todos têm voz e há meios acessíveis para amplificá-la enormemente. Se antes da internet e das redes sociais a informação corria contra toda sorte de obstáculos — temporal, espacial — e tinha custos elevados para alcançar multidões, hoje não mais. E, apesar de uma mudança grandiosa na prática do discurso, não é fácil percebê-la até que se esteja no olho do furacão. Mesmo marolinhas, como receber centenas de críticas e xingamentos por dizer que um carro feio é coisa de homem inseguro, já balançam um pouco a pessoa.

Há muita coisa boa decorrente desse processo — este Manual do Usuário provavelmente não existiria não fosse tal fenômeno —, mas ele também abre flancos, explorados por Twitter e congêneres, para abusos em escala industrial, situações sem precedente na história da humanidade. Cobrá-los pela sua parcela de responsabilidade é parte importante dessa adaptação e uma que, com frequência, é esquecida.

No Instagram, Djamila Ribeiro informou que vai processar o Twitter, e não os usuários do Twitter, pelas ameaças que ela e sua filha estão recebendo: “Por mais execráveis [que] essas pessoas [que ameaçaram minha filha] sejam, friso que, como disse na live, nunca ameacei processar ninguém, o que se trata de mais uma fake news. Meu foco é representar o Twitter no MP, uma empresa bilionária, que lucra com ataques sem defesa a mulheres negras”. É um passo importante.

Ilustração do topo: Carlos PX/visuals/Unsplash.

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15 comentários

  1. Fiz uma crítica a matéria sem nenhum ataque pessoal ou xingamento, apenas apontando os efeitos e consequências da tal “cultura do cancelamento” e olha que ironia, fui cancelado pelo Ghedin.
    Fiz também um comentário a respeito do texto do Guilherme, novamente, sem ataques pessoais ou xingamentos, apenas demonstrando que o Guilherme foi muito parcial e ignorou fatos sobre os opositores do governo (que sou crítico!) na manipulação das eleições anteriores. Novamente fui cancelado. E o pior! Numa coluna intitulada ‘tecnocracia!’
    Isso depois de apontar que não sou bolsonarista, apenas indignado com o cenário político e jornalístico atual, que segue numa caça às bruxas de quem não segue o sistema. Bastante decepcionado com o site que era fã, mesmo sabendo que ultimamente deixou a política pautar os assuntos.
    Pra um blog que se orgulha de estimular o debate e crítico da manipulação política, deveriam respeitar as opiniões divergentes.

    Novamente, bastante decepcionado.

    1. Ronaldo, apaguei seus dois comentários por concluir que eles infringiam a política de comentários do site. É bem simples e curta, e a transcrevo aqui:

      [O site] reserva-se o direito de apagar, de pronto, qualquer comentário considerado ofensivo ou com sinais de spam ou que, de qualquer outra forma, contribua para desestabilizar o ambiente, sem que o autor seja avisado disso.

      Não sei se viu, mas em paralelo às exclusões enviei a você um e-mail explicando o que motivou tal decisão. Se quiser debater comigo essa decisão, peço que o faça pelo e-mail, em particular.

  2. Eu vejo como normal esse embate. As pessoas, de forma social, ainda estão se acostumando com o ambiente virtual e com a vivência nesses ambientes. Antigamente se falavam coisas piores em “espaços seguros” e se fingia um progressismo perante à sociedade. Acredito que isso ocorra de certa forma com as redes sociais – já temos grupos fechados que funcionam como isso – e com o tempo a tendência de “compartimentalização” da sociedade vai dar conta de colocar as pessoas nos seus espaços seguros, criando “personas” para cada situação.

    No momento estamos vivendo o êxtase das redes sociais como normalizadores de comportamento, pegando as pessoas e as dividindo em blocos (liberais, socialistas, conservadores, progressistas) de forma a criarmos aglomerações de pessoas com os mesmos interesses e que, quando expostas à opiniões que sejam extremamente diferentes, se comportam como manada em busca da volta da normalização anterior. Ajuda, claro, o fato dessas redes serem determinadas por algoritmos e também o recrudescimento que vimos ocorrer nos últimos 4/5 anos oriundos da polarização sócio-econômica.

    Ainda, contudo, prefiro que as pessoas sejam canceladas do que ver as suas ações serem perdoadas sem maiores percalços pessoais. As pessoas com opiniões e ações extremas precisam urgentemente sentirem o peso dessas suas ações. É muito comum que tudo seja relevado pela ideia torta de “arrependimento”. Ontem mesmo um comentarista de futebol disse que o Marinho (que negro) “estava indo pra senzala” depois de ser substituído. Hoje o comentarista se retratou e disse que falou sem pensar. Não temos como simplesmente esquecer que uma pessoa falou em rede de rádio esse tipo de coisa e aceitar as desculpas dele como se ele tivesse comido a última fatia de pizza. Ele precisa sentir o peso da ação dele, exatamente pra ele não repetir.

    O mesmo vale pra viúvas da ditadura e eleitores do Bolsonaro: essas pessoas, muitas hoje já arrependidas, precisam entender que as ações delas tem peso na sociedade e um simples pedido de desculpas não pode ser suficiente pra relevar tudo de mal que elas fizeram.

    1. Ainda, contudo, prefiro que as pessoas sejam canceladas do que ver as suas ações serem perdoadas sem maiores percalços pessoais.

      É este tipo de ideia que gerou o salnorabo e toda a situação que vivemos atualmente.

      A tentativa de chacota ao cara em programas de humor, ao invés de “cancela-lo”, virou trampolim para que pessoas que pensam de forma similar a ele seguissem seus conceitos e o transformou em sucesso que de marginal virou “normal”.

      Ao “cancelar” alguém, não é diferente de jogar em uma cadeia brasileira – gera um fim da liberdade da mesma e uma pecha que o dificulta a voltar à socialização. Para o casal do engenheiro e da administradora, o fato deles serem negros e terem uma posição social menor também deu uma “agravada” – se fossem brancos acho que não teriam nem sido destaques em jornalísticos. Só ver que o desembargador que xingou o GCM, apesar dos destaques nos jornais, teve menos destaque e menos resultado – o cara nem posto para fora da justiça foi.

      Hoje todo cara que se tenta cancelar por causa de atos políticos, ele acaba tendo mais força política na redoma dele – apesar de algum afastamento. Tente cancelar um “troll” e ele se gabará disto.

      O caso do comentarista é uma manutenção de cultura que não se resolve apenas cancelando o que falou mal ou demitindo-o. Vide William Waack, que da Globo foi para uma CNN Brasil, mais alinhada com o comentário que ele fez. Acho que um dos poucos casos que se mudou mesmo depois de um “cancelamento” foi Bóris Casoy, e olhe lá.

      Se não criar mecanismos de educação para mudança de cultura, pode tentar o cancelamento que for, a pessoa das duas uma: ou ficará isolada e para isso não será diferente de uma prisão; ou ela se aglomerará com similares a ela, e estes terão mais força futura para se revoltar contra os “canceladores”.

      1. O que “gerou” o Bolsonaro foram as pessoas votando nele e se enxergando nele e nas ideias dele. Não tem relação com fenômenos externos. O Bolsonaro é espelho do brasileiro padrão. Só isso.

        1. Não é só isso. A imagem de “cordial” foi-se presente no BR até o momento da cobrança de correções sociais. Hoje o Brasil meio que tem um pequeno espasmo quando a isso – há movimentos para tentar mudar cultura, previnir preconceitos.

          Salnorabo é eco destes preconceitos outrora ocultados pelas conversas de bar e fóruns de games.

          1. Acho que essa imagem de cordialidade do brasileiro é um negócio muito voltado ao turismo. Tanto que a ideia do homem cordial do Sérgio Buarque de Hollanda passa longe dessa definição — não li o livro ainda, mas a cordialidade a que ele se referia era o agir à base da emoção, com o coração em vez do cérebro, inclusive sendo violento.

            Num sentido mais amplo, o cancelamento tem um aspecto social que é muito valioso. Vide os casos de “exposed” de assediadores, em que mulheres se encorajam e os denunciam na internet, juntas e com plateia, porque se dependessem de denunciar nas delegacias seriam assediadas duas vezes. O próprio jornalismo investigativo segue um caminho parecido, só mais metódico e responsável, quando denuncia alguma irregularidade e, a partir desse trabalho, mudanças ocorrem. O problema, que levantei no texto, não está aí; está na consequência, no que vem depois. Não está claro, ainda, até que ponto a repercussão é justa. No ambiente atual das redes sociais, parece que a turba só se cansa quando o cancelado estiver completamente destruído.

          2. O Ghedin respondeu o que eu vim te responder sobre a cordialidade =)

            O Bolsonaro é um fenômeno de aglutinação de direitas e alas conservadoras que sempre existiram no Brasil, como você mesmo disse, e que estavam espalhadas em votos no PSDB, Eneás e outras figuras. Ele se juntou com o liberalismo da escola de Chicago e do Mises e formou um “bloco” neoconservador de direita para agregar diversos discursos sob o mesmo guarda-chuva. Poucos brasileiros não se veem, em algum momento da vida, representados em algum discurso do Bolsonaro. É com isso que ele joga.

            As redes sociais e as redes de desinformação foram o catalisador desse sentimento e, muito mais do que qualquer outro momento na nossa história democrática, uniram diversas frentes conservadoras na figura dele.

            O cancelamento não tem nenhuma ingerência sobre isso. Esse fenêmeno é bem nosso em termos sociais. E, de certa forma, uma “onda” que varreu países de todos os continentes.

      2. “Se não criar mecanismos de educação para mudança de cultura, pode tentar o cancelamento que for […]”

        eis a questão. a gente como sociedade espera o amparo alheio (Estado), mas ele é falho e tardio. solução? cultura do cancelamento que é feita por nós mesmos, o problema é que ainda tem bases nessa sistema social em quem vivemos que não tá pensando em reeducar ou reincluir, apenas punir e esperar o medo dos demais para que essas coisas ruins não se repitam.

  3. Esse foi o melhor texto sobre a cultura do cancelamento que já li, delimitando bem as diferenças de risco e até aceitação de quando o processo ocorre com empresas/figuras públicas e com anônimos. Apesar de ser um reflexo do excesso de certezas e sinalizações de virtude das redes sociais de hoje, também não dá pra passar pano para qualquer denúncia ou conduta, especialmente se ela ocorrer sistematicamente como vem acontecendo no caso da JK Rowling. O ruim é que como a linha entre o justiçamento e o alerta é muito tênue, a demonização automática da cultura do cancelamento é tudo que as pessoas preconceituosas querem para continuar acreditando ou disseminando suas intolerâncias sem serem importunados, sob o prisma da deturpação da liberdade de expressão. Opiniões tem consequências.

  4. Uma curiosidade: na época que eu participava nos comentários do Gizmodo, isso há uns 10 anos atrás, tentei praticar um cancelamento com um “zé zoeira” que apareceu por lá.

    Quando se usa um nome real nas redes, isso é um ponto fácil de ser praticado. Eu nunca pesquisei meu nome nos buscadores com medo de achar algo de mim mesmo. E já faz um bom tempo que ao menos nas redes que mais participo(ava), só uso como Ligeiro / Ligeirinho mesmo. Sinto que parte das pessoas sabem quem eu sou pelo nick e pelo jeito de escrever.

    De qualquer forma, sei dos perigos do cancelamento, mas sinto que ela é uma arma também.

  5. Essa situação tem tudo a ver com o que Jaron Lanier descreve no livro “Dez argumentos (…)”. O uso dessas redes sociais, especialmente o Twitter, desperta em nós o senso de justiceiros, únicos possuidores da verdade, e com vontade constante de brigar. Desperto o “troll interior”. Considerando a dinâmica do Twitter com seus posts curtos, uma colcha de retalhos de threads e mensagens, os ânimos se exaltam ainda mais e o cancelamento é inevitável.

  6. É um processo de certa forma semelhante a uma “justiça com as próprias mãos”, a um linchamento, mas num ambiente virtual.
    Na verdade, está cada vez mais visível a redução da vida inteira de uma pessoa a um nível abaixo do ser humano por uma pequena fala, que em alguns casos é resgatada de um passado distante, e o cancelamento a esse indivíduo é impulsionado por um grupo que diverge ideologicamente do alvo. Logo, cancelar alguém na internet pode passar pelo egoísmo e pela falta de democracia, em acreditar estar sempre certo em qualquer circunstância e não respeitar a diferença. E também raramente pensamos que negamos ao alvo a chance de se retratar, de demonstrar arrependimento, de mostrar que mudou.
    Eu já me perguntei se aquela coisa do “É meme, sua burra” pode resultar na normalização de ações potencialmente perigosas e/ou ofensivas a partir de algo inicialmente humorístico.

    1. O humor é corrosivo. E muitas vezes mal interpretado – o contexto é quem manda e muitas vezes quem tenta praticar o “humor” com ou contra alguém, o faz sem imaginar que um terceiro verá o tal considerado “cômico”, mas não entenderá o contexto e no final verá de forma negativa o humor ou o alvo deste.

      Entendo também que pessoas querem tentar criar padrões universais de vivência. Algo quase impossível, mas que se parar para notar, acaba sendo colocado em prática culturalmente aos poucos conforme aspectos culturais que outros consideram interessante e fora da sua cultura original assimilam.

      Cancelamento tem a haver também com impor um padrão cultural. Ou ao menos corrigir “o falho” padrão cultural do terceiro.

      Eu não sei se a pessoa em questão lê este site ou se o Ghedin vai deixar falar sobre (imagino que depois ele apague se for o caso e me mande uma resposta no email que vou prever o texto…), mas vou citar um caso recente que tem a haver com este.

      O caso do “Bacurau com 11 mulheres” – que uma pessoa que até era famosa e vinha com um boa fama por causa de seus trabalhos online, mas que um dia uma mulher que era parceira dele acabou revelando que o mesmo a vinha “traindo*” com outras pessoas, expondo-o em uma thread no twitter e falando sobre como ele acabou tendo relacionamentos com outras mulheres, mas sem o mesmo cara informar umas as outras sobre tais (ou tais informações eram difusas e confusas). No final a pessoa (ao que notei) perdeu em poucos os dias a credibilidade conquistada, virou meme (A história do Bacurau com 11 mulheres foi uma má interpretação depois de um trecho da thread) e se ofuscou e sumiu das redes em seguida.

      Quando vi o nome do mesmo virando thread e em seguida a foto dele associada ao meme, achei estranho. Não me lembro se entrei na onda – apaguei a conta do Twitter anterior – mas sei que olhei a situação de forma desconfiada. Quando fui ver, o caso em poucos dias virou uma piada gigante por causa do meme, o caso dos relacionamentos foi mal tratado por todos – acho que só teve um texto em um site feminino que tentou buscar os dois lados da história, e acertou ao falar dos problemas dos relacionamentos que tem estas ocultações, e as luzes se apagou para a pessoa que imagino que foi uma das primeiras canceladas nestes últimos três anos. Só espero que ao menos o cara esteja bem e tenha conseguido se reerguer após o achincalhamento (não sei dizer se foi merecido pois não li a fundo sobre tudo – mas como filho de alguém que praticou traição*, entendo…) . Assim como espero que o casal “Cidadão Não” também ao menos consiga ter um trabalho cidadão também.

      * Eu tenho uma teoria que falar sobre “traição” em relacionamentos é complicado pois tratamos muito as pessoas como “posse”, “conquista”. Não como uma pessoa com suas vontades, medos e aprendizados. Mas aí é outra história e uma Regina Navarro é melhor para falar sobre do que eu.

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