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Celulares sem carregador na caixa: bom para as fabricantes, bom para nós?

Foto do carregador de parede de 5W do iPhone em um fundo branco.

A esteira de rumores do futuro iPhone trouxe, esta semana, a possibilidade de a Apple não incluir mais na caixa o carregador de parede e fones de ouvido a partir da próxima versão. Só saberemos se este rumor procede em setembro ou outubro, quando o iPhone de 2020 deve ser anunciado. O que cabe, agora, é debater se chegou a hora de tornar esses acessórios, em especial o carregar de parede, opcionais.

Considerando que a Apple realmente os remova das caixas dos novos iPhones, as vantagens — à Apple — são evidentes: custos menores, margens maiores, mais lucro. Há o argumento, ao qual voltaremos já, de que seria um ganho também ao meio ambiente. Afinal, só de carregadores diversos (incluindo de tablets e computadores), estimava-se em 2018 que 300 mil toneladas eram fabricadas todos os anos. Este ganho potencial a meio ambiente é inegável e, mais importante: é um ganho da coletividade, não apenas dos acionistas da Apple.

De um ponto de vista mais pragmático, é verdade que seres humanos que ainda irão comprar seus primeiros celulares são raridade em 2020. Como nem todo aparelho antigo é revendido, é comum que tenhamos um ou até alguns carregadores de parede sobressalentes em casa. Nesses casos, os novos acabam sendo supérfluos, ou evitáveis. Mas será que são tantos assim? Esta enquete do MacMagazine no Twitter aponta que não. Arrisco dizer que o alto volume de revendas de iPhones usados mantenha a utilidade de carregadores e fones de ouvidos novos. Considere, ainda, que estamos em transição de formatos (do USB-A para USB-C).

Resultado da enquete do MacMagazine, perguntando: “Você usa o adaptador de tomada (carregador) que veio com o seu iPhone?” Quase 80% respondeu que usa diariamente ou com certa frequência.
Eu uso todo dia! Imagem: @macmagazine/Twitter.

Tornar carregadores de parede e fones de ouvido opcionais é uma boa ideia. Só que, a depender da implementação, soa injusto penalizar aqueles que, por qualquer motivo, não têm um carregador compatível com o próximo (ou o primeiro) celular que irá comprar. Ajudaria se os vendidos à parte não fossem tão caros. O mais simples da Apple, de 5W, custa R$ 149. O da Samsung, três vezes mais rápido, sai por R$ 119. O da Anker, uma marca alternativa com boa reputação, R$ 129. Para um iPhone o custo do carregador é relativamente baixo, mas ainda assim, pesa. Para um Galaxy A-qualquer coisa, pode chegar a 10% do valor do aparelho em si.

Explicitar o preço do carregador vendendo-o à parte pode, também, direcionar o consumidor às cópias piratas. Elas são bem mais baratas, cobrando a diferença em riscos ao aparelho e ao próprio consumidor. Não parece uma troca boa ou mesmo desejável a ninguém, nem consumidor, nem fabricantes.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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No caso dos fones de ouvido, os EarPods que vêm com o iPhone custam, avulsos, R$ 249. Existem fones muito mais baratos, mas que exigem o adaptador Lightning para 3,5 mm que já não é mais incluído na caixa. A Apple cobra R$ 79 por esse minúsculo adaptador.

Com criatividade, é possível chegar a um meio termo. Uma boa ideia, levantada pelo Dieter Bohn, no The Verge, seria oferecer crédito para consumo nas lojas de aplicativos como alternativa ao carregador e fones de ouvido. Se o consumidor já tiver os seus em casa, ele abdica dos acessórios no novo aparelho e ganha o valor de custo correspondente para comprar aplicativos, moedinhas virtuais em jogos ou fazer assinaturas digitais. No caso da Apple, 30% desse gasto voltaria a seus cofres na forma de comissões geradas pela venda de apps, jogos e assinaturas na App Store. Esta solução é interessante porque não penaliza o comprador que ainda não tem os acessórios e, ao mesmo tempo, gerar um incentivo àquele que tem para não levar mais plástico para casa.

Soluções intermediárias, que não jogam todo o ônus no bolso do consumidor, ajudariam na sustentação do discurso pró-meio ambiente da Apple e de qualquer empresa que venha a copiá-la. Eliminar os carregadores das caixas de novos celulares ajuda, sem dúvida, porém é — literalmente — uma questão acessória perto do verdadeiro impacto, que está em despejar bilhões de celulares no mercado todos os anos. E há tanto que as empresas poderiam fazer nesse sentido antes de tal medida…

Fiquemos em dois exemplos, ambos da própria Apple. Primeiro, a empresa poderia facilitar o reparo dos seus celulares — o iPhone 11 alcançou nota 6 de 10 em reparabilidade no iFixit. Segundo, não obstruir o trabalho de lojas de conserto independentes, uma luta que, apesar de um progresso em agosto de 2019, ainda é vista com maus olhos pela empresa, que emprega um lobby pesado no legislativo de vários estados norte-americanos a fim de conter leis que obriguem empresas a respeitarem o direito ao reparo dos consumidores.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

Edição 20#23

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9 comentários

  1. E como que anda aquele braço robô que a apple fez para “desmontar iphone” usados ? Sei que tinha só um e desmontava quase 200 aparelhos por hora.
    Não seria melhor fazer mais desses robôs e estimular a reciclagem dos aparelhos que não funcionam mais ?

  2. Não sei o que penso a respeito dessa situação específica, ainda não tenho uma opinião formada. Mas penso que já é momento para porta USB de computadores conseguirem fornecer quick charge além das tomadas residenciais terem saída USB também.

  3. A Fairphone (sempre eles!) já adoraram isso e não incluem assessórios na caixa. Nesse caso é totalmente ligado aos valores da empresa: https://www.fairphone.com/en/

    Porém, para mudar como o mercado lida com isso, somente a Apple teria tamanha influência. Espero que consigam achar uma alternativa que não prejudique o consumidor e consiga causar algum benefício ao meio ambiente.

  4. Eu penso que essa medida vai servir somente para aumentar a margem de lucro do iPhone com uma justificativa socialmente aceitável (preservação da natureza) que é difícil de medir. Qual o impacto *real* que diminuir a produção desses carregadores realmente causa?

    Será que não seria mais “verde” repensar a logística dos produtos, transportados por meios que usam combustíveis fósseis, ou como o Ghedin apontou, melhorando a reparabilidade do iPhone pra diminuir o despercício? São plausíveis somente as mudanças que pesam no bolso do consumidor. Isso está mais pra um canudo de alumínio de 2020 do que algo positivo.

  5. Eu penso que deveriam entregar um carregador e fones pelo valor cheio e caso a pessoa não precise poderia dar um desconto.

  6. Por eu comprar celular usado, acabo com isso comprando sem carregador. Acabo comprando em brechós ou locais onde eu sinta confiança para comprar.

    Carregador chinês acabo evitando por causa disto. Os carregadores de camelô gera problemas pois não tem filtragem na saída de energia.

    Tinha uma época que carregador chinês até era bom, mas de uns tempos para cá, ficou muito no mercado estes que a gente literalmente vê pelo peso a qualidade do mesmo. Carregadores piratas são leves demais por causa dos poucos componentes. Carregadores bons são mais pesados pois o circuito tem todo o necessário para filtrar energia e deixar o celular com boa vida útil.

    1. Anedota do cotidiano: meu Moto G7 é USB-C. O cabo foi pro saco essa semana. Descobri que a fonte do Switch é um ótimo carregador “ultrarrápido” pro meu telefone. E ela custa(va) baratinho no Mercado Livre uns tempos atrás.

  7. Desde que a apple venda o carregador/fone separados pelo mesmo valor que ele agregaria no produto como um todo, vindo na caixa completa, tudo bem.
    Qualquer coisa diferente disso é só falsa desculpa de ajudar o meio ambiente.
    Na prática essas empresas ajudariam mais se tivesse programa para resgatar smartphones velhos das gavetas e suas baterias que vão pro lixo poluir.

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