Jardineiros digitais

Quando Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web, em 1990, criou junto um navegador web chamado WorldWideWeb, assim mesmo, sem espaços. Ele tinha duas funções: exibir sites e editá-los em tempo real, direto na página, como se fosse um documento do Word.

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O delírio dos NFTs nos levará ao fim do mundo

Fosse vivo hoje, Walter Benjamin teria muito o que pensar e escrever a respeito da digitalização da cultura, de serviços como os de streaming e dos vários modelos de negócio que gravitam a arte, como os NFTs. Na ausência do pensador alemão do século XX ou de alguém mais capacitado, você terá que se contentar comigo, um mero observador sem o talento nem o conhecimento de Benjamin, para tentar entender esse último, o NFT, sigla em inglês para token não-fungível, a grande sensação ou fraude do mercado em 2021, dependendo a quem você pergunte.

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Meu grupo do bairro no Telegram: Um experimento social

Em junho de 2019, o Telegram lançou uma atualização com novos recursos de geolocalização. A partir dali, passou a ser possível procurar por pessoas fisicamente próximas para conversar e criar “grupos locais” com base no mesmo critério, ou seja, acessíveis a quaisquer pessoas ao seu redor, mesmo que você não as conheça. Naquele mesmo dia, criei um grupo local para o bairro onde moro. Sem querer, iniciei um esquisitíssimo experimento social que acabou durando mais de dois anos.

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Uma rachadura no legado do Windows

Na Microsoft, “para sempre” dura cerca de seis anos. Em 2015, a empresa lançou o Windows 10 como a versão derradeira do seu popular e longevo sistema operacional. Ele seria atualizado constantemente, como se fosse um serviço. Semana passada, apareceu o Windows 11 e geral fez a egípcia para aquela conversa de “última versão do Windows”. A próxima é real, sai ainda em 2021 e trará muitas novidades, mas nem todo computador poderá usufruir delas.

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Celulares roubados e quadrilhas “limpa-contas”

Até duas semanas atrás, minha única preocupação com um possível roubo ou furto do meu celular era o prejuízo material. (Ainda mais agora, com tudo encarecendo.) Ele está bem configurado e criptografado, ou seja, é pouco provável que alguém consiga acessar os dados que estão ali dentro. Ou assim pensava. Uma série de reportagens da Folha de S.Paulo fez surgir outro receio: o de ter a minha conta bancária varrida por assaltantes.

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Um leitor perguntou porque o Manual do Usuário dissuade seus leitores de comprarem na Amazon. Ótima pergunta para este Prime Day, a “Black Friday” exclusiva da Amazon.

Em resumo, é porque a Amazon é uma empresa monopolista que usa de táticas questionáveis e desleais para vender mais barato. Há algum tempo atrás, a Editora Elefante publicou um relato ilustrativo do poder de destruição da empresa de Jeff Bezos.

Nos Estados Unidos, seu país de origem, a Amazon está sendo investigada por monopólio em Washington D.C. Segundo o procurador-geral responsável pela denúncia, Karl Racine, a Amazon abusa do seu poder para elevar os preços em todo o mercado, impedindo fornecedores e rivais de cobrarem menos, e instrumentaliza o Prime para parecer que é (e ser!) mais barata que outras varejistas online. “O Prime, em outras palavras, é basicamente um esquema de lavagem de dinheiro”, diz Matt Stoller em sua didática explicação do caso.

Por fim, mas não menos importante, a Amazon fez a pessoa mais rica do planeta. Neste momento, segundo a revista Forbes, a fortuna de Jeff Bezos é avaliada em US$ 200,5 bilhões, ou pouco mais de R$ 1 trilhão. Não há justificativa no universo para tamanha concentração de riqueza e sobram motivos para contestar esse desvirtuamento e os efeitos nefastos que ele causa ao restante da humanidade.

Regra geral, sou contra bilionários e seus negócios. Nem sempre dá para escapar do que eles oferecem, como os descontos do Prime Day. Tudo bem se quiser aproveitá-los — não se culpe por isso, estamos em crise, o dinheiro está curto e há problemas mais imediatos que boicotar uma big tech. Por outro lado, sempre que for possível, dê preferência a negócios locais, pequenos e independentes. É isso o que defendemos aqui.

Google confunde ao trazer o Google Workspace “para todos”

Em outubro de 2020, o Google rebatizou sua oferta de serviços na nuvem para empresas. Saiu de cena a G Suite, entrou o Google Workspace, trazendo consigo novos recursos de colaboração. Nesta segunda (14), o Google anunciou que o Workspace estava disponível “para todos”. Parece simples, mas na prática o anúncio deixou muita gente coçando a cabeça.

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Fadiga de novidades

Nos eventos públicos da Apple, a empresa costuma encerrar cada segmento com um slide repleto de quadrados e retângulos que destacam as principais novidades apresentadas, uma espécie de resumo em uma página só. Na abertura da WWDC, nesta segunda (7), vimos vários desses slides e isso me deixou um pouco ansioso.

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Uma pequena vitória contra a Big Tech

Regra geral, quando a Big Tech decide mexer em seus serviços e produtos, só nos resta aceitar e nos adaptarmos à nova realidade ou desertar. Foi assim com as linhas do tempo algorítmicas das redes sociais, com as incontáveis reformulações de interfaces, com novos termos de uso que poucos se importaram em ler. Até que o WhatsApp tentou mudar a sua política de privacidade no início de 2021 e, para surpresa até dos críticos mais otimistas, perdeu.

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O dia em que “clonaram” meu WhatsApp

Terça-feira, 11 de maio, início da tarde. Estava no computador, trabalhando, quando notei uma notificação no celular. Era uma mensagem de um primo com quem pouco falo. Estranhei, mas deixei para lê-la depois. Passaram-se alguns minutos e o celular tocou. Era minha mãe. Atendi e ela me disse algo do tipo: “Já te avisaram que clonaram seu celular?”

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Google e o “greenwashing” da privacidade

Depois de passar em branco em 2020 por causa da pandemia, o Google retomou seu grande evento anual para desenvolvedores, o Google I/O, nesta semana. (Um resumo de 16 minutos.) Na abertura, a empresa apresentou uma nova identidade visual para seus produtos, o Android 12 e, curiosamente, recursos de privacidade. Sim, o Google.

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O WhatsApp como um bar

Analogia é o recurso linguístico mais preguiçoso que existe para explicar algo. Peço desculpas antecipadamente para fazer uso de uma nesta breve análise do WhatsApp às vésperas da entrada em vigor da sua nova política de privacidade.

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Vivendo o bastante para cair no ostracismo

No filme O cavaleiro das trevas, um raro bom filme de super-herói, o personagem Harvey Dent/Duas Caras profere uma frase memorável quando debate o papel do Batman com o próprio, só que à paisana: “Ou você morre como um herói, ou vive o bastante para se tornar o vilão.” É difícil atribuir tais qualidades a empresas, mas lembrei dela quando soube, nesta segunda (3), que a Verizon vendeu a Aol e o Yahoo para um fundo de capital privado. É que no mundo dos negócios, as empresas que não “morrem” no auge correm outro risco: o de cair no ostracismo.

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O cafezinho (virtual) da firma virou arena de embates políticos

Quando as empresas de tecnologia, em particular as norte-americanas, ascenderam das suas garagens para grandes escritórios luxuosos e se infiltraram nos corredores do poder, atraíram para si questões políticas que nem nos sonhos mais malucos seus fundadores imaginavam que teriam que lidar.

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Puro suco de Brazil

Na última quarta (20), dia em que a Apple anunciou seus primeiros produtos para 2021 em um bem produzido comercial de uma hora, no Brasil soubemos que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, prepara um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para Apple e Samsung, referente à remoção do carregador de parede das caixas do iPhone e do Galaxy S21.

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