Uma rachadura no legado do Windows

Papel azul em ondas, papel de parede padrão do Windows 11, com o logo e a inscrição “Windows 11” em primeiro plano.

Na Microsoft, “para sempre” dura cerca de seis anos. Em 2015, a empresa lançou o Windows 10 como a versão derradeira do seu popular e longevo sistema operacional. Ele seria atualizado constantemente, como se fosse um serviço. Semana passada, apareceu o Windows 11 e geral fez a egípcia para aquela conversa de “última versão do Windows”. A próxima é real, sai ainda em 2021 e trará muitas novidades, mas nem todo computador poderá usufruir delas.

Um dos traços definidores do Windows é a sua compatibilidade. Aplicativos lançados há 30 anos perigam ainda funcionar no Windows 10 (e no 11) e desde o fiasco do Vista, em 2006, os requisitos mínimos para rodar as versões subsequentes praticamente não mudaram. É raro encontrar um computador, novo ou já em uso, incapaz de rodar o Windows.

O Windows 11 incorpora novos requisitos mínimos, dois deles meio alienígenas para quem não trabalha consertando ou vendendo computadores: UEFI e TPM 2.0. Você sabe o que são essas coisas? Eu não saberia explicar em detalhes, mas, em linhas gerais, o primeiro é o software básico da placa-mãe, que faz o computador ligar e receber comandos antes do sistema operacional entrar em cena, e o segundo, um componente físico que permite ao sistema trabalhar com criptografia e outros recursos de segurança de maneira mais confiável. (Aqui tem uma explicação técnica/melhor.)

O custo de rodar até em uma batata é que o Windows permaneceu prisioneiro do seu próprio legado. Enquanto a Apple e os projetos dos diversos sabores Linux podem se dar ao luxo de quebrar paradigmas e reescrever o que for necessário para modernizarem suas plataformas, a Microsoft precisa caminhar devagar, pisando em ovos, para quebrar o mínimo de coisas. Essa abordagem tem seus prós e contras, e acabou por ser um diferencial da Microsoft.

Ou era. Há quem diga, aqueles mais cínicos, que o Windows 11 é a faísca para iniciar um novo ciclo de vendas de computadores, movimento esse reforçado pelos novos requisitos mínimos. Não sei se compro essa ideia, ainda mais com a explosão em vendas derivada da pandemia.

De qualquer forma, a nova versão do Windows parece, sim, ser uma ruptura com o seu legado. Até o menu Iniciar, que desde tempos imemoriais reside no canto inferior esquerdo da tela, foi arrastado ao centro, seguindo o padrão do restante da indústria — do macOS, Chrome OS e de ambientes gráficos Linux, como Gnome e Pantheon. É um sistema… bonito, atento a detalhes estéticos que pareciam esquecidos dentro da Microsoft.

Na parte técnica, o TPM 2.0, em particular, torna o Windows uma plataforma mais segura, lidando fisicamente com chaves criptográficas. Isso é ótimo, e um componente obrigatório em novos computadores certificados para o Windows 10 desde 2016. O problema é o que veio antes disso e que continua em uso por aí.

Processadores Intel de 7ª geração e anteriores e AMD Ryzen 2000 ou anteriores não são compatíveis. Estamos falando de componentes lançados até 2017, que não só são ainda funcionais, como rápidos. Pelos critérios atuais, eles ficarão presos no Windows 10 e esse, o “último Windows”, só terá suporte da Microsoft até 2025.

Aqui tem as listas das CPUs Intel e AMD compatíveis com o Windows 11. Também havia um aplicativo que verifica a compatibilidade do computador com o novo sistema, que, no momento em que escrevo isto, está indisponível, com um “Em breve” no lugar do botão de download. Felizmente, fizeram um aplicativo similar de código aberto que, dizem por aí, é melhor que o oficial.

A Microsoft, para piorar, fez uma tremenda confusão no anúncio do Windows 11. Listas divergentes de requisitos mínimos, ambas disponibilizadas no site da empresa, geraram ruído. No dia seguinte ao anúncio, enquanto tentava consertar os erros de comunicação, a Microsoft disse que talvez possa revisar os requisitos do futuro sistema, que deve ser lançado já em outubro. Estamos falando de uma empresa de US$ 2 trilhões e com quase meio século de experiência no assunto.

Essa situação é especialmente frustrante porque o Windows 11 dá pinta de ser um daqueles “Windows bons”, que caem nas graças dos usuários. O último do tipo foi o Windows 7, de 2009. O mundo não vai acabar porque uma tonelada de computadores ainda usáveis não poderão ser atualizados para o Windows 11 e, talvez, no grande esquema das coisas, essa ruptura acabe rendendo bons frutos lá na frente — talvez uma ruptura dessa magnitude não pudesse ser de outro jeito, menos traumática. A ver.

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44 comentários

  1. Seria bom se, pelo menos, o suporte ao Windows 10 fosse estendido até 2030, como foi com o XP que pegou bons quinze anos.

  2. “Processadores Intel de 7ª geração e anteriores e AMD Ryzen 2000 ou anteriores não são compatíveis. Estamos falando de componentes lançados até 2017, que não só são ainda funcionais, como rápidos”.

    Aqui eu tendo a discordar. Tive um i5 de sétima geração e ele não tinha nada de rápido. Quando comprei era bom, mas com o tempo ficou bem ruim, acredito eu por causa daquelas atualizações do sistema para contornar o meltdown e spectre que reconhecidamente poderia diminuir desempenho. O fato é que eu passava mal pra rodar jogos de 2015 e quando peguei um processador mais recente, parece que ganhei outra GPU também porque o desempenho aumentou consideravelmente.

    1. Jogos são aplicações intensas, em que todo desempenho do processador faz diferença. E também algo de nicho; a maioria dos computadores não é usada para essa finalidade — e foi pensando nessa maioria que escrevi esse trecho.

  3. Já que era pra romper com paradigmas e atualizar o sistema de fato, bem que podiam por fim no registro central e nas trocentas DLLs esparramadas pelo sistema, mantendo alguma compatibilidade por meio de containers. Se é pra quebrar, quebrem direito e modernizem o sistema de uma vez!

    1. Acho que precisam manter compatibilidade e performance dos jogos. Não daria para criar outro S. O. e emular o old windows para jogos.

  4. Como vocês já viram TPM pode ser usado para criptografia e segurança, bem como validação de software e conteúdo audiovisual.
    Eu penso que há um lobby da indústria para apertar um pouco mais a coleira da pirataria.

    1. Pelo que eu li o foco é exatamente esse. Até mesmo impedir o uso de softwares não “assinados” em um PC.

      Acho que aqui vale deixar a falsa ideia de que todos precisamos de várias camadas de segurança e se focar na liberdade. Quer uma camada de segurança de fato? Criptografe seu disco (ou pelo menos a /home no Linux).

      1. Eu ainda não tive tempo de ler nada a respeito do Windows 11 nem sobre TPM (vou ler os artigos que tu recomendou mais abaixo), mas sério que um dos objetivos é este mesmo? Se for, ainda bem que não uso Windows.

        1. Se levante essa hipótese na comunidade de SL/CA por causa do caráter “preventivo” da assinatura de drivers e software que o TPM traz. Isso pode ser vendido como “segurança” (como a Apple faz com a sua App Store) ou como uma prática obscura de mercado para proteger-se da concorrência (como seria o caso de uma máquina “assinada” pro W11 não lhe deixar instalar nenhum outro SO).

          Até o momento nada disso aconteceu, mas a possibilidade existe (pelo que eu li até agora).

        2. Futuramente vai validar se a licença do teu Corel ou AutoCAD é genuína, também as músicas e filmes que você tem aí no computador… Sabe aquele site de torrent que você acessa? Tudo devidamente verificado.

  5. Ok, tudo bem. Computador sem o chip TPM 2.0 não rodará o Win11. De duas uma: ou a MS tá se lascando com uma possibilidade de reaproveitamento dessas máquinas com Linux, o que teoricamente seria mais viável ou estão apostando alto na troca de equipamento, desconsiderando assim uma possivel insatisfação de muitos clientes, o que ocasionará a migração antes citada. Lógico, se é que isso acontecerá efetivamente, afinal, tem gente usando XP até hoje. Esclareço que é apenas meu modesto ponto de vista. Por aqui, meu ThinkPad de 2015 por exemplo, não rodará essa nova versão. Não que eu queira, afinal, o Debian reina absoluto nele desde a versão 8 e já me antecipei a versão 11 usando o testing que será lançada a qualquer momento neste segundo semestre. De fato, tais requisitos exigidos dão a impressão que eles querem impor algum tipo de restrição a hardware mais antigo, tipo o que a Apple faz quando torna obsoleto algum Mac que ainda tem potencial e não vai receber versões mais novas, forçando a aquisição de hardware mais novo e caro. Ganha a MS, ganham os fabricantes e os clientes que se fu. Conforme o comentário preciso feito pelo @Paulo GPD, segurança mesmo só se criptografar a home ou o disco. Enfim, é o mercado ditando normas e impondo o que lhe é mais rentável. Vida que segue.

  6. É interessante pontuar que tanto UEFI quanto o TPM 2.0 são implementações de controle das empresas sobre o hardware dos usuários que dão a falsa sensação de segurança. Ambos servem, primariamente, como uma possível ferramente de assinatura (de drivers, software) passíveis de serem instalados mas que, em caso de um comprometimento físico do seu hardware, servem para quase nada (criptografar o seu disco ou a sua partição /home é muito mais eficaz nesse caso, principalmente porque o TPM pode ser reiniciado [essa é uma das diversas técnicas pra se atravessar essa “segurança”]).

    Tem bastante material sobre isso na internet, mas, via de regra é um “bloat” da área de segurança que pode (ainda não é) ser usado pata diversos fins comerciais que, em última análise, podem inviabilizar o SL/CA.

    Eu recomendo a leitura do texto do RMS sobre isso: https://bit.ly/2Tvxmwp
    Assim como o PDF dos programadores do TrueCrypt: https://bit.ly/2V0bHwX

    1. Será que é falsa mesmo? O TPM 2.0 também lida com o acesso biométrico via Windows Hello, por exemplo, e o equivalente do iPhone, o enclave seguro, do ponto de vista de um leigo (eu!) parece muito útil para blindar o acesso ao sistema.

      Talvez não seja necessário, mas acredito que ajude/facilite o uso de recursos de criptografia e segurança.

      1. Uma vez que somos leitos, o bom é ler o que os não-leigos falam sobre o assunto. A maioria da comunidade de SL/CA é contra o TPM pelos motivos que eu citei. O paper do TrueCrypt esmiúça essa questão bem melhor do que o RMS ou do que eu. Recomendo a leitura. Inclusive alguns nomes da comunidade dizem que o TPM é um cavalo de troia que vai servir pra impedir que máquinas vendidas com o Windows possam instalar o Linux, por exemplo.

        A verdade é que entre um padrão empresarial que não serve de muita coisa para pessoas normais (essa neurose com segurança só se aplica, pragmaticamente, a pessoas de interesse público e empresas) e a comunidade de SL/CA, eu fico com a segunda.

        1. Tem outra parte desse documento do TrueCrypt fora a resposta à pergunta “Some encryption programs use TPM to prevent attacks. Will TrueCrypt use it too?”? Por algum motivo, a pesquisa por palavras no meu leitor de PDF não funciona muito bem nesse documento. Se for só isso, senti falta de uma argumentação mais técnica e fora dos cenários de comprometimento que eles citam ali.

          Dei uma lida por cima no texto do Stallman e não saquei a relação com o TPM.

          Ainda sob o benefício (ou questionamento) da dúvida, coisas como o TPM e o enclave seguro da Apple me parecem um bom meio termo entre segurança e comodidade para pessoas comuns, algo que você comenta em outro post. Não compro o discurso das grandes empresas pelo valor de face, mas isso não significa que tudo que elas façam/falem seja enganoso ou com segundas intenções ocultas, acho eu.

          1. Dado o histórico das empresas – Apple e MS, nesse setor – não é de se estranhar que práticas obscuras sejam camufladas com “boas intenções”. Principalmente, nesse caso, onde a própria MS disse que o problema é “empresarial” (ataques de firmware, no caso), mas duvido que seja uma preocupação de usuários domésticos/gamers. Logo depois da apresentação do W11 o o Takatsu (Asus) disse que isso provavelmente vai mudar o padrão das MB vendidas a partir de agora. Inclusive os módulos TPM estão “inflacionados” no mercado.

            Sobre a segurança, como eu disse antes, me soia paranoico em demasia achar que precisa de um módulo desses. E me soa como movimentação de mercado em busca de um “cercamento” dos sistemas operacionais através desse tipo de ação.

            É bem difícil de achar explicações sobre o TPM2, a maioria dos posts são de propaganda e muitas falando como você precisa dele. Mas, alguns sites e papers já foram produzidos e focam nas falhas de segurança no protocolo.

            i) https://bit.ly/3jFsXls
            ii) https://zd.net/3dDT0FJ
            iii) https://tpm.fail/
            iv) https://bit.ly/3xeDrMD
            v) https://bit.ly/36bQClj

  7. O Windows tem 73% do mercado de desktops. São centenas de milhões de computadores. Minha aposta é que 2025 é cedo demais para o fim do suporte a esse sistema operacional, levando em conta que milhões de dispositivos que não podem rodar o Windows 11 estarão funcionando perfeitamente com o 10. Eles vão ser forçados a postergar isso.

    (Como tradutor, não pude não notar o “grande esquema de coisas”, que não é uma expressão muito canônica. Eu sugeriria “no quadro geral” ou algo assim.)

  8. Windows bom e Windows ruim é sempre um revezamento. Vantagens de ficar velho, lembro muito bem:
    3.1 – bom
    95 – ruim
    98 – bom
    ME – ruim
    XP – bom
    Vista – ruim
    7 – bom
    8 – ruim
    10 – bom
    11 – ruim

    Já bloqueei essa atualização.
    :)

      1. Eu puxei a lista de cabeça e não usei esse Win 2000. Boa lembrança!

        Dei uma olhada na wikipedia e tem de fato muitas versões além das que citei. Uma que eu cheguei a usar mas não lembrava foi a 8.1 , por exemplo. Mas a ideia dessa lista é mais olhar para as grandes versões que alteraram a vida do usuário final.

        Um ponto relevante é que até o Ghedin, usuário de Mac, já espera um tempo até a nova versão estabilizar. Com Windows acho que isso é bem bem prudente e já faço há muitos anos.

        Abraço

    1. Não sei porque, mas toda vez que vejo esta lista só me vem a mente o lema “quatro pernas bom, duas pernas ruim’, de A Revolução dos Bichos. Leio a lista no mesmo tom. 😂

      1. O lema está certo, é a síntese do animalismo. O problema todo é quando os porcos aprendem a andar sobre duas pernas e mudam o lema para “todas as versões do windows são boas, mas algumas versões são mais boas do que outras”.

  9. Sobre o Windows 10 ser o último: alguém sabe onde está a declaração da MS sobre isso?
    Pq em todo lugar eu pergunto e ninguém sabe responder.
    Alguém (que ninguém sabe quem – e pelo jeito não foi a própria MS) falou sobre ser o último windows e geral saiu replicando.
    Então se alguém tiver a fonte oficial dessa informação, por favor coloque aqui.
    Pq até então, pra mim isso é só conversa de bar.

      1. A frase original é: “Right now we’re releasing Windows 10, and because Windows 10 is the last version of Windows, we’re all still working on Windows 10”, que pode ser tanto que essa é a última versão “de facto” do Windows, e assim, ele seria um SAAS com rolling release (como o Arch Linux), ou que essa era a última versão desenvolvida pela MS (naquele instante não teriam outras versões sendo desenvolvidas, ao contrário do W8.1 que foi lançado com o W10 em vista já). O que gerou essa discussão na época (e agora?) foi um paragrafo do The Verge que entendeu isso como um direcionamento pro SAAS pro W10 (e claro, indicativos disso ao longo dos anos e até mesmo o desejo da MS de ter um “WAAS”).

        Analisando bem, o ciclo do W10 foi bem típico, usando as releases de verão e outono mais ou menos era antigamente com os “Service Pack”. O W2000 teve 4, por exemplo. Agora é mais fácil, contudo, entregar esse tipo de pacote, o que acaba deixando ele mais regular (2x por ano) e mais enxuto em termos tanto de mudanças.

        1. Olha, não acredito que tenha sido má interpretação, não. No mínimo, a Microsoft poderia ter desmentido, fosse o caso, mas não o fez. Na época, com a repercussão da fala do Jerry Nixon, um porta-voz disse: “We aren’t speaking to future branding at this time, but customers can be confident Windows 10 will remain up-to-date and power a variety of devices from PCs to phones to Surface Hub to HoloLens and Xbox. We look forward to a long future of Windows innovations.”

          O Windows 10 foi atípico. Service Packs tinham uma natureza muito distinta das atualizações semestrais do Windows 10: eram pacotes cumulativos de correções e atualizações já lançadas, e raramente traziam novos recursos. A maior exceção foi o SP2 do Windows XP, que reformulou a parte de segurança do sistema depois do fiasco dos worms Blaster e Sasser (tive que pesquisar por uns bons minutos para lembrar esses nomes, haha!).

  10. UEFI e TPM são itens até que aceitáveis como exigência no Windows, pelos motivos descritos na matéria. Mas, só aceitar processadores Intel da 8ª geração pra frente, quando até Celerons e Atoms são compatíveis é de f*der.

    Meu i5 5th Gen de 2016 roda o Windows 10 com folga e até algumas distros Linux mais pesadas e menos otimizadas, mas vai ficar de fora.

    Agora, como de praxe, aguardemos uma série de informações contraditórias e desencontradas da Microsoft até chegar o lançamento.

    Aliás, parece que tudo que a Microsoft anuncia é acompanhado de lambança. Lembram do fuzuê que foi o lançamento do Xbox One e do próprio Windows 10?

  11. Ou era. Há quem diga, aqueles mais cínicos, que o Windows 11 é a faísca para iniciar um novo ciclo de vendas de computadores, movimento esse reforçado pelos novos requisitos mínimos. Não sei se compro essa ideia, ainda mais com a explosão em vendas derivada da pandemia.

    Algo que não passou pela minha cabeça, mas é no mínimo conveniente para a Microsoft limitar arbitrariamente: ela só vende licença em computadores novos, antigos são atualizados de graça. E não faz mal para os parceiros também.

    Dada a confusão toda na comunicação, dizer que “talvez” dê para colocar alguns computadores mais antigos, não me soa mais tão absurda a hipótese.

    Isso é especialmente grave pela estagnação dos processadores desktop, em que basicamente a experiência é a mesma há anos para uso regular, zero motivos para trocar na maioria das vezes.

    Percebo zero diferença entre um Intel de 7 geração (Core i7, 45 watts) e 10 geração (Core i5, 65W), exceto para tarefas multithreads.

    1. A Microsoft desde o Windows 10 passou a focar mais em SaaS do que em licenças, tanto que o upgrade do Windows 7 pro 10 continua de graça até hoje. Essa estratégia, de não focar em ter o Windows em todo lugar, mas sim o seu ecossistema de produtos, deu tão certo que a MS bateu a casa do trilhão em valor de mercado.

      Ou a indústria de hardware molhou pesado a mão do Nadella pra botarem esse corte nos dispositivos, ou a Microsoft abandonou a estratégia de SaaS e voltou a querer focar em hardware.

      1. Não faz sentido pensar dessa maneira. As fabricantes já incluem o Windows mais recente em seus computadores novos. Não é como se a Dell fosse lançar um novo computador com Windows 10 em 2022, ou mais absurdo ainda, alguém for comprar um computador novo porque o seu PC atual não é mais compatível com o Win 11 (pode até existir quem faça isso, mas basear seu modelo de negócio nesse tipo de pessoa é um tiro no pé). Afinal de contas, o Windows 10 continuará funcionando ainda com o suporte da Microsoft.

        1. A se pensar também que aparentemente as máquinas SÃO atreladas ao Windows. Tenho notado a facilidade de instalar um “Home Single Language” (a versão básica “doméstica”do Windows) sem precisar de ativação por número de série. Qualquer máquina que tenha uma chave SLIC com Windows 7 válido ou todos os sistemas Windows 8 para cima, em uns 80% das vezes (isso fazendo chute) que instalo o windows, ativa-se sozinho. Sem precisar de chave.

          O Pierre falou algo que até então eu sabia mas não gostava de contar por medo de isso se voltar contra: quem tem Windows 7 pode usar uma chave OEM (inclusive as que vem colada na máquina) para ativar o Windows 10 de boa. Isso pode ser inclusive desde uma máquina Pentium 3,0 Ghz 775. diga-se de passagem

      2. Essa estratégia, de não focar em ter o Windows em todo lugar, mas sim o seu ecossistema de produtos, deu tão certo que a MS bateu a casa do trilhão em valor de mercado.

        Acho que a Microsoft está valorizada porque está focada em Azure e não Windows. Seja como produto ou serviço, ele perdeu importância.

        O Windows é um canal para vender os serviços, mas imagino que soluções de cloud pessoal como OneDrive, é o de menos na estratégia da MS. Tanto que o Google é até popular com seu ecossistema de serviços, mas a “estratégia de cloud” é meio que um fracasso, porque AWS e Azure são muito mais fortes dentro de empresas.

        Ou a indústria de hardware molhou pesado a mão do Nadella pra botarem esse corte nos dispositivos, ou a Microsoft abandonou a estratégia de SaaS e voltou a querer focar em hardware.

        Não acho que seja uma mudança de estratégia, só algo conveniente: existe uma justificativa técnica e não faria mal incentivar a venda de licenças. Compatibilidade de hardware é algo menos crítico que de software para empresas, se colasse essas exigências, talvez eles conseguissem aumentar receitas.

        Está claro que a linha é meio arbitrária e ela está negociando, então acho que só foi um “se colar, bom para gente”.

      3. É curiosa essa linha traçada entre computadores que podem e não podem rodar o Windows 11 porque, com o Windows 10, o objetivo era outro: colocá-lo no maior número possível de dispositivos — a meta era 1 bilhão. O Windows 11, se chegar nesse volume, vai demorar um bocado. Uma leitura possível, que elaboro no Guia Prático de logo mais, é que a Microsoft não tem muito a perder, porque o Windows como plataforma tornou-se meio irrelevante, praticamente uma máquina para rodar aplicativos web. Dessa posição, talvez seja possível elevar o nível e começar um tardio processo de modernização da plataforma.

        Em termos de receita, o Windows é bem menos importante do que já foi um dia. No terceiro trimestre fiscal de 2021, o mais recente, a divisão de computação pessoal da Microsoft, que inclui Windows, Xbox, publicidade, serviços de nuvem para usuários finais e Surface, respondeu por 31,2% do total de receita.

  12. O Windows 10 pode ter os mesmos requisitos mínimos que o Windows 7, mas isso não significa que vai rodar tão bem quanto. Dia desses eu fui tentar ressuscitar um netbook com 2GB de memória, apenas colocando um SSD básico nele no lugar do HD (o que qualificaria esse netbook quase como uma “batata”). O resultado é que o Windows até que consegue ser iniciado, mas ainda demora pra abrir qualquer programa. O consumo de CPU e de memória ficam em 100% quase o tempo todo. Voltei para o Windows 7 nele e apesar de ainda não ser “uma bala”, ainda é usável.

    Sobre o Windows 11 ser um sistema que cai nas graças dos usuários, minha opinião é justamente o contrário. Lembremos que o Windows 11 está elevando os requisitos mínimos e adotando diversas mudanças visuais (lembro daquela analogia de mudar a cor da grama), dois pecados que o Windows Vista e o Windows 8 ousaram cometer e que foram os pontos principais para a “derrocada” deles. Coincidentemente, é justamente isso que faz com que aquela profecia do Windows ser bom em versões alternadas sejam cumpridas: a Microsoft tenta inovar e colocar várias mudanças, e o Windows é ruim; em seguida, a Microsoft é mais pé no chão com mudanças mais “palatáveis” e o Windows é bom. E considerando que o Windows 10 foi bom, apesar das controvérsias, não apostaria tão alto no Windows 11.

    1. Aí é que tá, Diogo. O Windows 11 não tá elevando os requisitos em números, mas sim em itens “de série” necessários pra rodar. Segundo a Microsoft, o 11 precisa de 4GB de RAM e processador dual core de 64 bits. Isso é o mesmo que o Windows 10 usa pra rodar de boa, se usar um SSD, claro.

      A obsolescência aqui não é pelo Windows 11 exigir mais recursos de processamento, é ele exigir recursos novos sem uma aparente necessidade, no caso dos processadores.

      1. Sobre o caso dos processadores, eu imagino que seja apenas pra homologar os computadores novos para funcionar com o Windows 11. Isso se considerar que a Microsoft está agindo de boa fé, porque não faz sentido limitar o hardware apenas pra forçar as pessoas a comprarem PCs novos apenas pra rodar Windows 11 (porque a grande maioria das pessoas não vão fazer isso).

        1. Seguindo o fio e falando sobre o netbook: uma coisa que peguei mania é de “capar”o Windows. Tirar todos os aplicativos “nativos” do Win10 (Office, Paint 3D, Cortana (em partes, na verdade preciso aprender a tirar ele inteiro, só que dizem que se tirar, “mata” o menu iniciar), XBox (ao meu ver, o maior vilão), etc…

          Noto que quando faço isso, a maioria das máquinas, inclusa mais antigas, rodam com alguma tranquilidade, mesmo em HDD.

          O problema maior do Windows 10 ao meu ver são os “Apps Windows”, que diferente dos programas, tem mania de ficar em segundo plano mesmo fechado (não diferente dos Google Apps originais quando pega um celular Android seja pela primeira vez ou formatado de máquina). Retirar os Apps dá uma melhorada tremenda na usabilidade também. Tirar tudo que faz o windows ficar com “publicidade” também, já que isso tira processamento e rede.

          1. Pra computadores modernos, eu nem me preocupo tanto. Tento tirar o máximo daqueles apps que o Windows 10 começa a instalar depois de iniciar pela primeira vez (tipo o Spotify, Candy Crush, etc.) mas também não vou atrás daqueles scripts pra remover a Cortana ou o Xbox, apenas desabilito eles.

            Pro netbook, talvez fizesse diferença remover eles, mas preferi não quebrar muito a cabeça e deixar o Windows 7, que foi o sistema original que ele veio de fábrica.

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