Talvez a Meta esteja meio certa em ignorar jornalistas e notícias no Threads. (O que não significa que a empresa esteja certa em outras coisas, ou no geral.)

A crise transnacional envolvendo o dono do X (ex-Twitter) e a Justiça brasileira levou muitos tuiteiros, incluindo jornalistas, a procurar abrigo no Bluesky. E, mesmo sem seguir novos perfis, meu feed foi tomado de… notícias. E notícias específicas: do Elon Musk, de política, de desgraças no geral.

Nada contra notícias e jornalismo em geral, é só que nesses ambientes — Twitter e agora Bluesky — a abordagem se dá com o fígado em vez do cérebro. Pesa o clima e cansa um pouco.

Apagão nos canais sociais do Manual

A solução que os executivos da Vice encontraram para tirar a publicação do buraco onde eles mesmos a enfiaram foi parar de publicar no site próprio e distribuir conteúdo nas plataformas dos outros.

Não, não estamos em 2012. A estratégia (se é que pode ser chamada assim) talvez seja o menor dos problemas da publicação canadense. Ou o último. Enfim.

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Cenas de uma web que agoniza

Vi uma chamada da newsletter Platformer que me interessou pelo título (“Cenas de uma web que agoniza”) e a ilustração (prints do detestável Arc Search, que usa inteligência artificial para mastigar páginas da web e cuspir uma nova com informações surrupiadas).

Cliquei e topei com outra cena da morte da web: um paywall.

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Resposta do Olhar Digital à análise de sites de tecnologia brasileiros

por Bruno Capozzi

Nota do editor: Na última quinta (18), recebi um e-mail do Bruno, editor-executivo do Olhar Digital, com a promessa de uma resposta, em breve, à análise de sites de tecnologia brasileiros que publiquei neste Manual no dia 12/1. Como ela veio em prosa, pedi autorização ao Bruno para publicá-la na íntegra aqui.

Primeiramente, obrigado pelas considerações e por entrar em contato conosco. Achei sua análise bastante interessante. Tomei a liberdade de escrever um texto corrido para responder suas questões.

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Breve análise dos sites de tecnologia brasileiros

Um notebook aberto, de lado, com mãos apontando para a tela.

Se tivesse que justificar a razão de existir do Manual do Usuário, diria que é publicar coisas diferentes do que outros sites de tecnologia publicam. O que nos leva à pergunta inevitável: o que os outros sites de tecnologia publicam?

Tenho uma boa ideia, é claro. Uns acompanho de perto, outros de longe, sempre dou uma passadinha em todos para… digamos, “monitorar a concorrência”.

Durante seis dias em 2023 (31/8 a 5/9), porém, fiz uma incursão que se pretendia metódica em cinco dos maiores sites especializados em tecnologia do Brasil. Com a ajuda de um agregador de feeds, capturei, rotulei e categorizei tudo que eles publicaram naquele intervalo.

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Canais do WhatsApp: novo recurso, velhos hábitos

Print de um celular Android, segurado por uma mão, com a tela de canais do WhatsApp aberta e uma lista de canais oficiais. Foto tratada com efeito dithering, no tom de verde do WhatsApp.

Por muito tempo, o WhatsApp era posicionado como um aplicativo de mensagens entre pessoas, um a um, no máximo em pequenos grupos. Tentativas de distribuir conteúdo em massa usando gambiarras, como múltiplos grupos, eram coibidas.

Isso mudou. Em 2022, a Meta engrenou uma sequência de novidades no WhatsApp que segue com força total até agora, reposicionando o app para brigar por mercados que rivais como Discord e Telegram criaram ou conquistaram.

É para conversar com os amiguinhos, sim, mas também para se informar, comprar, organizar os grupos do condomínio, do trabalho, enfim, passar o maior tempo possível ali dentro. O WhatsApp é o mais próximo que o Ocidente tem de um “super app”.

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Deus Google agora exige sacrifícios “em nome do SEO”

SEO, o conjunto de técnicas de otimização para sites aparecerem melhor nos resultados de busca do Google, é uma espécie de religião de marqueteiros e tecnocratas.

O deus Google escreve suas linhas tortas, com dicas etéreas ou banais e orientações turvas, que são interpretadas pelos pastores — os ditos “especialistas em SEO” — e aplicadas nos sites dos fiéis, na esperança de que isso se reverta em bênçãos na forma de bons posicionamentos nos índices do buscador.

É um exercício de fé, porque ninguém consegue apontar, com rigor metodológico, a relação de causa e efeito entre SEO e resultados.

Os que creem seguem os preceitos religiosos do Google e apenas acreditam. Se funcionarem, é a prova definitiva de que SEO existe. Se não, o problema é comigo, que escrevi 490 palavras em vez de 500 e repeti a palavra-chave quatro vezes em vez de cinco; que não acreditei o bastante.

O paralelo ficou ainda mais forte na última quarta (9), quando o Gizmodo obteve um comunicado interno da Cnet em que a direção avisava os funcionários que estava apagando milhares de posts antigos para “melhorar o SEO”. A notícia foi confirmada à publicação por um diretor de marketing da Cnet.

Agora, deus Google passou a exigir sacrifícios como condição para despejar sua bondade sobre sites caça-cliques.

A lógica, segundo o comunicado interno, é de que excluir conteúdo antigo que não gera tráfego “envia um sinal ao Google que diz que a Cnet é atual, relevante e digna de ser posicionada acima dos nossos concorrentes nos resultados de pesquisa”.

Nas redes, o Google refutou a estratégia. O que não quer dizer muita coisa, porque o Google não revela o algoritmo de rankeamento do seu buscador e, suspeita-se, sequer o entende por completo. Por isso, não dá para descartar que, mesmo que o Google desaconselhe a prática, sob condições específicas ela possa surtir resultado positivo.

A Cnet, importante lembrar, foi flagrada no início de 2023 publicando textos escritos pelo ChatGPT com erros crassos, apenas para atrair incautos no Google dispostos a clicar em lucrativos anúncios de empréstimos financeiros e cartões de crédito.

A priorização do SEO é o famigerado rabo que abana o cachorro. Mirar boas posições no buscador do Google não deveria, em hipótese alguma, se sobrepor a decisões editoriais, quiçá justificar a destruição do arquivo de publicações (que se dizem) jornalísticas.

No entanto, é o acontece quando a teocracia do SEO, liderada pelo Google, toma de assalto a web. Fundamentalismo tecnológico, robôs acima de seres humanos, pessoas reduzidas a cliques em anúncios.

A BBC lançou uma instância própria do Mastodon do jeito que muitos vinham pedindo às empresas de mídia: própria, fechada e com validação do domínio. Por enquanto, é só um experimento com data de validade (seis meses), mas se vingar, pode se tornar um paradigma para que outras empresas do setor invistam no fediverso. Via BBC Research & Development (em inglês).

Monografia sobre o Manual e migração do site para o WordPress.com

Mande seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram ou por e-mail.

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Neste podcast, falei da monografia sobre o Manual que o Matheus da Rocha Leite escreveu (e com comentário do próprio) e da migração do site para o WordPress.com, no último domingo.

Peço desculpas pela qualidade do áudio e os latidos do cachorro da vizinha ao fundo, em alguns momentos. Vida de home office…

Desde o último episódio, três leitores/ouvintes tornaram-se assinantes: Antonio Rodrigues, Flávio Emanoel e Leocádio de Melo. Obrigado!

Quer assinar também? Nesta página tem os planos, benefícios e valores.

Manual é objeto de monografia na UFRGS

O Manual do Usuário foi objeto de análise de uma monografia do curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Matheus da Rocha Leite, orientado pelo professor Marcelo Träsel, analisou o Manual à luz dos conceitos do Slow Journalism, um movimento que prega outra forma de fazer jornalismo, com menos celeridade e maior preocupação com aspectos como transparência e a relação entre veículo e audiência.

Na monografia, Matheus faz contextualiza a crise do jornalismo, conceitua e apresenta as oportunidades que o Slow Journalism oferece, e faz uma análise de como o Manual implementa (ou não) as características do movimento.

Fiquei lisonjeado em ter meu trabalho escolhido como objeto de pesquisa e muito contente com o resultado. A monografia já está disponível, na íntegra, no site da UFRGS.

Threads não é para política nem jornalistas, diz executivo da Meta

Notícias e política não são bem-vindas no Threads, a rede social da Meta criada para ocupar o vácuo que o Twitter está deixando.

Na tarde desta sexta (7), Adam Mosseri, head do Instagram, respondeu a uma pergunta do editor do The Verge, Alex Heath.

Heath questionou se a Meta estava preparada para receber jornais e publicações noticiosas, já que, segundo ele, esse seria um pressuposto para competir com o Twitter.

Mosseri disse que, embora notícias e política sejam inevitáveis no Threads, é algo que a Meta “não incentivará”.

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Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).

Tráfego, o ouro de tolo do jornalismo nos anos 2010

Close no rosto de Jonah Peretti — homem branco, de rosto fino, óculos de aros grossos e cabelo curto —, fundador do BuzzFeed.

Em junho de 2015, Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed, foi à sede do New York Times explicar ao centenário jornal como essa coisa de internet funcionava.

Nas palavras do jornalista Ben Smith, então editor-chefe do braço de notícias do BuzzFeed, Jonah “era um mamífero explicando aos dinossauros como havia evoluído para além deles”.

O trecho ocupa um capítulo em Tráfego: Genialidade, rivalidade e desilusão na corrida bilionária para viralizar (tradução livre; ainda sem edição no Brasil), novo livro de Ben que conta a origem, ascensão e queda do BuzzFeed.

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