Google quer ser a interface para a web

A abertura do Google I/O deste ano (vídeo-resumo de 35 minutos) mostrou um Google menos envergonhado no processo de transformação da web em insumo para suas IAs.

A busca virará (ainda mais) um ChatGPT turbinado, e também o balcão de todas as lojas virtuais, e o YouTube usará fragmentos de vídeos para criar páginas com respostas.

Note que em todas essas novidades, o Google/YouTube se transforma em curador e interface do conteúdo da web, sem atribuição ou com o mínimo necessário. Você não acessará mais sites, você acessará o Google — e lá ficará. Do outro lado da mesa, quem se diz “produtor de conteúdo”, é na verdade fornecedor de conteúdo para plataformas. Sempre foi para a Meta (Instagram), o TikTok e o YouTube; agora o é também para o Google, mesmo que involuntariamente (eu!).

Tudo isso consiste em uma uma traição total de tudo que o Google já representou (e foi) um dia. Talvez as pessoas gostem porque a web, coitada, já sofre há muito com os incentivos perniciosos e a influência destrutiva do próprio Google, mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em tempo: o PC do Manual oferece o SearxNG, um meta-buscador web que mostra dez (ou mais) links azuis de sites da web. É de graça. Use e divulgue.

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14 comentários

  1. A Web como conhecemos está chegando ao seu fim. Depois do convívio em redes sociais, onde tem gente que desconhece a internet fora delas, teremos um sistema de busca que deixará de ter hiperlinks.

    Triste fim!

    1. Eu não concordo. Eu acho que a web comercial, aquela cheia de ads e popups e avisos de cookies tá indo pro saco. E por mim? Já vai tarde. Mas a small web, indieweb tá vibrante como nāo se via há muitos anos!

      1. De onde saiu esses termos? Curiosidade mesmo, tirando “indieweb”, nunca ouvi falar dessa tal “small web”.

        Definir algo como “vibrante” quando é voltado para um nicho de pessoas, não faz sentido para mim.

        1. Talvez tenham variações específicas, mas “indie web” e “small web” são meio intercambiáveis.

          E acho que é possível algo ser vibrante mesmo que para poucas pessoas. Eu acho os comentários deste Manual vibrantes, mesmo com umas poucas dezenas de pessoas participando. Não?

  2. Mas ao matar o tráfego web, como que as pessoas vão chegar nas páginas cheias de anúncios, que geram boa parte do faturamento deles?

    1. Permanecendo nas próprias plataformas do Google também já tem anúncios, que também gera faturamento. Daria na mesma eu acho.

      A questão acho é como os sites, que são usados pelo Google pra gerar essas informações e fazer a IA cuspir informação útil, irão sobreviver, digo, se o Google extrai a informação e mostra o usuário sem o mesmo precisar acessar o site, o site não recebe visita e não gera receita.

      1. O correto seria bloquear o acesso ao Googlebot, mas aí mata a entrada via buscador. Isso é um problemão, eu tenho vários projetos que dependem de SEO, e estou ferrado. Vou ter que fechar meus sites, e tentar ver para vender aplicativo, mas para vender aplicativo tenho que passar por gincanas da Apple e do Google.

        Simplesmente, está ficando osso…

        1. Seus sites não estão passando por uma queda no número de acessos vindos do Google? Acho que estamos próximos do momento em que SEO será algo que não vale a pena.

          1. Eu tenho picos de acesso, neste ano tive uma queda considerável, mas culpo a mim e aos meus concorrentes, por que no dia do pico o site caiu 4 posições no Google e me lascou tudo, e no dia seguinte eu voltei ao topo. Assim, não é conclusivo eu culpar a IA, somente ao longo prazo eu poderei ter uma resposta.

            O jeito é tocar o barco (mesmo sabendo que o investimento pode não valer a pena – e para isso terei que delegar ajustes a IA) e ver o que acontece ao longo prazo. Espero que a ANPD breque isso aqui…

            E no futuro, aquela história de viver de site e de app, já acabou, você vai ter que fazer sistemas complexos para vender para empresas ou virar peão de outra empresa… Estou pensando em deixar a TI…

    2. Lá no Tabnews, cheguei a uma conclusão. Transcrevo aqui

      > E o Google pode ter pensado: ora, eu acabo o Adsense, mas eu compenso empurrando mais anúncios no Youtube, que está quase virando uma TV Aberta sem concessão estatal e coloco anúncios para manipular os resultados do Gemmini.

      1. É, tem razão. E hoje mesmo eu tava lendo que a receita deles com ads diretos nas plataformas vem crescendo.

        Meio que parece a pá de cal na web-comercial, que depende de anúncios pra sobreviver. É provavelmente a parte da web que eu menos acesso..

        1. O faturamento do Google com anúncios em propriedades de terceiros (AdSense, resumidamente) sempre foi uma fração do total que eles faturam com anúncios. O crescimento nos últimos anos tem sido tímido comparado ao dos anúncios em propriedades do próprio Google.

          Eu não acharia ruim uma web menos comercial, viu? Perderíamos muita gente que talvez deixasse de acessar, mas abriria espaço para um novo Google, por exemplo, algo um pouco mais ambicioso que o Marginalia.

          1. > Eu não acharia ruim uma web menos comercial, viu?

            Bah, absolutamente. Eu fiz uma analise de dados com o meu histórico do safari agora pouco, menos de 10% da minha navegação é na web comercial. Um pouco mais se incluir sites de noticias.