Os impactos da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso do iOS 14.5 que obriga aplicativos a obterem o consentimento expresso do usuário para rastrear suas atividades no celular, têm sido grande. Segundo a empresa de publicidade digital Lotame, o ATT custou US$ 9,85 bilhões a Facebook, Snap, Twitter e YouTube no terceiro e quarto trimestres, uma baixa de 12% no faturamento esperado. Via Financial Times (em inglês, com paywall).

Esse episódio joga duas verdades nas nossas caras:

  1. As pessoas se importam com privacidade. Diversas análises apontam que uma ampla maioria, ao ser apresentada ao pedido do ATT, nega que aplicativos rastreiem suas atividades. Pode não ser a maior preocupação de muitos, mas quando a opção é dada às claras, sem pegadinhas, a preferência quase unânime é por privacidade.
  2. Os “esforços” em privacidade que Google, Facebook e outras empresas de publicidade segmentada fazem são, se muito, maquiagens — ou, como argumentei nesta coluna, uma espécie de “greenwashing” da privacidade. Se fizessem diferença significativa, esta seria refletida nos relatórios financeiros trimestrais, coisa que jamais ocorreu.
Print recortado do Bradesco Cartões, em que se lê: “Para receber mensagens de notificação, é necessário que você habilite o rastreamento nos ajustes do seu celular. Ajustes > Bradesco Cartões > Permitir rastreamento.”
Imagem: Bradesco Cartões/Reprodução.

O aplicativo Bradesco Cartões para iOS, do Bradesco, inaugurou uma nova estratégia, uma espécie de chantagem, para obter a permissão dos clientes para que sejam rastreados.

Ao negar ao app o direito de rastrear seus passos em outros apps e na web com aquele recurso de Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), obrigatório desde o iOS 14.5, o Bradesco Cartões impõe uma série de restrições, como “ver só um extrato por mês e não ver as transações recentes”, segundo o leitor do Manual do Usuário, dono de um cartão Bradesco, que fez a denúncia.

Ao ser aberto, o app Bradesco Cartões exibe um popup com o seguinte pedido:

Para receber mensagens de notificação, é necessário que você habilite o rastreamento nos ajustes do seu celular. Ajustes > Bradesco Cartões > Permitir rastreamento.

Não há qualquer tipo de vinculação ou justificativa técnica para tal “necessidade”. A Apple, aliás, proíbe esse tipo de condicionamento na cláusula 3.2.2, alínea VI das diretrizes da App Store. Tradução livre e grifo meu:

[…] Aplicativos não devem exigir que os usuários avaliem o aplicativo, escrevam reviews do aplicativo, assistam a vídeos, façam o download de outros aplicativos, toquem em anúncios, permitam rastreamento ou tomem outras ações similares para acessar funcionalidades, conteúdo, usem o aplicativo ou recebam compensação financeira ou outra, incluindo, mas não se limitando a, cartões-presente e códigos.

Questionei o Bradesco sobre essa prática. O banco enviou a seguinte resposta:

Para a segurança dos clientes Bradesco, usuários do aplicativo de cartões, são utilizadas algumas informações do aparelho no processo de onboarding para evitar invasões e cadastros fraudulentos. Por motivos de segurança, não são divulgados os campos que são utilizados para não expor informações que fazem parte dos motores antifraude do Banco. A palavra “rastreamento” é utilizada no sentido de executar testes com objetivo de garantir a segurança do usuário e não o ato de rastrear sua mobilidade.

Sobre a menção ao regulamento da loja, vale ressaltar que todas as versões dos aplicativos Bradesco são submetidos a etapas de testes e qualidade, além do processo rigoroso de aprovação das lojas. Importante reforçar que o Bradesco tem claro em seu propósito a geração de valor para seus clientes, através de melhorias contínuas em seus produtos e serviços, partindo da centralidade do cliente.

Também pedi um posicionamento à Apple, mas até a publicação desta nota a empresa não havia retornado. Se e quando recebê-lo, acrescentarei aqui mesmo.

Era só o que faltava. Obrigado, leitor!

Tem um Mac? O macOS 12 Monterey, em versão final, já está disponível. Via Apple (em inglês).

iPhone ou iPad? A versão final do iOS/iPadOS 15.1 também está entre nós. Apple Watch? Tem watchOS 8.1. Via MacMagazine.

A Snap, empresa dona do Snapchat, reportou faturamento de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre nesta quinta (21.out), abaixo das expectativas dos analistas de Wall Street, de US$ 1,1 bilhão.

A culpa pelo desempenho aquém do esperado foi do recurso Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) do iOS, justificou o CEO Evan Spiegel.

O ATT, implementado no iOS 14 e tornado obrigatório pela Apple no iOS 14.5, exige que apps que rastreiam o usuário em outros apps e na web obtenham o consentimento expresso dele para continuarem fazendo isso. Sem surpresa, a maioria das pessoas rejeitou tais pedidos, o que tem causado impactos significativos em negócios baseados em publicidade segmentada, casos do Snapchat e do Facebook, por exemplo.

Spiegel disse que, por conta do ATT, “as ferramentas [de mensuração da publicidade] ficaram no escuro”, mas classificou a baixa como temporária, dizendo que “leva tempo” para se adaptar à nova realidade e que o impacto a longo prazo da do ATT ainda é desconhecido. Diferentemente do Facebook e de seu CEO, Mark Zuckberberg, que encamparam uma batalha de relações públicas contra o recurso de privacidade da Apple, Spiegel acha que se trata de uma boa ideia. Via TechCrunch (em inglês).

No iOS 15, links AMP do Google estão abrindo como se fossem links normais. Danny Sullivan, espécie de rosto público do buscador do Google, confirmou que se trata de uma falha que será corrigida o quanto antes. Via Search Engine Land (em inglês), @dannysullivan/Twitter (em inglês).

No Windows 11, alguns usuários estão se deparando com a velha barra de tarefas do Windows 10. Ainda não há uma correção e a Microsoft não se manifestou sobre os casos. As gambiarras para consertar o problema vão de desfazer as últimas atualizações até criar um novo perfil no sistema. Via Bleeping Computer (em inglês).

Considerando a desgraça que é o AMP para a web e a perda de recursos da nova barra de tarefas do Windows 11, daria para considerarmos esses bugs como… bugs bem-vindos?

Três prints de um iPhone, mostrando o passo a passo para acessar e configurar os sons de fundo via Central de Controle no iOS 15.

Costumo aguardar algumas semanas para atualizar meus dispositivos para novas grandes versões (já falei isso, né?), porém abri uma exceção ao iOS 15 por conta de um recurso que não foi sequer mencionado na apresentação do sistema (acho?) e que só entrou no meu radar nesta semana, após o lançamento da versão final: os sons de fundo.

Os sons de fundo ficam em Ajustes, Acessibilidade, Áudio/Visual, mas a melhor maneira de acessá-los é acrescentando um atalho à Central de Controle — como na imagem acima.

Como o próprio nome diz, são… sons de fundo, barulhinhos constantes que ajudam a te isolar do mundo externo. O iOS 15 oferece seis: ruído equilibrado, ruído brilhante, ruído escuro, oceano, chuva e riacho. Não há quaisquer opções disponíveis fora o volume.

Muitos anos atrás, fiz uma peregrinação nas lojas de aplicativos atrás de apps do tipo. Pode parecer bobeira (talvez seja), mas são raros os realmente bons para esse fim. Um problema comum e chato: como esses barulhos costumam ser um arquivo de áudio curto repetido indefinidamente, em muitos casos a lacuna entre o fim e o reinício dele fica bem perceptível. Se o objetivo é concentrar-se, rupturas mínimas como essa saltam aos olhos — ou melhor, aos ouvidos.

Os sons de fundo da Apple parecem ser de ótima qualidade! (Mais uma categoria de apps que foi “sherlockada”?) Eles só ficam devendo em personalização. Se para você isso é importante, minha recomendação — derivada daquela peregrinação de anos atrás — é o Noisli (Android, iOS). Custa uns trocados (entre R$ 8 e 11, dependendo da plataforma), mas vale cada centavo: a qualidade dos sons é altíssima, a variedade é grande e é possível combiná-los com volumes independentes para cada tipo de som.

Christian Selig, criador do Apollo, a melhor maneira de acessar o Reddit no iPhone, lançou dois novos apps:

  • Amplosion redireciona URLs no padrão AMP, do Google, para suas versões convencionais. O app permite criar regras e padrões e registra estatísticas de domínios convertidos. Custa R$ 16,90.
  • Achoo é um visualizador/inspetor do código-fonte de sites, algo trivial em navegadores desktop, mas inacessível de modo solo no iPhone ou iPad. Custa R$ 4,90.

Para dispositivos elegíveis, já estão disponíveis as versões finais do iOS 15, iPadOS 15 e watchOS 8. Via Apple (2) (3) (em inglês).

A versão final do macOS 12 Monterey, anunciado no mesmo dia dos sistemas acima, ainda não tem data de lançamento.

A Apple adiou a liberação (que só ocorreria nos Estados Unidos) das novas ferramentas de proteção contra abusos infantis que liberaria no iOS 15. “Com base nas opiniões de consumidores, ativistas, pesquisadores e outros, decidimos dedicar mais tempo nos próximos meses para coletar dados e fazer melhorias antes de liberar esses recursos importantes de segurança infantil”, alegou em um comunicado à imprensa. Via 9to5Mac (em inglês).

Relembrando, um desses recursos consiste em analisar fotos armazenadas em celulares e tablets (iOS, iPadOS) atrás de assinaturas de imagens que batam com as de imagens de abusos infantis conhecidas das autoridades, algo sem precedente na indústria.

No iOS 15, a Apple perguntará aos usuários se eles desejam que os anúncios da App Store seja segmentados. Hoje, essa configuração vem ativada por padrão e não há qualquer aviso ao usuário de que ela existe.

Os anúncios personalizados da Apple não estão ativos no Brasil, segundo a tela de configuração do iOS 14 (Ajustes, Privacidade, Publicidade da Apple). De qualquer maneira, nos lugares onde o recurso existe, a atuação da Apple é no mínimo contraditória considerando todos os entraves que a empresa impõe a aplicativos de terceiros em seus sistemas na coleta e personalização de anúncios. Via 9to5Mac (em inglês).

Três prints do WhatsApp mostrando como funcionará a transferência do histórico entre plataformas.
Imagem: Facebook/Divulgação.

Não foram apenas celulares e acessórios que a Samsung anunciou no evento desta quarta (11). O Facebook aproveitou o ensejo para revelar um recurso há muito esperado por usuários do WhatsApp: a transferência do histórico entre plataformas (Android e iOS). A princípio, o recurso estará disponível para celulares Samsung com Android 10 ou superior, mas no futuro será estendido a outras marcas e ao iPhone. Para quem o histórico do WhatsApp tornava refém de uma ou outra plataforma, boa notícia. Via Engadget (em inglês).

Fadiga de novidades

Nos eventos públicos da Apple, a empresa costuma encerrar cada segmento com um slide repleto de quadrados e retângulos que destacam as principais novidades apresentadas, uma espécie de resumo em uma página só. Na abertura da WWDC, nesta segunda (7), vimos vários desses slides e isso me deixou um pouco ansioso.

(mais…)

Na página de recursos do iOS 15, uma menção ao nosso querido Brasil (tradução livre):

Filtragem de SMS para o Brasil
O [aplicativo] Mensagens traz inteligência no dispositivo que filtra mensagens SMS indesejadas, organizando-as nas pastas Promocional, Transacional e Lixo, mantendo assim a sua caixa de entrada limpa.

Atualização (17h40): O leitor Iago Macedo já instalou o iOS 15 Beta e tirou prints do aplicativo de mensagens com as novas pastas para o Brasil: tela das pastas e tela de opções.

A abertura da WWDC 2021 ficou dentro do esperado, com novas versões dos sistemas da Apple, a saber: iOS 15, iPadOS 15, watchOS 8 e macOS 12 Monterey. Abaixo, o tradicional comentário no calor do momento dos anúncios:

  • A oferta de aplicativos e serviços próprios é tão grande que deu à Apple o luxo de passar quase duas horas falando de integrações e benefícios que só dizem respeito a usuários mergulhados em seu ecossistema. Se você está nessa ao ponto de usar o iMessage para conversar com família e amigos, foi um prato cheio. Se não, sobraram algumas migalhas interessantes.
  • A maioria das novidades se espalha por todos os sistemas. Coisas como itens compartilháveis em apps como Fotos e Mensagens (Shared With You), experiências remotas pelo FaceTime (Share Play), configurações de notificações personalizáveis (Focus) e reconhecimento de escrita em imagens, por exemplo, estarão presentes no iOS 15, iPadOS 15 e macOS 12.
  • O iPadOS 15 mistura os widgets aos ícones da tela inicial e ganhou a Biblioteca de Apps, acessível pela Dock. A atualização mexe — mais uma vez — na multitarefa do tablet da Apple. Desta vez, pelo menos, haverá indicadores visuais para facilitar a descoberta e o uso desses recursos.
Tela inicial do iPadOS 15 com widgets misturados aos apps.
Imagem: Apple/Divulgação.
  • O nome do novo macOS 12 é Monterey. Sua maior novidade exclusiva é a chegada do aplicativo Atalhos, já presente no iOS e iPadOS. Diz a Apple que o app é “o futuro da automação no macOS”.
  • O Safari foi redesenhado e está ainda mais discreto. Agora, a barra de endereços fica dentro da aba do site em foco. O navegador da Apple também ganha suporte a grupos de abas/sites e as versões do iOS/iPadOS, suporte a extensões. No iPhone, a barra de endereços vai para o rodapé da tela.
Print do novo Safari do macOS 12 Monterey, mostrando os grupos de abas.
Imagem: Apple/Divulgação.
  • Usuários pagantes do iCloud ganham um “upgrade” sem custo ao iCloud+, que dá direito a uma espécie de VPN/Tor nativo e máscaras para e-mail.
  • Boas novidades de privacidade, como uma linha do tempo (de até sete dias) de recursos do celular acessados pelos aplicativos, ocultação do IP/localização do usuário a sites no Safari e o bloqueio de pixels rastreadores em e-mails/newsletters no Mail.
  • ênfase, também, às novidades em saúde: será possível compartilhar dados biométricos com familiares e médicos e a Apple avisará quando algum dado monitorado apresentar variações preocupantes. Tudo muito bonito e útil, desde que você tenha grana para comprar um iPhone e um Apple Watch — no Brasil, esse kit versão básica (Apple Watch SE e iPhone SE) não sai por menos de R$ 4 mil.
  • A Siri passa a processar requisições de tarefas mais simples no próprio dispositivo, sem se conectar à internet. Além do fator privacidade, a mudança acelera um bocado o tempo de resposta.
  • O iOS 15 será compatível com o iPhone 6S, lançado em 2015. Aparentemente, os demais sistemas também chegarão aos mesmos dispositivos compatíveis com os sistemas de 2020.
  • As versões beta dos novos sistemas já estão disponíveis para desenvolvedores. Ao público, elas chegam em julho. E as versões finais, em algum dia do “outono” (primavera aqui no hemisfério Sul).

Mais coisas foram anunciadas — foi um evento cheio, com quase 2 horas de duração. Deixei escapar alguma interessante? Comente aí embaixo.

Um “problema” de aplicativos do tipo que você configura e esquece é que, numa dessas, novidades acabam passando batidas. Tomei um susto ao abrir o 1Blocker no iOS, um dos favoritos da casa, e deparar-me com uma interface reformulada e um novo recurso de firewall.

A novidade apareceu no final de abril, no 1Blocker 4. Ao ativar o firewall, o aplicativo passa a bloquear mais de 9,2 mil rastreadores em aplicativos, e o faz localmente, sem contatar servidores externos. É um passo empolgante para o 1Blocker, que antes disso só agia dentro do Safari/navegador web, e que o equipara a outras soluções do mercado como o AdGuard — no iOS, pelo menos.

O firewall do 1Blocker está disponível sem custo adicional aos usuários premium — assinantes ou quem comprou a licença vitalícia do app. Via 1Blocker (em inglês).