Post livre #191
Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.
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A Netflix começou digitalizando as vídeo locadoras. Não os filmes em si, mas o espaço físico mesmo. Os clientes alugavam filmes em DVDs e a empresa os distribuía via Correios. Mas foi só quando alguém lá dentro teve a sacada de que poderia ir além e remover o último elemento físico do negócio, o disco de DVD, que ela deslanchou. Afinal, a digitalização total era uma ótima ideia, tão boa que surpreende que estúdios fornecedores de conteúdo e donos das plataformas onde a Netflix roda tenham demorado tanto para copiá-la.
“Vou comprar o iPhone 11 Pro por inércia, por estar fechada no ecossistema, falta de tempo/energia para pesquisar por alternativas melhores ou executar os movimentos para migrar e porque meu iPhone de dois anos quebrou bem na hora (há um mês)”, escreveu a jornalista norte-americana Casey Johnston enquanto a Apple anunciava a safra 2019 de iPhones. “Não tenho ideia de que recursos ele tem”.
O relato dela representa uma teoria que a estabilidade do número de iPhones vendidos ano após ano desde meados desta década meio que confirma: a de que pouca gente compra celulares da Apple após compará-los minuciosamente às melhores ofertas da Samsung, Motorola, [insira uma marca Android aqui]. A maioria dos que compram iPhone fazem isso porque… bem, porque é um iPhone. Modelo? O mais recente que o orçamento permitir.
Em 2010, o desenvolvedor alemão Christian Reber iniciou uma busca por parceiros para uma empreitada digital: criar um pequeno aplicativo de listas de tarefas. Um ano depois, com um sócio e investimentos de grupos locais, ele deu à luz o Wunderlist, fruto da startup recém-criada 6Wunderkinder.
O Wunderlist poderia ter sido apenas mais um entre os milhares de apps do gênero que infestam lojas de aplicativos, mas ele se destacou por antecipar recursos úteis ainda raros e pela execução impecável. Em 2015, já com 13 milhões de usuários, a Microsoft comprou o app. O valor exato da transação jamais foi revelado, mas segundo o Wall Street Journal foi algo entre US$ 100 e 200 milhões. Até aquele momento, a 6Wunderkinder havia levantado US$ 35 milhões em capital de risco. Não foi um saída do nível de um Google ou Facebook da vida, mas deve ter rendido uns bons trocados para fundadores e investidores.
As duas partes, Microsoft e 6Wunderkinder, na época garantiram que nada mudaria de imediato no Wunderlist e que a nova casa, com recursos quase infinitos e um batalhão de profissionais de primeira classe, ajudaria a aperfeiçoar o app. Dois anos depois, a Microsoft anunciou que o Wunderlist seria descontinuado para dar lugar a um novo app criado do zero, o Microsoft To-Do, para ser integrado a outros produtos da empresa. Até hoje o já não tão novo app continua pior que o abandonado em muitos aspectos e apesar da sentença de morte dada ao Wunderlist, ele segue — junto aos seus usuários mais fiéis — em uma agonizante espera pelo dia em que um funcionário da Microsoft puxará o fio do servidor que o mantém funcionando.
A digitalização do varejo barateou custos e expandiu a seleção de produtos disponíveis ao consumidor, vantagens que criaram gigantes do setor como a Amazon nos Estados Unidos e o Alibaba na China, e que têm norteado as decisões das empresas mais antigas que melhor se adaptaram à nova realidade, caso emblemático do fenômeno brasileiro Magazine Luiza. Apesar disso, lojas nativas digitais e bem sucedidas no ambiente virtual têm experimentado, com objetivos diversos, o caminho inverso, materializando-se no mundo físico.
No último sábado (7), fui conferir a recém-inaugurada loja pop-up do AliExpress, o grande marketplace digital chinês e uma das lojas estrangeiras favoritas dos brasileiros. Ela foi montada no Shopping Mueller, no Centro Cívico em Curitiba (PR), cidade escolhida por ser a sede do Ebanx, fintech local parceira que processa todos os pagamentos no AliExpress feitos a partir do Brasil.
Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)
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Nos Estados Unidos, o Google foi condenado a pagar uma multa de US$ 170 milhões [New York Times, em inglês] por abusos praticados no YouTube. O serviço de vídeos coletou dados pessoais de menores de 13 anos sem o consentimento dos pais e os usou para veicular anúncios segmentados.
Mais importante que a multa, o YouTube se comprometeu a implementar mudanças significativas que começam a valer no início de 2020 [YouTube, em inglês]: cessar a coleta de dados pessoais de vídeos destinados ao público infantil, independentemente de quem os assista; desativar comentários e notificações em canais infantis; e cessar a veiculação de anúncios personalizados com base em dados pessoais em vídeos infantis (anúncios continuarão sendo exibidos com base em outros critérios [@manualusuariobr/Twitter, em português], porém). A definição do que é um vídeo infantil ficará a cargo dos donos dos canais, mas o YouTube empregará uma inteligência artificial para, em paralelo, classificar vídeos infantis automaticamente como tais.
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Não tenho — nem pretendo ter — conta no TikTok. De fora já dá para saber que se trata de um filme repetido, com o mesmo enredo de outras redes sociais estabelecidas que a antecederam. E, spoiler: o final não é feliz.
Para você que tem mais de 30 anos e pouco contato com jovens, o TikTok é uma rede social criada pela ByteDance que lembra o Snapchat e o finado Vine, no sentido de que é composta por vídeos curtos, boa parte deles com ênfase em entretenimento. Como um leitor que tem conta lá resumiu, “não tem nada sério, reclamação, nada, é só bobiça, 24h de bobiça, e TODO MUNDO fazendo bobiça”.