O Reddit vai cobrar o acesso à sua API de empresas que treinam grandes modelos de linguagem (LLMs) usados em inteligências artificiais como o ChatGPT. “Achamos justo”, disse Steve Huffman, cofundador e CEO do Reddit.

Desenvolvedores de aplicativos e robôs e pesquisadores continuarão tendo acesso gratuito à API do Reddit.

Atualização (10h39): Ao contrário do que noticiou o New York Times, a API também passará a ser cobrada de desenvolvedores. Pelo menos é o que diz Christian Selig, criador do Apollo: “O uso gratuito da API para aplicativos como o Apollo não é algo que eles [Reddit] vão oferecer, logo, eu oferecer o uso gratuito do app provavelmente será muito difícil. É quase certo que o Apollo terá que mudar para um modelo [em que exista] apenas Apollo Ultra (leia-se: assinatura paga).”

Huffman parece entender uma ou outra coisa melhor do negócio do que seu colega do Twitter, que quebrou a API gratuita e afugentou meio que todo mundo da plataforma.

Cabe aqui um exercício que extrapole a situação do Reddit a toda a web.

O Google e outros buscadores desde sempre vasculham e processam o conteúdo de sites, mas até então havia uma relação de troca: o Google e outros buscadores “pagavam” esse acesso mandando pessoas que buscam por coisas que os sites oferecem. É algo que funciona bem. No Manual, por exemplo, a maior parte dos acessos é originada no Google.

Com as IAs, como o ChatGPT, Google Bard e Bing Chat, essa troca deixa de existir porque elas devolvem a resposta na própria página do buscador, sem que a pessoa interessada precise visitar outro site — no caso, a fonte da informação. Os buscadores viram parasitas, e… bem, no fundo, os chatbots explicitam um problema que já vinha se desenhando, conforme estes dados de 2019.

Mesmo um site pequeno, como o Manual, pode oferecer um corpus de dados significativo. (Em quase dez anos, publicamos 4,3 mil posts e 111,1 mil comentários.) Se interfaces como a do ChatGPT realmente se firmarem na rotina das pessoas, ocupando o espaço antes dedicado às pesquisas na web, prevejo dias difíceis pela frente. Via New York Times (em inglês).

A versão final do Fedora 38 foi disponibilizada nesta terça (18). Baixe-a no (novo) site do projeto.

O Fedora 38 traz como carro-chefe o Gnome 44 e o kernel Linux 6.2, e está disponível em dois novos “spins” (como são chamadas as variações com ambientes gráficos distintos): uma baseada no Budgie Desktop, outra no Sway. Ah, e pela primeira vez há uma imagem com o Phosh, a interface para dispositivos móveis baseada no Gnome. Via Fedora Magazine (em inglês).

O Instagram oficializou a expansão do número de links nos perfis, o famoso “link na bio”. De um, passamos agora para cinco. Bom ver que as mentes geniais da Meta, com muito trabalho duro e engenharia de ponta, conseguiram superar todos os desafios e colocar cinco links numa tela de um aplicativo.

Brincadeiras à parte, ficamos agora na expectativa do estrago que esse movimento causará ao mercado dos sites de “link na bio”. O Linktree, por exemplo, que há um ano era avaliado em US$ 1,3 bilhão, será afetado? (Imagina que loucura: um site que cria listas de links que vale mais ou menos o mesmo que uma BRF hoje.) Via TechCrunch (em inglês).

O governo federal voltou atrás e não vai mais acabar com a isenção tributária para encomendas entre pessoas físicas de até US$ 50, medida que, na prática, passaria a taxar todas as compras diretas de sites asiáticos. Em entrevista ao G1, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o presidente Lula pediu pela reversão e para que o assunto — sonegação no e-commerce transfronteiriço — fosse tratado administrativamente. A pressão popular foi forte demais, afinal.

Haddad disse que todo o varejo brasileiro, Shopee e AliExpress manifestaram apoio ao aumento da fiscalização, e que a fraude é o grande problema, “em especial de uma empresa”. Arrisco dizer que é uma que começa com “She” e termina com “in”. Via G1.

A Anatel aprovou novas regras para roteadores e modems domésticos. O ato nº 2.436 prevê que esses dispositivos tenham senhas aleatórias e únicas, que impeçam o usuário de configurarem senhas fracas e obriga as fabricantes a disponibilizarem atualizações de segurança gratuitas. O objetivo é combater invasões que criam “botnets” e expõem dados dos usuários. Fabricantes têm até 10 de março de 2024 para se adequarem. Via Anatel, Convergência Digital.

Enquanto especialistas debatem a consciência e o risco catastrófico das inteligências artificiais gerativas, no mundo real elas já causam desequilíbrios. Fóruns populares no Reddit e a pequena plataforma de blogs Bear Blog estão enfrentando ondas de spam potencializadas pelo ChatGPT. Spam sempre existiu, mas a IA gerativa aumenta exponencialmente o volume — e a dificuldade em lidar com o problema. Via Vice, Blog do Herman (ambos em inglês).

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) editou, nesta quinta (13), uma portaria com novas diretrizes para plataformas digitais voltada exclusivamente para ameaças contra estudantes, crianças e adolescentes. Leia na íntegra (PDF).

A portaria prevê uma série de medidas, com o apoio da Senacon e da Senasp, voltadas à moderação, atuação e responsabilização das plataformas que não forem ágeis na identificação e remoção desse tipo de conteúdo.

O documento define punições que vão de multas (até R$ 12 milhões) até a suspensão e banimento no país. “Nós não desejamos que isso aconteça, pelo contrário”, disse o ministro Flávio Dino na apresentação da portaria, na quarta (12). “Com a edição dessa moldura normativa, objetiva, com obrigações, com prazos, com parâmetros técnicos, o que nós desejamos é a adequação desses serviços.”

A portaria ganhou contornos após a reunião do MJSP com seis plataformas digitais na segunda-feira (10). Na ocasião, uma advogada do Twitter, baseada no México (que agora responde pela subsidiária brasileira), afirmou que conteúdo de apologia a massacres estudantis não violaria os termos de uso da plataforma.

A declaração causou espanto e indignação, e foi retomada em tom crítico por Dino nesta quarta: “Uma criança vale mais do que todos os termos de uso de todas as plataformas.” Via MJSP, G1.

por Shūmiàn 书面

Sem anúncio prévio, o governo chinês publicou nesta terça-feira (11) o primeiro rascunho da lei de Inteligência Artificial generativa, que regula mecanismos como o ChatGPT.

A preocupação sobre quais serão os limites da IA nas nossas vidas é tema de debate no mundo todo. Quanto é preciso regular? Pequim trouxe propostas iniciais para isso, como mostra o analista Vincent Brussee, do Merics, neste fio no Twitter. Ele diz que, em linhas gerais, é preciso que o conteúdo gerado esteja de acordo com o pensamento socialista e que não deve conter nada que subverta o poder do estado, nem obscenidade, informações falsas e conteúdos que possam corromper a ordem social e econômica.

Pelo primeiro rascunho há ainda preocupação com questões ligadas a discriminação e à propriedade intelectual. É também mencionada a necessidade de que os provedores de IA deixem claro como o mecanismo é elaborado, a fim de evitar que os usuários confiem demais na tecnologia.

O China Translate Law trouxe comentários detalhados de artigo por artigo. O Rest of World publicou um texto mostrando como a IA já está levando alguns empregos.

Lembrando que a Administração do Ciberespaço da China, em parceria ministerial, já havia definido a regulação de serviços de “síntese profunda” — a IA usada na geração de conteúdos como realidade aumentada e em deepfakes.

A Microsoft corrigiu uma falha no Defender, o antivírus nativo do Windows — que vem ativado de fábrica —, que causava picos de processamento quando o Firefox estava em uso.

Embora seja um problema no Defender, a falha foi registrada no Bugzilla, da Mozilla, por Markus Jaritz em fevereiro de 2018:

Notei que já faz algum tempo a maior parte do tempo em que o Firefox está ativo, o [serviço] nativo do Windows 10 “Antimalware Service Executable” usa mais de 30% do meu processador e lê e escreve arquivos aleatórios em Windows/Temp, todos começando com etilqs_.

Isso tem me atrasado significativamente e faz com que o Firefox fique bem lento.

A correção finalmente chegou nesta terça, na atualização de março do Defender (plataforma 4.18.2302.x, motor 1.1.20200.4).

Yannis Juglaret, engenheiro da Mozilla, testou a correção e confirmou a melhoria:

Os números sugerem uma melhoria de ~75% no uso do processador do MsMpEng.exe ao navegar com o Firefox (o número específico se aplica a navegar no youtube.com na minha máquina).

Foi um mês cheio: na terça (11), a Microsoft liberou correções para 96 falhas, incluindo uma do tipo “dia zero” e sete classificadas como críticas. Antes disso, no dia 6/4, 17 falhas do Edge já haviam sido corrigidas. Via Neowin, Bleeping Computer (ambos em inglês)

O governo prepara uma medida provisória para acabar com a isenção tributária para produtos importados de até US$ 50. A informação foi dada ao Uol por Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, no domingo (9).

A iniciativa visa combater a sonegação, que corre solta em sites asiáticos (AliExpress, Shein e Shopee). De quebra, integra o pacote de medidas do governo para elevar a arrecadação em até R$ 150 bilhões, parte da nova regra fiscal anunciada no final de março pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ficará mais caro comprar em lojas asiáticas, mas pelo menos o trâmite será agilizado: um sistema eletrônico fará o cálculo e a cobrança no ato da compra, de modo que o produto já chegue ao Brasil liberado e vá direto à casa do consumidor.

O deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, afirmou à Folha que o Brasil recebe cerca de 500 mil pacotes por dia e acusou as lojas asiáticas de manobras tributárias, como subfaturar produtos e dividir pacotes em vários menores a fim de evitar o imposto de importação, que é de 60%. Via Uol, Folha de S.Paulo.

A Polícia Civil de São Paulo desbaratou uma quadrilha especializada em roubos e furtos de celulares que ficou famosa por ter uma “sede” na Rua Guaianases, na cracolândia da capital paulista.

O local é o destino de vários iPhones roubados, como é possível ver pelos (muitos) comentários de pessoas lesadas. O endereço viralizou no fim de março.

Na operação, um senegalês foi preso e 53 celulares, apreendidos. A Polícia Civil, que investigava a quadrilha há um ano, obteve conversas de aplicativos de mensagens mostrando as negociações. Os valores pagos por iPhones roubados variavam de R$ 400 a R$ 1,8 mil (preço pago por um iPhone 13 Pro Max, que é vendido no varejo a partir de R$ 9 mil). Via Folha de S.Paulo.

Demorou, mas a Meta conseguiu completar a jornada do consumidor dentro do WhatsApp. Nesta terça (11), o aplicativo ganhou o recurso de pagamentos a pequenos negócios. Dá para procurar empresas, escolher produtos e pagar por eles — tudo isso sem sair do WhatsApp. Nota-se a importância da notícia quando Mark Zuckerberg, CEO da Meta, faz um comentário em sua página no Facebook. Via Meta.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, convocou uma reunião nesta segunda (10) com as principais plataformas digitais atuantes no país a fim de tratar das manifestações explícitas que precedem e estimulam atentados a escolas, como a tragédia ocorrida em Blumenau (SC) em 5/4.

(Instalou-se um clima de caos em grupos de WhatsApp e outros espaços semi-privados em escolas — ameaças com datas marcadas, impossível de dizer se reais ou apenas blefes.)

Após a reunião, que contou com a presença de todas as principais plataformas, Dino deu uma entrevista coletiva e foi bastante duro, segundo o Jota.

O ministro acusou as plataformas de “monetizar a violência” e fazer uso da “liberdade de expressão como escudo”. O que está em jogo, ainda de acordo com o ministro, é o modelo de negócio das plataformas.

Em termos práticos, o ministério vai notificar as plataformas para que sejam mais ágeis na identificação e remoção de perfis que fazem apologia ao crime, sob pena de serem responsabilizadas judicialmente.

Chamou a atenção, segundo relato de Julia Duailibi, no G1, a postura da advogada representante do Twitter. De lá:

Uma advogada da empresa [Twitter] chegou a dizer que um perfil com foto de assassinos de crianças (perpetradores dos massacres em escolas) não violava os termos de uso da rede e que não se tratava de apologia ao crime.

A posição da advogada gerou revolta no ministro Flávio Dino e em Estela Aranha, assessora responsável pelo tema no ministério, e estranheza nos representantes das demais plataformas.

Infelizmente, a advogada parece alinhada à ideologia do atual dono do Twitter, Elon Musk, que desde que assumiu o negócio, em outubro de 2022, fez um desmonte da estrutura de moderação e dizimou a operação brasileira.

Na reunião, Dino revelou que foram identificados 511 perfis em que há apologia à violência ou ameaças em apenas uma das plataformas. Não é preciso dizer de qual ele estava falando. Via Jota, G1 (2).

A última treta do Twitter é hilária porque Elon Musk conseguiu irritar uma galera que costuma ficar do seu lado, como a firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z) e o jornalista Matt Taibbi, um dos que participaram daquele patético #TwitterFiles.

Na última quarta (5), o Substack anunciou o Notes, um clone do Twitter. Mais um, bem-vindo à guerra, quem se importa… né? Musk sim, pelo visto. No dia seguinte, o Twitter passou a impedir interações com posts mencionando o Substack e quebrou todos os links para lá com uma tela medonha, dizendo que o domínio do Substack poderia conter malware. Chegou-se ao cúmulo de interferir na pesquisa do Twitter, de modo que buscas por “substack” passaram a ser convertidas para “newsletter”.

Após a repercussão negativa, com muitos jornalistas e escritores ficando do lado do Substack (incluindo o nosso amigo Matt Taibbi), Musk veio a público e fez uma série de acusações infundadas: que o Substack estava baixando dados ilegalmente do Twitter para lançar o Notes (!?) e, por isso, os links passaram a ser vetados, e que Matt Taibbi seria/teria sido funcionário do Substack. Todas foram desmentidas por Chris Best, cofundador do Substack, no… Notes.

A a16z ainda não se manifestou. A firma é a maior investidora do Substack (participou de duas rodadas que totalizaram ~US$ 80 milhões) e financiou US$ 400 milhões na vaquinha que Musk teve que fazer para fechar a compra do Twitter. Sobrou também algumas farpas entre Musk e Paul Graham, da Y Combinator, primeira investidora do Substack (e que já teve seu perfil no Twitter suspenso por Musk por ter mencionado o Mastodon).

Em meio a todas essas brigas, fica a nossa torcida pela briga. Via The Verge, @mtaibbi/Twitter, @paulg/Twitter (todos em inglês).

O Wall Street Journal publicou uma matéria meio chapa branca, mas não por isso desinteressante, contando como a Uber aperfeiçoou várias práticas em relação aos motoristas depois que executivos do alto escalão, incluindo o CEO, Dara Khosrowshahi, passaram a fazer entregas e a dar caronas a passageiros, como motoristas disfarçados.

No caminho, ele [Dara, o CEO] teve dificuldades para se cadastrar como motorista, testemunhou algo chamado de “isca da gorjeta” e foi punido pelo aplicativo por rejeitar corridas. A grosseira de alguns passageiros da Uber foi algo surpreendentemente difícil de aguentar.

A iniciativa partiu de Carrol Chang, diretora de operações de motoristas.

Esse tipo de coisa é o que se chama no meio de “dogfooding” — numa tradução literal, algo como “comer ração de cachorro”, mas que na prática significa usar o próprio produto para ter a experiência do consumidor/cliente visando melhorá-lo.

Por coincidência, logo em seguida li uma troca de e-mails fascinante, de 2003, na ótima (e sugestivamente intitulada) newsletter Internal Tech Emails.

Nela, Bill Gates, então CEO da Microsoft, gasta 5,3 mil caracteres descrevendo sua tentativa frustrada de baixar o Movie Maker para o Windows XP. Na sequência, outros executivos trocam e-mails entre si tentando estabelecer um plano de ação e definir responsabilidades para… colocar um link de download no site da Microsoft.

Não é só o salário dos executivos que parece descolado da realidade. Experimentos desse tipo — aparentemente raros — deveriam ser mais frequentes, no mínimo porque são benéficos à própria empresa: nos Estados Unidos, foco da reportagem do WSJ, a Uber ganhou mercado da sua principal concorrente (Lyft) e suas ações, derrubadas pelo contágio no setor de tecnologia, caíram muito menos que as da Lyft. Via Wall Street Journal, Internal Tech Emails (ambos em inglês).