Rooms, o novo app do Facebook sem relação com a rede social, é todo sobre discussões no celular
O novo app do Facebook não tem nada a ver com o Facebook. Chamado Rooms e por ora exclusivo para iPhone, ele é uma releitura dos antigos fóruns nas telas pequenas dos smartphones. Isso funciona?
Primeiro, é preciso ter uma conta americana na App Store para baixar o app. A exemplo do Paper, outro app do Facebook saído do Creative Labs da empresa, o Rooms só está disponível lá e em alguns outros mercados cujo idioma nativo é o inglês. Se isso não for impeditivo a você, o download e o registro subsequentes são tranquilos.
Com exceção de ser o criador do app, o Rooms não tem qualquer vínculo com o Facebook em si. É um app, ou mais que isso, é uma rede à parte. Não é possível se conectar ao Facebook, puxar amigos, curtidas, interesses, nada de lá. Não há sequer o branding da maior rede social do mundo nesse novo app. Ele é, para todos os efeitos, uma iniciativa própria e fechada que calhou de ser feita pelo Facebook. (Apenas como curiosidade, é quase um projeto pessoal de Josh Miller do Branch, um app/site de debates online comprado pelo Facebook no começo do ano.)
Se por um lado isso espanta, afinal o Facebook abdica de parte da sua influência para promover o novo app, por outro torna o convite a testá-lo menos intimidador. À luz da recente controvérsia com pseudônimos da comunidade LGBT que resultou no “boom” do Ello, é uma postura bem legal.
O grande barato do Rooms é justamente a possibilidade de brincar com a sua identidade. Ele não pede nenhuma identificação; no máximo (e opcionalmente) o e-mail, para o caso de você querer recuperar a propriedade de uma sala. Em cada uma em que você entra é possível usar um pseudônimo diferente. Esse modo de funcionamento tira o peso do legado da nossa identidade real e abre espaço para experimentação.

Uma das grandes premissas da Internet comercial que acabou não vingando era a possibilidade de cultivar várias personas online, facetas que a “vida real” não comporta e que, em uso, poderiam reverberar positivamente nas nossas vidas. No livro Life on the Screen, de 1995, Sherry Turkle fala com entusiasmo disso. O Facebook, entre outros, acabou dando um direcionamento diferente à Internet comercial. Agora, mais motivado pelo sucesso de apps anônimos/efêmeros (ainda que o Rooms não seja exatamente anônimo) como Snapchat e Secret, os responsáveis pela criação do “RG 2.0” tentam criar um espaço menos opressor.
- Leia: Qual a graça do Snapchat?
- Leia: Secret: no Brasil, ele terá desabafos comoventes ou fofocas maldosas?
Embora o visual lembre o Secret, o Rooms está mais para os antigos fóruns de discussão ou suas variantes modernas, como o Reddit — ao Verge, Josh Miller, responsável pelo app, disse estar tentando criar “o próximo WordPress”. O diferencial? Além da flexibilização granular da identidade, temos o foco em mobilidade. O Reddit sequer tinha app oficial até algumas semanas atrás e outras plataformas de discussão nunca se destacaram exatamente pelo funcionamento em dispositivos móveis. Com o Rooms, o Facebook não tem escolha: é desse jeito ou não é.
O mecanismo de entrada nas salas funciona por convites e usa códigos QR de uma maneira menos frustrante. O app consegue lê-los não só através da câmera, mas também a partir de screenshots e fotos salvas no próprio iPhone. Não há mecanismos de descoberta internos, e se por um lado isso limita o crescimento das salas, por outro garante que esse seja mais orgânico — o que, lá na frente, deve se traduzir em maior engajamento.

Em termos objetivos, o Rooms é um app bonito e bem feito como os outros dois que saíram do Creative Labs do Facebook — Paper e Slingshot. Mas isso não importa muito. A pergunta que todos se fazem, hoje, é se o Rooms vingará. Existem incentivos para testá-lo, mas haverá motivos para se comprometer e participar ativamente nas salas? Como discussões complexas se desenvolverão em um ambiente que favorece a comunicação em pequenas doses? Ou a ideia é deixar de lado os textões de Facebook™ em prol de uma experiência mais próxima à do Twitter?
Vejo no Rooms uma promessa para discussões online muito similar à que o WhatsApp trouxe para a comunicação por texto: totalmente móvel, atrelado ao número do celular, extremamente rápido, leve e descomplicado. Resta saber, agora, se a inclinação que as pessoas têm para jogar conversa fora e compartilhar fotos e vídeos no smartphone alcança o desejo de discutir tópicos de interesse com estranhos.
Bom, como é exclusivo para iPhone não poderei testar, mas sinto falta de um local interessante para conversar como as comunidades do Orkut.
Votos: 0Lá tínhamos um local interessante que funcionava muito bem com fóruns e isso se perdeu totalmente com o sistema de rede social do Facebook. Nem o Google+ para mim apresenta um sistema de comunidade interessante.
Vou aguardar a chegada ao Android, se vier, por que o outro aplicativo do Facebook nunca chegou e considerando o “fracasso” da Launcher deles para Android não sei quando virá.