Em um bom texto para o Guardian (onde assina uma coluna), Charlie Brooker comentou as motivações por trás da sua última série para a TV, Black Mirror. Ela estreou em 2012 na Inglaterra pelo Channel 4 com uma proposta ousada: apenas três episódios por temporada, todos independentes entre si, todos inquietantes. Histórias embaladas em futuros distópicos que, na verdade, tratam de problemas bem atuais.
Brooker parece ser um sujeito fantástico. Já havia topado com seu trabalho antes de Black Mirror, no caso, em outra série, Dead Set. O formato enxuto (uma temporada, cinco episódios) e o plot pouco usual são tentadores: Dead Set conta a história de participantes de um Big Brother-like que se veem isolados do mundo enquanto o apocalipse zumbi começa do lado de fora da casa. É inusitado e recomendado.
Mas o papo aqui é Black Mirror, cujo nome, segundo Brooker, “é aquele [espelho negro] que você encontra em toda parede, em cada mesa, na palma de todas as mãos: a tela fria e brilhante de uma TV, de um monitor, de um smartphone”. É uma série de contos fantásticos sobre os caminhos que a humanidade parece estar traçando.
Brooker relaciona sua série a The Twilight Zone (no Brasil, Além da Imaginação), uma dos anos 1950~1960 idealizada por Rod Serling. Vi alguns episódios e a semelhança é evidente, resguardada a ingenuidade, temática e técnica, de meados do século passado. Na época, para burlar a forte censura e o puritanismo dos anunciantes, Serling usava a ficção científica para tratar de temas então contemporâneos.
Esse artifício não é raro. Black Mirror também se aproveita dele para tocar fundo em problemas decorrentes da tecnologia de consumo.
“Se a tecnologia é uma droga — e ela se assemelha a uma droga –, então quais são, exatamente, seus efeitos colaterais? Essa área, entre o deleite e o desconforto, é onde Black Mirror, minha nova série dramática, está situada.”
A estrutura de Black Mirror é bem direta. Brooker diz que a decisão de tornar cada episódio independente tem um motivo: embora a censura da época de Serling não exista mais, as saídas para explorar o drama na TV diminuíram com o tempo. É por isso que ele compartimenta cada história em seu próprio universo, para quebrar essa familiaridade com personagens, cenários e situações tão comum nas séries atuais.
Cutucando-as, Brooker diz que “elas [as séries atuais] trazem os mesmos rostos da semana passada, as mesmas locações, com os mesmos infortúnios. Você sabe que vai curtir — porque você já viu isso antes. (…) [em Além da Imaginação] Toda semana você mergulhava em um mundo levemente diferente. Havia um tom, uma assinatura nas histórias, a mesma cobertura de chocolate — mas o recheio era sempre uma surpresa.”
O mesmo vale para Black Mirror. Depois de dois ou três episódios, a única certeza sobre os próximos é a de que eles baterão em cheio em algum dilema moderno levado a consequências extremas. Cada um deles funciona como um filme mais curto, de 40~50 minutos. Tanto é assim que Robert Downey Jr. comprou os direitos do terceiro episódio da primeira temporada, The Entire History of You, para transformá-lo em filme nos EUA.
Seis episódios, seis histórias
Todos os seis episódios são bem legais, mas alguns, dependendo da sua bagagem, chamam mais a atenção. Para mim, os melhores são Fifteen Million Merits (S01E02) e Be Right Back (S02E01). Abaixo, alguns comentários sobre eles. Não tem spoiler, mas a mera contextualização pode tirar um pouco da força das revelações e descobertas que, acho eu, fazem parte da experiência como um todo. Recomendo, pois, ler apenas depois de vê-los.
Foto: Channel 4/Reprodução.
Fifteen Million Merits soa muito como uma história de Aldous Huxley modernizada. Nesse universo, pessoas de castas mais baixas trabalham pedalando em bicicletas ergométricas para gerar energia. Elas acumulam pontos, que podem ser trocados por brindes, em sua maioria virtuais — roupas, temas, programas de TV, pense em uma versão maior da loja de itens do Xbox 360. A grande chance de mudar de vida é indo a um show de calouros que todo mundo assiste, uma espécie de The Voice ou Ídolos mais escrachado. Os créditos também podem ser usados para ignorar anúncios, que aparecem a qualquer momento nos quartos das pessoas, nas TVs que ficam na frente das bicicletas, em quaisquer das várias telas que rodeiam as pessoas o tempo todo.
É tanta crítica a tanta coisa contemporânea que é impossível encarar a TV sem se sentir um tiquinho culpado. Eu não gosto de anúncios intrusivos e acho itens de personalização virtual uma enorme bobagem, só superada, talvez, por programas de calouros. Esse futuro, para mim, é um pesadelo :-)
Em Be Right Back, o marido de uma mulher morre e uma amiga lhe recomenda um software que analisa os resquícios deixados pelo defunto na Internet para criar uma inteligência artificial que se comporta como ele e se relaciona com a viúva. “Quando o bom o bastante se torna o melhor”, como alerta Sherry Turkle, é apenas o ponto de partida desse episódio.
Foto: Channel 4/Reprodução.
Um dos que mais causaram rebuliço foi The Entire History of You (S01E03). Nessa realidade, smartphones foram substituídos, em onipresença e utilidade, por um mecanismo chamado Grão: ele é implantado atrás da orelha do usuário e passa a registrar ininterruptamente tudo o que acontece — seus olhos viram câmeras ligadas 24h por dia, sete dias por semana, e as imagens salvas podem ser vistas individualmente, numa espécie de transe individual, ou espelhadas em qualquer tela, para ser vistas por outras pessoas. Não tem como não lembrar de um Google Glass avançado, ou o 1 Second Everyday transformado em… sei lá, 24 Hours Everyday. O enredo explora bem todas as situações hiper dimensionadas que uma realidade assim desencadeia, mas foca no mais sublime dos sentimentos, no amor. Uma tônica, aliás, recorrente em Black Mirror.
Embora use como pano de fundo um dispositivo super avançado com um grau de presença impossível hoje, The Entire History of You maximiza o que muitos casais já sentem na pele em redes sociais, fuçando nos celulares um do outro, desconfiando. O ciúme caminha no mesmo ritmo que a tecnologia.
Apesar de à primeira vista todas as histórias serem distantes, a moral sempre recai em algo atual. Em The National Anthem (S01E01), talvez o mais pé no chão artisticamente falando, questiona-se a super exposição da mídia e das redes sociais em torno de uma situação muito, muito inusitada. Em White Bear (S02E02), vemos a espetaculização da crueldade. Em The Waldo Moment (S02E03), a insatisfação com as instituições, o depósito da esperança em um ícone escrachado e que só faz subverter o status quo.
Black Mirror é uma série ágil e avassaladora, joga um punhado de questionamentos sobre o que estamos fazendo com o tempo ganho com a automação industrial, com a tecnologia de ponta já disponível a muita gente o tempo todo e no que estamos priorizando quase que inconscientemente às custas de coisas das quais, totalmente sãos, jamais abriríamos mão.
(Abaixo, os dois comerciais das temporadas de Black Mirror.)
Tiramos fotos e gravamos vídeos para registrar momentos. Anos mais tarde, quando revisitamos esses momentos de outrora, é inevitável que certas lembranças voltem com força. É como um diário, mas visual, com mais apelo junto à nossa memória.
Não é raro se deparar com vídeos na Internet de time lapses. Uma foto atrás da outra que passam a sensação de movimento e condensam, em poucos minutos, talvez anos de trabalho. E se você pudesse fazer algo assim de uma maneira fácil, quase automática? É a proposta do 1 Second Everyday, app para iPhone e Android.
Cesar Kuriyama e seu ano de folga
O 1 Second Everyday é a realização do primeiro projeto pessoal de Cesar Kuriyama. Após assistir a uma palestra de Stefan Sagmeister, ele resolveu seguir o exemplo dele e tirar um ano de folga. Nesse período, gravou um vídeo de um segundo por dia. Ao final de um ano, tinha pouco mais de seis minutos que condensavam os 365 últimos dias. Ele curtiu a brincadeira, tanto que decidiu levá-la a mais pessoas.
O app foi criado pela Touch Lab, uma empresa de Nova York, e financiado via crowdfunding em uma bem sucedida campanha no Kickstarter que conseguiu angariar mais que o dobro pedido. O resultado é um app bem feito e muito tranquilo de usar.
1 Second Everyday
Disponível para iPhone e Android, o app é basicamente igual nas duas plataformas. Ele se apresenta como um grid/calendário; nos dias em que pelo menos um vídeo foi gravado, o retângulo fica laranjado. Toque nele, recorte o trecho de um segundo desejado, e o laranja cede espaço a uma miniatura daquele dia. Com o tempo, a tela inicial fica bonita, cheia de momentos da sua vida.
É possível criar múltiplas linhas do tempo dentro do app. A partir dele, também, dá para filmar o um segundo, embora o uso do app da câmera (ou de qualquer outro que faça vídeo) funcione tão bem quanto. A área de seleção do segundo é bem versátil: o vídeo é exibido na íntegra e, no rodapé da tela, fica um seletor para escolher, com um bom nível de precisão, o trecho exato a ser salvo.
As configurações se limitam a duas: lembretes e sincronização. São cinco lembretes que podem ser ativados, para vários períodos do dia, que surgem na área de notificações de forma bem simpática, sempre com algum dado (verídico ou falso/engraçado) sobre o tempo e lifelogging.
A opção de sincronização é importante, diria até recomendável. Com ela ativada, os snipetts de vídeo são salvos na nuvem — no Google Drive em aparelhos com Android, e no iCloud, no iPhone. Além da segurança, é uma bela precaução para caso você perca seu smartphone.
O 1 Second Everyday é parcialmente gratuito. O app não cobra nada para ser usado no registro das entradas, apenas na hora de compilar vídeos com mais de 30 dias. E mesmo aí o valor é baixíssimo, apenas US$ 0,99.
Lifelogging
Venho usando o 1 Second Everyday desde que ele foi lançado, no começo de agosto. Muito do que Kuriyama diz na palestra eu pude sentir na prática: a mera presença do app instiga a busca por coisas diferentes. Existe o compromisso e completá-lo todos os dias é bem satisfatório, ainda que nem sempre o lapso registrado seja empolgante.
Nem sempre dá, é verdade. Esqueci-me duas ou três vezes de gravar alguma coisa nesse período. Digo a mim mesmo que esses buracos deixarão o vídeo mais similar à vida, imperfeito. Uma mera desculpa filosófica para falhas que, de verdade, são difíceis de justificar — o celular está sempre comigo e deixo um lembrete configurado no app. Ele é bem rígido, aliás: esqueceu de gravar? Já era. Não dá para trapacear e puxar vídeos de outros dias, nem de outros dispositivos. É seu celular, naquele dia, e só.
Registrar um segundo por dia é mais fácil do que manter um diário, é mais rápido de recuperar/ver e tem um “peso” psicológico realmente notável. Um segundo, aliás, parece pouco, mas a mim é um bom ponto de equilíbrio: tempo suficiente para desencadear memórias, mas não o bastante para expôr o usuário. (A parte de compartilhamento, aliás, é opcional. Se quiser gravar os vídeos e deixá-los guardados no celular ou computador, o app não o obrigará a publicá-lo em redes sociais.) Nada como a maluquice da SenseCam, ou a esquisitice de um Google Glass. Um, e apenas um segundo.
Mesmo em pouco mais de três meses, rever um segundo de alguns dias especialmente felizes é bacana, recompensa o trabalho que dá — e me faz lamentar o 1 Second Everyday não ter surgido antes. Não sei se terei pique para manter esse hábito, mas gosto de pensar que sim. Tentarei isso, digo. Sinto-me desconfortável em tirar o celular do bolso e gravar, ainda que apenas alguns segundos, algumas cenas em certos lugares, mas no fim das contas (ou de um ano) é um pequeno incômodo que se dilui em meio a tantas boas lembranças.
Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.
Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.
Sobre invasão de privacidade
Existe um punhado de informações nossas, pessoais, dando sopa por aí. Alguém interessado poderia, com algum esforço, traçar um perfil detalhado de muita gente e conseguir vantagens de todos os tipos com essas informações. Adam Penenberg propôs um desafio a uma empresa de “hackers do bem” para provar, na prática, esse ponto, e detalhou neste artigo todos os procedimentos que eles utilizaram para terem acesso a contas bancárias, informações pessoas e contas de serviços online. Bônus: um contraponto com o mesmo serviço desempenhado há 14 anos.
badBios é o nome de uma praga que cria autodefesas, afeta vários sistemas, é difícil de ser removido e pode se comunicar com outras máquinas infectadas por ondas ultrassônicas. Ah sim, é um vírus de computador. Ele vem sendo estudado há três anos pelo especialista em segurança digital Dragos Ruiu e, embora ainda careça de validação por outros especialistas, parece assombroso, quase inacreditável.
Mat Honan faz uma analogia interessante entre os locais onde não há conectividade com as ilhas desconhecidas da era das navegações. Daqui a um tempo, quando todo lugar do mundo estará coberto pela Internet, qual será a saída para quem quer se desintoxicar da tecnologia?
Hoje é Dia de Finados, logo, vamos falar de gente que não está mais entre nós. Em um exercício curioso, Randall Munroe tenta prever quando o número de pessoas mortas será maior que o de vivas no Facebook. Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas… um dia deve acontecer, certo? Claro, claro, o Facebook pode acabar antes que a virada ocorra, e Munroe aborda esse cenário também no texto.
Os 15 mandamentos de Harry Marks para quem escreve sobre tecnologia formam um bom guia para quem está começando ou, para os mais experientes, desencadear um momento de reflexão. Enquanto leitor, é uma boa para verificar se suas fontes de informação não estão apelando.
Sem alarde (não precisava mesmo), o Google finalmente oficializou o Nexus 5, novo smartphone que, como sempre acontece com o Android, traz de carona uma nova versão do sistema, funcionando como uma espécie de modelo de referência para a plataforma.
O Nexus 5 já era conhecido de todos. Ele vazou inteiro, das especificações ao visual. O aparelho é tudo o que se esperava, uma peça de hardware aparentemente sensacional. Combinado com o Android 4.4 KitKat, acho que é bem seguro dizer, mesmo sem ter tido a chance de colocar as mãos em um ainda, que o Nexus 5 se posiciona como o melhor Android à venda, brigando fácil com iPhone 5s pelo posto de melhor smartphone da atualidade.
A essa altura você já deve ter lido e visto muita coisa sobre Nexus 5 e Android 4.4 KitKat, então vamos embarcar naquela viagem já tradicional pelas entrelinhas e detalhes mais sutis.
Nexus 5
Foto: Google/Reprodução.
Mas antes, aquele passeio habitual pelas especificações do aparelho que, novamente, foi feito em parceria com a LG.
Por baixo da tela, aparece um Snapdragon 800, 2 GB de RAM, memória interna de 16 ou 32 GB (dobrando os valores oferecidos no Nexus 4), suporte a redes 4G LTE (inclusive as frequências brasileiras, na versão internacional), tela de 4,95 polegadas com resolução de 1920×1080 (resultando em uma densidade de 445 pixels por polegada) revestida com Gorilla Glass 3 e câmera traseira de 8 mega pixels com estabilização ótica de imagem. O acabamento mudou também: sai o vidro da parte de trás, entra o material do último Nexus 7, um tipo de plástico com textura suave. E desde já, ele está disponível nas cores branco e preto.
É uma senhora configuração, com o que há de mais moderno no mercado. Apesar do aumento da tela, fisicamente ele cresceu pouco: ficou 4 mm mais alto e 0,5 mm mais largo. A explicação é que a tela está mais “fina” graças à proporção 16:9 (contra a de 5:3, em decorrência dos botões virtuais fixos até o Android 4.3, vista no Nexus 4). Tela que, à parte as polegadas extras e resolução apurada, continua a mesma ótima do modelo anterior. Não sei ao certo tudo o que a LG quer dizer com True Full HD IPS Plus LCD, mas para mim essa combinação de letrinhas soa como “tela incrível”.
O mais impressionante é que o Nexus 5 ficou mais fino e mais leve que o Nexus 4. São 8,6 mm contra 9,1 mm de espessura, e 130 g contra 139 g de peso, respectivamente. E isso com um ligeiro incremento na bateria, que agora conta com 2300 mAh contra 2100 mAh da versão passada. Nessa brincadeira, o Google e a LG prometem mais tempo longe da tomada em stand by, porém menos falando ao telefone.
Outra coisa muito legal que aparece ali é a estabilização ótica de imagens, um mecanismo embutido na câmera que ajuda a dar firmeza na hora do disparo. Existem smartphones no mercado que contam com essa tecnologia, como os Lumias da Nokia com câmeras PureView e o One, da HTC, mas não é, ainda, uma característica padrão na indústria, o que torna surpreendente vê-la no Nexus 5. Embora a linha não seja exatamente sinônimo de baixo custo (mesmo com os preços irrisórios), ela não costuma lançar tendências. As vantagens são fotos melhores no escuro, menos incidência de imagens tremidas e HDR de verdade — que o Google chama de HDR+.
O Google não diz exatamente quais ou como são, mas entrega, nas novidades do Android 4.4 para desenvolvedores, a presença de novos sensores de baixo consumo energético para a coleta de movimentos — como aquele chip que integra o SoC customizado do Moto X e o chip M7, do iPhone 5s.
Duas novas APIs, TYPE_STEP_DETECTOR e TYPE_STEP_COUNTER, são capazes de identificar quando o usuário está andando, correndo ou subindo escadas, e guardar esses dados de maneira centralizada para distribui-los aos apps que os requisitarem. O Google diz estar trabalhando junto a fabricantes de chipsets para levar esses sensores a outros smartphones, o que significa que os atuais não devem se beneficiar da novidade.
Vem também do Moto X um Google Now mais presente. A ativação por voz está lá (“Ok Google”), mas não é persistente como no smartphone da Motorola. No Nexus 5, ela funciona com o aparelho desbloqueado. Outra opção é arrastar a tela inicial da esquerda para a direita. Vai funcionar também.
Além de incrementar o Google Now, o serviço passa a trabalhar com apps. São dez no lançamento, então quando você pesquisar por um restaurante, por exemplo, ele é capaz de trazer resultados do OpenTable. Com um clique, o usuário passa da busca do Google para o restaurante escolhido no app, onde pode fazer a reserva normalmente. A intenção é expandir essa integração para mais apps e, no futuro, fazer com que ela funcione mesmo com aqueles não instalados.
A cereja do pudim no Nexus 5 é o Android. Puro, sem modificações duvidosas, com o melhor que o Google oferece. Usar o sistema assim, como foi concebido, é uma experiência completamente diferente da de um Galaxy ou Optimus da vida. Bem melhor, se me permitem o comentário. O Moto X parece ser o primeiro aparelho fora da linha Nexus a levar essa abordagem ao grande público e, mais que isso, ele antecipou alguns recursos que só agora chegam ao Android limpo. Quais? Vejamos esses e mais algumas novidades, no momento, exclusivas do Nexus 5.
Android 4.4 KitKat: desempenho e design mais democráticos
Foto: Google/Reprodução.
A natureza “aberta” do Android é uma coisa intrigante. Muitas fabricantes adotam o sistema, sambam em cima dele, entregam soluções pioradas aos consumidores que xingam a mãe do Andy Rubin mesmo sem saber quem é esse cidadão. A vida segue, o Android evolui, muitos aparelhos morrem sem ver atualizações e acabam manchando a reputação do sistema.
Assim, aos trancos e barrancos, a plataforma evolui a passos (bem) largos. A virada aconteceu com o Ice Cream Sandwich, ou Android 4.0, que trouxe com muito atraso uma linguagem visual consistente e diretrizes de design na forma do tema Holo. O Android ficava, enfim, bonito.
Com o Android 4.1, veio o Project Butter para suavizar animações e aumentar a sensação de velocidade do sistema. Transições ficaram mais bonitas e aquela sensação de “travado”, pelo menos em equipamentos high-end (e, arrisco dizer, com Android puro), se foi. No Android 4.4 KitKat, o processo se intensifica com foco nos low-end.
Project Svelte
Batizado de Project Svelte, a intenção desse esforço é melhorar o desempenho do Android em smartphones com 512 MB de RAM. Isso, para os padrões atuais, é bem pouco. Como fazer essa mágica? Otimizando o uso da memória, um dos componentes mais caros da construção de um aparelho.
O Google refez algumas partes primárias do sistema para que ele se torne mais amigo da memória. De todas as novidades, a maioria técnica e que me foge completamente, duas chamam a atenção por serem compreensíveis e, no papel pelo menos, certeiras:
A nova API ActivityManager.isLowRamDevice() permite que desenvolvedores definam comportamentos distintos para o app de acordo com a quantidade de memória disponível. Com ela aplicada, um app será capaz de deixar de lado certos recursos em prol dos mais vitais, que aproveitarão toda a (escassa) memória disponível.
Proteção do sistema de memória contra apps gulosos. Na descrição do Google: “Quando vários serviços abrirem ao mesmo tempo — como quando a conectividade de rede muda –, o Android agora abrirá os serviços de forma seriada, em pequenos grupos, para evitar a demanda por picos de memória”. É como se antes o Android tentasse engolir um pão inteiro e, agora, ele cortasse esse pão em fatias e comesse uma de cada vez.
Tais mudanças devem impactar até mesmo dispositivos de ponta e, para dar o exemplo, todos os apps do Google (que não são poucos) foram atualizados para refletirem essas mudanças.
Sempre me fascina como alguns softwares são tão eficientes a ponto de rodarem bem em máquinas que, hoje, se arrastam por meramente existir. O IrfanView, do Windows, é talvez o melhor exemplo que eu conheço. Nos smartphones, o Moto X é outro bom caso de otimização, no caso do Android — mesmo com um SoC do ano passado e dual core, ele se sai bem contra modelos com especificações mais parrudas. Deve ser um desafio otimizar um sistema que será usado em centenas de dispositivos e servirá de base para milhões de aplicações, mas sempre dá para fazer.
O Google justifica esse esforço, em seu blog oficial, na busca pelo próximo bilhão de usuários de smartphones. É fácil encontrar smartphones que sofrem para rodar o Android em países subdesenvolvidos, e é nesses que o foco do Project Svelte está ajustado. Em vez de vir com o datado Gingerbread (2.3) ou um Jelly Bean (4.1-4.3) se arrastando, a promessa é de que o KitKat será a melhor opção mesmo para dispositivos básicos. É uma abordagem diferente da da Nokia, que aposta em uma linha básica e totalmente diferente das suas mid-range e high-end na busca pelo próximo bilhão.
Interface adaptável: os apps e o conteúdo brilham
Foto: Google/Reprodução.
O azul característico do tema Holo praticamente some no Android 4.4 KitKat. Diversos elementos dessa cor existentes até o Jelly Bean ficaram brancos e/ou agora usam variações de sombra para indicarem quaisquer coisas. A tela de bloqueio agora exibe álbuns de música em tela cheia quando algum player está em execução e, logo de cara, informa ao usuário que ele está diante de um sistema um bocado mais elegante.
Nos apps, agora cabe ao desenvolvedor/designer decidir o tom predominante nos pontos de interação da aplicação — ícones, caixas de seleção, barras de rolagem etc. Imagine, por exemplo, as seleções e toques no WhatsApp e no Hangouts ficando verdes; no Google Keep, amarelas; mais ou menos isso.
O Android respira melhor na versão 4.4. Expandindo a barra de navegação do Moto X, na nova versão do sistema ela e a de status, onde aparecem ícones de notificação e o relógio, são translúcidas. Gradientes sutis garantem a legibilidade e a interface parece mais leve com essa mudança.
Fotos: Google/Reprodução.
O problema dos botões da barra de navegação persistentes em apps que rodam em tela cheia foi resolvido. De duas formas, na realidade: uma em que um toque revela as barras, e outra, destinada a jogos, apps de leitura e outros que exigem toques constantes na tela, que é ativada ao deslizar o dedo a partir de uma borda da tela. O modo tela cheia imersiva resolve o problema crônico dos toques acidentais nos botões de navegação virtuais durante sessões de jogos e fazem com que apps em tela cheia não tenham que dividir a atenção do usuário com elementos da interface.
Foto: Google/Reprodução.
Para fechar esse pacote de agrado ao que o usuário vê, um novo framework de transições promete animações ainda mais suaves e variadas, sem afetar o desempenho dos apps.
Outras novidades do Android 4.4
A lista de adições e mudanças no Android 4.4 é longa. Daria facilmente para chamá-lo 5.0 pela extensão dela. Abaixo, algumas outras interessantes:
Framework de impressão — para impressoras Wi-Fi e compatíveis com serviços como Google Cloud Print e HP ePrint.
Framework de acesso a serviços de armazenamento, o que deve facilitar o uso de serviços concorrentes do Google Drive, como Box.net e Dropbox, de forma padronizada em apps. O QuickOffice, do Google, será um dos primeiros a dar suporte a esse novo recurso.
Suporte a gravação de vídeos da tela. Os vídeos são salvos no formato MP4 e devem ser um adianto para quem precisa preparar aulas, fazer walkthroughs e outras atividades que dependam de gravar o que aparece na tela do smartphone ou tablet.
Discador inteligente que tenta identificar números comerciais quando o usuário disca para algum e vice-versa — buscar números de estabelecimentos a partir do discador, sem entrar diretamente no Google Maps.
O WebView do Android agora é baseado no Chromium. Traduzindo: páginas web emolduradas em um app antes usavam o motor do antigo navegador padrão do Android, baseado no WebKit, para serem renderizadas. Agora, quando um app abrir uma página web dentro de si, ele usará o mesmo motor do Chrome. Mais velocidade e compatibilidade com padrões web modernos.
O Hangouts virou o local padrão para mensagems SMS e MMS — aquele antigo, dedicado, já era. Recentemente o Google anunciou uma atualização que trouxe suporte a GIFs animados e compartilhamento de geolocalização ao app de bate-papo. Mais coisas devem estar a caminho.
Emojis, aqueles emoticons tunados, embutido no teclado virtual do Google.
Certificação Miracast possível — o Nexus 5 é o primeiro a ter a honraria.
Suporte nativo a dispositivos infravermelho, como controles remotos.
Close caption (legendas) nativas no sistema.
Melhorias no tratamento fino de áudio, novos recursos para NFC e Bluetooth e outras várias coisas.
O Nexus 5 é o primeiro aparelho a ter o Android 4.4 KitKat e já está à venda (esgotado, para ser exato) nos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, França, Alemanha, Espanha, Itália, Japão e Coreia do Sul (em breve, na Índia também). O preço, se levarmos em conta a memória interna, não subiu em relação ao Nexus 4: US$ 349 pelo modelo de 16 GB e US$ 399 pelo de 32 GB. Valores absurdamente baratos, já que são para aparelhos sem contrato e desbloqueados — nos mesmos termos, por exemplo, um iPhone 5s sai por US$ 650 e um Galaxy S 4, US$ 579 (todos valores nos EUA). Ele já foi homologado no Brasil e, esperamos, dessa vez não deve demorar muito a chegar.
O Google prometeu atualizar todos os seus tablets (os dois Nexus 7 e o Nexus 10) e o Nexus 4. O Galaxy Nexus ficou de fora, provavelmente pelo seu SoC antigo. As variantes Google Play Edition do Galaxy S 4 e do HTC One também serão agraciadas com a atualização. A Motorola se comprometeu a atualizar a linha Droid, nos EUA, e aqui no Brasil, os modelos D1 e D3 — promessa antiga, da época do lançamento.
Agora é esperar pelo KitKat e pelo Nexus 5 nacional, duas atualizações aparentemente tímidas, mas mantêm o Android e seu modelo de referência atualizados e na briga pelo posto de melhor solução móvel do mercado.
Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.
Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.
Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.
Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.
A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.
Vídeo
Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!
A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.
A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.
Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.
Mas essa tela aí…
Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.
Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.
Foto: Rodrigo Ghedin
Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.
Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G
Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.
Foto: Rodrigo Ghedin.
A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.
Confira uma galeria:
A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.
Software básico, mas competente
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.
É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.
A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).
Foto: Rodrigo Ghedin.
A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.
Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo
O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.
Foto: Rodrigo Ghedin.
É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.
A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.
Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.
Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.
O grande trunfo: bateria
Foto: Rodrigo Ghedin.
Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.
A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.
Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.
Barato sim, mas com dignidade
Foto: Rodrigo Ghedin.
O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.
Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.
Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.
O gadget que mais se vende e mais se usa, hoje, é o smartphone. Ele está quase sempre por perto, é rápido e fácil de manusear e nos últimos anos tomou para si o papel de protagonista da tecnologia de consumo. Redes sociais e apps em geral usa o smartphone como palco e nós, consumidores, o abraçamos sem muita cerimônia.
A evolução do smartphone é notável. Processadores ficam mais rápidos, telas ganham maior resolução, os aparelhos afinam e emagrecem a cada geração. O único contra, aparentemente, é ter que trocar de aparelho vez ou outra. Pela dinâmica do mercado de telefonia móvel norte-americano, em média a cada dois anos; idealmente para as fabricantes, todo ano ou até antes.
Como combater esse ritmo assustador de atualização que alguns acusam de obsolescência programada, outros de obsolescência percebida, e que muitos são incapazes de ou não querer seguir? Ainda é difícil responder a essa pergunta, e talvez seja o caso de investir no barateamento dos aparelhos para viabilizar essa passada frenética — se não pode com eles, junte-se a eles. Mas os smartphones modulares querem ser, pelo menos, uma alternativa.
Phonebloks, Project Ara e Modu
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
A Motorola Mobility, desde 2011 uma empresa Google, revelou o Project Ara, iniciativa que visa possibilitar a existência de smartphones modulares, ou seja, que usam blocos, ou módulos, para ditar suas especificações. Assim, um smartphone do tipo poderia ter o processador atualizado substituindo um bloco, ou ganhar um teclado com a inclusão de um desses, ou ainda ter sua autonomia estendida com um módulo de bateria mais robusto. É como se fosse um Lego de smartphones. As possibilidades são, nas palavras da Motorola, infinitas.
“O Project Ara está desenvolvendo uma plataforma de hardware gratuita e aberta para criar smartphones altamente modulares. Queremos fazer para o hardware o que a plataforma Android fez para o software: criar um ecossistema vibrante para desenvolvedores terceiros, diminuir as barreiras para aderir, aumentar o ritmo da inovação e diminuir substancialmente os prazos de desenvolvimento.
Nosso objetivo é estabelecer uma relação mais aberta, expressiva e contemplativa entre usuários, desenvolvedores e seus celulares. Dar a você o poder de decidir o que seu smartphone faz, o visual que ele tem, onde e do que ele foi feito, quanto custa e o tempo que você o manterá.”
Para tanto, a Motorola se aproximou de Dave Hakkens, idealizador do projeto Phonebloks. Apresentado recentemente, ele parte da mesma premissa: um smartphone composto por blocos que se encaixam e podem ser trocados/atualizados.
O Phonebloks chamou muito a atenção quando apareceu, mesmo sendo apenas uma ideia. Hakkens pede, no site da iniciativa, que os interessados assinem uma espécie de projeto de crowdfunding que, em vez de dinheiro, espalha a palavra. Conseguiu até o momento quase um milhão de interessados, atenção da mídia e, o mais importante, da Motorola — desde o início a ideia era fazer barulho para conseguir se aproximar de alguma fabricante grande.
Essa opção pode ter mais significado do que parece. Sendo uma empresa Google, testar maluquices, de email com 1 GB de espaço quando o concorrente mais generoso oferecia apenas 25 MB, a projetos megalomaníacos como carros autônomos, Internet em balões e balsas misteriosas que surgem no meio de um rio, é uma prática da casa. Experimentar possibilidades, especialmente as menos plausíveis, é algo que demanda dinheiro, coisa que o Google tem de sobra. Mesmo que a ideia de smartphones modulares não cole… por que não?
Há outra peça nesse quebra-cabeça que vale mencionar. Em 2007 a Modu, uma empresa israelense, já comercializada celulares modulares em seu país. Inundada em dívidas, ela fechou as portas em 2011 e nessa o Google arrematou o portfólio de patentes por US$ 4,9 milhões. No post da Motorola, Eremenko diz que o a empresa vinha trabalhando com essa ideia há mais de um ano antes de torná-la pública. Tudo acaba convergindo para o Project Ara.
Qual a viabilidade do Project Ara?
O Modu provou, lá atrás, que celulares modulares são possíveis. Era outro contexto, uma era pré-histórica à dos smartphones modernos. Hoje, isso funcionaria?
Quando o Phonebloks foi anunciado, a empolgação com a ideia dividiu espaço com o ceticismo. Não é difícil, mesmo para leigos, enxergar as dificuldades de uma empreitada do gênero. Smartphones são peças minúsculas, com uma engenharia de alto nível e baixo índice de reparabilidade. Modular esse cenário é um desafio e tanto.
John Brownlee desconstruiu as promessas do Phoneblok ponto a ponto, inclusive a de um futuro mais verde para os smartphones. No Reddit, uma legião de interessados também escrutinou a iniciativa. Há desafios de várias ordens, alguns envolvendo a compreensão e a colaboração de muita gente (empresas) com objetivos diversos. O Google, por mais poderoso que seja, conseguiria materializar uma meta tão ambiciosa dozinho? Não sei, embora seja exatamente o que eles estejam fazendo com o Glass. No caso do Project Ara, a situação é mais delicada porque a ideia é que fabricantes terceiros ofereçam módulos especializados. Como convencê-los a fazer isso?
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
Calma que a coisa complica. O (teoricamente) maior problema de smartphones modulares é que eles nadam na direção contrária à da evolução desse tipo de aparelho. Ao longo dos últimos anos os smartphones encolheram, ficaram mais finos, mais leves, com projetos de engenharia bem particulares e mais difíceis de serem reparados. Não é apenas para trocarmos de aparelho todo ano que essas medidas foram adotadas pela indústria, mas também para viabilizar smartphones fantásticos que pesem menos de 130 g e tenham a espessura de um lápis. Tudo está intimamente ligado e cada espaço dentro da carcaça é bem pensado e usado da melhor forma possível. Um dos preços pagos por um eventual smartphone modular seria abrir mão desses avanços, pelo menos inicialmente.
E tem outro fator: o desperdício. O Phoneblok usa a bandeira verde, do e-waste, ou lixo eletrônico, a seu favor. Mas imagine o tanto de módulos que serão descartados caso essa ideia pegue? Seja pela mera atualização, seja por módulos falhos que acabem descartados, o volume de lixo derivado dos módulos não dá sinais, pensando de uma forma lógica, de que esse problema será amenizado. E esse tira-e-põe constante não deve ser positivo do ponto de vista da durabilidade — quanto mais partes móveis, mais suscetível um gadget é a quebras.
Brownlee, da matéria da Fast.Co citada acima, condensa seu pessimismo acerca do Phoneblok em um parágrafo:
“De maneira simples, os Phonebloks são o oposto do que aparentam ser. Os Phonebloks fazem um apelo ao nosso amor por organização e simplicidade, mas na verdade são notoriamente mais complexos. Os Phonebloks nos dizem que smartphones podem custar menos, mas fazem cada componente dentro deles custar mais. Os Phonebloks dizem que podemos atualizar nossos smartphones sem desperdícios, mas fazem ser significativamente mais provável ter que jogar nossos smartphones fora porque eles quebraram. E assim por diante.”
Imagem: Phonebloks/Reprodução.
Não vou cravar aqui que o Project Ara ficará só na teoria. Pode ser que, mesmo contra todas as adversidades, e essas não são poucas, o projeto dê certo, ora. Mas uma mudança tão profunda demandaria mexer em bastante coisa já estabelecida nesse segmento, de contratos com operadoras à forma com as fabricantes lucram com hardware. E em um momento em que software está virando brinde, diminuir as margens de lucro do hardware parece arriscado — mas um passo que o Google, que lucra tão e somente com serviços e publicidade, pode se dar ao luxo de dar.
Falar em software, aliás, traz à tona outro problema: otimização e compatibilidade. O Android é “aberto”, qualquer um pode usá-lo, mas cada smartphone exige modificações no sistema para que ele o execute bem. É por isso que quando uma nova versão do Android sai, não dá para pegá-la e instalar imediatamente em qualquer smartphone. A fabricante (ou hobbistas) precisa adaptar o sistema para cada modelo específico. Imagine um que possa ter infinitas configurações. Quem dará suporte a essa multiplicidade de cenários?
Há espaço, ainda que pequeno
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.
Mesmo que esses entraves permaneçam quando (e se) o Project Ara se materializar, ainda há espaço para um smartphone modular. Não o imagino nos bolsos de muita gente, muito menos vendendo o que um Galaxy S ou iPhone vendem hoje, mas para públicos bem específicos algo assim seria bem interessante.
Entusiastas que querem ter o SoC mais rápido, a melhor câmera e a bateria mais duradoura, por exemplo. Desenvolvedores que poderiam usar a modularidade para testarem seus apps em uma gama de configurações mais ampla a um custo menor. Nada capaz de estancar a sangria de dinheiro da Motorola, mas áreas válidas.
A Motorola promete um kit de desenvolvimento modular (MDK) para o fim do ano e garantiu descontos e smartphones modulares gratuitos para os colaboradores mais ativos do projeto — se você se interessou, pode fazer um pré-cadastro aqui. Os primeiros modelos, em alpha, são esperados para daqui a alguns meses. Meta ambiciosa, prazo ainda mais.
Nos EUA, o Moto X pode ser personalizado durante a compra. Antes de ser anunciado, muita gente sonhava com um sistema de configuração pleno, que permitisse escolher SoC, memória, câmera, características internas e vitais de um smartphone. Não foi o caso. O Moto Maker, sistema que permite a personalização do Moto X, fica restrito ao visual do aparelho, com várias cores e mimos que podem ser escolhidos; suas especificações técnicas são inalteráveis. O Project Ara parece o passo adiante, o que aquele pessoal mais progressista esperava já estar disponível com o Moto X.
Um smartphone modular seria uma ruptura com o padrão atual da indústria. Os smartphones tradicionais estão cada vez mais fechados; se antes dava para trocar a bateria e inserir um cartão SD para ter mais espaço, hoje esses itens são exceção no segmento high-end. Até mesmo outras categorias de gadgets tradicionalmente reparáveis, como notebooks, estão se fechando. Um Ultrabook que se preze tem a carcaça selada, impedindo a troca da bateria, do disco de armazenamento e da RAM.
O Project Ara foi anunciado nessa semana, ainda é cedo para dizer se estamos vendo o nascer do futuro ou apenas um devaneio do Google. No que você aposta?
Atualização (4/9/2014): Se você chegou aqui por causa do “desafio do RG” que está rolando no Facebook, um aviso: o post abaixo não trata disso. E um pedido: tudo bem mostrar a foto 3×4, mas não divulgue outros dados do seu documento, nem por brincadeira. Isso pode acabar em problemas.
Imagine estar usando o Facebook quando, de repente, o site trava a sua conta e, para liberá-la, exige um documento oficial. Complô com a NSA? Parceria com o IBGE para fazer o próximo Censo? Nada disso: é apenas a verificação de identidade em ação.
Não sei a dimensão dessa onda de verificações, mas pelo menos nos meus círculos de amizades, ela atingiu bastante gente. Horas depois, porém, o Facebook informou por meio de um porta-voz que um erro motivou a disparada de verificações desnecessárias para uma pequena parte da base de usuários. Nesses casos, bastava esperar que a conta era reativada sem que fosse preciso fazer nada.
Ainda assim, o pedido de documento oficial é real e pode acontecer uma hora ou outra. Quando esse obstáculo surge, ele se apresenta da seguinte forma:
O Facebook pede um documento de identificação que “deve incluir seu nome, data de nascimento e foto”, sugerindo em seguida alguns aceitos, como RG, passaporte e CNH.
Por que isso? Devo me render ao sistema ou resistir e ir para o Google+? Calma, a situação é menos alarmante do que parece à primeira vista.
Por que o Facebook quer saber meu RG?
A primeira reação é de indignação, e é compreensível. A exigência de um documento oficial é exagerada, especialmente para quem não faz negócios no Facebook e está ali só pelo aspecto de rede social do serviço, pelo entretenimento. É seguro mandar essa cópia de documento para lá? Não sei, mas não é bem isso que é pedido.
Como se sabe, o Facebook exige o uso de nomes reais. A política nesse sentido é bem rígida por motivos claros — a veracidade das informações, ali dentro, é um ponto de venda da rede para anunciantes e um fator importante para os seus objetivos. Há indicações de sobra ressaltando esse cuidado, os termos de uso dizem explicitamente que é preciso ser honesto pelo menos nessas três informações:
“Os usuários do Facebook fornecem seus nomes e informações reais, e precisamos da sua ajuda para que isso continue assim.”
Na página inicial/de cadastro, uma caixa suspensa explica por que a exigência se estende à data de nascimento:
Fornecer sua data de nascimento ajuda a assegurar que você receba a experiência certa para sua faixa etária. Você pode optar por ocultar essa informação de sua linha do tempo mais tarde se desejar.
Embora essa abordagem focada em nomes, data de nascimento e documentos oficiais não seja muito antiga (o mais longe que cheguei foi a este post de 2010), desde o principio existia a preocupação de lidar com gente real, de carne, osso e número de identificação. Antes, porém, o mecanismo usado para esse controle era o email universitário.
Como dizer ao Facebook que você é você mesmo
Existe uma página de ajuda no Facebook para elucidar exclusivamente essa dúvida. Ali, o site diz que a forma mais simples de ter sua conta verificada é atrelando-a a um número de celular. Isso explica, talvez, por que não recebi esse pedido de documentação.
A minha conta está atrelada ao meu número e, pela autenticação em duas etapas que isso permite, recomendo que você faça o mesmo — basta ir nas configurações de mobilidade e ativar o recurso. A verificação é um efeito colateral que o poupará dessa dor de cabeça envolvendo RG e outros documentos. E não se preocupe, ocultar o número de todos os estranhos e até mesmo seus contatos é fácil.
Mas ok, você não fez a tempo e agora estão te pedindo um documento. O que fazer? Envie-o, mas tome precauções antes. Mesmo com a promessa de que as fotos são destruídas após a verificação ser concluída, nunca se sabe. E é um mandamento básico não compartilhar seus dados pessoais com qualquer um, certo? Muito menos o Facebook.
A própria rede social pede para que toda informação que não as três exigidas (nome completo, data de nascimento e foto) seja ocultada. Use o Photoshop, o Paint, qualquer editor simples para ocultar informações mais sensíveis. Há até um modelo na já referida página de ajuda:
Imagem: Facebook/Reprodução.
Esta página traz algumas diretrizes sobre formato, tamanho e outros detalhes da foto.
Isso demora?
Pode demorar. Há relatos de gente que teve que esperar até nove dias para ter a conta restabelecida. Ouvi, ainda, pessoas falando em três dias, mas também outras dizendo que tiveram que esperar algumas horas apenas. Imagino que hoje a espera não tome tanto tempo, mas mesmo que seja o caso, aguarde.
Não faça outro perfil/conta, isso não adiantará muito. Ela também exigirá verificação e, além de se deparar novamente com esse problema cedo ou tarde, haverá ainda a agravante da duplicidade — o item 4.2 dos termos de uso diz que “você não deve criar mais de uma conta pessoal”.
É chato esperar? Imagino que sim. Mas é o preço que se paga, além dos anúncios na cara o dia todo, para usar o Facebook.
Sites de compras como DealExtreme e FocalPrice abriram as portas do varejo chinês para o ocidente. Em vez de apelar para lojas de R$ 1,99 ou Ciudad del Este, através dessas lojas virtuais é possível comprar direto da fonte por preços (ainda mais) irrisórios e frete grátis para qualquer parte do mundo.
Quando descobri esses sites, passei a fazer compras regulares lá, quase sempre encomendando produtos engraçadinhos dos quais nem precisava. Ainda bem que essa fase passa, né? Hoje só recorro a eles quando preciso mesmo de algo. Alavancas para os joysticks (maldito FIFA!), cabos que perdi, peças de reposição em geral. Na última compra, porém, tive uma recaída e encomendei um aspirador de pó portátil em formato de joaninha.
Brinquei na entrevista com o Mobilon que esse aspirador de pó tinha sido a melhor compra que fiz em 2013. Não chega a tanto, mas é uma mão na roda, acredite.
Apartamento pequeno + pão = sujeira
Vivo em um apartamento pequeno e adoro pão. Depois de comer, inevitavelmente sobram farelos na toalha de mesa e, nessa, livrar-se deles nem sempre era um trabalho limpo e livre de falhas.
Bater a toalha em uma lixeira de pia exige destreza e uma mira muito boa. No meu caso, farelos caíam na pia e no chão e… vamos lá, eu admito: pode ser bobagem, mas achava isso uma chateação enorme. O aspirador de pó em questão era, portanto, a solução para os meus problemas.
Foto: Rodrigo Ghedin.
*Toca a vinheta das Organizações Tabajara!*
Visão geral do aspirador de pó portátil em formato joaninha
Este aspirador de pó parece um mouse avantajado. O formato, somado às dimensões (10,6 cm x 8,6 cm x 6,9 cm) e peso (163 g), reforçam a semelhança. Minhas mãos não são muito grandes, mas consigo manuseá-lo com conforto. Ele se encaixa bem e desliza sem trepidações pela toalha.
A construção é das mais simples e, considerando um produto que custa menos de US$ 7 no varejo, frágil. A parte central consiste em um motor movido a duas pilhas AA. Ele fica protegido pela tampa superior, feita de um plástico fino. Na lateral esquerda está o botão de liga/desliga.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Embaixo fica o compartimento de armazenagem do pó/farelo. No meio, o ventilador que suga eles. Há pequenas hastes distribuídas na base que ajudam a direcionar os farelos para o ventilador central. Ele lida com farelos pequenos e até alguns pedaços maiores, e além de aspirar, o ventilador também atua como um pequeno triturador. Coma um pão francês, que costuma soltar cascas e farelos maiores, aspire e depois abra o compartimento e eles terão sido reduzidos a um pó.
A tampa inferior é mais firme que a de cima, mas não é difícil de abrir — existe uma espécie de presilha na parte de trás que, apertada, permite removê-la sem maiores esforços. A base é bastante curta, então tome cuidado se ficar muito tempo sem limpá-lo. Pode acontecer dos farelos se espalharem caso estejam transbordando.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Nas laterais da peça principal existe uma fina camada de papel, provavelmente para impedir que os farelos saiam pelos vãos. Não é totalmente eficiente, já que é comum ver um pouco deles saindo pelas laterais, e dificultam um bocado a limpeza. É meio nojento deixar essas coisas à mostra, ainda mais que o aspirador de pó, com esse design de joaninha, é vendido também como objeto de decoração. De gosto (bem!) duvidoso, mas isso vai de cada um. A dica, portanto, é não deixar acumular muito farelo ali.
Joaninha em ação
O aspirador de pó portátil funciona bem. Na descrição da loja, é dito que ele se destina a ser usado em mesas para aspirar poeira, cinzas de cigarro, cabelo, borra etc. Coloque nesse “etc” farelo de pão: apesar de não ser citado explicitamente, venho usando-o exclusivamente para essa finalidade há mais de um mês com sucesso.
A operação é muito simples. Existe apenas um botão de liga/desliga, e basta passá-lo sobre os farelos, mais de uma vez, para que ele faça seu trabalho. É um gadget barulhento, como você pode conferir no vídeo abaixo, mas pelo menos aqui, com uma mesa pequena, esse problema é amenizado porque o trabalho sempre é muito rápido.
Custo-benefício: nota 10
Como a maioria das bugigangas que se compra na DealExtreme, não espero que esse aspirador dure muito. A engenharia dele é rudimentar, ao abrir a tampa superior dá para ver como o motor e as pilhas foram colocados de maneira meio desleixada, o plástico é frágil e aquelas cortinas de papel… bem, são de papel.
Mas por US$ 6,20 com frete grátis, por que não? Comparando com meu método antigo de bater a toalha na lixeira, o aspirador de pó portátil em formato de joaninha é mais rápido, mais eficiente e não faz bagunça. Por essa pechincha, é algo que me vejo comprando novamente quando esse quebrar.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Todos os links do aspirador neste post têm código de referência. Isso significa que se você comprá-lo ou qualquer outra coisa na DealExtreme a partir desses links, eu ganho uma pequena comissão. O preço não muda com ou sem código, mas com ele eu faço uns trocado — e você continua sem ver propaganda por aqui :-)
Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.
Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.
Sobre o Android ser aberto
Qualquer um pode pegar o Android e usá-lo em um smartphone, tablet ou como sistema embarcado. Mas até que ponto o Android que conhecemos, recheado de serviços do Google, é aberto? Ron Amadeo explica os artifícios que o Google usa para controlar o sistema e impedir que forks, como o Android da Amazon, tenham relevância. É um jogo de xadrez maliciosamente bem pensado.
Na New Yorker, Maria Konnikova recorre a pesquisas científicas para entender o complexo e imprevisível comportamento das pessoas em espaços abertos a comentários na Internet. É um área cheia de resultados controversos. Bônus: Sakamoto propõe uma pesquisa com seus leitores para tentar desvendar o que se passa pela cabeça da galera que comenta no seu blog. Dada a natureza dele, que defende pontos de vista bastante humanistas em casos onde a selvageria e a Lei de Talião parecem tomar conta da opinião pública, vai ser interessante acompanhar.
Nadiajda Ferreira, a nova repórter do Gizmodo, dá 15 dicas para usar melhor o Kindle. Algumas manjadas, mas várias muito boas e que passam batidas por muitos donos do e-reader da Amazon. Bônus: saiu um texto meu la´semana passada, sobre como é usar o Kindle básico com a Amazon nacional.
Jeff Atwood tenta entender por que notebooks e tablets com Windows têm autonomia tão baixa. O último MacBook Air chega a 12 horas fácil com os novos chips Haswell, da Intel; o Surface Pro 2, por sua vez, se gaba de alcançar 6,6 horas. Por quê?
Na hora de mostrar a família de iPads com os novos membros recém-apresentados, na terça, a Apple manteve à venda o iPad 2, um senhor que todos achávamos estava prestes a se aposentar. Com especificações defasadas e sem alteração no preço, a pergunta que todos se fazem é: por quê?
Não é estranho à Apple manter versões antigas de seus dispositivos à venda em paralelo com as novas. Na realidade, é praxe. Normalmente a empresa mantém três iPhones e dois iPads à venda. Um lançamento, seguido de modelos dos anos anteriores com preços mais em conta.
As coisas mudaram em 2013. O iPhone 5c tomou o posto que, na antiga tradição, seria do iPhone 5, situação viabilizada com o lançamento simultâneo de dois iPhones, algo inédito até então. (O iPhone 4S continua à venda, de graça com contrato nos EUA, e por um preço mais camarada, mas ainda salgado, em outros mercados.)
No caso do tablet, até a manhã desta terça havia três modelos à venda: iPad “4”, iPad mini e iPad 2. Esse último, apesar de duas gerações atrasado, era compreensível porque a terceira e quarta gerações são muito próximas, tanto que o intervalo entre os anúncios de ambas foi de alguns poucos meses. Dois iPads grandes, um com tela Retina, outro não. Tudo ok.
O mais natural, então, era que o iPad 2 se aposentasse terça e o iPad “4” ocupasse seu lugar como opção de baixo-custo. Não foi o que rolou. O penúltimo modelo saiu de linha e o idoso iPad 2 segue firme e forte, e sem alteração no preço — continua custando cada vez mais caros US$ 399.
Novamente: por quê?
Foto: Apple/Reprodução.
O espanto, e até indignação que a manutenção do iPad 2 causou, se explica olhando para os lados.
Pelos mesmos US$ 399, o consumidor em potencial interessado em um tablet da Apple leva o novíssimo iPad mini com tela Retina, SoC A7 e outras novidades compartilhadas com o iPad Air — a escolha entre os dois é uma questão meramente de gosto e de se ter US$ 100 sobrando na carteira.
Se o custo for o norte para a compra do equipamento, o iPad mini de primeira geração é imbatível por US$ 299. Embora a tela tenha a mesma resolução e o SoC seja o mesmo do iPad 2, um Apple A5, ele é mais avançado com conector Lightning, câmera melhor, suporte a 4G e Siri.
Tentaremos entender o que leva a Apple a continuar oferecendo o iPad 2, mas a menos que você precise especificamente desse modelo, é difícil argumentar favoravelmente à sua compra. As alternativas são melhores.
Tentando justificar o iPad 2 em 2013
Um dos exercícios mais populares desde terça é tentar justificar a manutenção do iPad 2 no varejo. São diversas teorias, nenhuma comprovada, já que a Apple não fala e os números que divulga tampouco ajudam a entender a situação — quando divulga a quantidade de iPads e iPhones vendidos, ela não quebra esses números por modelo, dá apenas valores agregados.
Dito isso, parto da premissa mais simples: o iPad 2 continua à venda porque… vende. Com linhas de produtos tão enxutas, a Apple não teria por que manter um produto tão datado se ele não estivesse ajudando a elevar faturamento e lucro. Um antigo como o iPad 2, especialmente por US$ 399, hoje deve ter margens saborosas. Para quem domina a linha de montagem e relação de fornecedores tão bem quanto a Apple, atender essa demanda deve ser algo que é feito de muito bom grado. E estimativas recentes, como as da Consumer Intelligence Research Partners, apontam que o iPad 2 ainda respondia, pelo menos até setembro, a quase 30% das vendas de iPads. Não é pouca coisa.
Outro aspecto muito citado e que faz bastante sentido é a compatibilidade. O iPad 2 é o único modelo ainda à venda com o conector de 30 pinos e o que à primeira vista é desvantagem (e é mesmo, pelo tamanho e problemas que pode dar), acaba sendo interessante para quem investiu muito em homologação, infraestrutura e acessórios baseados nessa interface.
Nos textos lá de fora são comuns relatos de escolas e empresas como potenciais compradores de iPad 2. Adaptar ambientes com centenas, milhares de usuários a um dado equipamento não é uma coisa simples, ou barata, logo US$ 399 em cada tablet para substituir um ou outro problemático ou quebrado sai, no geral, mais barato do que trocar toda a infraestrutura e a base para o novo conector Lightning. Mesmo nas compras em lote esses US$ 100 de diferença para o Air pesam no final.
Cedo ou tarde a migração para uma versão mais atual acontecerá, mas com os orçamentos limitados das escolas e a mentalidade econômica de empresas de pequeno e médio porte, adquirir tecnologia conhecida, ainda que obsoleta, acaba sendo a melhor saída.
O comparativo entre iPads que a própria Apple oferece também dá algumas pistas de padrões observados. Os dois novos iPads têm telas Retina, os dois antigos mantidos, não. Os dois novos, SoC A7, os dois antigos, A5 — também usado no iPhone 4S e Apple TV (versão single core), ambos ainda vendidos.
Embora frágil, existe uma simetria entre os modelos de ponta e os antigos, e o tamanho físico do iPad 2 pode ter apelo junto a alguns consumidores, gente para quem Giga hertz e telas Retina não diz muito. Como explicou Patrick Moorhead, analista da Moor Insights & Strategy, ao The Verge:
“É o tamanho que importa. Um monte de gente entra em uma loja com suas mentes já decididas por um tablet de 10 polegadas ou um de 7 ou 8, e eles partem disso. Para muitos deles, aquela uma polegada extra de espaço diagonal é de uma importância tremenda.”
Outra linha, essa menos comum, diz que o iPad 2 é um agente infiltrado cujo único propósito é impulsionar as vendas dos demais modelos, estratégia baseada no Efeito Decoy, ou triangulação. Nesse caso, o iPad 2 se apresenta não para ser vendido, mas para tornar mais atraentes os preços do novo iPad mini e iPad Air. Um exemplo prático e mais palpável: o Xbox One brasileiro por R$ 2.200 é caro, mas quando a Sony anunciou que o PlayStation 4 custará R$ 4.000 por aqui, ele imediatamente pareceu um negócio melhor do que era antes. Viu?
(Duvido que a Apple manteria uma linha de produção inteira apenas para mexer com o psicológico dos compradores forçando-os a comprar modelos melhores, mas com tanta teoria maluca passeando por aí, fica o registro de mais essa.)
O mais engraçado nessa pequena polêmica foi a reação agressiva de parte da imprensa internacional. “É uma trapaça”. “Se você tiver qualquer impulso em comprar um iPad 2 de 16 GB por US$ 399, você provavelmente deveria ir a um hospital e fazer um exame da cabeça“. “Eu o tacharei de idiota se você comprar um iPad 2 por US$ 399″. É bom saber que existe tanta gente preocupada com o bolso e a sanidade alheia :-)
Como é o iPad 2 em 2013?
Foto: Rodrigo Ghedin.
Mas digamos que por qualquer motivo você resolva que quer o iPad 2. Sei lá, a tela não-Retina é vintage, bacana, você tem aversão a velocidade ou quer uma tela de 9,7 polegadas em um tablet novo, lacrado, mas aqueles US$ 100 extras do iPad Air estão em falta. Enfim, não importa o motivo: você tem um iPad 2 novo em mãos. Como ele se sai?
Eu posso responder essa pergunta, mas porque comprei um iPad 2 lá atrás, quando ele ainda era o melhor que a Apple podia oferecer. Ainda hoje, aliás, do ponto de vista estético, ele impõe certo respeito: com exceção do iPad Air, é o modelo grande mais leve (601 g) e fino (8,8 mm) de todos. A título comparativo, o iPad 3/4 pesa 652 g e tem 9,4 mm de espessura. (Todos os valores para as versões com apenas Wi-Fi.)
Quarta-feira fiz a primeira restauração do meu iPad 2 nesses dois anos. Ele estava com o iOS 6-ponto-alguma-coisa e, entre joguinhos que minha afilhada curte e apps que instalei só de curiosidade, faltava espaço para viabilizar a atualização para o iOS 7. A trabalheira que daria apagar apps e espremer espaço livre não compensava; de quebra, com uma restauração pude ver como é o desempenho de um iPad 2 (teoricamente) novo hoje.
Não é dos piores, viu? Mas, sim, está longe de ser tão ágil quanto um tablet moderno. Veja bem: são dois anos e meio, três gerações que o separa do iPad Air. Até apps pouco intensivos, como os clientes oficias do Twitter e Facebook, pedem alguns segundos após abertos para ficarem funcionais. A multitarefa, agora com miniaturas das janelas, só consegue manter as imagens das três ou quatro primeiras. Há uns glitches mínimos em algumas animações, mas o belo efeito de paralaxe funciona em toda sua glória. É bonitão esse efeito, né?
A lentidão não é um empecilho grande, não chega a irritar. A restauração fez bem à saúde do iPad 2 e esses pequenos engasgos iniciais estão mais curtos agora. Vídeos e navegação web funcionam bem, sem qualquer dificuldade. Sou um usuário bem conservador, de poucos e bem definidos hábitos, e que não joga, então não exijo muito do equipamento. Talvez eu seja exceção, mas para mim o iPad 2 ainda está ok.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Fora o desempenho, outra característica que entrega a idade do iPad 2 é a tela. Não é retina, e por não sê-lo, a tipografia mais delicada do iOS 7 fica estranha nos 1024×768 pixels do painel. Em alguns apps, como no oficial do Twitter, o serrilhado da (pequena) fonte fica bem aparente, a ponto de dificultar a leitura mais de perto. Aquela máxima de que dá para se virar bem sem telas de alta densidade desde que você nunca veja uma continua válido. Mais do que o desempenho, é a baixa resolução da tela a minha maior queixa.
Não, não compensa pagar US$ 399 em um iPad 2 hoje. Ele ainda segura as pontas, mas já mostra sinais claros de cansaço e… poxa, acho que é bem seguro dizer que de 2014 a aposentadoria não passa. Além disso, por valores menores (nos EUA) se consegue modelos usados de iPad 4, melhor em praticamente tudo.
Há situações bem peculiares em que a compra de um se justifica e se você quiser, também, quem sou eu para julgar? Muita gente ainda usa o primeiro iPad, seriamente limitado pelos seus 256 MB de RAM, e está contente. Talvez até mais do que os chatos linkados acima que reclamam com tanta raiva do que os outros compram.
Quando as carcaças de iPhone vazadas por Sonny Dickson apareceram no palco do penúltimo evento da Apple, mês passado, elas meio que validaram as dos futuros novos iPads, também divulgadas antes da hora pelo jovem australiano, como verdadeiras. Não havia convite para evento, não havia anúncio oficial, nada vindo da Apple, mas quem duvidaria de uma fonte que acabara de se provar confiável?
Dickson, esse fenômeno da esteira de rumores, é o ápice de uma indústria paralela à da tecnologia de consumo que, ao mesmo tempo em que sacia a ânsia por informações antes da hora e em primeira mão e conjecturas baseadas no “ouvi dizer”, acaba com o fator surpresa que todos sempre cobram e, cada vez menos, recebem de eventos como o de ontem. O que não chega a ser exatamente ruim. Apesar das previsões apocalípticas dos comentaristas de blogs (não os do Manual! :-) e da reação negativa dos investidores ao final de cada anúncio, dificilmente algum dispositivo recém-lançado da Apple empaca nas prateleiras.
Ontem foram apresentados a nova linha de tablets, composta pelo iPad Air e o novo iPad mini, MacBooks Pro com tela Retina atualizados, data e preço do Mac Pro e a versão final do Mavericks, nova versão do OS X. Abaixo, o que me chamou a atenção.
iPad Air ou iPad mini?
Foto: Apple/Reprodução.
O iPad mini que deveria ter sido lançado em 2012 foi apresentado ontem. Ele muda pouco, mas o que importa é que ele muda onde mais precisava: na tela. Sai a de baixa resolução do modelo de estreia (1024×768), entra uma Retina com resolução de 2048×1536.
A lacuna fechada pela Apple no seu tablet pequeno veio acompanhada de melhorias internas inesperadas. Poucos achavam que o SoC A7, que também equipa iPhone 5s e iPad Air, estaria nesse tablet — a versão anterior era equipada com o A5, de dois anos atrás. O módulo Wi-Fi com suporte a MIMO, o microfone extra para melhorar a qualidade do áudio e o co-processador M7 fecham o pacote de melhorias do novo iPad mini.
Algo ruim? Duas coisas que aumentaram: preço e peso. O iPad mini ficou 23 g mais pesado (29 g na versão com suporte a 3G/4G), chegando a 331 g e 341 g, respectivamente, e seu preço inicial, para o modelo de 16 GB com apenas Wi-Fi, subiu US$ 70 — começa, agora, em US$ 399. O iPad mini original segue à venda e teve um corte, passando a custar US$ 299.
Esse valor do novo mini se aproxima bastante dos US$ 499 que, desde a primeira geração, a Apple cobra pelo modelo inicial do iPad grande, com tela de 9,7 polegadas. Ontem ele chegou à quinta iteração e ganhou novo nome para combinar com sua leveza: chame-o iPad Air.
Foto: Apple/Reprodução.
A dieta pela qual ele passou impressiona. De 652 g, o peso do tablet caiu para 469 g (no modelo com apenas Wi-Fi). O iPad Air também encolheu, tem apenas 7,5 cm de espessura, contra 9,4 mm do modelo anterior. As bordas verticais ficaram mais estreitas, o desenho agora segue o padrão do iPad mini. É a mudança mais radical no iPad desde a segunda versão — que continua à venda, por sinal, ao custo de US$ 399, e deve ser um modelo ainda bastante procurado; só isso justifica a sua manutenção — e um assombro da engenharia de Cupertino. Mesmo menor e mais leve, ele é mais rápido que a geração anterior e mantém a mesma duração estimada de bateria.
Não que seja um detalhe muito relevante, mas esse “Air” no nome soa meio estranho. É um artifício de marketing válido, reforça as boas características físicas (é o tablet de ~10 polegadas mais leve do mundo e o segundo mais fino; nesse quesito fica atrás do Tablet Z, da Sony) e dá um frescor que deverá fazer bem às vendas. Mas ele não inaugura uma nova categoria, como fez o MacBook Air em 2008; embora muito melhor, ele continua sendo o mesmo produto de três anos atrás. O “Air” também rompe com uma convenção recente, a de abdicar de indicadores que denunciam a “idade” do iPad, prática que durou apenas duas gerações (os dois iPads lançados em 2012). Enfim, detalhes.
De resto, o iPad Air vem com as mesmas melhorias vistas e listadas acima do mini. A tela tem a mesma resolução, inclusive, o que lhe confere uma densidade de pixels menor — 264 DPI contra 326 do modelo com tela de 7,9 polegadas. Porém, pesa a seu favor a área real de tela para uso, e por mais que a portabilidade do iPad mini seja tentadora, a 1,8 polegada extra do Air tem seu apelo.
Com uma diferença tão curta, de apenas US$ 100, e configurações tão próximas, inclusive o peso, escolher entre iPad Air e iPad mini é uma questão mais de gosto do que de fatores técnicos, mais coração do que razão. Ainda restam dúvidas sobre a quantidade de RAM de cada um (não faria muito sentido diferenciá-los nisso), ou se a frequência do processador será mais alta no Air (provável), mas fora isso, quem está em busca de um novo tablet se vê num dilema dos bons.
Acredito que o padrão de uso deva ser o fator decisivo no caso. A maioria que comprou e gosta do iPad mini original destaca a portabilidade dele: menor e mais leve, dá para carregá-lo para todo canto numa boa. O abismo que o separa do Air em peso diminuiu, mas o tamanho permanece inalterado, de modo que o parâmetro que, pessoalmente, tomo aqui é o seguinte: se você usa tablet em casa, deitadão no sofá, o Air é mais negócio. Se ele te acompanha nas aventuras urbanas longe do aconchego do lar, aí o mini parece mais adequado.
Ambos parecem, no papel e pelos hands-on publicados ontem, tablets espetaculares. Não quero desmerecer o trabalho de engenharia dispendido na dupla, mas deve ser mais fácil surpreender dessa maneira quando se parte de um produto tão bom quanto o iPad sempre foi. De qualquer maneira, kudos para a Apple.
A versão final do Mavericks, ou OS X 10.9 se você prefere números, foi lançada ontem mesmo. E, o mais importante, de graça.
O preço das atualizações do OS X vinha caindo sistematicamente, de US$ 129 para US$ 29 e, agora, para zero. A oferta alcança versões anteriores à penúltima (Mountain Lion), é compatível com basicamente todo Mac lançado a partir de 2007. É diferente do que rola no Windows 8.1, da Microsoft, gratuito apenas para quem estiver rodando o Windows 8.
John Paczkowski nos lembra que essa estratégia de software gratuito é, na realidade, um retorno às origens. Até o System 7, a Apple não cobrava pelo software. Na Wired, publicação acostumada a sentenciar a morte de coisas, Ryan Tate disse que a era dos sistemas operacionais pagos chegou ao fim. E é bem provável que seja isso mesmo.
“O preço de US$ 0 está ligado à tendência de integração vertical. Uma empresa que faz tanto o hardware quanto o software de um dispositivo pode escolher onde colocar suas margens de lucro. Dado o poder mágico que [a palavra] ‘grátis’ tem nas mentes dos consumidores, é melhor colocar todo o lucro em uma só cesta. Hardware gratuito é difícil de conceber, então a missão fica com o software: compre nosso hardware, obtenha nosso software de graça.”
Foto: Apple/Reprodução.
E não bastasse o Mavericks gratuito para todo mundo, as suítes iLife e iWork também passaram a não custar nada, mas só para quem comprar novos dispositivos (vale para iOS e OS X) desde 1º de setembro deste ano. Serenity Caldwel explica os detalhes das ofertas na Macworld.
O alvo, ou grande prejudicado com esse desprendimento pelo software, aliás, parece ser a Microsoft. Na Época, Guilherme Felitti explica como essa inversão de valores entre hardware e software pode machucar a empresa de Steve Ballmer. E é de se pensar, mesmo, o que a Microsoft fará agora sendo a única das três grandes a cobrar pelos seus sistemas — Android e Chrome OS, do Google, também não custam nada a fabricantes e usuários.
Desta vez acompanhei o evento com certo distanciamento, um pouco longe do calor do momento — e definitivamente longe dos comentários de blogs e portais. Até recorri às contas em redes sociais do Manual para tentar, com uma amostragem obviamente viciada e muito restrita, entender se aquela insatisfação generalizada comum a todo evento da Apple pós-apresentação do iPad original se repetiu. Pelo menos entre os que interagiram por lá, parece que a recepção foi menos hostil. Parece, não posso dizer com certeza.
O iPad Air é um feito de engenharia, o iPad mini foi além do que se esperava, os MacBooks Pro à venda, agora, são apenas modelos com tela Retina e ficaram mais poderosos, com chips Haswell, e mais finos, o poderoso Mac Pro cilíndrico chega em dezembro. Mavericks, iWork e iLife de graça. São novidades bem legais.
Dizem que em time que está ganhando não se mexe, mas quase sempre há, sim, espaço para aperfeiçoamentos. Bom para quem vê a beleza disso tudo — sem deslumbramentos, mas tampouco com desdém.
A essa altura você já deve estar ciente disso tudo. O que se segue, pois, é um apanhado de observações e comentários sobre o evento.
5. A vitória da esteira de rumores
Rumor é uma “nãotícia” que evito ao máximo abordar no Manual do Usuário. Nessa uma semana de vida do blog só citei um, brevemente, para contextualizar o Windows Phone 8 Update 3. E sabe da maior? Bateu certinho.
Há tempos já era sabido que a Nokia anunciaria um phablet de seis polegadas hoje, novos celulares da linha Asha e um tablet. Ontem à noite, o perfil @evleaks no Twitter, especializado em vazar fotos e informações de gadgets, entregou o Lumia 1320, o phablet de baixo custo da fabricante finlandesa e última surpresa de hoje.
Recentemente tem sido assim: surgem rumores, a maioria deles se confirma. Mais uma vez a esteira dos rumores saiu vitoriosa.
4. Novos Ashas
Asha 503. Foto: Nokia/Reprodução.
Na corrida pelo próximo bilhão de usuários de celular, a Nokia tem na linha Asha um grande trunfo. O Asha 501 (review em breve) ganhará novos companheiros, os modelos 500, 502 e 503, todos em versões com um ou dois SIM cards.
Todos seguem a identidade visual da marca, parecendo versões encolhidas dos Lumias. A nova safra conta com um acabamento em plástico transparente, o que deixa os aparelhos ainda mais grossos — e o Asha 501, acredite, já é bem grosso.
Destaques para preço, que chega a incríveis US$ 69 no Asha 500, e o oferecimento de conectividade 3G no 503 — os demais só operam em EDGE.
3. O que o Lumia 2520 tem de diferente?
O Lumia 2520 é o primeiro (e possivelmente único) tablet da Nokia. Rodando Windows RT 8.1, com tela de 10,1 polegadas, SoC Snapdragon 800 e acabamento em policarbonato colorido, quem mexeu neles diz que o equipamento parece um Lumia 720 esticado e amassado. Aliás, é bem fino, com 8,9 mm de espessura.
Essas especificações se assemelham um bocado às do Surface 2, lançado hoje pela Microsoft nos EUA. O que fazer para se diferenciar? Além do visual, a Nokia buscou outras saídas.
Foto: Nokia/Reprodução.
O Lumia 2520 tem uma câmera de 6,7 mega pixels com lente Carls Zeiss. Existe todo um debate em torno da prática de fazer fotos com tablets, mas deixo-o de lado no momento. Para quem gosta, porém, parece ser um prato cheio.
Outra característica bacana é a autonomia. A Nokia promete 11h de uso contínuo e, com o uso da capa-teclado vendida separadamente, o Nokia Power Keyboard (US$ 149, na imagem acima), outras 5h adicionais — além disso, o usuário ainda ganha mais duas portas USB e uma capa que, dobrada, fica parecendo um livro.
A Nokia também colocou uns apps exclusivos ali, como o HERE Maps, um editor de vídeos e o Storyteller, que também chegará aos smartphones da casa.
Por fim, há suporte a 4G LTE. O Surface 2 também terá, mas só no ano que vem.
(Repare que o comercial do Lumia 2520 bate muito na tecla do “em qualquer lugar”, que seria motivado pela conexão 4G e a tela que, diz a Nokia, funciona bem em ambientes abertos. No mais, só eu achei estranho o cara que leva um tablet para pescar de barco?)
O Lumia 2520 será lançado ainda no quarto trimestre, nas cores vermelho, preto, branco e azul, inicialmente nos EUA e Reino Unido. O preço inicial será de US$ 499.
2. Os novos phablets e a quem eles se destinam
Os novos smartphones Lumias, modelos 1520 e 1320, são phablets, ambos com tela de seis polegadas. O primeiro tem especificações agressivas, como SoC Snapdragon 800 e resolução Full HD, e será vendido por US$ 750. O segundo é um phablet de baixo custo, tem tela de alta definição (720p) e é movido por um Snapdragon S4 (dual core). Preço sugerido? US$ 340.
A Nokia segue a tendência lançada pela Samsung e seguida por outras, como HTC, ao se aventurar no mundo dos phablets, smartphones tão grandes que quase se confundem com tablets. Mas… quem quer esse tipo de aparelho enorme?
Resposta: o oriente.
De acordo com o IDC, a distribuição de phablets no oriente (excluído o Japão) no segundo trimestre de 2013 foi maior que a de notebooks e tablets. Em países como China e Índia, o instituto atribui esse sucesso ao tamanho intermediário do equipamento, que faz as vezes de smartphone e tablet ao custo de um só.
Outro levantamento, da Flurry, apontou que no mundo os phablets respondem por apenas 7% do mercado. Mas quando a análise fecha na Coreia do Sul, essa porcentagem salta para 41%. A Nokia não deve entrar no mercado sul coreano, que é bastante patriota (85% dos dispositivos em uso lá são de fabricantes locais, como Samsung e LG, também segundo a Flurry), mas esses dados dão uma boa medida dessa peculiaridade que se estende a outros mercados da região, especialmente a China e sua gigantesca base de usuários em potencial.
É por tudo isso que, não à toa, alguns países asiáticos como China, Hong Kong e Cingapura estão no rol de locais onde o Lumia 1520 chega primeiro, ainda este ano. E o Lumia 1320, veja só, sai primeiro e exclusivamente na China e no Vietnã, no começo de 2014.
O ouro está do outro lado do mundo.
(O hands-on acima, do blog oficial da Nokia, mostra o tamanho enorme do Lumia 1520, seu design que lembra muito o do Lumia 925 só que sem o acabamento em metal, a bizarra capa que parece a Smart Cover do iPad e os apps da câmera e Storyteller.)
1. Apps, apps por todos os lados
Screenshot: Microsoft/Reprodução.
O inferno congelou — de novo. Durante a abertura da Nokia World, a empresa anunciou que o Instagram fará sua estreia no Windows Phone. Até que enfim!
A falta de apps é crítica para a Microsoft, tanto no Windows Phone quanto no Windows 8/RT. Medidas desesperadas, como empacotar sites como se fossem apps, estão sendo tomadas, mas o que vimos na Nokia World foi um sopro de esperança.
O Instagram é desde sempre apontado como uma espécie de exemplo-mor da carência de apps do Windows Phone. Tê-lo oficialmente na plataforma era um desejo antigo da Microsoft e da Nokia, e depois de campanhas, abaixo-assinados e até uma leva de apps genéricos (e uns bem decentes, como o 6tag), o Instagram chegou. Ou melhor, chegará, nas próximas semanas.
Além do Instagram, outros apps de peso foram anunciados na Nokia World. Destaques para Plex, Vine (já prometido desde a Build), Xbox Video (esse existia, sumiu, agora voltará), Asphalt 8 e Temple Run 2. A lista completa está no site da Microsoft.
For folks asking… Instagram, Vine, Xbox Video and most other apps are NOT Lumia-only. We're partnering to improve ecosystm
Todos esses, apesar de serem em parte resultados dos esforços da Nokia, serão compatíveis com qualquer Windows Phone. Os exclusivos para Lumias, porém, continuam existindo. E esses novos reforços apresentados são bem bacanas.
O Storyteller é um tipo de visualizador de fotos que organiza as imagens de acordo com vários contextos. O Nokia Camera convergirá dois apps hoje distintos, Pro Camera e Smart Camera, em um só. O Nokia Refocus trará aos Lumias com câmera PureView aquela bruxaria de alterar o foco após tirar a foto, mais ou menos como a câmera Lytro — veja um exemplo. As mesmas câmeras também ganharão suporte a fotos RAW.
Apps de desenho feitos para phablets também estão na lista, como InNote e Papyruz. A falta de apps que exploram o uso de stylus e a tela grande dos novos Lumias foi apontada por alguns sites como uma falha — o Galaxy Note, da Samsung, se destaca em muito pela suíte de apps adaptados para uso de stylus e de sua tela enorme.
Fora da linha Lumia/Windows Phone, o destaque ficou por conta do WhatsApp para os Ashas. Já não era sem tempo.
Antes da briga ferrenha que se desenrola hoje nos bolsos de praticamente todo mundo que tem um smartphone pela supremacia na troca de mensagens rápidas, havia um app que conseguiu fazer um nome, criar uma reputação: o BBM.
Restrito aos domínios do BlackBerry, ainda assim ele conseguiu se destacar pela confiabilidade com que recebia e entregava mensagens, e trazer recursos que só mais tarde os outros apps do gênero como WhatsApp, Facebook Messenger e WeChat, apresentariam e popularizariam nas plataformas concorrentes.
Nota do editor: O Marcellus, amigo de longa data, está se lançando como escritor e após passar pela odisseia da autopublicação resolveu compartilhar suas experiências por aqui. O livro que serviu de “laboratório” para este artigo, Viagem a Pindorama, está sendo publicado em partes, gratuitamente, no seu blog.
Faz um tempo que ando afastado das redações digitais, desse corre-corre de notícias e rumores, levando uma vida mais calma e analógica. Mas eis que de repente o Ghedin me convida a escrever um artigo para o seu novo Manual do Usuário. Como velhos hábitos nunca morrem, aqui vamos nós!
Durante o meu “recesso”, acabei concluindo a trilogia árvore-filho-livro. Depois de mais de um ano de trabalho intenso, com a obra (literária) finalizada, veio o calvário de procurar e decidir onde publicá-la. Foi a partir desta experiência que nasceu este artigo.
O Processo Tradicional
Até pouco tempo, havia duas formas de se publicar um livro: convencendo uma editora de que a obra teria público (e, portanto, geraria lucro) ou investindo dinheiro do próprio bolso para uma “tiragem do autor”.
Dessas possibilidades é fácil perceber o poder dos editores: eles eram os donos das chaves douradas que abriam os portões do mercado editorial. Mas a dificuldade de ser visto e, principalmente, lido por algum deles era uma outra verdade conhecida desde os tempos de Gutemberg. (Ou vocês acham que o primeiro livro a ser impresso foi a Bíblia à toa? O autor tinha forte apelo popular…) Jack London, por exemplo, foi rejeitado 600 vezes. SEISCENTAS!
Impacientes e frustrados, a saída para os autores iniciantes era fazer uma tiragem do autor, também conhecida por “publicação independente” ou “autopublicação”. Como toda forma de burlar o sistema, essa também não era bem vista pelos intelectuais, o que continua até hoje. Convenientemente, esquecem que Proust, Thoreau, Shaw e até Anaïs Nin (fortemente recomendada) começaram com publicações independentes.
O grande problema da publicação independente era (e ainda é) o alto custo: nem todo mundo tem uma herança ou pode sacar o FGTS para investir no seu sonho. Mas como a tecnologia existe para resolver os problemas cotidianos, hoje temos…
Admirável Mundo Novo
…plataformas de publicação digital!
Com o avanço da informática, qualquer um pode escrever e publicar sua obra sem precisar empenhar um rim. E, de fato, há inúmeros exemplos de sucesso.
Vejamos a estadunidense Amanda Hocking. Antes mesmo de ter um domínio com seu nome, a moça já havia faturado US$ 2 milhões. Disso até fechar contrato com uma editora, foi um pulo.
Outro exemplo bem bacana é o do escritor Joseph Konrath, que era defensor ferrenho da publicação tradicional mas agora prega aos quatro ventos o evangelho da independência. E já foram mais de quinhentos mil livros digitais vendidos!
A internet abriu um mundo de possibilidades para os autores independentes e centenas de exemplos pipocam por aí semanalmente. Mas como, exatamente, um aspirante ao Nobel de Literatura poderia começar? Como estamos focados em livros digitais, ou ebooks, então o primeiro nome que vem à mente é a Amazon.
Amazon
Foto: Rodrigo Ghedin.
A plataforma de publicação independente da empresa, chamada Kindle Direct Publishing, requer apenas um cadastro e o upload do arquivo de texto e da capa (que você pode criar na hora, usando uma ferramenta fornecida pela loja).
Na Amazon você poderá escolher receber 35% ou 70% referentes aos direitos autorais. Parece bem óbvio escolher a última opção, certo? Só que há duas pegadinhas: seu livro não poderá estar disponível em nenhuma outra livraria digital pelos 90 dias seguintes, sendo que o contrato precisa ser renovado ao final desse período. Além disso, o valor mínimo do livro é de R$ 2,99 (na opção de 35%, o mínimo é de R$ 0,99).
Terminada essa parte burocrática, em 48 horas sua obra estará disponível para compra em Kindles do mundo inteiro. E por “Kindles” entenda não apenas os fantásticos leitores físicos, mas também o software que está instalado em milhões de celulares, tablets e computadores.
Se você é das antigas ou quer dar ao seu leitor a opção de ler em papel, a Amazon tem a CreateSpace, que disponibiliza sua obra via impressão por demanda, ou seja, o livro só será impresso quando o leitor fizer a compra. A obra é impressa nos EUA e terá que ser enviado ao Brasil, mas curiosamente o custo para o leitor não é assustadoramente maior que as opções de impressão por demanda nacionais — incluindo o frete!
Como se não bastasse, a empresa ainda lançou o programa Kindle Matchbook, em que seu livro digital sai mais barato se o leitor comprar a versão impressa. Quase no estilo “dois pelo preço de um”.
A Amazon é um universo à parte quando se fala em publicação e você pode ter uma ideia melhor dando uma olhada na página de ajuda deles. Há opção para quase tudo: desde como atualizar seu livro de forma transparente (e gratuita) para os leitores, até como publicar seu blog diretamente em dispositivos Kindle (infelizmente, apenas em inglês).
Pela minha empolgação, vocês já devem imaginar que esta seja minha opção favorita, certo?
Mas há outras, muitas outras. Por exemplo a iBookstore da Apple.
iBookstore (Apple)
A primeira vez em que experimentei um “livro” no iPad, foi uma experiência transformadora. Enquanto a Amazon encara o livro digital como… um livro, só que digital, a Apple quer transformá-lo num produto interativo. E se o designer (porque não basta ser autor) for bom, pode acabar criando obras-primas como esta abaixo:
A Apple fornece até uma ferramenta gratuita para que o autor possa se aventurar na produção desses ebooks anabolizados, o iBooks Author. Apenas um adendo: por “gratuita” leia-se “embutida no preço de um Mac”.
Obviamente, também é possível ter livros convencionais à venda pela loja da Apple. Aliás, um ponto importante: as vendas são feitas através do aplicativo iTunes e não diretamente como acontece no Kindle. E é preciso pagar uma taxa inicial de US$ 99,00. Ah, e seu livro precisa ser lido, analisado e aprovado na triagem que é feita com todo o conteúdo digital que é posto à venda pela Apple.
Google Play
O Google, aproveitando a imensa penetração dos dispositivos Android, não poderia ficar de fora e há algum tempo também vende livros na Play Store, permitindo a publicação independente. Lá o problema é a complicação: para se ter uma ideia, não consegui sequer fazer um teste…
E no Brasil?
Mais perto de nós, a Livraria Cultura tem parceria com a Kobo, fabricante dos leitores digitais mais bacanas e estilosos que seu rico dinheirinho pode comprar. E a Kobo tem a Kobo Writing Life, onde você pode publicar seus livros sem custos, mais ou menos como na Amazon.
Um diferencial interessante para quem está começando e não quer se preocupar com a parte técnica da coisa, é a formatação automática em ePub: você envia seu documento Word ou OpenOffice e eles cuidam da formatação. Em até 72 horas seu livro estará disponível.
A parte não tão boa é que o pagamento é feito duas vezes ao ano, apenas. Mas, por outro lado, o autor fica com 70% das vendas, para livros que custem entre US$ 1,99 e US$12,99.
A Livraria Saraiva foi um pouco além e criou sua própria plataforma de publicação independente: a Publique-se! Nela o autor fica com até 35% das vendas, pagos 90 dias depois do mês apurado. Mas nada foi dito sobre como será a promoção da obra pelo site, nem sobre como sair do contrato, mas ela não exige exclusividade.
Se você deseja apenas compartilhar o que escreveu sem maiores preocupações quanto a vendas e lucros, talvez uma alternativa interessante seja o BookSérie, uma espécie de Wattpad nacional. No site você pode enviar sua história para apreciação de editores e, caso seja aprovada, ela será “serializada” e publicada semanalmente, recebendo as críticas e comentários dos leitores.
A ideia é promissora, mas há um senão: ao contrário do Wattpad, apenas o pessoal do BookSérie pode retirar uma obra do ar. Portanto, se você for descoberto por uma Random House da vida, seu texto vai continuar lá no site, sem choro nem vela — a menos que o pessoal seja camarada e concorde em apagá-lo.
Há ainda vários sites de publicação independente que mesclam a produção digital com a “analógica”, ou seja, você pode vender tanto o livro digital quanto o impresso. O que é muito legal para impressionar a família, diga-se de passagem, mas também atinge um mercado que, por um motivo ou por outro, ainda prefere o cheiro de papel e tinta.
Entre esses, há três de destaque no mercado nacional: o Clube de Autores, o PerSe e o Bookess.
Os três, basicamente, oferecem o serviço de impressão sob demanda, em que o livro é efetivamente impresso apenas quando o leitor faz a compra. Isso não significa que também não convertam (e vendam) o livro em formato digital.
Neles, o autor tem o preço básico do livro, que varia de acordo com o tipo de capa, papel, encadernação etc, e sobre esse valor coloca o quanto quer receber a título de direitos autorais. Lembrando que, nesse caso, seria importante imprimir ao menos um livro para verificar a qualidade da impressão, do papel, da capa…
Até agora tudo são flores, certo? Você já deve estar louco para tirar aquele manuscrito da gaveta e faturar horrores na Amazon ou na lojinha da Apple. Parece um sonho prestes a se concretizar!
Eu sou do tipo pessimista, que sempre vê o copo 100% cheio, mas com apenas 50% do que realmente importa. Sob essa óptica, o Brasil é um país onde se fatura mais com livros que a Índia, por exemplo. Se levarmos em consideração a desproporção populacional, dá até para se animar. Por outro lado, aqui se vende menos livros que na Espanha, uma gleba menor que estado de Minas Gerais, com pouco mais de 47 milhões de habitantes.
Geralmente, o clima de “oba-oba” quando se fala em publicação independente vem dos Estados Unidos. O volume do mercado lá é absurdamente maior que o nosso: R$ 81,6 bilhões contra R$ 6,7 bi aqui (dados de 2011).
Para piorar, o volume de vendas de livros digitais, apesar de ter aumentado mais de 100% no último ano, ainda representa pífios 0,29% (contra 22% do mercado estadunidense). A própria Bruna Brito revelou que escreveu em inglês “para ser lida”. Portanto, não se engane: fazer dinheiro com literatura, especialmente no Brasil, é como faturar milhões sendo jogador de futebol. Há um Ronaldinho para cada dez mil Zé da Pelada.
Numa rápida conversa por email com Wagner Ribeiro, roteirista de Onda Zero e autor da ficção científica Código 7 Infinidade, confirmei o que já era muito comentado nos círculos de editores e escritores: o retorno financeiro de livros de ficção é baixo. Wagner, que também faz toda a edição, diagramação e as capas das obras, quando perguntado sobre a publicação “normal”, via editoras, me respondeu o seguinte:
“Não tentei buscar editoras e publicar direto em papel por entender que seria um caminho extremamente difícil para um iniciante, ainda mais no gênero no qual eu gosto de escrever. Também invisto no ebook por acreditar no formato, e na autopublicação.”.
Outro com quem falei, o engenheiro Landulfo Almeida, autor de As Duas Faces do Destino (que tem versão impressa e digital) contou como foi a procura por uma editora:
“Primeiro tentei achar um agente literário. Naquele momento esses profissionais eram poucos e difíceis de fazer contato. A maioria não me respondeu e quem o fez não estava aberto ao meu tipo de livro ou mesmo a novos autores.
Passei então a pesquisar as editoras e tentar descobrir quais publicavam livros cuja temática era semelhante à de minha obra, quais recebiam originais e de que forma. Consegui mandar o original, devidamente registrado na Biblioteca Nacional, para cinco editoras. Quase todas me retornaram após alguns meses indicando que não tinham interesse.
No ínterim, através das pesquisas na internet, fechei contrato com uma pequena editora que aceitava publicar os livros em parceria, dividindo os custos. Foi meu grande erro. Perdi tempo e dinheiro e não consegui publicar. Felizmente, nesse processo entendi melhor como o mercado funciona. Conheci alguns autores nacionais através da rede mundial e recebi uma dica sobre a Editora Novo Século e o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. O contato foi fácil e o retorno rápido. Fechamos o contrato pelo selo Novos Talentos. Sugiro que os autores iniciantes conheçam o programa, é muito interessante (o autor participa com parte dos custos de publicação). Estou extremamente feliz em fazer parte do conjunto de autores da Novo Século.”
A autopublicação vale a pena?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares.
Pois bem, vamos a um exemplo pessoal, mais uma da série “aconteceu comigo”: uma editora se aproximou depois que enviei o original para apreciação. Apesar do tempo médio ser de meses, consegui uma aprovação em apenas dez dias! E quando a esmola é demais…
A proposta era a seguinte: a editora faria uma primeira edição com mil exemplares. Eles seriam vendidos, nas bancas, a R$ 36,00. Eu, o autor, teria que comprar 250 exemplares, ao custo de R$ 28,00 e receberia 10% do valor de venda dos outros 750 (ou seja, um lucro de R$ 3,60 por exemplar).
Fazendo as contas, eu teria que desembolsar R$ 7.000,00 e, caso toda a edição fosse vendida, teria um lucro de R$ 2.700,00 (mais R$ 2.000,00 caso vendesse meus 250 exemplares).
Vale ressaltar que a editora arcaria com os custos da capa, edição e diagramação. Mas, ainda assim, é um valor alto para quem está começando, por mais que acredite no potencial.
Partindo para a publicação independente, na Amazon, por exemplo, o investimento é mínimo, praticamente zero. No entanto, uma capa atraente é o melhor chamariz possível e um trabalho profissional gira em torno dos R$ 700,00. E ainda tem a diagramação e a edição.
Para tiragens sob demanda, no Clube de Autores, por exemplo, o valor final do livro (sempre considerando o mesmo exemplo, mas com papel um pouco melhor, 90g) fica em R$ 39,90 com um lucro de R$ 6,00 por exemplar. Claro, sem a editora você também fica sem os serviços profissionais, que terá que contratar por conta própria, e a distribuição.
A autopublicação, como tudo na vida, é uma faca de dois gumes. Mas é um caminho que eu, particularmente, estou propenso a escolher.
Dicas para quem quiser partir para a autopublicação
Para o aspirante a autor que chegou até aqui, uma dica: em algumas livrarias online, como a Amazon e o Clube de Autores, não é obrigatório que seu livro tenha um ISBN. Esse é o tipo de coisa, porém, que você deveria procurar — até porque se aparecer a chance de vender em livrarias físicas, elas vão exigir o ISBN.
O registro é simples: aponte seu navegador para o site da Agência Brasileira do ISBN e siga o passo-a-passo. O processo não é tão burocrático quanto você espera, as atendentes sabem o que estão falando e não te passam para outra pessoa inúmeras vezes, mas demora até 90 dias para o registro da obra e o tal número.
Outra coisa importante para se pensar é que publicar independentemente é mais ou menos como publicar um blog: muita gente ainda tem certo preconceito, afinal, blog não é jornal…
Se você gosta de escrever ficção científica, fantasia, romances-melosos-de-vampiros-que-brilham, sem problemas. Mas se a sua ideia é concorrer ao Prêmio Jabuti, esqueça: bater na porta de uma editora tradicional ainda é o melhor caminho.
Uma dúvida recorrente entre quem embarca nessa jornada solitária é quanto cobrar pela obra. Não há uma regra fixa e o que vale aqui não vale, por exemplo, para o mercado estadunidense. Mas a Saraiva tem uma dica preciosa:
Eles têm vasta experiência no varejo, devem saber o que falam, não?
E para fechar com chave de ouro: exatamente como nos blogs, quem publica tem que ter a coragem de dar a cara a tapa. Se você acha que o nível de comentários nos maiores portais da internet brasileira é baixo, dê uma olhada nos comentários de livros na Play Store. Há gente que reclama de ter que colocar o cartão de crédito… e não é pouca. Inclusive, essa é uma das maiores dificuldades de se vender por aqui, mesmo estando no século XXI.
Ainda está motivado? Ótimo! Pergunte a cinco pessoas do seu meio profissional “o que é um Kindle?” Já vi muitos estudantes de Engenharia Elétrica e da Computação que não sabiam responder. Engenheiros e Analistas formados também. Isso é um fator limitante da penetração dos livros digitais, principalmente da Amazon, no Brasil. Está melhorando, mas o ambiente ainda é desolador.
Descontando os alunos da rede pública que entram nas pesquisas sobre “quem lê no Brasil”, temos aí um universo de mais ou menos vinte milhões de leitores que compram livros. E eles estão dispersos em assuntos que variam de ficção científica a esoterismo. Aliás, é consenso entre os editores que autor brasileiro só vende bem se for autoajuda ou gospel. Aventura e ficção, só importados. Pense nisso.
Nas palavras de Landulfo Almeida:
“Pesquise. Participe dos eventos literários, seja de forma presencial ou virtual. Acompanhe os blogs literários e as páginas das editoras. Consulte os autores já publicados, famosos e desconhecidos. Pergunte! Tem muita gente disposta a passar os conhecimentos e experiências adquiridas. Eu mesmo já respondi a várias pessoas que me contataram e muitas já me ajudaram. Se você ama escrever, não desista diante das dificuldades. É difícil publicar e ser lido, mas os prazeres superam em muito os obstáculos.”
Chegou até aqui? Puxa, então você deve mesmo estar interessado em publicar. Envie-nos o link da obra para que possamos dar uma olhadinha! E lembre-se: Moby Dick vendeu apenas 3715 cópias até a morte do autor, Herman Melville.
Nas páginas abaixo você confere as entrevistas completas com Landulfo Almeida e Wagner Ribeiro, autores consultados durante a elaboração desta matéria.
Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.
Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.
Sobre o mundo moderno
Franzen é um escritor norte-americano talentosíssimo e, pelos seus ensaios e entrevistas, desiludido com a tecnologia de consumo. Neste aqui, ele faz um ataque feroz ao Twitter, à Apple e às empresas que exploram essa fome por tecnologia e a nossa incrível capacidade de se alienar a partir delas, usando como parâmetro ensaios do austríaco Karl Kraus, “O Grande Odiador”.
Bom perfil da Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones que fisgou Hugo Barra, executivo do alto escalão do Google, mês passado e que pelo tanto de smartphone (com boas configurações a um custo menor) que vende na pátria mãe, já é avaliada em US$ 10 bilhões. Uma das missões de Barra lá é expandir a empresa para fora da China. Em sua primeira declaração pública como funcionário de lá, ele mostrou-se bastante impressionado com o ritmo das operações.
O título é autoexplicativo, a questão que levanta, bem mais complexa. Por mais seguro que seja a distribuição de fotos e fatos de crianças que sequer sabem falar na rede, ainda assim pode haver impactos negativos no futuro para essa geração que está nascendo. O legado que fica, as buscas no Google que retornam resultados antigos, podem se tornar fontes de ansiedade, insegurança e bullying no futuro.
Por pouco (R$ 800, mais precisamente) eu poderia ter escrito este texto ano passado :-) Acabei optando por um Ultrabook e permaneci no universo Windows. O Paulo, que está sempre comentando notícias de tecnologia no nosso podcast, fez a transição e conta, neste artigo, quais as dificuldades, surpresas e alegrias que vem tendo com o OS X depois de dez anos a bordo do Windows.