Os novos iPad Air e iPad mini estão na mesma categoria, só que com telas de tamanhos diferentes

Quando as carcaças de iPhone vazadas por Sonny Dickson apareceram no palco do penúltimo evento da Apple, mês passado, elas meio que validaram as dos futuros novos iPads, também divulgadas antes da hora pelo jovem australiano, como verdadeiras. Não havia convite para evento, não havia anúncio oficial, nada vindo da Apple, mas quem duvidaria de uma fonte que acabara de se provar confiável?

Dickson, esse fenômeno da esteira de rumores, é o ápice de uma indústria paralela à da tecnologia de consumo que, ao mesmo tempo em que sacia a ânsia por informações antes da hora e em primeira mão e conjecturas baseadas no “ouvi dizer”, acaba com o fator surpresa que todos sempre cobram e, cada vez menos, recebem de eventos como o de ontem. O que não chega a ser exatamente ruim. Apesar das previsões apocalípticas dos comentaristas de blogs (não os do Manual! :-)  e da reação negativa dos investidores ao final de cada anúncio, dificilmente algum dispositivo recém-lançado da Apple empaca nas prateleiras.

Ontem foram apresentados a nova linha de tablets, composta pelo iPad Air e o novo iPad mini, MacBooks Pro com tela Retina atualizados, data e preço do Mac Pro e a versão final do Mavericks, nova versão do OS X. Abaixo, o que me chamou a atenção.

iPad Air ou iPad mini?

Foto de divulgação do iPad mini com tela Retina.
Foto: Apple/Reprodução.

O iPad mini que deveria ter sido lançado em 2012 foi apresentado ontem. Ele muda pouco, mas o que importa é que ele muda onde mais precisava: na tela. Sai a de baixa resolução do modelo de estreia (1024×768), entra uma Retina com resolução de 2048×1536.

A lacuna fechada pela Apple no seu tablet pequeno veio acompanhada de melhorias internas inesperadas. Poucos achavam que o SoC A7, que também equipa iPhone 5s e iPad Air, estaria nesse tablet — a versão anterior era equipada com o A5, de dois anos atrás. O módulo Wi-Fi com suporte a MIMO, o microfone extra para melhorar a qualidade do áudio e o co-processador M7 fecham o pacote de melhorias do novo iPad mini.

Algo ruim? Duas coisas que aumentaram: preço e peso. O iPad mini ficou 23 g mais pesado (29 g na versão com suporte a 3G/4G), chegando a 331 g e 341 g, respectivamente, e seu preço inicial, para o modelo de 16 GB com apenas Wi-Fi, subiu US$ 70 — começa, agora, em US$ 399. O iPad mini original segue à venda e teve um corte, passando a custar US$ 299.

Esse valor do novo mini se aproxima bastante dos US$ 499 que, desde a primeira geração, a Apple cobra pelo modelo inicial do iPad grande, com tela de 9,7 polegadas. Ontem ele chegou à quinta iteração e ganhou novo nome para combinar com sua leveza: chame-o iPad Air.

iPad Air: apenas 450 g.
Foto: Apple/Reprodução.

A dieta pela qual ele passou impressiona. De 652 g, o peso do tablet caiu para 469 g (no modelo com apenas Wi-Fi). O iPad Air também encolheu, tem apenas 7,5 cm de espessura, contra 9,4 mm do modelo anterior. As bordas verticais ficaram mais estreitas, o desenho agora segue o padrão do iPad mini. É a mudança mais radical no iPad desde a segunda versão — que continua à venda, por sinal, ao custo de US$ 399, e deve ser um modelo ainda bastante procurado; só isso justifica a sua manutenção — e um assombro da engenharia de Cupertino. Mesmo menor e mais leve, ele é mais rápido que a geração anterior e mantém a mesma duração estimada de bateria.

Não que seja um detalhe muito relevante, mas esse “Air” no nome soa meio estranho. É um artifício de marketing válido, reforça as boas características físicas (é o tablet de ~10 polegadas mais leve do mundo e o segundo mais fino; nesse quesito fica atrás do Tablet Z, da Sony) e dá um frescor que deverá fazer bem às vendas. Mas ele não inaugura uma nova categoria, como fez o MacBook Air em 2008; embora muito melhor, ele continua sendo o mesmo produto de três anos atrás. O “Air” também rompe com uma convenção recente, a de abdicar de indicadores que denunciam a “idade” do iPad, prática que durou apenas duas gerações (os dois iPads lançados em 2012). Enfim, detalhes.

De resto, o iPad Air vem com as mesmas melhorias vistas e listadas acima do mini. A tela tem a mesma resolução, inclusive, o que lhe confere uma densidade de pixels menor — 264 DPI contra 326 do modelo com tela de 7,9 polegadas. Porém, pesa a seu favor a área real de tela para uso, e por mais que a portabilidade do iPad mini seja tentadora, a 1,8 polegada extra do Air tem seu apelo.

Com uma diferença tão curta, de apenas US$ 100, e configurações tão próximas, inclusive o peso, escolher entre iPad Air e iPad mini é uma questão mais de gosto do que de fatores técnicos, mais coração do que razão. Ainda restam dúvidas sobre a quantidade de RAM de cada um (não faria muito sentido diferenciá-los nisso), ou se a frequência do processador será mais alta no Air (provável), mas fora isso, quem está em busca de um novo tablet se vê num dilema dos bons.

Acredito que o padrão de uso deva ser o fator decisivo no caso. A maioria que comprou e gosta do iPad mini original destaca a portabilidade dele: menor e mais leve, dá para carregá-lo para todo canto numa boa. O abismo que o separa do Air em peso diminuiu, mas o tamanho permanece inalterado, de modo que o parâmetro que, pessoalmente, tomo aqui é o seguinte: se você usa tablet em casa, deitadão no sofá, o Air é mais negócio. Se ele te acompanha nas aventuras urbanas longe do aconchego do lar, aí o mini parece mais adequado.

Ambos parecem, no papel e pelos hands-on publicados ontem, tablets espetaculares. Não quero desmerecer o trabalho de engenharia dispendido na dupla, mas deve ser mais fácil surpreender dessa maneira quando se parte de um produto tão bom quanto o iPad sempre foi. De qualquer maneira, kudos para a Apple.

Mavericks, iLife e iWork gratuitos

Craig Federighi anunciando o preço do Mavericks.
Foto: Christina Bonnington/WIRED.

A versão final do Mavericks, ou OS X 10.9 se você prefere números, foi lançada ontem mesmo. E, o mais importante, de graça.

O preço das atualizações do OS X vinha caindo sistematicamente, de US$ 129 para US$ 29 e, agora, para zero. A oferta alcança versões anteriores à penúltima (Mountain Lion), é compatível com basicamente todo Mac lançado a partir de 2007. É diferente do que rola no Windows 8.1, da Microsoft, gratuito apenas para quem estiver rodando o Windows 8.

John Paczkowski nos lembra que essa estratégia de software gratuito é, na realidade, um retorno às origens. Até o System 7, a Apple não cobrava pelo software. Na Wired, publicação acostumada a sentenciar a morte de coisas, Ryan Tate disse que a era dos sistemas operacionais pagos chegou ao fim. E é bem provável que seja isso mesmo.

Qual a mágica? John Siracusa, que já publicou seu detalhado review do Mavericks, explica à Wired:

“O preço de US$ 0 está ligado à tendência de integração vertical. Uma empresa que faz tanto o hardware quanto o software de um dispositivo pode escolher onde colocar suas margens de lucro. Dado o poder mágico que [a palavra] ‘grátis’ tem nas mentes dos consumidores, é melhor colocar todo o lucro em uma só cesta. Hardware gratuito é difícil de conceber, então a missão fica com o software: compre nosso hardware, obtenha nosso software de graça.”

Mavericks distribuído gratuitamente.
Foto: Apple/Reprodução.

E não bastasse o Mavericks gratuito para todo mundo, as suítes iLife e iWork também passaram a não custar nada, mas só para quem comprar novos dispositivos (vale para iOS e OS X) desde 1º de setembro deste ano. Serenity Caldwel explica os detalhes das ofertas na Macworld.

O alvo, ou grande prejudicado com esse desprendimento pelo software, aliás, parece ser a Microsoft. Na Época, Guilherme Felitti explica como essa inversão de valores entre hardware e software pode machucar a empresa de Steve Ballmer. E é de se pensar, mesmo, o que a Microsoft fará agora sendo a única das três grandes a cobrar pelos seus sistemas — Android e Chrome OS, do Google, também não custam nada a fabricantes e usuários.

Alguns analistas já sinalizavam que tornar Windows e Windows Phone gratuitos pudesse ser uma saída. A Apple pode ter dado um empurrãozinho, ou aumentado a pressão, para que esse cenário se concretize.

Tudo novo e melhor, e poucos estão satisfeitos

Desta vez acompanhei o evento com certo distanciamento, um pouco longe do calor do momento — e definitivamente longe dos comentários de blogs e portais. Até recorri às contas em redes sociais do Manual para tentar, com uma amostragem obviamente viciada e muito restrita, entender se aquela insatisfação generalizada comum a todo evento da Apple pós-apresentação do iPad original se repetiu. Pelo menos entre os que interagiram por lá, parece que a recepção foi menos hostil. Parece, não posso dizer com certeza.

O iPad Air é um feito de engenharia, o iPad mini foi além do que se esperava, os MacBooks Pro à venda, agora, são apenas modelos com tela Retina e ficaram mais poderosos, com chips Haswell, e mais finos, o poderoso Mac Pro cilíndrico chega em dezembro. Mavericks, iWork e iLife de graça. São novidades bem legais.

Dizem que em time que está ganhando não se mexe, mas quase sempre há, sim, espaço para aperfeiçoamentos. Bom para quem vê a beleza disso tudo — sem deslumbramentos, mas tampouco com desdém.

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21 comentários

  1. Eu queria muito um iPad Mini, mas acredito que seria mais produtivo agora com um iPad Air. Fino e leve, ele é relativamente portátil. Além disso, as polegadas extras virão a calhar nos momentos de consumo de conteúdo (Netflix, YouTube) e nos de produção (Numbers e Pages).
    Fico triste que tenham limado a cor preta e chumbo, era minha favorita. Acho que vou comprar um branco agora =/

  2. Suspeito que o “sucesso” do iPad 2 esteja nas compras corporativas. Quando se compra um lote de ipads (escolas, empresas) as especs e a tela não são um diferencial, mas o preço, é.

  3. Fiquei contente com a atualização grátis do Mavericks. Já estou rodando no meu Air. Melhorias interessantes, mas a que mais me agradou, ainda que possam achar uma bobagem, foi a melhoria na rolagem das páginas. O OSX junto com os trackpads da Apple já tinham a rolagem mais fluida do mercado, agora ficou absolutamente perfeito, mesmo em sites mega pesados que antes apresentavam algum lag. Parece realmente um dispositivo iOS. Excelente.

    Uma pena que perdi a chance de ter o iWork grátis. Comprei o meu em Julho. Enfim, sou obrigado a usar o MS Office de qualquer forma.

    Sobre os iPads, eu tinha intenção futura (bastante no futuro mesmo, pois é algo que definitivamente não preciso) de comprar um iPad Mini, pela leveza e tamanho reduzido comparado com o iPad normal. Agora com esse iPad Air, sei não. Acho que a diferença tanto em peso quanto em tamanho ficou bem menor. Dá o que pensar. Vamos ver qual o preço que ambos chegarão nessas paragens.

    1. Como um touchpad bom faz diferença, né? Não sei se ele fica devendo algo para os dos MacBooks, mas o do meu (um Série 9, da Samsung) é bem gostoso de usar. Antes de comprá-lo pensava em adquirir um mouse também, mas hoje nem se ganhasse um usaria.

      Também estou curioso para ver os preços dos novos iPads aqui. Não acho que o Air ficará mais caro, mas… Dá para esperar tudo da Apple Brasil.

  4. A cada lançamento de ou novidade sobre MacBooks bate um arrependimento.
    Tive a oportunidade de comprar um MacBook Air tem pouco mais de um ano, porém optei por um Ultrabook da Dell com o IvyBridge… o meu pior erro.

    Penso em migrar para a linha notebook/desktop da Apple e no mobile continuar com Android. Será que consigo uma boa experiência de uso ou para isso terei que me fechar na redoma das macieiras?

    1. Atualmente, eu uso o combo OS X + Android e não percebi nenhuma diferença em usar o combo Windows + Android. De cabeça, não imagino nada que mude nesse aspecto.

    2. O segredo é dar preferência a soluções multiplataforma. Em vez de iTunes, 7digital ou algum serviço de streaming (Rdio, Deezer). iCloud? Prefira Dropbox. E por aí vai.

      Tenho smartphone Android, tablet iOS e notebook Windows, e zero problema de incompatibilidade entre eles. Sai mais caro na questão de apps (com iPad + iPhone, você paga uma vez só, por exemplo), o mesmo vale para acessórios, mas isso varia muito de perfil para perfil. Como consumo poucos apps, acaba não pesando tanto.

  5. Pensando seriamente em aposentar meu Nexus 7; apesar de ser um bom produto, já apresenta sinais de cansaço.

    1. Por que não comprar um novo Nexus 7?

      Eu não entendo essas coisas… Na verdade eu entendo, a Apple tem uma aura hoje em dia que mesmo vou é tendo um belíssimo aparelho concorrente as pessoas vêem que só mudando para um produto Apple terá uma verdadeira evolução.

      Parabéns para a Apple por conseguir gerar esse sentimento nas pessoas.

      Sobre os aparelhos, não há dúvida que será um sucesso de vendas e que é um belíssimo gadget, mas o iOS como sistema não me agrada por apresentar apenas uma tela de ícones e não me oferecer uma condição de deixar ele mais agradável para meu uso. Fora que me acostumei tanto com o uso de widgets no Android que é difícil ficar sem. Facilita muito minha navegação nas telas e uso dos aplicativos.

      1. De fato, as pessoas “normais” acham que é algo diferente só porque é da Apple…mas acho que vale a pena experimentar. Não gosto das restrições desnecessárias do iOS, mas os iPads parecem ser uma ótima opção pelo eco-sistema mais amplo. Muitas vezes seus produtos não valem a pena, mas dificilmente decepcionam.

      2. Resposta para você: quero mudar um pouco, sair do android, pelo menos no tablet, ja que no smart ele me agrada bastante. Outra coisa: é algum pecado querer mudar de OS, experimentar coisas novas? Não sou fanboy de nenhuma marca…
        E é verdade o que você diz: a apple realmente tem uma aura que mexe até mesmi com haters, não é?

        1. Não tem nada errado, me desculpe se pareceu isso.

          Aproveitei seu comentário para levantar uma questão que vejo ser muito comum. Acho sim que mudar vale muito a pena. Eu mesmo penso em migrar para um tablet com windoows, gostei muito da proposta que vi no meu notebook. Olha que nem uso touch na interface Modern.

          Só quis aproveitar a oportunidade e trazer o debate.

          Foi mal.

      3. Não entendo muito essa crítica ao grid de ícones do iOS. O Android se diferencia pelos widgets, mas sei lá, dá para viver sem — não uso no meu, por exemplo. E se pensarmos no app drawer, é a mesma coisa, mas oculta em um botão.

        1. Mas é exatamente esse o meu caso, Ghedin. Eu uso muito os widgets e fico muito frustrado quando aplicações para Android não aproveitam essa função permitindo que possamos interagir com o aplicativo sem entrar nesse o tempo todo.

          Tenho widgets dos aplicativos que mais uso e facilita muito para mim.

          1. Eu deveria dar uma nova chance aos widgets, viu. Tentei usar várias vezes no passado, mas nunca me adaptei — é mais prático, para mim, entrar nos apps.

        2. Depois que passei a usar o Aviate usei cada vez mais os widgets, principalmente pela possibilidade de customizar widgets diferentes em cada “Space”. Acho que a tela fica mais organizada e é mais tranquilo de usar.
          Por exemplo, quando estou no trabalho, com um “drop-down” acesso o Widget do Any.Do e posso enviar emails com um único botão. Na academia, por sua vez, o “drop-down” mostra o Pocket-Cast e por aí vai.
          Acho widgets muito bacanas, não tão importantes assim pra não viver sem, mas quando bem executados facilitam a vida.
          Enfim, não sei se chegastes a testar o Aviate, eu testei e estou adorando – e olha que comprei o Nova Prime =/

  6. O que aconteceu com a Apple na primeira década desse século foi extremo, não acredito que alguém conseguirá repetir o ritmo de inovações grandes: iPod, iPhone, iPad e MacBook Air. Só espero bons produtos nas apresentações e não revoluções, mas acho que as expectativas já estão baixando sobre os lançamentos da Apple.

    Sobre a mudança de paradigma na venda de SOs, concordo que seja preocupante para a Microsoft, mas ela já percebeu que o futuro é um produto mais fechado, vide o lançamento do Surface. Não deu muito certo, mas eles já estão ganhando experiência e know-how no mercado que deve ser o futuro da computação pessoal.

    1. A Apple virou o mercado de cabeça pra baixo na década passada. Mesmo na posição confortável em que está, porém, não para quieta. Está sempre atualizando sua base de produtos e puxando ela para frente com tecnologias de vanguarda — ou matando as obsoletas; reparou que agora nenhum MacBook vendido tem drive ótico?

  7. Atualizações necessárias para quem quer se manter na liderança do segmento de tablets( e aqui falo de hardware e não software), porém acho que a cada “save the date” da Apple, as pessoas estão esperando um lançamento revolucionário, similar ao anúncio do Iphone em 2007, em minha opinião isto não ocorrerá novamente, mas acho que Cook e sua empresa em feito a lição de casa, e sobre o Mavericks, Google e Apple estão encurralando a Microsoft, que terá que pensar com muito cuidado os próximos passos para seu principal produto.

    1. “(…) em minha opinião isto não ocorrerá novamente”

      Não seja tão pessimista. Cedo ou tarde alguma ideia boa vai acontecer. Pode não ser da Apple, e pode demorar, mas acreditar que chegamos ao ápice da tecnologia de consumo é ter pouca fé na humanidade — ou no capitalismo :-)

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