Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

5 observações sobre os anúncios da Nokia World 2013

Stephen Elop, CEO da Nokia, abrindo a Nokia World 2013.
Foto: Nokia/Reprodução.

Hoje cedo, às 5h da manhã no horário de verão, a Nokia abriu seu evento anual, a Nokia World, onde anunciou um tablet, cinco novos celulares e alguns apps há muito esperados.

A essa altura você já deve estar ciente disso tudo. O que se segue, pois, é um apanhado de observações e comentários sobre o evento.

5. A vitória da esteira de rumores

Rumor é uma “nãotícia” que evito ao máximo abordar no Manual do Usuário. Nessa uma semana de vida do blog só citei um, brevemente, para contextualizar o Windows Phone 8 Update 3. E sabe da maior? Bateu certinho.

Há tempos já era sabido que a Nokia anunciaria um phablet de seis polegadas hoje, novos celulares da linha Asha e um tablet. Ontem à noite, o perfil @evleaks no Twitter, especializado em vazar fotos e informações de gadgets, entregou o Lumia 1320, o phablet de baixo custo da fabricante finlandesa e última surpresa de hoje.

Recentemente tem sido assim: surgem rumores, a maioria deles se confirma. Mais uma vez a esteira dos rumores saiu vitoriosa.

4. Novos Ashas

Novo Asha 503, o primeiro com 3G.
Asha 503. Foto: Nokia/Reprodução.

Na corrida pelo próximo bilhão de usuários de celular, a Nokia tem na linha Asha um grande trunfo. O Asha 501 (review em breve) ganhará novos companheiros, os modelos 500, 502 e 503, todos em versões com um ou dois SIM cards.

Todos seguem a identidade visual da marca, parecendo versões encolhidas dos Lumias. A nova safra conta com um acabamento em plástico transparente, o que deixa os aparelhos ainda mais grossos — e o Asha 501, acredite, já é bem grosso.

Destaques para preço, que chega a incríveis US$ 69 no Asha 500, e o oferecimento de conectividade 3G no 503 — os demais só operam em EDGE.

3. O que o Lumia 2520 tem de diferente?

O Lumia 2520 é o primeiro (e possivelmente único) tablet da Nokia. Rodando Windows RT 8.1, com tela de 10,1 polegadas, SoC Snapdragon 800 e acabamento em policarbonato colorido, quem mexeu neles diz que o equipamento parece um Lumia 720 esticado e amassado. Aliás, é bem fino, com 8,9 mm de espessura.

Essas especificações se assemelham um bocado às do Surface 2, lançado hoje pela Microsoft nos EUA. O que fazer para se diferenciar? Além do visual, a Nokia buscou outras saídas.

Lumia 2520, o primeiro tablet da Nokia.
Foto: Nokia/Reprodução.

O Lumia 2520 tem uma câmera de 6,7 mega pixels com lente Carls Zeiss. Existe todo um debate em torno da prática de fazer fotos com tablets, mas deixo-o de lado no momento. Para quem gosta, porém, parece ser um prato cheio.

Outra característica bacana é a autonomia. A Nokia promete 11h de uso contínuo e, com o uso da capa-teclado vendida separadamente, o Nokia Power Keyboard (US$ 149, na imagem acima), outras 5h adicionais — além disso, o usuário ainda ganha mais duas portas USB e uma capa que, dobrada, fica parecendo um livro.

A Nokia também colocou uns apps exclusivos ali, como o HERE Maps, um editor de vídeos e o Storyteller, que também chegará aos smartphones da casa.

Por fim, há suporte a 4G LTE. O Surface 2 também terá, mas só no ano que vem.

(Repare que o comercial do Lumia 2520 bate muito na tecla do “em qualquer lugar”, que seria motivado pela conexão 4G e a tela que, diz a Nokia, funciona bem em ambientes abertos. No mais, só eu achei estranho o cara que leva um tablet para pescar de barco?)

O Lumia 2520 será lançado ainda no quarto trimestre, nas cores vermelho, preto, branco e azul, inicialmente nos EUA e Reino Unido. O preço inicial será de US$ 499.

2. Os novos phablets e a quem eles se destinam

Os novos smartphones Lumias, modelos 1520 e 1320, são phablets, ambos com tela de seis polegadas. O primeiro tem especificações agressivas, como SoC Snapdragon 800 e resolução Full HD, e será vendido por US$ 750. O segundo é um phablet de baixo custo, tem tela de alta definição (720p) e é movido por um Snapdragon S4 (dual core). Preço sugerido? US$ 340.

Para se ter uma ideia do tamanho do Lumia 1520.
O Lumia 1020 fica minúsculo perto do 1520. Foto: Henrique Martin/ZTOP.

A Nokia segue a tendência lançada pela Samsung e seguida por outras, como HTC, ao se aventurar no mundo dos phablets, smartphones tão grandes que quase se confundem com tablets. Mas… quem quer esse tipo de aparelho enorme?

Resposta: o oriente.

De acordo com o IDC, a distribuição de phablets no oriente (excluído o Japão) no segundo trimestre de 2013 foi maior que a de notebooks e tablets. Em países como China e Índia, o instituto atribui esse sucesso ao tamanho intermediário do equipamento, que faz as vezes de smartphone e tablet ao custo de um só.

Outro levantamento, da Flurry, apontou que no mundo os phablets respondem por apenas 7% do mercado. Mas quando a análise fecha na Coreia do Sul, essa porcentagem salta para 41%. A Nokia não deve entrar no mercado sul coreano, que é bastante patriota (85% dos dispositivos em uso lá são de fabricantes locais, como Samsung e LG, também segundo a Flurry), mas esses dados dão uma boa medida dessa peculiaridade que se estende a outros mercados da região, especialmente a China e sua gigantesca base de usuários em potencial.

É por tudo isso que, não à toa, alguns países asiáticos como China, Hong Kong e Cingapura estão no rol de locais onde o Lumia 1520 chega primeiro, ainda este ano. E o Lumia 1320, veja só, sai primeiro e exclusivamente na China e no Vietnã, no começo de 2014.

O ouro está do outro lado do mundo.

(O hands-on acima, do blog oficial da Nokia, mostra o tamanho enorme do Lumia 1520, seu design que lembra muito o do Lumia 925 só que sem o acabamento em metal, a bizarra capa que parece a Smart Cover do iPad e os apps da câmera e Storyteller.)

1. Apps, apps por todos os lados

O Instagram finalmente chegará ao Windows Phone.
Screenshot: Microsoft/Reprodução.

O inferno congelou — de novo. Durante a abertura da Nokia World, a empresa anunciou que o Instagram fará sua estreia no Windows Phone. Até que enfim!

A falta de apps é crítica para a Microsoft, tanto no Windows Phone quanto no Windows 8/RT. Medidas desesperadas, como empacotar sites como se fossem apps, estão sendo tomadas, mas o que vimos na Nokia World foi um sopro de esperança.

O Instagram é desde sempre apontado como uma espécie de exemplo-mor da carência de apps do Windows Phone. Tê-lo oficialmente na plataforma era um desejo antigo da Microsoft e da Nokia, e depois de campanhas, abaixo-assinados e até uma leva de apps genéricos (e uns bem decentes, como o 6tag), o Instagram chegou. Ou melhor, chegará, nas próximas semanas.

Além do Instagram, outros apps de peso foram anunciados na Nokia World. Destaques para Plex, Vine (já prometido desde a Build), Xbox Video (esse existia, sumiu, agora voltará), Asphalt 8 e Temple Run 2. A lista completa está no site da Microsoft.

Todos esses, apesar de serem em parte resultados dos esforços da Nokia, serão compatíveis com qualquer Windows Phone. Os exclusivos para Lumias, porém, continuam existindo. E esses novos reforços apresentados são bem bacanas.

O Storyteller é um tipo de visualizador de fotos que organiza as imagens de acordo com vários contextos. O Nokia Camera convergirá dois apps hoje distintos, Pro Camera e Smart Camera, em um só. O Nokia Refocus trará aos Lumias com câmera PureView aquela bruxaria de alterar o foco após tirar a foto, mais ou menos como a câmera Lytro — veja um exemplo. As mesmas câmeras também ganharão suporte a fotos RAW.

Apps de desenho feitos para phablets também estão na lista, como InNote e Papyruz. A falta de apps que exploram o uso de stylus e a tela grande dos novos Lumias foi apontada por alguns sites como uma falha — o Galaxy Note, da Samsung, se destaca em muito pela suíte de apps adaptados para uso de stylus e de sua tela enorme.

Fora da linha Lumia/Windows Phone, o destaque ficou por conta do WhatsApp para os Ashas. Já não era sem tempo.

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8 comentários

  1. Falta muito pra Nokia e Microsoft se unirem como um sistema fechado ao estilo Apple? Pq está caminhando fortemente pra isso, já que quase ninguém mais está a fim de investir no WP e a Nokia foi comprada – quem sabe com um sistema pra um hardware o desenvolvimento acelere e ganhe aderência.

    1. Imagino que esse é um pouco muito pensado na Microsoft.

      Ao mesmo tem em que seu sucesso e ápice como empresa foi licenciando seu software, hoje com a proposta da Apple de oferecer o software gratuitamente torna a política da Microsoft mais complicada. Principalmente porque a Apple mostrou que a legião de fãs fortalece muito a marca e não vemos muito isso com a Microsoft principalmente por ela não oferecer seus serviços na cadeia torna de produtos. Os usuários ficam dependendo de fabricantes e os produtos não conversam corretamente. Ao mesmo tempo perder seus grandes parceiros pode ser complicado. Vejo o Google com o mesmo dilema.

      A Apple conseguiu criar um nível de qualidade nos produtos como um todo e uma veneração dos usuários que a deixa acima dos outros players. Controlar todo o sistema e cadeia de produtos te dá um poder que hoje apenas a Apple possui.

      1. Mas, Ghedin, você não acha que essa espera pode acabar minando futuras chances da Microsoft de evoluir como produtora de hardware e serviço?

        Vejo isso muito no Android/iOS. Gosto muito do sistema Android, todos meus gadgets estão com ele embarcado, mas sinto falta de uma união de dispositivos+serviços. A Google aposta muito, a meu ver como a Microsoft, de que os parceiros darão condições ao ecosistema, mas vendo as ações da Apple me parece que não vai funcionar a longo prazo. São muitos serviços que não funcionam tão bem, as fabricantes fazem muito sem se preocupar com a qualidade, diferente da Apple. Acho que a Google deveria oferecer mais serviços e produtos para o sistema como um todo.

        1. Não sei, viu. Acho que o problema não é exatamente a Microsoft oferecer seu software para outras fabricantes; num mundo ideal, isso é até benéfico — vide o Google, que tem um marketshare enorme apostando nesse modelo. Aliás, a Microsoft tem mais a ganhar imitando o Google do que a Apple.

          A Microsoft está fazendo bem o que pode: além de oferecer seus serviços no Windows Phone, também lança apps para iOS e Android. O caminho está bem traçado.

  2. Estou com o Windows 8.1 no meu notebook e devo dizer que gosto muito da intracelular Modern, mesmo usando o mouse.

    Os aplicativos para o sistema são poucos, mas todos sempre bem feitos. Se o sistema tivesse mais aplicativos, principalmente os dos serviços Google eu teria um, mas com essa falta eu sou “obrigado” a usar um tablet Android.

    Gosto muito do sistema Android, mas acho interessante poder utilizar mais de um sistema para não ficar viciado. Quem sabe eu não instalo o Ubuntu Touch no meu Nexus 10 para mudar de ambiente…

  3. O Lumia 1520 parece ser um bom ~smartphone híbrido~. O grande problema mesmo é o Windows Phone que não me parece otimizado para essas telas e acabou deixando essa poluição visual.
    Não haverá um só dia que não irei lamentar a compra da Nokia pela Microsoft. A Nokia encabeça as fabricantes com aparelhos boa construção, bons aplicativos e features sensacionais; e tudo deve acabar sob o domínio da empresa de Redmond.

    1. A Microsoft fez uma série de adaptações no Update 3 para tornar o Windows Phone 8 amigo das telas Full HD. Acrescentou uma coluna extra de blocos na tela inicial, redesenhou alguns apps nativos e está pedindo aos desenvolvedores para que façam o mesmo com os seus.

      É bem provável que os aparelhos da Nokia não sofram com a transição para a Microsoft, ao menos não em um primeiro momento. Talvez o Lumia 2520 suma, afinal a Microsoft já tem um tablet com Windws RT, o Surface 2. Mas os Ashas e Lumias continuarão sendo vendidos e não vejo motivo algum para mexerem drasticamente nas duas linhas.

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