Com um plano sequência inicial de quase 20 minutos digno de figurar entre os mais sensacionais da história do cinema, Gravidade diz logo de cara que não é um filme convencional. Dirigido por Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney no (enxuto) elenco, ele usa o vácuo do espaço para filosofar sobre assuntos bem mundanos, sobre superação e renascimento.
O filme conta a luta pela sobrevivência da Dra. Ryan Stone e do comandante Matt Kowalsky, que ficam à deriva no espaço após o ônibus espacial onde estavam ser atingido por uma tempestade de detritos vinda de um satélite russo destruído ali perto.
Na solidão do espaço, sem contato com a Terra e com recursos finitos, Gravidade insere angústia e tensão em cenários que, em outro contexto, em outra situação, seriam talvez alguns dos lugares mais contemplativos que o ser humano conheceu. Em uma das falas iniciais, a Dra. Stone diz que o que mais gosta do espaço é o silêncio. “Eu poderia me acostumar a isso”.
Mas quando tudo vai pelos ares, como mostra o trailer, e a inexperiente médica rodopia sem rumo, afastando-se da Terra, sem retorno na comunicação, com a respiração ofegante, Gravidade se revela. É um filme sobre o fascinante espaço, também, mas é muito mais uma história sobre o medo da morte, sobre enfrentamentos e, por fim, renascimento.
Tecnicamente, Gravidade é um feito e tanto. As cenas espaciais são de tirar o fôlego, a tensão nos momentos-chave em que a vida fica em risco, e eles não são poucos, prendem o espectador de um jeito único. Eventos naturais, como o nascer e o pôr do Sol, a aurora boreal, a imensidão do espaço, são retratações que, embora não possa classificar como perfeitas por motivos óbvios, conseguem entregar o que eu e acho todos nós imaginamos deva ser o espaço: um infinito absorto na quietude, uma beleza que fascina e amedronta.
Levou um bocado de tempo para que a tecnologia para filmar Gravidade madurasse o suficiente, e essa espera valeu a pena: ele leva o nível dos efeitos especiais no cinema a um novo patamar. Saber que as cenas “externas”, das caminhadas espaciais, são inteiramente digitais com exceção dos rostos dos atores, dá uma boa ideia do quão espetacular é esse trabalho. Os planos, que variam de uns bem abertos, pondo em perspectiva a insignificância de um ser humano lá em cima, até trechos em primeira pessoa, dentro do capacete da Dra. Stone, formam um balé suave na tela. A trilha sonora alterna o silêncio do espaço com músicas crescentes, tudo na hora certa, na medida exata. É um trabalho irretocável.
Foto: Warner Bros/Reprodução.
Fosse apenas 90 minutos de lindas cenas do espaço polvilhadas com um pouco de ação aqui e ali, Gravidade já se justificaria. Mas há uma história por trás. Não uma profunda; ela é bem simples, na real. O roteiro, inclusive, se limita ao mínimo para se fazer entender (com uma exceção que peca pelo excesso de didática cinematográfica), e não faz uso de recursos como flashbacks para contextualizar o dilema central a quem assiste, uma saída que, nas circunstâncias em que a história se apresenta, seria fácil imaginar sendo posta em prática. Aqui, não. São 90 minutos ininterruptos no agora, coisa rara de se ver e uma delícia de se presenciar.
Cuarón diz que Gravidade é sobre “renascer ante as adversidades”, tanto que coloca no centro da história uma protagonista inexperiente, que não é daquele universo, que sai da sua zona de conforto e se vê obrigada a lidar com situações extremas em uma sucessão rápida. Essa metáfora, do renascimento, se faz presente em vários pontos ao longo do filme. É emblemática ao vermos a Dra. Stone, após quase morrer por falta de oxigênio em seu traje espacial, adentrar a Estação Espacial Internacional e, cheia de vida novamente, contorcer-se até ficar em posição fetal, com o Sol ao fundo, uma cena particularmente bela. Daria para discorrer mais aqui, não sem dar (mais) spoilers.
A 600 quilômetros da superfície da Terra, no espaço, a vida não pode existir. Mas pode renascer. Gravidade é um filme lindo. Assista.
Foto: Warner Bros/Reprodução.
Alguns links legais para se aprofundar no filmaço de Cuarón:
Bate-bola esperto entre Noel Murray e Tasha Robinson no The Dissolve. Ela, aliás, bate muito na tecla de que ver Gravidade em 3D é uma experiência melhor — Alexandre Inagaki também viu assim e reforça a recomendação. Eu vi em 2D e fiquei me perguntando se a dimensão extra é capaz de tornar o que já é espetacular ainda melhor.
Entrevista bacana com Sandra Bullock, no Omelete. Se você tem algum tipo de preconceito com ela, e não dá para negar que há motivos, esqueça-os em Gravidade: sua atuação é brilhante.
No io9, Alfonso Cuarón discute o final de Gravidade. É bem significativo. Só leia isso, claro, depois de ver o filme. Em outra entrevista no mesmo site, ele fala de várias coisas muito legais sobre o filme, incluindo a linguagem mais elaborada que não se esforça para dar tudo mastigado ao espectador e o difícil trabalho de conciliar ficção/entretenimento com fidelidade científica.
E falando em fidelidade científica, se você é do coro dos que reclamam que um filme (um filme, veja bem; não é um documentário) não é fiel à realidade, Neil DeGrasse Tyson e Marcos Pontes deram seus pitacos técnicos sobre Gravidade. Ambos, porém, disseram que curtiram muito o filme.
Como adaptar um sistema com mais de 20 anos para um novo segmento de hardware que tem menos de três? Essa era a missão da Microsoft com o Windows 8: levar seu icônico sistema operacional para o novo mundo de telas sensíveis a toques. O caminho escolhido foi conciliar passado e presente, juntar tudo e oferecer aos usuários um pacote “sem concessões”.
Um ano depois, a aposta não parece ter sido tão bem sucedida. Com o Windows 8.1, lançado oficialmente no mundo inteiro “hoje” (na realidade, amanhã, mas como o parâmetro é a meia noite na Nova Zelândia você já pode baixá-lo), a Microsoft tem à sua frente mais uma chance. Esse hiato foi suficiente para corrigir os problemas da versão anterior?
É difícil avaliar um sistema assim, “2-em-1”, porque é preciso considerar dois cenários bem distintos entre si ou, como espera a Microsoft, um utópico em que eles sejam unificados e trabalhem em harmonia. É sob essa última ótica que a análise abaixo se pauta.
Ignorando a porção moderna, o Windows 8.1 funciona como qualquer outra versão recente do sistema. Não traz nada exatamente novo ou revolucionário, mas funciona — e encare isso como um elogio. Os novos apps em tela cheia, a parte feita para tablets, porém, ainda precisa melhorar. Muito. Mas vamos devagar…
Com o Windows 8.1, você ganha muitas arestas aparadas, mais atenção a detalhes, apps nativos melhorados e mais respeito a quem, por necessidade ou comodidade, prefere ficar na parte “velha” do sistema, na área de trabalho clássica. E o melhor de tudo, sem colocar a mão no bolso.
Atualização gratuita
Quem já roda o Windows 8 pode fazer a atualização gratuitamente via download através da Loja. É só baixar (3,63 GB para a versão Pro) e mandar instalar, como se faz com qualquer sistema da Era Pós-PC.
Usuários que estão em versões antigas terão que pagar, e pagar bem: o Windows 8.1 custa R$ 410, e a versão Pro, R$ 699. Tanto a versão via download, quanto a física, em “caixinha”/DVD, estarão disponíveis, e elas são completas — ano passado a Microsoft só comercializou, a princípio, versões de atualização do Windows 8.
O processo de atualização varia dependendo da versão pré-instalada:
A partir do Windows 7, rola a atualização e todos os arquivos permanecem intactos. O usuário perde apenas os aplicativos instalados.
A partir dos Windows Vista ou XP, não tem jeito: o processo de atualização é, na realidade, uma instalação limpa. Faça um bom backup dos seus arquivos antes de começar.
Onde o Windows 8 pecou
A maior parte das críticas ao Windows 8 tinha como alvo a confusa interface moderna. Em configurações dependentes de teclado e mouse, é preciso utilizar os cantos da tela para revelar comandos vitais ao seu funcionamento. Com uma tela sensível a toques, gestos a partir das bordas cumprem esse papel.
Sem indicadores claros, ainda hoje é comum se deparar com usuários de longa data de versões anteriores do sistema que, no comando da penúltima, não conseguem alternar entre aplicativos, ou voltar à Tela Inicial.
Em usabilidade, isso decorre da falta do que se chama “discoverability”, ou seja, a capacidade de uma interface se fazer entender, de ser intuitiva. É uma das premissas de dispositivos baseados em toques: embora criticado e abandonado recentemente pela Apple, o esqueumorfismo do iOS original tinha muitos nuances que reforçavam sua natureza touchscreen, elementos da interface que diziam, sem falar muito, “toque-me, eu faço alguma coisa”. Coisa da qual o Windows 8, em grande parte, carece.
Como o Windows 8.1 tenta corrigir os erros do passado
Que pese a verdade, o Windows 8.1 não resolve por completo esse problema, ele apenas se mostra mais preocupado com o usuário incauto. A nova versão pega na mão de quem o usa pela primeira vez e o conduz em um tour, aparentemente completo, pelas suas estranhas convenções. Itens familiares que retornam e muitos indicadores e tutoriais cumprem esse papel introdutório.
O botão Iniciar, por exemplo, antes oculto por padrão no canto inferior esquerdo e ativável com o passar do mouse, volta a ser fixo. Quem não retorna é o menu Iniciar; a função do botão continua sendo levar o usuário à Tela Inicial, cheia de blocos dinâmicos com informações atualizadas em tempo real.
Outra providência tomada pela Microsoft foi a produção de tutoriais em vídeo e flechas destacadas indicando os cantos quentes da interface nos primeiros momentos de uso. Alguém pode encarar isso como uma falha grotesca de design, seguindo a lógica de que indicadores tão explícitos para ações tidas como básicas sinalizam uma interface quebrada para início de conversa. Como seria bem difícil a Microsoft voltar atrás em certas decisões, a mim a mais acertada parece ser mesmo tentar consertar o estrago já feito.
A impressão, no geral, é de que com o Windows 8 havia uma confiança exacerbada por parte da Microsoft. Confiança de que o sistema venderia feito água como as últimas versões (incluindo até o desastroso Vista que, até o lançamento do Windows 7, já tinha vendido 400 milhões de cópias) e de que as pessoas aprenderiam a usar uma interface bem diferente da qual estavam acostumadas, baseada em gestos e ações incomuns com o mouse. Em seu review, David Pogue revela que um executivo da Microsoft disse algo nessa linha na época do lançamento do Windows 8:
“Se o Windows 8 não for fácil o bastante para ser entendido sem a leitura de telas de ajuda, então nós falhamos.”
Pelas mudanças vistas no Windows 8.1, a versão anterior falhou e falhou feio. Nenhum sistema baseado em gestos caiu no gosto popular ainda, e não foi o Windows que conseguiu quebrar essa tradição.
Mais amor ao clássico e à personalização
Deixando de lado a atenção com esse atrasado porém válido adendo à experiência básica do sistema, o Windows 8.1 aposta em refinamentos. Como comentei no hands-on da versão Preview quando ela estava fresquinha, em junho, a porção moderna está mais rica em recursos e parece mais madura.
A primeira leva desses novos apps era vergonhosamente limitada. A nova ainda não parece fazer frente aos apps clássicos em utilidade e desenvoltura, mas é definitivamente mais robusta, a ponto de a Microsoft classificar o app de email nativo, um dos mais criticados (e com razão), como “a melhor experiência de email em um tablet”. O de fotos agora permite edições simples, e há novos e bem-vindos apps, dos básicos (calculadora, alarme, gravador de áudio) a uns bem peculiares (lista de leitura, um de receitas, outro controverso de saúde). O sistema como um todo está mais atraente e flexível, o que, para um negócio tão largamente usado e com tantos perfis diferentes no comando, é algo bem-vindo.
Lista de Leitura
Saúde e Bem Estar
Alarmes
Bebidas e Receitas
Calculadora
Gravador de Som
Temos os tutoriais, o botão Iniciar de volta, apps nativos mais robustos. Vale destacar, também, os novos itens de personalização. Em um ano de Windows 8, raras foram as vezes em que me aventurei pela porção moderna do sistema — e esse cenário, pelo menos com usuários com quem converso vez ou outra, gente mais próxima, está longe de ser exceção.
A área de trabalho clássica, no Windows 8, parece uma coisa desleixada, uma parte renegada que a Microsoft teve que engolir para não afetar tanto clientes corporativos. No mundo real, ela deve ter visto via telemetria e em pesquisas de opinião que, não, ainda não é a hora de abdicar dela. Sendo assim, é bom ver mais amor ao clássico no Windows 8.1.
De pronto, duas mudanças tornam a integração clássico-moderno mais suave. O papel de parede da área de trabalho pode, agora, ser replicado no fundo da Tela Inicial. É um detalhe quase bobo, mas que une sutilmente duas partes do sistema tão distintas em todos os demais. Outro bacana é a possibilidade de entrar direto na área de trabalho após o logon. Isso pode relegar a Tela Inicial a um ostracismo ainda maior àqueles que só clicam no bloco da área de trabalho após ligar o equipamento, mas de qualquer forma é bom ver a vontade do usuário prevalecer.
A Tela Inicial também recebeu melhorias. Novas animações para o fundo, flexibilização do padrão de cores para a interface, dois novos tamanhos para os blocos. A exibição de apps em lista pode ser definida como padrão, um formato mais funcional para mouse e teclado. Nada muito drástico, mas pequenas mudanças que agregam.
Apps modernos podem ser colocados lado a lado nas proporções que o usuário quiser, e mais de dois dividem a tela numa boa — dependendo da resolução que você usar. As amarras foram afrouxadas, e os supostos problemas que levaram a Microsoft a engessar tanto o Windows 8 não se verificam na prática. Tudo bem, tudo bem: às vezes o redimensionamento de um app fica estranho (Twitter, por exemplo), mas isso é Windows. Você pode fazer o que quiser, só que sem a garantia de que tudo vá funcionar como o desejado. Melhor que seja assim.
As peças mais importantes: SkyDrive e Bing
Sempre achei o SkyDrive um negócio muito legal e pouco aproveitado pela Microsoft. De um ano para cá, a empresa vem dando mais atenção ao serviço. E não é por menos: se ser uma empresa de serviços e produtos é o novo foco da Microsoft, ter uma solução “tudo-em-um” na nuvem é essencial.
No Windows 8.1, o SkyDrive vira o local padrão para salvar arquivos. O app moderno é o Windows Explorer moderno. Ele vem pré-instalado, melhor integrado na porção clássica do sistema (nada de dois apps para a mesma coisa) e usa um mecanismo pra lá de genial chamado Smart Files que borra as linhas que separam o armazenamento local do na nuvem.
Com os arquivos inteligentes, o SkyDrive torna indexável todo o conteúdo existente em sua conta, na nuvem, sem que eles estejam armazenados localmente. Arquivos na nuvem são sincronizados parcialmente, apenas com pré-visualizações (imagens) e meta dados, habilitando pesquisas e outras atividades gerenciais. Quer usar um? Abra-o e o sistema fará o download instantaneamente, liberando o acesso offline. Vai ficar longe da Internet e precisará de um arquivo específico? Clique com o botão direito e marque-o para estar disponível nessa situação.
Em desktops, com HDs que extrapolam a casa do tera byte, não é algo de muito impacto, mas em tablets com até 16 GB, isso pode vir a calhar. Conceitualmente é um mecanismo similar ao do Google Play Music, app/serviço do Google para Android que faz um cache dinâmico das suas músicas armazenadas na nuvem.
O Bing Smart Search é o equivalente ao Spotlight, da Apple, no universo Windows. Ele pesquisa conteúdo local, na nuvem, na web, contextualiza e faz umas tabelinhas espertas com apps como o Xbox Music, SkyDrive e o da Wikipedia. A exemplo de todo mecanismo de busca em sistemas modernos, ele deixou de ser um app dedicado para ser embutido no sistema. Quer usá-lo? Abra a Charm bar e comece a digitar. Como deveria ter sido desde o começo.
Está bom, mas pode ser melhor
Não tem sido raro ver produtos chegando ao consumidor precocemente, sem a lapidação que se espera de um lançamento comercial. A Microsoft teve três anos para construir o Windows 8 a partir do 7, mas ainda assim parece ter faltado tempo. Um ano a mais, esse ano gasto para a realização do Windows 8.1, poderia ter sido útil para uma recepção menos azeda. Recepção essa que pode sair cara para a Microsoft: dá para recuperar a confiança perdida? Ou a primeira impressão é a que fica?
Foto: Rodrigo Ghedin.
As reclamações dos usuários devem ter tido um papel importante no processo de atualização para o Windows 8.1, logo é provável que nem com todo o tempo do mundo a Microsoft acertaria de primeira. Agora, com atualizações aceleradas, lançadas anualmente, ainda há muito trabalho a ser feito. Mesmo melhor com o lançamento de hoje, frente a iOS e Android o Windows ainda fica devendo.
Agradar a usuários de notebooks e computadores e, ao mesmo tempo, de tablets, é difícil. São cenários diferentes e, um ano depois, sejamos francos: essa história de sistema sem concessões é simplesmente ruim. Existem concessões, várias delas, e os passos que o Windows 8.1 dá para trás a fim de agradar usuários insatisfeitos confirmam essa teoria. É um diferencial de mercado, e um bem curioso, mas como discutia dia desses no Twitter, não é por ser um diferencial que uma decisão de design se torna necessariamente boa para quem importa, ou seja, para mim e para você.
Talvez estejamos em uma era primitiva, em uma equivalente ao que o Android era até 2011, ou à que o próprio Windows foi antes do XP. De repente, com SoCs poderosos em equipamentos leves e confiáveis, daqui a dois, três anos o que o Windows 8 se transformar será a melhor solução para o consumidor médio. Hoje, ele se apresenta como um sistema confuso, tentando conciliar dois universos muito distintos entre si, trazendo mais dor de cabeça do que vantagens para consumidores, de desktops/notebooks e de tablets/telas sensíveis a toques.
Se você tiver grana para um bom ultrabook e um tablet, os dois separados, vá com esse combo. É uma solução bem mais acertada e confortável de usar do que um híbrido desengonçado com Windows. E se nem o Surface, carro-chefe da plataforma feito por quem faz o software, impressiona, o que esperar dos demais?
O Windows 8.1 dá passos firmes na direção certa, resolve várias complicações da versão anterior, mas ainda sofre de decisões de projeto impossíveis de serem mudadas agora. O ritmo anual de atualizações e essas com a promessa da gratuidade formam uma base sólida para que as mudanças necessárias sejam implementadas, mas talvez o problema seja mais profundo, talvez seja irremediável. O futuro pode ser promissor, mas o presente, embora melhor, ainda não convence.
A Sony, não por acaso, vem se destacando bastante na fotografia digital. Sua linha NEX de câmeras mirrorless entrega um ótimo custo-benefício, e a linha RX combina corpos de compacta de lentas fixas com sensores enormes — uma conta que até pouco tempo atrás não fechava. A última investida? As novas Sony A7 e A7R, as primeiras mirrorless com lentes intercambiáveis a virem com sensor full frame.
As duas foram anunciadas ontem e, apesar do nome, parecem mais evoluções da linha NEX. (Esse nome, aliás, se aposenta e a partir de agora todas as futuras mirrorless da casa serão abrigadas sob a marca Alpha.) Antes de entrarmos nos pormenores das novas câmeras, é importante saber o que, afinal, é um sensor full frame.
Sensores: quanto maior, melhor
Se você entende um pouco de fotografia, pule esse e próximo tópicos. Se não, acompanhe-me.
Fotografia é, na própria definição da palavra, “desenhar com luz”. O trabalho que uma câmera digital tem é captar a luz através da lente permitindo que ela alcance o sensor que, por sua vez, “traduz” o que vê em bits que são processados internamente, gerando a imagem que, por fim, é gravada na memória (interna ou, o que é mais comum, em um cartão SD ou similar).
O sensor é para a fotografia digital o equivalente ao filme para a analógica, tanto que o termo full frame é referência ao tamanho completo de uma “pose” de filme analógico (35 mm). Na prática, quanto maior o sensor, maior a qualidade das imagens, já que ele captura mais informação, pixels maiores, do que um com fator de corte. Outra vantagem desse sensor é lidar melhor com lentes grande angulares — a área real fotografada é maior do que em câmeras com sensores pequenos, ambas utilizando lentes com a mesma distância focal.
É o tamanho reduzido do sensor, por exemplo, que torna fotos de celulares e câmeras compactas tão ruins em situações de baixa luminosidade. Há uma limitação física ali, e não há pós-processamento no mundo que substitua os benefícios de um sensor grande.
Abaixo, um comparativo entre os tamanhos de sensores do iPhone 5, Lumia 1020, um APS-C (Sony NEX-5R) e um full frame (Nikon D800):
Sensores de imagens: iPhone 5, Lumia 1020, NEX-5R e D800. Gráfico: Sensor Size.
Na prática não é difícil perceber as diferenças nos resultados que sensores de tamanhos diversos entregam. Uma foto gerada por um sensor pequeno traz mais ruído e menor definição, especialmente se houver pouca luz na hora do clique. Essas diferenças ficam bem destacadas em tamanho natural, mas que até passam quando as fotos são redimensionadas ou exibidas em tamanhos menores, como é comum na web. Apesar disso, para quem imprime, precisa de qualidade absoluta ou apenas se interessa em resultados mais satisfatórios, não abre mão de um grande sensor.
Uma câmera mirrorless é, como o termo entrega, uma que dispensa espelhos. Câmeras analógicas e todas as DSLR usam um jogo de espelhos para levar ao viewfinder o que está à frente da lente. Quando o fotógrafo aperta o disparador, o espelho se move para deixar a imagem atingir o sensor — é por isso que nessas câmeras o viewfinder fica “preto” quando a foto é batida; nesse momento, o espelho se mexe e o reflexo que leva a imagem ao olho do fotógrafo se perde.
As mirrorless abdicam dos espelhos em prol de tamanhos mais compactos e corpos mais resistentes (leia-se: com menos partes móveis). A perda do viewfinder ótico (OVF) é compensada por uma tela na parte de trás (mais comum/barato) ou um nos moldes do OVF, mas eletrônico (EVF) — caros e, segundo fotógrafos mais experientes, lentos. São desvantagens que, para um fotógrafo amador ou entusiasta, não fazem lá muita diferença na prática. A falta do viewfinder, ótico ou eletrônico, pode atrapalhar na hora de fazer fotos ao ar livre, já que as telas não têm visualização muito boa sob o Sol.
As Sony A7 e A7R trazem o sensor full frame para o segmento das mirrorless com lentes intercambiáveis. Há quem diga que esse é o prenúncio do fim das DSLRs, mas talvez seja cedo para afirmar algo tão drástico. De qualquer forma, parecem duas câmeras bem sensacionais e certamente farão barulho quando forem lançadas.
Sony A7 e A7R: as primeiras mirrorless com sensor full frame
Sony A7R. Foto: Sony/Reprodução.
Por fora, a A7 e a A7R são bem parecidas. Ambas são relativamente pequenas, pretas e com um visual meio retrô. Quem já colocou as mãos nelas (The Verge, Engadget, por exemplo) no evento que a Sony organizou mais cedo em Londres, disse que as duas são bem sólidas, que a disposição dos botões e dials é acertada e a quantidade deles, generosa.
Pelas especificações e características, parece que a A7 é mais voltada para entusiastas, enquanto a A7R foca em profissionais. As diferenças entre as duas são as seguintes:
O sensor da A7 é um tipo CMOS com 24,3 mega pixels de resolução, enquanto o da A7R conta com 36,4 mega pixels.
A A7 conta com um sistema de foco automático híbrido: além do foco via detecção de contraste (25 pontos), conta também com um sistema de detecção de fases no chip (totalizando 117 pontos), o que permite tirar até cinco fotos por segundo com foco contínuo. A A7R tem apenas o primeiro tipo porque, de acordo com a Sony, ela não tem um filtro ótico low pass, uma espécie de anti-aliasing, um artifício usado para suavizar fotos em situações complicadas. A ausência dele garante maior definição à A7R.
A construção é ligeiramente diferente. Na A7, o uso de liga de magnésio se restringe à área frontal e superior. Na A7R, ele se estende aos dials superiores e ao grip (aquele “calombo” frontal de apoio para a mão direita do fotógrafo).
De resto, são câmeras idênticas. Ambas possuem o novo processador de imagens BIONZ X, inegavelmente mais poderoso que seus antecessores para dar conta das enormes fotos geradas pelas câmeras. Ele traz algumas novidades listadas pela Sony com termos vagos, como “Tecnologia de Reprodução de Detalhes”, que parece ser um sistema de definição mais sutil, “Redução de Difração”, que promete eliminar o excesso de suavização em fotos tiradas com aberturas grandes, e melhorias no sistema inteligente de redução de ruídos.
A tela na parte de trás tem 3″ e 1,23 milhões de pontos móvel (84º para cima, 45º para baixo), e o EVF, chamado Tru-Finder, resolução XGA com 2,4 milhões de pontos e tecnologia OLED. Alguns têm criticado o formato que lembra viewfinders óticos, desnecessário em uma mirrorless, mas além do visual mais familiar, aparentemente ele ajudar a inibir a entrada de luz externa.
As duas gravam vídeos em Full HD a 60 ou 24 quadros por segundo com a opção de saída HDMI sem compressão, e vêm cheias de conexões específicas para gravação, como entrada para microfone, saída para fones de ouvido e uma sapata dinâmica que aceita vários acessórios.
Foto: Sony/Reprodução.
Por fim, Wi-Fi e NFC para transferência de fotos sem fio, disparador remoto e outros recursos a serem usados em conjunto com o app PlayMemories Mobile, disponível para iPhone e Android. O NFC, além de transferir fotos, permite duplicar a configuração do ponto de acesso Wi-Fi de um celular para a câmera simplesmente encostando os dois dispositivos.
Lentes
Lente 28-70 mm F3.5-5.6 OSS que acompanha a A7. Foto: Sony/Reprodução.
De cara, as novas A7 e A7R contam com cinco lentes da Sony e Carl Zeiss, todas elas, a exemplo das câmeras, seladas contra poeira e umidade. Apenas duas, porém, estarão disponíveis no lançamento: a 28-70 mm F3.5-5.6 OSS, que acompanha a A7 e não será vendida separadamente, e a 35 mm F2.8 Carl Zeiss, que até fevereiro de 2014, quando a terceira será lançada, deve ser a única opção para os donos da A7R.
“Única”, já que o encaixa é o padrão E-mount, o mesmo usado na linha NEX. O problema é que usar uma lente antiga nas novas A7 e A7R implicará em um fator de corte, afinal elas foram concebidas para câmeras com sensor APS-C, menor que um full frame. O DPReview tem um bom comparativo da área que se perde usando uma antiga lente E-mount nas novas câmeras full frame. Com o uso de adaptadores, lentes no padrão A-mount também poderão ser usadas.
O estigma de que lentes no padrão E-mount são caras continua. A mais barata dessa primeira leva, a 35 mm F2.8 Carl Zeiss, tem preço sugerido de US$ 800!
Até 2015 a Sony planeja ter 15 lentes E-mount para câmeras full frame em seu portfólio.
Preços e disponibilidade
(O vídeo acima, da Sony, faz um tour pelas novas câmeras. Bacana para conhecer a interface, e ela parece mesmo bem arranjada, e ver o tamanho delas em situações reais, como quando segurada por uma pessoa. Várias dúvidas e características também são comentadas. Vídeo em inglês e sem legendas.)
As duas câmeras serão lançadas em dezembro, nos EUA. A Sony A7 será oferecida em dois pacotes, um só com o corpo, por US$ 1.699, outro em kit, com uma lente 28-70 mm F3.5-5.6 OSS, da própria Sony, por US$ 1.999.
A A7R sairá por US$ 2.299, sem kit com lente, apenas o corpo.
São câmeras caras, sim, mas a par e até mais baratas que as DSLRs com quem pretende disputar espaço, como Nikon D800 e Canon 6D. Se o futuro da fotografia profissional são câmeras compactas com sensores enormes, a Sony dá, com a A7 e principalmente a A7R, um passo firme na direção certa.
Para um hands-on que não chega a ser review, mas traz boas sacadas e impressões sobre as duas novas câmeras, leia o hands-on do DPReview (em inglês). No mesmo site, este post traz o press release e uma tabela com as especificações.
É bem provável que você já tenha se pego rolando páginas sem fim de redes sociais no computador ou celular em uma noite de sexta-feira. E o pior é que, por um bom momento, aquilo bastou. Mas cedo ou tarde a insatisfação ou o cansaço, o que veio primeiro, bateu forte e você foi para a cama dormir. Deprimido, provavelmente.
Gasta-se muito latim para tentar entender por que a tecnologia tem nos deixado mais tristes e solitários. Um dos trabalhos mais amplos no assunto é o livro Alone Together: Why We Expect More From Technology and Less from Each Other, da socióloga norte-americana Sherry Turkle.
Em uma das minhas últimas idas a São Paulo reuni alguns amigos em uma cafeteria da Alameda Santos e, sendo a maioria jornalistas que escrevem ou já escreveram sobre tecnologia, o papo acabou descambando para esse lado.
O Pedro levantou as sobrancelhas de alguns dos presentes quando disse que, hoje, se houver três notícias de tecnologia revelantes por dia é muito, e que todo o resto é basicamente dispensável.
Aquilo ficou martelando a minha cabeça.
Mais recentemente, Evan Williams, do Blogger, Twitter e Medium, disse ao TechCrunch algo na mesma linha:
“Notícias em geral não importam na maior parte do tempo e a maioria das pessoas estaria melhor se gastasse seu tempo consumindo menos delas e mais ideias com efeitos de longo prazo.”
Ele também disse que blogs de tecnologia são escritos por incompetentes e todos muito ruins, mas esse é outro papo :-)
A importância que a tecnologia de consumo ganhou na vida das pessoas, principalmente depois do “boom” dos smartphones em 2007~2008, fez crescer também a atenção dada a essa área. Mesmo com esse fator jogando contra as declarações do Pedro e do Ev, uma análise menos apressada revela que talvez não seja mesmo preciso gastar tanto teclado para manter os interessados por dentro do que rola e que, com certeza, há muito ruído no noticiário de tecnologia. Na Internet de modo geral, mas especialmente nessa área.
Existe uma série de culpados que força boa parte da imprensa a dar atenção a rumores, falar incessantemente de Apple, entrar nas briguinhas de fanboys e apelar para curiosidades que mereceriam no máximo um tuíte, mas o principal é a publicidade. Ainda calcada em métricas questionáveis como page views, ela coloca o bom jornalismo contra a parede. É um problema crônico e de longa data sobre o qual não me prolongarei muito aqui — aos interessados, e recomendo que todos estejamos, leiam isto.
Outras questões meio relacionadas merecem crédito também, como o tratamento que alguns veículos dão ao tema, como se tudo fosse super incrível e maravilhoso, e aos leitores, ignorando a bagagem e o conhecimento deles, mantendo aquele desnivelamento típico de professor-aluno de escolas antiquadas, como se a relação site-leitor fosse uma via de mão única.
Dá para fugir disso? Dá para fazer diferente? Acho que sim, e é isso o que tentarei neste Manual do Usuário.
Mas… quem é você?
Foto: Laura Mariane/Arquivo pessoal.
Oi, meu nome é Rodrigo Ghedin — esse cara boa pinta aí em cima. Sou bacharel em Direito, estudo Comunicação e nunca trabalhei com outra coisa que não jornalismo de tecnologia. Comecei nisso, aos trancos e barrancos, em 2002, e desde então integrei equipes de alguns sites e blogs muito legais.
Tudo começou no WinAjuda, site próprio que criei quando ainda estava no Ensino Médio e, oito anos depois, vendi para uma editora. Em 2009 fui para o Meio Bit, onde fiquei por dois anos. Depois teve os meteóricos seis meses de Gemind, no final de 2011, minha segunda investida independente que fracassou por ser muito ambiciosa e, em certa medida, ingênua. Nesse meio tempo, colaborei timidamente com o TechTudo, da Globo.com, assinando uma coluna sobre a Microsoft. No começo de 2012 fui para o Gizmodo.
Lá, aprendi muito sob a batuta do Pedro e, depois, do Leo, ao lado do Felipe, Nina, Giovanni, Daniel, André e Ana, e com o apoio de todo o corpo de profissionais da F451 — é um punhado de gente! Mesmo remotamente, deu para sentir mais ou menos o clima de uma redação e apurar a visão que eu tinha desse universo. Ter mais cautela, mais paciência, ser mais curioso. No fim, acho que aprendi a ser mais profissional.
Esse caminho, com umas partes das quais me orgulho um bocado, algumas viagens fascinantes e uns encontros não muito legais da minha cara com o muro, culmina neste blog que você está lendo, no Manual do Usuário.
Mais um blog de tecnologia?
Sim, mas um diferente. E é nessa diferença que ele se justifica.
Se tudo correr bem, você ficará satisfeito ao fim de cada leitura que fizer aqui, terá compreendido e internalizado o tema proposto e, talvez, ficará com um gostinho de quero mais que poderá ser saciado na seção de comentários.
A ideia é levar aquele papo de três notícias por dia (no máximo!) ao pé da letra, apegar-se à filosofia slow web1 e oferecer conteúdo único e de alta qualidade. Você não lerá nada exatamente novo aqui. Não tenho e nem quero o compromisso de ser o primeiro a dar uma notícia, não é essa a ideia. O objetivo é dar a notícia que importa e de maneira completa. Contextualizada, questionada, esmiuçada.
Além das notícias, há outra parte importante nessa receita: os textos longos, bem trabalhados, demorados, como alguns que fiz nos últimos meses pelo Gizmodo — veja isto e isto para entender. Lá fora chamam esse estilo de “longform journalism”; aqui, já ouvi falar em “leitura de fôlego”, mas não tenho certeza se esse é o termo correto. E não importa. O que interessa é que serão textos fora da curva, lapidados, redigidos depois de muita leitura, pesquisa e reflexão. Note que até o visual do blog denota esse ar mais… artesanal. (Aliás, curtiram?) Os assuntos? O que for legal e/ou importante.
Quando Tim Stevens, ex-editor-chefe do Engadget, anunciou sua ida à CNET, ele escreveu em seu blog:
“Embora a cena de notícias de tecnologia esteja muito saturada, ainda há um monte de histórias não contadas apenas esperando atrás das cortinas. Quando o ritmo das notícias é intenso dessa forma, poucos escritores têm o luxo ou a paciência de se aprofundar, não só para responder o que determinado objeto é, mas por que ele é. Que fatores contribuíram para seu design, seu desempenho, seus recursos e seu custo? E então, depois que os reviews são publicados e a indústria se move em sua sua eterna obsessão para saber o que vem a seguir, como o que já está aqui se encaixa de fato em sua vida? Cada novo produto e avanço tecnológico tem uma história. Trabalharei para contar, de forma exaustiva e respeitosa, essas histórias.”
Longe de mim comparar-me ao Tim, mas ler esse parágrafo reforçou a ideia de que havia essa lacuna e que as condições eram favoráveis para tentar.
Legal! Por onde começo?
Foto: Rodrigo Ghedin.
Pensei em explicar logo de cara a linha editorial do Manual do Usuário, mas talvez seja mais divertido se vocês verem essas coisas nascendo aqui e ali. O arquivo já conta com algumas notícias recentes. Novos estão a caminho, incluindo os especiais a que me referi acima. Os podcast serão trazidos para cá e, por ora, podem ser ouvidos direto da fonte (caso queira assiná-lo, este é o feed RSS e aqui ele na iTunes Store). Recomendo também dar uma lida no “Sobre”, especialmente o trecho onde explico como planejo manter isso funcionando — você pode ser parte importante para fechar os números no final do mês e é, sem dúvida, a mais importante no que condiz a termos de uso e privacidade.
Como é praxe hoje, acompanhe as novidades via Twitter, Facebook, Google+, RSS ou assinando a newsletter gratuita do site. Você também pode se tornar assinante e ganhar acesso ao “lado B” do site, com alguns benefícios como a versão “premium” da newsletter. Nela, além do resumão semanal deste blog, compilo e comento links bacanas que encontro por aí. Quem assina, adora.
(Pretendo publicar apenas links dos posts, um “giro de notícias” diário e responder dúvidas no Twitter do Manual do Usuário. Para um papo mais descontraído e comentários rápidos sobre tecnologia, além de umas piadas ruins e tuítes sem nexo ocasionais, siga meu perfil pessoal por lá.)
Os comentários, como dito, estão abertos. Lerei todos, responderei quando convir. Puxe um banquinho, abra a geladeira, pegue uma cerveja e não se sinta intimidado para falar. Isso será legal!
Slow web é um movimento recente que chama a atenção para a celeridade da informação na web e de como isso nos faz mal. Como uma analogia ao Slow Food, Jack Cheng prega, em seu manifesto, que desaceleremos e saibamos aproveitar o que a web tem de melhor em vez do que ela oferece mais rápido. Escrevi sobre isso no PapodeHomem. ↩
A Microsoft oficializou a terceira atualização do Windows Phone 8. Antes conhecida como GDR3 (de “General Distribution Release”), ela agora se chama apenas Update 3 e traz, além de pequenos incrementos para quem já tem um smartphone com o sistema, requisitos mais elevados para futuros lançamentos. O Windows Phone entra na briga dos phablets, os smartphones grandões que se destacam no universo Android.
O anúncio foi feito no blog oficial e pôs fim à sucessão de rumores que precede novas versões de qualquer sistema móvel. O Windows Phone Update 3, embora traga mais novidades que seus dois antecessores, não tem, dentre elas, alguma grandiosa. Diz-se que GDRs são para o Windows Phone o que Service Packs eram para o Windows, e a analogia talvez seja acertada.
Preparando terreno para o Lumia 1520 e outros phablets
Não está na pauta do Manual do Usuário falar de rumores, mas a essa altura do campeonato, e para contextualizar as mudanças mais importantes do Windows Phone 8 Update 3, não tem como deixar de lado o iminente anúncio do Lumia 1520, codinome “Bandit”, que deve ocorrer no evento da Nokia marcado para 22 de outubro. Este deverá ser o primeiro phablet com o sistema da Microsoft do mercado. Para acomodá-lo, o Windows Phone ganhou novos poderes — o post da Microsoft cita “dispositivos com telas de 5 e 6”.
Ele agora aceita resolução Full HD (1920×1080) e adapta tela inicial e apps nativos para esse novo formato. A tela inicial ganha uma terceira coluna de ícones (veja na imagem abaixo) que, como ressaltou Joe Belfiore no Twitter, é exclusiva para aparelhos com tal resolução, e apps nativos são redimensionados para aproveitar o espaço extra.
À esquerda, Windows Phone 8 com duas colunas. À direita, com três, para telas Full HD. Screenshots: Microsoft/Reprodução.
Por baixo dos panos, agora há suporte ao Snapdragon 800, SoC quad core da Qualcomm que equipa alguns dos smartphones Android mais poderosos do momento, como Galaxy Note 3 e LG G2. Até então, os Windows Phone topos de linha usavam um Snapdragon S4 Pro dual core. Não que fosse preciso — o sistema roda liso até em configurações mais modestas –, mas esse poder extra em processamento deve blindar os novos modelos contra a ação do tempo e dar um gás extra para jogos que fazem uso intensivo de CPU e GPU.
O Update 3 destina-se a todos os smartphones que rodam Windows Phone 8, mas as novidade acima, por motivos óbvios, são restritas a novos aparelhos. Para todos os demais, teremos o que se segue abaixo.
As novidades do Windows Phone 8 Update 3
Modo de direção
Quando o smartphone estiver pareado via Bluetooth com um carro, entrará em ação o modo de direção (“Driving Mode”, no inglês). Há potencial aqui, e talvez ele já seja explorado nessa versão, mas o post da Microsoft limita-se a dizer que o modo de direção foi criado para reduzir distrações.
Por “reduzir distrações”, entenda diminuir a quantidade de notificações na tela de bloqueio e, opcionalmente, pré-programar mensagens que são enviadas a quem tenta ligar ou manda um SMS para o dono do aparelho.
De cara, penso em coisas como pré-programar o player de áudio e o GPS para abrirem automaticamente nesse cenário, mas como dito nada foi informado e é bem provável que esses usos mais elaborados não se materializem nessa atualização.
Novas opções de acessibilidade
O Windows Phone Update 3 traz mais opções de acessibilidade. Segundo a Microsoft, são vários apps, incluindo um leitor de telas, que ajudarão usuários cegos ou com dificuldades de visão a usar melhor o sistema, inclusive com alertas sonoros de notificações tradicionalmente apenas gráficas.
Compartilhamento de Internet
O uso de smartphones com Windows Phone 8 como hotspots foi facilitado. Ao pareá-lo com um dispositivo com Windows 8.1, basta selecionar a rede e a conexão será estabelecida, sem que seja preciso inserir senha ou que se faça qualquer configuração adicional.
Outra coisa legal relacionada a essa área é que, agora, dá para ativar uma conexão Wi-Fi durante a configuração inicial do smartphone. Até então, o usuário não tinha escolha além da rede da operadora.
Tela inicial com três colunas.
Modo de direção.
Ringtones personalizáveis.
Travar a orientação da tela.
Ringtones mais flexíveis
Mensagens instantâneas, emails, mensagens de voz e lembretes podem, agora, ser configurados com toques personalizados. Nos contatos, o barulho de notificação para novas mensagens (SMS), também.
Melhorias no gerenciamento de espaço
A Microsoft promete facilitar o gerenciamento de espaço no smartphone com formas mais simples de apagar aquele ocupado por arquivos temporários e um novo modo de visualização que facilita identificar o que está ocupando espaço no aparelho.
Fechar apps facilitado
Para fechar um app, foi inserido um “X” no canto superior direito das miniaturas que surgem ao ativar a multitarefa.
Bloqueio da rotação
Outra da série “antes tarde do que nunca”, agora existe uma opção para travar a orientação da tela — em modo retrato ou paisagem.
Melhorias no Bluetooth
Mais vago que o usual, o post diz que a equipe fez “um punhado de melhorias para melhorar a qualidade da conexão com acessórios Bluetooth”. Suporte à versão 4.0? Bluetooth Low Energy? Ninguém sabe.
Boas novidades, mas serão suficientes para encarar a concorrência?
Todas essas novidades mais visíveis se somam a “centenas de ajustes e melhorias em desempenho” feitas nos bastidores do sistema. O Windows Phone 8 Update 3 chega pouquíssimo tempo depois da atualização GDR2, que habilitou rádio FM em dispositivos compatíveis, trouxe o Data Sense e outras melhorias pontuais.
É bom ver a Microsoft ativa com o Windows Phone, mas a timidez dessas atualizações e o muito provável adiamento do Windows Phone 8.1 sugerem que ainda falta velocidade nesse processo. Muito do que vem sendo feito é trabalho de base: suporte a hardware atualizado e buracos básicos do sistema sendo tapados. Coisas que Google e Apple já fizeram há tempos.
E embora o início da distribuição do Update 3 esteja marcado para “as próximas semanas”, no próprio post em que o anunciou a Microsoft diz que ele “pode se estender por vários meses”. A atualização Amber, da Nokia, que engloba a GDR2, ainda está “esperando por aprovação” em alguns aparelhos e operadoras no Brasil, por exemplo.
Para os mais aventureiros, pelo menos, desta vez existe um atalho para colocar as mãos no Update 3: o caminho dos desenvolvedores.
Windows Phone Preview para desenvolvedores
Junto à oficialização do Windows Phone 8 Update 3, a Microsoft anunciou um novo programa para que desenvolvedores tenham acesso antecipado às versões recém-lançadas do sistema.
O Update 3 não traz novas APIs, mas os apps precisarão de ajustes para ocuparem toda a tela de dispositivos com resolução Full HD, o que por si só já valida esse acesso antecipado. Em futuras versões, quando houver mudanças/novas APIs, isso será ainda mais importantes.
A grande sacada para meros mortais? Embora destinado a desenvolvedores, o programa não é exclusivo a eles. Basta ter um cadastro de desenvolvedor para ser elegível. E com o App Studio, esse cadastro é gratuito — para até um dispositivo, e um que seja “developer-unlocked”; membros do programa convencional, que atualmente custa US$ 19/ano, têm direito a até três dispositivos.
Fazendo esse cadastro, as atualizações do Windows Phone passam a surgir através da Loja, tal qual a do Windows 8/8.1. Existem alguns poréns, levantados pelo WPCentral, que merecem atenção:
O programa contempla apenas atualizações oficiais do Windows Phone. Para quem tem um Lumia, por exemplo, as atualizações exclusivas da Nokia, como a Amber que veio junto à GDR2, ficam de fora.
Entretanto, quando essa obtida pelo programa da Microsoft estiver disponível por vias oficiais (da fabricante/operadora) para seu aparelho, ele a receberá normalmente.
A atualização é uma via de mão única, ou seja, não dá para fazer downgrade (voltar à versão anterior).
Ela anula a garantia da fabricante.
O último ponto é o mais grave, mas para quem já está com seu Windows Phone há um bom tempo e tem comichão para conferir as novidades do sistema, pode ser uma boa.
O que ficou para o Windows Phone 8.1
Suposto Lumia 1520, o primeiro Windows Phone com tela Full HD e SoC quad core. Foto: @evleaks/Twitter.
Questionado por Ina Fried, do AllThingsD, sobre o impacto dessas atualizações menores para a plataforma, Joe Belfiore disse que elas têm sido cruciais para que a Microsoft e seus parceiros avancem em novos mercados e segmentos.
Na prática, significa que quem já tem um Windows Phone, apesar das novidades incrementais, não vê nada realmente novo. O Windows Phone 8 completará um ano no final deste mês e a sua primeira grande atualização, ao que tudo indica, ficará para 2014. A urgência por um grande update aumenta quando colocamos na balança a ausência de recursos básicos já comuns no Android e iOS, como uma central de notificações, e mesmo entre os usuários mais assíduos o descontentamento com a plataforma já se nota.
É uma batalha perdida? Longe disso. O amadurecimento do Windows Phone, embora talvez não esteja no ritmo ideal, vem acontecendo. Novos apps estão surgindo e a compra da Nokia pela Microsoft indica que há um grande comprometimento da empresa com o sistema. Ele talvez não chegue ou demore um tanto para alcançar os concorrentes em recursos e, principalmente, disponibilidade de apps populares, mas quem decidiu apostar em um Windows Phone tem cada vez menos motivos para arrependimento.
O Lumia 1020, atual smartphone topo de linha da Nokia, foi enfim anunciado no Brasil. E já está à venda, em versão com 32 GB de espaço interno, por R$ 2.399. Além dele, chega também no país o Lumia 925, a versão magrinha do Lumia 920.
Em evento realizado no Rio de Janeiro, a Nokia mostrou seus dois últimos Windows Phones lançados — e provavelmente os dois penúltimos, literalmente falando, já que o 1520, a ser anunciado semana que vem, será o último com da marca finlandesa antes da venda para a Microsoft ser finalizada.
Lumia 1020: câmera de 41 mega pixels e 4G brasileiro
Foto: Nokia/Reprodução.
O Lumia 1020 é a união do Windows Phone, atual sistema carro-chefe da Nokia, com a câmera de 41 mega pixels PureView, até então exclusiva do Nokia 808, o último smartphone com Symbian, lançado ano passado.
A câmera utiliza esse latifúndio de pixels para incrementar os detalhes, melhorar a definição e diminuir o ruído das fotos. Elas podem ter 38 ou 34 mega pixels, dependendo da proporção escolhida (4:3 ou 16:9, respectivamente), e em paralelo são geradas fotos de 5 mega pixels, para compartilhamento em redes sociais e outras atividades que demandam agilidade, compostas por “super pixels” que resultam do excesso deles nas imagens em tamanho original. A esse processo a Nokia chama oversampling, e você lê boas explicações sobre ele no Tecnoblog e no ZTOP. Isso, somado a uma abertura grande (f/2,2) e um sistema de estabilização ótica de imagens, destacam a câmera do Lumia 1020 da multidão. Não tem igual no momento.
(O vídeo acima, da Nokia, explica com um pouco de lirismo os recursos e vantagens da câmera PureView de 41 mega pixels do Lumia 1020.)
O Lumia 1020 é, com exceção da sua câmera, bastante parecido com o Lumia 920, lançado junto com o Windows Phone 8 e também detentor da grife PureView, ainda que com uma câmera mais modesta, de oito mega pixels. Há algumas outras pequenas diferenças, como mais RAM à disposição (2 contra 1 GB), tecnologia de tela (AMOLED contra LCD IPS) e espessura e peso menores, mas quem já conhece o antecessor não deve estranhar o novo aparelho.
No Brasil, o Lumia 1020 chega nas cores branca, preta e amarela (!), em versão de 32 GB e compatível com o nosso 4G por R$ 2.399. Não é barato e se a tendência dos Lumias se mantiver aqui, em alguns meses esse valor deve cair bastante. Uma versão exclusiva da Vivo, com 64 GB de espaço interno, também desembarcará no Brasil. Ninguém sabe quando, nem por quanto.
O gráfico abaixo mostra os preços sugeridos, em Reais, pelas fabricantes para todos os grandes lançamentos de smartphones feitos no Brasil em 2013:
O Camera Grip, acessório que acoplado ao Lumia 1020 o deixa com jeitão de câmera dedicada, com uma lombada para apoio na hora de fotografar, botão de disparo dedicado, encaixe para tripé e bateria extra, também está disponível no Brasil. Preço: R$ 199.
Lumia 925: mais leve, com 4G nacional e fabricado no Brasil
Foto: Nokia/Reprodução.
Quem também apareceu no Rio foi o Lumia 925. Pude mexer em um na BUILD, e é surpreendentemente leve — apenas 139 g; para colocar isso em perspectiva, o Lumia 1020 pesa 158 g, e o Lumia 920, 185 g. O acabamento nas bordas, em metal, também ajuda a diferenciá-lo da linha Lumia, caracterizada pelo policarbonato em todo o corpo com exceção da tela. (No Lumia 925, o material plástico ainda está presente na parte de trás.) Nas diferenças negativas, sai o LCD IPS da tela, que dá lugar ao AMOLED, e o carregamento por indução, sem fios, depende de uma capa especial, não é mais embutido como no Lumia 920.
Fabricado no Brasil, em Manaus, e com suporte ao 4G brasileiro, o Lumia 925 será lançado “em breve” por R$ 1.799. Vale o mesmo dito para o Lumia 1020: esse preço tem grandes chances de cair daqui a alguns meses. A chegada do modelo aposenta o Lumia 920, então talvez rolem algumas queimas de estoque nas próximas semanas. Fique de olho.
A partir de 11 de novembro o Google passará a usar avaliações/notas, fotos e nomes de usuários do Google+ para endossar anúncios em várias das suas propriedades. São as recomendações compartilhadas. O recurso lembra as “Histórias patrocinadas” do Facebook e, tal qual na rede social de Zuckerberg, nos domínios de Page e Brin essa novidade também levanta algumas sobrancelhas.
Que pese em favor do Google, o processo de conversão de +1 e avaliações de produtos/estabelecimentos está sendo mais transparente. Aqui, uma notificação do Google+ avisando da iminente mudança e uma barra no topo do Google.com surgiram para me alertar. Embora seja do interesse do Google manter o maior número de pessoas com essa opção ativada (é assim por padrão), dar publicidade a ela é um preço, pago adiantado, para evitar uma enorme dor de cabeça no futuro.
O precedente do Facebook
Quando passou a usar as atividades dos usuários para endossar anúncios, o Facebook não deu todos esses avisos. O site “virou a chave” na surdina, pegou muitos usuários de surpresa, gerou situações inusitadas, algumas até sérias e, como resultado, foi processado nos EUA. Perdeu, teve que pagar US$ 20 milhões em indenizações e rever todo o sistema para deixá-lo mais transparente.
O histórico do Google em grandes mudanças envolvendo privacidade não é dos melhores, também. Na época do Google Buzz, as preferências padrões de compartilhamento eram desastrosas e gerou problemas graves.
Com o Google+ temos visto muita atenção à privacidade, do esquema de círculos para controlar quem vê o quê até a visibilidade das recomendações via +1. No caso das recomendações compartilhadas, se você não quiser que sua foto, nome e avaliações sejam usados ao lado de anúncios, poderá sinalizar isso explicitamente ao Google.
Recomendações compartilhadas: em anúncios, mas não só
As recomendações compartilhadas, na prática, serão assim:
Como bem lembrou Danny Sullivan, tudo isso é na realidade uma expansão do uso de conteúdo gerado no Google+ para endossar produtos, estabelecimentos e anúncios. Desde 2011 o Google usa dados do botão +1 (o equivalente ao “curtir” do Facebook) para reforçar a relevância de peças publicitárias. O que muda, então? Sullivan resume:
“(…) A empresa [Google] explicou que os termos serão alterados para permitir que mais coisas além dos +1 sejam mostradas nos anúncios.
Agora, se você avaliar alguma coisa, ou deixar um comentário, ou seguir [circular] uma marca em especial (em vez de apenas ‘curtir’ ela com um +1), essas e outras atividades sociais poderão aparecer em anúncios no Google ou através da sua rede de exibição, junto com a sua imagem.”
A utilização desse conteúdo pelo Google segue a privacidade definida para os +1 e avaliações originais. Isso significa que se você deu um +1, mandou um comentário ou avaliou alguma coisa de forma restrita, apenas a alguns contatos ou círculos no Google+, esse conteúdo só será eventualmente apresentado em um anúncio ou outra peça a quem já podia vê-lo de forma orgânica. Conteúdo público? Fica ao alcance de todo mundo, mas por motivos óbvios só deve ser usado para quem tem você circulado (não faz sentido algum mostrar endossos de gente totalmente desconhecida) ou contabilizar números globais (“3583 pessoas deram +1” tem um efeito psicológico positivo em nós).
Outro ponto interessante é que publicidade é uma das áreas afetadas, mas não a única. No anúncio, o Google explica:
“Com o feedback de pessoas que o usuário conhece, ele pode economizar tempo e melhorar os resultados para si e para seus amigos em todos os serviços da Google, incluindo Pesquisa do Google, Google Maps, Google Play e publicidade.”
No Google Play e na pesquisa isso fica bem claro. Pesquisando um app ou página, respectivamente, as “curtidas”/+1 de seus contatos já aparecem. Agora, comentários e avaliações poderão ser destacados também.
Menores de idade são exceção e, embora expostos às recomendações compartilhadas, quem tiver menos de 18 anos não terá suas atividades usadas para fins comerciais.
Como impedir o Google de me usar em anúncios?
Embora o problema seja complexo, a solução é simples. Acesse esta página e, se estiver marcada, desmarque a opção “Com base em minhas atividades, o Google poderá exibir meu nome e minha foto de perfil em recomendações compartilhadas em anúncios.” e clique no botão Salvar.
O texto é bem explícito, a opção só restringe a exibição desse conteúdo em anúncios. No Google Play, Maps, pesquisa e outros locais cabíveis, suas notas e +1 continuarão aparecendo. Não existe, em lugar algum, uma opção que desabilite de forma universal as recomendações compartilhadas.
O dilema de sermos o produto
Quando uma polêmica junta conteúdo gerado por usuários e publicidade, é inevitável lembrarmos de velhas histórias do tipo “não existe almoço grátis”, ou “se você não paga, você é o produto”. O Google, assim como o Facebook, oferece seus serviços de graça e lucra (bastante!) com publicidade. Tornar anúncios mais atraentes é um passo vital para a empresa e associar pessoas, carinhas conhecidas a essas peças publicitárias, é um mecanismo psicológico muito forte para aumentar a empatia delas e, consequentemente, a taxa de cliques.
No TechCrunch, Josh Constantine, com um ar meio derrotista, diz que é assim que a roda gira, que o melhor mesmo é se render ao sistema e que, nessa, é até legal encontrar anúncios endossados por gente conhecida. É um comentário válido, mas em um contexto mais limitado. O endosso em recomendações de locais no Google Maps, ou as avaliações de apps no Google Play, são uma mão na roda, um equivalente moderno, ainda que mais raso, do bom e velho boca a boca. Gostamos tanto encontrar boas dicas de quem confiamos no Foursquare, por que no Google seria diferente?
Mas quando estamos falando de publicidade, e Constantine parece fechar seu comentário nisso, a questão é mais delicada. Você, pessoa física, não saberá de antemão o contexto em que seu comentário/curtida/avaliação será inserido, nem ganhará um centavo sequer por incentivar uma venda ou assinatura que fará a empresa que anuncia lucrar. O poder concedido ao Google é muito abrangente, e isso é motivo para preocupação.
Ninguém sabe ainda como as recomendações compartilhadas funcionarão no lado dos anunciantes — o Google não revelou, deve estar guardando o ouro para depois de 11 de novembro. A aplicação é um ponto importante, bem como saber a maneira com que tudo isso funcionará. Na dúvida, pelo menos dá para desabilitar facilmente o uso dos seus comentários e curtidas em anúncios.
Aproveitando, para limitar o uso das suas curtidas em anúncios no Facebook, entre nesta página, selecione a opção “Ninguém” na parte Anúncios & Amigos, e salve a alteração.
Semana passada a Samsung lançou o Galaxy Round, smartphone que a empresa clama ser o primeiro com tela flexível do mundo. Após anos trabalhando com protótipos flexíveis, esta tecnologia, materializada em um painel Full HD de 5,7” e tecnologia Super AMOLED, finalmente apareceu em um produto comercial.
Ao contrário da ideia que temos de um smartphone com tela flexível, o Galaxy Round não é dobrável. A tela é levemente curvada para dentro (côncava) a partir das laterais, o suficiente para ser notada e habilitar alguns truques que combinam a forma atípica do aparelho com sensores de movimento e orientação — na prática, provavelmente mais recursos “humanos” que acabam sendo deixados de lado pelos usuários. Enrolar, amassar, guardar o smartphone de qualquer jeito no bolso? Ainda não.
Não por culpa da tela, aparentemente. Ela em si pode ser dobrada, como a Samsung demonstrou na CES desse ano ao falar do conceito Youm (a partir do qual, provavelmente, a tela do Galaxy Round vem):
Mas um smartphone não é feito só de tela, existem outras centenas de componentes e para que todo o conjunto seja dobrável, eles também precisam ser. Algum dia teremos coisas como o Morph, conceito da Nokia de 2008? Talvez. A LG já conseguiu flexibilizar baterias, por exemplo. São alguns passos rumo a uma direção comum.
As vantagens de se ter uma tela flexível
Foto: Samsung Tomorrow.
Se o smartphone não dobra, quais as vantagens que um painel flexível em um smartphone rígido traz? Elas existem e embora talvez não sirvam como justificativa para ser o chamariz de um produto totalmente novo, o Galaxy Round, em edição limitada, cara e restrita à Coreia, tem lá sua razão de ser: ele antecipa um possível cenário comum amanhã.
Michael G. Helander, membro de uma equipe da Universidade de Toronto que recentemente anunciou a descoberta de um processo mais eficiente para a fabricação de telas OLED flexíveis, disse ao PhoneArena que espera, se tudo correr bem, que essa tecnologia se torne regra em 3~5 anos.
A construção de uma tela AMOLED sensível a toques convencional, como explica sucintamente Jason Inofuentes no Ars Technica, consiste na aplicação de um substrato químico em uma fina camada de vidro recoberta por outra camada de componentes eletrônicos que controlam a tela disposta acima dela. A diferença da nova tela flexível da Samsung é que ela troca aquela primeira camada de vidro por uma de plástico. A imagem abaixo, do Samsung Geeks, detalha melhor:
Os benefícios, pensando bem, são óbvios. O plástico não estilhaça como o vidro em situações extremas — quebras, batidas, impactos de qualquer gênero. Ele é, também, mais fino e mais leve, e esses milímetros economizado podem ser utilizados para aumentar a autonomia das baterias ou viabilizar a fabricação de smartphones ainda mais finos.
Existem alguns receios em relação ao uso do plástico, em especial a blindagem contra umidade. O vidro desempenha esse papel sem problemas, o plástico, ainda tem que provar sua eficiência. Se não, o que seria uma das suas grandes vantagens, a durabilidade, se perde perante o suor das mãos ou a umidade relativa do ar mesmo.
Outro problema em potencial seria a visibilidade e falta de brilho. Segundo Helander, o pesquisador citado acima, essas desvantagens do AMOLED se devem mais à contenção de gastos do que a limitações da tecnologia. Ele acredita que o rápido desenvolvimento e o barateamento dos custos devem viabilizar telas flexíveis de AMOLED tão brilhantes e nítidas quanto as convencionais nos próximos anos. Nada a temer aqui, então, a menos que você esteja louco para pegar um Galaxy Round logo de cara. Enfim, as desvantagens de ser um early adopter.
O que o Galaxy Round faz de legal?
O Galaxy Round é praticamente um Galaxy Note 3 com a tela curva. Ele preserva até mesmo a tampa de trás com textura que imita couro e os arremates nas bordas, detalhe de gosto pra lá de duvidoso.
Ser similar ao Note 3 significa que o Galaxy Round tem configurações respeitáveis: SoC Snapdragon 800 quad core rodando a 2,3 GHz, 3 GB de RAM, 32 GB de espaço interno, câmera de 13 mega pixels, tudo isso em um corpo mais fino que o do Note 3 (7,9 mm de espessura, contra 8,3 mm) e mais leve (154 g contra 168 g).
Por dentro, as diferenças para o Note 3 são sutis. As mais notáveis são a ausência da S Pen, a stylus marca registrada da linha, e a bateria, que no Note 3 é maior (3200 contra 2800 mAh do Round).
O formato da tela permitiu à Samsung incluir uma série de recursos novos. O Roll Effect mostra a hora e notificações quando, com o smartphone em uma superfície plana, o usuário apoia o dedo em uma das partes suspensas, fazendo-o se inclinar.
O mesmo gesto permite avançar ou retroceder músicas se alguma estiver tocando (Bounce UX), e navegar por fotos na galeria caso a mesma esteja aberta (Side Mirror). Nada particularmente útil — nas três situações os métodos convencionais parecem mais práticos.
O formato ainda levanta algumas dúvidas ergonômicas. Como ele ficará na orelha? E na hora de colocá-lo no bolso, o formato arredondado será um aliado, seguindo a curvatura da coxa, ou um empecilho? Perguntas que, até que alguém (que não seja da Samsung) ponha as mãos em uma unidade e faça os devidos testes, seguirão sem respostas.
O futuro será repleto de telas flexíveis e, quem sabe, smartphones dobráveis
O Galaxy Round parece, afinal, um produto feito para que a Samsung possa dizer que foi pioneira — o preço, equivalente a US$ 1.013 na Coreia do Sul, não deve ajudá-lo muito a ser um sucesso comercial, e se nem o Note 3 está vendendo bem por lá, não dá para esperar muito do Round mesmo…
A concorrência, leia-se LG, está no encalço: na mesma semana a empresa anunciou a produção em massa da sua tela flexível. Ela é mais grossa e pesada que a da Samsung (0,44 mm contra 0,12 mm e 7,2 g contra 5,2 g), respectivamente, embora seja 0,3 polegada maior e tenha a curvatura em outro sentido, vertical (imagens vazadas mostram renderizações de um suposto LG G Flex usando a tela). Espere vê-la em breve nas especificações de algum novo smartphone.
As vantagens das telas flexíveis não são de tirar o fôlego, mas a tecnologia tem trunfos suficientes para justificar os investimentos em P&D que há anos são feitos para desenvolvê-la. Todo mundo que já derrubou um celular e viu, com peso no coração, a tela quebrada, sabe do que estou falando.