Galaxy Round e as vantagens de se ter uma tela flexível


11/10/13 às 20h00

Galaxy Round e sua tela flexível.
Foto: Samsung Tomorrow.

Semana passada a Samsung lançou o Galaxy Round, smartphone que a empresa clama ser o primeiro com tela flexível do mundo. Após anos trabalhando com protótipos flexíveis, esta tecnologia, materializada em um painel Full HD de 5,7” e tecnologia Super AMOLED, finalmente apareceu em um produto comercial.

Ao contrário da ideia que temos de um smartphone com tela flexível, o Galaxy Round não é dobrável. A tela é levemente curvada para dentro (côncava) a partir das laterais, o suficiente para ser notada e habilitar alguns truques que combinam a forma atípica do aparelho com sensores de movimento e orientação — na prática, provavelmente mais recursos “humanos” que acabam sendo deixados de lado pelos usuários. Enrolar, amassar, guardar o smartphone de qualquer jeito no bolso? Ainda não.

Não por culpa da tela, aparentemente. Ela em si pode ser dobrada, como a Samsung demonstrou na CES desse ano ao falar do conceito Youm (a partir do qual, provavelmente, a tela do Galaxy Round vem):

Mas um smartphone não é feito só de tela, existem outras centenas de componentes e para que todo o conjunto seja dobrável, eles também precisam ser. Algum dia teremos coisas como o Morph, conceito da Nokia de 2008? Talvez. A LG já conseguiu flexibilizar baterias, por exemplo. São alguns passos rumo a uma direção comum.

As vantagens de se ter uma tela flexível

A curva da tela do Galaxy Round vista de perfil.
Foto: Samsung Tomorrow.

Se o smartphone não dobra, quais as vantagens que um painel flexível em um smartphone rígido traz? Elas existem e embora talvez não sirvam como justificativa para ser o chamariz de um produto totalmente novo, o Galaxy Round, em edição limitada, cara e restrita à Coreia, tem lá sua razão de ser: ele antecipa um possível cenário comum amanhã.

Michael G. Helander, membro de uma equipe da Universidade de Toronto que recentemente anunciou a descoberta de um processo mais eficiente para a fabricação de telas OLED flexíveis, disse ao PhoneArena que espera, se tudo correr bem, que essa tecnologia se torne regra em 3~5 anos.

A construção de uma tela AMOLED sensível a toques convencional, como explica sucintamente Jason Inofuentes no Ars Technica, consiste na aplicação de um substrato químico em uma fina camada de vidro recoberta por outra camada de componentes eletrônicos que controlam a tela disposta acima dela. A diferença da nova tela flexível da Samsung é que ela troca aquela primeira camada de vidro por uma de plástico. A imagem abaixo, do Samsung Geeks, detalha melhor:

Quais as diferenças estruturais das telas flexíveis?
Imagem: Samsung Geeks.

Os benefícios, pensando bem, são óbvios. O plástico não estilhaça como o vidro em situações extremas — quebras, batidas, impactos de qualquer gênero. Ele é, também, mais fino e mais leve, e esses milímetros economizado podem ser utilizados para aumentar a autonomia das baterias ou viabilizar a fabricação de smartphones ainda mais finos.

Existem alguns receios em relação ao uso do plástico, em especial a blindagem contra umidade. O vidro desempenha esse papel sem problemas, o plástico, ainda tem que provar sua eficiência. Se não, o que seria uma das suas grandes vantagens, a durabilidade, se perde perante o suor das mãos ou a umidade relativa do ar mesmo.

Outro problema em potencial seria a visibilidade e falta de brilho. Segundo Helander, o pesquisador citado acima, essas desvantagens do AMOLED se devem mais à contenção de gastos do que a limitações da tecnologia. Ele acredita que o rápido desenvolvimento e o barateamento dos custos devem viabilizar telas flexíveis de AMOLED tão brilhantes e nítidas quanto as convencionais nos próximos anos. Nada a temer aqui, então, a menos que você esteja louco para pegar um Galaxy Round logo de cara. Enfim, as desvantagens de ser um early adopter.

O que o Galaxy Round faz de legal?

O Galaxy Round é praticamente um Galaxy Note 3 com a tela curva. Ele preserva até mesmo a tampa de trás com textura que imita couro e os arremates nas bordas, detalhe de gosto pra lá de duvidoso.

Ser similar ao Note 3 significa que o Galaxy Round tem configurações respeitáveis: SoC Snapdragon 800 quad core rodando a 2,3 GHz, 3 GB de RAM, 32 GB de espaço interno, câmera de 13 mega pixels, tudo isso em um corpo mais fino que o do Note 3 (7,9 mm de espessura, contra 8,3 mm) e mais leve (154 g contra 168 g).

Por dentro, as diferenças para o Note 3 são sutis. As mais notáveis são a ausência da S Pen, a stylus marca registrada da linha, e a bateria, que no Note 3 é maior (3200 contra 2800 mAh do Round).

O formato da tela permitiu à Samsung incluir uma série de recursos novos. O Roll Effect mostra a hora e notificações quando, com o smartphone em uma superfície plana, o usuário apoia o dedo em uma das partes suspensas, fazendo-o se inclinar.

O mesmo gesto permite avançar ou retroceder músicas se alguma estiver tocando (Bounce UX), e navegar por fotos na galeria caso a mesma esteja aberta (Side Mirror). Nada particularmente útil — nas três situações os métodos convencionais parecem mais práticos.

O formato ainda levanta algumas dúvidas ergonômicas. Como ele ficará na orelha? E na hora de colocá-lo no bolso, o formato arredondado será um aliado, seguindo a curvatura da coxa, ou um empecilho? Perguntas que, até que alguém (que não seja da Samsung) ponha as mãos em uma unidade e faça os devidos testes, seguirão sem respostas.

Abaixo, uma galera de fotos do Galaxy Round, cortesia do blog oficial da Samsung:

O futuro será repleto de telas flexíveis e, quem sabe, smartphones dobráveis

O Galaxy Round parece, afinal, um produto feito para que a Samsung possa dizer que foi pioneira — o preço, equivalente a US$ 1.013 na Coreia do Sul, não deve ajudá-lo muito a ser um sucesso comercial, e se nem o Note 3 está vendendo bem por lá, não dá para esperar muito do Round mesmo…

A concorrência, leia-se LG, está no encalço: na mesma semana a empresa anunciou a produção em massa da sua tela flexível. Ela é mais grossa e pesada que a da Samsung (0,44 mm contra 0,12 mm e 7,2 g contra 5,2 g), respectivamente, embora seja 0,3 polegada maior e tenha a curvatura em outro sentido, vertical (imagens vazadas mostram renderizações de um suposto LG G Flex usando a tela).  Espere vê-la em breve nas especificações de algum novo smartphone.

As vantagens das telas flexíveis não são de tirar o fôlego, mas a tecnologia tem trunfos suficientes para justificar os investimentos em P&D que há anos são feitos para desenvolvê-la. Todo mundo que já derrubou um celular e viu, com peso no coração, a tela quebrada, sabe do que estou falando.

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