Ambiente Digital dos Pequenos Negócios é uma grande iniciativa para empresários gaúchos

por Manual do Usuário

Informação é poder, diz o velho chavão. É uma frase batida, quase clichê, mas que traz nela uma grande verdade. Ter os dados certos e saber processá-los é uma vantagem. Em tempos de big data em todo lugar, o maior desafio é como “traduzir” esses dados em informações aproveitáveis.

No sul, empresários, políticos e estudantes gaúchos têm uma ferramenta gratuita do SEBRAE que condensa diversas informações em uma interface agradável e fácil de usar, o Ambiente Digital dos Pequenos Negócios. Hoje, a plataforma ganhou uma grande atualização.

Cobertura estadual do Ambiente Digital dos Pequenos Negócios.

Ambiente Digital dos Pequenos Negócios

Usando o Google Maps, o SEBRAE do Rio Grande do Sul recheou o mapa do Estado com informações diversas e oficiais, obtidas de fontes como Receita Federal, IBGE, Ministérios do Planejamento e do Trabalho e Emprego, Fundação de Economia e Estatística, PNUD e do próprio SEBRAE.

O Ambiente Digital traz, à esquerda, menus com diversos indicadores e do outro lado da tela um filtro por cidades e regiões do SEBRAE-RS. Escolha uma cidade, depois um indicador (ou vice-versa, não importa a ordem), e uma caixa suspensa surge no mapa. Clique no botão Detalhes, e surge uma lista no rodapé da página com todos os dados.

O Ambiente Digital dos Pequenos Negócios dá detalhes de cada cidade.

Cruzando essas informações, o usuário consegue saber o que importa no local que lhe interessa. É o tipo de poder útil e que está ao alcance de qualquer um — não é preciso fazer cadastro, e o serviço é totalmente gratuito. Imagine, por exemplo, um dono de restaurante interessado em abrir uma filial em determinada cidade. Com o CEP, ele consegue saber quais empresas do setor de alimentação atuam em uma rua específica. Isso se estende a outros segmentos comerciais: a ferramenta é precisa e completa.

Como o Ambiente Digital pode ajudá-lo

O suculento banquete de informações pode impactar positivamente tanto a esfera pública quanto na iniciativa privada. Embora tenha ênfase nos pequenos empreendedores, o público-alvo do SEBRAE para seu Ambiente Digital é mais amplo. Estudantes, legisladores e prefeitos também podem se beneficiar um bocado do que ele oferece.

Prefeitos, vereadores e deputados podem ajustar planejamentos baseados na comparação direta com outras cidades de mesmo porte. Dá para colocar lado a lado informações de cidades vizinhas, dar um zoom e observar no que elas se diferenciam. A partir daqui, fica mais fácil entender o porquê dessas distinções.

De questões básicas como quantidade de habitantes por cidade a dados mais complexos, como o PIB per capita, há dados suficientes para auxiliar na proposta de leis — e a população pode, na mesma medida, usar o Ambiente Digital para questionar propostas em sentido contrário. A abertura e o acesso universal, inclusive em dispositivos móveis, amplia esse uso bilateral da ferramenta.

Versão móvel.

Para estudantes e professores, ter acesso a informações atualizadas é algo muito bacana para enriquecer aulas de geografia política e história regional. Com o auxílio de outras fontes, os números fornecidos pelo Ambiente Digital do SEBRAE pode levar à compreensão das desigualdades que afetam o Rio Grande do Sul, o fluxo de desenvolvimento das cidades e indicadores importantes em vários contextos, como PIB, PIB per capita e IDH.

Para empresários, o Ambiente Digital é parada obrigatória. Ele indica a densidade de empresas por habitantes em cada cidade, a atuação do SEBRAE nelas, o número de empregados em cada setor, a taxa de sobrevivência e por aí vai. Informações preciosas para o planejamento de empresas que ainda vão nascer e para as que pretendem expandir.

Pesquisa por CEP no Ambiente Digital dos Pequenos Negócios do SEBRAE-RS.

Um empresário que queira formar uma cooperativa pode pesquisar áreas e cidades que concentram mais empresas do seu ramo de atuação. Por outro lado, alguém querendo investir em um novo negócio consegue, sem esforço, detectar os locais que concentram mais empresas similares, evitando-a ou alterando a estratégia para entrar forte na concorrência. Sabe aquelas massinhas de modelar que todo mundo brincou quando criança? Esse sistema é a versão adulta: a matéria-prima está ali, o que dá para fazer com ela só depende da sua imaginação.

Nunca se teve tanta transparência em números públicos. Em contrapartida, nunca foi tão difícil dar cabo de tanta informação. O que o Ambiente Digital dos Pequenos Negócios traz é algo já comum lá fora, onde governos e a iniciativa privada compartilham dados publicamente visando o desenvolvimento. São ferramentas para organizar o caos de dados, descentralizar o conhecimento e gerar conteúdo que faz a diferença na prática. Portanto, use-as.

Os melhores apps para Android lançados em 2013

Com milhões de apps disponíveis no Google Play e algumas dezenas saindo toda semana, a curadoria desse material é difícil. Mas é importante separar o joio do trigo e, por isso, sites especializados destacam os mais promissores (ou com as melhores assessorias). Às vezes a qualidade ou apelo de um faz ele se espalhar naturalmente entre os usuários, fazendo o caminho contrário deles até a mídia.

Mesmo com esses filtros, terminamos com um punhado de apps. Pensando nisso surgiu a ideia de compilar três listas com os dez melhores apps lançados em 2013 para cada plataforma.

Eles foram escolhidos com a ajuda de quem me segue no Twitter e o acompanhamento, no decorrer do ano, dos apps mais comentados e elogiados. Abaixo, você tem os dez melhores apps para Android lançados em 2013 — não vale atualização, são apenas apps novos. Amanhã sai a do iOS e depois de amanhã, a do Windows Phone.

Ah, e só para esclarecer: o Top 10 abaixo está listado em ordem alfabética. Há apps muito distintos de modo que seria bastante improvável colocar um acima de outro sem incorrer em injustiças.


App para Android: 1 Second Everyday.

1 Second Everyday

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

Se fosse possível unir a experiência de ter um diário com o poder visual dos vídeos, qual seria o resultado? Certamente algo parecido com o 1 Second Everyday.

O app idealizado por Cesar Kuriyama é tão simples quanto seu nome sugere. Filme um trechinho de vídeo por dia, separe um segundo dele e, ao fim de um período, você terá um vídeo que é um catalisador de lembranças.

Dá para manter vários diários (ou semanários, ou qualquer outro intervalo; você decide) simultaneamente e há sincronia com a nuvem, para que um furto ou perda do smartphone não acabe com o projeto. Escrevi em novembro um post mais aprofundado sobre o 1 Second Everyday e já fiz o meu primeiro vídeo, esse abaixo.


App para Android: Aviate.

Aviate

Gratuito (em beta, apenas para convidados)
Site oficial

Um dos diferenciais do Android é o suporte a launchers: apps que modificam profundamente a interface do sistema. Apesar do potencial, a maioria se preocupa em acrescentar camadas extras de complexidade ou, quando flertam com o simples, reduzem a ideia a modificar o visual.

O Aviate é, junto ao Facebook Home, um dos primeiros launchers feitos para pessoas comuns. A abordagem é similar à do Google Now, ou seja, contextual, mas em vez de focar no usuário, o Aviate atua no próprio smartphone. Como? Modificando a tela inicial do Android de acordo com a hora do dia, a geolocalização e os traslados do usuário.

Basicamente, o Aviate busca oferecer ao usuário os apps e recursos que ele usará antes mesmo que o smartphone seja liberado. O launcher tenta organizar tudo automaticamente, mas dá bastante espaço para intervenções do usuário — o que acaba ajudando ele a refinar seus algoritmos de automação.


App para Android: Expense Manager.

Expense Manager

Freemium (~R$ 6,20 para liberar tudo)
Site oficial

A grande vantagem do celular ante outros dispositivos digitais conectados à Internet é estar sempre por perto. Essa vantagem é bem explorada pelos desenvolvedores, um deles o austríaco Markus Hintersteiner, desenvolvedor do Expense Manager.

Este app serve para controlar seus gastos. Tem uma interface bonita, fácil de usar e adaptada a tablets. É gratuito, mas libera alguns recursos mediante pagamento — um modelo freemium interessante e livre de anúncios.

O Expense Manager permite dividir as despesas por categoria, definir um limite de gastos e visualizar padrões de consumo e outras informações que ajudam a encontrar aqueles “vazamentos” na fatura, aqueles trocados que, somados, causam um belo rombo no orçamento.

Screenshots do app Expense Manager.


App para Android: Eye in Sky.

Eye In Sky

Freemium (~R$ 4,80 para remover anúncios)
Site oficial

Apps de previsão do tempo são os novos clientes de Twitter: a categoria onde desenvolvedores brilham com novas ideias e boas práticas.

O Eye In Sky é um dos mais bacanas. Ele puxa dados do CustomWeather e os apresenta em três colunas: diária, das próximas 48 horas e dos próximos 15 dias. A interface é bonita e livre de invencionices. Ou quase isso: o app traz 14 conjuntos de ícones, todos muito bonitos, para indicar visualmente as condições climáticas. Insatisfeito com eles? Dá para instalar seus próprios ícones.

No pacote ainda vêm quatro widgets, compatibilidade com tablets e extensão para o DashClock. O Eye in Sky é gratuito e, nesse estado, exibe anúncios. A chave que os remove custa cerca de R$ 4,80.

Screenshots do Eye in Sky.


App para Android: Google Keep.

Google Keep

Gratuito
Site oficial

O Google dá o exemplo e faz alguns dos apps mais legais do Android. O Keep apareceu em 2013 e ganhou adeptos pela simplicidade e velocidade absurda com que é executado.

Notas, listas de tarefas, fotos e áudio são os formatos com que o Keep trabalha. Dá para misturá-los em uma única nota, usar cores para diferenciá-las e definir lembretes contextuais, baseados na geolocalização ou em horários.

Existe ainda uma versão web que, como tudo do Google, sincroniza em tempo real com o app móvel — este adaptado para tablets. Não dá para compartilhar notas com outros usuários de dentro do próprio Keep e ele não é multiplataforma, mas são ausências que empalidecem perto da qualidade do app.

Screenshots do Google Keep.


App para Android: Moves.

Moves

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

Questionamentos ao Quantified Self começaram a ser feitos. Enquanto a gente não chega a um acordo sobre o que e quanto é legal coletar de informações sobre nós mesmos, o Moves segue por aí.

A grande sacada desse app é colocar no smartphone recursos que, antes, apenas equipamentos dedicados ofereciam — as pulseiras de Nike, Fitbit e Jawbone. A precisão talvez não seja das melhores ainda, mas o surgimento de chips dedicados para monitorar nossos passos, como o M7 do iPhone 5s e o núcleo de computação contextual do Moto X, podem virar o jogo num futuro muito próximo.

O Moves é simples. Instale o app, dê nomes a alguns lugares principais que você frequenta e esqueça que ele está ali. Rodando constantemente em segundo pano, ele registra seus caminhos e fornece aquelas estatísticas bacanas de passos dados em um dia e plota tudo isso em mapas.

Screenshots do Moves.


App para Android: Nights Keeper.

Nights Keeper

Gratuito (com limitações) ou US$ 1,99
Site oficial

Sabe o Não Perturbe do iOS e o Assist do Moto X? O Nights Keeper é o equivalente para o resto de nós. E com recursos extras valiosos.

Em essência, o que este app faz é emudecer o smartphone em intervalos pré-definidos pelo usuário. Embora nome, ícone e outros detalhes façam referência ao período de repouso, nada impede que você defina regras para outros momentos — a aula, por exemplo. Dá para criar várias regras a seu critério.

O Nights Keeper é bem munido de opções. As tradicionais, como lista branca de contatos, liberação após várias tentativas de ligação de um mesmo número e envio de SMS para ligações ignoradas estão lá.

Mas ele vai além. Dá para abrir exceção para mensagens de texto e desabilitar/habilitar recursos do sistema durante o repouso. Para quem usa a conexão pré-paga por dia, é uma boa desligar a rede de dados na hora de dormir — assim você não gasta desnecessariamente aqueles centavos dos seus créditos. Esses recursos estão disponíveis na versão Pro que custa cerca de R$ 4,60 via in-app purchase.

Screenshots do Nights Keeper.


App para Android: Press.

Press

~R$ 7,00
Site oficial

O Google Reader bateu as botas e continuamos todos vivos — com a bênção do Feedly. O Press conversa com esse e outros três provedores de RSS: Feed Wrangler, Feedbin e Fever. E faz seu serviço em uma bela interface, cheia de gestos e muito bom gosto.

O Press surgiu confiando no backend do Google Reader. Pouco tempo depois, o fim desse foi anunciado. A transição para os novos serviços foi tranquila e é de se notar o quanto o app evoluiu em tão pouco tempo. Às custas de muita experimentação e uma ou outra pisada de bola em algumas versões, o Press se transformou em um app muito agradável.

Dá para passear pela interface do Press usando apenas gestos. Quem preferir botões também está bem servido: eles estão por toda parte, colocados nos locais onde seriam esperados. As configurações são bem pensadas, embora coisas como limite de cache e intervalo de itens salvos devessem ser automáticas. Felizmente as configurações padrões são decentes.

Para fechar, o jogo de cores é sóbrio e há seis opções de fontes para escolher, além de ser possível aumentar e diminuir o tamanho dela.


App para Android: Simplenote.

Simplenote

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

A Simperium foi comprada pela Automattic (a empresa por trás do WordPress) há alguns meses. A primeira ação dos novos proprietários foi lançar o então inédito Simplenote para Android. O app, que existia no iOS há tempos, finalmente chegou à plataforma do Google.

Rápido e bonito, o grande trunfo do Simplenote é o mecanismo de sincronia e o ecossistema de apps compatíveis com ele. É possível organizar as notas por tags ou confiar na precisa busca embutida.

Não existe qualquer tipo de formatação; nesse aspecto, o Simplenote se equipara ao Bloco de Notas. E desse primo distante para Windows vem, também, algumas das suas melhores características, como a confiabilidade e a rapidez para abrir e receber pensamentos, ideias e anotações.

Screenshots do Simplenote.


App para Android: Timely.

Timely

Freemium (~R$ 7,80 para liberar tudo)
Site oficial

O Android ganhou na versão 4.2 um app de Relógio completo, com despertador, timer e contador regressivo. Ele é suficiente para a maioria, mas há bons motivos para instalar o Timely, belo app da Bitspin.

Logo de cara, a interface chama muito a atenção. Colorida e cheia de efeitos sutis, até a transição dos números dos relógios é diferentona — e muito bonita. Ele vem com timer, contador regressivo e alarmes. Dá para programar vários, escolher toques feitos especialmente para o app e até desafios na hora de desativá-lo, uma medida para evitar adiar o alarme sucessivas vezes até perder a hora.

O Timely se adapta a tablets e, o mais legal, sincroniza seus alarmes na nuvem. Isso significa que ao trocar de smartphone, tudo continua igual. (Para quem tem uma rotatividade grande de aparelhos, como editores de sites de tecnologia, é uma mão na roda.) O app é freemium. Para liberar alguns toques, desafios e outros aspectos circunstanciais, é preciso fazer uma compra dentro dele de cerca de R$ 7,80.

Screenshots do Timely.


A lista, claro, não é exaustiva. Muitos bons apps ficaram de fora. Lembrou de algum? Encare os comentários deste post como a continuação dele.

[Review] Moto X, o surpreendente smartphone pé no chão da Motorola

Em agosto de 2011 o Google anunciou a compra da Motorola Mobility, a parte da empresa responsável pelo que a tornou conhecida: celulares. O valor da aquisição foi de US$ 12,5 bilhões e o primeiro fruto dela levou dois anos para ser revelado. É o preço (e o tempo) de uma guinada na forma de se fazer smartphones, de se voltar às pranchetas, corrigir os erros e ressurgir com um aparelho no mínimo diferente.

O Moto X não é o smartphone mais poderoso do mundo, nem o mais caro, ou o mais bonito. Ele é equilibrado, provavelmente o mais razoável — características especialmente importantes no universo Android, insanamente obcecado por números enormes que na prática nem sempre se traduzem em uma experiência à altura.

Fazendo o arroz com feijão certinho e com alguns ingredientes secretos que dão sabor ao tempero, a Motorola descobriu a receita de como fazer um Android que agrada entusiastas e pessoas comuns. Como Joseph Volpe escreveu no review do Engadget, o Moto X é o iPhone do universo Android — na melhor acepção da comparação:

“O Moto X não tem aquela aura tecnológica como o Galaxy S 4 ou o HTC One porque ele é a soma das médias. Eis como eu o vejo: sabe aquelas pessoas que têm iPhones mas não sabem qual modelo e se referem a todos os celulares Android como Droids? Este smartphone é para elas.”

Vídeo

Menos robô, mais humano

Simples e competente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Comparando o Moto X com outros smartphones, é difícil acreditar que ele tenha uma tela de 4,7 polegadas. Mas ele tem, sim, e o segredo para parecer menor está em… bem, em ser menor. A utilização de botões virtuais, como nos smartphones da linha Nexus, mais o encurtamento extremo das bordas frontais fazem com que ele seja pouca coisa maior que um iPhone.

O tamanho compacto ajuda na ergonomia e, nessa área, sobram elogios. O Moto X é, como bem definiu Daniel Junqueira no Gizmodo Brasil, o mais humanos dos Androids. Ainda que essa definição se deva em grande parte ao software (chegaremos lá), o design também conta colabora com alguns pontos de humanidade.

O Moto X se encaixa na mão. A parte de trás tem uma curvatura confortável, as bordas, embora anguladas, não incomodam e o material é agradável ao toque. Em todo o corpo existe apenas uma referência à Motorola, um vão nas costas com o “M” característico da empresa. Além de contribuir para um visual mais limpo, essa inscrição tem uma utilidade: naquele espaço repousa o dedo indicador. Um toque sutil de ergonomia que ao usuário transmite algo como “viu só como pensamos em tudo?”

A filosofia do Moto X se distancia muito da da antiga Motorola, aquela do RAZR e Droid/Milestone cheios de referências a robôs e uma linguagem visual agressiva, absortos na catastrófica skin Motoblur. Dos materiais usados ao tratamento dado ao Android, as duas se parecem muito pouco e o Moto X reflete tudo isso.

Quem precisa de especificações de ponta? Não o Moto X

O Moto X tem o tamanho certo.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Smartphones Android contemporâneos ao Moto X saíram de fábrica equipados com o SoC quad-core Snapdragon 800. A Motorola diz que seu aparelho vem com o Sistema de Computação Móvel X8 composto por oito núcleos, dentre eles os do Snapdragon S4 Pro.

São oito núcleos de fato, mas a terminologia parece confusa quando contraposta à padrão usada por outras fabricantes. Os oitos núcleos são dois do processador, um Krait 300 de 1,7 GHz; quatro da GPU Adreno 320; e dois exclusivos para ajudar nos recursos humanos do Moto X, os de computação contextual e linguagem natural.

Confusão à parte, nada disso importa muito na prática. Dual core, quad core, dois ou cinquenta núcleos, o que interessa, como sempre digo por aqui, é a experiência. E nisso o Moto X não deve nada a ninguém.

É impressionante o que a Motorola alcançou com o Moto X. O sistema é responsivo, não deixa o usuário esperando, não trava, não engasga. Smartphones topo de linha de outras fabricantes recebem queixas de problemas do tipo de alguns usuários — e suspeito que as interferências feitas no Android sejam as culpadas. Com o sistema limpo e bem otimizado, o Android desliza pela tela do Moto X.

Tela que para mim é a única parte do hardware conciso do Moto X que dá uma derrapada. Não que eu quisesse um painel Full HD — ela tem 720p de resolução e é suficiente para seu tamanho físico, de 4,7 polegadas, números dos quais se extrai uma densidade de 312 pixels por polegada. É a tecnologia usada, AMOLED, que não me agrada. A tela é super saturada, com imagens vívidas. Demais, até. Quando surge alguma coisa vermelha ou laranja é como se ela estivesse em chamas.

A saturação exagerada da tela é um ponto fraco do Moto X.
À esquerda, a ótima tela do Nexus 4. À esquerda, a do Moto X, excessivamente saturada. Foto: Rodrigo Ghedin.

Há quem goste de telas saturadas e no caso do Moto X existe uma justificativa racional para seu uso: as notificações ativas. Uma das vantagens do AMOLED é que o preto é mais profundo porque dispensa o uso de energia — em vez de iluminar os pixels para mostrar essa cor, a tela simplesmente não os acendem. Dessa forma dá para mostrar as notificações ativas ligando apenas uns poucos pixels, o que não compromete a autonomia do smartphone. (Tela é um dos componentes mais gastões de energia.)

É uma troca válida. As notificações ativas, como explico mais abaixo, são um recurso excepcional, daquelas coisinhas que no dia a dia fazem uma diferença enorme. Eu entendo a opção feita, mas ainda assim me incomoda um bocado a saturação.

Câmera ClearPixel

Câmera do Moto X: software legal, porém limitado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É bom deixa claro desde já que a câmera ClearPixel do Moto X não é nada de outro mundo. Ela é competente dentro do que se esperaria de um topo de linha, mas não se excede como uma PureView da Nokia, ou mesmo as câmeras dos últimos iPhones.

O batismo da câmera se deve a uma tecnologia que, segundo a Motorola, permite a passagem de mais luz na hora de tirar fotos. Câmeras comuns possuem um filtro RGB que, com a passagem da luz, a absorvem de diferentes modos compondo a imagem final. No Moto X existe um filtro RGBC — e esse “C” é de Clear, como se fosse uma via exclusiva para que mais luz passe pela lente. Isso, somado a pixels maiores, de 1,4 µm, em tese deveria melhorar o desempenho da câmera em situações de pouca luz.

No papel a ideia é boa: com baixa luminosidade, o filtro RGB tem dificuldades em absorver luz. O RGBC deveria, em tese, amenizar essa deficiência e entregar fotos melhores em situações difíceis. Ele até consegue, mas seus resultados passam vergonha perto de outras câmeras que, com abordagens diferentes, acabam lidando melhor com o pepino que é fotos noturnas.

Fiz um rápido comparativo com o que tenho à mão aqui: um Lumia 920 e um iPhone 5. Ambos se saíram bem melhores que o Moto X. Confira no detalhe:

A câmera ClearPixel do Moto X deixa a desejar com pouca luz.
Comparativo de câmeras em situação de pouca luminosidade. (Clique para ampliar.) Fotos: Rodrigo Ghedin.

Não é como se fosse uma câmera horrível. Dá para fazer fotos muito legais com a do Moto X, ainda que algumas coisas, especialmente o alcance dinâmico, sejam difíceis de domar. Quando é exigida nessa condição, geralmente o resultado é oito ou oitenta: ou a foto sai escura, ou estourada. É o preço que se paga pela simplicidade.

Veja o exemplo abaixo:

Ou a foto sai escura, ou sai estourada. E o HDR nem deu sinal de vida.
Fotos: Rodrigo Ghedin.

Existe a opção de fazer fotos com HDR e ela vem no automático por padrão. Só que o software é meio imprevisível. O cenário acima grita pelo seu uso, mas ainda assim o Moto X não o ativou. Em situações menos extremas, em que o HDR teve menos impacto na foto final, ele… funcionou estando em automático. Felizmente a simplificação da interface da câmera não eliminou a ativação manual do HDR. Use-a.

Por falar em software, a Motorola jogou fora o app padrão de câmera do Android e fez um muito agradável. Simples de tudo, ele reduz a interface a dois botões (alternar entre as câmeras e gravar vídeo) e transforma o viewfinder inteiro em disparador, da mesma forma que é no Windows Phone.

As opções ficam em um disco oculto na margem esquerda. Arraste o dedo de fora para dentro da tela, e ele aparece. Não se anime muito, porém, já que elas são poucas.

Uma das mais importantes é o controle de foco e exposição que mudou drasticamente com a atualização para o Android 4.4. Antes, um toque na tela fazia os ajustes necessários e já disparava a foto, em uma tacada só. Agora, com essa opção ativa, um disco aparece na tela e pode ser arrastado para a área em destaque. Depois, com outro toque, a foto é feita. O que se ganha em controle perde-se em agilidade, com o complicador extra de ser mais complexo entender o lance do círculo. E ainda dizem que minimalismo é sinônimo de simplicidade…

Outra legal, ou quase isso, é a de vídeos em câmera lenta. Não é como no iPhone 5s: ainda que a resolução seja a mesma (720p), no Moto X o vídeo rola a 15 quadros por segundo. Na prática quer dizer ele é meio truncado e bem menos divertido.

Algumas fotos feitas com o Moto X:

Vídeos de exemplo constam no review em vídeo, acima.

Recursos inteligentes que a gente usa de verdade

Aqueles núcleos extras de computação contextual e linguagem natural servem para o Moto X desempenhar seus truques sem que a bateria seja drenada por eles. Bateria, aliás, que dura tranquilamente um dia longe da tomada com atividades normais, alternando entre Wi-Fi e 4G, como é de praxe em smartphones modernos.

O Moto X está sempre de ouvidos atentos, preparado para receber seus comandos. Ele sabe quando você o pega na mão e se apronta para informá-lo antes mesmo qualquer botão seja pressionado ou a tela, tocada. O acesso à câmera é feito por um gesto simples.

Não são como os recursos “espertos” da Samsung que fazem uma ponta na apresentação ao público do novo Galaxy e depois caem no ostracismos quando chegam às mãos do consumidor. Na prática, esses vários atalhos que a Motorola incluiu no Moto X são, além de muito legais, veja só… úteis!

Um dos recursos mais legais do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Será difícil, por exemplo, voltar pegar meu smartphone do dia a dia e não dar de cara com o relógio e os ícones de notificações na tela de bloqueio quando tirá-lo do bolso. As notificações ativas fazem isso no Moto X: ao pegá-lo, a tela acende revelando o relógio e notificações pendentes. Toque no círculo para ter mais detalhes delas Arraste a última (círculo maior) para cima, e o app correspondente abrirá. O movimento para baixo desbloqueia o celular.

Isso funciona de uma maneira tão boa que o uso do botão físico de desbloqueio da tela é reduzido à metade. Não precisa dele: o Moto X sempre exibe a notificação ativa quando é necessário e dali leva ao desbloqueio. É assombroso e, como explicado acima, a tecnologia AMOLED da tela evita o desperdício de energia.

Não menos impressionante é o Google Now acessível por voz. Diga “Ok Google Now” e o Moto X se desbloqueia e se ajeita para ouvir a ordem do seu dono. Com as recentes adições ao portfólio de comandos aceitos em português, ele ficou bem mais útil — desde então só programo alarmes falando com o celular. A interpretação ainda falha (ele teima em entender o meu “sete” falado como “ct” e já desisti de “manual”, que sempre aparece como “manoal”), mas o índice de acertos pende para o lado positivo.

Por fim, o gesto para abrir a câmera. A melhor forma de descrevê-lo é como se você estivesse girando uma maçaneta duas vezes. A Motorola diz que é mais rápido do que desbloquear o celular e abrir o app da câmera, mas convenhamos: esses milissegundos fazem tanta diferença? Mas o que começa como curiosidade, com o tempo passa a ser natural. Dos recursos humanos do Moto X, o gesto de abrir a câmera é o mais difícil de aprender. Ultrapassada essa curva, ele se integra à rotina. Vale o esforço.

Android puro com pequenas adições

Moto X e sua caixa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Rolou uma pequena decepção com o fato de o Moto X sair de fábrica com o Android 4.2.2 — na época, a versão 4.3 já estava disponível.

Ter a última versão do Android é, também, uma exigência um tanto geek. Ainda mais em minor releases, como foi a 4.3, a absência da última não é algo que faça o usuário comum cortar os pulsos. Grandes saltos, como foi do Android 2.3 para o 4.0, sim; mas não era o caso. E se fosse, tudo bem: o Moto X brasileiro já recebeu o Android 4.4, a última versão do sistema.

Independentemente da versão, o que mais chama a atenção aqui é a pureza do Android. A Motorola preservou a maior parte do sistema da forma como concebida pela empresa-mãe. É o certo a se fazer: ainda há de surgir modificação que supere o Android original. Se consideramos as mexidas tímidas da Motorola como uma, talvez seja ela essa precursora.

Em vez de modificar, a Motorola acrescentou recursos em cima do Android. Estendeu o Google Now para ser ativado por voz e incluiu uma série de apps sob demanda, cada um útil à sua maneira.

Algumas telas do Android puro do Moto X.

Desses, destaco o Assist, uma evolução do ótimo SmartActions. A diferença entre o eles é que o primeiro é mais restrito e automático. Em vez de dar a liberdade (e o trabalho) ao usuário de criar regras e condições, o Assist vem com três pré-definidas: dirigindo, reunião e dormindo. Elas são contextuais e se utilizam de diversos parâmetros, dos sensores do smartphone aos eventos da agenda, para entrar em ação. E, correndo o risco de me tornar repetitivo, o app simplesmente funciona.

Outros apps exclusivos são um assistente de migração de dados, uma coletânea de apps nacionais (exigência legislativa para que o Moto X se beneficie de isenções fiscais), um canal de comunicação direta com o suporte (Moto Care) e o Motorola Connect, que faz a ponte entre Moto X e Chrome para o recebimento de notificações e a troca de mensagens de texto pelo computador.

E pensar que dessa mesma Motorola, ainda independente e nos primórdios do Android, saiu a aberração do Motoblur, talvez a pior mexida que o Android já sofreu em toda a sua existência. O mundo dá voltas.

O smartphone a ser batido

As costas arredondadas do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não são muitos os donos de iPhone que sabem qual a velocidade do SoC ou quantos mega bytes de RAM o aparelho possui. Isso nunca importou muito porque, na redoma da Apple, a promessa é simples e direita (e, importante, cumprida): compre um iPhone e ele funcionará direito.

As fabricantes que adotam o Android adotam uma estratégia diferente. Gostam de mostrar números enormes, apresentam benchmarks sintéticos, adotam tecnologias experimentais. Não é como se não houvesse zelo, mas parece que na ânsia por superar as concorrentes, elas se esquecem de olhar para quem importa no fim das contas: o usuário.

O Moto X foge à regra. É um smartphone competente e isso é tudo que você precisa saber se quiser comprar um — e o recomendo irrestritamente a qualquer pessoa que queira um smartphone bom, ponto. E pelo que o varejo cobra por ele, com promoções recorrentes a R$ 1.000, é difícil justificar a compra de outro Android high-end que não esse.

Compre o Moto X

Compre o Moto X

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

O que explica a popularidade do MomentCam?

MomentCam: primeiro lugar na App Store brasileira.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O MomentCam ocupa o primeiro lugar no ranking de apps gratuitos da App Store e está no Top 10 da mesma lista no Google Play. Desenvolvido pelos chineses da Hightalk Software, por onde passa ele se torna um fenômeno: primeiro na China, depois nos EUA (antes da versão em inglês surgir), sem falar em outros países menores no meio do caminho. Agora, mesmo sem falar o português ele explodiu em popularidade no Brasil.

Atualização: Na página do Manual do Usuário no Facebook, o Pablo indicou uma outra, a Sua foto em Caricatura. Com 24h desde a sua criação, ela já angariou 425 mil curtidas publicando algumas caricaturas e sempre pedindo, nas legendas, “Curta a foto e comente ‘EU'” para escolher um deles e transformá-lo em caricatura. Espero de verdade que esse meio milhão de pessoas descubra de alguma forma o MomentCam.

No Google Play a descrição do MomentCam traz trechos inspirados, como “Venha se divertir com o MomentCam, ele deixará a sua vida diferente” e “Nossa equipe é um grupo de jovens artistas e desenvolvedores com um sonho e corações enormes para trazer alegria e diversão a todas as pessoas do mundo”. Ok, então…

Deixando a filosofia barata de lado, o app é simples. Ele consiste em tirar uma foto, ajustar a posição dos olhos e da boca e escolher um template. O MomentCam traz um punhado de desenhos prontos e mescla a eles a foto recém-tirada, pegando da pessoa apenas o rosto.

É um selfie mais elaborado, uma fórmula que exerce estranho fascínio nas pessoas — é impressionante o tanto de gente compartilhando caricaturas criadas com o app. Talvez a vontade de compartilhar surja da preservação de traços marcantes que tornam reconhecível a caricatura em um template… atraente? Bonito? Divertido?

As teorias da conspiração por trás do sucesso do MomentCam

[insert]

MomentCam no Android.
Imagens: MomentCam/Reprodução.
[/insert]

Alguns sites americanos, como o The Next Web, levantaram suspeitas sobre o sucesso meteórico do MomentCam. Ouriel Ohayon, co-fundador da Appsfire, disse à reportagem nunca ter visto algo assim:

“Ou existe alguma coisa que estou deixando passar ou eles estão usando táticas suspeitas para crescerem e obterem reviews positivos — os reviews na App Store norte-americana parecem todos estranhos. Consigo entender por que o app é bem sucedido na China ou na Ásia, mas seu posicionamento nos EUA não faz sentido.”

Não é só nos EUA, é no Brasil e em diversos outros países — o infográfico da Appsfire mostra o MomentCam bem posicionado em diversos lugares. Há umas coisas estranhas, como ele pedir permissão para se manter ativo em segundo plano e ter acesso às informações de ligações (?), mas daí a uma teoria da conspiração…

Instalei o MomentCam para ver como ele funciona. O app é bem feito: rápido, esperto e oferece mesmo uma infinidade de desenhos e opções de personalização. Tudo meio bobo, mas adequado à proposta. E com atualizações generosas que aumentam em muito o acervo de templates, talvez esse parágrafo resuma a fórmula do sucesso.

De qualquer forma, o MomentCam é intrigante. Seríamos nós criançonas que torcem o nariz para doll makers, mas que ficam malucas quando um deles coloca o nosso rosto no boneco? Não sei. Espero que explicações, ou tentativas, surjam aí nos comentários.

Enquanto isso, fique com um desenho meu feito no MomentCam:

Exemplo de caricatura feita no MomentCam.

Lumia 520, Optimus L4 II, Razr D1 ou Xperia E: qual o melhor smartphone abaixo de R$500?

O mercado brasileiro está recheado de smartphones para todos os gostos e bolsos. De modelos de ponta (e caríssimos) até os valentes celulares de entrada, que sofrem para rodar o pouco que oferecem, a variedade nunca foi tão grande por aqui.

Infelizmente não é todo mundo que pode se dar ao luxo de comprar um iPhone ou um Galaxy S. Na medida em que o preço cai, as especificações dos aparelhos definham também e chega um ponto onde as frustrações que eles geram no uso ultrapassam o tolerável. Qual é esse ponto? Difícil dizer, mas estimo que a faixa dos R$ 400 a R$ 500 seja uma boa aposta.

Com isso em mente, ou seja, pagar o mínimo possível por uma experiência aceitável, surgiu a ideia de realizar esse comparativo. O Natal se aproxima, logo, creio que será importante também para quem está em busca de um novo celular, próprio ou para dar de presente, que não comprometa o décimo terceiro. Espero que seja útil.

Cadê a Samsung? Desde o início a minha intenção era ter cinco celulares neste comparativo. Faltou um, da Samsung, que mesmo após insistentes pedidos meus não se dispôs a enviar um Galaxy Young Duos para testes. A resposta da assessoria foi de que eles não enviam aparelhos dessa faixa de preço para a imprensa. Uma pena.

Os competidores

Os quatro competidores, lado a lado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O comparativo envolve quatro aparelhos:

  • Lumia 520, da Nokia.
  • Optimus L4 II, da LG.
  • RAZR D1, da Motorola.
  • Xperia E, da Sony.

Todos foram usados por mim, usando um SIM card da Claro — à exceção do Lumia 520, testado na rede da TIM. São três Androids e um Windows Phone e tentei diminuir ao máximo os desvios que a mudança de plataforma poderia ocasionar. Como? Usando os mesmos apps (ou similares) em todos eles, definindo configurações idênticas (como brilho da tela) e outros pequenos ajustes visando a paridade.

Não é um teste científico, não rodei benchmarks, nem cronometrei ações nos aparelhos. Não é essa a pegada do Manual do Usuário porque não acho que tal abordagem tenha tanta importância no mundo real. Por exemplo: o Optimus L7 II, testado recentemente aqui, tem menos RAM que o RAZR D1, que integra esse testes, mas nem de longe é um aparelho inferior. Faria sentido dizer o contrário baseado em um mero número, ignorando completamente a experiência de uso? Eu acho que não.

Antes de colocar nossos competidores em choque, é válido dar uma passada por cada um deles — em ordem alfabética.

Lumia 520, da Nokia

Lumia 520,da Nokia.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De todos, o Lumia 520 é o que tem mais cara de produto superior. O acabamento, a exemplo dos demais, é de plástico, mas aquele de toque mais suave característico de alguns aparelhos da Nokia.

Este smartphone se beneficia da rigidez que a Microsoft impõe a quem decide usar o Windows Phone. O SoC é um Snapdragon S4 Plus, com processador dual core de 1 GHz e GPU Adreno 305. Não é um foguete, mas segura bem as aplicações do sistema.

O que compromete um pouco é a memória disponível, apenas 512 MB, limitação que cobra seu preço na multitarefa: espere ver com alguma frequência a tela “Retomando…” ao voltar a algum app aberto recentemente. A sensação de lerdeza é amenizada pela interface fluída do Windows Phone; você sabe que demora, mas a espera parece menos dolorosa com as transições suaves e bonitas do sistema.

O Windows Phone dá uma força em outra área: a tela. Com 4 polegadas e resolução de 480×800, ela se distancia das demais testadas neste comparativo, mas ainda assim fica longe das melhores do mercado. O padrão visual fortemente angular e a tipografia grandona do sistema da Microsoft ajudam bastante a ocultar as deficiências da tela — que, em outros aspectos, como brilho, ângulos de visão e cores, é bem competente para essa faixa de preço.

Optimus L4 II, da LG

Optimus L4 II, da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De longe, o mais curioso. Não bastasse ter sinal de TV digital (como o RAZR D1, aliás), esse modelo intermediário da linha Optimus L, da LG, aceita três SIM cards simultaneamente. Não um, não dois; três!

O corpo gordinho não é muito mais grosso que os demais, mas passa a sensação de que sim. Ele também parece ser meio “achatado”, a ponto de deixar em dúvida a proporção da tela — seria esse um filhote do bizarro Vu, também da LG, o phablet com proporção de tela 4:3? Não é o caso. Aqui, temos uma tela de 3,8 polegadas e resolução de 320×480. O L4 II tem a tela com menor densidade de pixels de todos os modelos testados e isso afeta a percepção do usuário, mas mesmo em um equipamento tão barato e simples a LG colocou um bonito (e destoante) painel IPS.

No que diz respeito ao desempenho, temos um SoC single core de 1 GHz da Mediatek, combinado com 512 MB de RAM. As mesmas deficiências apresentadas pelo Xperia E, que compartilha uma configuração similar, são vistas aqui: os apps mais simples até abrem relativamente bem, mas gerenciar dois já sobrecarrega o sistema.

RAZR D1, da Motorola

RAZR D1, da Motorola.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O simpático aparelho da Motorola é mais poderoso do que se poderia imaginar. Lançado junto ao D3 no primeiro semestre, chamou a atenção pelo custo-benefício e ainda hoje é uma compra muito boa no cenário abaixo dos R$ 500.

Embora não seja fator determinante, quando as outras características empatam com celulares nessa faixa de preço, a RAM dele se destaca. Dos modelos testados aqui, é o único com 1 GB disponível, característica impressionante para um smartphone de entrada.

A favor também está o Android (4.1.2 Jelly Bean) praticamente intacto que a Motorola usou aqui. Há pequenas alterações, a maioria útil, que não comprometem a saborosa experiência de usar o sistema como concebido pelo Google.

De ponto fraco, a tela talvez seja o maior. Ela tem 3,5 polegadas e resolução de 320×480, o que dificulta a leitura de textos menores e deforma ícones mais delicados, como os da barra de notificações.

Xperia E, da Sony

Xperia E, da Sony.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Cada aparelho dos testados herda algumas características de modelos mais avançados de suas respectivas marcas. No caso do Xperia E, o que se destaca é o botão de liga/desliga e desbloqueio da tela reforçado. Seria legal se todo celular tivesse esse detalhe, já que sendo algo usado o dia todo, é um do tipo que faz diferença.

A tela do Xperia E é a mais esquisita, com reflexos além do aceitável, um aspecto meio lavado e pouco brilho mesmo com essa configuração no máximo. A personalização da Sony, que já é de se questionar nos Xperias maiores, é particularmente ruim para a tela de 3,5 polegadas desse modelo. O app drawer, por exemplo, exibe poucos ícones por página e as alterações estéticas, que visam dar um ar mais sofisticado ao Android, são meio cafonas em um aparelho de entrada nada sofisticado.

Comparando detalhes

Vídeo comparativo

Quer vê-los mais de perto do que só em fotos? Temos um vídeo também:

A batalha dos chips

O L4 II aceita três chips de operadoras simultaneamente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Dar suporte a mais de um SIM card está virando padrão em smartphones low-end e mid-range. Nossos competidores não fazem feio e, com exceção do Lumia 520, todos conversam com mais de uma operadora ao mesmo tempo — o L4 II, com três! O Lumia 520, aliás, é o único dos quatro a trabalhar com micro SIM.

Câmeras

Aqui é briga de foice para ver quem se sai menos pior. Com aparelhos tão comprometidos em tantas áreas, era de se esperar que as câmeras não fizessem maravilhas na hora de registrar momentos.

Nas amostras que fiz, as câmeras do Xperia E e L4 II não demoraram a se revelarem ruins. As outras duas agradam, dentro das limitações da situação. A do D1 é bastante saturada, mas tem boa definição. Já a do Lumia 520, apesar de um ou outro estouro ocasional em áreas claras, é a mais fiel em cores e entrega, na média, resultados bem legais. Veja esse primeiro comparativo em ambiente externo com bastante luz natural:

Comparando as câmeras dos smartphones em análise.

Em ambiente interno com iluminação natural a discrepância foi menor. LG e Sony parecem aplicar um pós-processamento mais pesado, algo perceptível na parte sombreada do Droid, abaixo. A definição da câmera do L4 II ficou surpreendentemente boa nesse exemplo, mas não sem sacrificar a qualidade — há um ruído perceptível naquela área.

Foto interna com luz natural.

Neste último comparativo, vemos o detalhe de uma placa. Aqui, as câmeras da LG e Sony mostram, novamente, que são fracas e acabam recorrendo a correções incapazes de equiparar os resultados aos das câmeras da Nokia e Motorola. Este exemplo também evidencia a inclinação da Motorola por imagens mais quentes e saturadas.

Detalhe em uma placa.

O álbum abaixo traz todas as fotos acima em tamanho natural, ordenadas e identificadas:

No geral, fiquei bem dividido entre as câmeras do Lumia 520 e do RAZR D1. A do smartphone da Nokia tem um tiquinho a mais da minha preferência por ser mais fiel em cores, sem puxar tanto para as quentes, ou saturá-las, como as do D1 — que, a seu favor, leva vantagem em definição.

Note que, como dito no início, aqui o objetivo não é encontrar a melhor câmera, mas a menos ruim. É relativamente difícil conseguir boas fotos com qualquer uma das quatro.

Bateria

Todos os quatro têm baterias modestas, suficientes para passar um dia longe da tomada desde que não se exagere no uso dos recursos. A do Lumia 520 é a menor de todas, com capacidade de apenas 1300 mAh — os demais giram em torno de 1700. Na prática, o Windows Phone parece ser menos gastão e a autonomia não difere tanto quanto essa diferença numérica sugere.

É difícil encontrar smartphones com baterias que se destacam. Quando acontece, geralmente a própria fabricante ressalta isso — como no RAZR MAXX, da Motorola, ou o Honor, da Huawei. Ainda que bem próximos dos preços de dumbphones mais elaborados, no quesito bateria os smartphones de entrada são parecidos com modelos mais caros. O que, nesse caso, é uma pena.

Acabamento

Plástico, plástico para todo lado! Mas alguns bons, especialmente o do Lumia 520. Ele se sobressai e ganha, sem muita dificuldade, o título de celular mais bonito deste comparativo. A ergonomia também é bacana (é o maior dos quatro), com bordas arredondadas atrás e um acabamento suave na tampa traseira.

O Xperia E também aposta em um tipo de plástico diferente, com uma textura rugosa que dá firmeza no uso. Além da ergonomia, o design dele dá uma valorizada estética ao conjunto. Fica em segundo lugar nesse critério.

Detalhe interessante no design do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

L4 II e D1 usam um plástico mais simples, pouco inspirado. As tampas traseiras são levemente texturizadas, mas de forma ruim ou indiferente. O D1 imita o acabamento em Kevlar dos RAZR mais caros, mas é plástico mesmo e dos mais simples.

Desempenho

A exemplo da câmera, aqui também a briga é feia. Todos eles te fazem esperar para abrir apps, todos se enrolam na multitarefa, nenhum tem desempenho capaz de distanciá-lo dos demais. Adquirir um smartphone por menos de R$ 500 é, antes de qualquer coisa, um exercício constante de paciência.

O RAZR D1 leva vantagem pela RAM extra, mas é uma vantagem que se mostra mais em situações de uso atípicas. É notadamente mais rápido que os outros dois Androids, mas na maior parte do tempo ter mais RAM que os outros não impacta tanto assim — o Android capenga bastante com 512 MB, mas não faz muito melhor com o dobro disso e um SoC ruim.

O Lumia 520 tem a vantagem do Windows Phone: ele transita pela tela com mais harmonia, passando a sensação de ser mais ágil que os concorrentes com Android e é efetivamente mais rápido que os outros. Mas, no geral, é só sensação mesmo: em um teste direto, abrindo apps similares simultaneamente nos quatro logo após reiniciá-los, o tempo de carregamento foi muito parecido em todos, com o smartphone da Motorola levando uma ligeira vantagem na maioria das vezes e o Lumia 520 vindo logo atrás.

Nessa disputa, desempenho é um fator que não pesa tanto na hora da escolha — todos são, infelizmente, fracos. Considere outras coisas na hora de decidir pelo seu.

E o vencedor é…

De cara, pelo acabamento, desempenho e outros detalhes já citados, Optimus L4 II e Xperia E ficaram pelo caminho. O páreo foi duro, porém, entre o Lumia 520 e o RAZR D1. São dois aparelhos que não parecem custar o que custam dada a qualidade que oferecem. Verdadeiras pechinchas que servem muito bem o usuário sensível a preços.

No fim, feitos mais testes e gasto mais tempo refletindo, ganhou a minha preferência o aparelho da Nokia. Na faixa entre R$ 400 e R$ 500, o Lumia 520 é a indicação do Manual do Usuário.

Botões frontais do Lumia 520.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Lumia 520 levou pelo acabamento, muito mais premium que os demais, a tela, a maior fisicamente e com resolução mais alta de todos, e o Windows Phone, que em modelos de entrada está em melhor forma que o Android — cenário que pode mudar com a chegada do KitKat — e já não sofre tanto da escassez de apps, um problema crônico até ano passado. É disparado o Lumia que a Nokia mais vende, e dá para entender o porquê: é um smartphone e tanto.

RAZR D1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O RAZR D1 fica em segundo, mas por uma cabeça de distância. Mais especificamente, por uma tela ruim. Para quem prefere a multiplicidade de apps do Android ou o sistema em si (com a promessa de atualização para o começo de 2014), porém, é a melhor pedida. Trata-se de um smartphone bem competente para o que custa, com uma experiência próxima à do Android puro e extras técnicos interessantes em relação ao Lumia, como suporte a dois SIM cards e TV digital.

O D1 tem, agora, um grande concorrente doméstico, o Moto G. Apesar do preço sugerido de R$ 649, na Black Friday diversas lojas venderam a variante de entrada por R$ 550 e não será surpresa se já no Natal esse valor se repetir, ou cair ainda mais. Entre os dois, a disputa é covardia. Vá de Moto G sem pensar meia vez.

É bem provável que o varejo brasileiro empurre os preços desses modelos ainda mais para baixo nas festas de fim de ano. O bom é que, hoje, quem tem pouco para investir em celular não fica tão comprometido quanto alguém há dois anos com o equivalente a esse valor de hoje — comentamos isso em um podcast, aliás. O avanço das configurações e o uso de tecnologias antes de ponta em celulares de entrada gera esse benefício na ponta de baixo da tabela e, no fim, ganha todo mundo.

Compre o Lumia 520

Compre o RAZR D1

Compre o Optimus L4 II

Compre o Xperia E

Comprando pelos links acima você ajuda a manter o Manual do Usuário no ar.

Guia de compras: como escolher o melhor smartphone para você

Associamos o fim do ano a várias coisas. Natal, família reunida, férias, viagem e… compras. Seja para representar o Papai Noel, seja para aproveitar o décimo terceiro, dezembro é sinônimo de compras e o comércio entra na onda com ofertas mais generosas — misturadas a algumas armadilhas.

Minha filosofia, pessoal e para o Manual do Usuário, é sempre ressaltar o custo/benefício. Não vejo muita vantagem em ter o melhor quando a situação não o exige. Claro, claro: não é o caso de se comprometer com equipamentos que não darão conta da demanda. O ponto é que nem sempre (quase nunca, na real) o gadget mais caro será o mais divertido, ou o mais útil.

Pensando nisso e nas compras de fim de ano que daqui até o dia 24 ficarão mais e mais frenéticas, surgiu a ideia de montar este guia de compras de smartphones, o gadget mais desejado e debatido do momento.

A intenção não é indicar modelos específicos*. O objetivo é dar explicações e orientações básicas para que você saiba o que está comprando, evitando levar um pepino para casa e ter aquela ressaca moral no dia 26.

* Mesmo com essa ressalva, no final deste artigo deixo algumas indicações.

A quem este guia de compras se destina

Várias pessoas tirando fotos com celulares.
Foto: Dave Lawler/Flickr.

Dia desses, na minha odisseia por um nano-SIM com plano pré-pago (é um martírio, acredite), pude observar como seres humanos comuns vão às compras nas lojas das operadoras. A menos que você esteja disposto a bancar um plano pós-pago, o simples fato de entrar em uma loja de operadora já se revela um erro. Os smartphones baratos não estão lá.

Mas relevemos esse detalhe. Durante a observação sociológica, notei um desconhecimento generalizado que, somado a atendentes que precisam bater metas de vendas, são mal preparados ou atuam com má vontade e que não se importam muito com o pós-venda, resultam em uma profusão de recomendações questionáveis de smartphones notadamente ruins.

Imagino que não seja esse o caso do leitor regular do Manual, então faça o favor de indicar este texto àquele parente ou amigo menos chegado em tecnologia. Ele irá agradecê-lo! E leia você também; de repente alguma dica bacana aparece e, tenho certeza, os seus comentários agregarão bastante às palavras escritas aqui em cima.

Delimite para avançar

Só de modelos da linha Galaxy, da Samsung, deve haver algumas dezenas inundando nosso mercado. A estratégia da fabricante sul-coreana é preencher todas as faixas de preços possíveis. Por um lado isso a ajuda a vender mais — não será por R$ 50 a mais ou a menos que alguém deixará de levar um Samsung para casa — e para mim foi uma mão na roda na hora de encontrar exemplos na redação deste artigo :-)

Para você, porém, é confusão na certa. Até eu, que acompanho de perto esse mercado, vez ou outra sou surpreendido. Como na vez em que uma amiga veio me contar, contente, do Galaxy Win Duos que havia comprado. Prazer, Galaxy Win Duos. Quem é você?

Em menor grau, toda fabricante repete essa estratégia Gremlins. Nos próximos tópicos veremos como evitar as ciladas e garimpar os modelos realmente legais. Antes de nos aprofundarmos, porém, é preciso definir dois parâmetros básicos: preço e sistema.

Um punhado de smartphones na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Há smartphones que variam de R$ 200 a mais de R$ 3.000. A lógica vale aqui: você terá uma experiência melhor com os mais caros. Mas ela não é absoluta, ou seja, dá para encontrar bons modelos em camadas inferiores. (A minha recomendação absoluta hoje, por exemplo, fica em torno de R$ 1.000.) Não é preciso se endividar para ter um smartphone legal. E, hey, salvo algumas exceções, celular é um luxo, no máximo uma utilidade. Não vá se endividar para ficar vegetando no Candy Crush ou reclamando de falta de grana no Facebook!

Além do valor que você está disposto a gastar, o sistema operacional é outro fator de corte importante. Temos, hoje, alguns no mercado:

  • Asha/S40
  • Firefox OS
  • Android
  • Windows Phone
  • iOS
Firefox OS rodando em smartphone da Alcatel.
Foto: Mozilla in Europe/Flickr.

Os dois primeiros, Asha/S40 e Firefox OS, ficam restritos à ponta de baixo da tabela — são aparelhos baratos e humildes, bastante limitados em recursos. Na outra ponta está o iOS: é impossível encontrar um iPhone decente por menos de R$ 1.500. Quem fica cheio de dúvidas é aquele que quer um Android ou um Windows Phone. Se for o seu caso, não se assuste. Há uma luz no fim do túnel e eu mostro o caminho até ela.

Números não dizem tudo, mas falam um bocado

Sempre bato na tecla de que números e configurações têm mais importância do que deveria na hora de se escolher um bom smartphone. É a experiência que conta no fim. O discurso continua válido, sempre, mas há um piso para tudo isso de modo que alguns números mínimos devem ser observados.

A maioria dos brasileiros acha importante ter um bom processador no smartphone, mas pouquíssimos sabem qual está dentro do aparelho que carregam consigo. É uma situação meio bizarra, mas é bom que essa preocupação exista. Você não precisa saber o modelo exato, quantos giga hertz ou qual a GPU que equipa o seu smartphone. As próprias fabricantes, como Qualcomm e Samsung, facilitam a nossa vida com nomes comerciais — mais fáceis de gravar e que atestam a qualidade do conjunto.

Antes que alguém pergunte: não há um tópico para bateria. Com pequenos desvios, hoje todo smartphone dura, se muito, um dia longe da tomada. Essa característica é sempre um choque para quem vem de um celular mais simples, mas é a vida. Existem modelos que se destacam pela grande autonomia, como o RAZR MAXX, da Motorola, e o Honor, da Huawei. São modelos de meia idade e que, hoje, não valem a pena.

SoC: o processador — e mais algumas coisinhas

Já que estamos falando de SoCs, comecemos por eles. SoC é a sigla para System-on-a-Chip, ou seja, um chip que traz, embarcados, a maioria ou todos os componentes vitais para que um dispositivo móvel funcione. Processador, GPU, antenas e módulos como Bluetooth e GPS vêm, em geral, no SoC. São informações importantes, sim, mas que em sua quase totalidade acabam “traduzidas” no jargão marketeiro das fabricantes e operadoras.

A fabricante de SoCs ARM mais popular, hoje, é a Qualcomm. Ela produz a linha Snapdragon que equipa os smartphones mais poderosos dos universos Android e Windows Phone. A linha atual é composta pelos Snapdragon 200, 400, 600 e 800 e algumas variantes recentes, como as famílias 410 e 805; ainda existem alguns modelos respeitáveis com o S4 Pro, do ano passado. Considere a “nota de corte” o Snapdragon 400: dele para baixo, grandes são as chances de você se decepcionar com o desempenho.

Para situá-lo, veja o que alguns smartphones interessantes disponíveis hoje usam:

  • Snapdragon S4 Pro: Nexus 4, Moto X, Xperia SP, Lumia 925, Lumia 1020.
  • Snapdragon 400: Moto G, Lumia 625, Galaxy S 4 Mini.
  • Snapdragon 600: Galaxy S 4, Optimus G Pro.
  • Snapdragon 800: G2, Xperia Z1, Xperia Z Ultra, Galaxy Note 3.

Se o smartphone desejado não usar um chip da Qualcomm, ele provavelmente cairá em uma das seguintes marcas/empresas:

  • Exynos, da Samsung: algumas variantes dos Galaxy S III, S 4, Note II e Note 3 usam o SoC da casa.
  • MTxxxx, da MediaTek: esta fabricante taiwanesa tem se destacado pela fabricação de bons chips a um custo muito baixo. Não por acaso, aparelhos pensados para bolsos sensíveis costumam trazê-lo embaixo do capô, como os RAZR D1 e D3,
  • Tegra, da NVIDIA: a última iteração, o Tegra 4, ainda não apareceu em um smartphone, só em tablets. A linha ficou um pouco queimada por, em versões anteriores, prometer muito e entregar pouco.
  • AX, da Apple: esses você só encontra nos iPhones. A versão mais atual é o A7, presente no iPhone 5s.
  • Atom, da Intel: rainha absoluta nos computadores, a Intel vem se esforçando para fincar sua bandeira no segmento móvel. Há poucos aparelhos com um SoC dela no mercado, sendo o mais bem sucedido até o momento o RAZR i, da Motorola.

Como escolher um bom SoC? Com ressalvas, a hierarquia dos modelos é um bom caminho. Existem diferenças entre Snapdragon 600 e 800, mas no dia a dia não é algo que se nota com facilidade. Mesmo o Snapdragon S4 Pro move aparelhos bem bons, como o Moto X, da Motorola. Essa trinca, somada ao Exynos 4 e 5, são o que o consumidor de olho em smartphones que não engasgam deve procurar.

Para quem está com restrições orçamentárias, o Snapdragon 400 e os MediaTek dual core são boas pedidas. Eles equipam o Moto G e o RAZR D3, respectivamente, dois modelos da Motorola que brilham no custo/benefício.

Memória? Quanto mais, melhor

Existem dois tipos de memória em um smatphone que devem ser alvos de atenção. A RAM é a memória que os apps e o sistema usam temporariamente. A memória interna é o espaço que “guarda” indefinidamente o próprio sistema, apps e dados do usuário — fotos, músicas, arquivos de texto e tudo mais que for gerado pelos apps.

Esta simpática animação dos anos 1990 conta como funciona um computador por dentro — os dois minutos iniciais. Para nosso intento, ela serve: repare, logo no começo, a distinção que o processador faz entre RAM (“sobe janela”, “abre o Internet Explorer”) e o HD (no nosso caso, a memória interna; outra tecnologia, a mesma finalidade):

Em questão de RAM, o mínimo aceitável no Android é 1 GB. Com 768 MB você se vira com algum sufoco ocasional em sessões mais intensivas com a abertura de múltiplos apps ao mesmo tempo. 512 MB? É fria. Talvez o Android 4.4 mude esse cenário, mas como não existe ainda no mercado Android de 512 MB com a última versão do Android, a dica segue válida neste final de 2013.

Para o Windows Phone, vale o mesmo. O sistema é mais fluído que o Android, o que significa que aparelhos com 512 MB de RAM, como o Lumia 520, não sofrem tanto quanto seus pares com o sistema do Google. Mas a limitação afeta a multitarefa e tem uma leve agravante: a restrição a determinados apps mais gastões na loja de apps. A Microsoft e os desenvolvedores se esforçam para otimizá-los, mas vez ou outra aparece um app que só roda em dispositivos com 1 GB de RAM.

Se você estiver de olho em um iPhone, Asha ou Firefox OS, RAM não deve ser motivo de preocupação porque… bem, porque não há escolha. Dos dois primeiros nem se sabe quanto trazem, mas suspeita-se que seja pouco pela (pretensa) leveza dos sistemas e por contenção de custos — memória custa caro. No iPhone, os modelos atualmente à venda vêm com 1 GB, com exceção do iPhone 4S, ainda comercializado, com 512 MB. Pela arquitetura e otimização que o iOS tem, são quantidades suficientes para se ter uma boa experiência, sem engasgos ou esperas intermitentes.

Em relação à memória interna, a variação é maior. Até o iPhone é oferecido em vários patamares, com preços bem salgados para apenas dobrar a memória disponível.

O mínimo que eu recomendaria, hoje, é 8 GB. No aperto, tendo que limpar fotos e música esporadicamente e se policiando quanto à instalação de apps e jogos. Com 16 GB já dá para viver com relativo conforto. Fartura mesmo é ter 32 GB ou mais, mas isso, só para bolsos abastados.

Uma saída para se ter memória sem ter que empenhar um rim no banco é apelar para cartões SD. A relação custo por mega byte é bem mais em conta. Problema? Nem todo aparelho oferece o slot correspondente. Atenha-se a esse detalhe se espaço for importante.

Tela: o que você vê (e o que não vê) é importante

Comparativo com tela comum e tela Retina dos iPhones.
À esquerda, tela do iPhone 3. À direita, tela Retina do iPhone 4. Fotos: Paul Hudson/Flickr.

Além de ser a interface entre você e o seu smartphone, a tela costuma determinar outra característica importante: o tamanho físico do gadget.

A variedade de tamanhos é generosa hoje, mas com uma ou outra exceção, telas menores significam configurações mais fracas. Quando a Samsung encolhe o Galaxy S 4 e acrescenta um “mini” ao seu nome, ela encolhe também a velocidade e a quantidade de memórias que vão nele. Telas muito pequenas, com cerca de 3 polegadas, significam smartphones ruins. Alguns Galaxy (Young Duos, Pocket), Xperia E, Optimus L3 II e L2 II… ultrapassam o tolerável. Não valem a pena, mesmo.

Existe algum pequeno poderoso? Sim, o iPhone, com tela de 4 polegadas e hardware capaz de fazer frente a qualquer outro smartphone disponível. Mas essa relação pouco usual cobra (bem!) seu preço. É um aparelho caro.

É de se notar, também, que o conceito de “grande” no universo móvel mudou um pouco nos últimos tempos. Hoje, graças a processos de construção mais precisos e bordas mais finas, smartphones com até 5 polegadas cabem sem sustos no bolso e podem ser manipulados com uma mão sem tanta dificuldade. Se tiver receio, vá a uma loja e mexa em um você mesmo, experimente-o no bolso (avise o atendente antes!), faça o teste. Acima disso temos os phablets e aí sim, com telas chegando a 6,8 polegadas, o risco de não caber em uma calça mais justa é real.

O tamanho da tela importa, mas a qualidade também. Veja a resolução, se for possível saber, descubra também a densidade de pixels da tela. Com qualquer coisa acima de 300 PPI você estará bem servido: nesse nível os pixels passam a ser indistinguíveis individualmente, o que se traduz em fontes mais suaves, menos fadiga ocular e mais beleza em fotos, vídeos e jogos. Aparelhos fisicamente grandes mas com resoluções baixas, como o Galaxy Grand Duos, da Samsung, são furadas.

Telas do Moto X e Nexus 4 lado a lado.
À esquerda, a tela super saturada do Moto X. À direita, a sóbria do Nexus 4. Prefiro a segunda. Foto: Rodrigo Ghedin.

Indo mais a fundo, entramos em uma área com a qual me importo bastante e que, não raro, é esquecida: a tecnologia empregada no painel. Vale a pena o trabalho que dá para entendê-la se você se importa com detalhes.

É comum a utilização de painéis AMOLED, uma técnica com vantagens, mas que dentre as desvantagens satura bastante a tela — o preto é mais profundo e economiza energia, e as cores ficam mais vivas, mas fogem da realidade e sofrem com distorções estranhas, geralmente pendendo para o verde. Samsung e, em menor escala, Motorola são as que mais recorrem a ela. Há quem prefira essas telas saturadas e em modelos topo de linha, como o Galaxy S 4, os efeitos colaterais são bastante amenizados. De minha parte, fico com as mais neutras, mais fiéis à realidade, como as que a LG produz.

Muitos mega pixels não são sinônimo de câmera boa — mas podem ajudar

A câmera PureView do Lumia 1020 vista em partes.
Foto: Digital Trends.

Por anos a indústria apostou no aumento dos mega pixels das câmeras para forçar os consumidores a atualizarem suas câmeras digitais. Demorou para cair a ficha de que a resolução é apenas parte da soma do que faz uma boa câmera. Sensor, conjunto de lentes, software de processamento e outros aspectos também contam.

Smartphones sofrem com uma limitação física: por serem pequenos e finos, não dá para colocar sensores muito grandes, ou lentes elaboradas ali. Há exceções, claro, e a primeira que vem à mente é o Lumia 1020, com um sensor enorme de 41 mega pixels. Fugindo à regra (e ajudado por aqueles outros aspectos que também contam), é a melhor câmera móvel do mercado, de longe.

Outras que merecem destaque são as dos Lumias 920 e 925, Xperia Z1, Galaxy S 4 e iPhone 5s. Todas muito boas, considerando serem de smartphones. Partindo dessas, a qualidade das câmeras em outros modelos cai junto com os preços.

Em aparelhos mid-range, vale a lógica dos melhores  smartphones de um ou dois anos atrás: passam em situações com bastante luz natural, mas é preciso cautela em ambientes fechados e à noite. Nos abaixo dos R$ 800, esqueça: encare a câmera como um quebra-galho e nada mais para não se frustrar.

3G? 4G? Você vai mesmo precisar disso?

O último item numerológico da análise deve ser o padrão de conectividade, se o smartphone conversa com redes 3G ou 4G. A primeira tecnologia é bastante difundida, de modo que você só não a encontrará em modelos realmente simples, como o Asha 501, da Nokia. Em todos acima disso, é praticamente certo o suporte a redes 3G.

O 4G ainda engatinha, embora seja funcional em grandes centros e até algumas cidades do interior — em Maringá, Paraná, onde moro, a Vivo já oferece em algumas regiões-chave. Se você quiser usufruir da velocidade maior do 4G, é preciso ter um aparelho compatível.

O smartphone mais barato que compatível com redes 4G é o Lumia 625, da Nokia. Depois disso temos Moto X e Xperia SP, da Motorola e Sony, respectivamente. O Lumia 920 e 820, da Nokia, estão com preços bem convidativos devido à idade (foram lançados no começo do ano) e também são compatíveis. Praticamente todo topo de linha lançado nos últimos meses é certificado para o 4G nacional, como os novos iPhones, Galaxy S 4 (uma das variantes), Xperia Z1 e Z Ultra, Lumia 925 e 1020, BlackBerry Z10 e G2, da LG.

O campo minado das versões do Android

Easter egg do Gingerbread.
Android 2.3 em 2013 não dá! Foto: Rodrigo Ghedin.

Se naquele critério inicial você optou pelo Android, é preciso estender a análise para a versão que vem instalada no smartphone em vista.

A mais atual é a 4.4. Nenhum celular vendido hoje no Brasil sai de fábrica com ela, e apenas dois já ganharam atualização — Nexus 4 e Moto X. Essa versão é mais um aperfeiçoamento da linha Jelly Bean (4.1 a 4.3) do que uma totalmente nova; vem com recursos diferentes e muito úteis, como o discador inteligente e a centralização de serviços de armazenamento de arquivos na nuvem, mas não é primordial.

A dica? Não pegue nada anterior ao Android 4.1. Nessa versão o Google introduziu o Google Now, assistente pessoal pra lá de esperto, e o Project Butter, uma série de modificações internas que suavizaram o sistema. E não espere atualizações: com exceção de aparelhos de ponta, elas são raras. O mais comum é um smartphone nascer e morrer com a mesma versão do Android.

Não é muito difícil encontrar smartphones rodando Android 4.0 e, com um pouco mais de dificuldade, até o 2.3 Gingerbread. Fuja desses. Além do sistema defasado, diversos apps exigem no mínimo a versão 4.0 para rodar.

Calma que tem mais. Não bastasse a versão, o Android ainda traz outro “problema” na hora de escolher um smartphone: as skins das fabricantes. A natureza semi-aberta do sistema permite que Samsung, LG, Sony e outras modifiquem-no por inteiro. Isso significa que o Android como concebido pelo Google dificilmente é visto por aí. As variações são mais populares: temos o Android com TouchWiz (camada da Samsung), Optimus UI (LG), Sense UI (HTC) e Xperia UI (Sony).

Tenho uma opinião bem radical nesse ponto: nenhuma dessas modificações é boa. O Android puro é, de longe, a melhor experiência no sistema. E isso pesa, demais… Usar um Nexus e depois partir para um Galaxy ou Optimus é quase como usar dois sistemas distintos. Além da linha Nexus, que tem a bênção do Google no projeto e, por isso, vem com o Android livre de modificações, apenas a Motorola aposta em um sistema mais enxuto, mais limpo — as versões que equipam Moto X, Moto G e os RAZR D1 e D3 são acertadas, com algumas pequenas intervenções, todas bem felizes.

Nos EUA e em alguns poucos países onde o Google Play comercializa hardware existe a opção de comprar “Google Editions” de smartphones populares, como HTC One e Galaxy S 4. Elas extirpam o Android modificado das fabricantes e colocam, no lugar, a versão pura do sistema. Por aqui, ficamos na vontade.

Edições Google do HTC One e Galaxy S 4.
Foto: Gizmodo.

No lado Microsoft, o Windows Phone se apresenta como o meio termo entre Android e iOS — o sistema da Apple atualiza uniformemente em todos os aparelhos a partir de uma mesma data. Com a Microsoft, as atualizações são garantidas, mas dependem do aval das operadoras em cada país. Esta página mostra o status da última, no caso, a Amber. Você espera um pouco mais, mas tem a certeza de que seu aparelho será atualizado, diferentemente do Android onde essa questão é sempre uma loteria.

Cuidado com cópias e marcas sem tradição

Ao longo do texto cito alguns aparelhos para exemplificar configurações e as dicas mostradas, todos de marcas conhecidas. Não que essas sejam as únicas confiáveis, mas elas têm a seu favor o uso por milhões de pessoas e anos de estrada. É mais provável que essas deem menos dor de cabeça do que uma marca obscura que compra equipamentos prontos da China e faz apenas o rebranding por aqui, certo?

Ainda não tive contato suficiente com as nacionais (Positivo, Gradiente e CCE, para ficar em algumas), nem com marcas menos tradicionais (ZTE, Alcatel one touch, Huawei) para indicar aparelhos delas com convicção. Dependendo do preço e das configurações, que a essa altura você já deve estar apto a interpretar, podem ser bom negócio.

Smartphone estilo iPhone é fria!
“Smartphone estilo iPhone 5s” com screenshot do Android 1.6.

O que é sempre um mau negócio são as marcas piratas. Viu um smartphone que parece iPhone, mas roda Android? Fuja sem olhar para trás. Ainda que no papel as configurações pareçam boas, grandes são as chances de componentes de baixa qualidade terem sido usados e, com isso, que durabilidade e qualidade sejam pífias. Se a marca não respeita propriedade intelectual das outras, por que respeitaria o consumidor?

Onde comprar?

Quem tem plano pós-pago junto à operadora pode, de repente, conseguir algum desconto que compense na troca ou compra de um smartphone novo. No Brasil, porém, os planos pré são mais populares, o que nos leva para longe das lojas de Claro, Oi, TIM e Vivo.

O varejo vez ou outra coloca bons aparelhos em promoção. Sempre compare preços, usando ferramentas como Buscapé e JáCotei — essa última tem um gráfico bem interessante de variação de preços nos últimos seis meses. Os dois sites oferecem ainda alertas de preço, que avisam o consumidor quando determinado produto atinge o valor pré-definido por ele.

Gráfico mostra a variação de preço do Moto X.
Variação de preço do Moto X, segundo o JáCotei.

Você pode arriscar no MercadoLivre e similares. O risco, nesses locais, é dar o azar de lidar com vendedores desonestos, ou encontrar dificuldades na hora de acionar a garantia ou resolver outros imprevistos. Nas lojas do varejo é tudo mais fácil e amparável juridicamente. Use o Buscapé e o JáCotei, somado ao Reclame Aqui, para encontrar as com boa reputação, que atendem com agilidade e resolvem as reclamações dos clientes.

Uma exceção a essa regra é a dos usados. Especialmente em se tratando de iPhone, cujo preço não costuma cair nas lojas, pode ser uma via interessante — o meu, um iPhone 5, é de segunda mão; bem conservado, com pouco tempo de uso e saiu bem mais barato do que um novo. Smartphones Android e Windows Phone desvalorizam rapidamente na loja, então pesquise com atenção caso opte por comprar um usado. Nem sempre a diferença de valor torna a compra de um usado melhor negócio que a de um novo.

Algumas indicações de smartphones

A essa altura você já deve estar pronto para escolher um bom smartphone. Se apesar do conhecimento adquirido você ainda não se sentir seguro na escolha, pesquise. Use os comentários abaixo, procure fóruns de discussão. Há alguns bons espalhados pela web e outros tantos escondidos nos grupos do Facebook e comunidades do Google+. Apenas tome cuidado com grupos focados; não adianta muito pedir indicação de um bom Windows Phone em uma comunidade de fãs do Android. Dar um grito no Twitter também pode ser eficaz.

Para dar aquele empurrãozinho, separei algumas indicações abaixo. Elas não são absolutas, nem compreendem todos os bons smartphones disponíveis no varejo nacional. Considere-as como ponta pés iniciais: depois de ler as minhas justificativas, vá atrás de uma segunda, terceira, quarta opinião. Sinta-se livre para debatê-las lá embaixo, nos comentários. Sempre, sempre busque conhecimento — o ET Bilu sabe o que fala!

O melhor: Moto X

Moto X.
Foto: Motorola/Reprodução.

O Moto X é a nova Motorola condensada em um dispositivo. É um smartphone bem acabado, recheado de recursos (4G, boa câmera, tela legal, boa autonomia, ergonomia nota dez) e supera as expectativas graças à profunda otimização e alguns truques exclusivos, como as notificações ativas e os núcleos auxiliares — de linguagem natural e computação contextual.

Ele vem com o Android quase puro (e, agora, atualizado) e as poucas intervenções da Motorola são grandes golaços, como o assistente de migração, o Assist e o software simplificado da câmera. É fácil encontrá-lo por R$ 1.000, um preço baratíssimo para tudo o que ele entrega. O custo-benefício é imbatível e, importante, não traz comprometimentos de carona.

Pelo conjunto da obra, o Moto X é a minha indicação para esse final de 2013.

Considere também:

  • Nexus 4: mesmo com mais de um ano nas costas ainda segura a onda bem e está em processo de desova no varejo há meses, o que significa preços inferiores a R$ 800.
  • Lumia 920: apesar do peso (é um chumbo) e do Windows Phone, tem aparecido em promoções muito boas, abaixo dos R$ 1.000, o que é uma pechincha e se explica pelo fim da produção do modelo no país.
  • iPhone 5s: se dinheiro não for problema, a última versão do smartphone da Apple é ligeira, tem uma câmera melhorada, sensor biométrico e o acervo infinito de apps que fazem a fama do iOS.

A melhor câmera: Lumia 1020

Lumia 1020.
Foto: Nokia/Reprodução.

São 41 mega pixels bem utilizados pela câmera PureView do Windows Phone topo de linha da Nokia no Brasil, o Lumia 1020. O Windows Phone 8 ainda está um passo atrás do Android e do iOS, mas já oferece uma boa variedade de apps e vem amadurecendo rapidamente. Os apps de câmera, aliás, são encontrados aos montes e ajudam o usuário a fazer melhor uso do latifúndio de mega pixels disponível.

Não é o smartphone mais barato, nem o mais caro — o preço sugerido da Nokia é R$ 2.400, mas ele já chegou a R$ 1.900 em algumas lojas do varejo –, mas estamos falando da melhor câmera grudada em um smartphone que se pode comprar hoje.

Considere também:

  • Xperia Z1: o smartphone da Sony tem uma câmera de 20,7 mega pixels que, a exemplo do Nexus 5 (ainda indisponível no Brasil), também melhora com atualizações de firmware. O preço está na mesma faixa do Lumia 1020, mas as similaridades param por aí. Vem com Android, tela Full HD e tudo o que se pode esperar de um Android topo de linha hoje.
  • iPhone 5s: versão após versão é notável a melhora que as câmeras do iPhone apresentam. Na última, ela ficou mais rápida, sensor e aberturam aumentaram, um LED extra apareceu e as otimizações de software a deixaram capaz de tirar fotos ainda mais belas.

O melhor econômico: Moto G

Moto G.
Foto: Motorola/Reprodução.

O Moto G é intrigante. Com um hardware bem bom e preço de smartphone inferior, ele tem colhões para subverter o mercado. Antes dele, era difícil comprar algo digno de elogios por R$ 650. Não mais. Configurações atuais, desenho sóbrio e recursos que se não são os melhores do mundo, deixam os de smartphones da mesma categoria no chinelo, são a fórmula para se fazer um smartphone barato vencedor.

Considere também:

  • Lumia 625: se 4G for essencial para você, este Nokia é a opção mais em conta. Ele não tem configurações estelares; na realidade, elas são relativamente fracas. Mas chegando abaixo de R$ 700 em promoções pontuais do varejo, é a forma mais econômica de usufruir do 4G no Brasil.

O melhor para quem está no aperto: Lumia 520

Lumia 520.
Foto: Nokia/Reprodução.

Considerando o teto de R$ 500, o Lumia 520 é a melhor escolha. O Windows Phone é suave e o hardware fraco dos smartphones nessa faixa de preço não sente tanto seu peso. O acabamento é muito bom, chama a atenção e dá a sensação de que se trata de um aparelho de categoria superior.

Considere também:

  • RAZR D1: o valente smartphone da Motorola conta com suporte a TV digital, aceita dois SIM cards e, o que é mais importante, consegue domar o Android 4.1 (promessa de 4.4 para janeiro) com seu SoC MediaTek e 1 GB de RAM. A tela e a câmera são sofríveis, mas não dá para esperar muito.
  • Asha 501: quem tem R$ 250 na mão e a vontade de ter qualquer coisa melhor que um dumbphone de lanterninha, tem neste modelo de entrada da Nokia uma boa saída. Não tente forçá-lo a fazer muita coisa, o ideal é se contentar com os apps que vêm pré-instalados. Nesse termos, ele se comporta bem e consegue até impressionar em alguns pontos, como na sua bateria highlander. (Na última grande atualização o Asha 501 ganhou WhatsApp.)

Comprar um smartphone é um grande evento. Para a maioria dos que enxergam e fazem uso das possibilidades que esses aparelhos oferecem, ele se torna o gadget mais usado, aquele que está sempre por perto e a quem recorremos inúmeras vezes ao dia. Vale a pena pesquisar, se informar e tirar dúvidas antes de gastar algumas centenas de Reais em um.

Se as dicas acima não forem suficientes, ou se você ficou com alguma dúvida, não hesite em utilizar o espaço de comentários para esclarecimentos. Tem alguma dica extra, algo que faltou citar no post? Use o mesmo espaço para ajudar os outros.

Boas compras e lembre-se de visitar o Manual do Usuário no seu novo smartphone — o blog se adapta e fica lindão em telas pequenas :-)

O que Google e WhatsApp podem fazer para evitar armadilhas como o Balloon Pop 2

Um jogo aparentemente inocente, chamado Balloon Pop 2, foi removido da Play Store pelo Google. Motivo? Ele copiava os históricos de conversas do WhatsApp para um site e permitia que qualquer um visualizasse esses arquivos mediante pagamento. De quem é a culpa?

Graham Cluley descobriu o problema e o divulgou em seu blog pessoal. Só que o “problema”, na visão dos criadores do joguinho, não existe. Tanto que a página do site para onde as conversas são copiadas, o WhatsappCopy, anuncia o Balloon Pop 2 explicitamente como o meio de copiar as conversas para lá.

O Balloon Pop 2 sumiu do Google Play, mas ainda é possível baixá-lo.

Entendo que encarar uma barra de progresso por alguns minutos seja tedioso. A Microsoft, nos primórdios do SkyDrive, oferecia uma bola de praia manipulável com o mouse para que aqueles minutos de upload fossem mais divertidos. Situações diferentes, óbvio, e a do Balloon Pop 2 é, para dizer o mínimo, insustentável.

O jogo não avisa que as conversas estão sendo copiadas. Não avisa sequer que tem alguma relação com o WhatsApp. Segundo Cluley, o Balloon Pop 2 não informa em momento algum, nem na página do Google Play, ter essa funcionalidade de “backup”. O WhatsappCopy diz que se trata disso, de uma ferramenta de backup; na prática, parece uma forma maldosa de conseguir históricos sem que os usuários saibam e, com a posse deles, extorqui-los.

Screenshots do Balloon Pop 2.
Imagem: Graham Cluley.

O Google faz o que pode para protegê-lo de apps como o Balloon pop 2

O Balloon Pop 2 já foi removido do Google Play. O Google tem um arsenal de tecnologias preemptivas com o objetivo de coibir apps maliciosos. Como esse caso exemplifica, ele nem sempre funciona.

Ainda assim, a incidência de código malicioso, considerando o mar de apps existente no Google Play, é pequena. Tanto que uma das boas práticas de segurança no sistema consiste em ficar na loja oficial na hora de baixar novos apps.

De todo modo, é sempre bom desconfiar de apps muito novos, ainda sem avaliações, de desenvolvedores desconhecidos. Embora exista, a triagem do Google Play fica atrás da que Apple, Microsoft e BlackBerry fazem em suas lojas. Há vantagens e desvantagens nessa abordagem mais aberta do Google — uma das desvantagens, você deve ter adivinhado, é a probabilidade maior de furos como esse ocorrerem, além daqueles apps quem parecem mas não são grandes sucessos, como os clones de Angry Birds e Instagram que fazem sabe-se lá o quê.

O Android 4.2 bloqueia apps maliciosos.Ainda que o Google Play fosse imune a apps com segundas intenções, o Android permite a instalação por fora, o “sideloading” de apps. O WhatsappCopy oferece link direto para o APK (instalador) do Balloon Pop 2. Uma indicação para a vítima, e o estrago está feito. Ou estaria, já que a verificação de apps perigosos, presente no Android 4.2 e mais recentes, felizmente já consegue impedir a instalação do jogo.

(A minha intenção era testar o Balloon Pop 2 em um smartphone que não tem, e nem terá antes de um wipe total, o WhatsApp. Parei na tela ao lado porque o app pede acesso a todas as contas cadastradas no Android, o que nesse aparelho em questão inclui Google, Facebook e Twitter. Melhor não arriscar, né?)

O WhatsApp também precisa melhorar

Nada disso aconteceria se o WhatsApp criptografasse direito as mensagens. Até 2011, as conversas eram salvas em texto puro! Ninguém sabe qual padrão de criptografia o serviço usa atualmente, mas há acusações de que sejam protocolos fracos e casos como o do Balloon Pop 2 atestam que, qualquer que seja a técnica usada, ela não é muito eficaz.

O WhatsApp sempre foi um app muito frágil no que diz respeito à segurança. Vineet Bhatia escreveu em maio uma compilação de tropeços do serviço na tentativa de reforçar a privacidade dos usuários. Não mudou muita coisa até hoje, ele continua facilmente hackeável, perigosamente inseguro.

Hemlis, o app de mensagens focado em privacidade.
Foto: Hemlis/Reprodução.

Da popularidade aliada à fragilidade do WhatsApp, alternativas têm surgido. A mais promissora é o Hemlis, “segredo” em sueco. Idealizado por Peter Sunde, co-fundador do The Pirate Bay, o Hemlis tem foco total em privacidade. O projeto foi financiado via Kickstarter e terá apps para Android e iPhone.

A menos que você negocie produtos ilícitos, seja um agente secreto ou leve a sua privacidade muito, mas muito a sério, não há motivo para pânico, nem para abandonar o WhatsApp. Apesar de frágil, é preciso algum conhecimento e muita dedicação para ter acesso a conversas de terceiros. Preocupe-se, e muito, com quem tem lábia boa. Não é de hoje que a engenharia social é a técnica mais bem sucedida no intento de obter informações privadas.

Um ano e três meses depois, o estado do ultrabook Série 9, da Samsung

Não dando o azar de receber uma unidade defeituosa de fábrica, é quase certo que produtos novos funcionarão muito bem. Com hardware de ponta e sem as marcas de uso e dos acidentes do cotidiano, seria estranho se um smartphone novinho, ou um notebook que acabou de sair da loja, funcionasse mal.

É assim que praticamente todos os reviews publicados em sites, pequenos ou grandes, conhecidos ou obscuros, são feitos. Eu também faço isso, é praxe e há bons motivos para focar em lançamentos, mas e depois? Passados alguns meses, como aquele ultrabook bonitão se comporta? Depois de mais de um ano de uso contínuo, ele ainda segue em forma? Um produto não conta a história toda, mas ainda assim achei válido relatar aqui como está o meu notebook do dia a dia, um Samsung Série 9, passado um ano e três meses desde que o adquiri.

Este é um review em três partes:

  • A primeira, escrita com dois dias de uso do Série 9;
  • A segunda, com três meses de uso; e
  • A última, um ano e três meses depois da aquisição.

Delas, apenas uma é realmente nova. As duas primeiras são reformulações (em estilo e adequação ao formato) de textos que publiquei no meu blog pessoal. A última é inédita.

Antes, porém, um pouco de contextualização.

Na época em que comprei o Série 9, em setembro de 2012, ele já era um modelo ultrapassado. Equipado com um processador Core i5 de segunda geração (“Sandy Bridge”), naquela altura a sua atualização, com processador “Ivy Bridge”, já existia. Não no Brasil, onde ela só foi lançada há alguns meses. O que é estranho, já que esse anúncio se deu alguns dias depois do da novíssima geração do agora chamado ATIV Book 9 Plus, com tela sensível a toques, tela com resolução monstruosa, bateria com grande autonomia e um novíssimo Intel Core i5 “Haswell” dentro. Esse ainda não desembarcou no Brasil.

Voltando ao meu modelo, embora ultrapassado trata-se de um ultrabook com tudo o que se poderia esperar de um equipamento dessa categoria. A configuração se completa com 4 GB de RAM, um SSD de 128 GB e, hoje, rodando o Windows 8.1 (ele veio de fábrica com o Windows 7 Home Premium que foi atualizado para o Windows 8 e, recentemente, para a última versão do sistema).

Aperte os cintos e segure-se na poltrona: vamos começar nossa viagem no tempo!

Primeiras impressões do Samsung Série 9

Trecho escrito em setembro de 2012.

Visão de cima do Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Samsung Série 9 é uma lâmina negra de duralumínio. Com bordas cromadas e um visual bem sóbrio, acho que dá para descrevê-lo como bonito. É bem bonito, na realidade. O esmero começa pela embalagem: uma caixa luxuosa contendo, além do próprio notebook, o carregador, um adaptador para a porta RJ-45 e uma caixinha com manuais e um CD (!?) de recuperação.

Sobre o notebook em si, chama muito a atenção a espessura mínima e a leveza — apenas 1,16 kg. O desenho das bordas, que concentra perto das dobradiças as portas e conexões e vai “afinando” até a frente, passa a impressão de que o equipamento é ainda mais fino (na prática são 12,9 mm). É um notebook amigo da coluna.

Falando em portas, é aqui que a portabilidade cobra seu preço. São apenas duas portas USB (uma delas 3.0), saída micro-HDMI, outra minúscula de rede, uma mini-VGA, o conector de energia e saída de áudio “mista” (para fones e microfone, como nos celulares). Escondido em uma portinhola do lado direito, fica um leitor de cartões 4-em-1. Nada extravagante e tudo muito dependente de adaptadores — que não acompanham o produto com exceção do da porta Ethernet.

A proximidade das portas gera uma situação inusitada: a menos que o seu plug USB seja bem fino ele não pode ser encaixado junto com o carregador. Como as duas entradas ficam bem próximas, uma toma espaço da outra. Ah, e o conector do carregador se comporta de forma diametralmente oposta à do MagSafe, da Apple: ele fica muito bem preso ao notebook. Um esbarrão no fio não o remove de jeito algum e, se duvidar, leva notebook e tudo mais para o chão. Muito cuidado com o fio.

Avancemos para dentro do Série 9, para o teclado e touchpad. Com tudo se acostuma, mas à primeira vista não gostei muito do teclado — o que me leva a imaginar o quão ruim deve ser o da versão mais atualizada/com processador Ivy Bridge, cujo teclado o Gizmodo US detonou em review.

O confortável teclado do Série 9 foi estranho no primeiro contato.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O feedback tátil é ok, mas a altura das teclas é mais baixa do que o esperado e o espaçamento entre elas, um pouco grande; nessas primeiras horas de uso, por exemplo, tenho apertado muito o botão [ em tentativas de teclar Enter. De positivo, o teclado é bem limpo, com telas F1-12 como padrão, botões alternativos (Fn) diretos e um backlit sutil e automático de quatro níveis. Há indicadores de LED nas próprias teclas (Wi-Fi, trava do Fn, Caps Lock). De ruim, algumas invencionices da Samsung herdadas de outros modelos: / e ? acessíveis via Alt Gr e teclas Page Up/Down, Home e End nas setas direcionais, acessíveis via Fn — um saco para mim que uso muito elas; com esse layout, não consigo usá-las com uma mão.

Já sobre o touchpad, menos críticas. Uma coisa legal é que os gestos multitouch simplesmente funcionam. Correr páginas com os dois dedos, arrastar três para baixo para abrir a multitarefa, zoom com pinça… tudo isso é suave e responsivo, coisa que não se vê em notebooks mais simples. Ele inteiro é um botão (na parte inferior) e dependendo do lado onde se clica, aperta-se o botão esquerdo ou direito. Essa divisão é um pouco confusa e complica na hora de fazer alguma seleção com o botão apertado (ação para a qual, justiça seja feita, também há um gesto que facilita). Entre vantagens e desvantagens, achei ele bem agradável, a ponto de fazer com que aquela vontade de ter um mouse Bluetooth derivada de frustrações com o touchpad não se manifestasse.

Touchpad do Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ainda nessa parte, reitero a sobriedade do layout. Em certo ponto, é sóbrio até demais — faltam LEDs indicadores de atividade do disco, por exemplo (embora o SSD não tenha me deixado esperando nada até agora). Mas mesmo com toda essa pegada premium e minimalista, senti falta de terem ido além e sumido com os adesivos chatos tão conhecidos de notebooks Windows. Em vez de fazer algo como a Dell com o XPS 13, que colocou essas coisas todas numa chapa na parte de baixo do notebook, a Samsung manteve os adesivos de processador e Windows. “Cinzas” e uniformes (ou seja, menos ruins, no padrão ultrabook), mas ainda assim…

E essa tela? Com 13,3″, resolução de 1600×900 e acabamento fosco, é um deleite. Mesmo não sendo uma tela Retina, é bem bacana. O brilho é muito bom e o ajuste automático, bastante funcional. Os ângulos de visão são incríveis. Se o Série 9 chama a atenção pela beleza externa, a tela mantém essa impressão quando a tampa é aberta.

No que diz respeito ao desempenho, ainda não fiz nada que exigisse muito dele. É um Core i5 2467M com 4 GB de RAM DDR3. Mas o que mais impacta o uso corriqueiro, nas atividades básicas (inicialização e abertura de aplicativos) é, sem dúvida, o SSD. É um de 128 GB (com muito espaço “desaparecido”, provavelmente para guardar arquivos de recuperação que não devem durar muito por aqui) e a velocidade encanta. Boot “frio” em menos de 20 segundos, aplicativos mais pesados abrindo instantaneamente. Isso é lindo. E olha que o SSD que equipa o Série 9 nem é dos mais rápidos.

O grande problema do Série 9 é o adaptador de rede sem fio. Não sei se é culpa do Centrino Advanced-N 6230 (que já sai de fábrica com driver atualizado) ou se a construção do notebook compromete a comunicação sem fios, mas essa chateação, somada a uma infeliz configuração padrão da Samsung nas configurações de economia de energia resultam em uma navegação web impossivelmente lenta, com quedas sucessivas do sinal Wi-Fi. Corrigir a configuração melhora muito as coisas (o Felipe Machado dá a dica), mas um teste básico de ping ainda releva desempenho aquém do esperado, principalmente em um notebook de ponta como o Série 9 se propõe a ser. Farei mais testes no decorrer da semana para ver se isso compromete o uso, mas até agora, com a alteração nas configurações de energia, ele tem se comportado bem.

O Samsung Série 9 (modelo NP900X3B-AD1BR) é um ultrabook extremamente leve, fino e, aparentemente, com desempenho adequado para tarefas básicas — navegação, digitação, aquele uso que boa parte das pessoas faz de computadores. Comprei o meu na FastShop por R$ 3.200.

Três meses depois, como vai o Samsung Série 9?

Trecho escrito em meados de dezembro de 2012.

Samsung Série 9 e alguns celulares espalhados na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil se afeiçoar ao Série 9, ultrabook topo de linha da Samsung. Mesmo com algumas falhas grotescas, eu adoro o meu.

Pouco mais de três meses depois, já trabalhei bastante com o Série 9, instalei o Windows 8, gravei e editei podcast, viajei, até joguei (se To The Moon for considerado jogo)… enfim, fiz praticamente tudo o que poderia fazer em um notebook. É hora de rever aquelas impressões iniciais.

Há três coisas irritantes no Série 9.

A primeira é o Wi-Fi. Com aquele hack citado no post anterior o problema é amenizado, mas o desempenho do sinal wireless é patético comparado a qualquer outro equipamento. Colocá-lo para baixar alguma coisa é um teste de paciência e uma sessão de dedos cruzados (na esperança de que a conexão não caia no meio do processo). É ruim, absurdamente ruim para um equipamento desse porte. Sempre tive notebooks baratos e todos, sem exceção, tinham módulos Wi-Fi melhores que o do Série 9. A única explicação plausível para a Samsung ter colocado no mercado um negócio tão podre é o Wi-Fi não ter passado por testes de (falta de) qualidade.

A segunda chateação é a bateria. Em média, consigo ficar cerca de quatro horas longe da tomada. Para um notebook de entrada seria fenomenal, para um ultrabook, é risível. Não sei se a limitação física (ele é muito leve e muito fino) impediu a Samsung de colocar mais energia ali dentro, mas essa autonomia pífia causa uma péssima segunda impressão.

Por fim, os sinais de uso. Sei que todo notebook fica com as teclas brilhantes após um tempo, mas poxa, dois meses? Até o touchpad já mostra marcas de batalha… As minhas mãos não suam tanto, não tenho problema com ácido úrico, nem uso o notebook enquanto como frango frito. Esperava maior durabilidade, ainda que seja apenas uma falha estética.

Marcas do tempo precoces no Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bônus: o LED do carregador é muito brilhante, do tipo que ilumina o quarto à noite. É um detalhezinho de nada, mas me obriga a tirar o carregador da tomada para conseguir dormir.

Vou parecer mulher de malandro, mas mesmo com essas falhas, duas delas graves, ainda gosto do Série 9. A leveza e a espessura mínima são elegantes e deixam o manuseio super de boa. Não é raro eu segurá-lo aberto com apenas uma mão, pela borda frontal, sem fazer esforço. O material é rígido e emana firmeza, não se ouve nenhum tipo de rangido e ele não entorta.

O desempenho também segue ótimo, em muito impulsionado pelo SSD. A diferença desse sistema de armazenamento para um disco rígido com partes móveis é brutal. No uso cotidiano, aplicativos abrem instantaneamente, a manipulação de arquivos é rápida, a multitarefa, mesmo com 4 GB, é suave. Essa quantidade de RAM e o SSD, somados a um processador legal (Core i5), tornam a máquina um deleite. Leio, navego, assisto a vídeos, escrevo, até edito podcasts sem nenhum engasgo.

O teclado e o touchpad são bem bacanas. Quando comentei aqui as minhas primeiras impressões, reclamei do espaçamento das teclas. Era questão de costume mesmo. Hoje digito bem rapidamente e com poucos erros. Meus dedos deslizam no touchpad sem dificuldade e a superfície é bem responsiva, inclusive para os gestos multitouch. Se quando ele chegou eu descartei a compra de um mouse Bluetooth, hoje digo que nem se ganhasse ou tivesse um dando sopa aqui o usaria.

Outros pontos positivos? Tela estupenda, áudio bom para um portátil. Um pouco baixo, mas não dá para esperar muito. O Série 9 esquenta, mas não dissipa calor pelo teclado e a temperatura não chega a níveis “ficarei estéril se usar isso no colo por meia hora”.

Resistindo ao tempo

Trecho escrito ontem.

O Samsung Série 9 é como o vinho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde janeiro de 2013 tenho usado o Série 9 com mais frequência. Depois que me mudei, transformei meu desktop, até então também usado para trabalhar, em uma estação multimídia ligada à TV. O notebook passou a ser o titular para minhas atividades profissionais.

O desempenho continua ótimo, pelo menos nas partes em que o SSD é exigido. Em outras atividades mais pesadas, porém, a diferença de poder para o desktop se faz notar e é, sim, sentida.

Nada muito extravagante ou que me faça desejar muito voltar ao computador de mesa, mas mesmo em coisas mais simples, como uma página web pesada (oi, Google+!), a fraqueza do conjunto móvel é sentida. Editar vídeo aqui? Não tente isso para não se frustrar. Para essa finalidade peço licença aos jogos e Netflix no desktop e subo o editor de vídeos lá mesmo, direto na TV.

Mas se estou até hoje trabalhando no Série 9, é porque ele, ao contrário do que o parágrafo acima pode dar a entender, está longe de ser ruim. Para navegação web, escrita e outras atividades menos intensivas, ele é um senhor equipamento. E é esse desempenho econômico, mas eficiente, somado às suas características físicas (leveza, beleza, ergonomia) que me fazem gostar tanto dele. É isso aí: o Série 9 é um notebook adorável.

Surpreendentemente, acho que o Série 9 melhorou com o tempo. O módulo Wi-Fi, que tanto irritava nos primeiros meses, melhorou da água para o vinho com o Windows 8 e novos drivers lançados pela Intel. Aquelas quedas intermitentes sumiram por completo e hoje tenho confiança o bastante para deixá-lo ligado à noite baixando alguma coisa ou fazendo uma atividade qualquer.

Do teclado, que causou estranheza a princípio, já fiquei íntimo. Digito com muita velocidade e pouquíssimos erros, da mesma forma ou até melhor do que fazia no teclado ergonômico da Microsoft que usava no desktop. O touchpad continua maravilhoso e reitero que prefiro ele a qualquer mouse. Aquela ideia de que touchpad em máquinas Windows não prestam, mais do que justificada pela presença maciça de modelos simplesmente ruins em máquinas mais baratas ou até da mesma categoria, tem lá suas exceções. O do Série 9 é, sem dúvida, uma delas.

Esse tempão com o Série 9 também serviu para extirpar velhos hábitos. Nas primeiras impressões reclamei da falta de indicadores de atividades, aqueles LEDs que apontam a atividade do disco, da rede, etc. A estabilidade do sistema e a velocidade derivada do SSD tornam essas coisas dispensáveis. Não é um tablet, mas a filosofia deles, de apenas funcionar da forma como se é esperada e sem engasgos, aplica-se aqui. E quem precisa de um LED de atividade do hardware em um tablet?

O desgaste precoce do teclado e touchpad, com apenas dois meses de uso, limitou-se àquilo. Não houve pioras nesse sentido. E chega a ser digno de nota, dado o tanto que já digitei nessas teclas, todas elas ainda estarem com a tinta dos caracteres fortes, sem sinais de que irão se apagar em breve.

Como uso-o majoritariamente em casa e, portanto, ligado à tomada, nunca exijo muito da bateria. Em viagens a trabalho acabei tendo que recorrer a ela e seus números, infelizmente, não melhoraram em nada — não que eu tivesse esperança de que milagrosamente a bateria passasse a dura algumas horas a mais, mas enfim. Consigo ficar de quatro a cinco horas mesmo longe da tomada. No que faço quando estou fora, ou seja, redigir algum texto, tomar notas em apresentações, cobrir feiras, dá para o gasto. Poderia sem melhor? Não, deveria ser melhor. Mas já estava ciente dessa limitação quando o comprei, logo seria injusto reclamar dela agora.

Valeu a pena?

Poucas conexões, mas o suficiente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Sempre relutei bastante em recomendar o Série 9 com processador Sandy Bridge, mesmo custando bem menos do de um MacBook Air equivalente — o paradigma extra oficial para ultrabooks.

Hoje é difícil encontrá-lo no varejo, já que uma versão mais atualizada está disponível no Brasil. Algumas lojas ainda têm estoque; em uma rápida pesquisa no Buscapé, uma ainda o vende por R$ 2.500, valor que mesmo hoje é interessante para um notebook desse porte. O ATIV Book 9, com processador Core i5 “Ivy Bridge”, é encontrado na mesma loja por R$ 3.600. Vale a diferença? Difícil dizer. Embora goste muito desse ultrabook, recomendaria ao comprador em potencial erguer a cabeça e olhar a concorrência — Lenovo e Asus estão com modelos bacanas com valores equivalentes.

Quando decidi comprar um notebook a minha primeira opção era o MacBook Air. Acabei optando pelo Série 9 porque a diferença de preço entre eles era grande, de R$ 800. E como já estava acostumado com Windows, não teria curva de aprendizado e, de quebra, continuaria com meu workflow intacto. Meio comodismo, vá lá, mas é um ponto importante — imagino que ter a mesma desenvoltura que tenho no Windows, onde acumulo anos de experiência, no OS X não seria algo trivial.

Apesar dos problemas iniciais e de projeto, no longo prazo classifico essa como uma boa compra e estou satisfeito com o que o equipamento proporciona. Talvez o Samsung Série 9 seja exceção e de qualquer forma, ainda que longo para um review, um ano e poucos meses é um período mediano na vida de um gadget. Mas ele vem envelhecendo bem, até melhorando alguns aspectos com o tempo (e atualizações de software), e sem dar problemas de hardware. Continue assim por mais um ou dois anos e poderei dizer, enfim, que esta foi uma ótima compra.

Leituras da semana #7

Smartphone, tablet e ereader: todos prontos para a leitura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.

Sobre a nuvem

Andrew Sullivan filosofa sobre nossas representações digitais que construímos, dia após dia, com links, comentários, fotos e compartilhamentos, na Internet. E viaja para o futuro ao prever que, com isso, nos tornaremos imortais, pessoas eternas (a quem interessar). O que no passado instigava as mentes mais brilhantes e inquietas no sentido de se eternizarem hoje está ao alcance de qualquer um. A relação entre imortalidade, memória e nuvem, no final, é linda.

The Dish: Nossas memórias (e nós mesmos) pertencerão à nuvem

Sobre viver sem Internet

Na Vice, Wallis Azadian relata sua experiência de viver uma semana em 2013 como se estivesse em 1996 — ou seja, sem Internet. O mais interessante é como a ausência de conexão impacta suas relações pessoais. É difícil combinar uma saída com os amigos, contornar imprevistos do dia a dia e até passar o tempo. Vale para pensar: a Internet é mesmo essa vilã das relações interpessoais?

Vice: Vivi como se fosse 1996 por uma semana

Sobre celulares caros

Estamos em 2013, mas ainda existe uma fabricante trabalhando com o letárgico S40, sistema da Nokia que equipava alguns aparelhos intermediários alguns anos atrás. Pior: são smartphones caríssimos. O Verge entrou na Vertu, a marca de grife que não se inibe em cobrar milhares de dinheiros em seus aparelhos, cada um deles feito por uma pessoa em um processo quase artesanal de pura excelência. É para poucos — quem tem muita grana e liga mais para moda do que a utilidade de um smartphone.

The Verge: É assim que você produz o celular mais caro do mundo

Sobre DSLRs e câmeras mirrorless

No Gizmodo, Michael Hession crava a morte das DSLRs — pelo menos entre entusiastas e gente que se importa com qualidade, mas prefere carregar menos peso e chamar menos a atenção. O buraco que separa as grandes DSLRs e as pequenas mirrorless está diminuindo a passos largos com coisas como as full-frames da Sony, e a tendência é que mais gente opte pelas pequenas. Eu tenho uma mirrorless e adoro.

Gizmodo: Os últimos dias das DSLR


Todos os artigos acima estão listados no Readlists.com, onde você pode enviá-los para o Kindle, por email, para dispositivos iOS ou baixar um ebook.

Os novos comandos do Google Now em português

Google Now esperando um comando no Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bater um papo com o celular ainda é visto como algo excêntrico e, em muitas situações, mais demorado e suscetível a erros do que usar os dedos para digitar ou acessar alguma coisa na tela. Isso mudará no futuro? O Google acha que sim e, na busca por tornar a sua tecnologia de voz mais confiável e popular, liberou diversos novos comandos para o Google Now em português.

Há algumas semanas pairava o rumor de que o Google Now brasileiro ganharia novos comandos, juntando-se aos quatro que o Moto X apresenta na sua ajuda. Recebi uma mensagem do leitor Rodrigo Bittencourt dizendo que o serviço tinha aprendido novos comandos em português do Brasil e… olha só, aprendeu mesmo! (mais…)

É impossível sair do Tubby e do Lulu sem deixar resquícios

Luluzinha gritando -- provavelmente com o Bolinha.

Lulu, Tubby, revanchismo, machismo, sexismo, brincadeira, coisa séria… Independentemente da forma com que você encare esses dois apps que trazem para o século XXI a inesquecível Guerra dos Sexos do Faustão, a fofoca de bar, um ponto é unânime: é bem chato se surpreender listado num dos dois sem ter sido consultado antes.

No Manual já falei de um outro problema do Lulu, de ordem mais filosófica do que prática, e no último podcast abordamos o app com um enfoque mais “vida real” — como ele é recebido em rodas de amigos e que estragos causa ou pode causar. Apesar de eu encará-lo como algo mais em tom de brincadeira do que um destruidor de homens com a masculinidade sufocada, é indefensável como a dinâmica do app, de preencher o mural das meninas com os perfis dos seus desavisados amigos no Facebook, é agressiva.

As consequências dessa abordagem se dividem em duas. A primeira, imbróglios jurídicos. O Ministério Público já investiga o app e ações individuais começam a pipocar pelo Brasil.

A segunda, cheia de boas intenções, lotada de desinformação, é a onda de tutoriais ensinando a cair fora do Lulu — e, como medida preventiva, do Tubby, o equivalente masculino do Lulu que está sendo feito a toque de caixa por um trio de brasileiros. Eles não funcionam porque ignoram o modo de funcionamento da API do Facebook, os pedaços da rede que ela libera para que desenvolvedores criem apps e serviços em cima desses dados.

Entendendo a privacidade no Facebook

O passo a passo mais comum para sair do Tubby e do Lulu é um que leva o usuário às configurações de aplicativos no Facebook e pede para que ele desmarque um punhado de caixas de seleção. Este aqui, por exemplo. Não perca seu tempo seguindo-o, ele não tem utilidade alguma porque não alcança as informações de que o Lulu e o Tubby precisam. No caso, seu nome, foto e lista de amigos.

É preciso entender como o Facebook funciona. Nossos perfis são compostos por diversos campos. Alguns, esses listados na página que o tutorial acima menciona, opcionais e ocultáveis. Outros, públicos. A ajuda do Facebook lista quais são esses:

  • Nome.
  • Foto de perfil.
  • Sexo.
  • E número identificador (ID) da conta.

O Facebook se justifica dizendo que elas são essenciais para que as pessoas se encontrem lá dentro e, nessa mesma ideia, a lista de amigos é uma forma de facilitar esse contato. Até dá para editar a visibilidade da lista de amigos, mas ela se refere apenas à forma com que seus amigos a veem. O Lulu e o Tubby não são afetados, eles pedem acesso à lista de amigos pela API e, para isso, não existe configuração no Facebook capaz de bloquear. (O bom senso, talvez, mas é querer demais que as pessoas leiam uma caixa de diálogo, reflitam sobre o que ela pede e, mais que isso, desistam de dar uma olhadinha e, de carona, ceder seus amigos para os apps.)

Sendo uma rede social, onde a interação entre as pessoas é o que a faz funcionar, é uma justificativa válida. Infelizmente, ela dá brechas a ações menos nobres, como as dos já citados apps. Esses quatro pontos são suficientes para que eles coloquem você em suas listas — graças à autorização de um amigo qualquer, concedida no momento em que ele entrou em um dos apps com autenticação via Facebook.

Como sair do Tubby e o Lulu?

Não dá.

Eu sei que é chato, mas não dá mesmo — não sem deixar rastros. Eu e o Bruno Briante, que levantou essa bola no Facebook, quebramos a cabeça em busca de uma saída, mas com exceção dos meios oficiais (e obscuros), não rola mesmo.

Aviso às mulheres que não querem estar no Tubby.
A mensagem de mau gosto do Tubby para as mulheres que quiserem remover seus perfis do app. Imagem: Tubby/Reprodução.

A princípio imaginei que bloquear o app pudesse impedi-lo de me alcançar. A estratégia não funcionou porque bloqueio não impede que seus amigos, ao acessarem o app, cedam suas informações públicas, as mencionadas acima, através da permissão de acesso às listas de amigos.

O app não se relaciona com seu perfil, ele simplesmente chega até ele através de outros amigos. O bloqueio só age na relação usuário-app, que não precisa ser estabelecida no caso do Lulu para que alguém apareça lá. Ele pega todo mundo que está no Facebook por tabela, através de quem entra.

Uma saída seria não ter amigos no Facebook, mas aí… né? Outra, que ninguém usasse o app, o que é complicado também.

Sair do Tubby e do Lulu pelos métodos oficiais significa sacrificar seus amigos — e dados pessoais

A única forma de remover seu perfil no Lulu e no Tubby é através dos links que os dois sites oferecem — sair do Lulu; sair do Tubby.

Ocorre que a remoção do perfil é condicionada à “instalação” do app no seu perfil, o que significa que, ao sair, você precisa entrar e, nessa, conceder ao Lulu e/ou ao Tubby acesso à sua lista de amigos (muito provavelmente para inclui-los no app) e um punhado de outras informações pessoais.

Para se descadastrar, Lulu pede informações do usuário.

Não se sabe exatamente como o Lulu e (imagino) o Tubby mantêm esse controle de quem não deve aparecer no site, ou seja, de quem solicitou a remoção do perfil.

O Bruno acredita que eles montam uma lista com as IDs do Facebook e batem com as listas de amigos dos usuários que chegam, excluindo as que aparecerem nas duas. É uma tática simples e que, em tese (reforçando), permite que os privilégios do Lulu/Tubby sobre sua conta no Facebook sejam removidos depois sem que com isso você volte a figurar neles.

A única saída possível

Como lidar? Não sei. Uns podem argumentar que é uma falha de design do Facebook, outros que a vida assim, quem se sujeita à rede social tem que arcar com alguns ônus. É, sem dúvida, uma situação desconfortável, talvez passível de sucesso nas incursões que alguns usuários do Facebook, indignados com ela, estão fazendo à justiça brasileira — existe o posicionamento, não muito difícil de colar, de que o Facebook é co-responsável por esses cenários que se formam em torno do Lulu e do Tubby.

Pedir para sair é um exercício de fé cega e irrestrita: ninguém garante o que os dois farão com os dados dos usuários. Pode ser um golpe, pode ser, no caso do Tubby, um artifício para obter acesso aos perfis de milhares de mulheres (por mais que eles digam que não), qualquer coisa. É muito poder para um app que se impõe com tanta força e, ao mesmo tempo, dá sucessivas demonstrações de imaturidade, como soltar um EITA PORRA em comunicado público.

No fim, a única saída reconhecidamente eficaz para não aparecer no Lulu, Tubby e outros aplicativos duvidosos do gênero é uma só, esta aqui.


Agradecimentos ao Bruno Briante, que trouxe à tona esse insight esperto sobre a API e opções de privacidade do Facebook e se dispôs a tirar várias dúvidas a respeito. Valeu!

Grupos de caronas no Facebook são úteis mas ficam à margem da lei brasileira

A imagem do cara de mochila nas costas à beira da estrada fazendo um joinha para os carros que passam é coisa do passado. Os caroneiros modernos usam não um, mas todos os dedos na hora de procurar transporte, e em vez do acostamento, recorrem à Internet. Os grupos de caronas no Facebook se proliferam e com uma mecânica simples e direta, baseada na confiança, têm servido de alternativa ao transporte convencional.

Os grupos costumam ser fechados e populares em cidades universitárias. Como muitos estudantes vêm de fora, boa parte deles de cidadezinhas próximas, a demanda é grande e encontra respaldo na oferta, também generosa.

Na cidade onde moro, Maringá, no interior do Paraná, há diversos grupos. Temos aqui a Universidade Estadual de Maringá e algumas outras particulares. Existem grupos específicos para as cidades próximas e alguns gerais, como o Caronas UEM. A dinâmica não varia, porém; em geral o interessado publica a origem, o destino e o horário de saída; quem se interessa pela carona ou deixa um comentário, ou manda uma mensagem privada. O inverso, ou seja, pessoas procurando caronas também existe.

Os valores são convencionados. Para Paranavaí, onde costumo ir com certa regularidade, o custo é R$ 10. A natureza desse pagamento, se é que pode ser chamado assim, é primordial para a análise dos aspectos jurídicos da prática. Afinal, os grupos de caronas no Facebook constituem uma ilegalidade?

Nesta matéria do Estado de Minas o diretor de fiscalização do DER mineiro, João Afonso Baeta Costa, afirma que sim:

“É proibida a cobrança de qualquer preço para fazer transporte de pessoas, se não for licenciado. Ainda que o objetivo seja apenas cobrir os custos do carro.”

O Código Brasileiro de Trânsito prevê como infração de trânsito o transporte remunerado de passageiros sem a devida licença:

Art. 231. Transitar com o veículo:

VIII – efetuando transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for licenciado para esse fim, salvo casos de força maior ou com permissão da autoridade competente:

Infração – média;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – retenção do veículo;

O que está em jogo aqui é a própria natureza dessa “remuneração”. É consenso entre os caroneiros, pelo menos os com quem tenho contato na região, que o valor pago por quem pega carona serve para ajudar no pagamento das despesas da viagem — combustível, eventuais pedágios, depreciação do veículo. Embora nem todos se conheçam, é raro alguém sem amigos em comum e bastante recorrente a consulta a esses antes do aceite de uma carona, o que desvincula ainda mais a carona da ideia de prestação de serviço, onde não se faz diferenciação de clientes e tem-se por objetivo lucrar.

O Código Civil disciplina o contrato de transportes de forma complementar ao Código Brasileiro de Trânsito. No artigo 736, estabelece a exceção da carona:

Art. 736. Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia.

Parágrafo único. Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas.

Argumentar que as caronas são gratuitas é um exercício complicado, ainda que o rateio não implique em lucro a quem oferece a carona. O que nos leva à figura do referido artigo e, consequentemente, à possível infração de trânsito. Está formada a confusão.

Pés no painel da caroneira.
Foto: Lauren Finkel/Flickr.

Conversei com alguns amigos advogados e entre eles não houve consenso. Uns acham que a carona não constitui ilegalidade, porém está sujeita às convenções do contrato de transporte do Código Civil. Uma minoria é mais taxativa e acredita que a carona, nesses termos, ou seja, envolvendo dinheiro (ainda que não de forma lucrativa), cai na tipificação de infração de trânsito do CBT.

Na minha visão, o contrato de transporte é um instituto diferente do da divisão de gastos, do rateio. O G1, nesta matéria sobre uma universidade do Piauí, consultou Ítalo Cavalcante, advogado especialista em leis de trânsito. Ele tem uma opinião parecida e a justifica dizendo que a prática se beneficia de uma interpretação mais extensiva da lei:

“Como os próprios participantes afirmam que não se trata de uma atividade com fins lucrativos, o grupo oferece apenas uma ‘solidariedade’ com a divisão da gasolina. As redes sociais ampliaram as formas já conhecidas de amizades e quando se interpreta a lei é preciso considerar essas novas formas de relações. A sociedade mudou e ao interpretar a lei é preciso levar isso em consideração.”

Não existe jurisprudência específica sobre esse cenário e, reforçando as palavras de Ítalo, parece que a nossa legislação ainda não prevê essa situação específica da carona solidária sem intuito de lucro que, em grupos de carona no Facebook, é regra.

Além da legalidade, importa ainda essa distinção para saber como lidar com eventuais imprevistos. Em caso de acidente, por exemplo, vale o que apregoa o Código Civil ou a Súmula 145 do STJ, que livra o condutor da responsabilidade civil caso o dano decorra de culpa simples?

O mais chato nessa história toda é que a carona compartilhada é um negócio bom para todo mundo. Diminui a quantidade de carros na estrada, propicia novas amizades ou contatos, é mais rápido e cômodo que viajar de ônibus. E é incentivada pela mídia porque… bem, porque é um negócio bacana em essência.

Na pesquisa inicial que fiz para esta matéria, o único alerta que encontrei sobre o aspecto jurídico dos grupos de caronas no Facebook foi o da já citada reportagem do Estado de Minas e nesta outra, da Tribuna de Minas — o DER mineiro parece obcecado com o assunto. De resto, só alegria:

A UnB tem até um projeto em andamento que visa facilitar a mediação entre motoristas e caroneiros.

O tema caronas no Facebook chama tanto a atenção nos polos universitários que serviços online que organizam as caronas têm surgido com certa rapidez. Minha Carona, UniCaronas, Carona Fácil, Caroneiros… Todos ilegais? Talvez aqui sim, não pela institucionalização do ato, mas porque alguns usam como bandeira o lucro possível de auferir na oferta de caronas. É um desdobramento da problemática principal tratada aqui e que, no momento, deixo de lado.

O bigode rosa que identifica os carros do Lyft.
Foto: Alfredo Mendez/Flickr.

Apenas para traçar um paralelo com um mercado similar, porém, amadurecido, vejamos o Zaznu, outro que será lançado em breve no Brasil. Em entrevista ao A Crítica, os fundadores dizem que o serviço se posiciona como alternativa a táxis, comparando-o ao Lyft e seus carros de bigode rosa de São Francisco, EUA. Além do Lyft, o Uber, que conta com investimentos do Google, é outro já bastante popular e que, por isso, passa por conflitos jurídicos constantemente. Há muitos interesses envolvidos aí, de muitas partes distintas.

As caronas compartilhadas são mais um ponto de disruptura proporcionado pela tecnologia, um que empurra o legislativo e o judiciário contra a parede e mexe com instituições estabelecidas — taxistas e empresas de transporte, por exemplo. A nossa lei positivista deve tratar o tema de forma objetiva, especialmente na esfera penal, que não dá brecha a analogias. Ele ainda não ganhou uma dimensão tão grande a ponto de incomodar (à exceção do DER de Minas), mas deve ser questão de tempo até isso ocorrer. E aí, nessa hora, nos restará ver de que lado nossos representantes no Congresso ficarão, ou se será possível chegar a uma solução que agrade a todos os impactados. Apostas?

Foto do topo: autor desconhecido.

Leituras da semana #6

Smartphone, tablet e ereader: todos prontos para a leitura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.

Sobre pirataria

Falar de pirataria sem cair em clichês ou defesas polarizadas é um tanto difícil. Por isso fico contente quando alguém que se dispõe a tratar do assunto o faz com sensibilidade, sem defender pontos extremos, mas com a vontade genuína de entender o fenômeno, sem julgamentos rasos ou precipitados. Foi o caso do Forastieri em seu blog.

André Forastieri: Quando pirataria é legal – e quando é imoral (estrelando M.I.A., Batman e Gene Kelly)

Sobre jogos de plataforma

Não tenho jogado muito e, na criação do Manual do Usuário, não abordar jogos foi uma das primeiras decisões. Mas ante um texto tão bom quanto esse do Tevis Thompson sobre jogos de plataforma e sua complicada transição para dispositivos touchscreen, é impossível ignorá-lo.

Grantland: A morte do avatar: Rayman Fiesta Run, Dumb Ways to Die e Limbo

Sobre a Internet de ontem e a de hoje

Reflexão muito bacana do André Conti sobre o que a Internet era em 1995, o que ela prometia ser no século XXI e o que ela se tornou. Boa parte das promessas de cyberdemocracia, liberdade irrestrita e subculturas originadas na Internet ficaram pelo caminho, derrotadas pelas grandes empresas e pelo dinheiro. Mas mesmo nesse cenário desolado, Conti encontra alguns motivos para acreditar que dá, sim, para acreditar.

Gizmodo Brasil: Velocidade de escape

Sobre conteúdo viral, barato e compartilhável

Um texto do Manual pode levar semanas para ficar pronto — dois estão nessa situação; se os deuses da escrita estiverem comigo, ambos saem essa semana. Por isso bate uma pontinha de frustração quando coisas com o Upworthy e similares, listados por Alyson Shontell, viraliza com tanta facilidade. No blog do tipo do Washington Post, Dylan Matthews, que cuida do KnowMore, conta como é o processo: “O texto tem 44 palavras e o post leva menos de 10 minutos para ficar pronto”. É o blog mais visitado da publicação.

Business Insider: De repente, os clones do Upworthy estão em todo lugar e milhões de pessoas os estão lendo

Sobre o Yahoo

Derrick Harris conversou com ex-engenheiros do Yahoo para entender como uma empresa que até meados da década passada brigava de igual com o Google perdeu tanta relevância e hoje, sob o comando de uma ex-Googler, luta para se encontrar e recuperar o prestígio e poder de antigamente. Apesar de algumas forçadas ocasionais, o texto traz boas histórias de bastidores.

GigaOm: A queda (e retorno?) do Yahoo: como o gigante da web se fragmentou e construiu algumas ótimas tecnologias no processo


Todos os artigos acima estão listados no Readlists.com, onde você pode enviá-los para o Kindle, por email, para dispositivos iOS ou baixar um ebook.

Jolla, Adaia e Newkia: as empresas que nasceram com o fim da Nokia

Muito em breve a divisão de celulares da Nokia será incorporada à Microsoft, encerrando uma história de décadas. As atividades da Nokia, porém, vão muito mais longe do que décadas. A empresa orgulho dos finlandeses está prestes a completar 150 anos e embora os celulares com a sua marca estejam com os dias contados, alguns herdeiros já se movimentam para dar continuidade a esse legado.

O fim da Nokia fabricante de celulares foi conturbado. Muitos atribuem esse desfecho, o início do fim, à chegada de Stephen Elop, ex-Microsoft, ao cargo de CEO da Nokia, o primeiro da história não nascido na Finlândia. Em 2011, um memorando comparando a empresa a uma plataforma de petróleo em chamas marcou o começo de uma série de reformulações que acabou com os sistemas operacionais da casa — primeiro o Symbian, depois o MeeGo — e culminou na adoção irrestrita do Windows Phone, da Microsoft, nos smartphones topo de linha.

Foi uma guinada que ainda não se justificou. Algo precisava ser feito, sim, e dentro das possibilidades ter adotado um sistema novo e sem players fortes pode ter sido uma boa. Mas poderia ter sido diferente? A Nokia conseguiria se reinventar apostando no MeeGo? Usando Android? A essa altura, só podemos imaginar esses cenários paralelos.

O abraço na Microsoft desagradou um punhado de gente, dentro e fora da Nokia. Vários funcionários foram demitidos, alguns se demitiram. Uns poucos se juntaram para dar continuidade às ideias da era pré-Elop. Dessa desbamdada surgiram três empresas que esperam conseguir, em um mercado hostil com novatos, despontar como alternativas não só à própria Nokia, mas às outras empresas estabelecidas, como Apple e Samsung. Elas querem ser a Nokia que todo finlandês, que todo mundo que usou e curtiu um N9, gostaria de ter visto.

Jolla: o sucessor espiritual da velha Nokia

Nessa semana a Jolla, primeira das empresas criadas por ex-funcionários da Nokia, no final de 2011, começou a distribuir seu primeiro smartphone para os finlandeses que fizeram a pré-compra. O aparelho roda o Sailfish OS, uma espécie de sucessor espiritual do MeeGo, com interface totalmente baseada em gestos e compatibilidade com apps do Android.

O Jolla não tem especificações que saltam à vista. Vem com um Snapdragon 400 (processador Krait 200 dual core rodando a 1,4 GHz, mais GPU Adreno 305), 1 GB de RAM, 16 GB de espaço interno, tela de 4,5 polegadas com resolução qHD (960×540 pixels) e câmeras frontal e traseira, com 2 e 8 mega pixels, respectivamente. No universo Android, seria no máximo um mid-range, algo para bater de frente com o Moto G, da Motorola.

Especificações não contam toda a história. A centralização da produção de hardware e software é um diferencial e, na prática, pode ser que tais números se traduzam em uma experiência suave, livre de engasgos ou lentidão. Pesa contra o status “beta” do Sailfish OS, e por € 399, algo em torno de R$ 1.260, o Jolla não é exatamente barato. Mas vamos dar um desconto: o MeeGo era um sistema bem acertado e vê-lo voltar à ativa com melhorias é, no mínimo, empolgante.

Alguém segurando um Jolla.
Foto: Jolla/Reprodução.

Empolgante, mas passível de dúvidas. O Jolla não tem botões físicos, toda a interação se dá por gestos. Embora eles não sejam coisa de outro mundo, são vários — vide as imagens abaixo. Existe uma curva de aprendizado em um dispositivo que as pessoas tomam como certo o manuseio — ou alguém aí lê o manual do celular antes de começar a usá-lo? Ser diferente é legal, mas é também um entrave para consumidores menos conscientes do que é a Jolla e o que ela representa.

Quebrada essa barreira inicial, imagino que o usuário se sinta em casa com o sistema de gestos e a bela interface do Sailfish OS. Claro, só testes empíricos podem dar essa exata noção, mas os vídeos demonstrativos apresentam um sistema rápido e esperto, com uma multitarefa que se confunde com widgets e um padrão visual de muito bom gosto. No papel, é um sistema correto, coeso.

Se o Sailfish OS inspira um misto de empolgação e desconfiança, a ideia das capinhas multifuncionais é genial por consenso. A Jolla chama o conceito de “A Outra Metade”. Essas capas podem incorporar funções físicas ao smartphone graças ao padrão I²C, da NXP:

Não se sabe muito bem até onde a flexibilidade d’A Outra Metade vai, mas ideias malucas não faltam, algumas delas renderizadas pelo designer Caprico nesta imagem:

Conceitos d'A Outra Metade do Jolla.
Imagem: Caprico.

Um teclado físico, uma câmera melhor, mais bateria, NFC… A simplicidade do padrão I²C faz com que o smartphone incorpore a “metade” anexada automaticamente, de forma quase orgânica. Quando uma é acoplada, o Sailfish a identifica sozinho, muda a interface e se adapta para fazer uso da função que a capa em questão traz. É uma versão simplista do conceito Phoneblok, mas o importante é que é uma funcional.

Não há expectativa de quando o Jolla cruzará as fronteiras finlandesas e chegará a outros países. Quem financiou a campanha de crowdfunding da empresa receberá um por agora. A venda direta no varejo ou via operadoras, por ora é algo incerto — mas apostar na China, onde a empresa tem escritórios e um centro de P&D, é uma boa.

Adaia: smartphones duros na queda para aventureiros

Imagem conceitual do Blackcomb.
Foto: Adaia/Reprodução.

Se o Jolla se esforça para dar continuidade ao software característico da velha Nokia, a Adaia, fundada em maio também por ex-funcionários da empresa e liderada por Heikki Sarajarvi, busca manter viva a alardeada durabilidade dos seus celulares, ainda que por um motivo bem mundano: Sarajarvi destruiu três smartphones em uma viagem de barco de três meses em 2011. “Não posso ser o único que destrói esses smartphones fazendo coisas absolutamente normais”, disse para si mesmo.

A Adaia quer ser sinônimo de smartphones aventureiros. No pouco que já divulgou, não se interessou muito em falar sobre especificações e software, mas em ressaltar como seus aparelhos serão duráveis. Além de “casca grossa”, eles terão conectividade via antenas e satélite, para manter o usuário conectado mesmo nos lugares mais remotos do planeta.

Espera-se que o primeiro modelo, por ora um protótipo chamado Blackcomb, seja lançado em algum ponto de 2014. A Adaia, que conta com 16 funcionários, firmou parcerias para torná-lo realidade: para o design, que lembra uma planta topográfica (imagem acima), fechou com o DesignworksUSA, grupo pertencente à BMW; para os componentes internos, com a Elektrobit.

O Blackcomb não será barato, como todo equipamento feito para resistir a condições adversas, e deverá ser um produto de nicho. Talvez você nunca mais ouça falar da Adaia, e está tudo bem — nem todo mundo tem uma veia aventureira tão pulsante.

Newkia = Nokia + Android

“O acordo reflete a falha completa da estratégia com Windows que Stephen Elop escolheu quando foi indicado a CEO da Nokia dois anos atrás. (…) A Nokia, que há apenas três anos era líder mundial de telefones móveis, é hoje uma marca pequena e insignificante.”

Com essas palavras em mente, Thomas Zilliacus, que tem no currículo 15 anos de trabalhos prestados à Nokia e mais três como consultor, fundou a Newkia em Cingapura no mesmo dia em que foi anunciada a venda da Nokia à Microsoft por US$ 7,2 bilhões. Acusando a Nokia de arrogância e estagnação, Zilliacus quer, com a Newkia, fazerdo jeito que ele acha certo: casar o hardware de ponta da Nokia com o sistema mais popular do mundo, o Android.

Essa dobradinha, o sonho de muita gente, ainda tem uma longa jornada até se concretizar em um aparelho comercial, embora, nas palavras do fundador, esteja “andando rapidamente rumo à distribuição [do primeiro aparelho]”. Nessa semana a Newkia ganhou um CEO, Urpo Karjalainen. Em seu currículo, 20 anos de Nokia e o cargo de chefe de operações de negócio de alguns mercados emergentes da BlackBerry até março deste ano.

Apoio à Newkia parece não faltar. Zilliacus recebeu mais de 50 emails de funcionários da Nokia quando anunciou sua nova empreitada, vários com currículos anexados pedindo uma vaga em sua empresa.

Sabe aqueles universos paralelos que a gente imagina vez ou outra? Algo como iPhone rodando Android, ou notebooks da HP/Dell com o OS X? A Newkia tornará um deles realidade. Se um Nokia com Android será sucesso ou não, não dá para prever, mas curioso pelo menos isso será.

O que sobrou para a Nokia?

O que sobrou da Nokia.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A divisão de dispositivos da Nokia vendida à Microsoft era parte da empresa. A mais popular junto às pessoas comuns, mas apenas parte. Com a sua venda, o que sobrou da Nokia foi dividido em três áreas:

  • Equipamentos de rede (Nokia Solutions and Networks).
  • Serviços de geolocalização (HERE Maps).
  • e “Tecnologias Avançadas”.

Em julho desse ano a Nokia comprou a parte da Siemens no acordo que tinha com a empresa desde 2006 na primeira dessas três áreas. Essa divisão, lucrativa, torna a Nokia a quarta maior empresa fornecedora de equipamentos de telecomunicações do mundo, atrás de Ericsson, Huawei e Alcatel-Lucent.

Os serviços de geolocalização, consolidados sob a marca HERE, são outra força — embora longe de ser tão rentável quanto a NSN. A Nokia entrou pra valer nesse mercado em 2007, quando comprou a Navteq. Hoje, além de servir seus próprios aparelhos, ela licencia a tecnologia para outras fabricantes, de smartphones (Jolla e Windows Phone usam mapas HERE) a carros.

Por fim, em “Tecnologias Avançadas” ficam abrigadas as propriedades intelectuais da Nokia, incluindo as mais de 10 mil patentes que a empresa possui.

A nova Nokia não é tão empolgante quanto a que nos deu o N95, N9, Lumia 800 e o lendário 1100, o celular mais vendido do mundo. É uma empresa enxuta, que foca em fazer menos coisas, e só as mais lucrativas ou com potencial para fazer dinheiro. É meio triste se pensarmos no legado que fica pelo caminho, engolido pela Microsoft, mas é bom saber que ex-funcionários darão continuidade a ele, com novas empresas, sistemas e propostas.

As origens e implicações da selfie, a palavra do ano segundo o dicionário Oxford

A palavra do ano, segundo o dicionário Oxford, maior da língua inglesa, é selfie. O sistema da publicação que analisa 150 milhões de palavras mensalmente a fim de mensurar as mais usadas constatou um crescimento de 17000% no uso do termo em 2013.

Embora nova, a prática a que se refere a palavra selfie é das mais antigas. A exemplo de crowdfunding, o equivalente virtual à velha vaquinha; de add, sinônimo de fazer amizades em redes sociais; e de crowdsourcing, a boa e velha colaboração espontânea não lucrativa, selfie é a versão moderna do autorretrato, com leves alterações propiciadas ou impostas pelo meio digital.

A definição de selfie no Oxford, por ora disponível apenas na versão online do dicionário, diz o seguinte:

Uma fotografia que a pessoa tira dela mesma, tipicamente com um smartphone ou webcam, carregada em um site de mídia social.

Não se sabe exatamente quando o termo surgiu. O Oxford atribui a criação a uma discussão em um fórum australiano no ano de 2002, mas se extrairmos o “carregada em um site de mídia social”, suas origens remontam o século XIX, quando câmeras rudimentares e cuja portabilidade seria justificadamente questionada hoje começaram a aparecer, permitindo que os jovens descolados de então tirassem fotos do espelho. Era o caso da Grã-duquesa Anastasia Nikolaevna que, na ausência de Internet, mandava seus selfies aos amigos por carta mesmo.

A Grã-duquesa Anastasia Nikolaevna fazendo um selfie em 1914.
Foto: Anastasia Nikolaevna/Arquivo pessoal (1914).

O selfie na era moderna

Na acepção moderna do termo, depois daquela aparição na Austrália o selfie teve alguns lampejos de popularidade aqui e ali, nem sempre de forma muito digna. No Urban Dictionary, o maior dicionário colaborativo de gírias e neologismos, a primeira entrada, grafada como “selfy”, data de 2005 e inclui um “por mulheres adolescentes” na descrição.

Por volta da mesma época, selfies foram associados ao MySpace em um momento em que o site começava sua transição de rede social mais popular do mundo a motivo de vergonha. No Flickr, o destino de fotógrafos digitais antes do Facebook e Instagram se estabelecerem, selfies eram motivo de chacota por parte dos fotógrafos profissionais. Em sites de imagens engraçadas as brincadeiras com selfies de espelho, geralmente em situações exageradas (tablets e notebooks tirando fotos) e misturada a outros atos questionáveis, como duck face, também eram e ainda são bem populares.

Foi no início dessa década, coincidindo com a massificação e aperfeiçoamento das câmeras frontais de smartphones, que o selfie fez sua passagem definitiva para o mainstream. Em um prenúncio da recente honraria obtida junto ao dicionário Oxford, no final de 2012 a revista Time incluiu selfie entre as dez palavras mais badaladas do ano. Ao longo de 2013 a explosão do termo pode ser sentida no dia a dia e, agora, visualizada no Google Trends:

O termo selfie no Google Trends.

Ajudado por apps como o Instagram, que já recebeu mais de 60 milhões de fotos com a tag #selfie desde que foi lançado, e o Snapchat, que pela privacidade que oferece acaba incentivando fotos mais pessoais, nota-se aí um filão que, inclusive, já vem sendo explorado de forma mais incisiva.

Da nova leva de apps focados em selfies, o Shots of Me é o que mais chama a atenção. Não pela sua qualidade ou base de usuários, mas por um dos investidores, o cantor Justin Bieber — ele próprio um grande criador de selfies.

Existem outros, como o Selfie, mas apesar de toda a empolgação com as fotos de si mesmos eu questiono, sem muito embasamento, até que ponto um app específico para fotos do seu rosto tem chances de vingar. Não existe um “Landscape” para fotos de paisagem, ou um “Instafood” para fotos de comida — ok, até tem, mas a finalidade é outra. Porém, se tem uma coisa que aprendemos nessa indústria vital é que não dá para duvidar de nada. Se um app que envia frases com até 140 caracteres vingou, por que não um repleto de fotos com o rosto das pessoas não vingaria?

Muito selfie faz mal, mas em doses modestas pode ser útil

Papa Francisco adere ao selfie.
O Papa Francisco também aderiu.

Embora qualquer pessoa de qualquer idade possa tirar uma foto de si mesma e subir para o Facebook, percebe-se uma ocorrência maior de selfies entre adolescentes e jovens adultos do sexo feminino. Não é difícil entender o apelo que essa forma de expressão tem: é o controle absoluto da situação, de como a pessoa sairá na foto, que leva a essa enxurrada de selfies. Fiquei mal nessa? Tiro outra. E outra. E outra, até acertar.

O que a princípio parece algo inocente e sem maiores consequências, no fim e em doses extremas revela-se mais um sintoma de uma sociedade que se alimenta do frágil reconhecimento em plataformas digitais e pode acabar em problemas mais sérios.

Alguns estudos dizem que, em grandes quantidades, a publicação reiterada de selfies pode gerar dependência, uma espécie de síndrome de Narciso moderna, e derrubar a autoestima. A recompensa rápida que likes e comentários elogiando as fotos proporciona forma um círculo vicioso que pode acabar em um vício patológico. E quando se atinge esse estado, as fotos ficam cada vez mais apelativas. É o que sugere este estudo de 2008, bem antes do selfie se popularizar.

Mulher fazendo um selfie.
Foto: Thomas/Flickr.

Além de fazer mal a quem publica, selfies em excesso também afetam quem está à sua volta. Neste outro estudo, desse ano, os resultados sugerem que fotos em excesso geram saturação em círculos que não o familiar e de amigos próximos — e em redes sociais eles vão muito além desses dois. O Dr. David Houghton, que liderou o estudo, explica melhor:

“Nossa pesquisa descobriu que aqueles que publicam fotos frequentemente no Facebook correm o risco de danificar relacionamentos na vida real. Isso ocorre porque as pessoas, com exceção de amigos próximos e parentes, parecem não se relacionar muito bem com aqueles que publicar fotos ininterruptamente deles mesmos.

Vale lembrar que a informação que publicamos para nossos ‘amigos’ no Facebook é vista, na realidade, por várias diferentes categorias de pessoas: colegas, amigos, família, gente do trabalho, conhecidos; e que cada grupo aparentemente tem uma visão diferente da informação compartilhada.”

Há espaço para críticas quanto às consequências do selfie em excesso, inclusive algumas bem rasas, beirando o preconceito, como esta da Carta Capital. Mas tal qual toda rede social, o fenômeno dos selfies é mais uma mudança de comportamento desencadeada pela Internet que ainda precisa ser melhor estudada e compreendida. Especialmente porque, apesar do receio, existem também fortes indícios de que há algo de positivo nisso aí. A psicóloga especializada em mídia Pamela Rutledge lista alguns deles neste artigo.

Se você faz coro aos que criticam a prática de pronto, prepare o teclado: já existe uma movimentação em torno dos braggies, fotos para fazer inveja nos outros. Quanto tempo até surgir uma rede exclusivamente para fotos do tipo?


Para aprofundar a leitura:

Foto de abertura: mpenafiel/Flickr.